domingo, 21 de setembro de 2014

Um passeio pela história da França
em quatro museus de Paris

Os jardins do Hôtel de Cluny são mais um encanto
 do Museu da Idade Média. Como a entrada é independente,
você não precisa pagar ingresso para mergulhar nesse sossego 
Uma cidade que tem o Louvre, com seus 14 quilômetros de corredores cobertos de maravilhas, talvez não precisasse de mais nenhuma instituição do tipo para ficar no topo da lista de destinos para quem gosta de museus. Mas Paris, abusada que só ela, esbanja opções bacanas nesse quesito, com uma imensa lista de museus de primeira linha que, menores e mais centrados em um tema (e, geralmente, mais vazios), permitem a contemplação mais prazerosa de acervos espetaculares.

Nesta passagem pela cidade, por exemplo, escolhi quarto museus com temas bem diversos, passando por quatro épocas e estilos artísticos fascinantes. O Museu Nacional da Idade Média, Les Invalides, o Museu D’Orsay e o Beaubourg me proporcionaram deliciosos mergulhos em seus acervos, que acabaram sendo também uma viagem por 500 anos de história. Vamos passear pela história da França?

A arquitetura do Hôtel de Cluny 
é tão linda quanto o acervo do museu
Para ver a Idade Média

O Museu de Cluny (Museu Nacional da Idade Média), é um queridinho desde minha primeira vista a Paris. Ele está instalado em um dos últimos palácios medievais ainda de pé na cidade, o lindo Hôtel de Cluny, construído sobre as ruínas de banhos romanos, no final do Século 15, como residência do então abade de Cluny, Jacques d'Amboise.

A sobrevivência do edifício é devida, em grande parte, à inspiração romântica que permeou a mentalidade do Século 19, quando a Idade Média foi cultuada como um tempo mítico, puro e heroico e um colecionador chamado Alexandre du Sommerard restaurou para morar e abrigar sua coleção de arte medieval. Esse foi o embrião do museu, que hoje reúne objetos sacros, tapeçarias, vitrais e esculturas trazidas de várias partes da França.

Tapeçaria da série A Dama e o Unicórnio
e peças sacras do Museu da Idade Média
O prazer da visita ao Museu de Cluny começa nos deliciosos jardins do antigo palácio, uma ilha de sossego muito verde encravada no Quartier Latin. Um trabalho muito cuidadoso resgatou o paisagismo medieval desse espaço, que é aberto ao público (a entrada é independente e não é preciso pagar ingresso). Em uma temporada mais longa que passei na cidade, gostava de bater o ponto lá, de manhã cedo, com meu copo de café, um croissant e um jornal. Até hoje, não conheci um jeito mais gostoso de começar o dia.

Mas nem só de jardins e arquitetura vive o Museu da Idade Média. O acervo também é maravilhoso. O carro chefe é a série de seis tapeçarias conhecidas como A Dama e o Unicórnio. Cinco delas são alegorias dos cinco sentidos, onde a presença do mítico unicórnio dá um toque onírico a cenas prosaicas, como a escolha de uma joia ou a mirada em um espelho. A sexta cena, chamada de À mon seul désir ("meu único desejo") é mais enigmática e suscita diversas interpretações. Para alguns, seria a expressão da renúncia terrenas. Para outros, seria a rendição às paixões. Pela sensualidade sutil que percebo nas imagens, eu fico com a segunda explicação.

A Dama e o Unicórnio:
uma alegoria sobre os cinco sentidos 
Uma peça de altar e alguns vitrais 
do acervo do Museu de Cluny

Para ver a história militar e a Era Napoleônica

Quando a gente pensa na França, lembra logo de arte, de gastronomia, moda, cinema e bem viver. Nem sempre foi assim, porém. Essa terra herdeira do Império de Carlos Magno viveu séculos de batalhas, cercos e conquistas. Conflitos como a Guerra dos Cem Anos (no qual Joana D'Arc surgiu como heroína da Nação Francesa) e as Guerras Napoleônicas marcaram profundamente a história do país e a memória dessas empreitadas pode ser vista em Les Invalides, um antigo albergue militar do Século 17.

