quinta-feira, 27 de julho de 2017

Buenos Aires: a memória boêmia dos
cafés, bares e confeitarias "notáveis"

Las Violetas, inaugurada em 1884
O que preserva a memória e o patrimônio de uma cidade não é formol, é o uso cotidiano, a integração à vida real. E Buenos Aires tem a encantadora teimosia de manter vivos seus bares, cafés e confeitarias históricos — que, naquelas bandas, representam muito mais do que lugares onde se toma um trago ou se faz um lanche, mas sim pontos de encontro de ideias, movimentos artísticos e políticos.

Não é raro encontrar em Buenos Aires estabelecimentos (acho que eu deveria dizer instituições) com mais de um século de existência e que persistem — vivos e nada cenográficos — fazendo parte da vida da cidade. Eu, é claro, me esbaldo nessa tradição a cada temporada portenha e sempre bato o ponto em lugares como o Bar Bitánico, Café Dorrego (que agora se chama “Café y Bar Plaza Dorrego”) e a Confeitaria Las Violetas.

Neste post você vai encontrar um roteirinho com seis desses lugares históricos. Siga o mapa e divirta-se.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Comer em Buenos Aires - novas aventuras


Medialunas, parrilla e empanadas. Para o mosaico ficar perfeito, só faltaram as milanesas, outro prato típico portenho que me mata

Buenos Aires sempre foi sinônimo de boa mesa. Uma das grandes atrações da capital argentina é sua vasta oferta de bons restaurantes, cafés, confeitarias, sorveterias e balcões anônimos onde se encontra desde a refeição ligeira — empanadas e medialunas puxando a fila — a pratos requintados. E a histórica vantagem das moedas brasileiras sobre o dinheiro dos hermanos torna a farra ainda mais apetitosa, já que os preços não costumam matar ninguém de susto.

Nesta temporada porteña, tinha feito planos mirabolantes para aproveitar a culinária local. Logo na primeira noite, porém, uma experiência muito ruim em um restaurante badalado (o italiano Piegari, na Recova, uma espécie de shopping center gastronômico, na Recoleta, onde o jantar resultou em uma intoxicação alimentar), me fez mudar a direção da minha exploração gustativa pela cidade.

Restaurante Puerta del Inca, em Montserrrat
Em vez dos medalhões afamados, resolvi experimentar casas mais simples, frequentadas pelos moradores locais no dia a dia. O resultado da minha experiência foi bem compensador: comidinha caseira, saborosa, sem frescura e a preços impressionantes, de tão acessíveis.

Antes de falar dos restaurantes, porém, deixa eu fazer um alerta: os cartões de crédito parecem estar meio fora de moda na cidade. Encontrei uma quantidade significativa de lugares — especialmente menores e mais simples — onde o pagamento é “solo em efectivo” (só em dinheiro vivo). Fique ligada, portanto, não custa perguntar antes de fazer o pedido se a casa aceita cartão.

Da uma olhada nos restaurantes que experimentei e curti nesta passagem por Buenos Aires:

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Um roteiro pela Roma Antiga

O Coliseu visto da subida para o Monte Palatino
Um dos grandes fascínios de Roma é a superposição de camadas históricas que desfilam para nós, à flor da terra, por onde quer que a gente ande. Basta caminhar uma quadra para topar com a Antiguidade animadamente dialogando com o Século 21, o Barroco de braços dados com o Renascimento virando a esquina e dando tchauzinho para a Idade Média do outro lado da rua.

São quase três mil anos de história, mas é inegável que meu primeiro impulso para ver a capital italiana foi seu passado de glórias como centro de um dos maiores impérios do Ocidente, a capital de metade do mundo por mais de meio milênio.

Quando andar pelas ruas de Roma, não esqueça de olhar para o alto. À esquerda, a Coluna de Marco Aurélio, erguida pelo imperador Cômodo para homenagear as vitórias do pai (que, dizem, ele envenenou). À direita, o Obelisco Montecitorio, do Século 6 a.C., pilhado por Augusto na guerra contra Cleópatra e Marco Antônio, no Egito
Para não me distrair com a superposição de eras que me fazem viajar pra frente para trás no encantador túnel do tempo que são as ruas romanas, montei um roteirinho bem disciplinado por alguns dos sítios mais importantes da Roma Antiga — da República e do Império para seguir na minha passagem mais recente por lá. Siga o mapa e vamos dar um pulinho no tempo dos césares:

quarta-feira, 12 de julho de 2017

5 passeios em Roma: receita de paixão

A Fontana di Trevi, uma das imagens mais marcantes de Roma

Música deste post: La Dolce Vita, Nino Rota

“Roma. Definitivamente, Roma”. É assim que a princesa vivida por Audrey Hepburn declara seu amor à cidade, na cena final de Roman Holiday (“A princesa e o plebeu”, de William Wyler, 1953), quebrando o protocolo que exigia dela, em visita de Estado a várias capitais da Europa, uma resposta anódina e diplomática.

