sábado, 18 de maio de 2013

Como aproveitar uma conexão:
14 horas em Buenos Aires

Sou louca pelas fachadas antiguinhas do bairro de Palermo, em Buenos Aires
Eram quatro horas da manhã e eu jurava que eu e o motorista do táxi que me levava ao aeroporto de Ezeiza éramos os únicos seres humanos na rua, àquela altura. Em 99% das cidades do mundo, eu teria uma grande chance de estar certa. Mas não em Buenos Aires.

Passando pela Avenida Rivadávia, o movimento na centenária e fofa Confiteria Las Violetas lembrou-me que eu estava indo embora de uma cidade que não dorme, não para e não cansa. Haja disciplina bolchevique para resistir ao impulso de mandar o voo às favas e incorporar-me à alegre tertúlia da madrugada.

Palermo: uma conexão maluca me deu o prazer de passear em um dos bairros mais gostosos de Buenos Aires
Mas deixe-me primeiro explicar como é que eu fui parar na capital argentina. Meu voo de volta de Quito a Brasília foi do tipo bem maluco. Decolei da capital equatoriana às 7h, com uma escala em Guayaquil e de lá para Buenos Aires, onde fiz uma parada de 14 horas. E quem é que reclama por ser obrigada a passar 14 horas em Buenos Aires?

Pra começar, Buenos Aires é uma maravilha pra quem gosta de fuçar livrarias. Essa fica na Calle Gurruchaga, quase chegando à Plaza Serrano
Faz muito tempo que não reclamo de conexões muito longas. As piores são as que duram cinco ou seis horas — tempo demais para mofar no aeroporto e tempo de menos para sair para passear sem medo de perder o próximo voo. Quando calha de ter uma conexão mais demorada, faço do limão uma limonada e acabo me divertindo horrores com as "cidades bônus" que surgem no meio da viagem.

Quando o bônus é uma tarde de sábado na Plaza Serrano, em Palermo, eu desço do avião saltitante: lá vou eu aproveitar um dos meus lugares preferidos, numa das minhas cidades mais amadas. porque Buenos Aires, para mim, é a fórmula da felicidade instantânea.

Programa de portenho: piquenique na autopista
E a cidade me recebeu em grande estilo: céuzão azul e a deliciosa temperaturazinha de outono — e quando eu virar divindade, vou reformar o mundo e instalar ar-condicionado central, sempre a 17 graus. Saltitante e infantiloide, lá fui eu, de Ezeiza para Palermo, dando tchauzinho para as pessoas que faziam piquenique no gramado, à beira da autopista — um amigo que viveu 20 anos na cidade conta maravilhas desse programinha barato e que um dia, com certeza, vou experimentar.

O charme das ruas de Palermo

Tenho uma lista interminável de rituais a cumprir em Buenos Aires: empanadas do Britanico, garimpar CDs na Notorious e por aí vai. Sem contar que a cidade tripudia, toda vez que fico um tempinho sem aparecer, e desfila uma coleção de novidades que me deixam sem fôlego. Mas quando só se tem 14 horas num lugar, o segredo é  concentrar no que dá para fazer e não sofrer por todas as milhares de possibilidades que ficarão de fora. Num caso assim (ainda mais num sábado), recomendo a Plaza Serrano, cheia de gente interessante, pela feirinha de designers de moda, pelas lojinhas descoladas e bares/restaurantes bacanas.

E quando eu começava a ficar ansiosa pelo pouco tempo, lembrava que nem uma vida inteira é suficiente para esgotar essa cidade espetacular. Enquanto não consigo mudar para lá, trato de aproveitar cada pedacinho de felicidade que ela me oferece.

(Ah, se você estranhar a ausência de fotos da Plaza Serrano neste post, tá aqui a explicação: despachei as lentes de contato na mala, direto para Brasília, por engano. Quando o sol caiu e eu tive que tirar os óculos escuros, ficou impossível fotografar. Mas Palermo estava ótimo, mesmo embaçado, rsss).

Uma mercearia e um bar à moda de Palermo
Dicas práticas
Do Aeroporto de Ezeiza ao Centro
Essa foi a única surpresa pouco alvissareira, nesta passagem por Buenos Aires: como  o preço dos transfers do Aeroporto para a cidade subiram!! Dos US$ 20 que estava acostumada a pagar, agora a corrida não sai por menos de US$ 45 (240 Pesos). As empresas oferecem um desconto, se você contratar a volta com até 24 horas de antecedência (cobram 170 Pesos, cerca de US$ 30).

