domingo, 20 de agosto de 2017

Buenos Aires: hospedagem na Recoleta

Centrinho da Recoleta. A Igreja de N. Sra. do Pilar, do Século 18, remonta aos primórdios do bairro, que se desenvolveu em torno do Convento dos Padres Recoletos 
A Recoleta sempre esteve nas minhas rotas de passeios, nas diversas visitas a Buenos Aires, mas estreei como hóspede do bairro nesta viagem de julho/2017. Foi uma ótima experiência. Estava pertinho de tudo que me interessa na cidade, cercada por uma excelente oferta de restaurantes e cafés, em uma área segura, charmosa e bem servida por transporte público.

Fiquei hospedada no Unique Park Plaza Hotel, quase na esquina da aristocrática Avenida Alvear, hotel que estava com uma tarifa interessante para a temporada de férias de meio de ano —  quando nós, brasileiros, damos uma contribuição decisiva para lotar a cidade.

Veja como foi minha experiência:


Como é ficar hospedada na Recoleta 
Confesso que não foi amor à primeira vista. O bairro elegante e tradicional — o pedaço da cidade onde Buenos Aires mais escancaradamente emula Paris — me pareceu meio desprovido de cotidiano. Um certo deserto humano à sombra da arquitetura imponente da Avenida Alvear, somado ao enxame turístico no entorno do famoso Cemitério da Recoleta, onde o túmulo de Eva Perón continua a bater recordes de visitantes.

O antigo lar de idosos mantido pelos Recoletos agora é um centro cultural bem movimentado. O espetáculo Fuerza Bruta é apresentado lá — eu assisti e curti muito
Mas foi só uma questão de ajustar a sintonia. Tem muita vida normal na Recoleta, e basta começar a explorar o bairro em outras direções para começar a topar com ela em cada esquina. Rapidamente, descobri cantinhos simpáticos para tomar um café da manhã despreocupado (café, medialuna e um jornal, bem à moda portenha), o prazer de caminhar por ruas bem cuidadas e os lugares mais agradáveis para o aperitivo, antes do jantar.

Após uma semana no bairro, já estava me permitindo a sensação de ser "local" — viajantes adoram essa fantasia, mas posso dizer que estava bem à vontade na Recoleta. E amando!

Apesar da sanha da especulação imobiliária, a Recoleta ainda preserva boa parte de seus casarões e palacetes de inspiração parisiense, erguidos no Século 19

Uma das grandes vantagens da Recoleta é que ela fica perto de praticamente tudo que um viajante quer ver em Buenos Aires — sem contar que várias atrações ficam lá mesmo. Como está localizado entre Palermo e o Centro, o bairro raramente vai exigir mais do que 15 minutos da vida de quem se hospeda lá nos deslocamentos de táxi — que continuam muito baratos, a corrida mais cara que paguei, de Puerto Madero ao hotel, custou 85 pesos (R$ 15).

Outra vantagem da Recoleta é que ela é bem servidíssima de bares, restaurantes, cafés, sorveterias e o que mais seu apetite reclamar.

O Cemitério da Recoleta, uma atração turística que não sai de moda
No bairro estão dois núcleos gastronômicos muito populares entre os turistas. La Recova é um complexo de restaurantes no cruzamento da Posadas com a 9 de Julio (que nesse trecho ainda se chama Arturo Illía), com vista para o Hotel Four Seasons. Lá estão filiais de casas tradicionais, como o Sorrento e El Mirasol, além do italiano Piégari (onde não fui muito feliz). São restaurantes mais caros e elegantes. O segundo ponto de concentração de restaurantes é no entorno do Cemitério da Recoleta.

Mas é perfeitamente possível e desejável escapar da obviedade desses dois núcleos e descobrir restaurantes interessantes e que cobram pela comida, não pela grife ou proximidade com atrações famosas. Oferta é que não vai faltar

Veja os restaurantes e cafés da Recoleta que eu experimentei e gostei:
Comer em Buenos Aires – novas aventuras


A livraria El Ateneo Grand Splendid, talvez a atração mais visitada da Recoleta
Segurança
Descobri um detalhe interessante sobre a Recoleta (na Wikipedia): entre as quase 160 mil pessoas que vivem no bairro, 56,9% são mulheres e apenas 43,1% são homens, a maior proporção de população feminina de toda a Argentina.