Pois eu nem precisei andar de lambreta com Gregory Peck, como Audrey no filme, para cair de paixão por Roma. Menos de meia hora depois de tê-la visto pela primeira vez, em 2003, já tinha decidido era a cidade mais bonita do planeta — e olha que eu estava chegando de Paris.

Roma é um mundo de atrações. Das clássicas — Fontana de Trevi, Fórum, Coliseu — às menos badaladas, a cidade é quase inesgotável. Neste post eu listei cinco passeios que adoro e já repeti algumas vezes, em minhas passagens pela cidade.

Além da fonte imortalizada por Fellini (no filme A Doce Vida, de 1960), tem o pouco visitado e espetacular Museu Nacional Etrusco, do ladinho da Villa Borghese, os encantos pouco óbvios da região do Ghetto e o charme (com guloseimas) do Campo dei Fiori e da Piazza Navona.  Por fim, o mitológico Monte Palatino, onde a lenda diz que a cidade nasceu e onde nasceram e viveram imperadores.

Calce um sapato confortável e bora passear comigo.

domingo, 9 de julho de 2017

Florença - dicas práticas
Post índice

A vista mais linda de Florença, na Piazzale Michelangelo

O que fazer em Florença

Veja todos os posts com dicas de passeios em Florença aqui na Fragata

Museus: as galerias Uffizi e Accademia
Atrações gratuitas em Florença e em outras 18 cidades da Europa
O que fazer em Florença
A igreja de Dante e Beatrice
Os afrescos de Fra Angelico no Museu de San Marco
A igrejas de Santa Croce e Santa Maria Novella
Florença ao ar livre - passeios gratuitos
O Duomo (Catedral) e o Batistério
San Miniato, SS Annunziata e Ognisanti: 3 igrejas lindas com entrada grátis


Florença seduz pelas grandes atrações e pelos pequenos detalhes que a gente vai descobrindo ao acaso

Opções de bate e volta (fáceis e lindos)
Fiésole, um balcão sobre a Toscana
A adorável Luca

Cidades próximas que valem muito a esticada
San Gimignano
Siena



A Basílica de San Lorenzo, projetada por Bruneleschi para exaltar o esplendor da Família Médici


Homenagem a Dante Aliguieri em frente à Basílica de Santa Croce
Mapa de passeios, restaurantes e hospedagem

Neste mapa, organizei as principais dicas de Florença que você vai encontrar aqui na Fragata. Basta clicar no ícones e seguir os links para os posts.

Pra facilitar a visualização, os passeios e atrações estão marcados em bordô. Os bares e restaurantes estão em laranja. O hotel está em verde e a estação de trens em azul.




Não deixe de explorar as margens do Arno, que rendem passeios muito fotogênicos
Como chegar
Florença está a 270 km de Roma e a 300 km de Milão, as principais portas de entrada para quem voa do Brasil para a Itália (aeroportos de Fiumicino, na capital, e de Malpensa).

De trem – essa é a forma mais comum de chegar a Florença, pelo conforto, praticidade e oferta de horários. A viagem ferroviária de Roma até lá dura cerca de 1h30. As empresas Trenitalia e a Italo têm diversas frequências diárias entre as duas cidades (calcule algo como um trem de hora em hora).

Estação Ferroviária de Santa Maria Novella
Para facilitar sua vida, prefira embarcar em Termini ou na Estação Tiburtina, na capital italiana, e desembarcar em Santa Maria Novella, que fica no Centro Histórico de Florença. Também dá para embarcar direto do Aeroporto de Fiumicino para Florença

Ao comprar bilhete no site da Trenitalia, você verá opções de embarque em outras estações de Roma (Trastevere e Ostiense, por exemplo) e, dependendo de onde esteja hospedada, pode se sentir tentada a escolher um terminal mais próximo, mas isso vai lhe obrigar a uma baldeação em Termini.

Em Florença, há a opção de chegar pela estação de Campo di Marte, que fica a 3 km do Centro Histórico. A não ser que você vá se hospedar fora dessa área, não vale a pena.

Detalhe de um painel no saguão da Estação de Santa Maria Novella
Como sempre, o preço do bilhete varia de acordo com a antecedência da compra, mas prepare-se para gastar entre € 20 e € 30 (cada perna), viajando Trenitalia ou Italo.

De Milão (estação Milano Centrale) a Florença (Santa Maria Novella) a viagem dura entre 1h40 e 2 horas. Pesquisando agora no site da Trenitalia, encontrei bilhetes entre € 30 e € 50 para viajar neste mês de julho e a partir de € 27 para viajar em outubro (antecedência de três meses).

Na Italo, os bilhetes estão na faixa dos € 23 (cada perna) para a semana que vem. Comprando ida e volta, cada trecho fica em € 11,90 na categoria low cost.


Desembarque em Florença. Ao fundo, a Basílica de Santa Maria Novella e o escritório de turismo  (onde está o outdoor com o número 1), onde vale dar uma passada para pegar um mapa da cidade e a lista de atrações da cidade, com horários de funcionamento e preços
De carro – o trajeto mais comum, tanto para quem vem de Milão ou de Roma, é pela Autostrada del Sole, a mais longa e mais importante da Itália, que liga Nápoles a Milão. A rodovia é pedagiada, bem conservada e bem dotada de serviços.

De avião – Se a ideia é fazer uma viagem apenas a Florença, você pode optar por voar do Brasil até a cidade, com conexão em Fiumicino (Roma) ou Malpensa (Milão), ou de cidades europeias como Barcelona, Londres (Gatwick), Madrid, Paris.

Detalhe do teto do Batistério de San Giovanni, uma das atrações imperdíveis de Florença
O Aeroporto Amerigo Vespucci (homenagem ao navegador florentino que deu o nome ao Novo Mundo) fica em Peretola, na região metropolitana de Florença, a cerca de 4 km do Centro Histórico. Está conectado à Estação Ferroviária de Santa Maria Novella por uma linha de ônibus, com partidas a cada 20 minutos.

No site oficial do aeroporto tem todas as dicas (em inglês) de como se locomover de lá até o Centro de Florença.

Afrescos na Sacristia da Basílica de Santa Croce

De ônibus – se você não estiver com o tempo apertado e quiser economizar, pode considerar a alternativa de chegar a Florença de ônibus. A viagem de Roma até lá dura entre 3h a 3h45, e você pode escolher a partida da Estação Tiburtina ou mesmo do Aeroporto de Fiumicino. 

Várias companhias fazem o percurso (veja Flixbus, Baltour e Leonetti Bus) . A chegada é na Stazione Novella, um cantinho da estação de trens em frente à Fortaleza da Basso (Pizzale Montelungo). Os bilhetes custam a partir de € 9,90.

Trecho preservado da muralha de Florença, em Oltrarno
Como circular

O melhor jeito de se deslocar em Florença é a pé. O Centro Histórico é bastante compacto (repare no mapinha do início do post) e tem muitas ruas fechadas ao trânsito de veículos. Nas três visitas que fiz à cidade, só usei transporte motorizado dentro de Florença para ir à Piazzale Michelangelo (porque a fumante aqui sempre evita as subidas).

Mesmo as distâncias mais compridinhas serão sempre passeios deliciosos e grandes oportunidades para descobrir os detalhes que fazem de Florença um conjunto apaixonante. E não esqueça do que dizem os italianos: piano piano se va lontano (devagar se vai ao longe).

Preste atenção aos detalhes nas fachadas florentinas
Onde se hospedar

Já me hospedei fora do Centro Histórico, em um Bed&Breakfast nas imediações da Piazza della Libertà (alternativa bem barata, mas com alguns perrengues), no Centro Histórico (pensãozinha na Via del Sole) e, desta vez, bem em frente à Estação de Santa Maria Novella, onde ficam alguns hotéis mais “contemporâneos”.

Gostei muito desta terceira opção, pois os preços são pagáveis, a localização deixa a gente de cara para o gol de tudo que tem de mais bacana na cidade e a hospedagem tinha todos os confortos (elevador, chuveiro que esquenta de verdade, portaria 24 horas, etc).

Veja como foi a experiência neste post: Onde se hospedar em Florença

As capelas Castellani e Médici, na Basílica de Santa Croce
Quanto tempo

Arrisco dizer que Florença é praticamente inesgotável. A cidade é linda no conjunto e arrebatadora nos detalhes. Não adianta, portanto, entrar na pilha de querer “ver tudo” em uma primeira visita. Mas, se você quiser chegar e partir com o coração tranquilo, reserve quatro dias para conhecer as principais atrações — e saiba que você vai querer muito voltar.

As torres do Palazzo Vecchio e do Campanário do Duomo vistas de Oltrarno
Na primeira vez em Florença, passei apenas dois dias lá e fui embora com dor no coração por ter visto tão pouco. Aprendi a lição. Quando voltei, fiquei cinco noites e aproveitei muito mais, sem a culpa de estar deixando de lado muitas maravilhas por falta de tempo.

Em janeiro deste ano (2017), fiz minha terceira visita a Florença. Fiquei seis noites na cidade, com um bate e volta à belíssima Luca, a 80 km de distância. Acho que ainda cabem muitos retornos à capital da Renascença.


Quando ir
Já vi Florença no comecinho da primavera, no auge do outono e no inverno. Amei as três experiências, apesar do frio. A Toscana é especialmente bela no outono e essa estação rende lindos passeios pela região — além de ser baixa estação e os preços estarem melhores.


Minhas duas primeiras visitas a Florença foram fora da alta temporada (uma em um mês de abril, a outra em no mês de novembro). Mesmo assim, a cidade estava cheia, especialmente no fim de semana que passei lá. Desta vez, peguei altíssima temporada, os feriados entre o Ano Novo e o Dia de Reis (data celebradíssima pelos florentinos) e topei com multidões.

Não acredito que haja uma temporada em Florença que permita a sensação de que você tem a cidade só pra você. Mas evite feriados e as férias europeias (julho/agosto) se quiser encontrar as filas menores e os preços menos alucinados.


O emblema da poderosa Família Pucci em um palácio de Florença. O brasão é facilmente reconhecível pela cabeça de mouro. O famoso estilista Emiliano Pucci é descendente desse clã


Comer em Florença
A culinária da Toscana é uma perdição e comer em Florença é uma experiência tão gratificante quanto admirar o patrimônio da cidade. A cidade de tem opções de restaurantes para todos os bolsos, mas quanto mais longe do miolinho hiper concorrido (o eixo Piazza Duomo-Piazza della Signoria), maiores as suas chances de encontrar restaurantes legais com preços decentes.

Minhas dicas de pratos toscanos imperdíveis e de lugares legais para experimentá-los estão neste post: Onde comer — e o que comer em Florença

Detalhe da fachada do Hospital dos Inocentes, um antigo orfanato na Piazza della Santissima Annunziata
Preços

Sonho de consumo da esmagadora maioria dos turistas do mundo, Florença não teria como ser uma cidade barata. Para se hospedar em hotéis minimamente decentes, visitar as principais atrações e aproveitar a culinária local, calcule gastar pelo menos entre € 120 e € 150 por dia, se estiver viajando sozinha.

Detalhe de um edifício na Via Ricasoli, no meu caminho para a Accademia

Desconfie de hotéis ou pensões que cobrem menos de € 70 de diária (e, se forem muito perto das atrações, mesmo as mais caras podem ser uma roubada), prepare-se para gastar na casa dos € 15 em uma refeição simples e para pagar ingresso na maioria das atrações.

Claro que dá para se virar mais barato por lá (ficar em um quarto compartilhado de um hostel, preparar sua própria comida, etc), se esse for seu jeito de viajar.

O que eu posso dizer é que Florença é um investimento que vale a pena. Todos os posts aqui do blog trazem os preços de hotéis, atrações, restaurantes e passeios, pra ajudar no seu planejamento.

Imagem do duque Cosimo de Medici em uma palácio da Piazza della Signoria

A Itália na Fragata Surprise
Campânia: HerculanoNápoles e Pompeia
Costa Amalfitana: AmalfiRavello e Sorrento
Emília-Romanha: Bolonha e Ravena
Sicília: AgrigentoCastelmolaPalermo e Taormina
Toscana: FiésoleFlorençaLucaSan Gimignano e Siena
Vêneto: Burano e Veneza

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Igrejas de Florença:
Santa Croce e Santa Maria Novella

A Capela Baroncelli, na Basílica de Santa Croce, decorada com afrescos de Taddeo Gaddi
As atrações de Florença são inesgotáveis – e isso deixa a gente tonta na hora de montar um roteiro na cidade. Mas, se eu puder dar um conselho, tem duas igrejas que você deve colocar no topo de sua lista. Duas basílicas, para ser exata: Santa Croce e Santa Maria Novella.

Crucifixo de Giotto na Basílica de Santa Maria Novella
Elas botam no chinelo uma tonelada de museus deste planeta. Estão recheadas de beleza, obras de arte inestimáveis e têm muita história pra contar. Com esse currículo, as três cobram ingresso — ao contrário, por exemplo, as igrejas de Roma, que equivalem ao museus e costumam ser gratuitas. Mas garanto a você que esses uns eurinhos muito bem gastos.

Veja as informações para visitar as igrejas de Santa Croce, Santa Maria Novella e San Lorenzo: