domingo, 30 de agosto de 2015

Fernando de Noronha:
Os passeios clássicos

Os dois irmãos, logomarca da ilha, vistos do mirante
que os locais apelidaram de "Ai, que lindo", ponto de parada do IlhaTour. A prainha lá em baixo é a Baía dos Porcos
Fernando de Noronha tem muita coisa linda pra ver. São cerca de 20 praias, mirantes de perder a conta, points incríveis para mergulhar, camarotes inacreditáveis para o pôr do sol, fortes em ruínas, um centrinho histórico interessante... Com uma semana e boa disposição, dá pra se esbaldar, sem repetir programa.

As agências locais oferecem alguns roteiros "clássicos" que muitos visitantes se sentem na obrigação de fazer. Eu não curto o esquema de tour, mas fiz três deles, para testar (tão vendo como eu me esforço por esta Fragata?). Veja como são e o que eu achei do IlhaTour, do passeio de barco pelo Mar de Dentro e do mergulho a reboque com o plana-sub.

Mirante do Sancho: sem trocadilho, é o ponto alto do IlhaTour
. IlhaTour
Como é: Esse passeio é uma espécie de "cardápio" de Noronha, uma apresentação panorâmica dos encantos da ilha. A recomendação é fazer essa versão praieira do city tour logo na chegada, para ter uma ideia geral  e definir uma agenda de atividades para os dias seguintes. É preciso ter o ingresso do Parque Nacional para visitar vários pontos do roteiro

É feito em veículos tipo pick-up. Os grupos costumam ter até oito passageiros, mais o guia/motorista. Uma parte dos passageiros viaja na cabine e a outra em bancos adaptados na caçamba da caminhonete. O carro recolhe os participantes nas pousadas, a partir das 8 horas, e os trás de volta, no final do dia.

A Praia do Leão, no Mar de Fora, tem ondas fortes
e exige cuidados dos banhistas. O Ilhatour passa
pelo mirante na falésia sobre a praia
Tem uma parada para o almoço, não incluído no preço do passeio. Leve dinheiro vivo, pois geralmente os restaurantes escolhidos pelos guias são estabelecimentos mais simples, fora da Vila dos Remédios, e não aceitam cartão de crédito.

Achei interessante, mas não indispensável. Com um bugre ou de táxi você pode fazer o mesmo roteiro, no seu ritmo, dividindo a programação em vários dias e ficando ficando o tempo que quiser em cada lugar. Se sua viagem até Noronha for tão puxada quanto a minha, deixe para o segundo dia, quando vai ser menos penoso acordar cedinho (a partida do passeio é às oito da manhã) e rodar pela ilha até o fim do dia.

Dois momentos com os Dois Irmãos, durante o Ilhatour: de pertinho, ao cair da tarde, na Praia da Cacimba do Padre...
... e no Mirante do Forte do Boldró - na minha vez,
 foi debaixo de chuva
Onde vai: Passa por mirantes, como os da Praia do Leão, da Enseada dos Tubarões, do Sancho e do Boldró. Este último, com vista para os Dois Irmãos, costuma ser visitado na hora do pôr do sol. O tour também faz paradas nas praias da Cacimba do Padre, do Sueste, Sancho e no Porto de Santo Antônio, com duas paradas para mergulho — no nosso caso, no Sancho e no Porto.

A Enseada dos Tubarões. Acredite, nessas piscinhas aí da foto, formadas na maré baixa, nadam montes desses "fofos"
Pra evitar sustos, preciso avisar que a chegada na praia do Sancho é por cima, pelo mirante, de onde é preciso descer os 50 metros de falésia até a praia por uma escadaria escavada na rocha. São 150 degraus. Para chegar a essa escadaria, porém, é preciso descer por duas escadinhas de ferro que ficam em uma fenda na pedra. Emoção é pouco. E lembre que depois tem que subir. Mas, ó, eu fiz a proeza (você já sabe: cinquentona, fumante e sedentária) e dei conta ;)

Do Centro de Visitantes (onde você terá
que apresentar o ingresso do Parque),
uma trilha de 320 metros leva ao Mirante do Sancho,
com aquela vista escandalosa para a praia,
para a Baía dos Porcos e os Dois Irmãos
Quanto custa:  R$ 130 e as agências normalmente aceitam pagamento com cartão de crédito.É o passeio mais popular em Noronha, oferecido praticamente por todas as empresas. Pode ser reservado também por intermédio da sua pousada.

