30 de abril de 2018

5 museus imperdíveis em Nova York

O Guggenheim: a gente já começa pirando com o projeto arquitetônico de Frank Lloyd Wright
Nova York tem um elenco gigantesco de museus — dizem que se você visitar um por dia, ainda vai sobrar uma vasta penca ao final de um ano.

Alguns museus de Nova York são tão singelos quanto o jardim de uma casa de imigrantes alemães (o Voelker Orth Museum, no Queens). Outros estão entre as principais instituições do mundo, como o Metropolitan Museum of Art (Museu de Arte Metropolitano, ou simplesmente Met) e o fantástico Museu de Arte Moderna (MoMA).

Com apenas seis dias para rever a cidade, foi duro montar a meu roteiro de museus em Nova York.

Estava ansiosíssima para conhecer a Neue Galerie, aberta em 2001 — uma novidade pra mim, que não aparecia na cidade há 23 anos —, dedicada à arte austríaca e alemã do início do Século 20.

As Senhoritas de Avignon, de Picasso, no MoMA: "apenas" a obra fundadora do modernismo
O Met, o MoMA (que, não bastasse o acervo apaixonante, ainda estava com uma mostra temporária de Tarsila do Amaral) e o Guggenheim não poderiam ficar de fora, pois eu sou louca por eles. Pra completar a programação de museus, finalmente consegui visitar a Frick Collection.

Eu teria ido a muitos outros museus de Nova York, se tivesse tempo. Muita coisa legal ficou de fora, como o Museu de História Natural e seu incrível planetário. De qualquer maneira, fiquei muitíssimo satisfeita com a  programação e recomendo. Veja as dicas e minha avaliação:

Uma sala só com El Greco no Metropolitan: esqueça toda a minha implicância com os "museus de tudo"
⇨ A Milha dos Museus de Nova York
A 5ª Avenida é a grande passarela que leva aos cinco museus citados neste post. O MoMA fica em uma transversal (a Rua 53 Oeste), os outros quatro estão ao longo da chamada Museum Mile (Milha dos Museus), um trecho da célebre avenida que vai da altura da Rua 82 à Rua 110, margeado por uma constelação de instituições importantes.

O Met é a maior, mas não a única estrela da Museum Mile
Além do Met, da Frick, da Neue Galerie e do Guggenheim, também fazem parte da Milha dos Museus de Nova York o Africa Center (Rua 110), El Museo del Barrio (Rua 105, dedicado à arte latino-americana e caribenha, com ênfase na cultura porto-riquenha), o Museu da Cidade de Nova York (Rua 103), o Museu Judaico (Rua 92), o Museu Nacional do Design Cooper-Hewitt Smithsonian (Rua 91) e o Museu da Academia Nacional de Belas Artes (Rua 89).

Nos meses de junho, Nova York celebra a arte e a cultura com o Museum Mile Festival, realizado na terceira segunda-feira do mês. Além de entrada gratuita em todas as instituições da milha dos museus, o festival promove shows gratuitos e ao ar livre, oficinas de arte e outras atividades.

Durante os dias do Museum Mile Festival, a 5ª Avenida é fechada ao tráfego de automóveis e é tomada pela multidão que vem aproveitar a festa.




Neue Galerie: amor (eterno) à primeira vista
Museus em Nova York
☆ Neue Galerie 
🏠 1048 Fifth Avenue (esquina com 86th Street). Metrô 86th St/Lexington Av (linhas 4, 5 e 6).
🕘 De quinta a segunda (fecha terça e quarta), das 11h às 18h.
Entrada: US$20
Site > NeueGalerie


A Neue Galerie tem uma política super restritiva em relação a fotos de seu acervo. Vou, portanto, ficar devendo imagens de todas as coisas lindas que vi neste precioso museu, que arrebatou meu coração de um jeito irremediável.

A estrela da casa é o Retrato de Adele Bloch-Bauer, quadro de Gustav Klimt. A tela, considerada uma obra-prima do pintor, foi roubada pelos nazistas, após a anexação da Áustria — a luta de Maria Altmann, sobrinha de Adele, para recuperar o quadro é narrada no filme A Dama Dourada, como também é conhecida a obra.

O Retrato de Adele Bloch Bauer. Está precisando de um motivo pra ir a Nova York? Taí
(Reprodução: Wikimedia Commons)
Contemplado ao vivo, o retrato de Adele é realmente de deixar a gente sem fala — tão extasiante quanto o O Beijo, a obra mais conhecida e amada de Klimt, que está no Belvedere de Viena. Horas de contemplação não dão conta...

