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| Dá para chegar de carro até a base do vulcão, a 4.500 metros de altitude. |
Um dos programas mais populares entre os turistas que passam por Quito é a visita ao Vulcão Cotopaxi, a segunda montanha mais alta do Equador (5.897 metros), a cerca de 30 quilômetros ao Sul da capital. O Cotopaxi anda quietinho há cerca de um século, mas é um vulcão ativo, um dos mais altos do mundo. Em 2002, por exemplo, ele soltou uns rugidos, mas não chegou a morder. Sorte de quem mora perto ( e nem tão perto): em 1877, a lava e a lama provenientes de sua erupção viajaram mais de 100 km.
Para ver o Cotopaxi, engajei-me num tour. A programação é oferecida por praticamente todas as agências de Quito e a parte que mais me interessou foi a possibilidade de descer boa parte da encosta do vulcão de bicicleta. A saída é bem cedinho, lá pelas 7 horas, com regresso no final da tarde.
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| A ideia era descer a encosta do vulcão de bicicleta, mas estava frio demais... |
Estava animadíssima para ver o Cotopaxi — a primeira vez, cara a cara com um vulcão ativo, a gente não esquece — e nem dei bola para o fato de que iria chegar a 4.500 metros de altitude para, a partir daí, fazer uma caminhada de 1,2 km, encosta acima, até um refúgio usado por montanhistas. Minhas experiências com o soroche (o mal da altitude) sempre foram muito light. No máximo, um pouquinho de falta de ar, normal em fumantes, e que passa logo. Mas desde a subida da Ilha do Sol, no Lago Titicaca, eu já devia ter aprendido a não me meter a fazer escadas nessas condições…
Desta vez, porém, eu fui salva pelo vento. As rajadas estavam tão fortes que pareciam ter afetado o meu labirinto. Era simplesmente impossível tentar andar sem parecer completamente bêbada. Desisti da caminhada e resolvi apenas contemplar o colossal Cotopaxi de sua base, repito, a 4.500 metros de altitude. E não me senti nem um pouquinho frustrada por isso: o explorador alemão Alexander Humboldt, muito mais Indiana Jones do que eu, também não passou desse estágio, quando tentou encarar o vulcão.
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| Uma caminhada de 1,2 km leva até um abrigo de onde os montanhistas saem de madrugada para alcançar o cume do Cotopaxi |
Todos os grupos de excursionistas que entram no Parque Nacional do Cotopaxi têm que estar acompanhados de uma guia nativo. Isso é muito bacana, pois não é justo que as comunidades tradicionais sejam alijadas da indústria do turismo em suas terras. É uma forma de garantir que o impacto do turismo tenha alguma contrapartida.
Para os visitantes, também e uma super vantagem, pois os guias urbanos que os acompanham desde Quito estão muito mais focados na aventura do que nas tradições locais. Nossa guia, Rosário, que vive num vilarejo próximo, estava muito mais preparada para falar da fauna, da flora e das lendas que cercam o Cotopaxi, uma montanha sagrada para seus antepassados.
Os grupos independentes que vierem ver o Cotopaxi podem contratar guias locais no centro de apoio ao vistante, na entrada do parque.
| A paisagem aos pés do vulcão |
O vento só ajudou numa coisa: limpou as nuvens que escondiam o cume do Cotopaxi, na hora que chegamos e permitiu que fizéssemos algumas fotos do bonitão.
| A pousada com vista para Los Ilinizas serve de base de apoio para a visita ao Cotopaxi |
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| Contra o soroche, balinhas, em vez de chá |
No cômputo geral, gostei do passeio, mas a combinação de vento e altitude me deixou bem mareada, na volta para a cidade. Acredito que o grande erro foi ter ido ao vulcão logo no começo da viagem, quando ainda não estava aclimatada sequer aos 2.800 metros de Quito.
Senti falta, também, do mate de coca, tão consumido no Peru e na Bolívia e tão importante para domar o soroche. No Equador, não vi o chá ser oferecido em nenhum momento e desconfio que ele não seja muito popular por lá. Acabei aderindo às balinhas de coca, que são menos eficientes, mas bem gostosinhas.




















