sábado, 27 de junho de 2015

São Paulo:
Eataly, Food Park e outros beliscos

Empanadas argentinas La Mendocina, no Food Park Butantã
OK, eu adoro os museus, o teatro e todas aquelas opções que fazem de São Paulo uma cidade fascinante e inesgotável. Mas vamos ser sinceras: atire a primeira polpeta quem não já chega à cidade com as papilas gustativas assanhadas para a farra gastronômica que Sampa promete e cumpre como nenhuma outra metrópole brasileira.

Desta vez (o feriadão de Corpus Christi), nem organizei um roteiro para a comilança — acredite, às vezes eu embarco pra lá com todas as refeições agendadas e as reservas feitas, rsss. A única atividade previamente decidida era a visita ao recém-inaugurado Eataly, o empório e reunião de restaurantes italianos que causa furor onde se instala. Na companhia de Bruno, meu sobrinho e gula advisor preferido, bati muita perna pela cidade e usei sites e aplicativos para escolher os lugares onde iria comer. O resultado do safári foi muito divertido.

Confira o que a gente andou beliscando em Sampa:

Food Park Butantã
Muitas opções e bons preços
Mas deixei a bagagem no hotel e já estava a caminho dessa feirinha permanente de gulodices que funciona em um estacionamento do bairro do Butantã. Criado a partir da febre dos food trucks, o Food Park Butantã tem um astral simpático, preços convidativos e opções para todos os gostos, da comida peruana ao sushi, passando por wafels, empanadas, comidinhas saudáveis e sandubas gourmet.

No feriado de Corpus Christi (4 de junho), por volta das 14 horas, o lugar estava muito cheio, mas o atendimento nos trailers e barracas funcionava com bastante eficiência. Difícil era conseguir lugar nas mesas coletivas. Cheguei muito mal (ou bem?) intencionada, mas acabou acontecendo comigo o de sempre: a grande quantidade de opções e de cheiros que rodopiam no ar enganam o meu hipotálamo e depois do primeiro bocado eu já fico satisfeita — eu sempre fico no prejuízo em rodízios, por exemplo.

O movimento do Food park no feriado
e a tentadora barraca de wafels 
O resultado é que a investigação criteriosa (o que eu não faço por vocês, queridos leitores) que eu queria fazer do maior número possível de opções acabou na modesta degustação de uma empanada da barraca La Mendocina (excelente), arrematada por um espetacular e gigantesco churro com recheio de goiabada da carrocinha Churros Tentação. Bruno matou a saudade de Bruxelas com um inventivo wafelburger (o hambúrguer é servido dentro do wafel) com molho de maionese e cebola roxa. Tudo muito gostoso e barato (gastamos cerca de R$ 35 por lá, com os refris). Já botei na lista pra voltar lá em um dia menos lotado. Recomendo.

Esses churros estavam uma coooisa
Food Park Butantã - Rua Agostinho Cantu, 47. O melhor jeito de chegar é de metrô -  a Estação Butatã está a 600 metros. Aberto diariamente. De segunda a quarta, das 11h às 16h. De quinta a sábado, das 11h às 22h. Aos domingos, das 12h às 19h.

Café da manhã na padoca

Café da manhã na padoca, um clássico paulistano
Essa, pra mim, é a experiência gastronômica paulistana por excelência. As padarias paulistas, ou padocas, como dizem os locais, são um mundo de possibilidades para a gente começar o dia. É impressionante a variedade de salgados, doces, pães e bolos que você encontra em qualquer padaria da esquina. Não procure grife. O melhor indicador para escolher a sua é a quantidade de gente se acotovelando em frente ao balcão, ocupada com seus smartphones (os substitutos dos jornais de antigamente, que eram avidamente lidos entre goles de café). Um ritual, onde a parte dos sabores mantém uma impressionante regularidade: é difícil encontrar uma que não seja, no mínimo, razoável.