O espaço hoje abriga o Museu do Exército (Musée de la Armée), a tumba de Napoleão e uma infinidade de estandartes conquistados em batalhas, que adornam a Catedral de Saint-Louis-des-Invalides.

A catedral de Saint-Louis-des-Invalides
Nas minhas visitas anteriores a Paris, eu tinha me contentando em admirar de longe a bela cúpula dourada da catedral e a longa esplanada que leva ao Hôtel des Invalides, em frente à Ponte Alexandre III. Desta vez, resolvi visitar os museus e adorei. O Museu do Exército tem uma coleção impressionante de armas, escudos e armaduras de diversas épocas (desde a Idade Média) e países, um rico painel histórico sobre as guerras travadas pela França.

O fosso e a portada que dá acesso
ao pátio interno de Les Invalides

Armadura do rei Francisco I e os estandartes
 conquistados em batalhas, na catedral
O conjunto arquitetônico de Les Invalides tem elementos dos séculos 17 ao 19. Sua construção foi determinada por Luís 14 para abrigar soldados mutilados nas guerras e também como um hospital (que ainda funciona em uma ala). A bela cúpula dourada que é uma das marcas da paisagem de Paris pertence à catedral e é sob ela que está a tumba de Napoleão, uma urna de mármore vermelho, que fica no no subsolo do edifício, onde fica a cripta com sepulturas de outros militares franceses.

Mesmo que você não goste de guerras (em também não!) e de história militar, Les Invalides rende uma visita muito interessante por um aspecto fundamental da história da França.

Essa cúpula dourada é parte essencial do horizonte de Paris


Para ver uma revolução nas artes

Se você me perguntar por que eu gosto tanto do Impressionismo, não vou ter palavras para explicar com exatidão toda a beleza que eu enxergo naquelas telas cheias de luz. E acho tudo tão bonito que até esqueço o quanto aquelas imagens um dia foram revolucionárias e transgressoras, rompendo com cânones que aprisionavam a pintura à obrigação de reproduzir o real — função que hoje a gente não cobra nem da fotografia. Não tem fila, nem muvuca nem barulho que me impeçam de bater ponto no Museu D'Orsay todas as vezes que vou a Paris para ver a maior e talvez a melhor coleção de obras impressionistas do palneta.

A bela estação de trem convertida
 em um museu imperdível
E o D'Orsay não brinca em serviço. Não bastasse o acervo (que não pode ser fotografado), o edifício onde está instalado o museu é um espetáculo à parte. A antiga Gare D'Orsay, às margens do Sena, é talvez a mais emblemática das estações de trem do alvorecer da Belle Èpoque, uma época de euforia com as inovações tecnológicas e das transformações cotidianas resultantes do uso em larga escala da máquina a vapor. Sou completamente encantada por seus relógios enormes (talvez a expressão de um "domínio sobre o tempo" que a cultura da época acreditava estar adquirindo?), os relevos em estuque de seu teto curvo e a delicada renda de ferro e vidro de sua cobertura.

A lanchonete, o restaurante e a muvuca
diante do Moulin de la Gallete, de Renoir
O tempo e a cidade:
ao longe, a Basílica de Sacre Coeur vista do Museu D'Orsay

Do acervo do D'Orsay é até difícil falar, de tão maravilhoso. O lugar é quase uma enciclopédia do Impressionismo — essa revolução que ousou pintar além do que os olhos veem, levando para a tela uma emoção que transborda e gruda pra sempre em quem a contempla. Lá estão Gaugin, Van Gogh, Monet, Manet, Lautrec, Renoir, Seurrat, Cézanne, Corrot, Courbet... A lista é enorme, e é essencial estar com os sentidos bem aguçados para descobrir nomes menos célebres, mas igualmente fantásticos, também representados lá. Ouso dizer que nada é mais parisiense, no melhor sentido da palavra, que o Museu D'Orsay — e não me pergunte qual a minha obra preferida, porque assim este post corre o risco de não ficar pronto nunca mais :)



Quando você for ao D'Orsay, reserve o dia inteiro para a visita (o museu tem um café, uma lanchonete e um restaurante — lindo, por sinal), para ver tudo com calma. E não deixe de conferir as salas dedicadas ao mobiliário e à arquitetura Art Nouveau, um espetáculo que acaba passando batido diante das maravilhas expostas lá, mas que, sozinhas, já renderiam um senhor museu.

