terça-feira, 3 de março de 2015

Celebração entre amigos:
como foi o show de Ringo no Rio

Dear old Richie...

Sim, eu adoro montinhos de pedras milenares, claustros medievais, muralhas com ameias, museus cheios de quadros luminosos e histórias do mar. Mas as viagens mais solares e são as que me levam pra perto da adolescência, aquela época em que a vida ainda era feita de pelo menos oito milhões de possibilidades. Na última sexta-feira (27/02) foi assim: eu estava no Rio de Janeiro, assistindo o show de Ringo.

Pra quem já viu Paul McCartney ao vivo quatro vezes — é, eu sei, sou uma sortuda :) —, era um absurdo nunca ter assistido um show do dear old Richie, meu Beatle favorito (junto com os outros três, rss). Mas Ringo é um fofo e nem me puxou as orelhas. Pelo contrário, fez uma apresentação adorável, junto com sua All-Starr Band, uma fórmula super simpática de reunir velhos roqueiros em clima de confraternização.

Esqueça as bobagens que você andou lendo na imprensa sobre o show de Ringo. O que mais a gente pode querer do que ver um ídolo inteiraço no palco, acompanhado por uma banda muito competente, cantando um repertório de clássicos inesquecíveis? Essa formação da All-Starr Band pode não ser uma constelação tão reluzente quanto algumas anteriores, mas segura a onda com garbo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Comer na Irlanda:
Lugares que experimentei e curti

Cliffs of Moher:
a Irlanda cativa o olhar, mas o paladar também não reclama
Se eu lhe disser que a Irlanda é um "país gourmet", nunca mais vou poder colocar a minha mão na Boca da Verdade, que citei no post anterior. Não faço ideia de como era a culinária das populações originais da Ilha Esmeralda, mas os séculos de domínio britânico parecem ter contaminado irremediavelmente a mesa irlandesa com a mesma... digamos, falta de ímpeto que caracteriza a comida inglesa — não me entenda mal, já tive experiências gustativas sublimes na Inglaterra, mas, tirando o hambúrguer de pub, foi sempre graças às artes dos muitos povos que enviaram representantes para lá.

Mas voltando à cozinha da Irlanda, não dá para dizer que a experiência gastronômica seja o principal motivo para você visitar esse país lindíssimo. Mas confesso que até me surpreendi com os sabores da terra. Os pratos simples, rústicos e com inescapável jeitão de comida de avó acabam combinando bem com aquele clima chuvoso, uma espécie de soul food que parece ter sido pensado para ser saboreado diante de uma lareira, meio enroscada em uma manta e cercada de velhos amigos.


Cottage Pie, simples e deliciosa
Esse post demorou um bocadinho pra sair, atropelado pela viagem à Sicília, que logo mais voltará a entrar em cartaz, aqui no blog. Por enquanto, veja como foram nossas experiências culinárias na Irlanda.

Logo no meu primeiro almoço em Dublin, descobri um prato do qual fiquei fã incondicional, a Cottage Pie, versão irlandesa (e inglesa, também), do escondidinho de carne moída, uma torta saborosa, com massa de batatas. Simples e dos deuses. Outros pratos que curti foram os Beef Stew, ensopados de carne, muitas vezes com molho de cerveja preta e alguns hambúrgueres capazes de me fazer parar de suspirar de saudade pelos servidos nos pubs de Londres (você já deve ter percebido que eu sou fã, né?)

Veja os lugares que aprovamos nessa nossa passagem pela Irlanda: 

The Bank, um bar bonitão do ladinho de Trinity College
Em Dublin

The Bank on College Green
 

College Green 20, Centro. De segunda a quinta, das 11h à meia noite e meia. às sextas e sábados, fecha à 1:30h. Aos domingos, serve brunch e fecha à meia noite.

Seafood Chowder
Do ladinho de Trinity College, esse bar bonitão funciona em uma antiga sede de banco (daí o nome) com uma vistosa decoração Belle Époque.

Tem uma trilha sonora interessante e cardápio tradicional. Foi lá o nosso primeiro almoço em Dublin.

Pedimos a Seafood Chowder (sopa cremosa de mariscos), que estava muito saborosa, e a Cottage Pie. 

