sábado, 8 de janeiro de 2011

Buenos Aires:
Palermo, o bairro com cheiro de maçã

Restaurante Lelé de Troya, em Palermo
À sua moda — e sem abrir mão de sua alma única — Buenos Aires sempre brincou de ser Paris. Está na arquitetura, nos cafés e na elegância dos portenhos um pouquinho daquele mesmo  je ne sais quois. Os argentinos adoram a comparação e desdenham a "falta de personalidade" das construções mais recentes. O motorista de taxi que me levou a Puerto Madero, por exemplo: "Para nós, isso aqui é outro país".

A evocação de Manhattan no skyline de Puerto Madero é evidente. Para desespero dos mais puristas, porém, é num dos bairros mais tradicionais de Buenos Aires que o espírito novaiorquinho vem se instalando cada vez com mais força. Palermo tem o ritmo, o clima e o cheiro da grande maçã.

Talvez o maior charme do bairro de Palermo seja essa capacidade de fazer o tradicional ganhar ares vanguardistas
Neste meu caso antigo com Buenos Aires, meu coração sempre bateu por San Telmo. Desta vez, porém, resolvi me hospedar em Palermo e conhecer mais de perto esta banda da cidade que vem se especializando em agregar apelidos às suas diversas áreas: Palermo Soho, Palermo Hollywood...

Gosto do contraste da arquitetura tradicional com a atmosfera descolada que se estabeleceu por aqui. As ruas largas, arborizadas, são um convite para se bater pernas até dizer chega (meu passatempo preferido, anyway...).

Bar Abierto, um velho conhecido, do ladinho da Plaza Serrano
O bairro ferve, dia e noite, neste verão. A Plaza Julio Cortázar, ou Plaza Serrano, é sempre meu ponto de partida. Aqui, continua reinando, impávido, o Malasartes, bar muito agradável, na esquina da Calle Honduras. As mesas da calçada são camarotes para apreciar o movimento — e disputadíssimas, no final da tarde.

Logo ao lado, o Bar Abierto é outro velho conhecido, mas senti falta da filial da Notorious e da loja meio mundo mix onde os jovens designers exibiam suas criações — sem susto: abriram outros espaços semelhantes. Só que não achei tão bacanas.

Palermo já tinha uma forte participação em alguns dos meus rituais portenhos, como bater ponto na Papelera Palermo e na loja de decoração Calma Chica, de onde saí exultante por ter achado, finalmente, o assento para a minha poltrona butterfly — andei virando lojas do Rio, Salvador, Brasília e São Paulo, sem sucesso.

Na placa de rua, o protesto contra o golpe em Honduras, em 2009
Mas bom mesmo é tomar uma Quilmes gelada numa mesa de calçada, vendo o frenesi do bairro e colocando a leitura do Página 12 e do Olé em dia.

Para viver o clima de Palermo, basta percorrer qualquer uma das ruas Costa Rica, El Salvador ou Honduras, na direção Noroeste, a partir da Avenida Scalabrini Ortiz. Os bares, permanentemente lotados, ganham um certo ar Vila Madalena, à noite, e é impossível conseguir mesa nos restaurantes mais badalados sem reserva. Mas o astral é ótimo, a atmosfera é de pura vida acontecendo. 

Sem saudosismos-- até porque não combina-- Palermo lembra mesmo a Nova Iorque dos Anos 80.

As fachadas antiguinhas de Plermo são meu xodó
Dicas práticas
O bairro de Palermo é grande (15 km², o maior de Buenos Aires), o que acabou levando às subdivisões da área em “Palermo Chico”, “Palermo Holywood”, “Palermo Soho” e por aí vai. O “Soho” é a região mais fervida e tem como eixos as ruas Guatemala, Honduras e El Salvador e suas transversais. O coração desse trecho é a Praça Júlio Cortázar, ou Plaza Serrano.

Como chegar
As estações de metro que deixam você mais de cara para o gol são a Bulnes e a Scalabrin Ortiz, ambas na linha verde.

Estação Scalabrini Ortiz do metrô
Compras
Calma Chica
Calle Honduras 4909
Almofadas, tapetes, jogos americanos... Tudo que a gente precisa pra dar uma variadinha na decoração da casa. As capas para poltrona butterfly (im-pos-sí-veis de se achar no Brasil, desde que saíram do catálogo da Imaginarium) custam 190 Pesos (R$ 80), as de lona. As de couro custam 490 Pesos (R$ 205).

Papelera Palermo
Calle Honduras 4945
Já comentei aqui no blog minha devoção a essa papelaria. Desta vez eu peguei leve e comprei só dois bloquinhos de repórter e um álbum de fotos, daqueles que exigem cantoneiras para pregar as fotografias... (Atualização: a papelaria mudou de endereço. Veja neste post).


Onde comer/beber
É ou não é um bairro fofo?
Lelé de Troya 
Calle Costa Rica 4901
Taí um lugar bonito, com móveis antigos, velas e um certo ar de harém na decoração. O restaurante já me tinha sido bem recomendado, mas acabamos vindo parar aqui depois de uma quase-maratona de bares, na noite de sábado. O cuscuz marroquino estava ótimo e foi um bom contraponto aos hectolitros de dry martini. Farrinha para dois: 125 Pesos (R$ 54).

Freak
Calle Fitz Roy, 1715
Este restaurante também foi meio acidental. Tentei jantar, sem fazer reservas, no bem reputado Turandot, de cozinha húngara. Acabei alguns números adiante, na mesma rua, numa simpática mesa de calçada, à luz de velas, consolando-me com ravioli de salmão, que estava bom, embora o molho estivesse um pouquinho puxado demais no creme de leite. O cosmopolitan, em compensação, estava entre os melhores que já tomei. Jantar para uma pessoa: 72 Pesos Argentinos (R$ 30).

La Escondida
Calle Costa Rica 4464
É uma casa de parrilla, mas o ambiente elegante corre léguas das churrascarias. Entramos para jantar, mas me entusiasmei com o espumante Norton Brut a 71 Pesos a garrafa (R$ 30) e acabamos só beliscando empanadas. Farra para dois: 113 Pesos (R$ 43).

Caldén del Soho
Calle Honduras 4701
Eu já estava fazendo beicinho para a parrilla, depois de Montevidéu, mas não resisti ao cheiro do assado, após horas de caminhada por Palermo. O ojo de bife estava notável e as papas fritas restauraram meu apreço a esse acompanhamento, com o qual andava meio brigada desde a avalanche de batatinhas dos chivitos de Montevidéu. Almoço para uma pessoa: 97 pesos (R$ 40).

Monarca
Calle Malabia 1597
O hamburguer com abacaxi desta tradicional sanduicheria é simplesmente sublime  sou alérgica, mas adoro abacaxi. Esta foi uma das empolações mais compensadoras que já enfrentei. Sanduba e Coca Cola a 34 pesos (R$ 14).

Onde ficar
Hotel Bys Palermo
Falei dele em um post mais recente. É bonito, simpático, bem localizado e tem ótimos preços. Passa lá pra ver:
Como aproveitar uma conexão: 14 horas em Buenos Aires

Hotel Costa Rica
Calle Costa Rica 4137/39
Detalhes da fachada do Hotel Costa Rica
Instalado em dois casarões antigos e muito bem restaurados, o hotel é bonito, charmoso e aposta tudo na integração entre os hóspedes, oferecendo uma sala de estar muito agradável, cheia de livros e sempre com boa música.

O terraço, no último andar, é perfeito para um cochilo ou para a leitura, quando o calor dá uma trégua. O problema são os quartos, absolutamente franciscanos e incompatíveis com as diárias cobradas aqui: cama, armário, banquinho para colocar a mala e luz de cabeceira. Só.

Para piorar, as janelas dão para o corredor. Enfim, é um belo hostel, com preço de hotelão. (E ainda tentaram me cobrar a mais do que o preço oferecido na ocasião da reserva, feita pelo booking.com). Diária: R$ 150, no quarto single, com banheiro.

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O verão de Buenos Aires


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