17 de setembro de 2020

Dicas práticas de Malta – como organizar sua viagem

Barco típico de Malta no porto de Marsaxlokk e uma rua de Valeta
Malta é bonita até os mínimos detalhes. Nas fotos, um luzzu, barco pesqueiro típico do país, e uma rua do Centro Histórico de Valeta

Um destino de viagem com belezas até dizer chega, preços moderados, clima convidativo e muita, muita história. Malta é um espetáculo que está entrando cada vez mais na rota dos brasileiros. E esse país pequeno em território e gigante em atrações merece mesmo nossa atenção.

Destino popular entre os intercambistas que querem aprender inglês, Malta também tem todo o combo para férias perfeitas. Tem paisagens hipnóticas, mais de 7 mil anos de história e praias de sonho. Uma Grécia compacta, que fala maltês e inglês e escreve no alfabeto latino.

Balcão típico de Malta em Victoria, na Ilha de Gozo
Os balcões são uma característica da arquitetura de Malta. Este foi clicado em Victoria, na Ilha de Gozo

Passei uma semana inesquecível em Malta, nas últimas férias e recomendo entusiasticamente que você experimente essa delícia de destino.

Neste post, listei as dicas práticas de Malta pra você organizar sua viagem. Tem informações sobre como chegar, documentos necessários para entrar no país, como circular pelas inúmeras atrações e cidades, segurança, clima, melhor época para visitar e preços. O basicão pra você começar a sonhar e planejar.

Uma coisa eu garanto: você vai amar Malta. Veja as dicas:

10 de setembro de 2020

Transporte em Malta — ah, como é fácil!

Lagoa Azul, Malta
O transporte público leva o viajante a todos os cantos de Malta, como a deliciosa Lagoa Azul, na Ilha de Comino

Ah, se fosse sempre tão descomplicado explorar um paraíso. Facilidade nos deslocamentos é um conforto que eu amo encontrar em viagens — e na vida. O transporte em Malta até me deixou meio mimada.

É verdade que o país é pequeno, o que já facilita muito expandir o raio dos passeios. Mas o transporte público maltês leva o viajante a todos os cantinhos que o coração pedir — e não são poucas as atrações de Malta que merecem atenção. 

Malta: Mdina e Marsaxlokk
Belezas como Mdina, primeira capital de Malta (esq) e a fofíssima cidade pesqueira de Marsaxlokk estão na rota regular do transporte público do país

Em sete dias nessa delícia mediterrânea, usei e abusei do bom transporte em Malta para ir muito além da bela capital, Valeta, e a agradabilíssima Sliema, onde me hospedei. Fiz todos os passeios usando os ônibus comuns, partilhados por turistas e malteses.

De ônibus, cheguei à belíssima cidade de Mdina, fundada pelos fenícios, explorei Victoria e a Cittadella, na Ilha de Gozo, cheguei ao Porto de Ċirkewwa para pegar a lanchinha para a Lagoa Azul...

Muralhas da Cittadella, na Ilha de Gozo
Muralhas da Cittadella, na Ilha de Gozo

O serviço de transporte em Malta é pontual, confortável e barato. Um super aliado na hora de ver as belezas de um país apaixonante.

Veja minhas dicas pra virar Malta do avesso usando transporte público:

7 de setembro de 2020

Hospedagem em Malta - Sliema

Sliema, Malta
Sliema vista da minha varanda, no 19º andar do hotel, em Tigné Point

Quando o assunto é hospedagem em Malta, Sliema desponta como a opção mais atraente. A cidade ocupa a ponta de terra que está imediatamente ao Norte da capital, Valeta, tem algumas das praias mais movimentadas da ilha e reúne uma vasta gama de opções em hotéis, restaurantes, comércio e vida noturna.

Apontada como a cidade mais “cosmopolita” de Malta — ao lado de sua vizinha Saint Julian's —, Sliema mistura bem suas porções de balneário turístico e área residencial. Além disso, a cidade é muito bem servida pelo transporte público, o que facilita bastante os passeios pelas diversas atrações do país.

Centro Histórico de Valeta visto de Tigné Point, Sliema, Malta
A Promenade de Sliema tem cada vista de deixar a gente boba

É, eu disse país, mesmo. É que Malta é tão pequenininha que suas cidades parecem bairros de uma cidade de porte médio. Tem um território de 316 km² no total. A Ilha de Malta, a maior do arquipélago, tem 276 km². Para dar uma ideia: o Distrito Federal, menor das unidades federativas brasileiras, tem 5.780 km².

