domingo, 13 de agosto de 2017

5 museus bacanas em Buenos Aires - e os passeios que combinam com eles


Entre as muitas coisas legais que tem pra ver e fazer em Buenos Aires estão cinco museus que eu curto e recomendo pra todo mundo. Tem a maravilhosa coleção de arte moderna latino-americana do Malba e o acervo variado e "clássico" do Museu Nacional de Belas Artes. Tem as vanguardas do Museu de Arte Moderna e o rico painel artístico do Museu Fortabat. E tem, claro, as memórias do maior intérprete de tangos do planeta no Museu Casa de Carlos Gardel, lembrança de quem cantou a alma portenha como ninguém.

Localizados nos bairros da Recoleta, Palermo, San Telmo, Puerto Madero e Abasto, os cinco museus têm acesso fácil (fora o Malba, todos são alcançáveis com o metrô) e estão próximos a outras atrações e combinam facilmente com outros passeios (que eu indico aqui no post).


Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba)



Avenida Figueroa Alcorta 3415, Palermo
De quinta a segunda, das 12h às 20h. Quartas, até 21h. Fechado às terças-feiras.
Entrada: 100 pesos. Às quartas, 50 pesos.
Malba

Em nenhum outro museu do mundo você vai encontrar uma coleção que expresse de maneira tão completa a arte latino-americana do Século 20. O acervo do Malba é um painel riquíssimo do que foi produzido na nossa região em uma época especialmente ousada, criativa e efervescente nas artes visuais aqui nas nossas paragens.

A arquitetura do Malba é bem bacana e uma imensa parede envidraçada integra o interior do museu ao verde do jardim que fica ao lado

O Abaporu, de Tarsila, a obra mais importante da coleção
Foi no século passado que os artistas da América-Latina sacudiram o verniz eurocêntrico das academias e buscaram uma estética que falasse de verdade sobre quem somos. Basta lembrar dos modernistas brasileiros e mexicanos para entender do que estou falando.

Sou fã incondicional desse museu que me permite mergulhar nessa busca genial pelas identidades dos nossos países, em movimentos como o Neocriollo argentino, a Antropofagia dos modernistas brasileiros, o Universalismo Construtivo uruguaio e o Muralismo mexicano.

Argentinos: Fitas (1924), de Xul Solar, e Vallombrosa (1916), de Emilio Pettoruti

Rua de Nova York (1920) e Construtivo com Rua e Peixe Grande (1945), do uruguaio Joaquín Torres-García

Che Morto (1967), do brasileiro Claudio Tozzi, e Três Figuras em Marcha (1943), do venezuelano Héctor Poleo
Para nós, brasileiros, o Malba é a casa do Abaporu, o quadro-emblema de Tarsila do Amaral que deixamos escapar das nossas fronteiras e acabou comprado pelo milionário Eduardo Constantini, dono da coleção exposta no museu.

Os mexicanos Diego Rivera (Retrato de Ramón Gómez de la Serna, de 1915), Frida Kahlo (Autorretrato com Macaco e Papagaio, de1942) e Miguel Covarrubias (Mulher de Tehuantepec, de 1945)

Manifestação (1934), do argentino Antonio Berni
A tela é realmente espetacular, a estrela incontestável do acervo. Mas, assim como o Louvre não é a Mona Lisa, o Malba vai muito além. Tem PortinariDi Cavalcanti, Hélio Oiticica, tem os mexicanos Diego Rivera e Frida Kahlo, o uruguaio (meu amor!) Joaquín Torres-García, os argentinos Antonio Berni e Emilio Pettoruti... Uma festa.

E prepare-se para encontrar ótimas mostras temporárias, também. Nesta recente visita ao Malba, fui premiada por uma exposição espetacular da fotógrafa americana Diane Arbus.

Exposição de Diane Arbus no Malba, em julho/2017

O Malba combina com:
O Malba está a 750 metros do Jardim Japonês e dos Bosques de Palermo. Se fizer a visita em um sábado, estique até a feirinha de design e artesanato da Plaza Serrano, que está a pouco mais de 3 km. Veja aqui: Palermo, o bairro com cheiro de maçã



Museu de Nacional de Belas Artes


Os clássicos europeus estão bem representados no MNBA, mas o grande encanto do museu é descobrir os argentinos
Avenida del Libertador 1473, Recoleta 
Metrô Las Heras (Linha H) a 650 metros
De terça a sexta, das 11h às 20h. Sábados e domingos, das 10h às 20. Fechado às segundas. Entrada gratuita.
MNBA

Você não tem desculpas pra deixar o Museu Nacional de Belas Artes fora de seu roteiro em Buenos Aires. Primeiro, porque ele fica praticamente ao lado do miolinho de agito da Recoleta — da entrada do Cemitério até lá, a caminhada é de apenas 400 metros. Segundo, porque o MNBA tem entrada gratuita e zero de fila. Terceiro e mais importante: este museu tem um dos acervos de artes plásticas mais importantes da América latina.

Três representações da figura feminina no MNBA: A Mulher do Mar (1892), de Paul Gauguin, A Mulher que Chora, de Cândido Portinari, e Mulher Deitada, de Pablo Picasso (1931), abaixo


O Museu Nacional de Belas Artes foi fundado em 1895 e, nos seus primeiros tempos, funcionou no edifício que hoje todo mundo conhece como Galerías Pacífico, a mais popular das mecas de consumo dos brasileiros que passam por Buenos Aires. Na década de 30, foi transferido para a antiga Casa de Bombas, parte do sistema de abastecimento de água da cidade, onde está até hoje.

O acervo do MNBA é gigantesco. São mais de 12 mil peças e, claro, nem tudo está em exposição—nesta visita, por exemplo, senti falta das marinas de Courbet, telas que mostram um mar furioso e desafiador bem ao gosto do romantismo do pintor. Mas não dá pra reclamar do que vi por lá: tem El Greco, Renoir, Picasso, Chagal, Rodin...


Peça de altar em terracota esmaltada, típica da Toscana, e Anjo com a Cabeça de São João Batista, do Século 17
Como um bom museu fundado no Século 19, é claro que a coleção do MNBA tem um sotaque evidentemente europeu. A presença de mestres consagrados, da Renascença ao Impressionismo, é uma das características da casa. A obra mais famosa e mais divulgada do museu, por exemplo, é A Ninfa Surpresa, de Édouard Manet. Também é significativa a presença da tapeçaria e objetos decorativos trazidos do Velho Continente.

O melhor do MNBA, porém, é o vasto painel das artes visuais argentinas que se encontra por lá. A pintura argentina não é muito conhecida no Brasil, mas tem um belíssimo currículo.

A Ninfa Surpresa (1861), de Manet

Antonio Berni: Madalena (1980) e Primeiros Passos (1936)

Numa trajetória paralela à nossa, mas tão singular quanto, é possível acompanhar a caminhada artística dos hermanos desde a arte pré-colombiana, passando pela ênfase nos temas sacros que caracterizaram o período colonial — com a busca de uma estética “sincrética” que incorporasse elementos das culturas nativas, coisa que não tivemos no Brasil—, a “pintura cívica” do período pós-independência até explodir na ousadia do modernismo de Antonio Berni (cada dia mais fã desse cara), Emilio Pettoruti, Xul Solar e muitos outros.

O MNBA é um programão que você pode degustar em um só fôlego ou aproveitar a entrada gratuita e fazer várias visitinhas.

O MNBA combina com:
O MNBA combina perfeitamente com a visita ao Cemitério da Recoleta, ao Centro Cultural e com uma comprinhas no Buenos Aires Design (Av. Pueyrredón 2501), que está quase em frente. A famosa Floralis Genérica, escultura em forma de flor que abre e fecha, a depender da hora do dia, está bem atrás do museu, ao lado da Faculdade de Direito.  
Coleção de Arte Amalia Lacroze de Fortabat



Olga Cossettini 141, Puerto Madero 
Metrô Alem (Linha B) a 1,1 km
De terça a domingo, das 12h às 20h. Fechado às segundas. Entrada: 80 pesos.
Museu Fortabat

Taí outro museu que você precisa experimentar. Localizado em Puerto Madero — um lugar onde você certamente vai dar um passeio quando estiver em Buenos Aires — ele abriga a coleção particular que a multimilionária Amalia Lacroze de Fortabat reuniu em seus 91 anos de vida em um edifício bacanão, projetado pelo arquiteto uruguaio Rafael Viñoli.

Antonio Berni: Domingo na Chácara
A ênfase do acervo é a arte argentina. De todos os museus de Buenos Aires que já visitei, este foi o que me “educou” mais neste quesito, permitindo que eu descobrisse todo um mundo de pintores interessantíssimos como os modernistas Roberto Aizeberg, Antonio Alice, Carlos Alonso e Antonio Berni e o célebre Prilidiano Pueyrredón, que no Século 19 retratou com paixão a Argentina criolla dos pampas.

Retrato de Amalia Lacroze de Fortabat, de Andy Wahrol, e Boleando Avestruzes, de Rugendas
Para quem quer ver os famosos, também tem: Turner, Jan e Pieter Brueghel, Chagal, Miró e Salvador Dalí. O quadro mais famoso da coleção é o retrato de Amalia pintado por Andy Warhol.

Tem um post exclusivo sobre a Coleção Amalia Lacroze de Fortabat aqui na Fragata:
Buenos Aires - o Museu Fortabat


A Coleção Fortabat combina com:
A visita ao museu encaixa direitinho com um passeio por Puerto Madero. Dá para almoçar por lá antes, ou jantar depois, aproveitar o final de tarde caminhando à beira d'água e curtindo as demais atrações da área, como o Museu da Imigração e o Faena Arts Center. Se você curte histórias do mar, vai gostar de visitar dois barcos museus ancorados em Puerto Madero, a Fragata Sarmiento e a Corveta Uruguay.
Veja aqui: Puerto Madero, o "outro país"


Museu de Arte Moderna de Buenos Aires



Avenida San Juan 350, San Telmo. 
Metrô San Juan (Linha C) a 900 metros.
De terça a sexta, das 11h às 19h. Sábados e domingos, das 11h às 20h. Entrada: 30 pesos (grátis às terças).
MAMBA

Meu Vaso de Flores (1944) de Emilio Petorruti e A Confissão de Pettoruti ou A Ordem Interrompida (1994), óleo e maçarico sobre tela, de Oscar Bony 
Se você curte novidades, este é o seu lugar, já que a principal missão do Museu de Arte Moderna de Buenos Aires é exatamente mostrar a produção de vanguarda argentina — e esse é o motivo para que se veja em seu acervo muito mais arte contemporânea do que os modernistas que o nome da instituição sugere.

Jogo de vazios e espelhos em A Verificação Esquemática (1968), de Antonio Trotta 
O MAMBA fica em San Telmo, a uma curta caminhada da Praça Dorrego, instalado em uma antiga fábrica de cigarros inaugurada no comecinho do Século 20. O contraste da fachada em tijolos e a arquitetura clean do interior do museu é bem interessante — adorei a escadaria de ferro que leva ao andar superior, que me pareceu a sugestão de uma coluna vertebral retorcida de dinossauro.

A escadaria do MAMBA


Não é um museu para reconhecer obras e artistas consagrados—embora você vá se deparar com trabalhos de Berni, Xul Solar e Pettoruti , por exemplo. Mas o barato de uma visita ao MAMBA é descobrir e explorar novas estéticas em pintura, escultura, gravura, instalações, fotografia, vídeo e artes gráficas. Eu achei bem instigante.

O MAMBA combina com:
San Telmo é um dos bairros mais interessantes (e o mais antigo) de Buenos Aires. É perfeito para quem gosta de garimpar brechós e sebos. Para quem gosta de restaurantes descolados, cafés e bares históricos. Coloque na sua lista de visitas uma passada pelo Mercado de San Telmo, uma olhadinha nos antiquários concentrados na Calle Defensa e uma esticada ao Parque Lezama, jardim agradável onde está o Museu Histórico Nacional da Argentina e onde são organizadas feirinhas de artesanato.

E não esqueça de experimentar cafés e bares centenários, como o Dorrego, o Británico e o Hipopótamo e almoço tardio em um dos muitos restaurantes da região.

Para saber mais sobre o Parque Lezama e o Museu Histórico Nacional da Argentina, leia este post: Mi Buenos aires querido

Sobre os bares Británico, Dorrego e Hipopótamo, o post é este:
Buenos Aires: a memória boêmia dos cafés, bares e confeitarias "notáveis"

Museu Casa Carlos Gardel



Jean Jaurés 735, Abasto. 
Metrô Carlos Gardel (Linha B) a 550 metros, ou Corrientes (linha H) a 500 metros.
Fechado às terças. Nos demais dias de semana, abre das 11h às 18h. Sábados e domingos, das 10h às 19h. Entrada: 10 pesos.
Museu Gardel


Visitar esse museu é uma jornada sentimental, não só pelas memórias de Gardel, mas por uma Buenos Aires de outros tempos, quando o maior dos intérpretes de tango eletrizava multidões, provocava desmaios e arrebatamentos—quem disse que a beatlemania inventou alguma novidade?

O Museu Gardel está instalado no imóvel comprado pelo cantor em 1927, no mesmo bairro de Abasto onde ele perambulou na infância, fazendo pequenos serviços no mercado que funcionava ali (hoje convertido em um shopping center). Gardel morou na casa simples com a mãe até sua morte, em 1933.

Pequenas lembranças de Gardel em um acervo que ficou bem multimídia

Em 2003, a Prefeitura de Buenos Aires transformou o lugar em um pequeno museu, íntimo e tocante, destinado a preservar documentos, objetos pessoais e outras recordações do ídolo.

Estive no Museu Gardel pouco mais de um ano depois da inauguração e, naquela época, o mais encantador eram as senhorinhas que, 70 anos depois de sua morte, ainda zelavam pelas suas recordações, faziam sala para os visitantes e sabiam de cor a história de cada objeto.

Memórias de Gardel e fachadas decoradas em fileteado: mais Buenos Aires, impossível


Nesta nova visita, encontrei o museu mais “profissional”, com o acervo mais organizado e bem multimídia—é possível ouvir as gravações de Gardel e assistir cinejornais com momentos importantes de sua vida, por exemplo.

O Museu Gardel combina com:
Que tal umas comprinhas no Shopping Abasto? Ele está a 350 metros do museu e de cara para a estação de metrô Carlos Gardel, por onde você, provavelmente, chegará e sairá do bairro.

Uma visita ao Museu Gardel era sempre muito bem complementada com um passeio pelas redondezas para admirar as fachadas decoradas em fileteado — uma técnica tão portenha quanto o tango. Essa parte do passeio eu já não pude repetir satisfatoriamente, pois achei as fachadas muito maltratadas e o bairro de Abasto me passou a sensação de inseguro, mesmo no meio da tarde. Nada que impedisse minha diversão, mas, quando você for, fique atenta.

Mais sobre Buenos Aires 
Comer&beber

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Um comentário:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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