domingo, 24 de maio de 2015

MAR - Museu de Arte do Rio,
meu novo xodó na cidade

O terraço do MAR ,
com vista para as montanhas e a Ponte Rio Niterói 
Pra vocês verem como eu estava em dívida com o Rio, ainda não tinha tido oportunidade de conhecer o MAR – Museu de Arte do Rio, inaugurado em 2013, na Praça Mauá. Fui corrigir essa lacuna nesse mais recente fim de semana passado na cidade (14 a 17 de maio) e fiquei encantada. Vocês já sabem que eu me amarro em um projeto arquitetônico inventivo e o MAR foi paixão à primeira vista.

Por mais que eu tivesse visto fotos do lugar, dar de cara com o felicíssimo “casamento” entre os dois edifícios que compõem o museu é daquelas alegrias raras. Um dos prédios é o Palacete Dom João VI, de 1916, em estilo eclético (ou “bolo de noiva”), que chegou a ficar mais de 20 anos em estado de completo abandono, até o início das obras do MAR. E nele que funcionam as salas de exposição. O outro edifício é um velho terminal rodoviário de traços modernistas, onde funciona a Escola do Olhar. O projeto arquitetônico do museu interligou os dois edifícios por rampas e estendeu sobre os dois uma belíssima cobertura de concreto, de traçado ondulado como as ondas do mar — pairando lá no alto, a estrutura parece uma peça leve e esvoaçante.

Os dois edifícios unidos pela cobertura

O Palacete D. João VI e a praça Mauá.
A construção que você vê no píer, à direita,
é o Museu do Amanhã, com projeto de Santiago Calatrava 
O MAR evoca um dos meus museus preferidos no mundo, o Centro de Artes Reina Sofia, em Madri, exatamente nesse diálogo inteligente entre um edifício antigo e um prédio moderno. E eu simplesmente pirei com a arquitetura do museu carioca. Não satisfeita em encher os cartões de memória de três câmeras fotográficas com detalhes desse meu novo xodó, ainda não cansei de brincar com as imagens aqui no computador, adicionando efeitos e prolongando o namoro, como você pode ver pelas fotos deste post.

Fiquei doidinha por essa escadaria...


Mas nem só de projetos arquitetônicos vivem os bons museus e a boa notícia é esta: o “recheio” do MAR também é muito legal. Vi três exposições que estão em cartaz lá e super hiper recomendo. A primeira delas é Rio – Uma paixão francesa, seleção de fotografias que mostram a cidade desde o Século 19 até o presente, pelo olhar de pesos pesados como Marc Ferrez (1843-1923), pioneiro e cronista essencial da cidade no tempo do Império e no início da República, e o modernista José Oiticica Filho (1906-1964), um narrador privilegiado daquele Brasil imaginado por Niemeyer e sua turma.

As imagens dessa mostra pertencem a acervos importantíssimos, como o do Beaubourg de Paris (Centre Georges Pompidou), da Maison Européenne de la Photographie (MPE), Société Française de la Photographie e Musée Nièpce – vem daí a ideia de “paixão francesa" que dá nome à exposição. Linda e imperdível, a mostra fica em cartaz até 9 de agosto.



E por falar em fotografia, fiquei louca pelas imagens da exposição Kurt Klagsbrunn, um fotógrafo humanista no Rio (1940-1960). Gente, que fotógrafo espetacular!! Kalgsbrunn era austríaco e chegou ao Brasil em 1939, refugiado da perseguição nazista aos judeus. Para nossa absoluta felicidade, soube ter um olhar absolutamente terno, cúmplice e maravilhado pelo Rio de Janeiro.

Kurt Klagsbrunn trabalhou para uma série de publicações cariocas (a famosa Fon-Fon, entre elas) e para a Life americana, mas não se contentou em mostrar aquele Rio de Janeiro branco, turístico e badalado que atraía as estrelas de Hollywood para glamorosas temporadas no Copacabana Palace. Sua Leika passeou pela Lapa, pelos morros e pela zona portuária para mostrar uma cidade muito mais viva e plural. O resultado é apaixonante. Essa mostra também fica só até 9 de agosto, portanto corra pra ver!