Os números se traduzem nas ruas na grande quantidade de mulheres sem companhia masculina que você verá em restaurantes e cafés, caminhando pelas ruas à noite, voltando do trabalho ou de um jantar com amigas, na maior naturalidade.

Sossego à moda da Recoleta: aproveitar o solzinho de inverno no gramado da Plaza Francia
Taí uma boa notícia para quem viaja sozinha: você não vai “destoar”. Nas minhas viagens solo, aprendi que chamar a atenção mais do que o básico costuma aumentar os riscos. Além disso, a Recoleta é apontada como uma das áreas mais seguras de Buenos Aires, um bairro onde se pode passear tranquila e sair e voltar do jantar a pé.

A Estação de Retiro é muito linda, mas é um lugar pra ficar de olho em seus pertences
A única área da minha vizinhança que eu não fui muito com a cara (no quesito segurança) foi o entorno da Estação Retiro (de trens e metrô), apesar dos hotéis de alto padrão que estão por lá. Tecnicamente, o terminal não está mais na Recoleta, mas é uma das principais opções de transporte público para quem está no bairro.

Durante o dia, o astral não chega a ser muito esquisito — embora a muvuca do lado de fora seja um convite aos batedores de carteira. Mas quando desembarquei lá num começo de noite, não senti muita firmeza de caminhar até o hotel, a cerca de 1 km de distância.

A Estação Retiro e seu entorno são um grande entroncamento de transportes públicos. Além do trem de cercanias e do metrô, tem um grande terminal de linhas de ônibus bem na porta. É uma mão na roda para deslocamentos pela Grande Buenos Aires, mas é uma área onde eu recomendo cuidado.

Estação Retiro
Transporte
Metrô - além da estação Retiro (Linha C), o bairro também é servido pela Estação Las Heras (Linha H), que é até mais próxima e mais cômoda para quem vai ao miolinho turístico do bairro (ela está a cerca de 700 metros da entrada do Cemitério, por exemplo).

O bairro também é bem servido por ônibus. Para descobrir qual linha pegar eu usava um site chamado OmniLíneas (https://www.omnilineas.com.ar/buenos-aires/colectivos/). 

A estação de metrô Las Heras (esq) e a Torre Monumental, em frente à Estação Retiro
A proximidade da Recoleta com o Centro, porém, é um bom estímulo para caminhadas e eu geralmente saía do bairro a pé (de manhã, descansadinha. Depois de um dia de atividades, era outra história 😀).

Sobre transportes na capital argentina, leia este post:
Buenos Aires - dicas práticas

Centro de Atendimento ao Turista, no miolinho da Recoleta

Informações turísticas
Precisa de um mapa? Informações turísticas? Comprar o cartão SUBE para usar o transporte público? O Centro de Atendimento ao Turista da Recoleta está bem à mão, no início do jardim em gente ao Cemitério (Avenida Presidente Quintana 596, na calçada do Café La Biela). Funciona diariamente, das 9h às 18h. O local também é o ponto de encontro de onde saem visitas guiadas, WiFi Zone e ponto de recarga de celulares.

Recoleta Mall, um dos shoppings badalados do bairro 

A hospedagem
Unique Luxury Park Plaza Hotel
Parera 183, Recoleta, quase esquina com Avenida Alvear. 

O Unique se apresenta como quatro estrelas, mas não sei se é para tanto. É um hotel bem decente, limpo, seguro, confortável, mas tem alguns defeitinhos que precisam de atenção. A favor do hotel, diga-se que ele é muito bem localizado e cobra diárias bem mais em conta do que normalmente se paga nos quatro estrelas — autoproclamados ou verdadeiramente merecedores da classificação.

Em uma temporada de lotação esgotada em Buenos Aires, como são as férias de julho, o Unique estava com o melhor preço de toda a minha pesquisa, para hotéis de padrão similar: R$ 180, o que é quase uma pechincha para a Recoleta. 

Sobre os defeitos: elevadores, serviço de reservas e barulho.

Um estabelecimento com oito andares e seis apartamentos em cada pavimento dificilmente vai fluir satisfatoriamente com dois elevadores minúsculos, que têm capacidade máxima para três passageiros. A situação ficava à beira da calamidade no horário em que os hóspedes retornam aos quartos, depois do café da manhã, o mesmo em que as camareiras começam a subir com seus carrinhos para arrumar os apartamentos.

