17 de novembro de 2022

Como organizar uma viagem a Buenos Aires

Praça de Maio, Buenos Aires
Buenos Aires: próxima em muitos sentidos

Buenos Aires é, provavelmente, o destino estrangeiro mais “íntimo” dos brasileiros.

A proximidade (3h de voo, saindo de São Paulo), a facilidade de comunicação (entre os falantes de espanhol, ninguém é mais craque no portunhol do que os portenhos) e o câmbio historicamente favorável às moedas do Brasil ajudam a explicar essa paixão nacional que é a viagem a Buenos Aires.

Com essa intimidade toda, organizar uma viagem a Buenos Aires nunca foi um bicho de sete cabeças — e com a chegada da internet, dos blogs de viagem e das redes sociais, o que não falta por aí são dicas práticas para facilitar a vida de quem vai visitar a capital argentina.

Praça República Oriental do Uruguai, Buenos Aires
Uma coisa que eu amo em Buenos Aires é o monte de áreas verdes muito bem cuidadas por todos os cantos. Esta é a Praça República do Uruguai, na fronteira de Palermo Chico com a Recoleta

Mas nem por isso uma viagem a Buenos Aires deixa de ter suas pegadinhas. Afinal, o destino é fácil, mas não óbvio e imutável. Com mais de uma dúzia de visitas na biografia, eu sempre topo com novidades. 

O câmbio na Argentina, por exemplo, sempre exige planejamento e informações prévias, porque toda hora mudam as opções mais vantajosas de levar dinheiro para a viagem.

Puerto Madero visto da Plaza de Correos, Buenos Aires
O paliteiro de Puerto Madero visto da Plaza del Correo. A escultura (à esquerda, acima, e abaixo, em detalhe) é o Monumento a Juana Azurduy, mulher indígena que lutou nas guerras de independência da América contra os espanhóis. A estátua foi uma doação do povo da Bolívia 

Monumento a Juana Azurduy, Buenos Aires

Neste post, listei as dicas práticas coletadas na minha vista mais recente à capital argentina (setembroq2022). Espero que elas ajudem você a ter uma linda temporada em uma das cidades mais deliciosas do nosso continente. Várias dessas informações também serão úteis para outros destinos na Argentina, como a simpaticíssima Mendoza, que visitei no mesmo roteiro das últimas férias. 


Dicas para organizar uma viagem a Buenos Aires


Feira de San Telmo, Buenos Aires
Com crise ou sem crise, entra câmbio e sai câmbio, levar dinheiro vivo para a Feira de San Telmo nunca sai de moda: é o melhor trunfo na hora de pechinchar

Câmbio e preços em Buenos Aires


Buenos Aires pode ser cara ou barata para nós, brasileiros. Depende do câmbio

Em setembro de 2022, o real brasileiro era cotado a $25 pesos no câmbio oficial e a $50 pesos no câmbio blue. Usar a cotação oficial, portanto, significava pagar o dobro por qualquer gasto feito na Argentina. 

Agora, em 17 de novembro de 2022, R$ 1 vale $29,76 pesos no câmbio oficial e $50 no câmbio blue.

Cito as cotações só pra você ter uma ideia da variação. Nem se dê ao trabalho de decorar esses números, porque eles variam o tempo todo, até mais de uma vez por dia. Só como exemplo: ontem (16/11), o dólar blue valia $299 pesos. Hoje (17/11), vale $304.

Na prática, isso significa que comer em Buenos Aires ainda é barato (no câmbio blue), o transporte é uma pechincha (veja mais abaixo) e as atrações de primeira linha têm preços muitíssimo camaradas, quando não são de graça (como o Museu Nacional de Belas Artes).

Com a hospedagem, não vai ter jeito: vai ser muito difícil escapar da cotação oficial do dólar na hora de pagar sua acomodação (veja mais abaixo). 

O que achei muito caro na Argentina, nesta visita, foram os livros. Eu, que fazia a farra nas excelentes livrarias de Buenos Aires, levei um susto. Estava quase impossível encontrar um exemplar por menos de $3.000 pesos (R$ 60). No Brasil, os livros estão mais caros do que isso, mas não tanto que justifique carregá-los na bagagem (e pagar pra despachar a mala com eles).

Boulangerie Cocu, Palermo Soho, Buenos Aires
Um drinque e uma ótima sopa de cebola, na charmosa Boulangerie Cocu, em Palermo Soho, podem custar R$ 24 ou R$ 48, dependendo do tipo de câmbio que você faça

➡ Que moeda levar para a Argentina e as melhores formas de trocar dinheiro

Que saudade do tempo em que bastava levar reais para Buenos Aires e trocar a nossa moeda por pesos argentinos logo na agência do Banco de la Nación do aeroporto — e esquecer a chatice que é ficar procurando casas de câmbio e comparando cotações.

Atualmente, com a variação estratosférica entra as taxas do câmbio oficial e do câmbio blue (paralelo), trocar reais por pesos nos canais oficiais é uma péssima opção.

Na trepidante desvalorização do peso argentino, as cotações variam até mais de uma vez por dia (e qualquer número exato que eu publique aqui corre o risco de estar desatualizado antes de eu terminar de escrever este texto). Mas, para você ter uma ideia, durante minha estadia em Buenos Aires R$ 1 comprava $25 pesos no câmbio oficial e até $50 pesos no câmbio blue.

Moeda argentina
Usar o câmbio blue significa fazer uma viagem pela metade do preço, considerada a cotação oficial do peso argentino

A cotação do dólar segue a mesma lógica. No momento em que escrevo este post, US$ 1 vale $160 pesos argentinos. No câmbio blue, US$ 1 é trocado por $298 pesos argentinos.

Mas quem leva dólares para a Argentina ainda pode usufruir do conforto de trocar dinheiro no Banco de la Nación nos aeroportos (em Ezeiza ou no Aeroparque) logo na chegada ao país. É que o governo criou uma modalidade de câmbio de dólares para estrangeiros bem mais vantajosa, com cotação próxima à do câmbio blue.

As agências do Banco de la Nación dos aeroportos de Buenos Aires funcionam 24 horas — se você não chegar à cidade tão exausta como eu cheguei, perto da meia-noite, pode ser uma boa alternativa.

Para checar as cotações do real e do dólar, dia a dia, consulte o site https://dolarhoy.com/

Grafites em Palermo Soho, Buenos Aires
Além do câmbio blue, um jeiro infalível de baratear a viagem a Buenos Aires é aproveitar as atrações gratuitas da cidade. Ver os grafites de Palermo Soho (acima) e uma exposição de fotografias no Jardim da Biblioteca Nacional (abaixo) são programas que não custam nada

Exposição de fotografias no Jardim da Biblioteca Nacional, em Buenos Aires

Museu Nacional de Artes Decorativas de Buenos Aires
O belo Museu Nacional de Artes Decorativas é totalmente grátis


 Cartão de crédito, cartão de débito e cartões de débito internacionais

Antes de viajar, pesquisei bastante sobre as formas mais convenientes de levar dinheiro para a Argentina. Usar o cartão de crédito não é uma boa ideia, já que nesta modalidade o que conta é o câmbio oficial — você estará pagando o dobro do que pagaria no câmbio blue, além dos 6,38%,de IOF que incidem sobre gastos no exterior pagos com cartões de crédito e débito.

Nem tentei fazer um cartão de débito internacional (como o Wise), porque descobri essa modalidade já bem perto da data da viagem. Nesse tipo de cartão você carrega o valor que quiser, na moeda que quiser, pagando IOF de 1,1%. Mas, segundo Ricardo Freire, do Viaje na Viagem, blogueiro em quem confio muito, a cotação que oferecem para o peso argentino em relação ao real é muito desvantajosa.

"Cena de Rua", quadro de Di Cavalcanti no Malba de Buenos Aires
Mesmo as atrações que cobram ingresso em Buenos Aires têm preços muito camaradas. Para ver Tarsila do Amaral, Frida Kahlo e Di Cavalcanti (na foto, Cena de Rua, pintado por Di em 1931), você paga US$ 1,5 pelo ingresso do Malba às quartas-feiras e US$ nos outros dias

Museu de Arte Hispano-Americana, Buenos Aires
Já o deslumbrante Museu de Arte Hispano-Americana, em Retiro, cobra US$ 1,70 pelo ingresso

➡ Envio de dinheiro pela Western Union

Esta era outra possibilidade que aparecia como vantajosa nas minhas pesquisas pré-viagem a Buenos Aires. O processo parece ser fácil (por meio de um aplicativo) e as taxas de câmbio são atraentes, só um pouquinho abaixo do câmbio blue.

Eu embarquei pra Buenos Aires quase me chicoteando por não ter usado essa opção, quando vi as postagens no Instagram de outra blogueira super confiável, a jornalista Mari Campos, que estava em Buenos Aires na mesma semana que eu, relatando a peregrinação pelas filiais da Western Union para conseguir sacar dinheiro. 

Como me virei com o câmbio em Buenos Aires


Diante das possibilidades mais, digamos, contemporâneas de levar dinheiro na viagem — cartões de débito internacionais, transferências pela Western Union e quejandos — eu banquei a velhinha analógica e acabei viajando pra meu roteiro na Argentina e no Chile levando dólares em espécie, como faziam os fenícios 😁.

Centro Cultural Kirchner, Buenos Aires
Encontrei uma casa de câmbio, do ladinho da pousada, que oferecia boas cotações. Troquei dólares na medida das necessidades e usei o (muito) tempo que sobrou vendo coisas bonitas, como as exposições gratuitas do Centro Cultural Kirchner

Antes de embarcar, conversei com Priscilla, dona da pousada onde me hospedei em Buenos Aires, e ela me indicou uma casa de câmbio oficializada que funciona na mesma quadra da acomodação. Foi uma ótima alternativa (chama-se PagoLínea e fica na Calle José Cabrera nº 5001, esquina com Serrano, em Palermo Soho).

Pude trocar dinheiro de acordo com as necessidades, sem perder tempo procurando as cuevas (casas de câmbio “informais”) e comparando taxas. Esta casa de câmbio vizinha da pousada praticava boas cotações do dólar (que eu comparava com as publicadas no site Dolar Hoy).

Uma coisa que aprendi em viagens é que não vale a pena ficar sofrendo para fazer o câmbio ideal. É claro que ninguém quer perder dinheiro aceitando cotações absurdamente desvantajosas. Mas também não vale a pena perder seu precioso tempo de férias, gastar energia e dinheiro com transporte virando uma cidade do avesso para achar a cotação perfeita. 

Avenida de Mayo, Buenos Aires
Passeio pra ver a arquitetura da Avenida de Mayo. Como dizia Luiz Gonzaga, ♫♫ todo tempo que eu tiver, pra mim é pouco 😊

Em Lima, por exemplo, parece muito mais vantajoso trocar dinheiro nas ruas do Centro da cidade e de Miraflores, com os cambistas “credenciados”, identificados pelos coletes que vestem e pelos bolos de notas de soles que exibem. Mas só de pensar em parar no meio da rua, exibir o dinheiro, receber uma pilha de notas e ter que conferir se são de verdade,  já saio correndo para uma casa de câmbio oficializada, ainda que perca alguns centavos em cada dólar trocado.

Eu faço a conta: se a taxa de câmbio oferecida por determinado lugar me fizer perder um pouquinho (pouquinho, tá?) de dinheiro, mas for rápida, cômoda e segura, eu prefiro essa alternativa. Eu coloco preço no meu tempo livre e ele me custa muito esforço.

Hospedagem em Buenos Aires, 06 Soho Suites
Meu balcão debruçado para a boemia de Palermo Soho: a pousada prefere receber em dólares, mas dá um descontinho

Leve dólares para pagar sua hospedagem na Argentina

Por conta da inflação, que está beirando a taxa anual de 100% (uma herança das crueldades econômicas do governo Macri que ainda infernizam o país), há alguns preços na Argentina que já estão meio dolarizados. É o caso, por exemplo, de hotéis e pousadas.

Toda e qualquer hospedagem que você reservar na Argentina apresentará o preço em dólar. Nos hotelões, você terá a alternativa (desvantajosa) de pagar com o cartão de crédito ou em moeda local, na cotação oficial da moeda norte-americana, ou em dólares, mesmo.

Hospedagem em Buenos Aires, 06 Soho Suites
Gostei muito da minha pousada em Palermo Soho. E ela fica no mesmo edifício de La Cabrera

Em alternativas mais “artesanais”, como pousadas, vale a pena pagar em dólar, cash, e negociar algum desconto no preço das diárias. 

Nas pousadas onde me hospedei em Buenos Aires e Mendoza, paguei as estadias em dólares e recebi descontos. Em Buenos Aires, as diárias saíram por US$ 40 cada (um desconto total de US$ 40 num total de nove pernoites). 

➡ Para mais dicas de hospedagem em Buenos Aires, veja esses posts:

Hospedagem em Buenos Aires: uma semana em Palermo Soho
(Minha experiência de setembro 2022)

Buenos Aires: hospedagem na Recoleta
(minha experiência em julho de 2017)

Buenos Aires – dicas práticas
(Minha avaliação sobre hospedagem em Palermo, Puerto Madero, Recoleta, San Telmo e Microcentro)

Aeroparque, Aeroporto Jorge Newberry, Buenos Aires
Nesta viagem de setembro, cheguei e saí de Buenos Aires pelo Aeroparque

Transporte em Buenos Aires


Como ir dos aeroportos de Buenos Aires até a sua hospedagem

Desta vez, minha chegada a Buenos Aires foi pelo Aeroparque, ou Aeroporto Internacional Jorge Newberry, localizado no bairro de Palermo (a apenas 6 km da Plaza Serrano, em Palermo Soho).

O Aaeroparque está para o Aeroporto de Congonhas assim como o Aeroporto de Ezeiza está para Garulhos: é bem mais central e cômodo, ainda mais pra quem chega quase de madrugada, como foi o meu caso.

Transporte para sair e chegar ao Aeroparque

O Aeroparque é servido por linhas de ônibus comuns (tem uma parada bem em frente do terminal) que levam aos principais bairros de Buenos Aires onde se hospedam os turistas, sem necessidade de baldeações. Boa opção para quem chega de dia e com pouca bagagem (contanto que você já tenha um Cartão SUBE para pagar sua passagem no busão).
 
Aeroparque, aeroporto Jorge Newberry, Buenos Aires
Além de uma parada de ônibus bem na porta (à direita, ao fundo), o Aeroparque tem uma área de fumantes com lugar para sentar. Achei muito civilizado

Como já disse, o Aeroporto Jorge Newberry fica a 6 km de Palermo Soho, a 7,3 km da Recoleta (tomando o Cemitério como ponto de referência), a 10,8 km de San Telmo (Plaza Dorrego) e a 7,7 km do Microcentro (Obelisco da Avenida 9 de Julio).

Também não é difícil pegar um Uber ou um táxi no Aeroparque (mas a internet está cheia de reclamações dos taxistas que operam nesse aeroporto).

Táxi em Buenos Aires
O táxi de Palermo Soho ao Aeroparque custou o equivalente a US$ 4,50

Meu desembarque em Buenos Aires foi um pouco depois da meia-noite, então, achei mais jogo combinar com a pousada que reservasse um táxi parceiro para me apanhar no Aeroparque e me levar para o alojamento (o motorista já estava com as chaves da acomodação para me entregar). O serviço de transfer custou US$ 8 e achei essa alternativa muito cômoda e segura.

Na saída de Buenos Aires, no embarque para Mendoza, numa manhã de sábado, fui de teletáxi para o Aeroparque. Paguei pouco mais da metade do valor do transfer na chegada, cerca $1.300 pesos (de US$ 4,50 no câmbio blue).

Como ir do Aeroporto de Ezeiza ao Centro de Buenos Aires

O Aeroporto Internacional Ministro Pistarini (Ezeiza) continua recebendo a vasta maioria de voos internacionais destinados a Buenos Aires.

Ele está localizado a 31 km do Centro de Buenos Aires, conectado à capital por uma autopista — o trânsito costuma fluir sem muito prerrengue, mas nem por isso saia para pegar um voo lá muito em cima da hora, tá?

Para ir do Aeroporto de Ezeiza para sua acomodação, você pode escolher entre o Uber, ônibus executivos, ônibus comuns, táxis comuns e táxis especiais.

Em geral, eu prefiro essa última alternativa. Os táxis especiais ou remíses, como dizem os argentinos, são cômodos e seguros, com preço tabelado (à prova de voltinhas desnecessárias e embromações).

Para contratar um remís, basta encontrar os balcões das empresa que operam o serviço, logo na saída dos desembarques doméstico e internacional de Ezeiza. Você pode pagar em dólar, reais, pesos ou cartão. Vai receber um voucher que deverá ser entregue ao motorista de sua condução.

O preço atual do serviço de remíses no Aeroporto de Ezeiza é de $3.900 pesos (US$ 13 no câmbio blue ou US$ 24 na cotação oficial). 

Tem mais dicas de como ir do Aeroporto de Ezeiza ao Centro de Buenos Aires neste post (que está atualizado) > Buenos Aires – dicas práticas

Estação de Metrô Malabia, Buenos Aires
Em Buenos Aires, eu prefiro o metrô que é mais rápido e à prova de erros de rota — e o visual das estações é sempre instigante

Como circular por Buenos Aires

Buenos Aires é uma cidade bonita, plana e bastante segura. Pra mim, isso significa um convite irrecusável para explorar a cidade a pé, sempre que possível.

Mas é lógico que em uma metrópole de 3 milhões de habitantes não dá pra circular apenas com os meus pezinhos. Meu truque é o seguinte: escolho uma área da cidade para passear, vou até ela de ônibus e metrô e, a partir daí, caminho como uma camela, feliz da vida.

Estação de metrô Constitución, Buenos Aires
Sempre paro um minutinho pra ver os murais das plataformas do metrô de Buenos Aires. Este fica na Estação Constitución 
 
Estação Plaza Itália, Metrô de Buenos Aires
Na Estação Plaza Itália, o tema da decoração são as missões jesuíticas, como San Ignacio Miní, que eu visitei e amei

Gosto muito de usar o metrô de Buenos Aires (o Subte, na designação local, abreviação de subterrâneo). As estações, em geral, são limpas e bem sinalizadas. O serviço, com sete linhas, flui bem. Fora dos horários de pico, os trens mantêm uma lotação civilizada.

Mas é bom ter em mente que você não vai encontrar uma estação do metrô em cada esquina. Optando pelo Subte, esteja psicologicamente preparada para caminhar várias quadras até seu destino (com raríssimas exceções de algumas atrações que têm estação de metrô na porta, como o Centro Cultural Kirchner, o Teatro Colón, a Catedral e o Palácio Barolo).

➡ Além do preparo psicológico, não esqueça de usar calçados confortáveis nos seus passeios por Buenos Aires.

Trem do metrô de Buenos Aires
Fora dos horários de pico, geralmente era assim que eu encontrava os trens do metrô de Buenos Aires

Estações de metrô de Buenos Aires
A linha E do Metrô de Buenos Aires tem as estações mais modernas, como Retiro (esq). Já na Estação 9 de Julio, na Linha D, o tema da decoração são os trabalhadores

Se sua opção forem os ônibus, provavelmente você caminhará menos entre as atrações. Eu também uso bastante os colectivos (como os portenhos chamam os busões), que costumam ser limpos e relativamente pontuais. Use o Google Maps para traçar suas rotas, que sempre dá certo (esse aplicativo tem uma preferência escancarada pelos trajetos de ônibus em Buenos Aires).

Táxi em Buenos Aires
Os táxis em Buenos Aires continuam baratos

Todas as vezes que optei pelos ônibus, meu tempo de espera pelo transporte nas paradas ficou, geralmente, em torno dos cinco minutos.

➡ Os táxis em Buenos Aires continuam muito baratos, para nossos padrões. Uma corrida de 7,5 km entre Palermo Soho e o Centro, à noite, custou $600 pesos (pouco mais do que US$ 2 ou R$ 12, em setembro/2022).

Estação de Metrô em Buenos Aires
O letreiro amarelo (que a gente enxerga de longe) identifica as estações do Metrô de Buenos Aires

➡ O que não achei muito vantajoso no quesito transporte em Buenos Aires foi o Uber. Logo na chegada, fiz algumas poucas viagens com o aplicativo, mas os locais me alertaram que poderia pagar menos usando o táxi. Não deu outra: fiz algumas simulações (repórter apurando matéria para a Fragata) e a tarifa oferecida pelo Uber era sempre um pouquinho acima do que acabei pagando nas corridas de táxi.

Uber em Buenos Aires
Não achei o Uber em Buenos Aires tão vantajoso. Acima, uma viagem entre Palermo Soho e o Mercado de San Telmo (9 km). Abaixo, uma corrida entre o Museu Nacional de Artes Decorativas e a minha pousada (3,7 km)

Uber em Buenos Aires

Por exemplo, no meu primeiro dia em Buenos Aires, um sábado, voltei do Museu Nacional de Artes Decorativas, em Palermo Chico, para a pousada, em Palermo Soho. O trajeto de 3,7 km custou $660 pesos (US$ 2,20 ou R$ 12, no câmbio blue), um pouco mais caro do que paguei pelo táxi em uma viagem do Centro de Buenos Aires para meu alojamento, um trajeto de 7 km.

A corrida de Uber entre Palermo Soho e o Mercado de San Telmo, no domingo, ficou em $1.540 pesos (US$ 5,15 ou R$ 28).

E se você for usar o Uber, opte por pagar a corrida em dinheiro (para se beneficiar do câmbio blue). Se você usar o cartão de crédito, a viagem será cobrada pelo câmbio oficial — vai custar o dobro, sem contar os 6,8% do IOF.

Estação Constitución, Buenos Aires
Tive que andar de San Telmo até a Estação Constitución pra comprar o Cartão SUBE. Só não reclamei porque a bichinha é bonita que só 

A busca do Santo Graal, ou onde é que eu compro um Cartão Sube pelamordedeus?

Se teve um motivo legítimo pra eu me chicotear, nesta viagem mais recente a Buenos Aires, foi lembrar que eu tinha um Cartão SUBE, comprado em 2017, e o deixei em casa.

Sim, porque o que antigamente era facílimo agora virou um pequeno inferno: comprar o Cartão SUBE agora exige uma peregrinação por Buenos Aires. Foi-se o tempo em que o bichinho podia ser encontrado em qualquer quiosco (loja de conveniência) ou mesmo em todas bilheterias de estações de metrô.

O Cartão SUBE parece estar em falta em tudo quanto é canto. Só consegui encontrá-lo na Estação Constitución, aonde, naturalmente, tive que ir a pé — imagine que coisa kafkiana é rodar uma cidade sem poder usar o transporte público para tentar comprar o cartão que dá acesso ao transporte público.

Cartão SUBE do transporte público de Buenos Aires
Cartão SUBE: o cara anda se fazendo de difícil, mas não dá pra viver sem ele

Se você tem um cartão SUBE, guarde-o como um tesouro e não esqueça de leva-lo com você na próxima viagem à Argentina — sim, Argentina, porque a preciosa tarjeta é federal e vale para o transporte público de outras cidades.

Como funciona o Cartão SUBE

O cartão SUBE é a única forma de pagamento aceita nos transportes públicos de Buenos Aires e Região Metropolitana, Mendoza e outras 43 cidades da Argentina (veja a lista).

Em novembro de 2022, o Cartão SUBE custa $216 pesos (US$ 0,72 ou R$ 3,60, nos câmbios blue) e pode ser carregado com qualquer valor. As recargas de créditos continuam descomplicadas: quioscos, farmácias e mercadinhos ainda oferecem o serviço.

Tarifas de transporte em Buenos Aires


Metrô de Buenos Aires
O Subte é muito barato. Em novembro de 2022, uma viagem de metrô em Buenos Aires custa o equivalente a R$ 0,70

Na hora de carregar seu Cartão SUBE, tenha em mente que uma viagem de metrô custa atualmente $42 pesos (US$ 0,14 ou R$ 0,70, no câmbio blue) para quem faz até 20 viagens por mês.

Quanto mais você usa o serviço de metrô, mais barata fica a tarifa. A partir de 40 viagens ao mês, o preço da passagem no transporte público de Buenos cai para $25,20 por viagem.

Nos ônibus, as tarifas variam de acordo com a distância percorrida. Os preços começam em $25,20 pesos (viagens de até 3 km) e podem chegar a $32,20 pesos, em percursos de mais de 27 km.

ônibus em Buenos Aires
Em Buenos Aires, a tarifa do ônibus varia de acordo com a distância percorrida

É bom você saber que o Cartão Sube também pode ser usado nos trens de cercanias, como o que leva às cidades de Tigre e San Isidro (e saem da Estação Retiro). Neste caso, é possível pagar a viagem também em dinheiro, mas sai pelo dobro do preço.

A passagem até Tigre custa $26 pesos com o Cartão Sube e $52 para pagamento em dinheiro. Para ir de Retiro a San Isidro com o trem, o custo é de $17,75 pesos ou $52 pesos.

Saiba mais: Bate e volta de Buenos Aires a Tigre, Argentina

Internet em Buenos Aires

Lembra do tempo em que a gente chegava em Buenos Aires e corria pra comprar um chip de celular local em qualquer quiosco — e depois tinha a aporrinhação de ir à loja da operadora apresentar o passaporte para registrar a linha?

Pois esqueça essa prática Neanderthal.

"O Impossível", escultura de Maria Martins no Malba de Buenos Aires
Que os deuses da internet nunca me privem da capacidade de mandar notícias pelo Instagram. Acima, a escultura O Impossível, da brasileira Maria Martins, no Malba. Abaixo, a lindona Confeitaria del Molino, na Avenida Callao, ressurgindo da ruína após cuidadosa reforma

Confeitaria del Molino, Buenos Aires

 Nesta viagem, já desembarquei na Argentina (e depois, no Chile) conectadíssima à Internet, pois mudei meu plano de celular (da Vivo, mas a Claro também tem) para uma modalidade que me oferece roaming internacional em qualquer país das Américas, para todo o sempre, sem qualquer custo adicional. O melhor é que a troca de plano não alterou em nada a minha mensalidade.

Ao desembarcar em Buenos Aires, só tive que me conectar à rede parceira da Vivo na Argentina (a Movistar, a mesma no Chile). Bem melhor até do que ter aqueles chips internacionais (eu odeio ficar procurando clipes de papel pra abrir a portinha do celular. Sem contar que, em geral, a estabanada aqui emprega muita força no processo e joga longe a portinha, o chip e o escambau).

Tigre, Argentina
O bate e volta a Tigre começou sem internet, mas, em algumas horas, a rede voltou ao normal

A rede funcionou bem direitinho, exceto durante uma manhã (exatamente quando fiz o bate e volta a Tigre): o serviço me deixou na mão já na Estação de Retiro e ficou fora do ar por uma três horas. 

Quando for viajar — para qualquer lugar — consulte sua operadora de celular sobre os planos de roaming internacional. Dependendo do seu plano atual, haverá acréscimos nos valores da mensalidade. Mas, se você viaja com alguma frequência, vai valer a pena — além do preço dos chips locais e dos valores das cargas, contabilize o tempo e os deslocamentos que você será obrigada a fazer para contratar o serviço.

Ter acesso à internet em qualquer lugar, sem depender de WiFi de bares e hotéis, é um tremendo conforto. Além de postar fotinhas no Instagram, dá pra consultar o Goggle Maps, confirmar os horários das atrações, chamar um Uber...

Palermo, Buenos Aires
Amo explorar as cidades que visito a pé. Buenos Aires sempre me ofereceu toda segurança pra isso

Segurança em Buenos Aires

Buenos Aires é a cidade estrangeira que eu mais visitei na vida (mais de uma dúzia de vezes) e sempre me senti perfeitamente segura na capital argentina.

É verdade que nas últimas décadas Buenos Aires viu crescer a criminalidade e a violência, mas ainda é uma metrópole muito mais tranquila do que as nossas. O risco de um turista ser vítima de um crime violento é bem baixo e a maior preocupação deve ser com batedores de carteira e golpistas.

Agora em setembro, por duas vezes (num sábado e numa terça-feira) confirmei que é totalmente possível sair pela noite portenha com amigos pulando de bar em bar, a pé, madrugada a dentro — e com o teor alcoólico bem fora do padrão.

Teatro Cervantes, Buenos Aires
Vixi, que a farra itinerante da Recoleta ao Microcentro varou a madrugada😇. Na imagem, o Teatro Cervantes

Uma dessas farras foi em Palermo. Mas a segunda começou na Recoleta e se esparramou pelo Microcentro, e beirou as 3h da manhã. As estripulias foram todas cumpridas a pé, sem que fossemos incomodados ou nos víssemos em qualquer situação de risco. 

Dizem que a região do Caminito é bem insegura, mas faz décadas que não passo por lá.

Nesta minha temporada mais recente em Buenos Aires, repeti a fórmula que vem dando certo em mais de 40 anos de namoro com a cidade: não tenho medo de caminhar por tudo quanto é canto durante o dia — e, em bairros como Palermo e Recoleta eu faço isso à noite sem qualquer susto. Presto atenção à bolsa em qualquer aglomeração e não dou bobeira com câmeras e celulares.
 
Mais sobre Buenos Aires 


Dicas práticas
Comer&beber

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