31 de agosto de 2022

Dica práticas de Valência, Espanha

Arquitetura modernista em Valência, Espanha
Valência é linda, animadíssima e cheia de história. Eu amei e quero voltar

Essas dicas práticas de Valência, Espanha, não são um post. São uma intimação. Valência ocupa hoje o topo da lista das cidades que eu recomendo com mais entusiasmo. Para os brasileiros, ela não é o mais popular dos destinos espanhóis — e a gente não sabe o que está perdendo, até se deparar com essa cidade linda, vibrante e sedutora.

Portanto, coloque Valência no seu próximo (ainda que seja o seu primeiro) roteiro pela Espanha e eu juro que você não vai se arrepender. Eu me arrependi, e muito, de só ter ido ver essa beldade na minha nona viagem à Espanha.

Plaça de la Reina, Centro Histórico de Valência, Espanha
A impressão é que os moradores de Valência aproveitam cada minutinho livre ora curtir sua cidade. Acima, a Plaza de la Reina, com a Catedral ao fundo. Na foto abaixo, a Plaça de l'Ajuntament 

Plaça de l'Ajuntament, Centro Histórico de Valência, Espanha

Em vez de me chicotear, deixa eu dividir com vocês as dicas práticas de Valência para que você não adie tanto seu encontro com esse baita destino de viagem.

Valência, capital da Comunidade Valenciana, está a 360 km de Madri e a 350 km de Barcelona. Ela é a terceira maior cidade da Espanha, com 800 mil habitantes, e muito bem conectada com essas duas cidades e muitas outras localidades por ônibus, trem ou avião.

Patrimônio Histórico de Valência, Espanha: Igreja de Sant Joan del Mercat e edifício modernista
A diversidade arquitetônica de Valência resulta numa bela harmonia. Acima, à esquerda, a Igreja de Sant Joan del Mercat, do Século 13, e um edifício modernista. Nas fotos abaixo, uma rua do Centro Histórico (Ciutat Vella) e as Torres de Quart, antiga porta fortificada nas muralhas, do Século 15

Centro Histórico de Valência, Espanha: rua medieval e Torres de Quart

Com um clima tipicamente mediterrâneo de verões quentes e secos e invernos muito camaradas, Valência é um destino para todos os gostos e ocasiões. 

Tem uma baita gastronomia — foi lá que inventaram a paella, lembra? —, quase 2 mil anos de história, uma arquitetura que coloca a Idade Média, o Modernismo, o Contemporâneo e outras bossa de braço dados, para deleite dos nossos olhos. E os valencianos são muito animados e parecem aproveitar cada horinha de folga para curtir sua linda cidade.

Veja as dicas práticas de Valência e pode começar a arrumar as malas.  

21 de agosto de 2022

O que fazer na Cidade Velha de Montevidéu

Cidade Velha de Montevidéu
Bela arquitetura, excelentes museus, bons restaurantes e livrarias: a Cidade Velha de Montevidéu é um programão

Se você vai à capital uruguaia, aposto que já colocou no topo de sua lista de passeios a Cidade Velha de Montevidéu. E faz muito bem: o bairro concentra muitas das principais atrações montevideanas, é uma vizinhança muito simpática e perfeita para ser explorada a pé — além de ser bastante plana, tem muitas peatonais (ruas exclusivas para pedestres).

Edifício Art Nouveau na Calle Sarandí, Montevidéu
Eu viajo na arquitetura da Cidade Velha de Montevidéu

Casamento na Calle Sarandí, Montevidéu
As noivas da Sarandí: eu topei com pelo menos uma meia dúzia de casamentos passeando pela peatonal. É que naquela rua fica um cartório muito concorrido 

Meu recente roteiro em Montevidéu — 9 lindos dias — incluiu não apenas um, mas vários dias de passeios pela Cidade Velha. Aproveitei os museus sensacionais do bairro, ótimos restaurantes, cafés históricos lindos e livrarias de fazer a gente perder a cabeça. E curti imensamente namorar a bela arquitetura da área.