A exposição Rio – Uma paixão francesa
Não bastasse tudo isso, ainda tem a exposição Tarsila e Mulheres Modernas no Rio, outro evento imperdível no MAR. Bastaria a seleção fantástica de obras de Tarsila do Amaral – depois de conhecer a tela Composição (Figura Só), de 1930, fiquei ainda mais fã da autora do quadro mais lindo jamais pintado, que é o Boi na Floresta, que faz parte do Museu de Arte Moderna da Bahia. 

Mas a mostra ainda tem muito mais. Tem Anita Malfatti (que pintora excepcional foi essa mulher!!), Lygia Clark, Djanira... Objetos, documentos, vídeos, fotografias e peças de vestuário completam a exposição, um painel sobre a trajetória das mulheres do Rio desde o momento em que começaram a sair por trás das gelosias onde o patriarcado as ocultava até os dias de hoje. Uma viagem deliciosa, que fica em cartaz até 20 de setembro.


Informações práticas
MAR - Museu de Arte do Rio - Praça Mauá nº 5, de terça a domingo, das 10h às 17 horas. Ingresso: R$ 8, com meia entrada para estudantes. Maiores de 60 anos não pagam e às terças feiras a entrada é gratuita para todos os visitantes.

Como chegar
O Centrão do Rio, especialmente a zona portuária, está bem tumultuado com as obras de revitalização para as Olimpíadas, portanto, evite dirigir até lá. As estações de metrô mais próximas são a Presidente Vargas (a 1.200 metros) e a Uruguaiana (a 1.000 metros). O táxi de Copacabana (Posto 5) até lá custou cerca de R$ 40. Pegamos um trânsito muito camarada, apesar de termos ido perto da hora do almoço, numa sexta-feira. 

O MAR tem um bicicletário e se você curte pedalar, pode ser uma boa pedida. Bolsas, mesmos as menores, precisam ser deixadas no guarda volumes.

No térreo do MAR, não deixe de ver o "Projeto Morrinho", iniciado na comunidade de Pereira da Silva, em Laranjeiras. Em 1997, Nelcirlan Souza de Oliveira, então com 14 anos, começou a a reproduzir o cenário da favela, com tijolos e outros materiais recicláveis
O MAR tem um café, no térreo do edifício modernista, e um restaurante, o Mauá, no terraço do sexto andar. Nós experimentamos o restaurante e as minhas impressões estão neste post.

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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Onde comer bem no Rio de Janeiro

O Forte de Copacabana tem essa vista
 e docinhos da Confeitaria Colombo
Vou contar um segredo pra vocês: minha dieta favorita, no Rio de Janeiro, é à base de Biscoitos Globo e limonada. Essa dupla é uma espécie de refeição ritual das praias cariocas, a cara daqueles verões escaldantes e irresistíveis, feitos sob encomenda para o mergulho nas águas frias do Arpoador. Mas nem eu me contento apenas com a degustação de biscoitos de polvilho à beira mar e fazia tempo que estava devendo um post exclusivo sobre dicas gastronômicas na cidade.

A oportunidade pintou neste último fim de semana, quando fui ao Rio ver o show dos velhinhos remanescentes do Buena Vista Social Club, com minha mãe e meu sobrinho Bruno, ótimo parceiro de aventuras gastronômicas. Aproveitei para experimentar alguns lugares novos e revisitar velhos favoritos, com o cuidado de anotar tudo bem direitinho e contar aqui pra vocês. Confira o que eu provei e aprovei:

domingo, 17 de maio de 2015

Brasília: passeio de barco no Lago Paranoá

Adoro a Ponte JK
Em Brasília a gente costuma dizer que o céu é o nosso mar. (Já falei aqui na Fragata que o céu de Brasília é maior, mais perto e mais bonito que qualquer outro que eu já tenha visto. parece que o Planalto Central nos coloca quase no mesmo andar do horizonte). Mas nem esse mar figurado aplaca a minha saudade do um mar molhado e mergulhável, essencial a quem nasceu na beira da praia. Essa falta quem supre é o Lago Paranoá, dono de um dos crepúsculos mais encantadores que conheço.

