domingo, 9 de abril de 2017

Rio de Janeiro:
Onde comer bem em Botafogo e vizinhança


A vista privilegiada do Emporium Pax
Mais low profile do que Ipanema ou Copacabana, em termos turísticos, o bairro Botafogo é pródigo em bons restaurantes, bares, botequins e cafés. Quando era moradora do Rio, geralmente era por lá que eu programava minhas escapadinhas gastronômicas.

Nessa recente temporada carioca, segui o conselho que sempre dou pra quem vai ficar pouco tempo na cidade: nada de perder muito tempo em deslocamentos, que o trânsito carioca não é brincadeira.  Concentrei os passeios e refeições em torno de Botafogo, onde eu estava hospedada (no Novotel). Almocei e jantei muito bem e anotei as dicas pra você.

Pra ver os passeios que fiz nessa passagem pelo Rio, leia este post:
4 dias no Rio: uma temporada em Botafogo

Hospedagem em Botafogo - as vantagens do bairro e minha avaliação sobre o Novotel

Mais dicas sobre as delícias do Rio? Veja aqui:
Onde comer bem no Rio de Janeiro
Onde comer bem e barato em Copacabana

Emporium Pax
Botafogo Praia Shopping - Praia de Botafogo, 400 - Loja 704 (7º andar). Metrô Botafogo.

Este restaurante tem uma vista tão bonita que a comida nem precisava ser boa pra entrar na minha lista de favoritos. Ele fica no sétimo andar do Botafogo Praia Shopping e suas vastas vidraças descortinam a Enseada, e a Baía de Guanabara, emolduradas pela Urca e o Pão de Açúcar, e o começo do Aterro do Flamengo. Um dos meus lugares queridinhos no Rio para bebericar e petiscar sossegada, achando que a vida é bela.

Quase que não dá tempo de fotografar os pastéis 😁. À direita, a sobremesa que arrancou suspiros 
Mas é comida do Emporium Pax é, sim, bem gostosa. Podendo escolher entre pratos leves e comidinhas para acompanhar o drinque, desta vez nós optamos por uma refeição completa, que começou com pasteizinhos de queijo e camarão (não deu nem tempo de fotografar a porção completa no prato 😉 ). 


O paillard e o picadinho estavam excelentes
Éramos cinco no meu almoço - quase jantar - de aniversário, e tão afinados que só conseguimos variar em dois pratos: o paillard com fettuccine e o picadinho carioca (eu estava nesse time), ambos muito saborosos. Para arrematar, o sorvete de queijo com calda quente de goiabada, que estava de gritar, de tão bom.

O ambiente agradável e confortável e o bom atendimento completam o cardápio. O lugar não é barato, mas vale. Com bebidas (que não foram poucas), gastamos cerca de R$ 90 por pessoa.


Kotobuki
Botafogo Praia Shopping - Praia de Botafogo, 400 - Loja 703. Metrô Botafogo.

O janelão do Kotobuki 
Este japonês fica exatamente ao lado do Emporium Pax e é outro dos meus favoritos no Rio (a vista, já falei da vista?). Como eu e minha irmã estávamos hospedadas do ladinho, foi lá que nos despedimos da cidade, no almoço de domingo.

Ostras frescas, sushi, sashimi, misoshiro, espetinhos... O bufê é variadíssimo
Nesse horário, o Kotobuki serve em sistema de bufê ou a la carte, ao gosto do freguês. Escolhemos o bufê, que estava tentadoríssimo, muito farto e variado. Ostras frescas, sushi, sashimi, ceviche, camarões empanados, temakis, misoshiro, espetinhos de frutos do mar e shiitake, yakissoba...

Uma farra que eu suspiro só de citar — ainda bem que comida japonesa não engorda. Tudo muito saboroso e fresquinho. Bom demais. Quando for, vá com fome. O bufê custa R$ 109 por pessoa.  


Bar Urca
Rua Cândido Gafree, 205 - Urca


Neste simpático predinho Art Déco são urdidos uns tira-gostos tão espetaculares quanto a vista da Baía de Guanabara
Já falei do Bar Urca aqui na Fragata — e devo continuar falando, porque eu adoro esse patrimônio carioca. Funciona no térreo de um simpático predinho Art Déco de frente para a Baía de Guanabara e se espalha até a mureta sobre o mar, do outro lado da rua, à sombra das amendoeiras. 

No climão despojado, cabe a você ir buscar sua cerveja e seus petiscos no balcão, pagar na hora e voltar para a beira d’água.