A Cidade Velha de Montevidéu é um Centro Histórico muito peculiar, comparado com outros conjuntos de origem colonial nas Américas. Não espere encontrar aquela uniformidade arquitetônica que se vê no Pelourinho, em Paraty, Quito ou Cusco. Mas o bairro incorporou o passar do tempo com muita personalidade, mesclando feições de diversos estilos em suas fachadas sem desafinar a harmonia.

Grafite anti-imperialismo na Peatonal Sarandí, Montevidéu
Grafite na Peatonal Sarandí e (abaixo) a Plaza Constitución, que foi a Praça Maior da Montevidéu colonial

Plaza Constitución, Montevidéu

Pra mim, aliás, o maior encanto da Cidade Velha de Montevidéu é mesmo o “conjunto da obra”. Ela não é nada cenográfica e, apesar de ter se tornado mais evidentemente turística, desde a minha última visita, há 11 anos, ainda consegue até preservar ecos de lugar onde mora gente — experimente ver as crianças do bairro brincando nos balanços e gangorras da Praça Zabala e você vai entender.

Altares da Catedral de Montevidéu
Altares da Catedral de Montevidéu

A seguir, veja como aproveitar os encantos da Cidade Velha de Montevidéu e as dicas práticas de suas excelentes atrações:

15 de agosto de 2022

9 centros culturais e museus de Montevidéu

Museu Juan Manuel Blanes, Montevidéu, Uruguai
O Museu Blanes fica um pouquinho fora do circuito mais turisticão de Montevidéu, mas merece muito a visita

O Uruguai pode até ser um país pequenininho, em território e população, mas é imenso no talento de seus artistas. Imagine que na Cidade Velha de Montevidéu você consegue visitar três museus dedicados a três pintores geniais, caminhando menos de 300 metros entre eles.

Essa trinca sensacional é um dos destaques entre os centros culturais e museus de Montevidéu: o Museu Torres García, o Museu Gurvich e o Museu Figari.

Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu
O Museu Nacional de Artes Visuais exibe um timaço de artistas uruguaios
 

Mas a coisa não para por aí. Antes de mergulhar no intensivão da obra desses três gênios, você pode ter um panorama mais geral das artes plásticas uruguaias (e ficar apaixonada) visitando o excelente Museu Nacional de Artes Visuais, no Parque Rodó, e o belo Museu Manuel Blanes, instalado em uma quinta do Século 19 e cercado por jardins super românticos.

O cardápio de centros culturais e museus de Montevidéu, sozinho, já justifica planejar uma visita mais esticada à cidade do que os clássicos dois dias que a gente costuma dedicar aos passeios na capital uruguaias — eu fiquei 9 dias por lá e aposto que ainda descobriria algum museuzinho que valesse a espiada.

Exposição sobre rituais indígenas em El Salvador no MAPI de Montevidéu
Adorei esta exposição sobre rituais indígenas em El Salvador no MAPI 

Centro de Fotografia de Montevidéu
O Centro de Fotografia de Montevidéu fica no caminho da turistagem, a Avenida 18 de Julio, e tem entrada gratuita
 
O Museu Nacional de Artes Visuais e o Museu Torres Garcia já ganharam posts exclusivos — e vários outros museus citados aqui também mereceriam uma postagem mais detalhada.

Mas pra facilitar a sua organização, reuni aqui os seis museus e três centros culturais que visitei em Montevidéu e que super recomendo para o seu roteiro na cidade. Além dos já citados, este post tem informações sobre o Museu de Arte Pré-colombiana e Indígena (MAPI), do Centro Cultural El Entrevero/Subte, o Centro de Fotografia de Montevidéu e a Fundação Mário Benedetti.

Museu de Arte Pré-Colombiana e Indígena de Montevidéu
Achados arqueológicos no Museu de Arte Pré-Colombiana e Indígena, na Cidade Velha

Dessas 9 atrações que listei aqui, seis têm entrada gratuita. Tem coisa melhor do que uma cidade cheia de museus bacanas que não cobram ingresso?

Aproveite as dicas e eu garanto que seu roteiro em Montevidéu vai ficar muito mais prazeroso com essas atrações.

8 de agosto de 2022

Livrarias de Montevidéu

Livraria Escaramuza, Montevidéu
Escaramuza Libros, em Cordón: as livrarias de Montevidéu não se contentam em ser ótimas. Elas insistem em ser bonitas

Não sei qual é a substância na água do Prata responsável por este efeito, mas o fato é que as duas margens do rio banham cidades muito afeitas à leitura. 

Já cantei aqui na Fragata minha paixão pelo elenco de livrarias de Buenos Aires, mas preciso proclamar que as livrarias de Montevidéu não ficam devendo às que vicejam al otro lado del río.

As livrarias de Montevidéu não se acanham: elas não se escondem nos shoppings, se espalham por todas as áreas da cidade. Variam no porte e no espírito — tem as grandonas impessoais e as charmosinhas artesanais —, costumam ter equipes muito bem preparadas para orientar o cliente e acervos respeitáveis. 

Não satisfeitas com isso, as livrarias de Montevidéu costumam ser muito bonitas.

Monumento a Gabriela Mistral em Pocitos, Montevidéu
A chilena Gabriela Mistral, primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, é homenageada na orla de Pocitos

Fuçar as prateleiras das livrarias de Montevidéu é sempre um grande programa. Como já me conheço, fiz questão de comprar a minha passagem de volta do Uruguai já com direito a despacho de bagagem, prevendo o estrago que eu ia fazer no meu cartão de crédito. 

Mas até que me comportei direitinho: foram apenas 6 kg de livros (9 exemplares) adquiridos nos safáris literários.

Se comprei pouco, namorei muito as livrarias de Montevidéu. Aposto que você também vai curtir. Veja algumas livrarias sensacionais que visitei em Montevidéu:

7 de agosto de 2022

Caetano, 80 anos - uma das melhores viagens da minha vida

Caetano Veloso e Dona Canô
Uma lembrança que eu adoro: um dia inteiro acompanhando Caetano Veloso em Santo Amaro para uma reportagem, recebida com o maior carinho por Dona Canô, Caetano e toda a família. Hoje ele faz 80 anos e sua arte me proporciona uma das grandes viagens da minha vida

Feliz aniversário, gênio.

Eu era muito criancinha quando Caetano Veloso começou a fazer parte da minha vida. Em 1966, as quintas-feiras lá em casa eram pra ver "Esta Noite Se Improvisa", um programa de TV que reunia artistas para cantar, no susto, uma canção que contivesse uma palavra sorteada pelo apresentador.

"A palavra é...". E lá ia Caetano apertar a campainha, o craque do programa. "Você é forte em letras e músicas. Todas as músicas que ainda hei de ouvir".

No ano seguinte, do alto de meus seis aninhos, torci como numa copa do mundo por Alegria, Alegria no inesquecível Festival de Música Popular Brasileira de 1967, da TV Record — outro dia, revi, arrepiada, o VT integral da finalíssima do festival no Youtube. E chorei no cinema vendo o documentário Uma Noite em 67, lançado em 2010.

Caetano Veloso no Festival da Record de 1977
Alegria, Alegria: por que não?

Alegria, Alegria ficou em quarto lugar no festival. “Perdeu” pra Ponteio, de Edu Lobo, a campeã, pra Domingo no Parque, de Gil, e pra Roda Viva, de Chico. Em plena ditadura, pouco mais de um ano antes do AI-5, a música brasileira tinha esse elenco de gênios, ao ponto de deixar uma das grandes obras de Caetano fora do pódio. “E uma canção me consola. Eu vou”.

O riso largo de Caetano acompanhou minha vida. Talvez mais até do que Lennon e os Beatles. Lá em casa houve lágrimas quando ele foi preso e forçado ao exílio, junto com Gil, em 1969, para viver entre “green grass, blue eyes, gray sky” em “silent pain and happiness”

E em Salvador todo mundo sempre soube que Debaixo dos caracóis dos seus cabelos tinha sido composta pra ele por Roberto Carlos, que o visitou no exílio.

LP "Caetano", de Caetano Veloso, de 1971
Jovem, este não é John Snow, é Caetano na capa de um disco genial, que tem London, London e In the hot sun of a Christmas Day

Em Londres, Cae gravou dois álbuns que estão no meu Olimpo musical. Por sorte, minha mãe se apaixonou por London London, ouvida no rádio, e comprou o disco Caetano (1971) — nem me perguntem quantas mesadas eu teria que economizar pra bancar um LP, ao 10 anos de idade. In the hot sun of a Christmas Day (desse LP,  de 1971) é uma das canções mais bonitas e tristes que eu já ouvi.

E Transa (1972) pipocou no toca discos lá de casa como um sopro de vento fresco. Nine out of ten é uma canção que ainda ouço regularmente e continua me trazendo a mesma sensação de que o universo é muito mais interessante do que o mundinho tacanha onde a ditadura e seus programas de TV moralistas e ufanistas queriam nos confinar.

E aí, Caetano e Gil voltaram. Lembro de ouvir até furar o disquinho de Gil (imaginem: Expresso 2222 e Oriente!!!) que acompanhou a edição da revista O Bondinho com as entrevistas dos dois recém retornados. Não esqueço a instigante manchete de capa: "Caetano lança o verso transbundar".

LP "Qualquer Coisa", Caetano Veloso
Neste disco tem uma versão de uma canção dos Beatles melhor que a dos quatro meninos

Talvez eu não tenha curtido Araçá Azul, o LP seguinte, como ele merecia — em 1973 eu estava muito empenhada em copiar todos os trejeitos de Alice Cooper. Mas me deliciei com Joia e Qualquer Coisa, o “álbum duplo” desmembrado em dois de 1975 (obrigada, Caetano, por ter me apresentado a Chabuca Granda e La flor de la canela). A gravação de For No One é mais bonita do que a dos Beatles (e quem fala isso é uma beatlemaníaca alucinada).

E nem vou esticar muito a conversa sobre a discografia de Caetano, porque é capaz dessa conversa não acabar nunca. Foram tantos discos geniais, tantas canções essenciais à minha vida que é até cruel tentar escolher o que citar. Mas, gente, o que é Cinema Transcendental? E Uns? Estrangeiro? "Alguém cantando é (sempre muito) bom de se ouvir" (Bicho, 1977)

E tem aquela promessa em Caetano (1986): "O poço é escuro, mas o Egito resplandece" (na canção José), que sempre me ajuda a levantar nos momentos ruins.

Cinema Transcendental, LP de Caetano Veloso
Cinema Transcendental: como pode um único álbum juntar tantas maravilhas como Trilhos Urbanos, Oração ao Tempo, Lua de São Jorge, Louco por Você...?

Para além do toca-discos, os verões de Salvador eram o tempo de Caetano de carne e osso. De shows na Concha Acústica e no Teatro Vila Velha. De encontrar no praia do Porto da Barra, na noite do Zanzibar, nos shows do Teatro Castro Alves. 

Pra quem não é da Bahia ("Quem não é Recôncavo e não pode ser Reconvexo"), é difícil explicar que na nossa terra Caetano nunca foi um cara tietável — e não só porque naquele tempo não tinha Instagram.

Caetano fazia parte da nossa vida com uma naturalidade tão absoluta que a gente encontrava com ele, dizia “oi” e ele respondia com um sorriso, às vezes puxava papo. 

Estrangeiro, LP de Caetano Veloso
Estrangeiro parece disco dos Beatles: todas as canções são perfeitas

Não era incomum a moçadinha baixar na casa dele, em Ondina, depois da praia, e ficar por lá — ele às vezes aparecia, às vezes não. O Réveillon da casa de Caetano era uma espécie de festa pública, todo mundo se sentia convidado e estava tudo certo — foi lá que celebrei a chegada de 1980, o ano em que virei aluna da UFBa.

Como jornalista, entrevistei Caetano várias vezes — a longa entrevista com Caetano fazia parte do calendário oficial de verão dos cadernos de Artes e Espetáculos de todos os jornais de Salvador. A conversa era sempre instigante.