Para ver o Modernismo

A maravilhosa arquitetura do Centro Georges Pompidou 
Sou uma fã descabelada das linhas do Centro Georges Pompidou, aquele edifício despudorado que desnuda suas entranhas ao público sem a menor cerimônia, na concepção high-tech dos arquitetos Richard Rogers e Renzo Piano. Inagurado em 1977, o colosso de vidro com toda a sua tubulação aparente faz uma senhora figura nas cercanias do Marais, um dos bairros mais antigos de Paris e, de quebra, tem uma vista linda para os horizontes da cidade.

Essa paixão pela arquitetura pós-moderna do Beaubourg sempre me fez negligenciar o belíssimo acervo de seu Museu Nacional de Arte Moderna, a maior coleção de toda a Europa. A exposição atualmente segue um roteiro que destaca as “Múltiplas Modernidades”, com cerca de 1.000 obras oriundas de todos os continentes, cobrindo um período que vai de 1905 a 1970.

Torres-Garcia no Pompidou

Pompidou, ou Beaubourg, como dizem os parisienses:
o prédio é tão legal que a gente corre o risco
 de negligenciar o acervo
Esse “Louvre da modernidade” abriga vários dos meus queridinhos, como Calder, Jesús Soto e Joaquín Torres-Garcia, além de muitos brasileiros espetaculares, como Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral (cujo quadro A Cuca aparece com destaque no folheto informativo da exposição permanente), Lazar Segall e Cândido Portinari. Pra você ter uma ideia: só de obras de Pablo Picasso, são “apenas” 185 obras na coleção, entre desenhos, pinturas e esculturas.

O Centre Pompidou abriga uma respeitada biblioteca pública, sessões de cinema, concertos e exposições temporárias (como a de Man Ray e Picabia, que estava em cartaz em agosto, e a de Martial Raysse, que ficou até este fim de semana) e tem um restaurante no sexto andar bem recomendado (com uma senhora vista para a cidade). Não vai ser por falta de atividades que você vai deixar de ir, né?
Olha Sacre Couer lá no horizonte...
A Praça Igor Stravinski, ao lado do Pompidou,
 com sua famosa fonte de esculturas
Endereços, preços e horários


O Jardim de Cluny

Museu de Cluny (Museu Nacional da Idade Média) - Place Paul Painlevé nº6 (Metrô Cluny-La Sorbonne). Das 9:15h às 17:45h, fecha às terças-feiras. A entrada custa €8, mas não é cobrada no primeiro domingo de cada mês. Menores de 26 anos também entram de graça. Um museu sensacional, onde você dificilmente enfrentará fila para entrar ou terá que se acotovelar com uma multidão nas salas de exposição. Vá, ame e não espalhe, que eu quero que ele continue assim :)

Les Invalides - Entradas pela Esplanade des Invalides (na altura do nº 129 da Rue de Grenelle - Metrô Varenne) e pela Place Vauban (Metrô Saint-François-Xavier). Entrada €9,50. O Museu do Exército pode ser visto das 10h às 18h, de abril a outubro. De novembro a março, fecha às 17h. As áreas externas do Hôtel National des Invalides são abertas ao público das 7:30h às 19 horas (no verão, até às 21h). O Museu do Exército é bem tranquilo de visitar, sem filas e sem multidões. A grande afluência é ao túmulo de Napoleão, mas não chega a assustar.

Museu D'Orsay - Quai D'Orsay. Entrada pela Rue de Lille nº 62 (Metrô Solférino. A Estação Musée D'Orsay do RER C está fechada para reformas). De terça a domingo, das 9:30h às 18h (às quintas, fecha 21:45h). Entrada €11. Permanentemente sitiado por uma fila quilométrica, este museu vale cada pisão no pé que você possa levar nas aglomerações diante das telas mais famosas. Respire fundo, abstraia a muvuca e cuidado pra não levitar.



Centre Georges Pompidou - Place Georges Pompidou ou Rue Renard (Metrô Rambuteau). Fecha às terças-feiras. O Museu Nacional de Arte Moderna e as exposições temporárias podem ser vistos das 11h às 21 horas. As galerias do primeiro e segundo andares fecham às 23 horas, nas quintas-feiras. O Atelier Brancusi é aberto ao público das 14h às 18 horas. O bilhete custa €13, mas se você quiser apenas admirar a vista de Paris, é possível pagar €3 para subir direto ao 6º andar, sem acesso ao acervo. O museu oferece diversas atividades, com entradas a preços variáveis. Acesse o site para mais informações. Nunca peguei fila para entrar, apesar de o museu ser bem concorrido. Os espaços amplos, porém, diluem a muvuca.

Joguinho de futebol na esplanada de Les Invalides

O Passe dos Museus de Paris
Se você conseguir se organizar para ver esses (ou outros) quatro museus em dois dias, já vale pensar em comprar o Paris Museum Pass, que dá acesso ilimitado e sem filas a 60 museus e monumentos da cidade e arredores (como o Louvre, o Arco do Triunfo, as Torres de Notre Dame e a Sainte Chapelle). Os preços são de €42 (para dois dias), €56 (quatro dias)69 (seis dias). Somadas, as entradas dos quatro museus citados neste post já empatam com o valor do passe de dois dias, com a vantagem de escapar da fila.

Eu, porém, jamais fui fã de maratonas museológicas. Não canso de repetir: muita informação visual, por mais linda que seja, satura o olhar. Chega uma hora em que a gente está percorrendo corredores cobertos de maravilhas apenas para cumprir tabela. Já usei o passe, na minha primeira vista a Paris, e gostei muito de não pegar fila. Como tinha apenas cinco dias para ver a cidade, essa comodidade foi fundamental para organizar minha programação. Hoje, prefiro ver um museu por dia, com toda a calma do mundo, e com tempo de sobra para "ruminar" as informações e encantamentos.

Nem a chuva arrefece a fila no Museu D"Orsay

Mais sobre esta viagem
25 dias na Europa - Roteiro: Paris, Bruxelas, Londres e as belezas da Irlanda

Paris – minhas dicas práticas
Comer bem em Paris: 15 lugares testados e aprovados

Paris na Fragata Surprise


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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Comer bem em Paris:
15 lugares testados e aprovados

Paris é uma festa para os 5 sentidos - mas vamos combinar
 que a visão e o paladar se esbaldam

É tão bom comer em Paris que até eu, indisciplinada de carteirinha, acabo levando super a sério as recomendações sobre as três refeições por dia — não que eu abandone os meus queridos beliscos e comida de rua, eu apenas acrescento a eles a religiosa observância dos horários do café da manhã, do almoço e do jantar.

Nesta viagem, ainda por cima, contei com um super parceiro para assuntos gastronômicos. Bruno pesquisou um monte de restaurantes antes da viagem, baixou vários aplicativos úteis e contribuiu muito para que tivéssemos muitas refeições memoráveis. Entre os lugares que experimentamos, alguns (poucos) eu já conhecia e quis repetir, muitos foram definidos a partir de consultas na internet e outros foram encontrados ao acaso.

Entre os aplicativos que usamos, recomendo o Yelp, uma mão na roda. Funciona de modo similar ao mais conhecido Foursquare, mas tem mais resenhas, com bastante informação. Listei aqui 15 lugares onde comemos bem em Paris. Os preços citados são sempre para a conta total (para duas pessoas), com os pratos e as bebidas. As estações de metrô indicadas são as mais próximas de cada restaurante, mas antes de ir pesquise o itinerário, pois, dependendo de onde você estiver, pode ser mais rápido chegar por outra estação das imediações. Veja o mapa no final do post.

Confira as nossas dicas:

domingo, 14 de setembro de 2014

Paris – minhas dicas práticas

A Place des Vosges é séria candidata
ao título de meu cantinho preferido em Paris

Se você leu o post anterior, já sabe que acabei de voltar de uma viagem de 25 dias pela Europa, que começou e terminou em Paris. Somados, foram sete lindos dias na cidade, que — clichê ou não —jamais é citada sem ao menos a sugestão de um suspiro acompanhando seu nome. Eu sou absolutamente louca por ela, mas fiquei oito anos sem aparecer por lá. Estava, portanto, ansiosa para rever cada lugar que fui reunindo, nas passagens anteriores, como “meus cantinhos” na capital francesa.

Mas essa visita não poderia ser como a minha última temporada parisiense. Em abril de 2006, fiquei três semanas na cidade numa batida que só posso descrever como “vagabundagem elegante”: tirando a visita a alguns museus, não fiz absolutamente nada que pudesse constar em uma lista de atividades turísticas. Li um bocado, cada dia em um café ou parque, fui muito ao cinema, ouvi muita música e acho que só via a Torre Eiffel quando pegava a linha 6 do Metrô e o trem atravessava o Sena rumo à Estação de Bir-Hakeim — seguramente o momento mais espetacular do transporte público mundial, mas que está fora de operação atualmente, em função de reformas.

Um dos meus ângulos favoritos da cidade:
a Pont de Notre Dame e as torres pontudas da Conciergerie

Culpa de Paris, que me inspira uma vontade louca de andar sem rumo (eles não inventaram o verbo flâner só por boniteza...) . Mas, desta vez, eu não estava viajando sozinha. Meus 25 dias europeus contaram com a divertida companhia de meu sobrinho Bruno, de 19 anos, estudante de Arquitetura e calouro no continente — que me fez descobrir que tão bom quanto ver Paris pela primeira vez é poder mostrá-la em primeira mão a alguém legal.

Enfim, tudo isso pra dizer que desta vez fiz quase todos os programas que fiquei devendo nas minhas vagabundagens anteriores, turistei pra valer e trouxe uma porção de informações aqui para o blog. Prometo muitos posts e muitas fotos. Por enquanto, fique com algumas dicas práticas pra já começar a preparar a sua viagem pra lá.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Roteiro:
Paris, Bruxelas, Londres
e as belezas da Irlanda

Tem coisa melhor que uma viagem
 que começa e termina em Paris?
Aperte o cinto, porque vem muita novidade por aí. Depois de 25 dias de férias, estou iniciando hoje a nova série de posts da Fragata sobre a deliciosa jornada pela Europa, em agosto. Foi uma viagem de reencontros e descobertas, que começou e terminou em Paris, que eu não visitava desde 2006. Depois vieram Bruxelas (com bate e volta a Bruges), Londres, Liverpool (as duas foram repeteco do ano passado, mas, ô, repeteco bacana!) e Dublin, de onde dei duas fugidinhas para ver a beleza impressionante de Carrick-a-Rede e do Giant’s Causeway, na Irlanda do Norte, e dos Cliffs of Moher.

sábado, 6 de setembro de 2014

Minas: fim de semana
em São João del Rei e Tiradentes

A igrejinha do Rosário dos Pretos, em Tiradentes.
Lá no fundo, a Matriz de Santo Antônio

Meu último fim de semana de julho foi uma delícia. Estive em São João del Rei e Tiradentes, no I Encontro de Inverno de Blogueiros de Viagem, organizado por Antonio Rômulo, do blog Retrip ViagensÉ sempre bacana encontrar pessoas que deliram com as mesmas coisas que eu e foi um prazer trocar informações, dicas e sonhos de viagens com integrantes da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem (RBBV).

Também assistimos duas palestras bem legais. Antonio Santos, do blog Trip e Aventuras, falou sobre Propriedade Intelectual e Claudia Beatriz Saleh, do Aprendiz de Viajante, falou sobre a profissionalização dos blogs e o uso das redes sociais para amplificar a divulgação do nosso conteúdo — quem pensa que blogueiro de viagens só viaja não tem ideia do quanto nós buscamos aprender para melhorar nossos blogs a cada dia...

O Solar dos Neves, no Centro Histórico de São João del Rei, pertence à família do presidente Tancredo Neves e é o edifício histórico mais conhecido da cidade
Centro Histórico de São João del Rei: que boa surpresa!
O resultado de todo esse intercâmbio (que é permanente, pois estamos sempre em contato nas redes), eu espero que se reflita cada vez mais nas páginas da Fragata. Mas sei que você, leitor, já está ávido para saber quais foram as dicas de viagem bacanas que eu trouxe de São João del Rei e Tiradentes. Então, sem mais delongas, vamos lá :)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

10 coisas que eu quero fazer
(de novo!) em Londres

Sou apaixonada por muuuuuitas cidades. 
Mas Londres é pra casar...

Quando este post for ao ar, eu estarei chegando em Londres (\o/). No ano passado, nesta mesma época, tive uma semana deliciosa na capital inglesa, mas acabei escrevendo muito pouco sobre ela, aqui no blog (culpa da eterna correria). Agora que estou voltando, fiz essa listinha dos meus programas preferidos por lá, torcendo pra repetir todos eles e descobrir muitos mais — e que a lista inspire a sua próxima viagem a essa cidade apaixonante. Confira:

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Madri: um passeio pelo Século de Ouro
(e todas as atrações são grátis!)


O coração da Madri dos Áustrias, a Plaza Mayor, foi concluída no Século 17. Aqui eram celebradas as conquistas e também eram realizados os autos de fé da Inquisição. A construção em amarelo é a Casa de la Panadería, que servia de camarote real
Houve um tempo em que Madri foi uma cidade "paradoxal, singular e irrepetível", como já disse o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte. Entre os séculos 16 e 17, ela foi o coração de um império onde o sol nunca se punha — talvez o símbolo maior da espoliação das Américas, é certo, mas também a expressão de um impulso épico que fez tanta gente a se lançar aos mares e ao desconhecido, que pariu uma safra (essa sim, irrepetível) com Cervantes, Lope, Quevedo, Molina e Calderón...

As marcas desse tempo ainda estão bem vivas no Centro antigo da cidade, uma região cheia de de lugares lindos, como a Plaza Mayor, a Colegiata de San Isidro (que já foi a catedral madrilenha), a Plaza de la Villa e o Palácio de Santa Cruz. E o melhor é que esse mergulho no Século de Ouro é quase sempre gratuito. As atrações ficam bem próximas umas das outras e rendem um ótimo roteiro a pé - você vai topar com algumas ladeiras, mas bem mansinhas.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A Mesquita de Córdoba

Parece jogo de espelhos...
Eu já estava no meu terceiro dia em Córdoba quando, finalmente, fui visitar a atração mais famosa da cidade. Tinha passado por ela um monte de vezes, dei voltas e voltas inteiras ao redor de seus muros, namorando cada detalhe de suas paredes e portais. Perdi a conta de quantas pausas fiz, sentada em alguma de suas soleiras ou em seu Patio de Naranjos, para descansar em silêncio. Fiz toda essa corte antes de entrar na Mesquita de Córdoba -- e quando entrei, tive uma visão do céu.

O interior da Mesquita parece um jogo de espelhos. Uma certeza da visão do infinito. A floresta de colunas que se repetem, em perfeita harmonia (embora elas não sejam todas iguais, já que foram retiradas de construções romanas e visigodas). A primeira coisa que vem à cabeça é como um espaço tão densamente preenchido de elementos decorativos, paredes e colunas consegue parecer tão amplo e tão leve. Realmente, tem algo de profundamente celestial nessa que foi a construção-símbolo da fé e do poder do reino de Al Andalus.

domingo, 20 de julho de 2014

Muito além da Mesquita:
6 motivos para amar Córdoba


Relíquias romanas e mouras, o fabuloso Alcázar, as ruas serpenteantes da Judería... Famosa por sua espetacular Mesquita, Córdoba tem muito mais a oferecer ao visitante. Vamos dar uma volta pela cidade e descobrir o encanto dos pátios andaluzes, que o povo desta cidade elevou à condição de obras de arte.