7 de novembro de 2022

8 bares, cafés e confeitarias históricas de Buenos Aires


Confeitaria Las Violetas em Buenos Aires
Confeitaria Las Violetas, inaugurada em 1884, patrimônio de Buenos Aires


O que preserva a memória e o patrimônio de uma cidade não é formol, é o uso cotidiano, a integração à vida real. E Buenos Aires tem a encantadora teimosia de manter vivos seus bares, cafés e confeitarias históricos. Um charme a mais da cidade.

Os bares, cafés e confeitarias históricas de Buenos Aires representam muito mais do que lugares onde se toma um trago ou se faz um lanche. São pontos de encontro de ideias, movimentos artísticos e políticos. Eles atravessam décadas reunindo gente e mantendo vivas características que fazem da capital argentina uma cidade única e sedutora.



Café La Biela em Buenos Aires
Um charme de Buenos Aires (mais um...): a preservação dos bares, cafés e confeitarias históricos. Acima, o Café La Biela, na Recoleta, inaugurado em 1850. Abaixo, o Café do Teatro Colón, que não está na lista dos tombados, mas é histórico e lindo

Café do Teatro Colón, Buenos Aires
Café do Teatro Colón, Buenos Aires

Não é raro encontrar em Buenos Aires estabelecimentos (acho que eu deveria dizer instituições) com mais de um século de existência e que persistem — vivos e nada cenográficos — fazendo parte da vida da cidade.

Eu, é claro, me esbaldo nessa tradição a cada temporada portenha e sempre bato o ponto em lugares como o Bar Británico, Café Dorrego (que no final mudou de nome para “Café y Bar Plaza Dorrego”) e a Confeitaria Las Violetas.

Neste post você vai encontrar um roteirinho com oito desses cafés, bares e confeitarias históricas de Buenos Aires que merecem a visita. Siga o mapa e divirta-se.

Bares, cafés e confeitarias históricas de Buenos Aires


Bar los 36 Billares em Buenos Aires
Café La Poesia em Buenos Aires
Bar Los 36 Billares (no alto), na Avenida de Mayo, e o Café La Poesia, em San Telmo: duas instituições portenhas que seguem firmes e fortes


A política dos “bares notáveis” de Buenos Aires

Se moradores e turistas fazem sua parte na preservação, continuando a frequentar os bares, cafés, bilhares e confeitarias históricas, a Prefeitura de Buenos Aires também dá uma forcinha, com a política de reconhecer e apoiar os chamados “bares notáveis”, 73 estabelecimentos considerados os mais representativos da cidade.

Não chega a ser um tombamento, mas é quase, já que essas casas recebem apoio oficial — como o investimento que ajudou a restaurar e reabrir Las Violetas, no início dos anos 2000.

Os critérios para entrar na lista vão muito além da antiguidade. Os 73 Bares Notáveis de Buenos Aires são reconhecidos pelo seu valor arquitetônico, histórico e cultural e pela sua presença na história viva da cidade, de um bairro ou de uma comunidade.

Bar El Hipopótamo, San Telmo, Buenos Aires

El Hipopótamo já passa dos 110 aninhos e continua em plena forma


Ser inscrito na lista não significa vida eterna, que o diga o tradicionalíssimo Café Richmond, na Calle Florida, que servia a melhor milanesa que comi em Buenos Aires, fechado em 2011. 

Outra baixa sentidíssima foi o fechamento do meu amado Café Dorrego, em 2019, após 140 anos de atividade. A casa que era o autêntico coração da Praça Dorrego, onde se realiza a Feira de San Telmo, não resistiu aos solavancos da economia e o destino do espaço ainda é incerto. Ele permanece no post de pura esperança minha de que possa reabrir.

Mas estar na lista de notáveis pode ser a porta para a preservação, como se vê na história de Las Violetas e do Bar Británico. Foi também o caso da querida Confitería Ideal, point de famosas milongas, fechada em 2017 para uma longa reforma e reaberta agora, em julho de 2022. 

Confeitaria del Molino em Buenos Aires
Confeitaria del Molino em Buenos Aires
Depois de um quarto de século em ruínas, a Confitería del Molino está pronta para voltar aos dias de glória


A próxima grande reabertura é da belíssima Confitería del Molino, um ícone art nouveau de Buenos Aires, na esquina das avenidas Callao e Rivadávia. Inaugurada em 1916, a confeitaria era um esplendor de cristais, mármores, bronze e vitrais que atraía políticos, artistas e boêmios. 

Foi fechada em 1997 e suas instalações chegaram perto da ruína. Depois da desapropriação pelo Estado Argentino, em 2014, passou por minuciosa reforma e deve reabrir ainda em 2022.

Veja a minha lista de bares, confeitarias e cafés de Buenos Aires para colocar no seu próximo roteiro:



London City
Avenida de Mayo nº 590, entre Perú e Bolívar
Diariamente, das 6h às 23h

Café London City em Buenos Aires
London City: com o cerco turístico ao Café Tortoni, acho que os portenhos que circulam pela Avenida de Mayo fugiram todos pra lá


Cada vez mais enxotados do Café Tortoni pelo excesso de turistas, os portenhos que curtem um café histórico não ficaram sem teto na Avenida de Mayo. A apenas 300 metros de distância, na direção da Praça de Maio, o London City é quase um oásis livre de selfies, perfeito para uma pausa na histórica via do Centro de Buenos Aires.

Misto de café, bar e confeitaria, o London City tem serviço profissionalíssimo, bons drinques, opções para almoço, jantar ou merenda. A decoração não trai o nome da casa: a sobriedade dos painéis de madeira tem mesmo uma cara londrina.

Café London City em Buenos Aires
Café London City em Buenos Aires
Prestes a completar 70 anos, o London City é um broto entre seus coleguinhas notáveis, mas sabe se comportar como gente grande

 
Aberto em 1954, o London City é quase um broto, comparado com a maioria de seus coleguinhas na lista de bares, cafés e confeitarias históricas de Buenos Aires, mas o caçula se comporta como gente grande quando se trata de oferecer aos frequentadores aquele sossego para ler o jornal, papear com os amigos ou pensar na vida. 

Não foi por acaso que Júlio Cortázar encontrou naquelas mesas a concentração necessária para escrever seu romance de estreia, Os Prêmios (1960), como reza a lenda.

Café London City em Buenos Aires
Café London City em Buenos Aires

O melhor chocolate quente da minha mais recente temporada portenha e a elegância dos mármores e madeiras nobres no London City


O edifício onde está instalado o London City é um autêntico filhote da Avenida de Mayo, construído em 1890. Localizada a apenas uma quadra da Praça de Maio, a casa sempre atraiu políticos, jornalistas e escritores.

E foi lá que tomei o melhor chocolate quente da minha gelada temporada de setembro/2022 em Buenos Aires.

Confeitaria Las Violetas em Buenos Aires
Confeitaria Las Violetas em Buenos Aires
Las Violetas é um recanto Belle Époque no meio do burburinho da Avenida Rivadávia

  ⭐Confeitaria Las Violetas
Avenida Rivadavia 3899 (esquina com Medrano), Almagro. A estação Castro Barros do metrô (Linha A) fica a menos de uma quadra.

Aberta diariamente, das 6h à 1h da manhã. Aceita American Express.

Tão bonita quanto o Tortoni (a decoração das duas casas foi concebida arquiteto catalão Antonio Estruch) Las Violetas é muito menos turística do que o famoso café da Avenida de Mayo.

Confeitaria Las Violetas em Buenos Aires
Antes de tomar posse de sua mesa, espere pegar alguma fila na porta da Confeitaria Las Violetas. Mas é rápido


Isso não quer dizer, porém, que você vai se livrar da fila antes de se sentar em uma das mesas de Las Violetas, à sombra de pilastras esbeltas e cercada por belos vitrais evocativos da Belle Époque.

É que a Confeitaria Las Violetas, inaugurada em 1884, continua sendo a preferida das senhorinhas portenhas, que comparecem em peso com seus casaquinhos de cachemira para o chá da tarde entre amigas — estive lá numa tarde de quarta-feira e precisei esperar cerca de 20 minutos por uma mesa.

Chá da tarde na Confeitaria Las Violetas em Buenos Aires

Maria Callas no chá da tarde de Las Violetas


O cardápio de Las Violetas oferece uma grande variedade de doces e salgados, para quem quer só lanchar, e pratos quentes para uma refeição mais “séria”.

Como cheguei na hora do chá, escolhi o menu Maria Callas (completíssimo), uma alentada bandeja com sanduíches, scones, torradas, geleias, tortas e docinhos, acompanhada por chá, chocolate (minha escolha) ou café. Tudo bem gostoso. Custou R$ 70 na minha visita de 2017 e serve três pessoas com folgas.

Bar Británico em Buenos Aires
Fala se o Bar Británico não é fofo


⭐ Bar Británico
Avenida Brasil 399 (esquina com Defensa), San Telmo. 
Aberto diariamente das 7h da manhã às 3 da madrugada. 
Não aceita cartões.

Aposto que há uma penca de lugares no mundo, cidades inteiras, que não carregam nem um décimo do enredo do Bar Británico.

Sou fã de carteirinha desse pedacinho da história de Buenos Aires e pra mim não existe passar pela cidade sem bater o ponto por lá, provar as célebres empanadas da casa e matar umas horinhas lendo o jornal e comentando o noticiário com os ocupantes das mesas vizinhas.

Bar Británico, San Telmo, Buenos Aires
O Bar Británico e o café El Hipopótamo ficam frente a frente, mas não concorrem: eles se somam para fazer do encontro da Avenida Brasil com Defensa uma esquina muito especial de San Telmo

Fundado no comecinho do Século 20, o Bar Británico foi batizado em alusão aos trabalhadores da ferrovia que partia da Plaza Constitución, ali pertinho, muitos deles ingleses, como a empresa que operava a linha de trens.

Cenário (e personagem, por que não?) de filmes como Diários de Motocicleta e até de um livro de Ernesto Sabato — escritor que foi assíduo frequentador da boemia de San Telmo —, o Bar Británico fez história.

Bar Británico em Buenos Aires

O menu do dia do Bar Británico sempre oferece opções interessantes a bons preços


Ele foi refúgio de farristas e intelectuais que travaram encarniçadas batalhas verbais sobre política e arte em tertúlias que varavam a madrugada, em um tempo que o velho bar jamais cerrava suas portas. Hoje, mais comportado, como convém a um senhor centenário, o Bar Británico funciona só até as três da madruga.

O Bar Británico não escapou à perseguição das diversas ditaduras que assombraram a Argentina — durante a Guerra das Malvinas, em 1982, quando a Argentina tentou retomar a posse do arquipélago, ocupado pelos ingleses desde as Guerras Napoleônicas, chegou a ser obrigado a mudar de nome para não “homenagear o inimigo”.
 
Bar Británico, San Telmo, Buenos Aires

Pra mim, não existe passar por Buenos Aires sem pedir a benção à empanada do Británico


Mas a grande batalha travada por este venerando bar foi pela própria sobrevivência. Em 2006, o dono do imóvel onde está instalado decidiu despejar o Británico.

O intento, porém, deu de cara com a firme mobilização de moradores de San Telmo, frequentadores em geral — um elenco que incluía artistas famosos e políticos proeminentes. O despejo durou quase um ano, mas o bar ressurgiu restaurado e tão vivo quanto antes.

O Bar Británico vale como farra, como experiência antropológica ou pra anotar no currículo acadêmico. Só não deixe de ir. Ah, as empanadas continuam gostosas.

Café y Bar Dorrego em Buenos Aires
Meu primeiro amor em Buenos Aires foi o charme antiguinho do Bar Dorrego


⭐ Bar Dorrego
Defensa 1098 (esquina com Humberto I), San Telmo. 
Este bar foi fechado em 2019 e o destino do tradicionalíssimo espaço permanece incerto

Plantado no coração de San Telmo, o Café e Bar Dorrego foi meu primeiro amor em Buenos Aires.

O boteco que se orgulhava de ter servido de palco para uma legendária tertúlia protagonizada pelos escritores Jorge Luis Borges e Ernesto Sábato (imortalizada em uma foto exibida em lugar de honra na parede do bar) e chegou aos 140 anos de idade sempre reunindo gente interessante. 

Foi abatido em pleno voo pela crise econômica, em 2019, mas ainda pode ressurgir das cinzas, como a Confitería del Molino (eu sou uma otimista).

Café e Bar Dorrego, San Telmo, Buenos Aires
Se tem gente à vontade pra achar que Elvis não morreu, não exijam que eu sepulte o Bar Dorrego tão cedo 😊

Point de boêmios, vanguardistas, sonhadores (e até alguns chatos de se julgam tudo isso ao mesmo tempo), o Bar Dorrego começou a vida como armazém de secos e molhados.

Essa origem persistiu na decoração, especialmente nas caixas de madeira que armazenavam produtos a granel, que permaneciam penduradas em uma das paredes. O mobiliário ainda era o original de quando o lugar se transformou em bar. 

Praça Dorrego em Buenos Aires
Essas mesinhas na Praça Dorrego agora são apenas um retrato aqui no blog — e como doem 😌

Nos últimos tempos, estava meio mambembe e, muito por causa disso, continuava irresistível.

Quando não estava muito frio, havia serviço também em mesas distribuídas pela Praça Dorrego, do outro lado da rua, à sombra de árvores centenárias.

Mas nada se comparava a bebericar um cálice de xerez no salãozinho acanhado do Bar Dorrego, com seu piso xadrez, mesas gastas e cadeiras meio bambas.

Café La Biela em Buenos Aires
Café La Biela em Buenos Aires
Café La Biela, homenagem aos ases do volante como Juan Mauel Fangio, cuja estátua recebe os clientes na porta (no alto)

⭐ Café La Biela
Avenida Presidente Manuel Quintana 596 (em frente ao Cemitério da Recoleta). 
Diariamente, das 7h às 2h da manhã. 
Aceita Visa, Mastercard e American Express.

Decano dos cafés históricos de Buenos Aires, o La Biela funciona desde 1850, quando a Recoleta era ainda um bairro afastado do centro, prestes a se tornar refúgio das famílias mais ricas da cidade, que se mudavam de San Telmo para evitar os mosquitos e a epidemia de febre amarela que atormentava os portenhos.

Fundado como Café La Viridita e posteriormente rebatizado como Aero Bar (em referência aos pilotos da aviação civil que formavam parte da sua clientela) ganhou o nome de La Biela (“A Biela) quando já tinha 100 aninhos de idade.

Café La Biela em Buenos Aires
Bastou o frio dar uma treguazinha, olha lá o povo ocupando a área externa do Café La Biela 


O novo nome é um tributo a outros comandantes de máquinas velozes, os automobilistas que, liderados pelo legendário Juan Manoel Fangio — cinco vezes campeão de Fórmula 1 — fizeram do Café La Biela seu quartel general.

Além dos ases do volante (Emerson Fittipaldi e Jackie Stewart entre eles), La Biela também recebia visitas dos escritores Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares.

Eu gosto mais de La Biela no verão, quando se pode sentar à sombra de uma frondosíssima árvore que fica ao lado do café.

Café La Biela em Buenos Aires
O salão do La Biela


A copa da árvore é tão vasta que diversos galhos já receberam apoios metálicos para não desabar. Essa sombra é o lugar ideal para observar o vai e vem dos turistas que visitam o Cemitério da Recoleta.

Apesar de estar localizado em um dos bairros mais chiques de Buenos Aires e de cara para um disputado ponto turístico — o cemitério — La Biela mantém preços honestíssimos e serviço atencioso. O generoso cálice de xerez ou porto estava custando menos de R$ 15.

Como estava hospedada bem pertinho, sempre dava uma passadinha no La Biela e até jantei lá uma noite.

Pedi a milanesa de ternera, que estava apenas comestível (a do Lamas, no Rio, é infinitamente melhor), mas a conta, com bebidas, não pesou no orçamento: R$ 43.

Café Tortoni em Buenos Aires
Café Tortoni em Buenos Aires

O concorrido e irresistível Tortoni. A fila na porta do café mais famoso de Buenos Aires fala português


⭐ Café Tortoni
Avenida de Mayo 825 (entre Piedras e Tacuarí. A estação de metrô Piedras, da Linha A, tem uma saída bem em frente ao café). 
De segunda a sábado, das 8h à 1h da manhã. Aos domingos, das 9h à 1h. 
Aceita Visa, Mastercard e American Express.

Favorito de dez entre dez forasteiros que visitam Buenos Aires, o Café Tortoni está sentindo o impacto do turismo excessivo em seus belos salões.

A fila permanente na porta já não permite que os frequentadores possam pedir um café e deixar o tempo correr lendo o jornal — o que é, afinal, a grande graça de se frequentar um café de verdade.

Café Tortoni em Buenos Aires
Café Tortoni em Buenos Aires

Os belos salões do Café Tortoni andam numa vibe meio linha de montagem, mas ainda vale fazer uma visitinha ao "velho senhor"


Você chega, senta, faz o pedido e, se começar a demorar muito, já vai ser discretamente pressionada pelos garçons para consumir mais alguma coisa ou bater em retirada.

Uma pena, porque o Tortoni é um dos lugares mais bonitos para uma pausa relaxada em Buenos Aires.

Apesar da “linha de montagem” resultante do excesso de frequentadores, eu não abro mão de dar uma passadinha no Café Tortoni quando vou a Buenos Aires.

Adoro sua decoração escancaradamente Belle Époque, seus mármores — os verdadeiros e os falsos — seus vitrais e a pompa com que os garçons mais velhinhos ainda atendem a clientela.

Café Tortoni em Buenos Aires

Fundado em 1858, o Café Tortoni está instalado no atual endereço desde 1880. No começo do século passado, foi sede da legendária La Peña, uma associação mais ou menos formal que se dedicava a promover concertos, saraus, recitais de poesia e debates políticos, filosóficos e artísticos.

As tertúlias de La Peña atraiam frequentadores do quilate da poeta Alfonsina Storni, do pianista Arthur Rubinstein, do escritor siciliano Luigi Pirandello, do filósofo José Ortega y Gasset e... Jorge Luis Borges (já reparou que Borges aparece na história de quase todos os cafés deste post? Ô, boêmio...😊).

Enquanto as atividades de La Peña aconteciam na Bodega (o porão do Tortoni), o salão fervilhava com celebridades como Carlos Gardel, Juan Manuel Fangio e o poeta e dramaturgo espanhol Federico García Lorca.

Café El Hipopotamo em Buenos Aires
Café El Hipopotamo em Buenos Aires
El Hipopótamo: pouca fama e um tremendo bom astral


⭐Café el Hipopótamo 
Avenida Brasil 401 (esquina com Defensa).
Diariamente, das 7h às 2h da manhã (sextas e sábados, estica até as 4h). 
Aceita American Express.

O fato de estar localizado na calçada em frente ao Bar Británico talvez roube muito da cena do Hipopótamo. Mas  esse bar fundado em 1909 também bate um bolão no quesito boteco-histórico-charmoso-e-cheio-de-histórias.

Vou menos lá do que gostaria quando estou na cidade, mas ele é um dos meus queridinhos portenhos, uma das certezas de que a farra vai longe, com seu largo horário de funcionamento, também até as três da manhã.

Assim como o Bar Dorrego,o Hipopótamo também entrou na boemia como armazém onde se vendiam bebidas. Aos poucos, os gêneros a granel foram dando espaço para a farra e pronto, eis mais um bar para a lista de notáveis.

Dizem que era o favorito de Ernesto Sabato. Em tempos mais recentes, o cineasta Juan José Campanella, de O Segredo dos seus Olhos e Luna de Alvellaneda é uma das celebridades portenhas que bate o ponto por lá.

Café do Teatro Colón em Buenos Aires
Café do Teatro Colón em Buenos Aires

O Café do Teatro Colón conserva a decoração original, de 1908, como o piso, em delicado mosaico. Depois de garantir meu ingresso para o concerto em homenagem aos 100 anos de Violeta Parra, adorei minha pausa para um drinque


⭐ Café do Teatro Colón
Cerrito 628. O acesso ao café é a entrada de carruagens, nas laterais do teatro, pela Viamonte ou pela Tucumán. 
Funciona nos mesmos horários da bilheteria, que fica no mesmo espaço: de segunda a sábado, das 10h às 20h. Domingos, até as 17h.

Este café é o único deste post que não está na lista oficial dos notáveis reconhecidos pela Prefeitura de Buenos Aires.

Ele está instalado na antiga entrada das carruagens, na lateral do Teatro Colón, construída para que os elegantes não precisassem tomar chuva ao chegar para os espetáculos.

Esse acesso também tinha uma espécie de passagem secreta que permitia às viúvas e enlutadas em geral entrarem no teatro sem o olhar escrutinador da sociedade sobre elas — mesmo de luto, quem resiste a um concerto no Teatro Colón, né?

Teatro Colón, Buenos Aires
O Café do Teatro Colón é um bom aperitivo para este deslumbramento aqui

O Café do Teatro Colón preserva os pisos, lustres, balcão e mobiliário originais da época da inauguração, em 1908 e é um ótimo lugar para uma paradinha antes de assistir a um espetáculo ou após a visita guiada ao magnífico teatro.

Não espere muito dos itens de confeitaria, mas vale pedir uma taça de vinho e curtir a atmosfera.

Siga o mapa: todos os endereços desta viagem a Buenos Aires, com foto, links e dicas



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