11 de novembro de 2018

60 músicas para viajar - dicas para inspirar sua playlist


Músicas para animar a estrada

Easy Rider, o "pai" dos road movies
1 - Born to be wild - Steppenwolf
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Essa é clássica, aposto que emplaca nove entre 10 playlists de viagem. Ganhou o mundo na trilha sonora do filme Sem Destino (Easy Rider, Dennis Hopper, 1969), embalando a jornada dos motoqueiros Hopper e Peter Fonda e o caroneiro Jack Nicholson

Lookin' for adventure/ And whatever comes our way (procurando aventura e [pronta pra] tudo que pintar no caminho), como anuncia a letra, é um estado de espírito que talvez destoe das viagens de Instagram, mas rende grandes jornadas.

2 - Route 66 – Rolling Stones
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Com quase 4 mil quilômetros através de sete estados, a Rota 66 era uma das rodovias mais importantes dos EUA, ligando Chicago a Los Angeles. Inaugurada em 1926, a estrada entrou para a mitologia pelos pés dos andarilhos que vagavam pelo país a procura de bicos e aventuras durante a Grande Depressão.

A canção que virou hino (escrita por Bobby Troup) nos leva para um passeio pela lendária rodovia.

Esta gravação abre o primeiro álbum dos Stones (The Rolling Stones, 1964), mas há inúmeras versões da música - a famosa, de Chuck Berry e até uma gravação de Bing Crosby...



Hoje, vários trechos da Route 66 estão fora de uso corrente. Mas a velha estrada resiste como roteiro de aventura. No mapa acima você pode ver o traçado da rodovia. As cidades citadas na música de estão marcadas em vermelho.

3 - Promised Land – Chuck Berry
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O pai do Rock'n'Roll Chuck Berry nos leva para mais um passeio pelos EUA, contando suas atribulações para atravessar o país de costa a Costa, de Norfolk, Virginia, até Los Angeles, na Califórnia.

James Taylor também gravou essa canção no disco Walking Man, de 1974.

 4 - Free bird – Lynyrd Skynyrd
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I must be traveling on, now/ Cause there's too many places I've got to see (eu tenho que seguir viagem, há muitos lugares que eu preciso ver), avisa a letra, numa despedida sem lágrimas da pessoa amada. Coisa de pássaro livre (título da canção).

Preste atenção no solo de guitarra no final da canção. É apenas um dos mais maravilhosos da história do Rock.

Toda a discografia dos Eagles é muito road-friendly
5 - Take it easy - Eagles
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Enquanto o personagem da canção se manda pela estrada deixando os enroscos pra trás, aproveitemos o conselho: "Pegue leve, não pire com as coisas da vida" (Take it easy, don't let the sound of your own wheels drive you crazy).

É de longe a minha canção favorita dos Eagles, banda mais conhecida pelo mega-blaster hit Hotel California - outra canção sobre viagem, com um clima bem mais sombrio.

 A verdade é que toda a discografia dos Eagles é muito road-friendly.

6 - Me and Bobby McGee – Janis Joplin
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Ai, que saudade daquele crush com quem a gente podia viajar de carona, né?

 Pena que Bobby cansou da estrada e foi em busca de um lar, talvez porque liberdade seja só o outro nome de "nada a perder".

Mas, sabe, Bobby, eu continuo achando que me sentir bem já é bom o suficiente (Feeling good was good enough to me).

A canção foi escrita por Kris Kristofferson (Bobby, originalmente, era uma mulher que virou rapaz na versão de Janis) e foi incluída no último álbum da cantora (Pearl, 1971), lançado três meses após a morte dela.

 Até hoje é a mais lembrada entre as gravações de Joplin.

7 - Mr. Tambourine Man – Bob Dylan
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Essa música parece ter saído direto de uma cantoria à beira da fogueira de um acampamento de mochileiros.

I'm ready to go anywhere, I'm ready for to fade/ Into my own parade/ Cast your dancing spell my way, I promise to go under it (Eu estou pronta para ir a qualquer lugar, pronta para desvanecer. Enfeitice-me com sua dança e eu prometo cair no encantamento).

Música pra aquelas horas que a gente quer esquecer de hoje, pelo menos até amanhã (Let me forget about today until tomorrow).

Na árdua tarefa de definir minhas canções favoritas de Mr. Zimmermann, ela sempre emplaca na lista.

Dylan gravou Mr. Tambourine Man no disco Bringing It All Back Home, de 1965. Na mesma época, a canção virou hit na versão da banda The Byrds.

8 - Lodi – Credence Clearwater Revival
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Estar stuck in Lodi é meio como estar no mato sem cachorro.

A estrada pode não estar sendo muito cordial com esse roqueiro viajante em busca da fama, ele até está doido pra voltar pra casa, mas pergunta se ele se arrepende de ter iniciado a jornada... 😀



9 - O Trem Azul - Lô Borges
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Atire o primeiro passaporte quem nunca sentiu o vento no rosto logo no primeiro segundo desta canção — o quique meio escorregado das baquetas na bateria, senha para as cordas da guitarra desatarem um solo com poderes de tapete mágico.

O Trem Azul é só uma das preciosidades do Clube da Esquina, um disco tão importante quanto Tropicália (Gil, Caetano, Gal, Tom Zé, Nara e Mutantes), Sgt. Pepper's (Beatles) ou The Dark Side of the Moon (Pink Floyd).

Lançado em 1972, o álbum apresentou ao mundo o talento dos mineiros Milton Nascimento, os irmãos Borges, Beto Guedes e companhia e continua encantando ouvidos até hoje.
 
10 - Pendurado no vapor – Sá, Rodrix e Guarabira
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Vocês não sabem como eu invejo a experiência das minhas primas que fizeram mesmo essa viagem de gaiola (os barcos que navegavam o Rio São Francisco).

Até o começo dos anos 80, as viagens fluviais pelo Velho Chico ainda eram comuns e inspiraram essa canção. 

Entre os rocks rurais de Sá, Rodrix e Guarabira, há pencas de canções danadas de boas pra embalar uma viagem. Essa é uma das minhas preferidas.



11- Magical Mystery Tour – Beatles

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Vocês acharam mesmo que iam escapar de encontrar os Beatles em uma playlist do blog de viagens mais beatlemaníaco do mundo? Santa ingenuidade, Walrus... 😀

Essa canção, escrita por Paul McCartney, inspirou o filme mais controvertido da banda — foi detestado na época do lançamento, mas eu acho que Magical Mystery Tour melhora a cada ano que passa.

O filme acompanha Ringo e sua fictícia Tia Jessie em uma excursão de ônibus que flerta com o surrealismo e esbarra em personagens bizarros, magos (os Beatles, claro!) e outras figuras. Tem ótimas canções na trilha sonora.

Eu ouço essa música e já começo a sentir um desejo incontrolável de viajar.

12 - O pó da Estrada – Sá, Rodrix e Guarabira
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Se existe O hino mochileiro, é esta canção linda que me acompanhou por toda a adolescência, quando eu já era doida pra cair na estrada.  Ouçam e me digam se não dá um nó na garganta e uma vontade louca de viajar.

13 - Oriente – Gilberto Gil
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Outra canção que me acompanha há anos, uma obra-prima de Gil, que consegue ser nosso Lennon e nosso McCartney ao mesmo tempo.

Adoro o sotaque francamente mediterrâneo de Oriente, uma sonoridade que se derrama pela música feita no Nordeste, herança Ibérica. E lá vou eu, movida pela curiosidade de ver onde o sol se esconde...

14 - Take me home, country roads – John Denver
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Nem sou muito fã de John Denver, que acho meloso em excesso, mas esta canção é maravilhosa. É verdade que ela fala de voltar pra casa, não de cair na estrada. Mas a volta também faz parte.   


15 - 409 – Beach Boys
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Vocês já sabem que eu sou uma pedestre militante no dia a dia, mas adoro viajar de carro. Esta música dos Beach Boys sempre me deixa a mil por hora — tenho que redobrar a atenção com os limites de velocidade, porque o primeiro acorde da bichinha já me dá uma vontade louca de acelerar.

Os Beach Boys adoravam canções sobre automóveis (quase tanto quanto as canções sobre surfe) e uma playlist de viagem comporta muitas delas.

16 - Preta Pretinha – Novos Baianos
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Esta música é a cara das viagens de carro com a família, nos anos 70, descendo a Rio-Bahia para passar férias em Amparo (SP), onde meu tio tinha uma fazenda e onde os primos se reuniam para altas aventuras.

Eu queria muito que essa barca voltasse a correr e alguém viesse me chamar.

17 - Into the Mystic - Van Morrison
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Let your soul and spirit fly into the mystic (Deixe sua alma e espírito voarem para o insondável). Van Morison é um gênio e essa canção é de uma beleza única. Só de ouvir, já estou viajando.

18 - Expresso 2222 - Gilberto Gil
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Não é exatamente uma canção sobre viagem, mas sobre a a jornada da vida. Por isso mesmo ela sempre me inspira movimento. Nunca se chega no Cristo concreto, de matéria ou qualquer coisa real — porque viagens tratam de caminhos, muito mais do que de chegadas.

As montanhas de Minas Gerais vistas do trem, a caminho do Caraça foram bem embaladas pelos versos de Caetano
19 - Trem das cores - Caetano Veloso
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Os átomos todos dançam, madruga, reluz neblina/ Crianças cor de romã entram no vagão/ O oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da manhã/ E a seda azul do papel que envolve a maçã. Uma canção que tenha esses versos merece virar música de cabeceira de qualquer pessoa com alguma sensibilidade. 

Ela foi a trilha sonora da minha viagem de trem entre Belo Horizonte e Catas Altas, a caminho do Santuário do Caraça, e das idas e vindas pelo Altiplano Boliviano, e a suavidade da canção ficou impregnada das paisagens lindas que percorri.

20 - Timoneiro - Paulinho da Viola
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Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar. Tem jeito mais gostoso de viajar? Eu adoro Paulinho da Viola e essa canção é uma das maravilhas que ele botou no mundo.


Euzinha, deixando o Lago Titicaca me navegar, como ensina Paulinho da Viola
Pra quando bate a saudade...

21 - Leaving on a jet plane – Peter, Paul and Mary
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Mais uma canção de John Denver, na versão que eu mais gosto, com o trio vocal folk Peter, Paul and Mary. I hate to wake you up to say goodbye (detesto te acordar pra me despedir), mas vou assim mesmo. A volta não tem data, mas é uma certeza. Quem nunca pegou a estrada com o coração assim?

22 - 99 miles from LA – Art Garfunkel
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Essa é para aquelas voltas pra casa quando a gente está com o coração bem apertado de saudade. Keeping my eyes on the road I see you/ Keeping my hands on the wheel I hold you (com os olhos na estrada, eu te vejo, segurando o volante, eu te abraço). 

E Garfunkel arrasa, como sempre, nesta canção do irretocável álbum Breakaway, de 1975 (o segundo disco solo, após a separação da dupla com Paul Simon).

23 - Encontros e despedidas – Zélia Duncan
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A versão mais conhecida dessa canção é a de Milton Nascimento, mas a voz de Zélia está um luxo, acompanhada do violoncelo de Jacques Morelembaum. Coisa que gosto é poder partir/ Sem ter planos/ Melhor ainda é poder voltar/ Quando quero.

24 - Um gosto de sol – Milton Nascimento
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Vez por outra, do nada, essa canção embala algum momento mais reflexivo das minhas viagens. Alguém que vi de passagem/ Numa cidade estrangeira/ Lembrou os sonhos que eu tinha/ E esqueci sobre a mesa.

Felizmente, eu tenho uma gama enorme de sonhos pra compensar os que vou esquecendo por aí — e ainda tem a vida, pra me mandar alguém de passagem, numa cidade estrangeira, e me lembrar de devaneios temporariamente descuidados 😊.


A banda folk Peter, Paul and Mary também tem dúzias de canções boas pra acompanhar uma viagem
25 - 500 miles – Peter, Paul and Mary
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If you miss the train I'm on/ You will know that I am gone/ You can hear the whistle blow/ A hundred miles. A melancolia dessa canção sempre me fez sentir uma saudade funda e sem endereço. Use com moderação 😀.

26 - Diz que fui por aí - Fernanda Takai
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Tem saudade na parada, mas em qualquer esquina eu paro/em qualquer botequim em entro/ e se houver motivo/ é mais um samba que eu faço. Tome a esquina, o botequim e o samba como metáforas de todas as possibilidades que nos levam pela mão numa viagem.

Músicas para lugares especiais

27 - La flor de la Canela - Caetano Veloso (Lima)
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Adoro essa canção de Chabuca Granda, cantora peruana criada no bairro de Barranco, de larga tradição boêmia, em Lima. Chabuca foi uma mulher à frente de seu tempo, apaixonada pelas tradições do Peru. La flor de la canela é uma gíria antiga para designar algo muito especial.

Foi através dessa gravação de Caetano (no disco Qualquer Coisa, de 1975) que conheci a canção e descobri Chabuca —  e assim que nasceu meu interesse por Lima, uma cidade que adoro.

Dá quase pra ouvir essa música quando se caminha à sombra dos casarões de Barranco, del puente a la alameda.
 


28 - Penny Lane – Beatles (Liverpool)
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A única canção dos Beatles em que eles citam a palavra Liverpool é Maggie Mae (gravada no álbum  Let it Be, de 1970). Mas a cidade onde os meninos cresceram tem uma presença marcante em sua música — seja de modo explícito, como em Penny Lane, meio cifrado, como em Strawberry Fields, ou em evocações sutis e tocantes, como em In My Life.

Penny Lane é muito mais que um roteiro pela rua que os Beatles imortalizaram. É uma das mais lindas declarações de amor a uma cidade.

29 - Strawberry Fields Forever – Beatles (Liverpool)
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Quando era criança, John Lennon passava horas no alto de uma árvore que havia no quintal de Mendips, a casa onde ele cresceu sob os cuidados da Tia Mimi. Uma de suas ocupações favoritas era bisbilhotar a vida no orfanato de Strawberry Field, que ficava no terreno atrás da casa e onde ele costumava participar de festas e comemorações.

Mimi tentava fazê-lo descer dizendo que ele acabaria preso ou até enforcado por invadir a privacidade alheia (daí o verso Nothing to get hung about, ou "não é nada que possa te levar à forca").
John, ele mesmo meio-órfão (não foi criado pela mãe e teve nenhum contato com o pai a partir dos cinco anos), usou Strawberry Field como inspiração para uma de suas canções mais bonitas, os campos de morango infinitos onde nada é real, mas tudo parece tão lindo...

30 - Mano a mano - Carlos Gardel  (Buenos Aires)
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As letras de tango soam cada vez mais estranhas, com sua evocação de um universo machista, onde os homens sofrem nas mãos das malvadas ou fazem sofrer as doces pombinhas. Mas eu continuo fã de carteirinha desse estilo musical impregnado de boemia, fumaça de cigarro e cheirando a brandy barato. Ainda mais que Tango me lembra Buenos Aires, uma das cidades que mais amo nesse mundo.

 Mano a Mano é um dos tangos mais conhecidos, entre os imortalizados por Gardel. Certa vez, virei amiga de infância das senhorinhas que cuidavam do museu dedicado ao cantor, pois conseguir cantar a letra inteira, sem errar nem um pedacinho. Foi uma tarde adorável.

Quase pousando no Santos Dumont: minha alma canta. Sempre

31 - Lá vou eu – Zélia Duncan (São Paulo)
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Posso garantir a vocês que na cidade de São Paulo o amor é imprevisível — e bastante possível, não importa o que digam os detratores da maior e mais contraditória metrópole desse país.

A música — simplesmente a cara de São Paulo — é de Rita Lee. Mas eu gosto imensamente dessa gravação de Zélia Duncan.

32 - Trem das Onze - Gal Costa (São Paulo)
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Outra canção que é a cara de São Paulo, como, aliás, toda a obra de Adoniran Barbosa, o autor desse que é um hino informal da cidade. A gravação oficial da música é a dos Demônios da Garoa (com direito ao quas, quas, quas, quas, quas, quas/ Faz caringundum), mas a versão de Gal é mais a minha Sampa.

33 - Samba do avião – Tom Jobim (Rio de Janeiro)
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Perfeita para a hora da aterrissagem no Aeroporto Santos DumontMinha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro/ Estou morrendo de saudade/ Rio teu mar, praias sem fim/ Rio você foi feito pra mim. Tente não cantar esses versos quando o esplendor da Baía de Guanabara começar a aparecer na janelinha do avião.

Salzburgo: a terra de Mozart com trilha  sonora da Noviça Rebelde
34 - I' te vurria vasà - Roberto Murolo (Nápoles)
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Esqueça todos os clichés sobre a música napolitana. Roberto Murolo é quase um João Gilberto de suavidade, comparado com aqueles tenores que só faltam rasgar a camisa se esgoelando.

Ouvi Murolo pela primeira vez em Nápoles e essa canção, pra mim, virou a trilha sonora da cidade — talvez a mais linda que já visitei.

35 - My favourite things - Trudy Kerr (Salzburgo)
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Salzburgo é a terra de Mozart, mas a música que acompanha o visitante por todos os cantos dessa cidade deslumbrante é a trilha sonora de A Noviça Rebelde, cuja trama se passa lá.

E não estou brincando: nas duas vezes que visitei Salzburgo, não conseguis me livrar da impressão de que sempre estava cercada de gente cantarolando alguma música do filme—quase todas viraram sucessos planetários.


My favourite things é uma das minhas canções favoritas na vida — e eu comecei a cantá-la sem parar ainda no trem, antes dele partir da estação, em Viena.

Eu amo a versão de John Coltrane, sem vocais, e a de Julie Andrews -mas esta eu não achei no spotify.

36 - Avarandado – Gal Costa 
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Pra ouvir curtindo a brisa, à sombra de um coqueiral à beira-mar em qualquer praia do Nordeste. Gal gravou essa música em seu primeiro disco, Domingo (1967), um LP compartilhado com Caetano Veloso. A gravação de João Gilberto também é deliciosa.

Rio São Francisco: daqui pra o Riacho do Navio
37 - Riacho do Navio – Luiz Gonzaga (Rio São Francisco)
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Pra mim, é a cara do Cânion de Xingó, mas vale para qualquer lugar à beira do Velho Chico. Eu morro de um vontade de ser um peixe e nadar contra a corrente do grande rio para achar um riachinho pra chamar de casa... Sem rádio e sem notícia das terras civilizadas.

38 - De qué callada manera - Soledad Villamil (Santiago de Cuba)
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A versão mais conhecida dessa canção é a que reúne em um dueto seu autor, o cubano Pablo Milanés, e Chico Buarque. Mas adorei a interpretação da cantora e atriz (sim, a protagonista de O Segredo de Seus Olhos e O Mesmo Amor, a Mesma Chuva, ao lado de Ricardo Darín) Soledad Villamil.

Entre tantos exemplos da maravilhosa música cubana, era essa canção que mais me vinha a cabeça, enquanto eu explorava as ruas e ladeiras de Santiago de Cuba, uma cidade que tem íntimo parentesco de sangue e de alma com a minha Salvador.

39 - Milagres do povo - Caetano Veloso (Salvador)
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Caetano descreveu a alma de Salvador nessa canção: Quem é ateu e viu milagres como eu/ Sabe que os deuses sem Deus/ Não cessam de brotar, nem cansam de esperar/ E o coração que é soberano e que é senhor / Não cabe na escravidão, não cabe no seu não/ Não cabe em si de tanto sim/ É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história.

40 - San Francisco – Scott McKenzie
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Eu ainda não fui pra San Francisco. Quando eu for, não tenho certeza se vou colocar flores no cabelo, como manda essa música que fala muito mais de um tempo (os anos 60) e de um jeito de ver o mundo (o movimento hippie e o pacifismo) do que de um lugar concreto.

Quando eu for pra San Francisco, certamente não vou mais encontrar o Verão do Amor e as pessoas gentis com flores no cabelo anunciadas por Scott McKenzie (Summertime will be a love-in there/ In the streets of San Francisco/ Gentle people with flowers in their hair).

Mas não tem a menor importância: esse é um astral que eu cresci acalentando e sempre me acompanha.


Calendário Asteca, no Museu Nacional de Antropologia do México: a felicidade que essa viagem me proporcionou dura até hoje
41 - Mexico – James Taylor
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Essa a trilha sonora que tocou na minha cabeça quando eu voava para um dos encontros mais espetaculares que já tive na vida: fiquei louca de paixão pela Cidade do México.

Imagino que James Taylor estivesse pensando nas praias ensolaradas do México quando escreveu essa canção (Lose your load, leave your mind behind), mas o astral combina direitinho com a felicidade que eu senti naquela viagem—e ainda sinto, com as memórias.

