25 de novembro de 2018

Roteiro musical nos EUA - Jazz, Rock e Blues em Nova Orleans, Nashville e Memphis

Lucille, a guitarra favorita de BB King, no Blues Hall of Fame, em Memphis
Lucille, a guitarra favorita de BB King, no Blues Hall of Fame, em Memphis
Vocês já sabem que a Fragata é um blog descabeladamente roqueiro, né? Pois nessas férias de novembro, finalmente fiz a viagem que eu planejava há séculos: meu tão acalentado roteiro musical nos EUA.

Foram duas semanas animadíssimas. A primeira parada foi em Nova Orleans, berço do Jazz, no estado da Luisiana.

Na sequência, duas cidades do estado do Tenessi que são sinônimos de boa música: Nashville, a cidade do Country — influência essencial do Rock — e a mitológica Memphis, terra do Blues e onde os deuses da música pariram o Rock’n’Roll.

Arquitetura colonial de Nova Orleans
A charmosíssima arquitetura colonial de Nova Orleans no French Quarter
Meu roteiro musical nos EUA foi um delicioso mergulho. Teve muita música ao vivo, "peregrinações" a lugares históricos do Jazz, Country, Rock e Blues e a oportunidade de aprender mais sobre a história do Sul dos Estados Unidos, ponto central da luta pelos Direitos Civis da população afro-descendente.

Visitei museus imperdíveis pra quem gosta de música, como o Hall da Fama do Blues (Memphis), o Museu do Jazz de Nova Orleans, o Hall da Fama do Country (Nashville) e Graceland, a mansão de Elvis Presley. E me emocionei muito no Museu Nacional dos Direitos Civis, instalado no antigo hotel onde Martin Luther King foi assassinado, em Memphis.

Ryman Auditorium, Nashville
Ryman Auditorium, em Nashville, a "catedral" da Música Country
Cumpri o delicioso ritual de ir de bar em bar para ouvir música ao vivo em Bourbon Street e Frenchmen Street (New Orleans), nos honky tonks da Broadway (Nasville) e na legendária Beale Street (Memphis).

E ainda assisti um show inesquecível do guitarrista Joe Bonamassa, um senhor bluesman, no histórico Orpheum Theater, de Memphis.

Enfim, meu roteiro musical pelos EUA foi uma jornada especialíssima, que já emplacou os primeiros lugares na parada de sucessos entre todas as viagens da minha vida. Amei e recomendo.

Joe Bonamassa no Orpheum Theater, em Memphis, Tennessee, em 14 de novembro de 2018
Assisti ao super bluesman Joe Bonamassa na segunda fila. Dava até pra ver as horas no relógio dele 😁
Veja como foi meu roteiro e aguarde posts bem detalhadinhos com todas as dicas práticas e sobre cada etapa da viagem 😊. Já tem mapa com atrações, restaurantes e dicas de hospedagem, lá no final do post.

➡️ Pra ir entrando no clima: 60 músicas para viajar - dicas para inspirar sua playlist

Roteiro musical nos EUA – Nova Orleans, Nashville e Memphis

➡️ Quanto tempo para cada cidade

Descontando a (longa) viagem de ida e volta entre Brasília e Nova Orleans, tive 12 dias “líquidos” para curtir muito jazz, blues e Rock,’n’Roll.

Acho que meu roteiro musical nos EUA ficou bem redondinho: dividi minha estadia em quatro dias inteiros para Nova Orleans (cinco noites), dois dias (três noites) em Nashville e três dias (quatro noites) em Memphis.

Rua do Faubourg Marigny
Faubourg Marigny, bairro que é o irmão mais novo e mais sossegado do famoso French Quarter
➡️O roteiro ficou assim:
1º dia - Nova Orleans - Passeio pelos bairros históricos Faubourg Marigny e French Quarter. À noite, Jazz e Blues na Frenchmen Street. 

Onde ouvir música em Nova Orleans - Jazz e outras maravilhas

2º dia - Nova Orleans - Canal Street, Museu do Jazz, Museu do Cabildo, mais um passeio pelo lindo French Quater e noite na Bourbon Street.


Whitney Plantation
A Whitney Plantation foi transformada em um museu que conta a história das grandes fazendas da Luisiana a partir de relatos de pessoas que sobreviveram à escravidão
3º dia - Nova Orleans - uma escapada para ver duas lindas fazendas coloniais, a Whitney Plantation e a Laura Plantation, às margens do Rio Mississípi e a cerca de 80 km de Nova Orleans.

Veja como foi esse passeio: Visita às plantations próximas a Nova Orleans

À noite, fui assistir a uma apresentação no reputado Preservation Hall, uma casa voltada para a divulgação e valorização do Jazz.

4º dia - Nova Orleans – Aproveitei a manhã para fazer um passeio de barco em um pântano para ver jacarés e outros bichos.

Veja como foi: Passeio de barco pelos pântanos próximos a Nova Orleans

Quando os EUA compraram a Luisiana de Napoleão, as famílias ricas norte-americanas que vieram viver em Nova Orleans se estabeleceram no Garden District
À tarde, explorei o Garden District, bairro histórico onde se instalaram as primeiras famílias norte-americanas em Nova Orleans, após os EUA comprarem a Luisiana de Napoleão. A área tem casarões e jardins lindíssimos.

No comecinho da noite, fui ver uma apresentação (grátis) de Jazz no Parque Louis Armstrong.

Saiba mais sobre essa etapa da viagem
Roteiro em Nova Orleans - 4 dias (5 noites)

O que fazer em Nova Orleans

Música ao vivo em um honky tonk da Broadway, em Nashville
Cheguei em Nashville à noitinha, deixei a mala do hostel e corri para aproveitar a animação e a música ao vivo dos honky tonks da Broadway, a rua da farra
5º dia - Passeio de despedida de Nova Orleans, deslocamento para Nashville. À noite, comecei a explorar os honky tonks (bares com música ao vivo) da capital do Country e do Rockabilly.

6º dia - Nashville - visitas ao Ryman Auditorium (a "catedral" da Música Country), ao Johnny Cash Museum (quem não ama Johnny Cash??) e ao Frist Art Museum (e mais farras nos honky tonks).

À noite, assisti ao show da banda The Mavericks, no Schermerhorn Symphony Center.

Schermerhorn Symphony Center, em Nashville
Schermerhorn Symphony Center, em Nashville
7º dia - Nashville -  A primeira parada do dia foi no Hall da Fama da Música Country, um museu interativo bem bacaninha (apesar de Country não ser minha praia). Depois, fiz uma peregrinação ao Studio B da gravadora RCA, uma espécie de maternidade de incontáveis clássicos do Rock.

Aproveitei a tarde para explorar The Gulch, o bairro mais descolado de Nashville, com direito a uma passadinha na loja Two Old Hippies, cheia de coisinhas interessantes, e a assistir a um show em The Station Inn, famoso por sua programação musical.

Beale Street, a Rua do Blues
Beale Street, com direito a neve em plena primeira quinzena de novembro⛄
8º dia - Viagem de Nashville para Memphis. Cheguei no final da tarde e aproveitei a noite Para as primeiras incursões na Beale Street, a rua do Blues e do Rock'n'Roll, onde pulei por alguns bares assistindo apresentações musicais. As casas costumam ter shows às 19h, 20h e 22 horas.

9º dia - Memphis - Comecei a explorar pra valer a terra santa da música em dois museus absolutamente imperdíveis (é difícil quer ir embora): o Hall da Fama do Blues e o Rock and Soul Museum. À noite, é claro, eu fui ouvir música na Beale Street.

Graceland, a casa de Elvis Presley
Graceland, a mansão de Elvis, é o centro de um conjunto de museus que celebram a memória do "Rei do Rock"
10º dia - Memphis - Comecei o dia (gelado) com a visita a Graceland, a mansão de Elvis Presley que virou museu.

À noite, flutuei de felicidade assistindo ao showzaço do guitarrista Joe Bonamassa no Orpheum Theater.

Detalhe: fui e voltei do teatro caminhando sob os floquinhos de neve que já estavam caindo desde o começo da tarde. Pois é... neve na primeira quinzena de novembro. A surpresa não foi só minha: os noticiários só falavam disso 😀.

A coroa de flores na sacada do Lorraine Motel marca o local onde Martin Luther King recebeu o tiro de um supremacista branco, no final da tarde de 4 de abril de 1968. O local é hoje a sede do Museu Nacional dos Direitos Civis
11º dia - Memphis - Comecei o dia no Museu Nacional dos Direitos Civis, instalado no motel onde Martin Luther King foi assassinado, em 1968. Uma visita essencial.

À tarde, visitei o Sun Studio (onde foram gravados mais de uma centena de clássicos do Rock'n'Roll). À noite...adivinhe? Lá estava eu fazendo o bar hopping de Beale Street.

12º dia - Viagem de Memphis para Nova Orleans -- eu deveria ter tido uma linda tarde para me despedir da Cidade do Jazz, mas o voo atrasou e eu fiquei só no jantarzinho comportado no French Quarter.

13º dia - Embarque para Brasília.

Sun Studio, em Memphis
Sun Studio, em Memphis: esse microfone aí da foto captou as vozes de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Carl Perkins e mais uma pá de gente que eu amo
➡️ Como viajei aos Estados Unidos
Voei de Brasília para Nova Orleans com a American Airlines, fazendo conexão em Miami e em Dallas. Somando os voos e as esperas nos aeroportos, foi uma jornada de cerca de 24 horas (ufa...😫).

Comprei a passagem Brasília-Nova Orleans com três meses de antecedência e consegui uma tarifa na casa dos US$ 850, ida e volta.

Na volta ao Brasil, também foram três voos: Nova Orleans-Miami, Miami-Manaus e Manaus-Brasília (este último trecho operado pela Gol).

Party bikes, ou bicicletas da farra, em Nashville
Farra móvel em Nashville: a galera enche a cara, pedala e se esgoela cantando sucessos de todos os gêneros musicais nessas party bikes
➡️ Deslocamentos nos Estados Unidos
Quando comecei a organizar a viagem, cogitei fazer os deslocamentos entre Nova Orleans, Nashville e Memphis de ônibus. As distâncias, porém, não animam.

De Nova Orleans a Nashville são mais de 14 horas de viagem por terra. Entre Memphis a Nova Orleans, os percursos de ônibus são feitos em cerca de 11 horas.

Optei, então, por fazer apenas o percurso Nashville-Memphis de ônibus, com a empresa Greyhound, uma viagem de cerca de quatro horas, com wifi a bordo e poltronas confortáveis.

Museu Nacional do Jazz, em Nova Orleans
Museu do Jazz de Nova Orleans
As passagens de ônibus entre Nashville e Memphis custam a partir de US$ 20, dependendo da data da viagem, da antecedência da compra e da categoria do bilhete.

De Nova Orleans a Nashville, voei com a empresa aérea low cost Sun Country, que oferece tarifas bem camaradas: com bom planejamento, é possível encontrar passagens na casa dos US$ 50 — mas atenção: a empresa cobra o despacho de bagagem (US$ 25) e cobra ainda mais caro pela mala de cabine (US$ 48).

De Memphis para Nova Orleans, voei com a Delta Airlines, com escala em Atlanta. A tarifa ficou em torno de US$ 250.

Lamothe House, meu hotel em nova Orleans
➡️ Onde me hospedei em Nova Orleans, Nashville e Memphis
Gostei muito das minhas escolhas de hospedagem nas três cidades.

Em Nova Orleans, fiquei na Lamothe House, instalada em um casarão antigo e elegante, na Esplanade Avenue (que demarca a "fronteira" entre o Faubourg Marigny e o French Quarter). Confortável, super bem localizado e com atendimento muito simpático. Adorei.

Meu quarto no hostel de Nashville homenageia os Allman Brothers, uma banda que eu considero pra caramba 🎸
A segunda hospedagem foi no Nashville Downtown Hostel, muitíssimo bem localizado e muito simpático. Fiquei em um quarto individual, com banheiro compartilhado. Era a única opção disponível.

Dois meses antes da viagem, já estava difícil achar hotel a preço razoável em Nashville para minhas datas, que coincidiram com um jogo de futebol americano entre os New England Patriots e os Tennessee Titans.

Não sou muito de hostel, mas aprovei a experiência.

Adorei meu hotel em Memphis
O melhor hotel da viagem foi o Holiday Inn Memphis Downtown. Quarto confortabilíssimo, localizado de cara para o gol em relação a tudo que interessa na cidade e com uma equipe que faz a gente se sentir em casa. E ainda tem transfer grátis de e para o aeroporto 😀.

Mais sobre esta viagem:
Roteiro em Nova Orleans - 4 dias (5 noites)

O que fazer em Nova Orleans
Onde ouvir música em Nova Orleans - Jazz e outras maravilhas
Passeio de barco pelos pântanos próximos a Nova Orleans
Hospedagem em Nova Orleans - duas experiências no French Quarter



Os Estados Unidos na Fragata Surprise
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2 comentários:

  1. Comecei minha viagem pelo blog. Que beleza e sensibilidade na escritam Você é dez. Este post é uma imersão cultural. Voltarei algumas vezes. Parabéns, você se torna menina quando escreve.

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