A Dama Dourada já valeria o ingresso na Neue Galerie, mas guarde um pouquinho de fôlego para o resto do acervo.

Você verá trabalhos da grande trinca da pintura austríaca na virada do Século 19 para o Século 20 — Klimt, Egon Schiele e Oskar Kokoshka — belas obras do Expressionismo Alemão e uma coleção de arte decorativa em Jugendstil (a Art Nouveau nos países do Império Austro-Húngaro, uma das melhores escolas desse estilo), peças art-déco e Bauhaus.

Se der sorte ainda encontrará uma mostra temporária de primeira linha, como foi o meu caso. A exposição Antes da Queda, sobre a arte em Berlim e Viena nos anos que antecederam a ascensão do nazismo, me deixou louquinha pra voltar às duas cidades.


⇨ Quanto tempo reservar para a visita à Neue Galerie
Se você for bem objetiva, 40 minutinhos bastam, pois o museu é pequeno. Mas será um desperdício. Reserve 1h30 para essa visita e não vai se arrepender. Depois, continue no clima vienense fazendo uma pausa no Café Sabarsky, que funciona lá.

⇨ Precisa comprar ingresso com antecedência para a Neue Galerie? 
Eu cheguei sem ingresso e demorei 15 segundos na bilheteria. 

Starry Night, de Van Gogh, no MoMA
☆ MoMA (The Museum of Modern Art)
🏠 11 West 53rd Street, entrada no nº 18 West 54th Street. Metrô: 53rd St/5th Ave (linhas E e M).
🕒Diariamente, das 10:30h às 17:30h (às sextas, até as 20h).
Entrada: US$ 25. 

Tem guarda volumes gratuito
Site > MoMA


O que a gente diz de um museu que tem em seu acervo Starry Night (“Noite Estrelada”), de Van Gogh? E que tem as Senhoritas de Avignon, de Picasso — obra considerada marco inaugural da Arte Moderna, só uma das muitas obras do artista na coleção —, A Dança, de Matisse, várias Ninfeias, de Monet ...

Arlequim, de Picasso e Eu e a Vila, de Chagall
A Dança, de Matisse
Apenas uma pequena parte do acervo do MoMA está exposta ao público. É a nata, entre as 200 mil obras da coleção — 70 mil delas estão disponíveis online, no site da instituição. Uma seleção que faz disparar meu coração todas as vezes que visito esse templo da Arte Moderna. 

Já fiquei uma boa meia hora em lágrimas, diante de Starry Night e, em todas as minhas visitas, é inevitável circular pelo belo edifício do MoMA, uma belo exemplo de arquitetura modernista, estampando um sorriso beatífico que deve me deixar com cara de louca.

Trafalgar Square, de Mondrian, e tela da série Ninfeias, de Monet 
Três Mulheres, de Fernand Léger
Mas o que é que eu posso fazer, cercada por Frida Kahlo, Jackson Pollock, Klimt, Chagall, Kandinsky, Juan Gris, Braque, Mondrian...?

Pra completar o deleite, durante a minha passagem por Nova York estava em cartaz no MoMA a mostra temporária Tarsila do Amaral – Inventando a Arte Moderna no Brasil (vai até 3 de junho), uma rara oportunidade de contemplar, juntas, as obras-primas da pintora.

A entrada da exposição de Tarsila e O Abaporu (sem aquela irritante proteção de vidro do Malba)

Carnaval em Madureira e O Boi na Floresta
Foi de arrepiar encontrar a reunião de O Abaporu (que pertence ao Malba, de Buenos Aires), O Boi na Floresta (do MAM-Bahia), A Negra (MAC, São Paulo), Operários (Palácio Boa Vista, Campos do Jordão), A Cuca (Centro Nacional de Artes Plásticas, Paris), Carnaval em Madureira e Antropofagia (ambos da Pinacoteca, São Paulo), e outras obras dessa mulher genial.

Operários: Tarsila é magnífica
Com Tarsila ou sem Tarsila, o MoMA é um programaço — ouso dizer que é a melhor coisa de Nova York, e olha que a concorrência pelo título é feroz.

O edifício do MoMA, projetado por Phillip Johnson e inaugurado em 1964, faz parte do prazer da experiência.

