segunda-feira, 27 de março de 2017

Roteiro em Madri:
da Praça de Espanha ao Palácio Real

O Parque del Oeste é um dos grandes mirantes de Madri: da esquerda para a direita, o Palácio Real, a Catedral de La Almudena e a Real Basílica de San Francisco el Grande
Uma tarde ensolarada em Madri, sapatos confortáveis e muito pouco dinheiro. Isso é tudo o que você precisa para fazer um passeio bem bacana pela capital espanhola para ver cara a cara alguns dos maiores cartões postais da cidade.

Esta é basicamente uma rota pela cidade dos séculos 19 e 20. O percurso tem quase 4 km, começando na Plaza de España e terminando no Campo del Moro, um lindo jardim sossegado nos fundos do Palácio Real.

Com 25 andares e 117 metros de altura, o Edifício Espanha é uma das imagens mais reconhecíveis de Madri
Você também tem a opção de encerrar a visita no palácio, para ver seus majestosos salões e suas ricas coleções. Essa é a única atração paga desse roteiro — mesmo assim, se você chegar a lá no fim da tarde, de segunda a quinta, vai ter entrada grátis.

Já tinha visitado cada uma dessas atrações, mas nunca numa sequência organizada. Fiz isso, agora em janeiro, e vi que rende um roteiro redondinho. Fiz tudo a pé, mas você pode recorrer ao metrô e até dividir as atividades em duas partes. O importante é namorar a beleza de Madri. Veja o mapa no final do post e bora passear.


Plaza de España
Como chegar: Metrô Plaza de España (linhas 3 e 10)


O monumento a Cervantes e a intromissão do espigão Torre de España
É apenas uma praça, mas concentra alguns emblemas da cidade, então, vamos  começar nosso roteiro lá, até porque a Estação Plaza de España do metrô é a mais próxima do Parque del Oeste e do Templo de Debod, nossa próxima parada.

Já que estamos aqui, não custa dar uma volta pela praça e prestar respeitos à estátua de Cervantes, que “preside” uma fonte na companhia de Sancho Pança e D. Quixote e para clicar o icônico Edificio España, de 1953, um dos cartões postais da cidade — suas fotos ficarão melhores à tarde, já que tanto o monumento a Cervantes quanto o edifício estão voltados para o Sudeste.

Casa Gallardo, um "bolo de noiva" de 1911
A irritante silhueta da Torre de España, um arranha-céu, destoa de tudo em volta, mas também posa para muitas fotos. Ao sair da praça rumo ao templo egípcio, repare na bela Casa Gallardo, de 1911, uma das obras mais importantes da arquitetura modernista madrilenha.


Templo de Debod e Parque del Oeste
Como chegar: uma caminhada de 500 metros desde a Praça de Espanha. Entrada gratuita.


Templo de Debod: 22 séculos de idade
O Templo de Debod está no centro de um dos conjuntos mais bonitos de Madri. Embora tenha 22 séculos de idade, ele foi incorporado à paisagem madrilenha em 1968, um presente do governo do Egito à Espanha pela ajuda no resgate do patrimônio histórico daquele país na área alagada pela Represa de Assuã. Desde então, ocupa uma elevação sobre o vale do Rio Manzanares, no Parque del Oeste — um dos melhores mirantes da capital espanhola.

Depois de visitar o templo, aproveite a pausa no Parque del Oriente. Como você viu na foto de abertura do post, o lugar também é um lindo mirante
Parque del Oeste

O Templo de Debod é dedicado a Amon, divindade dos ventos adorada no Egito como símbolo do Império, das vitórias militares e pai de todos os deuses. Trazido das margens do Nilo para Madri, o santuário foi remontado na área antes ocupada pelo Quartel de la Montaña, destruído na Guerra Civil Espanhola.

Cercado de verde e afastado do burburinho do trânsito, o lugar é delicioso. Muita gente vai até lá para ver o pôr do sol. O templo também fica lindo à noite, com sua iluminação cênica. 


Jardins de Sabatini 

A inspiração é o Século 18, mas os jardins são um legado da República Espanhola
Como chegar: se quiser começar o passeio por aqui, a Estação Plaza de Espanha (linhas  3 e 10) do metrô está a 500 metros. A Estação Ópera (linhas 2 e 5) também é pertinho: 550 metros. Do Templo de Debod aos jardins é uma caminhada de 750 metros pela Calle de Bailén.

Horário: de outubro a abril, das 9h às 21h. De maio a setembro, até às 22h.

Esses jardins com desenho francês e ares setecentistas foram, na verdade, construídos nos anos 30 do Século 20, aproveitando uma baixada ao lado do Palácio Real onde, em outros tempos, estiveram as cavalariças da corte.




Apesar de sua cara aristocrática e das estátuas de reis espalhadas entre o arvoredo, foi o breve governo republicano que decidiu destinar a área ao lazer da população e encomendou a obra, batizada em homenagem a Francesco Sabatini, arquiteto responsável por grande parte do projeto do Palácio Real e que, no Século 18, planejou um jardim naquele local.

Relaxe nas alamedas sossegadas, escolha um banquinho à sombra, em frente à grande fonte central e respire a sensação de estar em pleno Centro da Cidade e, ao mesmo tempo, longe do burburinho lá no alto. No verão, os Jardins de Sabatini são usados como palco para eventos culturais.


Plaza de Oriente


Durante a ditadura franquista, a Plaza de Oriente era o local preferido das manifestações dos seguidores do generalíssimo. Apesar dessa memória, ela é hoje uma área verde bem simpática
Como chegar: subindo a escadaria dos Jardins de Sabatini, basta atravessar a rua. O Metrô Ópera (linhas 2 e 5) é o mais próximo.

Uma praça que serve de antessala à sede de uma monarquia jamais poderia ser básica, né? A Plaza de Oriente, inaugurada no Século 19, bebe no esplendor de eras mais pujantes da História da Espanha. Estátuas de reis — ignorando solenemente o período de governos mouros, como ditava a época — e jardins impecáveis completam a moldura verde em torno do Palácio Real, fechando o perímetro formado pelo Campo del Moro (a Leste), os Jardins de Sabatini (Norte) e Parque de Atenas (Sul).


Um carrossel à moda antiga na Plaza de Oriente e o Teatro Real, do Século 19 (à direita)
Entre as esculturas que representam reis visigodos e do período da Reconquista cristã, o destaque é a estátua equestre de Filipe IV, obra do italiano Pietro Tacca. Realizada no Século 16, a obra foi considerada um prodígio — se não artístico, pelo menos de “engenharia”, já que toda ela se apoia exclusivamente nas patas traseiras do cavalo.

Alamedas com árvores disciplinadamente podadas e estátuas de reis. À direita, Felipe IV em sua pose preferida
Aparentemente, o rei Habsburgo gostava de ser retratado sobre o cavalo meio empinado, como prova seu célebre retrato pintado por Velázquez, exposto no Museu do Prado. Mas realizar a mesma cena com uma estátua de bronze era tarefa mais complicada.

Tacca recorreu ao gênio de Galileu Galilei para resolver o “cálculo estrutural” da escultura. O florentino se saiu com um ovo de Colombo: bastava que a parte traseira da estátua fosse maciça e a parte dianteira ficasse oca. O resultado impressiona pela leveza e majestade.

Palácio Real 


A Praça de Armas do Palácio Real

Como chegar: Metrô Ópera
Horário: Diariamente, das 10h às 18h (de abril a setembro, fecha às 20 horas).
Preço: € 11

Entrada gratuita: de segunda a quinta, das 16h às 18h (outubro a março) e das de 18h às 20 h (abril a setembro). A gratuidade é para cidadãos da União Europeia, residentes e cidadãos ibero-americanos (nós, brasileiros, por exemplo).

O maior palácio real de toda a Europa, com 3.418 cômodos, é de um século anterior às atrações deste roteiro, mas se a ideia é ver uma Madri mais majestática, viemos ao lugar certo 😊. 

O palácio e, lá no fundo, a Torre de Espanha
O Palácio Real, ou Palácio de Oriente, é um compêndio muito bem ilustrado sobre a corte espanhola a partir do reinado da Dinastia Borbón, com coleções riquíssimas de pinturas (tem Caravaggio, Velázquez, Goya, Tiepolo...), artes decorativas, porcelanas, joias, armas e o que mais a gente imaginar.

Visitar seus suntuosos salões (sem fotos) é o jeito exato para encerrar esse passeio, mas reserve pelo menos duas horas para isso e, mesmo assim, correndo um bocadinho.

O Palácio de Oriente ocupa a mesma escarpa sobre o leito do Rio Manzanares consagrada como posto ideal para a instalação do poder político ou militar muito antes de Madri ser Madri. Sabe-se ao certo que ali existiu uma fortaleza moura que, a partir da Reconquista Cristã, foi sendo ampliada e reforçada até ser adotada como sede da monarquia, com a fixação da capital do Reino de Castela na cidade, no reinado de Filipe (Século 16).

A Catedral de la Almudena não corre risco de entrar na minha lista de favoritos 😀
O Alcázar, como era conhecido o antigo palácio, era um forte símbolo da Dinastia Habsburgo que em dois séculos de reinado realizou diversas obras de ampliação e melhoramento no conjunto de edifícios. Reis mortos, reis postos, o Alcázar foi destruído por um incêndio em 1734 (já na era dos Borbón). Quatro anos depois, era iniciada a obra do novo Palácio Real— que, desde sua inauguração, no reinado de Fernando VI, foi reformado praticamente por todos os reis que passaram por lá.

Ao lado do Palácio, no canto Sul da Plaza de la Armería, está a Catedral de la Almudena, uma igreja que não corre o menor risco de entrar no ranking dos meus monumentos preferidos na cidade. Ela começou a ser construída em 1879 e só foi consagrada em 1993. 

A muralha árabe, ao lado da catedral
Ao lado da catedral, descendo a Cuesta de la Vega vale a pena parar uns cinco minutos para ver os restos da muralha árabe, do Século 9, apontada como a construção mais antiga ainda de pé na capital espanhola.



Campo del Moro


O Palácio Real visto do Campo del Moro

Como chegar: embora fique logo abaixo do Palácio Real e dos Jardins Sabatini, você vai precisar caminhar um bocadinho para entrar no Campo del Moro, já que o único portão de aceso para o público fica a cerca de 1,2 km, no Paseo de la Virgen del Puerto, perto do Rio Manzanares. É preciso descer toda a Cuesta de San Vicente (ao lado dos Jardins de Sabatini) ou a Cuesta de la Vega (ao lado da Almudena) até lá.

Se preferir, faça como eu: pegue o Metrô até a Estação Príncipe Pio (Linhas 6 e 10), que você estará de cara para o gol. Depois, volte de metrô até a Plaza de España e comece a caminhada. Isso vai cortar mais de 2 km do trajeto a pé.

Horário: Aberto diariamente, das 10 às 18h. De abril a setembro, até as 20 horas. Entrada gratuita.

Os jardins são muito sossegados
O Campo del Moro é um antigo campo de caça dos reis Habsburgo (séculos 16 e 17), a área de 20 hectares foi transformada em jardim no Século 19. Oferece uma vista soberba para o Palácio Real e um sossego que quase não é deste mundo (eu fui lá num dia de semana, é verdade...).


Um dos pavões escandalosos concordou em posar para a foto. À direita, o lago dos patinhos e, ao fundo, as instalações do antigo Museu das Carruagens, fechado há tempos...
Suas fontes, alamedas e até um lago com patinhos constroem recantos agradáveis para se escapar do calor do verão. Não se assuste com os “gritos” que vai escutar, de tempos em tempos: os pavões que passeiam por lá são meio escandalosos.

Infelizmente, o que poderia ser a maior atração do parque, o Museu de Carruagens, está fechado há décadas... 




Outros roteiros em Madri
Um passeio pelo Século de Ouro (e todas as atrações são grátis!)
Roteiros literários: a Madri dos Áustrias 
Nos passos de Cervantes: um passeio pelo Barrio de las Letras

Mais sobre Madri
Dicas gerais
Hospedagem em Madri – o animado bairro de Chueca
Hospedagem próxima ao aeroporto de Barajas
Como aproveitar uma conexão em Madri
Excelente destino pra quem viaja sozinha
Comer&beber
Comer em Madri - a sedução dos mercados
O Mercado de San Miguel e outros lugares para comer bem no Centro Histórico
Comida madrilenha: callos e outras delícias
A noite de Madri: farra para todas as idades
Passeios e atrações
Madri desencanada: Chueca e Malasaña
Domingo em Madri: o Rastro e o Retiro
Um passeio pelo Século de Ouro (e todas as atrações são grátis!)
Roteiros literários: a Madri dos Áustrias 
Nos passos de Cervantes: um passeio pelo Barrio de las Letras
Três museus que valem a viagem
Do Natal à Festa de Reis: o animadíssimo fim de ano em Madri
Ano Novo em Madri: como é a festa na Porta do Sol

A Espanha na Fragata Surprise
Andaluzia: CádisCórdobaGranadaRonda e Sevilha
Castela e La Mancha: Toledo
Catalunha: BarcelonaGirona Tarragona
Galícia: Santiago de CompostelaCaminho de Santiago e cidades da rota


Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.

Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário