quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Comer em São Paulo:
grandes descobertas e ótimos reencontros

O argentino La Caballeriza, nos Jardins: grata surpresa
A essa altura, vocês já sabem que as minhas passagens por São Paulo têm sempre um lado francamente glutônico. Eu me acabo no pastel de feira (uma das grandes iguarias nacionais), nos beliscos, docinhos, pizzas, sushis e outras delícias de uma cidade tão pródiga em possibilidades gastronômicas.

As duas últimas passagens pela cidade, no começo de novembro e no último final de semana (para ver o revigorante show do Creedence e a magistral apresentação de David Gilmour, um dos pilares do Pink Floyd) não fugiram à regra. O resultado é este post, onde apresento boas surpresas que a mesa paulistana me apresentou e felizes reencontros com velhos conhecidos.

O resultado foi, literalmente, delicioso e eu compartilho com você a minha nova listinha:

Lugares legais para comer em São Paulo 

Hakka Sushi

Alameda Ministro Rocha Azevedo nº 239 (entre a Avenida Paulista e a Alameda Santos), Metrô Consolação ou Trianon-Masp. De segunda a sexta, das 12h às 15 e das 18:30h à meia noite. Aos sábados e domingos, só abre para o almoço, das 12:30h às 16h. 

Rodízio de entradinhas e temakis: ótima fórmula
do Hakka Sushi para uma refeição leve e saborosa
Eu tinha ido ler o jornal no Parque Mário Covas, um espacinho verde tranquilo da Avenida Paulista e, já pensando em almoçar, dei de cara com esse restaurante, que fica bem em frente. Gostei da carinha dele, resolvi e entrar e não me arrependi.

A casa serve pratos à la carte, mas o atrativo são as modalidades de rodízio e buffet. Como não estava com muita fome, escolhi o rodízio de entradas com temakis, que permite provar todo o cardápio de entradas e pedir temakis à vontade, por um preço fechado de R$ 42. O valor ainda inclui a sobremesa, que eu nem tentei, pois fiz a farra nos salgados.

Achei a fórmula ótima, ainda mais que a comida estava bem gostosa. Experimentei os espetinhos de camarão (empanado e só grelhado), guioza (pasteizinhos de carne de porco) no vapor, shimeji (cogumelos) e os temakis de salmão, atum e polvo.

Boa opção pra quando bate aquele desejo de japinha e a gente não quer se deslocar até à Liberdade para garimpar as casas tradicionais.

Shintori
Alameda Campinas nº 600 (entre as alamedas Santos e Jaú), Metrô Trianon-Masp.
De segunda a quinta, das 12h às 14:30h e das 19h às 23h. Sextas e sábados, das 12h às 14:30h e das 19h à meia noite. Fecha aos domingos.

O jardim japonês do Shintori
Quando eu morava em São Paulo, o Restaurante Suntori, antecessor do Shintori, no mesmo endereço, era um dos mais caros da cidade e famoso por sua excelente cozinha — um lugar para ir quando saía o 13º salário, no meu caso.
O salão principal do Shintori
A casa trocou de donos há cerca de uma década, mas ainda conserva a arquitetura imponente, a decoração caprichada (francamente, não precisava ter uma coleção inteira de quadros de Romero Brito na área dos reservados, but...) e o famoso jardim japonês. 

O que mudou é que agora o restaurante oferece fórmulas mais acessíveis, para atrair principalmente o público que trabalha na região da Avenida Paulista na hora do almoço. 

Legumes na chapa e as tirinhas de filé depois de prontas

A entradinha de rolls e sushi

O teppan em preparo
Experimentei o menu de teppanyaki, com entradinha de sushi e rolls. É divertido ver Airton, responsável pela grelha (e um ótimo papo) fazendo malabarismos no preparo da refeição. Pedi o teppan de filé com molho de wasabi, de sabor forte e interessante. O prato vem acompanhado de legumes grelhados e arroz colorido, também montado na hora, ali na grelha. Um almoço simpático e saboroso. O menu custa R$ 62. 