42 - Ich schau dich an – Spider Murphy Gang (Berlim)
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Eu conheci essa música muito antes de conhecer Berlim — o vinil da Spider Murphy Gang fez muito sucesso entre meus colegas do Instituto Cultura Brasil-Alemanha (ICBA), no comecinho dos anos 80. E grudou em mim.


A pegada new wave-felizinha dessa canção casa perfeitamente com a alegria de estar em Berlim. 

43 - Quando a maré encher – Nação Zumbi (Recife)
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Os mais novos dificilmente vão compreender a lufada de vento novo e instigante que foi o surgimento do movimento Manguebeat, no comecinho dos anos 90, seguramente a coisa mais inteligente que pintou na música e na cultura brasileiras desde a Tropicália.

Aliás, as premissas são bem parecidas com as do Tropicalismo no encontro da tradição com a contemporaneidade, a crítica que não abre mão do lúdico e dionisíaco.
E essas coisas geniais, vocês sabem, quando não acontecem na Bahia, acontecem em Pernambuco.
44 - Táxi Lunar - Geraldo Azevedo (Recife)
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Adoro essa canção (que ouvi pela primeira vez com Alceu Valença, em um show do Teatro Vila Velha, em Salvador, no final dos anos 70). Desde a primeira audição, ela já me encheu de lembranças boas das aventuras vividas nas férias em Recife, com meus primos e seus amigos. Hoje, basta escutar pra viajar  no tempo.

Euzinha atravessando a ponte de Cordas de Carrick-a-Rede
45 - Mull of Kintyre – Paul McCartney and Wings (Carrick-a-Rede - Irlanda do Norte)
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O Promontório (Mull) de Kintyre fica na Escócia, perto da casa de campo onde Paul McCartney foi dar um tempo após a separação dos Beatles — e em cujo estúdio caseiro concebeu Ram, segundo trabalho na carreira solo. Essa canção, de 1977, é, desde seu lançamento, uma das minhas favoritas na discografia de Macca.

Agora, imaginem a emoção de contemplar o Promontório de Kintyre no horizonte, na minha visita às belíssimas falésias de Carrick-a-Rede, na Irlanda do Norte (um dos cenários de Game of Thrones).

Do outro lado do mar, envolto na bruma, o cenário homenageado nessa linda canção ficou ainda mais atraente pra mim. Um dia, vou vê-lo cara a cara. Mas nosso encontro à distância, em Carrick-a-Rede, foi um daqueles momentos mágicos que só as viagens conseguem proporcionar.

46 - Reconvexo - Maria Bethânia (Recôncavo Baiano)
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Quem não nasceu no Recôncavo não sabe o que está perdendo. 

Esse pedaço mágico de mundo — aquela ponta de terra que se enrosca em torno da Baía de Todos os Santos — é o privilegiado herdeiro e guardião das tradições africanas, de saberes sofisticados que vão da cozinha à brilhante técnica de construção de saveiros, passando pela intimidade com deuses que sabem dançar e brincam de ser humanos.

Você não me pega/ Você nem chega a me ver/Meu som te cega, careta, quem é você? Quem não tem o privilégio de entender o que é seguir o Olodum balançando o Pelô ou rezar a novena de Dona Canô (ou acompanhar seu Terno de Reis) ao menos pode se deixar embalar pelo ritmo contagiante dessa canção.

Mas, se você quer um conselho, arrume as malas e vá passar uma temporada no Recôncavo.


Wafles com morangos e chantili: descobri os prazeres da culinária de rua de Bruxelas que eu descobri por causa de uma música
47 - Nine out of ten - Caetano Veloso (Londres)
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Já contei aqui na Fragata o efeito que essa canção teve sobre meus primeiros anos de adolescência, uma rajada de frescor em um tempo de obscurantismo, como foi o início dos anos 70, em plena ditadura militar.

Exilado em Londres, triste e saudoso, Caetano mandava notícias de uma cidade que estava na crista da onda (como se dizia então) por abrigar todas as tribos libertárias do planeta e ser a capital de uma revolução cultural à qual o mundo ainda hoje recorre em horas sombrias.

Saiba mais: Mercados de Londres - Portobello Road, Camden Town e Brick Lane

48 - Le Plat Pays – Jacques Brel (Bruxelas)
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Essa pode não ser a música mais bonita de Jacques Brel, autor de Ne me quitte pas e de La Chanson des Vieux Amants, mas foi ela quem me convenceu a parar de usar a Bélgica apenas como um corredor, nas viagens entre Paris e Amsterdã.

Foi ouvindo Brel cantar seu “País Plano”, onde “as catedrais são as únicas montanhas” e “o correr dos dias é a única viagem” que eu resolvi finalmente parar pra ver o que é que a Bélgica tem.

O que eu descobri foi uma Bruxelas apaixonante (sem contar que não deve haver belga que cozinhe mal, de tanto que eu comi bem na Bélgica). 

Merci, Monsieur Brel, sua canção foi a mais poética e certeira dica de viagem que já me deram.

49 – Valparaiso - Sting (Valparaíso)
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Essa é uma canção marinheira, uma evocação dos perigos do mar e do porto seguro.
Valparaíso, no Chile, é uma cidade ainda impregnada dessas memórias, a terra firme prometida para quem se arriscava na perigosa travessia do Cabo Horn, seja em busca de comércio ou de uma vida nova — como fizeram tantos colonos ingleses que ajudaram a moldar a fisionomia dessa cidade chilena que me encanta.


Quem não jogou sua moedinha na Fontana de Trevi para assegurar o retorno a Roma?
50 – Three coins in a fountain – Frank Sinatra (Roma)
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Precisa explicar? Se você nunca jogou uma moedinha na Fontana de Trevi pra garantir o retorno a Roma, é porque ainda não esteve em Roma.

Essa canção é da trilha sonora do filme que, dizem, “inventou” esse ritual. Em A Fonte dos Desejos (Three Coins in a Fountain, Jean Negulesco, 1954), três jovens americanas repetem a simpatia enquanto buscam seus príncipes encantados.
Eu, por via das dúvidas, nunca deixei de jogar minha moeda na fonte. Por enquanto, tem funcionado.

51 - Todo se transforma - Jorge Drexler (Colonia del Sacramento)
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A primeira vez que ouvi essa música, eu estava na estrada, dirigindo entre Montevidéu e Colonia del Sacramento. Depois disso, virei as lojas do Uruguai e da Argentina até achar o CD (Eco, de 2004, todo ele excelente) com essa canção.

E foi assim que Jorge Drexler escalou até os primeiros lugares da parada de sucessos do meu coração (e eu ainda nem tinha escutado La Milonga del Moro Judío). Esse cara simplesmente não erra. Adoro!

A chegada a Colonia del Sacramento, Uruguai
Pra momentos filosófico-viajantes

52 - Os Argonautas – Caetano Veloso
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Não bastasse o “Navegar é preciso, viver não é preciso” — que não é da lavra de Caetano, nem de Fernando Pessoa, mas do comandante militar romano Pompeu — esta canção do disco Caetano Veloso (o de 1969, porque Cae lançou vários com só com seu nome no título) é uma ode a qualquer jornada, inclua ela ou não o detalhe do deslocamento espacial.

Grande trilha sonora para pensar nos caminhos que a vida coloca na nossa frente. Querendo ou não, todo mundo é um pouco passageiro do Argos, o navio de Jasão, desafiando as incertezas do mar em busca da lã dourada do carneiro alado.
Gosto mais da gravação ao vivo (aquela do show de Caetano e Chico no Teatro Castro Alves de Salvador, em novembro de 1972).

53 - Running on Empty – Jackson Browne
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I don't know when that road turned into the road I'm on (eu não sei quando aquela Estrada virou essa estrada que estou percorrendo).

Adoro essa música de Jackson Browne, lançada em 1977. Tem muito de desencanto, boa dose de cansaço. Talvez por isso mesmo seja uma grande canção.

54 - Parabolicamará – Gilberto Gil
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Em 1993 eu passei mais de 40 dias na Amazônia, viajando a trabalho e desvendando alguns de seus cantinhos mais escondidos.

Mais de 15 desses dias eu passei embarcada, descendo o Rio Amazonas entre Manaus e Belém, aportando em cidades, flutuantes, vilas e igarapés pra ouvir o que as pessoas da região tinham a dizer sobre o Brasil.

Entre uma parada e outra, era Gil que eu escutava num hoje pré-histórico walkman (um tocador de fitas cassete com fones de ouvido, pra você que não era nascido na época).

E essa música, que fala da pulverização das distâncias proporcionada pelo avanço tecnológico, (Antes longe era distante/ Perto só quando dava/ Quando muito ali defronte/ E o horizonte acabava) soava de um jeito especial naquela quebrada de mundo tão apartada do Brasil urbano.

55 - Cais – Milton Nascimento
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Invento o mar/ Invento em mim o sonhador é coisa de quem tem alma viajante. Mesmo quando a vida me amarrra, eu Invento o cais/ E sei a vez de me lançar.

56 - Manuel, o audaz – Toninho Horta e Lô Borges
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Reza a lenda que Manuel era o Fusca de Toninho Horta, danado pra vencer atoleiros e picadas rurais pela imensidão de Minas Gerais. Baita parceiro de viagem. E o que mais é uma viagem do que estar no ar livre, corpo livre para aprender ou mais tentar?

57 - Casa no Campo – Elis Regina
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Parece contraditório o sedentarismo explícito dessa cação incluído em uma lista de músicas para viagem? Pois eu vivo sonhando em viajar para esse lugar mítico onde eu possa plantar meus amigos, meus discos, meus livros e nada mais.

58 - Vapor barato – Gal Costa
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Quem nunca teve vontade de vestir umas calças vermelhas e um casaco de general e embarcar naquele velho navio, depois de se desiludir com o honey baby?

A dor de cotovelo é talvez a única circunstância capaz de competir com a necessidade de arrebanhar alimentos, da época dos caçadores-coletores, quando se trata de apontar situações que nos levam a viajar.
Se for para viajar embalada nesses versos de Wally Salomão — imortalizados por Gal no show Fatal, de 1971, um divisor de águas — eu topo levar 800 pés na bunda 😁.

59 - Terra Nova – James Taylor e Carly Simon
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Esta canção integra o álbum JT, lançado por Taylor em 1977 — e que eu ouvi até furar. Ainda casados, Taylor e Carly fazem um doce dueto pra nos lembrar que a jornada de volta para casa também é uma viagem.

60 - As curvas da Estrada de Santos - Elis Regina
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Um arranjo meio bluesado e uma gênia cantando fizeram desse hit de Roberto Carlos um dos momentos mais brilhantes da música brasileira.

Outras playlists para viagem
Trilha sonora para Nova York
A Nova York de John Lennon

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4 de novembro de 2018

Onde comer em Salvador - restaurantes, cafés e sorveterias

O Elevador Lacerda, o bobó de camarão do Restaurante Maria Mata Mouro e as entradas de frutos do mar do Restaurante Mistura: encantos de Salvador
Pronta pra novas dicas de onde comer em Salvador? Passei uma semana turistando na minha cidade, agora em outubro, e anotei os lugares mais bacanas que experimentei nessa temporada baiana.

A lista tem três restaurantes, restaurantes, dois cafés e duas sorveterias (deliciosas).

Tem indicações de onde comer no Centro Histórico de Salvador, um restaurante que não sai de moda em Itapuã e dicas fora do circuito turístico, na área da Pituba/Itaigara.

Aposto que você vai curtir tanto quanto eu 😉.

Onde comer no Centro Histórico de Salvador


Eu sempre prefiro uma mesa no pátio externo no Maria Mata Mouro
⭐Restaurante Maria Mata Mouro
Rua da Ordem Terceira nº 8, Pelourinho. Diariamente, do meio-dia às 23:50h.

Inaugurando ainda nos anos 90, época da grande reforma do Pelourinho, este restaurante já é meio que um clássico do Centro Histórico de Salvador e figurou entre os meus favoritos, quando eu ainda morava na cidade.

Já fazia um tempão, porém, que eu não aparecia no Mata Mouro. Fiquei muito feliz em constatar que o restaurante continua muito legal e agradável e que a comida continua ótima.

O Maria Mata Mouro está instalado em um casarão do Século 18, bem em frente à belíssima Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, com uma decoração sóbria onde sobressaem objetos antigos.

Casquinha de siri gratinada e a generosa terrina de bobó de camarão que deu cabo da fome de três caminhantes
No salão principal do restaurante, repare nas paredes nuas, feitas em taipa de pilão, uma técnica construtiva muito usada na época da colônia.

Mas na hora de escolher uma mesa, não tenha dúvida: prefira sentar no pátio ajardinado que fica na parte de trás do restaurante — é ao ar livre, mas um poderoso aparelho de ar condicionado e os guarda-sóis são “antídotos” contra o calor.

O salá principal do Maria Mata Mouros - e os drinques bebericados no jardim
O cardápio do restaurante Maria Mata Mouro é um feliz encontro entre a culinária baiana e pratos clássicos da cozinha internacional.

Desta vez, fomos de bobó de camarão, uma porção generosa e saborosíssima, que alimentou tranquilamente três pessoas — com a fome de quem estava caminhando desde cedo pelo Centro Histórico. As casquinhas de siri gratinadas, pedidas como entrada, também estavam ótimas.

Com bebidas alcoólicas, a refeição ficou na casa dos R$ 100 por pessoa.

Pysco, no Carmo: boa comida e uma vista linda 
⭐Pysco Resto-Bar
Rua do Carmo nº 42, Carmo. De terça a domingo, do meio-dia às 23h.

Tinha ouvido falar muito bem desta casa relativamente nova (pra mim, que não acompanho cada passo das novidades surgidas em Salvador), especialmente dos pratos com polvo servidos lá.

O Pysco está instalado em um casarão antigo, em frente ao Convento do Carmo (que agora é um hotel) e tem um terraço na parte de trás com vista para a Baía de Todos os Santos.

Estive lá em uma tarde de sábado, mais para bebericar (já tínhamos almoçado) e ver o pôr do sol. Pedimos camarões com toque tailandês, feitos no wok, só para beliscar. Os bichinhos chegaram à mesa perfeitos.

Apesar do movimento, o serviço foi bem eficiente. Ah, e a vista do terraço realmente bate um bolão, especialmente ao pôr do sol.

Quer outra dica de restaurante no Centro Histórico? Experimente o Mini Cacique


Laporte: sorvete de responsa
⭐Le Glacier Laporte (sorveteria)
Largo do Cruzeiro de São Francisco nº 21. Diariamente, das 10h às 19:30h

Bem em frente à maravilhosa Igreja de São Francisco, essa sorveteria merece toda a sua atenção e é apontada como a melhor de Salvador.

A produção da casa é toda artesanal e a paleta de sabores abarca desde as frutas que você só encontra no Nordeste — o sorvete de mangaba é de arrancar lágrimas de emoção— às combinações sofisticadas, como o sorvete de casca de laranja com chocolate.

Antes de se decidir, peça uma provinha de clássicos como pitanga e tapioca, ou de criações próprias, como o sorvete de mel e gengibre ou o badaladíssimo sorvete de canela.

Além do sorvete de mangaba, eu me esbaldei no sorvete de umbu. Preços a partir de R$ 7 (uma bola no copinho).
Outra boa dica de sorveteria: Mondo Gelato Artesanal, no Rio Vermelho


Cafélier, cercado pelo bonito casario do Carmo - e o gato da casa é quem recebe os clientes 
⭐Cafelier
Rua do Carmo nº 50, Carmo. Diariamente, das 14h às 21:30h.

Bonito, charmoso e aconchegante, o Cafélier é um clássico do Centro Histórico de Salvador, com quase um quarto de século de funcionamento.

O café está instalado em uma casa antiga do Largo do Carmo — do lado certo da rua, que é o lado onde todas as casas têm vista para o mar, na parte de trás.

Então, você já adivinha qual é a principal atração da casa, né? Sim, um terraço gostoso, debruçado sobre o dente da montanha, o bairro do Comércio e a Baía de todos os Santos.

O Cafélier (café+atelier) funciona também como galeria de arte e estúdio do artista plástico Paulo Vaz, dono da casa. A decoração, tem muitas peças antigas e o clima é sempre muito agradável.

Excelente lugar para papear sem pressa, beliscando comidinhas com gosto de casa e bebidinhas geladas — e um café, claro, se o calor de Salvador permitir.

Outro café com vista matadora? Experimente o Café da Aliança Francesa, na Ladeira da Barra

Onde comer na Pituba/Itaigara


Solange Café: pequena fábrica de maravilhas
⭐Solange Café
Rua das Hortênsias nº 422, na altura da Praça Ana Lúcia Magalhães, Itaigara. De segunda a sábado, das 7h às 21h. Aos domingos, das 8h às 21h. 

Fazia tempo que minha irmã Giselle louva os sequilhos de nata do Solange Café, mas só agora consegui experimentar essa pequena fábrica de maravilhas instalada no meu pedaço de Salvador — eu cresci no bairro da Pituba e, ainda hoje a minha família mora na vizinhança.

Fiquei fã do Solange Café. Ele está instalado em uma casa da Praça Ana Lúcia Magalhães, com um gostoso terraço no primeiro andar e um salão decorado com bom gosto e peças antigas no térreo, onde também funciona uma espécie de empório que vende as principais especialidades do cardápio.

O charme quase francês do ambiente é temperado com especialidades muito baianas — além dos espetaculares sequilhos de nata, você vai encontrar cuscuz, bolos, beijus (a nossa tapioca), pamonhas... Perdição. Meus sobrinhos deliram com o bolo toalha felpuda, com toques de coco.

Também tem ótimas opções de sandubas, o café é bom de verdade e serve bebidas alcoólicas. O atendimento é ótimo. Um lugar perfeito para encontrar os amigos papear sem estresse.

E tem um hambúrguer de responsa no Bravo Burger & Beer, pertinho do Solange Café

Procurando restaurantes na Pituba? Olha essas dicas: Axé, Nonna! Dois restaurantes italianos pra você dar um tempo do dendê em Salvador

E tem uma filial da famosíssima Pizza da Chapada

Já conhece a Ceasinha do Rio Vermelho? Tem várias opções, da cozinha baiana ao sanduba

Crema, uma senhora sorveteria
⭐Sorveteria Crema
Avenida Paulo VI nº 1852, Pituba. Diariamente, das 11h às 21h.

Vocês já notaram que eu sou louca por sorvete, né? Então, deixem eu recomendar a sorveteria que mais tem feito a minha felicidade, nas minhas passagens por Salvador.

Sim, eu sou fã da Crema — ainda que a pegada da casa esteja mais para o gelatto italiano que para o sorbet francês, que é minha preferência.

É que o gelatto da Crema bate mesmo um bolão. Cremoso, cheiroso e gostoso como tem que ser.

A sorveteria funciona desde 2015, tem decoração moderna e muito clean e vive lotada. Com razão. Só as variedades de sorvetes de chocolate da Crema já valem a visita—chocolate belga, chocolate africano e o neríssimo, que me arranca incontroláveis suspiros. Sem contar o sorvete de pistache, que é um espetáculo.

No capítulo frutas, o sorvete de framboesa é o meu preferido, seguido de perto pelo de maracujá.

Tudo feito sem corantes, sem conservantes e com frutas frescas. Preços a partir de R$ 11 (copinho pequeno).

Onde Comer em Itapuã

Mistura: cozinha baiana e mediterrânea com a brisa de Itapuã
⭐Restaurante Mistura
Rua Professor Souza Brito nº 41, Itapuã. De domingo a quarta, das 12 às 23hs. De quinta a sábado, das 12h à meia-noite. 

Sou frequentadora do Mistura há muito tempo e sempre comi muito bem nesta casa que tem um pé na Bahia e outro no Mediterrâneo, perfeito pra quem curte frutos do mar com ou sem dendê.

Pertinho do Farol de Itapuã, o Mistura tem ambiente charmoso e bem decorado, dividido entre o salão climatizado e as varandas, onde sempre dá para sentir um pouco da brisa do mar.

Me acabei no bufê de entradas do Mistura
Minha estratégia é sempre chegar cedo — para o almoço ou jantar—e bebericar sem pressa beliscando as entradinhas (da bruschetta às ostras cruas, passando pelos mexilhões ao bafo e pelas vieiras grelhadas).

Gnocchi e badejo grelhado
Essa etapa agora ficou ainda mais interessante com a criação do bufê de entradas, servido por peso, onde você belisca de tudo um pouco — abusei tanto que não dei conta de chegar ao prato principal, nessa visita mais recente.

E olha que sou fã da pasta da casa, seja linguine com lagostins, penne com molho cremoso de camarão ou espaguete com camarões e tinta de lula. Esses ficaram para a próxima visita.

Minhas companheiras de mesa pediram e aprovaram entusiasmadas o gnocchi ao molho de tomate, com muçarela de búfala e parmesão e o badejo grelhado.

O Mistura não é barato (calcule cerca de R$ 100 por cabeça, com bebidas alcoólicas), mas vale a farra.

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