sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Buenos Aires – dicas práticas

Buenos Aires vista do topo do Palácio Barolo, na Avenida de Mayo. Ao fundo, o Congresso Nacional
Se você está uma visita a Buenos Aires, veio ao post certo. Organizei aqui algumas respostas para aquelas dúvidas básicas de quem está organizando uma viagem, as dicas práticas que facilitam a vida.

Como ir do Aeroporto de Ezeiza ao Centro de Buenos Aires? Quais os bairros mais legais pra se hospedar? Como fazer câmbio — é melhor levar dólares ou reais? Que tal a segurança na cidade? Como andam os preços? E as melhores opções de transporte e chips de internet?

Está tudo aqui, mastigadinho. No mais, aproveite Buenos Aires, cidade deliciosa, vibrante e querida, para onde não me canso de voltar

A Corveta Uruguay, barco-museu ancorado em Puerto Madero
Como ir do Aeroporto de Ezeiza ao Centro

O Aeroporto Internacional Ministro Pistarini (Ezeiza) é a porta de entrada mais frequente para quem chega à Argentina — o Aeroparque, em Palermo, ainda recebe alguns voos internacionais, mas esses serão todos transferidos para Ezeiza até 2019.

O aeroporto está a 31 km do Centro de Buenos Aires. Dá para fazer o trajeto de Uber, ônibus executivos, ônibus comuns e de táxi, mas minha opção é sempre pegar um remís ou os táxis especiais de Ezeiza, pela comodidade e, principalmente, segurança — nem lembro mais a última vez que desembarquei em Buenos Aires de dia.

As empresas de remís e táxis especiais têm stands logo ao lado da saída do desembarque internacional e o esquema é o mesmo dos táxis especiais nos aeroportos do Brasil: você paga, recebe um voucher que deverá ser apresentado ao motorista.

Detalhe de uma fachada no bairro de San Telmo
Os táxis especiais têm preço fixo de 720 pesos (R$ 130) para corridas a qualquer bairro de Buenos Aires. Se marcar a volta, esse trajeto terá um desconto e sairá por 580 pesos (R$ 100).

Nesta viagem de julho, usei o serviço da World Car, mas todas as empresas cobram valores iguais. O pagamento pode ser em dólar, em pesos argentinos ou cartão de crédito. Na volta do hotel para o aeroporto, peguei o remís oferecido pelo hotel, por 600 pesos (R$ 106).

Ônibus especiais
Essa pode ser uma alternativa mais econômica para quem chega de dia e sem muita bagagem. O ônibus Tienda Leon, executivos com cara de bem confortáveis, têm um estande logo em frente ao desembarque internacional e ligam o aeroporto de Ezeiza a um terminal da empresa, em Puerto Madero, de onde os passageiros seguem viagem até o destino final. O bilhete custa 220 pesos (R$ 40) cada perna ou 395 (R$ 70) o pacote ida e volta.

O Jardim Japonês, em Palermo
O AR Bus é um ônibus mais basicão, que conecta Ezeiza a pontos específicos, sem paradas intermediárias. É uma opção mais barata para chegar ao Centro (180 pesos, ou R$ 32), mas tenha em mente que você precisará tomar outro transporte para prosseguir a viagem até o hotel.

O que você não deve fazer nunca — aliás, em lugar nenhum do mundo: aceitar o serviço de motoristas que ficam caçando passageiros em frente ao desembarque. Alguns até são taxistas de verdade, outros são operadores de transporte clandestino. Mas não é uma opção segura, por mais barata que possa parecer.

Notas de pesos argentinos
Câmbio

Não vale a pena comprar pesos argentinos no Brasil, pois a cotação será sempre desinteressante. Também já não é compensador levar dólares para trocar nas casas de câmbio da Calle Florida e região, onde em tempos recentes se conseguia cotações entusiasmantes.

Por recomendação de Ricardo Freire, do Viaje na Vigem, levei reais para a Argentina e já fiz câmbio no aeroporto mesmo, no Banco de la Nación, cuja agência — em um corredor ao lado da saída da Aduana — funciona 24 horas em Ezeiza.

A cotação que encontrei foi de 4,2 pesos por R$ 1. Talvez e conseguisse um câmbio melhorzinho nas ruas, mas não acho que a aporrinhação e o risco de carregar grandes quantias ou de receber notas falsas compense a diferença.

O obelisco da Praça de Mayo comemora a independência da Argentina
Preços

A Argentina não é mais aquele país barato que se fixou no imaginário dos brasileiros — tirando a época da paridade peso dólar, nos delirantes tempos do governo Ménem, nos anos 90, nunca vi preços tão altos por lá, em mais de 10 viagens.