Em 1987, passei um dia inteiro na casa de Dona Canô em Santo Amaro, recebida como velha amiga (ainda que eu não fosse) para uma dessas matérias. Conversamos, almoçamos, rodamos de carro pela cidade com Caetano meio guia turístico... – “Sou um homem comum, qualquer um”.

Uns, LP de Caetano Veloso
Eu ouço Peter Gast, de Uns, quase todo dia

(A foto que abre este post foi feita naquele dia pela minha parceiríssima de reportagens, a fotógrafa Lúcia Correia Lima).

Na despedida, eu disse a ele — que afirmava que “de perto ninguém é normal” — que a proximidade tinha me revelado um cara normalíssimo. E ele: “Ah, que legal, essa é a minha anormalidade!”

Hoje, 7 de agosto de 2022, Caetano Veloso completa 80 anos. A música e o gênio de Caetano têm me levado pela mão em uma das grandes viagens da minha vida. Uma viagem que começou em 1966 e, felizmente, não tem hora pra acabar.

Muito, LP de Caetano Veloso
Muito eu nem citei no texto, mas talvez seja o disco de Caetano que eu mais ouvi. Pudera, né? tem Terra, Muito Romântico, Sampa, São João, Xangô Menino, Eu te Amo...

Há poucos meses eu estava fuçando as prateleiras da legendária Livraria Linardi y Risso, em Montevidéu, quando uma canção começou a tocar suavemente na caixinha de som. Dois senhores que estavam na livraria — um cliente e um dos donos — pararam o que estavam fazendo para escutar a música, com uma cara de enlevo que a gente só faz quando ouve a essência da beleza.

Era Caetano e seu Canto do Povo de um Lugar: “Todo dia o sol levanta e a gente canta o sol de todo dia”. Sol em Leão. Sol de Caetano Veloso.

A Música na Fragata Surprise

O dia que eu falei mal de Elvis Presley
Robert Plant ao vivo: the heart remais the same

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27 de julho de 2022

Bares e cafés em Montevidéu

Café Brasileiro, Montevidéu
Café Brasileiro, na Cidade Velha de Montevidéu: o lugar é lindo, a comida é boa e o pedigree boêmio é notável

Não bastassem todos os outros encantos, a capital uruguaia tem um atrativo irresistível pra mim: os bares e cafés de Montevidéu sabem ter charme, aconchego e atmosfera como é raro a gente ver por aí.

Moderníssimos ou históricos, descolados ou tradicionais, a capital uruguaia tem um elenco generoso de lugares gostosos para um drinque, uma refeição ou para simplesmente sentar, ver a vida passar e observar as pessoas. 

A partir do meio da tarde, explorar os bares e cafés de Montevidéu é se jogar em duas grandes e gostosas tradições da cidade.

Bar na Cidade Velha de Montevidéu
A Cidade Velha de Montevidéu tem tantos bares e cafés lindinhos que dá vontade de passar a viagem toda visitando cada um

Café Bar Tabaré, Montevidéu
Adoro o charme do Bar Café Tabaré, um veterano em Punta Carretas

Uma é a boemia — geralmente temperada com longos papos sobre política e literatura, herança das velhas tertúlias ibéricas.

Outra é la merienda, aquele café da tarde meio primo do chá das cinco britânico, cercado de docinhos, biscoitos e outros pequenos requintes — uma refeição leve que ajuda a manter a tradição uruguaia de jantar mais tarde do que nós, brasileiros.

Café Oro del Rhin, Montevidéu
Aproveitei muito a hora da merenda no tradicional Café Oro del Rhin, que tem uma filial em Punta Carretas

A boemia entra pela madrugada. La merienda é mais comportada, curtida entre as 17h e as 20h, mais ou menos. O que elas têm em comum — e de mais delicioso — é a reunião de amigos, a cumplicidade e a conversa animada.

Os bares e cafés de Montevidéu não têm contraindicação. Veja algumas dicas de cantinhos deliciosos na cidade para merendar, bebericar, farrear ou simplesmente curtir uma refeição:

20 de julho de 2022

Onde comer em Montevidéu

Parrilla (churrasco) uruguaia no Mercado do Porto de Montevidéu
A maestria uruguaia no preparo da parrilla (churrasco) faz de Montevidéu um éden para os carnívoros. Mas a culinária do Uruguai vai bem além da carne assada

Quando penso em comer e beber em Montevidéu, a primeira coisa que vem à cabeça é a parrilla suculenta e uma taça de vinho Tannat — uma combinação tão perfeita que parece ter sido tramada no paraíso.

Esse éden carnívoro é a principal, mas não a única faceta gastronômica de Montevidéu. Em quatro viagens à cidade, sempre comi muito bem na capital uruguaia — e juro que até salada entrou no cardápio 😁.

Figazza, comida típica de Montevidéu
Não vá embora de Montevidéu sem experimentar a figazza, uma prima da pizza pra quem curte cebola
 
Nessa mais recente visita a Montevidéu, simplesmente me esbaldei nas carnes assadas, milanesasfainás, figazzasmedialunas, empanadas e outras delícias locais, experimentando restaurantes e cafés nas mais diversas faixas de preço (mas os preços em Montevidéu serão sempre meio salgados, comparados com os do Brasil).

O resultado da esbórnia de 9 dias na capital uruguaia eu conto aqui nesse post, com dicas de pratos e bebidas e lugares bacanas onde comer e beber em Montevidéu — com preços e endereços do que experimentei e aprovei. 

Se você achar estranho não encontrar dicas de lugares sensacionais como o Bar Tabaré e o Café Brasileiro neste post, é porque ele já ficou enoooorme e os bares e cafés ganharam uma postagem só pra eles > Bares e cafés em Montevidéu.

Medialunas, croissants típicos de Montevidéu
Começar o dia com medialunas doces e salgadas é uma das grandes alegrias de acordar à beira do Rio da Prata

Prepare os talheres e bora passear pelos sabores de Montevidéu:

9 de julho de 2022

Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu

Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu
O Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu é lindo, tem entrada gratuita e é facílimo de encaixar na sua rota turística

Que surpresa sensacional é o Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu! Dono de um acervo super instigante, o MNAV tem entrada gratuita e é muito fácil de encaixar na rota turística pela capital uruguaia.

O MNAV está instalado no Parque Rodó, com ônibus na porta e a curta caminhada de Punta Carretas, onde a maioria dos turistas brasileiros gosta de se hospedar.

Traduzindo: você tem zero desculpa pra deixar o Museu Nacional de Artes Visuais fora do seu roteiro em Montevidéu. Visitei o MNAV logo no meu primeiro dia de passeios pela cidade e confesso que foi preciso me controlar pra não voltar lá todo dia — mas só porque Montevidéu tem muitas coisa legal pra ver e fazer.

"Esporte", tela do pintor uruguaio Guillermo Laborde

Esporte (1923), de Guillermo Laborde: a elite preferia o tênis


"Partida de Furebol", quadro do pintor uruguaio Carmelo de Arzadun

Os trabalhadores se divertiam em uma Partida de futebol, como esta retratada por Carmelo de Arzadun, em 1919


O Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu é uma deliciosa aula sobre a pintura uruguaia, que nós brasileiros conhecemos pouco, mas que brilha nas obras de Joaquín Torres García, José Gurvich, Pedro Figari e muitos outros. 

Se você tiver que escolher um único museu para visitar em Montevidéu, que seja o MNAV — mas eu torço sinceramente para que você não passe por esse dilema, porque ô cidade pra ter museus bacanas como a capital uruguaia. 

Já tem um post aqui na Fragata sobre o meu amado Museu Torres García e, em breve, publico sobre os museus de José Gurvich, Pedro Figari. Juan Manuel Blanes e outros que adorei.

Mas, agora, veja o que você vai encontrar no adorável MNAV e prepare-se para esse delicioso mergulho na arte dos nossos vizinhos orientales.

"As Ciganas", quadro do pintor uruguaio Rafael Barradas
Adorei reencontrar o pintor Rafael Barradas, autor de As Ciganas (1919), que já tinha me conquistado com trabalhos expostos no MNAC de Barcelona