Um detalhe que amei foi o aventalzinho para proteger a roupa dos respingos de shoyu, porque sou a desastrada que sempre sai de restaurantes japoneses parecendo um quadro de Jackson Pollock :)

Sushi Lika
Rua dos Estudantes nº 152 (entre a Rua da Glória e a Conselheiro Furtado), Liberdade, Metrô Liberdade.
De segunda a sexta, das 11:30h às 14:30h e das 18:30h à meia noite. Sábados, das 12h às 15h e das 18:30 à meia noite. Fecha aos domingos.

O Sushi Lika, japonês tradicional na Liberdade
Você já leu sobre o Sushi Lika aqui na Fragata. Nesta visita, eu queria apresentar um restaurante japonês tradicional a minha tia, que não conhecia a culinária nipônica, e não tive dúvida de leva-la até lá.

Estávamos num grupo de cinco pessoas, ficamos em um reservado daqueles clássicos, com piso de tatame, e fizemos uma pequena festa.

O inacreditável carpaccio de robalo
e o sedutor combinado de sushi/sashimi
O sunomomo (pepino preparado no vinagre e açúcar) estava divino, os guioza estavam deliciosos e o miso shiro (sopa de soja) arrancou suspiros. Pedimos também berinjela ao forno, bem gostosinha, e o clássico combinado de sushi e sashimi, com peixes bem fresquinhos e arroz no ponto. Mas a grande estrela da farra foi o capaccio de robalo com ovas de arenque e molho especial, uma perfeição.

Excelente refeição, a R$ 70 por cabeça.

Maripili
Rua Alexandre Dumas nº 1152 (esquina com a Pedroso de Camargo), Chácara Santo Antônio. Não tem metrô nas proximidades. A estação Granja Julieta da CBTU (trens) está a 1,5 km.
De terça a sábado, das 12h às 22h. Aos domingos, das 12h às 16h. Fecha às segundas.

Maripili, um achado meio fora do meu circuito, mas que vale muito o desvio até a região de Santo Amaro
Minha amiga Rose me apresentou essa casa especializada em tapas espanholas, meio fora do circuito que costumo frequentar em Sampa, mas bem perto da casa de shows onde fui assistir a deliciosa apresentação do Creedence, em novembro.

A carta de vinhos da casa é tentadora (o dono é também responsável pela Confraria da Mesa, um clube de vinhos que sempre apresenta achados a seus assinantes, que recebem quatro garrafas por mês) e é essa a vibe do lugar: escolha um vinho e peça tapas para acompanhar, enquanto papeia num climinha bem relax.

A casa importa vinhos, como este australiano. À direita, o rabo
 de toro, uma iguaria andaluza que me fez suspirar
O ambiente agradável e sem frescura favorece. Pedimos pão com tomate (minha paixão catalã) e croquetas de carne, para começo de conversa. Arrematamos com uma perfeição andaluza que é o rabo de toro (rabada) ao vinho, prato que não ficou devendo nada aos que experimentei em Ronda, Sevilha e Córdoba.

Grande happy hour a R$ 60 por cabeça, em um lugar onde pretendo voltar muito.

La Caballeriza
Alameda Campinas nº 530 (entre as alamedas Santos e Jaú), Metrô Trianon-Masp
De segunda a sábado, das 12h à meia noite. Aos domingos, das 12h às 18h.

Rústico e aconchegante: o salão do La Caballeriza
Essa casa argentina dos Jardins foi uma gratíssima surpresa. O lugar é muito bonito, com decoração rústica evocando uma fazenda, e tem ótimo serviço — com a vantagem de ficar a apenas dois passos do hotel onde me hospedei.

É daqueles lugares que a gente já gosta só de atravessar a soleira. Além do impacto positivo do belo projeto arquitetônico que adaptou o sobrado onde funciona o restaurante, é muito bom chegar mais tarde para jantar e perceber que ninguém está com pressa de lhe empurrar uma refeição e trazer a conta, como acontece em muitos lugares, depois de uma certa hora.



Pude bebericar um excelente dry martini na santa paz, antes de fazer o pedido, saboreando o drinque o e o aconchego do ambiente.