É por isso que fiquei super animada com a notícia do lançamento de um passeio chamado Lago Sunset Experience, promovido pela agência Experimente Brasília. A empresa foi uma das parceiras do #EncontroBSB, reunião de blogueiros de viagem que rolou na cidade, no último fim de semana de abril (saiba mais aqui) e convidou a todos nós, 34 blogs participantes, para dar uma volta no lago e testar a atração, que deve estar disponível ao público a partir de junho.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sicília: uma vertigem chamada Taormina

Taormina é uma sucessão de mirantes hipnóticos.
 Esse fica na Piazza IX Aprile, 
ou "Praça do Relógio"
Imagine a cena: uma cidade medieval pendurada sobre o mar azul cristalino e com vista permanente para um vulcão, o elegantíssimo Etna. Um horizonte recortado por montanhas altíssimas e, cá no chão, pertinho da gente, as fachadas de pedra cor de areia que, pra mim, vão ser pra sempre a cara da Sicília.

Perdi a conta das vezes em que Taormina me fez perder a fala, nos três dias em que estive lá. Da primeira cena paralisante você dificilmente vai poder desfrutar: eu vi a neve caindo na cidade, na minha primeira manhã por lá (a última manhã de 2014). Junte a surpresa diante de um fenômeno raríssimo naquelas latitudes com o enlevo de ver o mundo todo branquinho e você vai entender porque essa cidade vai sempre ocupar um lugar especial na minha memória.

domingo, 10 de maio de 2015

Resenha de hotel:
Itacaré Eco Resort, conforto pé na areia

Praia de São José
Itacaré pode ter muitos significados para um viajante. Pode ser agito, azaração, malhação diária nas muitas trilhas para as praias... O tipo de hospedagem que você escolhe, naquelas bandas, vai ser influir decisivamente no tipo de viagem que você vai fazer. A minha viagem era para desacelerar e me desconectar e, para isso, acho que acertei em cheio ao escolher o Itacaré Eco Resort, uma delícia de hotel cercado de mata, e silêncio, com instalações cinco estrelas e uma senhoríssima praia, literalmente na porta, a deliciosa São José.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Prainha e São José, dois paraísos em Itacaré


A Prainha é a véspera do dia da criação
Esse é bem aquele post que não precisa de muitas palavras. Descrever as praias de Itacaré é uma senhora perda de tempo. O que as fotos não mostram, o discurso também não consegue reproduzir — a temperatura perfeita da água, a massagem suave que a areia fininha faz nas solas dos pés e o canto ritmado e reconfortante das ondas quebrando na praia você vai ter que constatar pessoalmente.

Nos quatro dias que passei em Itacaré, no feriadão de Tiradentes, me esbaldei nas águas mornas da Praia de São José, onde estava hospedada, e aproveitei para ir conhecer a famosa Prainha, sempre muito bem cotada no ranking das mais bonitas do Brasil. Eu não conheço todas as praias do país, mas confira a foto que abre este post e me diga se os elogios são exagerados...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sossego e conforto:
Dicas para uma escapada a Itacaré

Itacaré: fala se não é o paraíso?
Tudo o que eu queria, no feriadão de Tiradentes (18 a 21 de abril), era me desconectar do mundo. Minhas viagens e passeios e diversões do dia a dia são sempre super urbanos, mas tem horas que é muito legal sumir do mapa e mergulhar na natureza. Minha fugidinha para o Pantanal, no Carnaval, foi deliciosa. Agora, porém, eu queria praia: pé na areia, cheiro de maresia e o barulhinho das palhas dos coqueiros, quando o vento começa a soprar do mar para a terra, no final da tarde.

O destino eleito foi Itacaré, o antigo reduto de surfistas que eu só tinha visto de passagem, em um dia perdido lá nos anos 70. O lugar virou uma espécie de meca pé-na-areia-chique, na última década. Tive quatro dias deliciosos, hospedada no meio de uma reserva de Mata Atlântica, com uma praia gostosíssima na porta e um riozinho de águas cristalinas para "tirar o sal". Meu pouso foi o Itacaré Eco Resort, na Praia de São José, que amei, recomendo e vou descrever com detalhes em outro post. Na minha escapada para o precioso de sossego, deu até para dormir escutando o barulho do mar.