Quem se hospeda em Sliema, portanto, tem a comodidade de chegar a praticamente todo canto usando o bom sistema de ônibus e ferries de Malta.

Praia de Tigné Point, Sliema, Malta
Minha praia em Malta: era só atravessar a rua e tchibum no mar

Eu passei sete maravilhosos dias em Malta hospedada em Tigné Point, a pontinha da península de Sliema, e super aprovei a minha escolha.

Meu hotel, o The Seafront Tower Suites fica de cara para a melhor praia do pedaço — era só atravessar a rua e tchibum no mar — com uma vista espetacular para o porto turístico e o azul das águas maltesas.

Veja as dicas para escolher seu alojamento na deliciosa Malta:

18 de agosto de 2020

O dia que eu falei mal de Elvis Presley

Discos de Elvis Presley
Houve um tempo em que eu não gostava de Elvis — azar o meu

Ah os arroubos juvenis... Eu mal tinha acabado de escutar o Never Mind the Bollocks, em uma tarde do longínquo 1975, e já estava possuída pelo pelo espírito de Francis Fukuyama (antes de Fukuyama, por sinal). Decretei o fim da história.

"O Rock parou aqui", sentenciou a Eu-aos-14-aninhos, convicta de que nada mais suplantaria o viço transgressor, visceral e inovador contido no álbum da banda punk Sex Pistols. Se você está rindo da minha prepotência, ainda não viu nada: muito pior foi o dia que eu falei mal de Elvis Presley.

Disco Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols
Juventude é um perigo: eu escutei os Pistols e já saí decretando o fim da História do Rock 😁

Sim, porque a profecia adolescente ficou no ouvido de duas ou três testemunhas. Mas meu ataque a Elvis foi público, impresso em um jornal de respeitável tiragem, texto de página inteira na capa de uma caderno B que todo mundo lia (todo mundo em Salvador, pelo menos). E eu já estava mais crescidinha, tinha 26 anos.

Pra piorar, falei mal de The Pelvis na véspera da data em que ele completava 10 anos de morto (16 de agosto de 1987). E foi na véspera porque, na época, a Tribuna da Bahia não circulava aos domingos.

Meu texto (que eu transcrevo na íntegra, mais abaixo) provocou um deus nos acuda. O telefone da redação da Tribuna não parava de tocar — nunca imaginei que o fã clube de Elvis fosse tão grande na Bahia.

Tag de mala com Elvis Presley
Hoje, Elvis até viaja comigo

Era gente me xingando de tudo que é nome, alguns ameaçando me dar um corretivo. Teve até ameaça de morte — naquele tempo, achei pitoresco. Fosse no Brasil de hoje, ia ficar verdadeiramente preocupada.

O fuzuê durou uma semana — tempo pelo qual fui orientada pela chefia da redação a entrar no jornal pela rua de trás, pela porta da gráfica, para evitar o piquete. Sim, teve piquete de protesto. Magrinho, mas teve.

O que demorou muito mais foi meu desencontro com Elvis Presley. Eu ainda ia levar mais de uma década pra enxergar o artista (e que gigantesco artista!) que a soberba dos meus 26 anos sequer intuía. Com todas as contradições que eu cito no artigo, Elvis entrou pra o meu panteão.

Estátua de Elvis Presley em Memphis
Estátua de Elvis em uma esquina da legendária Beale Street, a rua do Blues, em Memphis

Mas pra alguma coisa a passagem do tempo tem que servir, né? Hoje, eu puxo as minhas orelhas pela petulância juvenil e cumpro a deliciosa penitência de ouvir, cantar e dançar com Elvis.

Em novembro de 2018, tive a imensa alegria de visitar Memphis, uma baita cidade, que pode bater no peito e se orgulhar de ser o lar do Blues e o berço do Rock'n'Roll. Memphis também é a terra adotiva de Elvis (nascido em Tupelo, Mississípi, em 8 de janeiro de 1935), a quem prestei as devidas homenagens.

Elvis Presley


Que bom que eu consegui descobrir Elvis Presley em uma encruzilhada desse meu caminho pela vida.

Aproveitando que a Fragata está no estaleiro por conta da pandemia, resolvi compartilhar essa história e o texto sacrílego que escrevi em 1987.

A morte de Elvis completou 43 anos há dois dias (16/08/2020).

2 de março de 2020

Roteiro em Malta - 7 dias


Valeta, capital de Malta, vista do mar
Valeta, a capital construída pelos Cruzados, a orla de Sliema, onde me hospedei, e os barquinhos no porto de Marsaxlokk. É impressionante como cabe beleza em um país tão pequeno como Malta

Porto de Marsaxlokk e a orla de Sliema, em Malta


Nas minhas últimas férias, passei uma deliciosa semana em Malta, país/arquipélago banhado pelas águas do Sul do Mediterrâneo.

O país até pode ser pequenininho — apenas 316 km², somadas as ilhas de Malta, Gozo e Comino, que são habitadas, e mais cerca de 18 ilhotas do arquipélago maltês. Mas um roteiro em Malta será sempre muito movimentado, pela diversidade de atrações.

Centro Histórico de Valeta, capital de Malta
Reserve um tempo para se perder pelas ruas de Valeta. A capital de Malta é linda

Situada a 93 km da Costa da África e a pouco mais de 100 km ao Sul da Sicília, Malta é um privilegiado destino de praia: em pleno outubro, quando a maior parte da Europa já estava tirando os casacos do armário, eu me esbaldei no banho de mar em suas águas deliciosas, como as da famosíssima Lagoa Azul.

A tentação de limitar meu roteiro em Malta à preguiça a beira-mar foi grande, mas teria sido um sacrilégio ignorar os outros encantos do país, que tem muita história, paisagens deslumbrantes e uma gastronomia tremendamente sedutora.

Lagoa Azul, Malta (Ilha de Comino)
Em pleno outubro, quando a maior parte da Europa já estava tirando os casacos do armário, eu estava mergulhando na Lagoa Azul de Malta

Veja como ficou o meu roteiro de sete dias em Malta:

28 de fevereiro de 2020

Barcelona - Hospital de la Santa Creu i Sant Pau


Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, o Recinto Modernista, em Barcelona
O Hospital Sant Pau não é tão famoso quanto a Sagrada Família, mas é tão deslumbrante quanto — e fica do ladinho

Enquanto a Basílica da Sagrada Família bomba com mais de 4,5 milhões de visitantes por ano, a apenas 900 metros de distância outra joia espetacular do Modernismo Catalão oferece esplendor sem muvuca e um dos mergulhos mais prazerosos que tive em uma grande atração de Barcelona.

É o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau ("Hospital da Santa Cruz e São Paulo") — hoje conhecido como Recinto Modernista de Sant Pau —, obra do arquiteto Lluís Domenèch i Montaner, um daqueles lugares que fazem a minha alma dar cambalhotas de felicidade.

Fachada principal do Hospital Sant Pau, Barcelona
A fachada principal do Hospital Sant Pau já é maravilhosa, mas é só o começo do encantamento
Fachada principal do Hospital Sant Pau, Barcelona


Pela beleza indescritível, sim. Mas também pela concepção humanista e muito avançada para a época, que entendeu a necessidade de incorporar o belo, o lúdico e o lírico a um equipamento de público de saúde destinado a atender, majoritariamente, os pobres de Barcelona.

O Hospital de la Santa Creu i Sant Pau está ligado à Basílica da Sagrada Família pela Avinguda Gaudí (“Avenida Gaudí”), um bulevar com cerca de 900 metros de extensão. A via arborizada tem um calçadão central e é margeada por uma infinidade de bares, cafés e restaurantes.

Detalhe do jardim do Hospital Sant Pau e uma galeria no Pavilhão da Administração
Detalhe do jardim do hospital (esq) e uma galeria no Pavilhão da Administração

Pavilhão da Administração, Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, Barcelona
Cada pavilhão do Hospital Sant Pau é uma preciosidade

Esse caminho é mais um reforço ao convite para que você combine sua visita à Sagrada Família com a descoberta de mais essa maravilha do Modernismo. Eu fui, amei e recomendo muito.

Veja como foi meu mergulho nas belezas do Recinto Modernista de Sant Pau:

4 de fevereiro de 2020

Barcelona - um passeio por El Born


El Born, Barcelona
El Born: arquitetura medieval, charme e boemia em Barcelona

Tenho certeza que, ao montar seu roteiro em Barcelona, você colocou no topo da lista passeios pelas Ramblas e pelo Bairro Gótico. Afinal, esses são os dois pedaços mais famosos da Ciutat Vella e merecem mesmo sua atenção.

Mas não deixe de programar um passeio por El Born, vizinho separado do Bairro Gótico pela Via Laietana.

Museu Picasso  e a Basílica de Santa Maria del Mar, atrações do Born, Barcelona
O Museu Picasso, instalado em um lindo conjunto de palácios medievais, e a Basílica de Santa Maria del Mar são duas atrações imperdíveis no Born

Charmoso, boêmio e muito menos clichê, esse pedaço de Barcelona reúne atrações turísticas de primeira linha, bares e restaurantes descolados e uma vibe simpaticíssima.