E que petiscos, viu? O bolinho de bacalhau (R$5 a unidade) continua um espetáculo e a casquinha de siri (R$ 18) bate um bolão. Também serve sanduíches, empadas, porções de camarões à milanesa...

No primeiro andar, em um salão envidraçado e climatizado, funciona o restaurante, especializado em frutos do mar. Mas eu não troco aquela mureta por nada neste mundo.



Cervantes
Rua Barata Ribeiro, 7 - Loja B (esquina com Prado Jr.) - Copacabana. Metrô Cardeal Arcoverde. Funciona de terça a domingo, até as 4 da manhã. 

Cervantes: legendários sanduíches, filé inenarrável e portas abertas até as quatro da manhã
Outro patrimônio carioca, o Cervantes é um salva-vidas. Onde mais eu iria jantar quase duas da manhã, depois de quatro horas de show debaixo de chuva e achando que sanduba de hotel não é comfort food à altura da epopeia? Pois é, lá estava o Cervantes, de braços abertos, para me compensar e aquecer.

Nós até podíamos ter nos contentado com os fantásticos sanduíches servidos no balcão, voltado para a Rua Barata Ribeiro — sempre com rodelas de abacaxi, eles são os grandes responsáveis pelo mito Cervantes.

Mas depois de James Taylor e Elton John, queríamos serviço completo e aceitamos encarar os 20 minutos de fila (àquela hora da madruga), por um filé à Oswaldo Aranha

Faltam-me palavras pra descrever o filé à Oswaldo Aranha do Cervantes. À direita, nossas sobremesas: pastel de natas, ninhos de ovos e pudim de leite
E, geeeeente, o que é o Oswaldo Aranha do Cervantes? Perfeito é pouco: tostadinho por fora, vermelhinho por dentro, uma cascata de alho crocante por cima, batatinhas fritas tão crocantes quanto e a farofinha de ovos mais exata desse mundo. Até o arroz, que eu costumo ignorar, estava bom.

E pra o serviço ser completo, é claro que caímos nas sobremesas: ninhos de ovos, pastel de natas e pudim de leite. Um acabamento.

O filé à Oswaldo Aranha do Cervantes custa R$ 90 e serve duas pessoas com muita fome — era o nosso caso. Se você for sozinha, peça meia porção. 


Lamas
Rua Marquês de Abrantes, 18 - Flamengo - Metrô Flamengo. Diariamente, do meio-dia à meia-noite


Lamas: o melhor bife à milanesa do mundo e sobremesas portuguesas, como este pastel de Santa Clara de responsa
Eu penso no Lamas quase como penso na minha casa. Frequentei tanto, e por tanto tempo, que já nem percebo os defeitos. Atravessar aquela entrada meio atarracada e me aboletar em uma mesa do salão — sempre muito bem climatizado — é uma sensação tão doméstica que eu preciso ficar me policiando pra não tirar os sapatos 😇.

Entre 2009 e 2011, morei a 500 metros cravados de distância do Lamas. Minha relação estável com ele, porém, começou muito antes. Foi no comecinho dos anos 80, quando militava no Movimento Estudantil e o lugar fervilhava de pessoas e ideias interessantes — embora eu suspeite que o bife à milanesa me atraía tanto quanto os vívidos debates que rolavam por lá. Essa sempre foi a marca da casa, símbolo da boemia e do burburinho político cariocas, especialmente da esquerda.

O Lamas foi fundado em 1874, no Largo do Machado, e funcionou lá até ser desalojado pelas obras do metrô, em 1976. Mudou-se para a Rua Marquês de Abrantes e continua incólume, servindo bolinhos de bacalhau sempre acima da média, chopes bem tirados – segundo testemunhos de gente de confiança, porque não tomo chope —, uísques bem chorados e o tal do bife à milanesa, pra mim o melhor do planeta.

Mais um patrimônio carioca que merece entrar no seu roteiro.

MAR - Museu de Arte do Rio, meu novo xodó na cidade
Roteiros
4 dias no Rio: uma temporada em Botafogo
No Rio, como os locais
Copacabana e Ipanema para turistar como uma local
A florada da Corypha no Aterro do Flamengo




Curtiu este post? Deixe seu comentário na caixinha abaixo. Sua participação ajuda a melhorar e a dar vida ao blog. Se tiver alguma dúvida, eu respondo rapidinho. Por favor, não poste propaganda ou links, pois esse tipo de publicação vai direto para a caixa de spam.
Navegue com a Fragata Surprise 

Nenhum comentário:

Postar um comentário