Empanada, carpaccio...
... ojo de bife e batatinhas celestiais
Nossas entradas, clássicas empanadas de carne, feitas no fogo a lenha, estavam irretocáveis. Como eu tinha me excedido no almoço, pedi apenas um carpaccio com de rúcula para jantar, mas Bruno, meu sobrinho e maior parceiro de farras gastronômicas, quase levitou com seu ojo de bife malpassado, acompanhado por umas batatinhas fritas celestiais, fininhas, crocantes e sequinhas.

Pena que não sobrou espaço para a sobremesa. Quando você for, prepare-se para gastar em torno de R$ 100 por pessoa. 

Lanchonete da Cidade
Alameda Tietê nº 110 (entre a Augusta e a Padre João Manuel). A estação de metrô mais próxima é a Consolação, a cinco quadras. (Tem vários endereços em São Paulo).
De domingo a quinta, do meio dia a uma da manhã. Sextas e sábados, do meio dia às 3h da manhã.

Lanchonete da Cidade: a decoração é meio Jetsons, meio Brasília
Ambientar uma lanchonete como um clássico diner dos anos 50 já é um clichê, mas uma brasiliense adotiva como eu não fica indiferente às colunas com pastilhas e aos cobogós de louça que são a marca registrada das casas da rede Lanchonete da Cidade. E a verdade é que eu não resisto ao clima pé de palito que remete àquele futuro ingênuo, imaginado nos anos 50, a cara do desenho animado Os Jetsons.


Bombom Black com batatinhas e o Bolo da Bisa,
que chega a ser um abuso
Mas melhor que curtir a concepção cênica da casa é atacar um Bombom Black, hambúrguer suculento (ao ponto, quase mal passado), com muçarela beeeeem derretida, acompanhado de batatinhas fritas crocantes e sequinhas. Ouso dizer que virou meu hambúrguer favorito em terras brasileiras.

A casa serve outros tipos de sanduíches, pratos (picadinho, parmegiana), shakes e até saladas. No capítulo doces, o Bolo da Bisa (molhado e com camadas de brigadeiro) é um escândalo.

Excelente refeição rápida, na casa dos R$ 40 por pessoa, com sobremesa e bebidas não alcoólicas.

Jardim de Napoli
Rua Martinico Prado nº 463, Vila Buarque. A estação de metrô mais próxima é Santa Cecília, a 950 metros.
Durante a semana, o almoço vai das 12h às 15. Aos sábados e domingos, almoço das 12h às 16h. O jantar é das 19h à meia noite, exceto aos domingos e segundas, quando a casa encerra às 23 horas.

Jardim de Nápoli: que mal tem pedir sempre o mesmo prato?
Se você me perguntar o que tem no cardápio deste restaurante, que frequento desde que me entendo por gente (sou filha de paulista, sabiam?), vou ter que lhe confessar que não faço a menor ideia. A culpa é do tal do Polpettone, bolo de carne recheado com muçarela que é o carro chefe da casa: acho um absurdo ir ao Jardim de Napoli e comer outra coisa. E, acredite, ele merece.

A parte que me coube do latifúndio de Polpettone.
À direita, a sobremesa
Suculento, temperado na medida certa e regado a molho de tomate, o Polpettone do Jardim de Napoli é uma instituição paulistana que deve ser apreciada sem distrações. No máximo, um pouco linguine aglio e olio para aninhar sua majestade no prato. As porções são fartas, portanto, não é um lugar para ir sem companhia com quem rachar o prato.

De sobremesa, matei a saudade de Nápoles com uma fatia de pastiera de grano, uma torta de ricota com frutas cristalizadas e água de flor de laranjeira, sabor delicado, mas bem marcante.

O Jardim de Napoli é um programa com gosto e clima de soul food. Uma farra imperdível que fica em torno de R$ 60 por pessoa.


São Paulo na Fragata Surprise
Dicas práticas
Hospedagem: Hotel Mercure Pinheiros
Hospedagem: dois hotéis na região da Paulista
Eataly, Food Park e outros beliscos

Atrações
Meus passeios preferidos em na cidade

Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 
Twitter    Instagram    Facebook    Google+

Nenhum comentário:

Postar um comentário