O resultado é um museu agradável de percorrer, com um roteiro racional, sem rigidez, mas que não deixa a gente se perder por seus espaços expositivos amplos e bem iluminados — mesmo quando tem muita gente, não bate aquela aflição de estar engolida pela multidão.

A arquitetura do MoMA é uma bela homenagem ao acervo

Hall de entrada do MoMA, com painel de Miró
Se você gosta de arte, não pode deixar esse museu de fora de seu roteiro. Se não gosta, talvez seja porque ainda não foi ao MoMA 😉.

Para quem lê inglês e quer saber mais sobre o acervo para aproveitar melhor a visita, pode valer a pena comprar o guia MoMA Highlights ("Destaques do MoMA"), com uma seleção e explicações sobre 350 obras mais significativas da coleção. Dá para comprar online, junto com o ingresso e custa US$ 25.

Adoradores de Starry Night
⇨ Quanto tempo reservar para a visita ao MoMA
Entre duas e três horas. É o tempo para apreciar as obras sem pressa, voltar para as salas que você mais gostar e fazer um intervalo no Jardim de Esculturas.

No interior do museu funcionam dois cafés (um deles no terraço) e o restaurante The Modern, bem elogiado,

Precisa comprar ingresso com antecedência para o MoMA? 
É recomendável, especialmente se estiver rolando alguma exposição temporária muito concorrida. Eu não comprei e levei uns 10 minutos na fila da bilheteria.

Entrada da ala dedicada à arte greco-romana do Met
☆ Metropolitan Museum of Art
🏠 1000 5th Avenue (entre as ruas 80 e 84). Metrô: estações 77th St (linhas 4 e 6) ou 86th St/Lexington Av (linhas 4, 5 e 6). 
🕒 De domingo a quinta, das 10h às 17:30h. Sexta e sábado, das 10h às 21h. 
Entrada: US$ 25, com validade para três dias consecutivos e acesso também a The Met Breuer e a The Met Cloisters.
Tem guarda volumes gratuito
Site > MetMuseum

Pegue todas as minhas reclamações sobre os blockbusters da museologia, tranque num baú e jogue a chave fora. É exatamente isso que eu faço quando penso no Museu Metropolitan de Nova York.

O museu estava bem cheio, mas a visita foi bem agradável

No hall de entrada do Met, as estátuas de Atena Parthenos (esq) e de um faraó egípcio recebem os visitantes. A escultura da deusa grega foi encontrada em um templo de Pergamon, na Ásia Menor, e pertence ao famoso museu de Berlim
Sim, eu acho os “museus de tudo” cansativos, não curto aquela saturação do olhar que me acomete depois de umas duas horas de contemplação. Estou mesmo preferindo cada vez mais os museus menores, voltados para um tema específico. Mas, pô, o Met é o Met e não dá pra esnobar esse portento.

São mais de 2 milhões de peças no acervo, algumas com 10 mil anos de idade. É como se o mundo todo, de todos os tempos, estivesse lá dentro: a Pré-História, a Grécia Clássica, o Egito do faraós, o Império Romano, os reinos da África, a Europa medieval...

Cristo Carregando a Cruz, de El Greco, e Os Músicos, de Caravaggio

A Negação de São Pedro, de Caravaggio, está entre as obras mais celebradas do acervo do Met
E quer saber? Essa minha visita ao Museu Metropolitan de Nova York, no domingo de Páscoa — minha despedida da cidade —, foi muito prazerosa. É verdade que tinha muita gente no museu, mas o bicho é tão grande que parece diluir a multidão.

Talvez o segredo tenha sido a minha abordagem: resolvi deixar a curiosidade me levar, sem a obrigação de ver tudo, sem cumprir tarefas de gincana. Flanar entre maravilhas — taí uma ocupação que eu encararia todo dia, até o fim dos tempos.

A Coleção Egípcia do Met é considerada uma das mais completas do mundo
Sala dedicada à arte medieval
Fica mais fácil quando já se explorou o Metropolitan  em outras ocasiões (eu sempre vou lá quando estou em Nova York, às vezes mais de uma vez na mesma viagem), mas mesmo que seja a sua primeira vez, recomendo calma e algum planejamento prévio, pra não sucumbir à ansiedade, que só vai estragar o seu prazer.

Não vai dar pra ver tudo em uma única visita ao Metropolitan. Aproveite que o ingresso agora vale por três dias consecutivos e explore um pouco de cada vez.

Trazido do Egito, o Templo de Dendur ganhou uma ala só pra ele, com vista para o Central Park

Detalhe da arquitetura da ala dedicada à Coleção Robert Lehman (esq) e o Pátio Charles Engelhard, espaço para a escultura e arte decorativa norte-americana
Fiquei umas cinco horas no museu, com algumas pausas. Deu tempo de ver a Coleção Egípcia (enorme), um pouco da Grécia e Roma, uma parte da ala medieval e muitas, muitas telas arrebatadoras — porque, afinal, ver quadros é no que eu mais me amarro, mesmo.

A mostra temporária Parques públicos e jardins privados - de Paris à Provença. Abaixo, um dos destaques dessa exposição,  a tela de Monet retrata o pai do pintor na tranquilidade de seu jardim


Também me esbaldei em duas mostras temporárias. Uma delas, com obras do acervo do Met, mesmo, era dedicada aos Parques públicos e jardins privados - de Paris à Provença, uma festa primaveril feita por obras de Gaugin, Monet, Seurat, Renoir, Pissaro...

A outra mostra temporária era um painel espetacular dos Reinos Dourados, as civilizações pré-colombianas no México e nas Américas Central e do Sul. Encontrei alguns velhos conhecidos de visitas ao Museu do Ouro de Bogotá, Museu Larco e Museu do Ouro do Peru, em Lima, Museu de Antropologia do México e descobri muitas lindezas que ainda vou rever, quando visitá-las nas suas casas.

Reinos Dourados, o esplendor das civilizações pré-colombianas do México, América Central e do Sul


⇨ O que ver no acervo do Metropolitan de Nova York
Se eu puder dar um pitaco sobre o que você deveria colocar na sua lista de prioridades (nada obrigatório, porque num acervo daquele tamanho cada um deve ter sua relação de obras imperdíveis), sugiro que não perca:

O Templo de Dendur
Templo de Dendur
Datado do ano 15 a.C. e dedicado à deusa Ísis, o Templo de Dendur foi doado aos Estados Unidos pela ajuda prestada na recuperação de bens culturais na região alagada pela Barragem de Assuã, no Egito, local original da construção.

Ele é “primo” do Templo de Debod, exibido no Parque do Oriente, em Madri, que também estava na região de Assuã.

O Templo de Dendur fica no térreo do Metropolitan, na ala dedicada à Coleção Egípcia do museu, que é uma das melhores do planeta.
Coleção Greco-Romana
São 17 mil peças, as mais antigas datadas do período Neolítico. A Coleção Greco-Romana do Museu Metropolitan de Nova York é considerada um dos maiores acervos sobre o tema no mundo e oferece um painel impressionante sobre a produção artística dessas duas civilizações.

Fica no térreo do museu, à esquerda (de quem entra) do hall de entrada.

A Aula de Dança, de Degas, e Autorretrato com Chapéu de Palha, de Van Gogh

Anunciação, de Brueghel, O Julgamento de Páris, de Lucas Cranach, o Velho, e Jovem com Jarra d'Água, de Vermeer
Pinacoteca dos mestres europeus entre 1250 e 1800
Eu sempre digo que o quadro que me ensinou a gostar de pintura foi a Anunciação, de El Greco, do acervo do MASP. Mas os primeiros grandes mergulhos nesse universo eu devo ao Met. Foi lá, contemplando o imenso mosaico de sua pinacoteca, que a coisa virou paixão.

A galeria de pintura europeia do Metropolitan é um torvelinho de estilos, de mil possibilidades de uso da luz — e como essa luz muda, dependendo da latitude onde vivia o artista... —, de infinitas abordagens do mesmo tema, de variação na paleta de cores. Desde os pré-renascentistas aos pós-impressionistas e expressionistas, tá todo mundo lá.

O Medievo e a Renascença: Madona com o Menino, de Duccio di Buoninsegna, e Madona com o Menino e Santos, de Rafael

Vênus e Cupido, de Lorenzo Lotto, e Manuel Osorio Manrique de Zuñiga, de Goya
O Metropolitan anuncia, orgulhosamente, que é dono da “maior coleção de pintura flamenga do Século 17 em todo o Ocidente” (e o maior acervo de Jan Vermeer), além de exibir as “principais obras de El Greco e Goya fora da Espanha”. Acredite no que o museu está dizendo.

E aproveite para se encantar com Caravaggio, Van Gogh, Degas, Murillo, Lucas Cranach, Bruegel… A Pinacoteca do Met é um desbunde.

A ala dedicada à pintura europeia fica no segundo andar do Metropolitan. Basta subir a escadaria que fica bem de cara para a entrada do museu.

⇨ Quanto tempo reservar para a visita ao Metropolitan Museum
O Metropolitan é, facinho, um programa para o dia inteiro. Se for sua primeira visita, experimente a estratégia que sugeri lá no alto: aproveite que a validade do ingresso é de três dias e divida sua visita em três partes, para estar sempre com olhos fresquinhos e prontos a se encantarem. 

Esther Diante de Assuero, da caravaggesca Artemisia Gentileschi - rara e maravilhosa representante feminina no clubinho dos grandes mestres 
Lembre-se, ainda, que o Met tem duas outras sedes, contempladas no mesmo ingresso: o Breuer, na Avenida Madison, dedicado à arte dos séculos 20 e 21, e The Cloisters, no Norte de Manhattan, voltado para a arte medieval.

Como você vai fazer para encaixar tudo isso no seu roteiro, sinceramente, eu não sei 😃, mas tente.

⇨ Precisa comprar ingresso para o Metropolitan com antecedência?
Tendo a achar que não, mas fique esperta à programação do Met, pois se estiver estreando alguma mostra temporária de responsa, as filas serão inevitáveis.

Eu fui sem ingresso, em pleno Domingo de Páscoa, e a bilheteria estava sem fila.

As linhas do Guggenheim: poesia concreta
☆ The Solomon Guggenheim Museum
🏠 1071 5th Avenue (entre as ruas 88 89). Metrô: estação 86th St/Lexington Av (linhas 4, 5 e 6).
🕒 Fechado às quintas-feiras. De domingo a quarta e às sextas, das 10h às 17:45. Sábado, das 10h às 19:45h.
Entrada: US$ 25

Tem guarda volumes gratuito
Site > Guggenheim


Vou confessar: meu sonho de consumo juvenil era descer aquela rampa em espiral do Guggenheim de skate.

Não é falta de respeito não. É que as linhas traçadas pelo arquiteto Frank Lloyd Wright para aquele edifício me sugerem algo tipo vento na cara, adrenalina e riso largo. Como é bonito o Guggenheim, minha Nossa Senhora da Prancheta e da Régua T!

A cúpula do edifício e um detalhe da rampa em espiral
O acervo do Guggenheim tem algumas das obras mais famosas de Picasso
Tão bonito que a gente quase esquece o propósito daquelas pinceladas precisas em concreto armado. Mas a esfuziante embalagem tem recheio — e dos bons: uma respeitável coleção de arte reunida pelo milionário Solomon R. Guggenheim.

A ênfase do acervo do Museu Guggenheim é a Arte Moderna, mas também estão lá os impressionistas (Cézanne, Manet, Renoir), pós-impressionistas (Seurat, Toulouse-Lautrec) e  expressionistas (Van Gogh).

Diante do Espelho, de Manet, e As Montanhas de Saint-Rémy, de Van Gogh

Mulher Passando Roupa, de Picasso, e O Violinista Verde, de Chagall
Um destaque da coleção são as muitas obras de Kandinsky, de quem Guggenheim parece ter sido fã. Preste atenção, também, aos quadros de início de carreira de Picasso, quando ele ainda pintava de um modo mais “acadêmico” — se ele me ouve, vem puxar meu pé de noite 😁 — ou, pelo menos, ainda não tão rasgadamente original, como sua versão de O Moinho de La Galette

Picasso morou em Montmartre, onde fica o famoso moinho, tema recorrente dos artistas que viveram naquele bairro boêmio. A obra de Renoir retratando as festas desse tipo muito peculiar de taberna é mais famosa e apontada como fundadora do Impressionismo e está no Museu D'Orsay, em Paris.

Outras telas impressionantes de Picasso no acervo do Guggenheim são Mulher Passando Roupa, da Fase Azul do artista, Jarra e Vasilha de Frutas e Bandolim e Guitarra.

Picasso: Bandolim e Guitarra
Durante minha visita ao Museu Guggenheim (no final de março), uma parte do acervo estava indisponível para visitação, por conta da exposição temporária do artista vietnamita/dinamarquês Danh Vo, mostra bem interessante, mas me deixou com saudade do Violinista Verde, de Chagall, que não pude ver.

Mas ó o prazer de circular por aquele edifício genial apreciando obras geniais já valeria a viagem a Nova York.

⇨ Quanto tempo reservar para a visita ao Museu Guggenheim
Mesmo com parte do acervo indisponível, eu fiquei cerca de três horas no Guggenheim.

⇨ Precisa comprar o ingresso do Guggenheim com antecedência? 
Não. Mas prepare-se para pegar uma filinha se quiser deixar casacos e mochilas no guarda volumes em dias de maior movimento.

O sistema do guarda-volumes do Guggenheim é bem moderno (nada de papeizinhos): você dá o número do seu telefone e, na volta, essa é a senha para localizarem e devolverem seus pertences.

Juan Gris no Guggenheim: Jornal e Prato de Frutas
☆ The Frick Collection
🏠 1 East 70th Street (esquina com a 5ª Avenida). Metrô: 68th St/Lexington Av (linhas 4 e 6).
🕒 Fechado às segundas-feiras. De terça a sábado, das 10h às 18h. Domingo, das 11h às 17h. Na primeira sexta de cada mês (exceto janeiro e setembro), funciona até as 21h.
Entrada: US$ 22. Às quartas, a partir das 14h, você paga quanto quiser. Nas primeiras sextas-feiras de cada mês, das 18h às 21h, o ingresso é gratuito
Site > Frick Collection


Pátio interno da Frick: fotos, só aqui
Pra completar o meu quinteto fantástico de museus nova-iorquinos desta viagem, tenho que recomendar entusiasmadamente a vista à Frick Collection, que eu ainda não conhecia e adorei.

O museu está instalado na mansão do ricaço Henry Clay Frick. Ainda morando na casa, Frick já dava ao imóvel trato de espaço expositivo, como comprova a ampla galeria instalada em um pátio coberto, concebida exatamente para que ele pudesse mostrar arte de sua coleção de quadros às visitas. 

Ainda vivendo na casa, Frick já a preparava para ser um museu
Outros ambientes da casa de Frick também receberam tratamento similar, como as salas reconstruídas para comportar os célebres painéis rococós do pintor francês Fragonard, Os Progressos do Amor.

O acervo reunido na Frick Collection é quase uma enciclopédia dos grandes mestres da pintura. Tem El Greco (quatro!!!), Ticiano, Goya, Frans Hals, Rembrandt, van Dyck, Vermeer, Renoir...

O milionário Frick parecia ter predileção pelos retratos, como atesta a quantidade de obras do inglês Gainsborough.

As obras da Frick Collection estão distribuídas pelos vários ambientes da mansão, e a mobília e peças decorativas fazem parte do show.

A mostra temporária de Zurbarán é um espetáciulo
Para completar o prazer da visita, a Frick Collection estava com uma exposição temporária bacanérrima, a série pintada pelo espanhol Francisco de Zurbarán (Século 17) Jacó e seus 12 filhos, que pertence ao Castelo de Auckland, na Inglaterra.

É proibido fotografar o acervo da Frick Collection. Imagens, só do pátio interno da casa.

⇨ Quanto tempo reservar para ver a Frick Collection
Reserve duas horas. A Frick Collection tem 19 salas. Além das obras de arte expostas, vale a pena ver com atenção as peças de porcelana, prataria, espelhos, tapetes orientais e mobiliário que compõem os ambientes.

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6 comentários:

  1. Esse post vale ouro, vale uma vida.

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    1. Obrigada :), mas quem vale uma vida mesmo é esse monte de museus bacanas. Queria ter umas 3 encarnações para visitá-los até enjoar :)

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  2. Que preciosidade essa lista! Visitei MoMA e Met quando fui, uma maravilha!

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    1. oi, Natalia, aqueles museus de Nova York são uma perdição. Se a gente vacilar, nem vê o resto da cidade :)
      Bjo

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  3. Teu blog é maravilhoso! Aproveitei muito tuas dicas sobre a Grécia. Agora estou planejando uma viagem rápida a Nova Iorque e que alegria foi encontrar teus tão bem escritos textos com ótimas orientações sobre a cidade no meio de um universo de informações rasas, repetitivas e consumistas sobre a Big Apple. Continua viajando bastante! Assim somos presenteados com teus textos! Parabéns!

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