domingo, 14 de junho de 2015

São Paulo: dicas para aproveitar um feriadão

A fachada do Hotel Moffarej, no bairro da Bela Vista
Quando eu morava em Sampa, lá se vão 20 anos, eu e a maioria dos meus amigos adorávamos passar os feriadões na cidade, fugindo do engarrafamento louco na direção da serra ou do litoral e aproveitando a cidade mais tranquila. Com o passar do tempo, São Paulo já não fica mais tão vazia nos feriadões — parece que todo mundo passou a usar o truque que achávamos que era só nosso, rsss. Mas ainda é um grande programa estar em Sampa nessas folgas, se você montar algumas estratégias de sobrevivência.

Neste 2015 cheio de feriadões, é claro que eu teria que dedicar pelo menos um deles a São Paulo, uma das minhas cidades. Talvez eu não tenha mais o entusiasmo juvenil para enfrentar os aspectos mais ferozes da megalópole, mas adoro estar na cidade a passeio pra aproveitar a imensa oferta de museus, centros culturais, espetáculos, parques e atrações gastronômicas que são a marca de Sampa. Foi o que eu fiz, agora em junho, no feriado de Corpus Christi. Confira essas dicas e inspire-se para sua próxima temporada paulistana.

Um lado de Sampa que a gente quase esquece. Em sentido horário: manacás em flor, grafite em uma fachada de Pinheiros, ipês em flor, os sobradinhos geminados que resistem ao avanço dos edifícios e a Praça das Corujas, um parque fruto da mobilização de moradores da Vila Madalena 
Estratégias de sobrevivência
Não é exagero, não. Curtir São Paulo sem se estressar com as filas, o trânsito e a muvuca exige planejamento. Acho a cidade mais gostosa em dias úteis — o prazer quase perverso de estar de à toa, enquanto o resto do mundo parece estar indo tirar o pai da forca — mas saiba que durante a semana os engarrafamentos e a lotação do metrô, em certos horários, chegam perto do demencial. Nos fins de semana e feriados, o capítulo mobilidade melhora, mas aí serão os bares, restaurantes, museus e teatros que estarão lotados.

Portanto, organize seus horários de deslocamento pra escapar do rush, compre as entradas para as atrações com antecedência, sempre que possível, e faça reservas nos restaurantes, se quiser ir a um lugar mais badalado. No resto do Brasil, esse tipo de providência parece excesso de zelo. Em São Paulo, é essencial.

Tente se hospedar perto dos lugares que quer visitar e preste atenção à oferta de transporte público nas redondezas. Eu gosto de ficar perto da Avenida Paulista ou em Pinheiros. Desta vez eu fiquei nesse bairro, no Hotel Mercure. Confira minha avaliação aqui.

A exposição de Miró fica até 16 de agosto
 no Instituto Tomie Ohtake
A melhor época pra visitar a cidade é o outono e o começo do inverno. Até hoje, São Paulo ainda consegue exibir um tremendo céuzão azul em junho (uma das minhas lembranças mais bacanas da cidade). Julho é ótimo por causa das férias escolares, que deixam Sampa mais vazia. O final do inverno já não é tão legal, por conta do fenômeno da inversão térmica, quando as camadas mais frias do ar impedem a poluição de se dissipar. Fuja da época de calor, pois cada pé d'água decorrente do abafamento do verão deixa a cidade impraticável com inundações e congestionamentos quilométricos.

Por falar em congestionamento, esqueça o automóvel. E não pense que isso é papo desta pedestre militante que vos fala. Dirigir em Sampa é desagradável e estacionar está custando os olhos da cara, quando a gente encontra vagaFui com uma amiga almoçar no bairro da Liberdade e a conta por 2h15min de estacionamento foi de R$ 28. 

A muvuca na Eataly. Ainda bem que estavam oferendo
 água na fila, pois o sol estava de rachar
Também fique longe das atrações que acabaram de estrear ou que estão prestes a encerrar a temporada. No feriado de Corpus Christi, as filas para ver a exposição de Picasso, no Centro Cultural Banco do Brasil estavam literalmente quilométricas, segundo me contou um taxista. Era o último fim de semana da mostra. Do mesmo jeito, a recém aberta Eataly, inaugurada em meados de maio, tinha fila com curralzinho metálico na entrada, listas de espera de 1h30min nos restaurantes e cotoveladas a granel entre as gôndolas, na sexta-feira. Mas eu vou falar da Eataly no próximo post, dedicado às minhas recentes aventuras gastronômicas na cidade.

Passeios bacanas

Museu da Língua Portuguesa: boa combinação com uma visita à Pinacoteca e à Estação da Luz
(foto de Janeiro/2013)
Museus e centros culturais
A exposição de Picasso no CCBB estava impossível, mas a boa notícia é que São Paulo tem pelo menos 80 museus e uma coleção enorme de centros culturais — aliás, o CCBB estreia nova mostra no dia 8 de julho, Kandinsky - Tudo começa num ponto, que eu vi no Rio e super recomendo. Confira o post.

Com esse monte de opções, programa interessante é que não vai faltar. Entre os espaços menos concorridos, experimente a Casa Modernista, projetada pelo arquiteto Gregori Warchavchik, na Vila Mariana, para explorar um espaço instigante. No mesmo bairro fica o Museu Lasar Segall, em uma casa também projetada por Warchavchick onde morou o pintor e que abriga um acervo encantador. Essas duas atrações são gratuitas e facilmente acessíveis com o metrô.

Um dos meus roteirinhos preferidos é pegar o metrô até a bela Estação da Luz e visitar os dois museus que ficam do ladinho, o Museu da Língua Portuguesa e a Pinacoteca. E, claro, sempre tem o MASP, o museu mais importante da América Latina pela extensão e relevância de seu acervo. É um lugar pra ser visitado sempre e muito. Fora os períodos em que tem alguma mostra especial muito badalada (como Caravaggio e Seus Seguidores, que me fez voltar da porta, dois dias seguidos, em setembro de 2012, por conta das filas quilométricas), o MASP é bem tranquilo, sem filas e tremendamente agradável.

Centro Cultural São Paulo: duvido que você não encontra nada divertido pra fazer lá
E eu garanto que você sempre vai encontrar algo divertido pra fazer no Centro Cultural São Paulo, outro lugar facílimo de chegar com o metrô, coladinho na Estação Vergueiro. Tem biblioteca, gibiteca, cinema, shows musicais, teatro. A programação é gratuita e, na maioria das vezes, nem precisa passar antes para recolher os ingressos. A arquitetura do Centro, sozinha, já vale a visita. Fique especialmente ligada na programação cinematográfica. Quando eu morava em Sampa, assisti filmes maravilhosos lá, grandes clássicos ou produções que jamais passariam no circuito comercial. 

No feriadão que passei em Sampa, fui ver a mostra Joan Miró, a Força da Matéria, no Instituto Tomie Ohtake, que tem apresentado exposições muito bacanas, como a de Salvador Dalí (outubro/2014 a janeiro/2015). Peguei cerca de 40 minutos de fila, porque não tinha comprado ingressos com antecedência. As obras vieram da Fundação Joan Miró, em Barcelona. São pinturas, esculturas, desenhos e gravuras do artista, formando um painel muito legal sobre sua trajetória. Se tiver a chance de ir, não perca. Fica até 16 de agosto.

O Instituto Tomie Ohtake sempre tem exposições da hora
Joan Miró - A Força da Matéria - em cartaz até 16 de agosto, no Instituto Tomie Ohtake, Rua dos Coropés, nº 88, Pinheiros. O metrô mais próximo é o Faria Lima, a 750 metros, mas a região é bem servida por ônibus. De terça a domingo, das 11h às 20h. Ingressos: R$10.

Casa Modernista- Rua Santa Cruz nº 325, Vila Mariana, o Metrô Santa Cruz está a 500 metros. De Terça a domingo, das 9h às 17h. Entrada gratuita.

Museu Lasar Segall - Rua Berta nº 111, Vila Mariana. De quarta a segunda, das 11h às 19h, entrada franca. 

Museu da Língua Portuguesa - Estação da Luz, Metrô Luz. De terça a domingo, das 10 às 18h. Entrada R$6.

Pinacoteca - Praça da Luz nº2, Metrô Luz. De terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada R$6 e gratuita aos sábados. 

A exposição de Miró no Instituto Tomie Ohtake
Mais museus e centros culturais de Sampa aqui na Fragata
MASP - Museu de Arte de São Paulo
Museu Lasar Segall
Museu do Futebol e Pinacoteca

Em outros blogs:
Memorial da Resistência, por Eloah Cristina - blog Marola com Carambola
Pinacoteca, Estação Pinacoteca, Dops e Museu da Língua Portuguesa, por Talita Marchado - blog Me Deixa Ser Turista
MASP, por Debora Godoy Segnini, blog Gosto e Pronto
Visita guiada ao Teatro Municipal, por Paula Brum, blog Viagens da Mochilinha Gaúcha
Fundação Maria Luísa e Oscar Americano, por Paula Brum, blog Viagens da Mochilinha Gaúcha
Museu de Arte Contemporânea, por Paula Brum, blog Viagens da Mochilinha Gaúcha
Parques
São Paulo não é Londres, mas bem que tem uns parques muito bacaninhas e bastante frequentáveis. Já contei a vocês que quando eu morava na cidade eu tinha a mania de sair de casa, em Perdizes, para ler o jornal sentada em um banquinho do Trianon, na Avenida Paulista, sempre que o sábado amanhecia com bom tempo (depois eu ia fazer a feira na Vila Madalena, mas essa parte não era nada bucólica e costumava descambar para farras inenarráveis).

Nas visitas ais recentes a São Paulo, comecei a me afeiçoar ao Parque Mário Covas, bem menorzinho que o Trianon, seu vizinho de Avenida Paulista, uma refresco no meio do burburinho. Todo mundo sabe como as árvores são importantes para a qualidade do ar, mas a gente esquece uma função importantíssima delas, que é funcionar como isolante acústico para o berreiro das metrópoles. Da próxima vez que você estiver passeando pela famosa avenida, experimente meia horinha nesse parque e depois me conte se não ficou muito mais zen :)

Ibirapuera, aposta certa nos domingos e feriados
Se você estiver de bobeira em Sampa em um domingo ou feriado, por exemplo, aposto que vai gostar de dar um pulo no Parque do Ibirapuera. Taí outro lugar onde é impossível não encontrar nada de divertido pra fazer. Tem viveiro, planetário, museus, espaço pra um monte de esportes, shows, exposições, festivais... Ufa.. é tanta coisa que a gente quase esquece que o melhor é o dolce far niente na maior área verde da megalópole. Só não coma o acarajé que por ventura esteja sendo feito por lá. Essa foi a aventura gastronômica mais desastrada da minha vida (contei aqui).

Outro lugar que você precisa conhecer é a Praça Dolores Ibarruri, ou Praça das Corujas, na Vila Madalena. O lugar era apenas um descampado ao longo do Córrego das Corujas, até que os moradores da área se mobilizaram para reflorestar e cuidar da área e a transformaram num cantinho agradabilíssimo, com horta comunitária, parque infantil, área para caminhadas. A comunidade toma conta do lugar, para um zelador e se cotiza para a manutenção. Experiência super bacana que está legando uma área verde ao bairro. 



Parque do Ibirapuera - São 10 pontos de acesso, distribuídos pelas avenidas Pedro Álvares Cabral, IV Centenário e República do Líbano. Fica aberto das cinco da manhã à meia noite. Tem viveiro, planetário, museus, espaço pra um monte de esportes, shows, exposições, festivais... Ufa.. é tanta coisa que a gente quase esquece que o melhor é o dolce far niente na maior área verde da megalópole. 

Parque Trianon - Avenida Paulista, em frente ao MASP, na altura do número 1.500. Metrô Trianon-MASP. Aberto das 6h às 18 horas. São 48 mil m² de vegetação remanescente da Mata Atlântica no meio de uma das regiões mais movimentadas da cidade. Uma bênção!

Parque Mário Covas - Avenida Paulista nº 1.853. Metrô Trianon-Masp ou Consolação.

Praça das Corujas - Avenida das Corujas, Vila Beatriz. O a estação de metrô mais próxima é a Vila Madalena, a 1,4 km. 

Teatro
Pesquisando para este post, encontrei mais de 84 espetáculos em cartaz em São Paulo — e só porque não fiz a lição de casa com muito apuro :). São musicais, dramas, comédias, besteirol, leituras dramáticas, monólogos, sketches... o que você imaginar, com agendas que podem ir de terça a domingo ou concentradas em dias específicos da semana. Mas o fato é que em nenhuma cidade brasileira você terá tantas oportunidades de passar um par de horas imersa em uma das atividades de lazer e reflexão mais poderosas já inventadas pela humanidade. Não desperdice a chance. Consulte a programação nos jornais, revistas e sites e eu tenho certeza que você vai encontrar algo que lhe interesse.

São Paulo sempre oferece uma vasta gama 
de atrações teatrais. Esta semana, por exemplo, 
há mais de 80 espetáculos em cartaz
Nesse feriadão de Corpus Christi, assisto e me emocionei profundamente com os atores Sergio Mamberti e Ricardo Gelli, na peça Visitando o Sr. Green, do americano Jeff Baron, no Teatro Jaraguá. Com profunda delicadeza, o espetáculo é um soco na intolerância, perfeito para esses tempos em que se tenta naturalizar a tara de controlar o corpo e a alma alheios. Fica em cartaz até julho e eu super recomendo. Os ingressos custam R$ 50 e podem ser comprados pela internet. Em cartaz às sextas (21:30h), sábados (21h) e domingos (19h).
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