A minha padaria da esquina (incrível como em Sampa não falha: é sempre na esquina) era a do cruzamento das ruas Caiubi e Apinagés, em Perdizes, a uma quadra do meu apartamento, na Rua Iperoig. Era lá que eu começava o dia e ainda escapulia de cozinhar aos domingos, pois a casa também tinha um frango de televisão de cachorro que era dos deuses (outra tradição das padocas paulistanas).

Hoje eu me viro com a padaria mais próxima, mas não perco essa farra matinal por nada. Esse café da manhã aí da foto é da Pão de Ouro, na esquina (viu?) da Capote Valente com a Teodoro Sampaio, em Pinheiros, e estava bem decente. Na casa de uma amiga, provei o pão francês perfeito da Padaria Letícia, na Vila Beatriz (Rua Natingui nº 817). Também recomendo as muitas opções da Santa Etienne, na Vila Madalena (Rua Harmonia nº 699).

Eataly, a febre da hora

Eataly: lotação esgotada
Imagine um enorme empório de produtos italianos, onde você pode encontrar os mais diversos ingredientes para suas aventuras na cozinha ou, se preferir, provar pratos já prontinhos, sem o trabalho de picar temperos e lavar panelas. Essa é a proposta do Eatlay, rede que provoca furor desde que abriu sua primeira casa, em Turim, em 2007.

A tão desejada filial brasileira começou a funcionar em São Paulo em meados de maio e, pouco depois da inauguração, aproveitamos o feriadão de Corpus Christi para conferir a novidade. Pra resumir a experiência, digo apenas que daqui a uns seis messes o Eataly paulistano será um programão.

Muvuca digna de um megashow de Rock...
No dia da nossa visita (sexta-feira, 5 de junho), a fila para entrar no Eataly estava simplesmente de amargar, com direito a "curralzinho" metálico demarcando o interminável caracol de gente. (E pensar que eu não fui ver o querido Robert Plant no Lolapalooza pra escapar da muvuca, rssss). Esperamos cerca de 40 minutos, refrescados pelos copinhos de água gentilmente oferecidos pela casa, até conseguir entrar. A essa altura do campeonato, eu já estava mais interessada no ar condicionado do que em qualquer guloseima do estoque. 

Lá dentro, são 4.500 metros quadrados de gôndolas, prateleiras e balcões onde você realmente pode encontrar uma variedade impressionante de produtos — mas não tinha vinho marsala, ainda. Tem padaria, açougue, peixaria, uma sessão de vinhos com preços excessivamente salgados e uma simpática feirinha com frutas, verduras e legumes de aparência fresquíssima, tão bonitos que parecem parte da decoração. Fizemos uma comprinhas interessantes (baunilha, temperos, biscoitos...) e as filas dos caixas, surpreendentemente, estavam mínimas. 

Almôndegas e muçarela foi tudo que conseguimos comer na Eataly. À esquerda, detalhe da banca de frutas da casa
Mas para comer, a história foi outra. As fila de entrada foi só um aperitivo para as filas demenciais que se multiplicavam em todos os restaurantes e balcões de comidinhas da casa. Conseguimos um lugarzinho para beliscar no La Piazza, dedicado à comida rápida. Pedi almôndegas e Bruno pediu a muçarela, Os dois bocados estavam ótimos, mas não substituíram o almoço. Vou ter que voltar para experimentar os restaurantes, que, de tanta procura, sequer estavam mais aceitando fila de espera.

O que tem no Eatlay
Restaurantes
La Piazza, para refeições rápidas e uma tacinha de vinho, no balcão ou nas disputadas mesas, fica aberto das 8h às 23h. Sextas, sábados e domingos estica até à meia noite.

La Pizza – das 11:30h às 23. Nas sextas, sábados e domingos fecha à meia noite.

La Pasta (massas), La Carne e Il Pesce (frutos do mar). Funcionam de segunda a das 11:30h às 15h e das 18:30h às 23h. Nas sextas, o segundo horário vai até à meia noite. Nos fins de semana não há interrupção: das 12h às 24, no sábado, e 12h às 23h no domingo.

