24 de abril de 2018

Nova York - dicas práticas

A vista da Ponte do Brooklyn: um pedaço do meu coração mora em Nova York
Ah, a grande maçã... quem não tem pelo menos um pedacinho do coração lá, como canta Art Garfunkel? Intensa, complexa, diversa, desigual, vibrante... Eu podia passar o post inteiro desfiando adjetivos sobre ela. Mas vamos começar com as dicas práticas de Nova York, que é pra você já ir entrando no clima 😉.

E a primeira informação que interessa a uma viajante é que nunca vi uma metrópole tão fácil de explorar quanto Nova York.

Primeiro, porque todo mundo — pelo menos no Ocidente — já conhece uma boa porção de Nova York, tão íntima que ela se faz em tantas cenas de cinema, seriados de TV, canções e páginas de livros. Muito antes de ir, a gente já sabe o que quer ver e quase já sabe o caminho 😊.

Um passeio pra ver a cidade de camarote? Experimente o High Line
Segundo, porque Nova York é feita para funcionar. Da praticidade das ruas numeradas, a partir de uma certa altura de Manhattan, ao metrô que leva o viajante a qualquer lugar, há uma objetividade na grande maçã que não briga com o lúdico, mas se coloca a seu serviço. Sem contar a experiência de quem recebe 50 milhões de turistas por ano – e precisa deles pra movimentar a roda de sua economia.

Por tudo isso — intimidade, praticidade e serviços — Nova York é um destino que dá pra encarar sem medo, mesmo que você tenha apenas rudimentos de inglês e pouca experiência viajante.

Pra dar minha contribuição a essa aventura, organizei algumas dicas práticas de Nova York que vão ajudar seu planejamento. Tá tudo aqui: documentação para a viagem, como chegar, como circular, preços, segurança... Aproveite e boa viagem:



⇨ Documentação para viajar aos Estados Unidos
➡️ Passaporte 
Para você entrar nos Estados Unidos, seu passaporte precisa ter validade até a data de retorno. É uma política mais camarada que a da maioria dos países da Europa, que exigem um documento com pelo menos mais seis meses de validade para autorizar a sua entrada.

➡️ Visto americano
Obrigatório. Sem ele, você sequer consegue fazer o check-in na companhia aérea, aqui no Brasil. A boa notícia é que obter essa autorização não chega a ser um bicho de sete cabeças.

Fiz o meu visto americano em Brasília, há quase três anos (ainda a era Obama). Minha entrevista durou cerca de 1 minuto e não me pediram nada da documentação que levei — contracheques, declaração de IR, contrato de aluguel do apartamento onde moro.

Veja como foi: Piece of cake: é simples e rápido fazer o visto americano em Brasília

Há cerca de três meses, uma amiga minha teve experiência semelhante, também aqui em Brasília, o que mostra que a era Trump não mudou muito as coisas para quem pretende fazer turismo nos EUA.

Passeio de charrete no Central Park: você com certeza já viu esse filme
➡️ Seguro de viagem
Não é obrigatório, mas é uma péssima ideia viajar sem. Não existe saúde gratuita nos EUA e uma simples topada numa calçada pode resultar em contas salgadas e memórias amargas.

➡️ Vacinas
Não são exigidas.

➡️ Outros documentos exigidos pelos Estados Unidos 
Leve a cópia da sua reserva de hotel impressa, assim como o seu bilhete aéreo de volta pra casa. No check-in, aqui em Brasília, precisei informar meu endereço em Nova York.

Na chegada aos EUA, o oficial da imigração pode pedir essas comprovações. É possível, ainda que você seja questionada sobre a quantidade de dinheiro que está levando. Tenha à mão o comprovante da compra de dólares e cartões de crédito.

A arquitetura instigante do novo World Trade Center
⇨ Como foi na Imigração em Nova York
Mais tranquilo, impossível. Cheguei a Nova York pelo Aeroporto Internacional John Fitzgerald Kennedy, o velho JFK. Com o formulário de entrada (que é entregue ainda no avião) preenchido, passei pelo controle eletrônico de passaportes e, depois, por um oficial da imigração. Ele apenas perguntou onde eu iria ficar e por quantos dias e carimbou meu passaporte — me senti na Europa 😊.

⇨ Como chegar a Nova York
Eu viajei a Nova York pela Copa Airlines, com uma conexão de 12 horas na Cidade do Panamá. De Brasília à capital panamenha são cerca de 5h30 de voo, mesmo tempo da viagem de lá até NYC.

Veja como foi a minha parada no Panamá
12 horas no Panamá – como aproveitar a conexão

Comprei o bilhete em janeiro, para voar no final de março, pegando os feriados da Páscoa. O preço estava ótimo: R$ 2.400.

Bryant Park, uma das paradas do ônibus que vem do Aeroporto JFK
⇨ Como ir do Aeroporto JFK a Manhattan
➡️ De metrô
O aeroporto está conectado à rede de metrô com o AirTrain (que é tipo um bondinho). Esse serviço custa US$ 5 e leva às estações Jamaica e Howard Beach e Jamaica, conectadas às linhas A e E (mais US$ 2,50 pela tarifa do metrô). Para usar o subway, é preciso fazer o Metrocard (US$ 1) e carregá-lo com o valor das passagens que você vai usar.

Em uma simulação no aplicativo NYC Subway, o cálculo de tempo para uma viagem de metrô entre o JFJ e Manhattan é de pelo menos 1h30.

Grand Central é estação de trem e metrô e também é uma das atrações mais fotografadas da cidade
➡️ Ônibus do Aeroporto JFK ao Centro de Nova York
Outra possibilidade para ir do JFK a Manhattan é pegar o ônibus NYC Airporter, que parte a cada 30 minutos, entre as 6h da manhã e as 23:30h. O serviço faz três paradas, todas em Midtown, nas imediações da Rua 42: Grand Central, Port Authority Bus Terminal e Bryant Park. Os bilhetes custam US$ 18.

➡️ Táxi do Aeroporto JFK a Manhattan  
Eu cheguei e saí de Nova York de madrugada. Minha opção de transporte entre o aeroporto para o hotel, portanto, foi o táxi. Sem trânsito, por causa dos horários, foram duas viagens tranquilas, de cerca de 40 minutos. A tarifa do táxi entre o JFK e Manhattan é tabelada em US$ 70. Sinceramente? é uma despesa que vale a pena para quem está exausto de um voo e arrastando a mala.

Meu hotel ficava a três quadras da 5ª Avenida (esq) e a duas do lindão Chrysler Building
⇨ Hotéis em Nova York
Hotel barato e Nova York são duas ideias que não cabem na mesma frase. Esse é o quesito que vai pesar mais no seu orçamento, mesmo que você se disponha a se hospedar em bases modestas. Calcule pelo menos US$ 120 por diária para garantir acomodação decente e bem localizada.

A escolha do bairro vai depender muito do que você quer da sua viagem. Se for a primeira visita a Nova York, Midtown (entre as ruas 50 e muito e 30 e poucos), é a aposta mais segura, pela proximidade com a maioria das atrações e variedade nas faixas de preço.

Foi lá que me hospedei nesta viagem, na Rua 39, a dois passos da Grand Central Station. O hotel escolhido foi o Pod 39, que tem quartos compactíssimos, mas é charmoso, confortável e tem preços acessíveis (para o padrão de Nova York).

Veja como foi minha experiência: hospedagem em Nova York - hotel Pod 39

O Fulton Center, centro comercial interligado à estação de metrô de Fulton Street (esq) e o arquinho do triunfo de Washington Square, no Greenwich Village, onde começa a 5a Avenida
⇨ Preços em Nova York
Nova York é uma cidade cara. Se você não quiser (e quem quer isso numa viagem?) sobreviver exclusivamente à base de hot dog de carrocinha (que custam entre US$ 3 e US$ 8, dependendo da proximidade com as atrações turísticas), calcule um mínimo de US$ 20 para refeições básicas, tipo pizzas, bagels e comida chinesa meio fast food.

Para comer em restaurantes sem frescura, a despesa fica na casa dos US$ 35.

Um habitante fofo de Madison Park
➡️As entradas para os melhores museus de Nova York ficam na casa do US$ 20.

➡️ Para subir a um dos mirantes famosos da cidade, você vai gastar US$ 57, para ter acesso também ao 102º andar do Empire State Building ou US$ 40 para ir até o Top of the Rock, no 70º pavimento do Rocekefeller Center.

➡️ A nossa sorte é que Nova York tem um monte de coisas legais que não custam nada — da travessia da Ponte do Brooklyn aos parques, sem contar as ruas charmosas dos bairros mais descolados e as vitrines da 5ª Avenida.

Encantos do inverno nova-iorquino: patinar no Rockefeller Center
⇨ O clima em Nova York
Os invernos nova-iorquinos (dezembro, janeiro e fevereiro) são motivo de queixas até para os locais, que já estão acostumados às temperaturas na casa do zero grau.

Já os verões em Nova York (julho e agosto) costumam ser muito quentes — lembre-se de Marilyn Monroe guardando a roupa íntima no congelador, para deleite do vizinho babão em O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955) — com os termômetros chegando acima dos 28º C e muita umidade.

Maio, junho, setembro e outubro são as épocas mais agradáveis em Nova York, mas eu não arriscaria aparecer por lá nesses meses sem levar um casaco. Já morri de frio lá em maio — pra começar a morrer de calor três dias depois.

Nesta viagem (final de março), cheguei a pegar zero grau, com muito vento e tempo nublado, mas também houve dias adoráveis, com “calorzinho” de 12 graus e céu azul.

Andar a pé em Nova York é programa turístico obrigatório
⇨ Como circular por Nova York
➡️Nova York a pé
Caminhar por Nova York é um dos grandes prazeres que a cidade oferece. É batendo pernas pelas ruas planas e bem sinalizadas que a gente descobre o charme, a vibração e a fantástica arquitetura dessa metrópole — Tom Jobim dizia que o melhor jeito de explorar NYC seria deitado em uma maca, para ver melhor os arranha-céus 😊, mas, já que você não vai ter essa moleza, não esqueça de olhar para o alto enquanto passeia.

O metrô da cidade agora está limpo e seguro
➡️ Metrô de Nova York
Para distâncias maiores, o metrô (subway) é a melhor opção em Nova York. Dá para chegar a praticamente qualquer canto com ele, um serviço barato, rápido e eficiente.

Só evite os horários de rush, entre 8h e 9h da manhã e 5h e 6h da tarde, que é a hora que está todo mundo indo ou voltando do trabalho e alguns trens chegam a níveis demenciais de lotação.


Antigamente, meu melhor amigo em Nova York era o mapa do metrô em papel. Hoje, há aplicativos de celular que quebram um galho ainda maior, traçando sua rota e calculando o tempo que você vai gastar no deslocamento.

Eu usei o NYC Subway, fornecido gratuitamente pela Metropolitan Transport Authority, gratuito, disponível para Android e IOS.

Para usar o metrô e os ônibus em Nova York, é preciso fazer o Metrocard (custa US$ 1), o bilhete eletrônico do transporte público. A maioria das estações têm terminais automáticos onde você emite seu cartão ou pode recarregá-lo com a quantia que quiser.


Uma viagem com o Metrocard custa US$ 2,75. Se você comprar um bilhete avulso (só disponível nas estações de metrô), vai pagar US$ 3

Para quem vai ficar uma semana em Nova York, como foi o meu caso, vale mais a pena comprar o passe de sete dias (unlimited ride metrocard), que custa US$ 32.

➡️ Ônibus em Nova York
Uma novidade desta viagem, pra mim, foi que comecei a usar mais os ônibus, um jeito de ver Nova York enquanto me deslocava. Como eu estava hospedada quase na esquina da Avenida Lexington, servidíssima por linhas de ônibus, ficou prático e confortável.

A rede de ônibus de Nova York não é tão simples de entender as linhas quanto no metrô, mas o serviço é tão seguro e eficiente quanto — sem contar que os ônibus fazem mais paradas e, em geral, vão deixar você mais perto de seu destino.

Usei o GoogleMaps para traçar as rotas dos meus deslocamentos de ônibus e recomendo. 


Estações City Bike na 5ª Avenida
➡️De bicicleta em Nova York
Taí outro enorme prazer nova-iorquino. Pedalar no Central Park e arredores era uma das minhas atividades preferidas.

O preço do aluguel das bikes no parque está muito salgado (US$ 15 por hora, em média), mas Nova York agora tem o City Bike, serviço (pago) de bicicletas compartilhadas. Custa US$ 12 por 24 horas e US$ 24 por 72 horas. Você faz um cadastro, retira sua bike e devolve em qualquer estação.

⇨ Segurança em Nova York
Nova York já foi uma bocada, mas hoje é a grande cidade mais segura dos Estados Unidos. Um feito e tanto, pra quem tem 19 milhões de habitantes — 8 milhões só na Ilha de Manhattan — e recebe cerca de 50 milhões de visitantes por ano.

Nova York é a grande cidade mais segura dos Estados Unidos
Minha experiência nesse quesito foi a melhor possível nesta passagem por Nova York: andei a pé por toda Manhattan, peguei metrô à noite, voltei tarde caminhando para o hotel, sempre me sentindo muito tranquila. 

É claro que não dou mole pra o azar. Escolho as ruas mais iluminadas, não dou bobeira com a bolsa e fico atenta a quem me observa. Mas acho que dá pra dizer que Nova York é um destino tranquilo para uma mulher viajando sozinha.

Meu pacote de dados para internet e deu e sobrou para postar fotos nas redes, mandar notícias e ficar bem informada
⇨ Internet em Nova York
A coisa mais fácil do mundo é comprar um chip de celular em Nova York. Praticamente cada quadra tem uma lojinha pra isso. É só chegar, pagar e instalar — não é preciso apresentar passaporte ou qualquer outro documento. 

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2 comentários:

  1. Tenho algumas notas (dólares) antigas. No comércio de NYC são aceitas ou terei que trocá-las em banco, Aeroporto, etc.

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    1. Marco, as notas dólar mudaram um pouquinho o design, mas as antigas não deixaram de valer. Pode levar suas notas velhinhas tranquilo :)

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