Com bebidas, nossa conta ficou em cerca de €17 por cabeça.

GBK (Gourmet Burger Kitchen)
5 South Anne Street, Centro.

Essa hamburgueria faz parte de uma cadeia inglesa e é uma ótima pedida para uma refeição despretensiosa em uma pausa nas visitas às atrações do Centro de Dublin. O atendimento é simpático, os hambúrgueres são generosos e muito saborosos. Eu pedi o Cheddar Burger, Bruno pediu o The Mighty, que era ligeiramente gigantesco. Com as indefectíveis batatinhas fritas para acompanhar e Coca-Cola, pagamos €15 cada um.

O'Shea's, tradicional, mas distante
da área mais muvucada de Temple Bar
12 Bridge Street Low

Escolhi esse pub às margens do Liffey porque fica em um trecho mais afastado do núcleo fervente de Temple Bar (onde é ótimo beber, mas é sempre muito barulhento para uma refeição sossegada). Tem uma carona bem tradicional e jeitão de "bar da vizinhança". Pedi o Lamb Stew (ensopado de carneiro) com purê de batata, que estava gostosinho. Bruno foi de Fish&Chips que, segundo ele, estava "corretos". Mais um lugar para gastar €15 por cabeça, com bebidas. 

KC Peaches, comidinha orgânica e saborosa no Centro de Dublin
KC Peaches

Nassau Street 28, Centro. Nos dias de semana, funciona das 8h às 20h. Aos sábados, das 9h às 19h e aos domingos das 11h às 19. Tem mais três casas no Centro. Para ver os endereços e horários das filiais de St Stephen's Green, Dame Street e Pearse Street consulte o site.

Quando a gente cansa da dieta dublinense de carne e batata, nada melhor do que uma boa salada ou uma comidinha integral como as servidas nesse café e wine bar bem descoladinho e simpático.

Bom lugar para um lanche no meio da tarde (tem umas tortas bem gostosas) ou para uma refeição leve. O combinado de sopa e sanduíche cai muito bem com a chuva. Prepare-se para gastar €10, ou até menos.

O bar do L'Orangerie, no hotel St Helen's
L'Onrangerie, no St.Helen's Radisson Blu
Stillorgan Road, Blackrock County. Diariamente, das 7h às 23 horas. O chá da tarde é servido entre 14h e 18 horas.

Lasanha de pato
Já contei pra vocês sobre o hotel lindão onde me hospedei em Dublin. O Saint Helen's é uma antiga casa senhorial de um visconde e hoje é administrado pela rede Radisson.

O que não contei é que ele tem três restaurantes bem reputados, o Le Panto, o Talavera, de cozinha italiana (o nome espanhol é homenagem à batalha travada durante as guerras napoleônicas. O tal  visconde é considerado um herói desse combate) e o L'Orangerie, meio bar, meio lounge, que funciona na antiga estufa/jardim de inverno da propriedade.

Além de muito bonito, com uma vista espetacular para os belos jardins, e com um astral bem relaxado, a comida do L'Orangerie é ótima. Jantamos lá duas noites e gostei muito de tudo que experimentei.

Meu prato favorito foi a lasanha de pato, mas também adorei o cuscuz com camarões. Bruno elogiou muito o hambúrguer. Refeições para duas pessoas na casa dos €30 (15 por cabeça), com refrigerantes.

Em Doolin 

Doolin é um vilarejo à beira-mar, com vista para os Cliffs of Moher. Apesar de pequenininho, é um famoso centro de música tradicional irlandesa

Hambúrguer e Beef Stew
Gus O'Connor's Pub
Clare Coast, Doolin, condado de Clare

Paramos em Doolin para almoçar, no dia da visita aos Cliffs of MoherO vilarejo é pequeninho, pouco mais que uma rua, mas é famoso em toda a Irlanda como um centro de música tradicional irlandesa que atrai muitos visitantes para seus festivais.

Não satisfeito o lugarzinho tem uma vista para os penhascos que é de sair flutuando.

Apesar de termos sido levados ao Gus O'Connor's Pub pela excursão que pegamos para os Cliffs, o lugar me surpreendeu. Já estava esperando aquela comidinha qualquer nota de lugares pega-turistas, mas tanto a entrada ( Seafood Chowder de novo!!) quanto os pratos estavam bem saborosos.

Eu fui de Beef Stew no molho de Guiness, a famosa cerveja preta irlandesa, um prato gigantesco que, acredito, daria para duas pessoas facinho. Bruno atacou um hambúrguer caseiro e também gostou bastante. Com as bebidas, nossa conta ficou em €20 por cabeça.

Em Limerick

Chocolate com um scone recém saído do forno,
na Tea House do Bunratty Castle
The Tea Room
Bunratty Castle Folk Park

Quando você for visitar o Bunratty Castle, não pode deixar de fazer uma pausa no Tea Room do Folk Park para tomar um chocolate quente acompanhado de scones recém saídos do forno, os melhores que já provei na vida!. (O scone é um tipo de pão de origem escocesa, que não tem fermento biológico no preparo. Também, é chamado de chamado de quick bread ou "pão rápido").

Já falei sobre o Folk Park aqui no blog, o vilarejo reconstruído em torno do castelo e da casa senhorial de Bunratty e que reproduz uma aldeia irlandesa do século 19. O Tea Room é um dos muitos estabelecimentos recriados no parque. As crianças adoram
Em Dun Laoghaire


O píer de Dun Laoghaire: a cidade é um refúgio
 à beira mar do ladinho de Dublin

Real Gourmet Burger

Unit 5, The Pavilion, Marine Road, Dun Laoghaire.

Pense num hambúrguer de responsa...
A 12 km do centro de Dublin, Dun Laoghaire (pronuncia-se "dan liiri") parece um bairro praieiro da capital irlandesa, com jeitão sossegado, calçadões à beira mar, pios de gaivotas, veleiros e um farol que parece ter saído de uma estampa antiga. Já não restam vestígios do antigo forte (dún) celta que dá o nome à povoação e a cidade que vemos hoje floresceu a partir do Século 19, com a construção de um porto. Um bom lugar para aproveitar um (raro) dia de sol.

Fomos até lá para aproveitar a manhã de domingo e acabamos descobrindo um hambúrguer inesquecível, forte candidato ao melhor que já provei na vida. O Real Gourmet Burguer funciona em um centro comercial que fica bem em frente ao píer, uma casa pequena e que corre o risco de passar batida (teria passado, não fosse o aplicativo Yelp). Sinceramente? Vale dar uma esticada de Dublin até Dun Laoghaire só para provar o hambúrguer. Com batatas fritas e refrigerantes, almoçamos por €15.

Como chegar a Dun Laoghaire: se você está no centro de Dublin, o jeito mais fácil é pegar o DART (trem metropolitano) na estação de Connolly Street, uma viagem de cerca de 30 minutos. Se o dia estiver bonito, considere pegar um barco e descer o Rio Liffey até a Baía de Dublin. Os cruzeiros partem de
Sir John Rogerson’s Quay, ao lado da ponte Samuel Beckett. O bilhete só de ida custa €22. A passagem de ida e volta custa €28.
Mais sobre esta viagem
Liverpool
Dublin
Cliffs of Moher
Giant's Causeway




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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Roma: a Boca da Verdade

Momento raro: a Boca da Verdade sem fila 
Já contei a vocês que na mais recente passagem por Roma, no início de janeiro, saí para um longo passeio de reencontro com a cidade, sem um roteiro pré-definido, decidida a caminhar por onde desse vontade. Um lugar, porém, já estava na minha lista, desde que embarquei em Salvador para essa viagem: a Basílica de Santa Maria in Cosmedin, famoso pouso de uma máscara de origem romana conhecida como a Boca da Verdade.

Não que eu estivesse precisando aferir meu grau de sinceridade — até porque eu estava viajando sozinha, sem testemunhas, rsss — , mas porque eu curto demais a velha igreja do Século 7, belo exemplo da arquitetura românica, com toques bizantinos, abrigo de afrescos encantadores.

Álbum de figurinhas: os bichos do Pantanal

O biguá ou mergulhão é um exímio pescador
Vivo dizendo, aqui na Fragata, que relevo é fundamental para embelezar uma paisagem — e me contradizendo, claro, porque Brasília tá aí, para mostrar que a ausência de sobe e desce não reduz em nada a beleza de um lugar.

Pois não se já bastasse a minha (atual) cidade, lá vem o Pantanal pra me deixar boba com seus muitos encantos esparramados pelos 250 mil km² de planície, no coração do Brasil. Aliás, o relevo achatado é exatamente o grande responsável pelo encanto da região, já que na falta de grandes declives para escorrer, as águas se espalham formando os alagadiços que abrigam uma profusão de espécies de plantas e animais. E é impossível ficar imune à maravilha dessa diversidade. Nem urbanoides como eu resistem a tantos bichinhos fofos.

As andorinhas ensaiam o Samba de Uma Nota Só...
Eu tinha visitado o Pantanal meio na correria, lá se vai quase um quarto de século, mas o pouco tempo já tinha sido suficiente para me deixar impressionada com a beleza da região. Desta vez, resolvi fazer uma imersão, com o perdão do trocadilho (risos) de cinco dias por lá, sonhando com o sossego à beira da piscina, livrinhos e eventuais incursões para ver a bicharada. Pois os livros ficaram quase intocados e acho que nunca apertei tanto os botõezinhos das minhas (três!!) câmeras fotográficas como nessa viagem.

... e a capivara banca a Esther Williams nas águas do Rio Pixaim
Mesmo quando eu guardava o equipamento, decidida a ficar na piscina só com o nariz pra fora d’água (santo remédio para calor e mosquitos), os bichos pantaneiros vinham puxar as minhas orelhas, como a curicaca que pousou no coqueiro que sombreava o meu cantinho nas águas mornas e cantou até que eu reassumisse a minha porção dominante nesses feriados de Carnaval, que era a de paparazza de aves, jacarés, capivaras e até veados pantaneiros, animais ameaçados de extinção, mas que resolveram sair da toca e desfilar para as câmeras do blog. A única que fez forfait foi dona onça, a figurinha que ficou faltando para completar o meu álbum. :)

Confira só as coisas lindas que você vai ver no Pantanal. Por enquanto, prepare a barra de rolagem, pois esse post está comprido, de tantas fotos. ;)

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Pantanal para urbanoides - dicas práticas

De dezembro a maio é tempo das cheias do Pantanal.
Não é a melhor época para ver a fauna,
mas a paisagem é belíssima
O encanto das garças pantaneiras
Desde que me entendo por gente, sou uma tremenda urbanoide, com raras e especialíssimas incursões na natureza. Mesmo em viagens, digamos, mais rústicas, o que me interessa é sempre a cultura local, a história, o povo. Nesta pausa de Carnaval, embarquei em uma programação bem diferente das que vocês estão acostumados a ver aqui na Fragata.

Depois de 24 anos, cá estou eu de volta ao Pantanal, bem longe das cidades (a melhor invenção da raça humana), cercada de mata, silêncio e bicharada.

Minha primeira passagem por aqui foi bem corrida (a memória mais forte que ficou foi a festa do Cururu, em Poconé, tradição de origem indígena que marca o Dia de São Pedro) e fazia tempo que eu queria voltar.

Fevereiro, ainda em plena época das cheias, não é a melhor temporada para ver a rica fauna da região, mas não posso me queixar: tirando as onças, topei cara a cara com as principais estrelas pantaneiras: jacarés, capivaras, tuiuiús, gaviões, carcarás, iguanas, curicacas, garças e veados pantaneiros, além de uma infinidade de passarinhos, posaram para as câmeras do blog.

O Pantanal tem umas plantinhas danadas de fotogênicas
Esta estadia só confirmou o que eu já intuía: o Pantanal é um fantástico patrimônio dos brasileiros que todos nós merecemos ver ao menos uma vez na vida. Enquanto a melhor época para as visitas não chega, confira as dicas e vá se organizando. Na alta estação, a região recebe muitos turistas (estrangeiros às pencas) e é bom preparar tudo com antecedência. Que sorte a sua que a Fragata foi antes, né? :)