A diferença de cotação da nossa moeda para a deles se perde no custo elevado dos produtos e serviços em peso — imagine pagar 60 (R$ 10,60) ou até 80 pesos (R$ 14,20) em uma latinha de Coca-Cola, como vi em um bar de Palermo e no restaurante do Malba...

Não é que a cidade toda esteja "cobrando em euro". No geral, achei os preços em Buenos Aires similares aos das grandes cidades brasileiras. Mas já não é aquela farra do "dame dos" (piadinha portenha sobre a sanha comprista dos brasileiros, que sempre arrematavam os artigos em dobro, de tão baratos). Não sou muito interessada em compras, mas até os livros estavam mais salgados do que antigamente.

Galerias Pacífico, tradicional templo de compras dos brasileiros em Buenos Aires
No quesito alimentação, não cheguei a me assustar. Fiz boas refeições pelo equivalente a R$ 60/70.

Veja dicas de restaurantes neste post: Comer em Buenos Aires – novas aventuras

Como viajei em julho, altíssima temporada — muito graças a nós, brasileiros — os hotéis estavam com diárias inflacionadas e tive que pesquisar bastante. A melhor alternativa que encontrei, considerando localização/preço/qualidade foi no Unique Luxury Park Plaza Hotel, na Recoleta, por R$ 230 a diária, na tarifa não-reembolsável e sem café da manhã.

Onde se hospedar

No sábado que passei em Palermo, moradores estavam decorando o muro deste casarão com um mosaico
Palermo
Atualmente, meu bairro preferido em Buenos Aires é Palermo Soho, pela concentração de bons restaurantes, bares, lojas bacaninhas e movimento a qualquer hora do dia. Nas duas últimas passagens pela cidade eu fiquei nessa vizinhança e gostei demais. Talvez a única desvantagem dessa opção seja a distância um pouco maior do Centro, mas não é nada incontornável.

Veja essas como foram essas duas experiências e onde me hospedei
14 horas em Buenos Aires: como aproveitar uma conexão
Palermo, o bairro com cheiro de maçã



Praça Dorrego, o coração de San Telmo - e sede da famosa feira de antiguidades do bairro

San Telmo
Já curti muito ficar em San Telmo, o bairro onde mais me hospedei em Buenos Aires. Gosto da atmosfera antiguinha/boêmia, das quebradas alternativas e das opções de hospedagem menos convencionais que se encontra por lá, como a Lina’s Tango Guesthouse, onde já fiquei três vezes — já faz um tempinho, mas ela continua cotada como “fabulosa” no Booking (eu falo sobre a pousada neste post: Mi Buenos Aires Querido).

Outra vantagem de San Telmo é a localização, coladinha ao Centro e a Puerto Madero. Nas últimas passagens pela cidade, porém, já não achei o bairro tão seguro.


Puerto Madero ao entardecer
Puerto Madero
Fiquei hospedada lá em 2006. Esta é uma área de hotelaria cara e de nariz empinado, cercada de restaurantes de alto padrão, mas não faz o meu gênero — eu até curto passear em Puerto Madero, mas não consigo muito lidar com uma certa atmosfera de “cidade artificial” que impera por lá. Além do mais, acho meio fora de mão. Embora o bairro, propriamente, seja seguro e bem policiado, seu entorno não é de confiança.

Mais sobre o bairro: Puerto Madero, o “outro país”


9 de Julio, a "avenida mais larga do mundo", segundo os portenhos
Centro
Na primeira vez que fui a Buenos Aires, em 1978, fiquei hospedada em um hotel da 9 de Julio, a principal avenida da cidade, e adorei. Apesar do clima soturno da ditadura Videla, a cidade me pareceu muito viva e intensa e eu, adolescente, experimentei pela primeira vez o prazer de andar para cima e para baixo, inclusive à noite, no burburinho do centrão de uma metrópole, com verdadeiras multidões caminhando depois do teatro ou do cinema e restaurantes que abriam até tarde.

Infelizmente, as noites no Centro de Buenos Aires já não são assim. Ainda tem gente na rua à noite, é verdade, mas muito menos. A sensação de segurança é bem menor — repeti a dose de hospedagem na área em 2002, andei a pé á noite, mas não posso dizer que tenha sido uma experiência das mais prazerosas.

Hospedada no Centro, você vai ficar perto da maioria dos pontos de interesse de dia, mas vai ficar dependente do táxi à noite, pois quando o comércio fecha a região morre um bocadão.


O antigo Mosteiro dos Recoletos, hoje Centro Cultural Recoleta

Recoleta
Já conhecia as atrações turísticas e alguns restaurantes do bairro, mas minha primeira experiência de hospedagem na Recoleta foi nesta viagem de julho/2017. Nos primeiros dias, eu não curti. Meu hotel ficava quase na esquina da Avenida Alvear, chiquérrima, imponente, mas algo próxima de um deserto humano. Um cenário impecável e vazio de vestígios de vida cotidiana.

Bastou explorar o bairro com um pouquinho mais de paciência, porém, para eu abandonar o mood “devia ter ficado em Palermo” e começar a curtir muito a vizinhança. Encontrei restaurantes simpáticos frequentados quase que exclusivamente por moradores, aprendi a me virar com o transporte público e descobri uma Recoleta agradável, segura e que vai muito além do miolinho em torno do famoso cemitério. No fim, adorei!


Segurança
Em mais de 10 visitas, jamais vivi qualquer incidente relativo a segurança em Buenos Aires, mas é bom frisar que ela já não é aquela cidade seguríssima de décadas atrás. A chance de você ser assaltada sob a mira de uma arma de fogo por lá é muito pequena — não diria uma chance europeia, mas caminhando pra isso. 

Uma mulher viajando sozinha, porém, tem sempre que lembrar que somos alvos de outros tipos de violência e precisamos duplicar a atenção.

Detalhe da fachada da Livraria El Ateneo Grand Splendid, na Recoleta
Eu ando por Buenos Aires sem o menor receio e recomendo. Durante o dia, só vivenciei a sensação de insegurança nas redondezas de Abasto e de Once — nesta última, tive a desagradável experiência de ser seguida por um bom tempo por um sujeito muito mal encarado, há alguns anos.

À noite, porém, já não tenho a disposição de caminhar por San Telmo, como há tempos atrás, nem pelo Centro. Por todas as notícias e dicas que leio na internet, é legal quadruplicar os cuidados em La Boca a qualquer hora.

Caminhar pelas partes mais movimentadas de Puerto Madero à noite é tranquilo, mas evite os cantos desertos e nunca, jamais, em tempo algum invente de ir a pé de lá para qualquer outro bairro, pois o entorno da área é deserto e esquisito.

Onde ando à noite sem qualquer sobressalto é em Palermo — um dos motivos de preferir me hospedar lá — e tive uma experiência muito positiva na Recoleta.

Hora do rush na estação de trens e metrô de Retiro
O maior risco que se corre em Buenos Aires vem dos batedores de carteira, especialmente nos pontos turísticos, no metrô e naqueles clássicos locais de aglomeração ou onde estamos mais embevecidas com as atrações ou com as vitrines. A quantidade de gente que conta que teve a carteira batida na Calle Florida ou até mesmo dentro das Galerias Pacífico é enorme.

Outro aspecto que merece atenção são os golpes aplicados em turistas: taxistas espertinhos (nunca dei o azar de encontrar nenhum) que fazem voltas desnecessárias ou dão troco em notas falsas, ou casal que vem ajudar a limpar uma caca que eles mesmos jogaram no seu casaco — e aproveitam pra “limpar” o conteúdo de sua bolsa e bolsos.

Bom senso e atenção são os melhores equipamentos de segurança em qualquer viagem. Use-os 😉.

Para achar o metrô, procure a placa amarela. Em Buenos Aires, o transporte se chama Subte
Como circular em Buenos Aires
A melhor alternativa para explorar Buenos Aires é a combinação metrô + caminhadas. Geralmente, concentro os passeios do dia em uma determinada área, vou até lá de metrô e me desloco entre as atrações a pé.

O metrô, ou Subte, como é chamado por lá, tem sete linhas que cobrem os principais pontos de interesse turístico. Fora dos horários de pico, quando os trens circulam abarrotados, o deslocamento é bem confortável.

Para usar o metrô portenho, é preciso ter um cartão SUBE, que vale para todo o transporte público de Buenos Aires. Faça o cartão assim que chegar na cidade, pois já não é possível comprar passagens unitárias para ônibus, metrô ou trens de cercanias.

Este é o seu passe para usar o transporte público em Buenos Aires
O cartão SUBE custa 25 pesos (R$ 4,40) e você pode comprá-lo em lojas de conveniência (os quioscos, que geralmente funcionam 24 horas) ou nas bilheterias das estações de metrô. Pode ser carregado com qualquer valor e recarregado até mesmo em farmácias e mercadinhos.

A passagem do metrô custa 7,5 pesos (R$ 1,32) para quem faz menos de 20 viagens no mês — em Buenos Aires, quanto mais você usa o serviço, mais barato ele fica, podendo chegar a 4,50 pesos (R$ 0,80) por viagem, para quem utiliza o Subte a partir de 40 vezes por mês.

Estação Las Heras do Metrô, na Recoleta
Para quem vai passar uma semana na cidade, uma carga de 105 pesos (R$ 18,50) será a conta justa para duas viagens de Subte por dia — lembrando que se você fizer a partir de 21 viagens dentro de um mês, o preço da passagem cai para 6 pesos (R$ 1,05).

Comprar um único cartão para toda a família e se beneficiar do desconto para quem faz muitas viagens parece uma boa ideia? Pois não é: o SUBE é individual e compartilhá-lo pode render multa.

O funcionamento do SUBE é igual ao de qualquer cartão de transporte público que estamos acostumadas: ao encostá-lo no leitor das catracas do metrô (e também nos leitores a bordo dos ônibus) o sistema não só desconta o valor da passagem como informa quanto o usuário ainda tem de crédito.

Estação Gardel, melhor acesso ao bairro de Abasto e ao museu dedicado ao legendário cantor de tangos
Para as áreas aonde o metrô não chega, pode pegar ônibus sem susto — evitando a hora do rush, de preferência. Pelo menos no Centro e nas áreas mais turísticas, o tempo de espera nas paradas costuma ser mínimo, passa um carro atrás do outro.

 Use o Googlemaps para descobrir que linha pegar para o deslocamento desejado. O aplicativo funciona muito bem na cidade e aponta direitinho onde fica o ponto de cada linha nas redondezas. Ah, busão em Buenos Aires se chama colectivo, tá?

Olha só como estava vazio o busão que peguei em frente ao Jardim Japonês para voltar à Recoleta. Eram cerca de 17 horas
Antes de embarcar nos ônibus, tenha certeza de que seu cartão SUBE tem os créditos necessários. O preço da passagem varia de acordo com a distância percorrida e é preciso informar ao motorista em que ponto você pretende descer, para que ele possa fazer o cálculo.

ara não pirar fazendo contas, basta saber que a passagem mais barata, para um deslocamento de até 3 km, custa 6 pesos. A mais cara, para quem roda mais de 27 km, custa 7 pesos.

Internet em Buenos Aires
Já cheguei em Buenos Aires com o chip da EasySim4U, que oferece conexão em 140 países, usando as redes locais. Ganhei o chip com validade para dois dias comprando a revista Aprendiz de Viajante. A ideia era colocar carga extra para prorrogar sua validade por toda a viagem, mas não deu tempo. Então, para complementar os dias que passei na cidade, comprei um chip da Claro Argentina.

Os dois têm qualidade similar — até porque o chip da EasySim4U usa a rede da Claro. No primeiro dia, este serviço custou a “pegar no tranco”, precisei configurar a rede várias vezes, mas depois a conexão se estabilizou e não tive mais problemas.

A grande vantagem da EasySimU4 é já chegar ao país de destino com a conexão ativa. (Veja a minha experiência com esse serviço na Itália, Espanha e México: Chip de celular no exterior: minha avaliação do EasySim4U).

É possível comprar chips para celular em lojas de conveniência, mas estrangeiros precisam ir até uma loja da operadora para fazer o registro
O chip da Claro custou 25 pesos (R$ 4,40) pode ser comprado e carregado nos quioscos e até em farmácias (da rede Farmacity, por exemplo), mas tem uma pegadinha: quem não tem um documento de identidade argentino precisa passar em uma loja da empresa (uma sucursal, como dizem os hermanos), apresentar o passaporte ou a identidade e registrar seu chip — só aí ele estará liberado para funcionar.

Essa alternativa pode ser trabalhosa para quem chega à cidade no domingo, quando a maioria das lojas da Claro estão fechadas. O jeito é procurar nos shoppings. Eu encontrei uma no Shopping Abasto — nas Galerias Pacífico não tem. Confira os endereços e horários de funcionamento aqui.

Carreguei 80 pesos (R$ 14) no chip, um pacote de 2 gigas, com validade para uma semana. A conexão funcionou bem direitinho, bem de acordo com as minhas necessidades. (Eu não costumo subir vídeos na rede, só fotos no Facebook da Fragata e no Instagram — aliás, você já segue as redes do blog? Sempre tem dicas quentinhas da hora quando estou na estrada. Passa lá 😊).


Detalhe do interior do Palácio Barolo
Atrações – tem que comprar ingressos com antecedência?
Em geral, não, exceto nas atrações com vagas muito limitadas. Um exemplo é o Palácio Barolo, que só pode ser percorrido em visitas guiadas, em grupos de até 25 pessoas e costuma esgotar rápido.

Também é prudente comprar com antecedência a entrada para o espetáculo Fuerza Bruta, no Centro Cultural da Recoleta, especialmente se você quiser economizar, pois os ingressos para as apresentações de terça a quinta são mais baratos que para o final de semana.

Caso queira assistir um espetáculo no lindo Teatro Colón (eu recomendo muito!), é importante se programar com antecedência. É possível comprar ingressos na bilheteria online.


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