Entre as atrações do bairro estão a magistral Basílica de Santa Maria del Mar, minha igreja preferida em Barcelona, o Museu Picasso e a Carrer de Montcada, a rua medieval mais preservada da cidade, e outros encantos.

Vamos dar uma voltinha por esse bairro gostoso de Barcelona?

28 de janeiro de 2020

Barcelona - roteiro no Bairro Gótico

Catedral de barcelona, no Bairro Gótico
Eu sei que Barcelona é sinônimo do Modernismo, mas eu me amarro mesmo é no Bairro Gótico. Na imagem, a torre da Catedral, do Século 13 

Barcelona é única, mas não é uma só. Ela é a cidade ousada e contemporânea da “herança olímpica” (o grande projeto de revitalização urbana para as Olimpíadas de 1992) e é o Século 19 mais atrevido que passou pelo planeta, na arquitetura modernista do Eixample.

Barcelona também é o “trópico europeu”, na luz exuberante da Barceloneta e de Port Vell. É o terceiro mundo dos becos do Raval...

Casa de la Ciutat e Arco do Bispo, em Barcelona
Sede da Prefeitura de Barcelona, a Casa de la Ciutat conserva uma bonita fachada lateral medieval (esq). Do outro lado da Plaça de Sant Jaume, o arco "gótico" da Carrer del Bisbe é um acréscimo feito em 1929 ao Palácio do Governo da Catalunha

Mas a minha Barcelona preferida é outra: ela se revela inteira em um roteiro no Bairro Gótico. É pouco ensolarada, tortuosa e quase monocromática. Tem ruas estreitas, paredes de pedra, balcões nostálgicos e pátios sossegados, em meio à muvuca turística.

É no Bairro Gótico e no vizinho La Ribera que meu coração bate mais feliz em Barcelona. É lá que eu encontro a cidade dos meus heróis — as lendas se dividem: umas atribuem a fundação de Barcelona a Hércules. Outras, ao cartaginês Amilcar Barca, pai de Aníbal, meu guerreiro preferido.

Estátua equestre de Ramón Berenguer III e uma passagem em arco no Bairro Gótico de Barcelona
Ramón Berenguer III foi conde de Barcelona no Século 12 e entrou para a história como "O Grande". Ele é homenageado com esta estátua (esq) logo atrás do Palácio Real . À direita, uma das muitas passagens secretas do Bairro Gótico

O fato é que cartagineses, laietanos, romanos, mouros, visigodos e francos passaram por Barcelona e deixaram um pouquinho de seu sangue, de seu idioma e de seu tempero na alma da cidade. As pegadas mais visíveis dessas trajetórias estão no Bairro Gótico.

Todos esses conquistadores/colonizadores impulsionaram Barcelona, essa bela à beira-mar. Eles foram a correnteza que direcionou a cidade para o comércio e a exploração naval. No Século 12, a vocação se confirmou e a capital catalã se consolidou como potência marítima no Mediterrâneo.

Dragões do Bairro Gótico de Barcelona
Já experimentou um safári à moda do Bairro Gótico? A diversão é encontrar os diversos dragões que ornamentam fachadas e muros, como esse, bem brabinho, que bate as asas na Baixada de Santa Eulália

Dragão típico do Bairro Gótico de Barcelona na fachada do Museu Frederic Marès
O Museu Frederic Marès também tem seus simpáticos dragõezinhos (esq), como a aldrava desta porta na Carrer de Ferrán. As imagens do bicho mitológico lembram Sant Jordi (São Jorge), padroeiro de Barcelona, que matou um dragão 

Um roteiro no Bairro Gótico não precisa de muita cartografia (mas tem um mapa detalhado logo abaixo 😊). Basta tomar uma transversal da Carrer de Ferrán ou da Carrer de Sant Jaume, duas das principais ruas da área, e cair no emaranhado de vielinhas estreitas para sentir essa velha Barcelona.

Ela está impressa nas portadas das igrejas medievais e nas pracinhas quietas (quase pátios particulares). Nas fachadas singelas ou rebuscadas. Nas memórias que acompanham os caminhantes. Quando você sintoniza essa vibe, nem vai reconhecer no Bairro Gótico aquele pedaço de mundo onde a farra não tem fim.

Os artistas de rua no Bairro Gótico de Barcelona
Os artistas de rua são uma presença constante no Bairro Gótico

Veja meu roteiro pelo Bairro Gótico de Barcelona e se inspire. É um encontro mágico e cheio de imagens inesquecíveis: