3 de janeiro de 2011

Montevidéu: Museu Torres-Garcia

fachada do Museu Torres-García em Montevidéu
O museu fica na Calle Sarandi, exclusiva para pedestres
Desde a primeira vez que bati os olhos num quadro de Joaquín Torres-García (1874-1949), virei fã desse uruguaio, parceiro do modernista catalão Antoni Gaudí e do holandês Piet Mondrian.

Sou encantada por sua pintura, que junta a (então) vanguarda cubista com elementos que parecem saídos de uma pintura rupestre.

O Museu Torres-Garcia, em Montevidéu, é um programão, apesar do acervo pequeno — parte significativa da obra de Torres-Garcia foi destruída no incêndio do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, em 1979.

Composição Universal (1937), obra de Torres-García que pertence ao acervo do Centro Georges Pompidou, em Paris
Composição Universal (1937), obra de Torres-García que pertence ao acervo do Centro Georges Pompidou, em Paris

A exposição, porém, está organizada de maneira tão didática e interessante que é possível ficar horas namorando as telas e compreendendo um pouco mais sobre o Universalismo Construtivo, uma corrente estética criada pelo pintor e que, pra mim, é a geometria a serviço do naïve, ou vice e versa.

Joaquín Torres-García estudava com muita dedicação a cosmogonia dos povos da América do Sul, que acabou se tornando um elemento essencial à sua arte.

Gosto de tentar identificar em seus quadros os traços pré-colombianos que andei vendo por aí, nesse meu vício por sítios arqueológicos. Ao mesmo tempo, tem sempre um pouquinho de Juan Gris, outro pintor que adoro.


Jogos do artista Joaquín Torres-García
Jogo de casinhas de Torres-Garcia (devidamente acompanhado pelos meus livros)
García também gostava de construir objetos aparentemente banais (bonequinhos, casinhas), mas absolutamente instigantes.

São os juguetes transformables, brinquedos aos quais podemos dar o ordenamento que quisermos, jogos de armar que buscam aproximar a arte do lúdico, fugindo da pompa que muita vezes cerca a contemplação. Reproduções de algumas dessas obras estão à venda na ótima lojinha do museu.

Estrutura com Esquema de Objetos, obra de Torres-García no Museu Botero, em Bogotá
Estrutura com Esquema de Objetos, Torres-García no Museu Botero, em Bogotá

É claro que eu tenho uma coleção de casinhas que recria uma pequena vila (gosto de pensar nela como um bairro ferroviário), compradas lá no museu.

Joaquín Torres-Garcia, meu xodó artístico

A formação artística de Torres-Garcia ganhou impulso no final de sua adolescência, quando ele se mudou para a Catalunha, terra natal de seu pai. 

Torres García no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires (MNBA)
Torres-García no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires (MNBA)

O artista foi aluno da Escola Oficial de Belas Artes de Barcelona, por onde também passaram Pablo Picasso e a nata do Modernismo Catalão, seja na pintura, na escultura, no design ou na arquitetura. 

Em Barcelona, Torres-García logo iria se enturmar com as vanguardas do Modernismo e do Noucentisme — “novecentismo”, em tradução livre, numa referência ao Século 20, ou novecento. (Se quiser saber mais sobre esses movimentos, veja esses posts: Roteiro do Modernismo em Barcelona e O que ver no Museu Nacional de Arte da Catalunha-MNAC).

Obras de Joaquín Torres-García no Malba, Buenos Aires
Torres-García no Malba. Abaixo, uma das grandes estrelas da coleção do museu portenho: Construtivismo com Rua e Peixe Grande, pintado em 1946

Construtivismo com Rua e Peixe Grande, obra de Joaquín Torres-García no Malba de Buenos Aires
(Imagem: Malba)

Parceiro e colaborador de Gaudí, Torres-García chegou a desenhar alguns dos vitrais da Basílica da Sagrada Família.

Depois de uma temporada em Nova York, onde sobreviveu desenhando e fabricando brinquedos de madeira — ocupação que conheceu com o avô materno, uruguaio — o artista mudou-se para a França, onde se aproximou do pintor holandês Piet Mondrian do Movimento De Stijl.

Sala dedicada a Joaquín Torres-García no Beaubourg de Paris
O Beaubourg de Paris dedica uma sala inteirinha a Torres-García

É a partir de 1935, de volta a Montevidéu, que Torres-García vai cozinhar todas essas influências em seu Universalismo Construtivo genial.

Você verá o trabalho de Joaquín Torres-Garcia nos principais museus do planeta. Eu, que sou fã descabelada do artista, divido os museus em duas categorias: os que têm e os que não têm obras do meu xodó — eu digo isso em relação a El Greco também 😁.

Torres-García no MNAC de Barcelona
Torres-García no MNAC de Barcelona

Já encontrei esse querido no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), no Centro de Artes Reina Sofia de Madri, no Centro de Artes Georges Pompidou (Beaubourg), em Paris... A lista é interminável.

Mas nada se compara, em intimidade, a visitar esse pequeno e singelo museu dedicado a Joaquín Torres Garcia em Montevidéu. Quando for à cidade, não perca. Quem sabe, você fica tão apaixonada quanto eu? 💗
Museu Torres-García
Calle Sarandi 683, Ciudad Vieja
De segunda a sábado, das 10h às 18h. Fecha aos domingos. Entrada: $100 pesos uruguaios.

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