Onde me hospedei
Hotel Bys Palermo 
Francisco Acuña De Figueroa 1263 (entre Cabrera e Av. Córdoba), Palermo
Meu quarto no Hotel Bys, já meio bagunçado, 
porque eu sou impossível...
Show de bola em localização, o hotel fica a pouco mais de um quilômetro da Plaza Serrano (uma deliciosa caminhada pela Calle Honduras) e tem quartos muito confortáveis (a cama é deliciosa), modernos, novinhos em folha, com ar-condicionado, frigobar, cofre, máquina de café e Wi-Fi gratuito (rapidíssimo).

Entre os equipamentos, spa (sauna e massagens), academia e piscina ao ar livre (aberta só no verão). A equipe é super informal, mas muito atenciosa e eficiente. Gostei muito do astral geral. Ótimo hotel por um ótimo preço: US$ 90, para ocupação single ou double.

Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog

Onde comer
La Papelera
Calle Honduras 4925 (entre Gurruchaga e Serrano)

Na chegada, foi um choque: eu vinha no piloto automático, para cumprir meu ritual de comprar bloquinhos de anotação da Papelera Palermo (os únicos bloquinhos do mundo que competem com os Moleskines), quando vi que minha papelaria preferida no mundo havia sido substituída por um bar. É o que dá ficar dois anos sem dar as caras na cidade...

Em vez de me atirar na calçada em desespero, resolvi conferir o atrevido que desalojou meu templinho particular e curti bastante o lugar, apesar da música meio alta demais para o meu gosto. O ojo de bife criollo com papas fritas (jugoso, por supuesto!) estava muito saboroso, acompanhado por uma taça de cabernet e arrematado por um panqueque de maça caramelada cujo único defeito era ser grande demais. Prepare-se para gastar uns R$ 60 numa farrinha dessas.

Ah, e a Papelera Palermo está na Calle Cabrera 5227 (entre Uriarte e Godoy Cruz). Aberta de segunda a sexta das 10h às 20h. Sábados, das 11h às 20h e feriados das 14h às 19:30h. Tem uma filial na Recoleta, na Calle Arenales 1170 (entre Cerrito e Libertad).

Para mim, é visita obrigatória em BsAires, um templo de papéis feitos à mão, cadernos com capas estampadas em serigrafia, álbuns fotográficos daqueles que a gente precisa colar as cantoneiras para fixar as fotos... Pequenos luxos para a alma, recuerdos de um tempo  suave, pré-tablets e smartphones, quando mensagens e anotações tinham a marca intransferível da caligrafia e até do cheiro dos remetentes. Amo!

O que fazer em Palermo
Já escrevi um post todinho dedicado a este que atualmente é meu bairro preferido em Buenos Aires. Tem dicas de passeios, compras e restaurantes. Os portenhos talvez não gostem muito da comparação, mas eu acho Palermo tão novaiorquino... Passa lá para ver o post:

Palermo: o bairro com cheiro de maçã

Ah, e a Confiteria Las Violetas, que citei no início...

Confiteria Las Violetas - Avenida  Rivadavia 3899 (Esquina c/ Medrano).  Inaugurada em 1884, ponto de encontro de políticos e artistas, Las Violetas é um pedacinho da Belle Èpoque ainda muito vivo na cidade.

Menos badalada que o Café Tortoni e a Confiteria Ideal, é um espaço delicioso, onde vitrais, mármores e candelabros nos fazem companhia durante a leitura dos jornais e um café preguiçoso. Las Violetas ficou fechada por 20 anos, até que a Cidade de Buenos Aires a declarou patrimônio cultural e estimulou uma bem cuidada restauração. Reabriu em 2001.

Siga o mapa: todas as dicas de Buenos Aires que você vai encontrar na Fragata, organizadas por endereço, com fotos e links para as postagens específicas


Mais sobre Buenos Aires 
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Comer&beber

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Um comentário:

  1. Olá, boa tarde,

    Sou jornalista da TV Record. Conheci seu blog no site da RBBV e gostaria de uma ajuda na produção de um documentário em uma região específica da Argentina. Por favor, envie um contato para mfgomes@sp.rederecord.com.br. Assim, podemos falar melhor.

    Obrigada!

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