O elevador até que é bem charmoso, mas não dá conta do movimento


O segundo problema foi menos pitoresco. Fiz minha reserva pelo Booking, na modalidade não-reembolsável, para a noite de 14 de julho. No fim, decidi viajar apenas na noite do dia 15, chegando em Buenos Aires nas primeiras horas do dia 16, domingo. Assim que confirmei a passagem, entrei em contato com o hotel, pelo sistema do Booking, para avisar da mudança e do meu horário de chegada, já que não poderia cancelar e refazer a reserva.

Recebi uma resposta do hotel informando que estava “tudo OK”. O total referente a nove diárias foi debitado no meu cartão de crédito ainda na manhã do dia 15.

O lobby do hotel
Qual não foi minha surpresa — pra dizer o mínimo — quando cheguei ao hotel, às duas da manhã de domingo e descobri que minha reserva havia sido cancelada por “no show” e que o hotel “estava lotado”. Precisei subir um pouquinho o tom para que, de repente, aparecesse um providencial “cancelamento” que me permitiu ser admitida no hotel.

A fachada do Unique (que estava cheia de andaimes quando estive lá, prenunciando reforma) e a recepção
O terceiro problema é que janelão do meu quarto, de frente para a rua (que é até bem tranquila, sem trânsito) era absolutamente incompetente para barrar o berreiro dos vários grupos que passavam a pé, no meio da madrugada, saindo se algum lugar nas proximidades. Jamais descobri onde era a farra — talvez eu tivesse me juntado a ela 😊. O nível de ruído não chegou a arruinar as minhas noites, mas incomodou um pouquinho.

A localização do Unique é excelente. Veja no mapa onde está o hotel e as atrações do entorno. Clicando nos ícones você encontra os links para os posts específicos sobre cada atração ou serviço



O apartamento 

Tirando essa história do barulho, até que gostei muito do apartamento muito amplo e claro. São 28 metros quadrados e muito espaço para circular.

Meu quarto no Unique: amplo, claro, confortável e, infelizmente, sem janela à prova de som
A cama é do tipo box, na verdade duas camas de solteiro formando uma de casal. Os lençóis são de boa qualidade, mas os travesseiros eram firmes demais. As duas cabeceiras contavam com luzes de leitura.

O apartamento tem ainda um divã, uma mesa de trabalho (bem iluminada) com cadeira, sob a qual ficam as únicas tomadas disponíveis. O armário era um verdadeiro latifúndio, com um cofre. O ar condicionado do tipo split também funciona como aquecedor. No corredor da entrada fica uma espécie de bar, com copos, a geladeirinha e uma pia.

O bar e o armário do apartamento
Tem também uma TV de tela plana e quase nada de canais a cabo, nem aqueles manjadíssimos que se encontra nos pacotes mais básicos — mas a HBO estava com o sinal aberto e eu não perdi a estreia da nova temporada de Game of Thrones 😉. O WiFi funcionou bem decentemente.

O banheiro
O banheiro também é bastante amplo, claro e limpo. O chuveiro fica dentro da banheira (um arranjo que, quanto mais velha eu fico, mais aprendo a não gostar). As toalhas são suficientemente espessas, mas o secador de cabelo foi um teste para a minha resignação, de tão fraquinho (justo quando Buenos Aires estava enfrentando uma temporada polar e eu não podia nem pensar em sair de cabelo molhado).

O café da manhã
Não experimentei. Não estava incluído na minha diária (custa 100 pesos, ou R$ 18) e preferi fazer minhas primeiras refeições do dia nos muitos cafés charmosinhos do bairro.

Em um deles, encontrei o melhor croissant (do francês, mesmo) que já comi em Buenos Aires. Anote: Frenchie, na Cerrito nº 1332 (para mais detalhes, veja o mapa).

Outros dois ótimos lugares próximos do hotel para o desjejum são o Café Dos Escudos (está no post sobre comer em Buenos Aires) e o histórico La Biela, o mais antigo da cidade, fundado em 1850 (veja aqui: Buenos Aires: a memória boêmia dos cafés, bares e confeitarias "notáveis").

Siga o mapa: todos os endereços desta viagem a Buenos Aires, com foto, links e dicas


Mais sobre Buenos Aires 
Comer&beber

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