. Mergulho com plana-sub
A foto não tá grande coisa, mas dá pra
dar uma ideia de como funciona a coisa
Como é: É um mergulho a reboque. Os mergulhadores, munidos de snorkel, recebem uma prancha hidrodinâmica, de acrílico transparente, atada por cabos à lancha, que navega devagarzinho.

Com a prancha, é possível realizar diversas manobras na água, mergulhando mais fundo, ou, simplesmente, flutuar placidamente, admirando a paisagem submarina. A lancha reboca até cinco mergulhadores de cada vez. Mesmo quem não sabe nadar pode fazer o passeio, usando colete salva-vidas. No dia que fiz o mergulho, havia algumas crianças no grupo e elas pareciam estar adorando a farra.

O mergulho é perto de algumas das "ilhas secundárias"
É um barato, dá a sensação de estar voando e vendo muuuuuuitos peixes, tartarugas, arraias... O segredo é aprender a soprar a água para fora do tubo do snorkel, cada vez que a gente volta à superfície, depois de afundar com a pranchinha.

O tempo na água é de meia hora, mas reserve algo como duas horas e meia para o passeio, considerando o embarque, a navegação até o ponto do mergulho e as diversas "baterias" de mergulhadores que serão rebocados de cada vez.

O Porto de Santo Antônio é o ponto de partida
para o passeio de barco e para o mergulho com plana-sub
Onde vai: a lancha sai do Porto de Santo Antônio e segue na direção da Ilha São José. A navegação é por entre as ilhas secundárias (as ilhotas que se concentram adiante da ponta Norte de Norinha), onde os restos de um navio grego naufragado concentram muita vida marinha. Taí uma coisa que eu lamentei não ter repetido em Noronha. Pena é que não deu para mergulhar com a câmera, pois os instrutores aconselham a manter sempre as duas mãos na prancha.

Quanto custa: R$ 50 por pessoa. Esse mergulho geralmente é combinado com o passeio de barco pelo Mar de Dentro, que também parte do Porto de Santo Antônio. Na chegada com a embarcação (por volta das 15 horas), os passageiros são transferidos para lanchas menores, que fazem os levam até o ponto onde é feito o mergulho. Nada impede, porém, que você compre apenas o mergulho com o plana-sub.

Noronha é tão incrível que até no porto a água é clarinha...
Para chegar ao Porto de Santo Antônio, pegue o ônibus que percorre toda a BR-363, desde a Baía Sueste, e que passa pela Vila dos Remédios. Também é tranquilo ir a pé, da Vila ou da Floresta Nova, se você não se incomodar com as subidas :).

. Passeio de barco pelo Mar de Dentro


Ponto alto do passeio de barco: mergulho no Sancho...
...com as mais nobres companhias
Como é: as embarcações partem do Porto de Santo Antônio, na ponta Norte da Ilha. As agências buscam os passageiros nas pousadas a partir das 8 horas, para zarpar por volta das 9:30h. Na volta, também tem transfer para as pousadas. São cerca de cinco horas de programação, com parada para mergulho e almoço. É preciso ter o ingresso do Parnamar- Parque Nacional Marinho para embarcar. Para ver como comprar esse ingresso, válido para 10 dias e obrigatório para visitar boa parte da ilha, veja este post.

Hi, eu acho que vi um golfinho!!
Um monte deles, aliás :)
Por onde passa: Os barcos navegam primeiro para as chamadas “ilhas secundárias” do arquipélago (São José, Rasa, do Meio...). No dia que fiz o passeio, esse trecho da navegação foi emocionante, com uma farra de golfinhos (moooontes deles) em torno do barco — que é obrigado a desligar os motores, toda vez que essa galerinha fofa aparece!!

As ilhas secundárias são áreas muito preservadas, onde só pesquisadores podem desembarcar. Esse cuidado garante a segurança das aves marinhas, que usam essas superfícies rochosas como berçários.

A Praia do Meio. Ao fundo, o Morro do Pico,
ponto mais alto da ilha
O Mar de Dentro é a parte “de cima” da ilha, o litoral voltado para o Norte, onde as águas são mais calmas. Depois das ilhas, o barco segue costeando essa linha, passando ao largo das praias (do Cachorro, do Meio, Conceição, Boldró, Baía dos Porcos, Sancho...) até a Baía dos Golfinhos — área de preservação com acesso proibido, onde boias marcam o limite de aproximação — até a Ponta da Sapata, o ponto mais ocidental de Noronha.


Na volta, há uma parada de cerca de uma hora e meia na Praia do Sancho, a mais espetacular da ilha. O percurso todo, com a parada para mergulho e almoço, leva cerca de cinco horas.
Fiz esse passeio com o Trovão dos Mares, um catamarã robusto. As instalações são bem confortáveis: os bancos são acolchoados, com “bagageiros” na parte de baixo, banheiros e bar a bordo. O deque principal tem bastante área sombreada.

À esquerda, o paredão que protege as baías dos Porcos
e do Sancho. À direita, os Dois Irmãos, bem de pertinho
Um dos Irmãos e, lá longe, o Morro do Pico
De barco tem a vantagem de chegar
ao Sancho sem ter que descer a escadaria
O Trovão faz o passeio combinado com almoço, servido  a bordo, durante a parada na Baía do Sancho. A comida me surpreendeu pela qualidade: saladinhas, sashimi, peixe frito, purê de batatas, pirão de peixe...

O passeio é legal, especialmente pela chance de chegar ao Sancho pelo mar, sem ter que descer a tal da escadaria :)

O Trovão dos Mares (à direita) ancorado no Sancho
Quanto custa: os preços das diversas embarcações são similares. O Trovão dos Mares cobra R$ 230, com almoço e mergulho de plana-sub (depois da navegação) incluídos. Se você não quiser fazer o plana-sub, paga R$ 190 (sem plana-sub). Algumas lanchas cobram na casa dos R$ 150, sem almoço.

Trovão dos Mares - Vila do Trinta, telefone (81) 3619-1228

O "Portal da Sapata", uma fenda no paredão da Ponta da Sapata
Mais sobre Noronha

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Comer em Fernando de Noronha:
lugares que experimentei e curti

Desde criança que praia me dá uma fome danada.
Praia bonita, então...
(Baía Sueste, Fernando de Noronha)
Eu não tinha grande expectativa em relação à mesa noronhense, principalmente por saber das dificuldades de abastecimento de uma ilha no meio do Atlântico, a 350 km da costa brasileira, que depende quase integralmente do continente para tocar sua vida cotidiana. Peixe até que tem bastante naquelas águas, mas a política rígida de preservação, felizmente, reserva os habitantes do mar muito mais para o deleite dos olhos do que do paladar.

Mas a verdade, pessoal, é que eu me surpreendi. Noronha já tem restaurantes requintados (e caríssimos), mas não é preciso recorrer a eles para fazer refeições bem acima da média.O que aprendi sobre a gastronomia da ilha é que quanto menos frescura e gourmetização, mais saboroso é o prato. Como aconteceu na Ilha de Páscoa (outro lugar de cuja culinária eu esperava pouco, mas onde comi bem direitinho), a minha impressão geral da mesa noronhense foi bem positiva.

Como já contei aqui na Fragata, os preços são altos, mas não chegam a provocar um enfarte. Contrariando a lenda, encontrei muitos lugares que já aceitam cartões de crédito. Só é bom ficar esperta, porque na noite em que a chuva caiu com vontade, os sistemas ficaram fora do ar e os pagamentos tinham que ser feitos em dinheiro em toda parte.

Confira os lugares que experimentei e curti:

domingo, 23 de agosto de 2015

Hospedagem em Fernando de Noronha:
Duas pousadas legais com preços acessíveis

Os Dois Irmãos, em Noronha: dá pra curtir essa beleza
 sem gastar os olhos da cara em hospedagem
Quando comecei a procurar hospedagem em Fernando de Noronha, quase caí pra trás: só encontrava pousadas caríssimas, muito acima do meu orçamento, ou alojamentos excessivamente espartanos. Quebrar o porquinho para bancar o luxo estava fora de cogitação, mas eu também não estava disposta a abrir mão dos confortinhos básicos — até curto certo nível de rusticidade, desde que ele venha adoçado com travesseiros fofinhos, luzes de cabeceira e ar condicionado.

Felizmente, foi só o susto. Com um pouquinho de ralação online, constatei que é possível achar hospedagem legal em Noronha, a preços pagáveis — barato, lamento, mas não existe em Noronha.

Na verdade, achei não apenas uma, mas duas pousadas legais, entre as quais dividi as oito noites que fiquei na ilha — julho é altíssima estação e nem a Pousada Mar Aberto nem a Pousada Fortaleza tinham vaga para o total da minha estada por lá. Como elas ficam a apenas 100 metros uma da outra, no bairro da Floresta Nova, a mudança de endereço no meio da viagem foi tranquila. Melhor pra os leitores da Fragata, que ganham duas dicas de hospedagem em Fernando de Noronha. Confira:

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Algumas coisinhas que aprendi
sobre Fernando de Noronha

Baía do Sancho, considerada a praia mais bonita do Brasil.
Por que será, né? :)
Foi uma semana de sonho. De todos os destinos da minha lista de desejos, Fernando de Noronha era, com certeza, o mais adiado. Nessas décadas de planos, vi zilhões de fotos, li quilômetros de relatos e assisti a algumas eternidades de documentários sobre esse arquipélago que um abençoado vulcão inventou de plantar a 350 km da nossa costa, no tempo em que os vulcões ainda se ocupavam em planejar o lazer dos futuros descendentes das amebas que habitavam os mares. Acredite: nada prepara a gente pra ver aquela beleza ao vivo.

Demorei um pouquinho pra começar a escrever sobre Noronha pra deixar as sensações decantarem e colocar alguns dias de realidade cotidiana entre mim e o deslumbramento que trouxe de lá. Agora, porém, deixemos de suspiros e mãos à obra:).Tenho um monte de dicas de Noronha pra compartilhar com vocês neste e nos próximos posts. Bora começar o passeio?

domingo, 16 de agosto de 2015

Istambul: o surpreendente Museu de História da Ciência e Tecnologia no Islã

O museu funciona nos antigos estábulos do Palácio de Topkápi
Meu amigo Allan Patrick sempre traz dicas bem interessantes para a Fragata. É dele a série de guestposts sobre a road trip pela Escandinávia (se você não leu, corre lá,  porque é bem interessante). Desta vez, ele nos conta sobre uma atração que geralmente passa batida pelo radar de quem visita Istambul, mas que com certeza vale a visita. É o Museu de História da Ciência e Tecnologia no Islã. Confira o relato de Patrick:

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Porto Alegre - dicas práticas

A Usina do Gasômetro ao pôr do sol
Porto Alegre, pra mim, é um fenômeno. Ela não tem mar, nem montanhas, nem aquele grau de antiguidade que me faz atravessar o deserto para algumas horas de contemplação. Mas tem o Guaíba, uma boemia irresistível, um acervo arquitetônico neoclássico/eclético (que parece cada vez mais valorizado) e parques públicos bem cuidados e sempre cheios de gente.

O maior encanto da cidade, porém, é sua capacidade de ser absolutamente contemporânea sem abrir mão de sua gaúchice — tirando a Bahia, não conheço nenhum outro lugar no Brasil onde a tradição, o apego às raízes e ao seu modo peculiar de ser sejam tão bem incorporados à vida normal, sem resvalar para o folclore ou à pose para inglês ver. Por tudo isso, Porto Alegre é uma das minhas cidades favoritas no Brasil.

Foi um prazer rever a capital gaúcha durante o TchÊncontro - Encontro de Blogueiros de Viagem no Rio Grande do Sul. Aproveitei e reuni algumas dicas básicas que podem ajudar a você a também planejar sua viagem pra lá. Confira:

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

De barco, a pé e do alto: três opções divertidas para explorar Porto Alegre

A antiga sede da Cervejaria Bopp, de 1911, está no roteiro do ônibus turístico. A bela construção hoje faz parte de um shopping 
Julho foi um mês encantador. Não bastasse uma semana de sonho em Fernando de Noronha (que, claro, vai virar um mooooonte de posts, logo, logo), ainda teve um fim de semana adorável em Porto Alegre, cidade que eu adoro. Essa visita foi para participar do Tchêncontro – Encontro de Blogueiros de Viagem no Rio Grande do Sul, uma superprodução pilotada pelas queridas Paula Brum e Naiá Mânica, do blog Viagens da Mochilinha Gaúcha, Laura Botton, do Colecionando Viagens, e Glacy Machado, do Blog da Glacy, que reuniu 30 blogs de viagem para explorar a cidade e a Serra Gaúcha.

O azul e preto do Grêmio e o vermelho do Inter que me perdoem, mas fala se esse amarelo não combina mais com o céu portoalegrense??
Além de trocar experiências e celebrar o prazer de viajar, estou trazendo na bagagem dicas fresquinhas de passeios bem legais pra em Porto Alegre. Logo no primeiro dia, as anfitriãs do TchÊncontro montaram uma programação delícia de apresentação da cidade: passeio de barco pelo Guaíba, uma caminhada guiada pelo Centro Histórico, com a galera do Free Walk-POA, e nas linhas de ônibus turísticos que percorrem as principais atrações da cidade. E o melhor de tudo é que você também pode colocar todos esses programas no seu próximo roteiro em Porto Alegre. As dicas estão todas aqui neste post. Confira: