21 de abril de 2019

Bagagem prática: 2 semanas, 2 estações e uma mala de mão

Mala de cabine no padrão exigido pelas companhias aéreas
Essa identificação de bagagem com Elvis, comprada em Graceland, foi um dos poucos acréscimos de peso (😁😁 ) sofridos pela minha malinha nesta viagem. Viajar leve não combina muito com compras
Eu sempre fui escandalosamente minimalista na hora de arrumar a mala. Gosto de viajar leve e fui ficando cada vez mais craque na bagagem prática.

Meu figurino, muito básico, ajuda. Mas o grande estímulo é minha aversão arrastar trambolho 😊. É por isso que sou fã de mala de mão.

A bagagem de mão é uma grande amiga das viajantes-solo: nem sempre dá para contar com alguém que ajude a levantar uma mala grande e pesadona para embarcar em um trem ou acomodá-la em um bagageiro mais alto.

Nova Orleans, uma rua do Faubourg Marigny
Verão esticado: em pleno novembro, peguei sol e 30º C em Nova Orleans
E vamos combinar que não despachar nos poupa de perder tempo esperando a bagagem diante de uma esteira de aeroporto — "Será que chegou? Será que extraviou?"

E isso vem desde o tempo em que as companhias aéreas não cobravam a mais pelo despacho da bagagem — eu até despachava a mala, mas nunca esquecia que, depois que ela saísse do porão do avião, era eu que ia carregá-la.

Nova Orleans, barco a vapor Natchez
Mas o calor e a umidade de Nova Orleans, vez por outra, viravam chuvarada
Agora, com as taxas salgadas que temos que pagar para a mala ir no porão do avião, organizar uma bagagem prática e compacta virou também questão de economia.

Convém lembrar que neste mês de abril/19 as companhias aéreas endureceram a fiscalização para garantir o cumprimento das regras e estão conferindo as medidas das malas de mão. Está bem mais difícil tentar espertezas para embarcar com bagagem fora do padrão.

As medidas máximas para malas de cabine agora são 55 cm (altura) x 35 cm (largura) x 25 cm (profundidade), incluindo bolsos, rodas e alça. A mala de mão fora desse padrão será encaminhada para o porão e será cobrada a taxa correspondente pelo despacho da bagagem. 

Neve em Memphis, Tenesssi
Neve em Memphis em novembro: surpresa!
Essa visita mais recente aos Estados Unidos, porém, apresentou alguns desafios ao meu apego à bagagem prática.

Meu roteiro musical pelos EUA, na primeira quinzena do último novembro, foi uma viagem por duas estações do ano completamente opostas, condensada em duas semanas: o calorão de Nova Orleans e o frio congelante que encontrei em Nashville e Memphis, com direito até a neve fora de hora.

Veja minhas dicas para arrumar a mala básica e leve (9,2 kg), sem correr o risco de ser surpreendida pelo clima ou ficar sem roupa limpa no meio da viagem:

Leia também: Bagagem essencial - o que nunca falta na minha mala


Mala de mão versátil: calor em Nova Orleans, friaca no Tenessi

Minha viagem pelos Estados Unidos foi em pleno outono (de 3 a 17 de novembro), mas só no calendário.

Piano tocado por Elvis Presley
Fazendo companhia ao piano Steinway tocado por Elvis e outras feras, no legendário Studio B da RCA, em Nashville. Esse casaco leve esquenta muito bem e é perfeito para quem quer economizar espaço na bagagem
Na vida real, o "outono" de Nova Orleans estava mais quente do que a "primavera" de Salvador, onde eu tinha estado cerca de duas semanas antes. Um verãozão fora de hora, com temperaturas chegando aos 30º C, umidade quase amazônica e eventuais aguaceiros que poderiam se candidatar a fazer uma ponta no Antigo Testamento.

Na semana seguinte, o "outono" do Tenessi estava quase polar: a temperatura mais alta que peguei em Nashville foi de 6º C e o termômetro caía abaixo de zero assim que o sol se punha.

Em Memphis, a coisa estava ainda mais gelada, ao ponto de cair neve do meio da tarde até a madrugada, em um dos dias que estava lá.

Claro que eu já estava esperando as duas situações. Acompanhar a previsão do tempo dos lugares que vou visitar antes de arrumar a mala é uma parte importante de todos os meus planejamentos de viagem.


Mala de cabine no padrão exigido pelas companhias aéreas
Essa mala de mão foi suficiente para duas estações do ano no meu roteiro musical pelos EUA. Também já tinha dado conta de 15 dias na América Central e várias outras viagens 
Duas estações do ano na mala de mão

E eu encarei esses desafios climáticos só com uma malinha de cabine.

Quando digo malinha de cabine, não estou exagerando. A bichinha tem 49 cm de altura (53, se contar as rodinhas), 32 cm de largura e 22 cm de profundidade.

E aí, como é que eu organizei a bagagem de 15 dias e duas estações em apenas 0,035 metros cúbicos?

Montar uma bagagem prática em uma mala de mão exige, antes de mais nada, desprendimento. Não dá para levar um sapato e uma bolsa para cada ocasião, nem uma muda de roupa para cada dia — e vivam as lavanderias self-service que amenizam o fardo dos viajantes.

Outra coisa que ajuda são aqueles sacos tipo space bag, que permitem tirar o excesso de ar, comprimindo seu conteúdo. Esses bichinhos são excelentes amigos de quem quer poupar espaço na mala de mão.

Mala de cabine no padrão exigido pelas companhias aéreas
A mala dentro dos padrões evita aborrecimentos no embarque. A minha, com 53 cm x 32 cm x 22 cm, está totalmente nos conformes
Para bagagem, as melhores space bags são exatamente as mais baratas, sem a válvula para a retirada do ar com o aspirador de pó — é fácil fazer isso manualmente. Afinal, a chance de achar um aspirador durante a viagem para rearrumar as roupas na mala é mínima, né?

Não é ciência exata (longe disso), mas se quiser saber o que esperar dos humores do tempo nas cidades do meu roteiro musical nos EUA, dá uma olhada nesses posts:


Bagagem de verão
A bagagem de verão (os dias em Nova Orleans) eu resolvi fácil: dois vestidos (sem contar o que eu vesti no voo), uma pantalona muito leve e confortável e duas blusas mais elegantes para as noites. Também levei um maiô, uma bermuda e duas camisetas de malha. Para os pés, um mocassim super confortável.

Os três vestidos que levei nesta viagem foram comprados na Uniqlo (na loja da 5ª Avenida, em Nova York). Sou fã dessa rede japonesa de magazines que vende peças de boa qualidade muito baratas.

roupa prática para viajar
Prático, confortável  e versátil, esse vestido com design da grife finlandesa Marimekko (um clássico dos anos 60) custou menos de US$ 40 em uma loja da rede japonesa Uniqlo, um dos melhores lugares para comprar roupas de viagem que conheço
Para roupas e acessórios de viagem, então, não tem pra ninguém: os vestidos não amassam, são confortáveis, elegantes e versáteis — dá pra encarar um voo longo com eles e desembarcar sem aquela cara de quem "dormiu dentro da garrafa de coca-cola" e, dependendo da produção, não fazem feio em um jantar mais arrumadinho.

Bagagem de inverno
A bagagem de inverno é sempre mais volumosa: uma calça de brim, duas camisetas de mangas compridas, três conjuntos de malha térmica, um pulôver de fleece, um casaco acolchoado e impermeável e dois cachecóis.

Para os pés, uma botinha leve, além de três pares de meias térmicas e palmilhas isolantes, para compensar o solado fino da bota.

Na hora de se vestir para o frio, é importante sempre observar a regra das três camadas: malha térmica, blusa quente (pulover) e casaco impermeável.

malhas térmicas
Malhas térmicas levíssimas e super agradáveis no contato com a pele. Esquentam muito bem e não ocupam espaço
Primeira camada
Dois dos conjuntos de malhas térmicas (blusa e calça) que levei são da linha Heattech da Uniqlo. Sou fá dessa série: a malha fininha quase não ocupa espaço na mala.

Outro detalhe importante é o contato da malha com a pele, que é bem agradável — parecem pijaminhas, não machucam, não dão coceira, não apertam...

Essas malhas térmicas também são peças fáceis de lavar na pia do hotel, mesmo. Secam rapidinho — por mais úmido que esteja o clima, dá para lavar à noite que elas já estarão secas pela manhã. E as bichinhas esquentam de verdade.

Paguei € 10 por cada peça na loja da Uniqlo perto da Ópera, em Paris.

malhas térmicas
Enroladas, as malhas térmicas cabem no cantinho da mala de mão. A mais gordinha é a malha de esqui
O terceiro conjunto de malhas térmicas (também calça e blusa) que levei é mais bombadão, próprio para a prática de esqui e outros esportes de neve — um bom reforço quando as temperaturas caem abaixo de zero.

Este conjunto que uso é misto. A blusa é da da marca esportiva Boomerang, a calça é da Speedo. As duas peças são eficientíssimas, mas também fininhas e leves. Secam em questão de horas, depois de lavadas.

Não vou lembrar o preço desse conjunto de esqui (foi comprado em uma loja de El Corte Inglés, em Sevilha, já faz um tempinho), mas hiper recomendo.

Segunda camada
pulover de fleece também foi comprado na Espanha, em uma das célebres rebajas (liquidações) de inverno de Madri.

casaco de fleece
Fleece: muito eficiente e infinitamente mais barato que um cashmere de verdade
Paguei € 8 por ele em uma loja de material esportivo da Calle Fuencarral e até hoje não entendo porque comprei só um (na verdade, eu entendo: passei três semanas entre Roma, Florença, Bolonha e Madri apenas com uma mala de mão e não tinha espaço para mais do que isso 😁😁😁).

O pulover de fleece aquece mais que uma blusa de lã e ocupa a metade do espaço — além de ser mais gentil com a minha alergia.

Outra vantagem: fleece faz menos volume do que lã sob o casaco impermeável, a terceira camada de inverno. Com isso, dá para apostar em um ultra light down, muito mais leve e justinho no corpo, em vez daqueles e casacões largos que deixam a gente com cara de boneco de posto Michelin.

Geralmente, não uso segunda camada na parte de baixo do corpo. Quando o frio exige, uso uma meia calça com forro de fleece por cima da malha térmica. Esse também é um apetrecho que ocupa pouco espaço na bagagem. Nesta viagem, ficou fora da minha mala de mão.

casaco ultra light down
Ultra light down: esquenta muito bem e não deixa a gente com cara de boneco de posto de gasolina. E olha como ocupa pouco espaço quando guardado no saquinho (o isqueiro está na foto para dar a dimensão)
Terceira camada
Eu sabia que ia pegar muito frio em Nashville e em Memphis, mas não havia previsão de neve nem de temperaturas tão baixas (quase sempre entre zero grau e -4º C).

Se eu soubesse, era capaz de me apavorar e embarcar com uma bagagem muito mais pesada — o casacão acolchoado e as botas de solado grosso certamente teriam entrado na mala, que já não seria de mão.

Apesar da relativa surpresa, fiquei muito bem abrigada com um casaco bem mais leve, o ultra light down da Uniqlo, o modelo mais fininho dessa linha. Dobrado e acomodado em um saquinho, ele cabe até na bolsa.

casaco ultra light down
Olha só como o casaco é fininho
Combinado com as outras camadas, porém, o bichinho trabalha muito bem no aquecimento.

O casaco é acolchoado com uma camada fininha de pluma que faz a mágica. O exterior é de nylon, impermeável. O meu é preto (básiquíssimo), tamanho 7/8 (um pouco acima do joelho).

O ultra light down foi suficiente até quando fui surpreendida pela neve em Graceland, a casa de Elvis Presley.

Custou cerca de US$ 40 numa liquidação na loja da rede, em Nova York. O preço normal é US$ 60.

Pés quentinhos em viagens de inverno
A botinha de cano curto (não curto bota de cano alto) e sem salto (salto é uma péssima ideia em viagens), é o tipo de acessório que pode ser colocado na mala de mão sem medo: ela ocupa pouco espaço, é flexível para ser acomodada entre as outras peças e pesa muito pouco.

O segredo dessa bota é o solado fino (não recomendo para invernos rigorosos e nevascas), que eu compenso com as palmilhas isolantes e as meias de esqui, que não deixam o frio subir pelo pé.

botas para viagem
Essa bota é muitíssimo confortável. E combina direitinho com a Calçada da Fama do Orpheum Theater de Memphis, né?
Atualmente, estou usando as botas da Outer, marca brasileira presente em várias cidades.

A bota é bonita, confortável até dizer chega (eu ando feito doida na vida normal e em viagens) e funciona de dia e até em ocasiões mais "solenes".

Este exato modelo já saiu de linha, mas tem um muito parecido na coleção atual. Custa R$ 200.

A palmilha que uso como isolamento é feita com uma borracha meio tecnológica. É própria para pessoas que ficam muito tempo de pé (um carinho nos pés desta andarilha). Não lembro a marca nem o preço (mas foi baratinha, tipo € 6).

A palmilha foi comprada em uma farmácia de Florença, onde entrei meio desesperada procurando um bálsamo para os pés exaustos de percorrer as maravilhosas quebradas renascentistas e a atendente me indicou. Amo e não viajo sem elas.

meias térmicas
Meias térmicas de esqui: santo investimento, Batman!!
Minhas meias térmicas para esqui são da marca Therm-ic. São uma compra mais salgada (os modelos mais baratos custam mais de US$ 20 e podem chegar aos US$ 70), mas valem o investimento, pois aquecem divinamente os pés e duram uma eternidade. Os meus pares já estão para completar uma década de vida e continuam novinhos.

Se nessa viagem aos EUA eu não fosse encarar um verão e um inverno (ambos fora de hora), talvez tivesse optado por uma bota de solado mais grosso, acolchoada, e tal.

Mas esse seria o tipo de acessório péssimo de acomodar na mala na ida para  Nova Orleans (e nem dava pra cogitar chegar ao calorão da cidade do Jazz com algo assim nos pés).

Bagagem multiestações
Dois pijamas (short e camiseta) muito levinhos, calcinhas e sutiãs (óbvio!!), uma sandália havaiana para usar no chuveiro do hostel de Nashville, necessaire com produtos de toalete e equipamentos básicos (carregadores para o celular e a câmera, cabos...).

Esta tralha básica de viagens eu já descrevi com detalhes aqui: Bagagem essencial - o que nunca falta na minha mala

Acredite: essa mala de mão prática e minimalista foi suficiente para uma viagem de duas semanas.


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