Brace Bar & Griglia, o espaço mais elegante, no último andar, especializado em grelhados. De segunda a quinta e aos domingos, das 12h às 15h. às sextas e sábados o jantar vai até à meia noite

Comidinhas
La Pasticceria Di Luca Montersino (doces), Nutella Bar (delícias feitas com a icônica pasta de avelãs — e que eu acabo de descobrir que leva azeite de dendê em sua composição), Il Cioccolato Venchi (trufas e bombons), Il Gelato di Venchi (sorvetes). Todos funcionam diariamente, das 8h às 23h. Às sextas e sábados, fecham uma hora mais tarde.

Cafés e sucos

Grand Bar Lavazza (preparações a partir do café), Caffè Vergnano, Bar della Frutta (sucos). Os três funcionam nos mesmos horários dos balcões de comidinhas.

Eataly - Avenida Juscelino Kubitschek nº  1.489. Funciona diariamente, das 8h às 23 horas.
Como chegar
O metrô mais próximo (Faria Lima) está a cerca de 3 km. A estação de trem da CBTU Vila Olímpia está a 1 km. O melhor jeito é ir de ônibus até Avenida Faria Lima, descer logo depois de passar a Avenida Horácio Lafer e caminhar cerca de 600 metros.

A Juscelino é uma das áreas mais inóspitas de São Paulo, com aquela arquitetura grandiloquente e intimidatória que despreza completamente a escala humana (como será que JK se sentiria sabendo da homenagem?), sem oferta de transporte público e raríssimos pontos de travessia de pedestres. Tem gente que acha bonito, eu acho só pedante e excludente. 

Sushi na Liberdade
Sushi Lika, um tradicionalão da Liberdade
Ir a São Paulo e não fazer ao menos uma refeição no bairro japonês da Liberdade é coisa que não existe na minha cartilha. Já contei aqui na Fragata como me divirto descobrindo lugares quase clandestinos nas pequenas ruas transversais, pequenos restaurantes que não guardo o nome e que nem sempre consigo achar de novo, quando tento voltar.

Desta vez, porém, resolvemos (eu a minha amiga Maria Alice) apostar numa casa clássica do bairro, a Sushi Lika, que além de servir no balcão e nas mesas mantém a tradição dos reservados com mesas baixinhas e piso de tatami, onde sentam os comensais. Acho simpático demais e o ritual ajuda a temperar os pratos. Pedimos um combinado de sushi e sashimi (eu disse que estávamos numa balada clássica) que chegou lindo à mesa. Comidinha leve e saborosa degustada num astral muito zen

O cardápio simpatiquinho e o nosso combinado, no Sushi Lika
Sushi Lika - Rua dos Estudantes nº 152, Liberdade. O Metrô Liberdade fica a 300 metros (não vá de carro, pois pagamos R$ 28 ao estacionamento que fica ao lado do restaurante). Funciona de segunda a sábado. O almoço vai das 11:30h às 14:30h e o jantar das 18:30h à meia noite. No sábado, abre ao meio dia e segue direto até às 3 da manhã.

Um espanhol em Pinheiros
Croquetinhos, vieiras e um senhor badejo...
Fazia quase 20 anos que eu não ia ao Don Curro, tradicionalíssima casa espanhola em Pinheiros, fundada em 1958 pelo ex-toureiro sevilhano Francisco Rios Dominguez. É um restaurante à moda antiga, com serviço muito profissional e receitas sem malabarismos. Os croquetes de entrada estavam ótimos, as minhas vieiras estavam perfeitas e Bruno conseguiu dar conta de um badejo com molho espanhol (com tomate e pimentões) inteirinho. Só lamentei que não tivesse sobrado apetite para pedir a Torta de Santiago (receita galega que adoro, à base de amêndoas) que eu adoro...

Don Curro - Rua Alves Guimarães, 230, Pinheiros. De terça a sábado, das 12h à meia noite. Aos domingos, abre só para o almoço, das 12h às 17h. 

Mais sobre São Paulo
Museus: Mais divertidos que a Disneylândia

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter     Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário