27 de setembro de 2010

Roteiro - três semanas na Itália

Ravelo e Siena, Itália
A deslumbrante Ravelo (esq) e a majestosa Siena: duas estreias no meu mapa nesse roteiro de três semanas na Itália

Atualizado em abril de 2021

"Itália em novembro?" Essa foi a pergunta que eu mais ouvia quando contava sobre meus planos de férias para 2007. Ainda mais porque meu roteiro de três semanas na Itália abarcava destinos geralmente mais associados ao verão, como a Costa Amalfitana

Pois o resultado foi uma viagem deliciosa, sem multidões, com preços mais em conta e um friozinho moderado que não atrapalhou em nada o prazer de desfrutar cenários espetaculares em Roma, Nápoles, Amalfi, Ravelo, Sorrento, Florença, Fiésole, Veneza, Burano, Siena e San Gimignano, meus destinos nesse roteiro de três semanas na Itália.

Nápoles, Itália
Essa viagem me deu um novo, definitivo e descabelado amor: Nápoles, uma das coisas mais lindas que eu já vi

Dividi meu roteiro em seis bases (Roma, Nápoles, Amalfi, Florença, Veneza e Siena) e fiz esticadinhas bate e volta muito gostosas (a Ravelo, Sorrento, Fiésole, Burano e San Gimignano). Repeti e estreitei o namoro com cidades que já conhecia (Roma, Veneza e Florença) e ampliei meu mapa italiano com novas paixões.

Depois dessa viagem, já voltei algumas vezes a esse país inesgotável em maravilhas. Mas meu roteiro de três semanas na Itália foi uma viagem especial. Sem correrias, com muito tempo para contemplação e para brincar de ser local — pequenos prazeres como ler o jornal tomando café da manhã e até acompanhar uma mini série de TV meio ingênua, cheia de romance e aventura como La Figlia di Elisa - Ritorno a Rivombrosa, que era exibida às terças, no horário nobre.

Roma, Itália
Roma: a estadia sem pressa foi perfeita para temperar o deslumbramento com pitadinhas de vida real

Roma, Itália

Enfim, meu roteiro de três semanas na Itália aproveitando a baixa estação foi uma grande viagem. Veja os detalhes:

  

Roteiro na Itália - três semanas

Roma - 6 noites
Na minha primeira visita a Roma, em 2003, eu tinha ficado apenas três dias na cidade e fui embora com o coração partido e a certeza de que tinha visto apenas a casquinha de uma cidade que virou um amor para o resto da vida. 

Piazza Navona e Santa Maria in Trastevere, Roma
À esquerda, a Piazza Navona, onde a Fontana dei Quattro Fiumi, de Bernini, estava passando por restauro. À direita, mosaicos dourados na fachada da Basílica de Santa Maria in Trastevere

Desta vez, programei 6 noites na cidade (5 dias inteiros) e fui embora totalmente convencida de que vou precisar de mais seis encarnações pra aproveitar todas as belezas de Roma. Mas, como reencarnar é uma hipótese improvável, achei os 5 dias um bom intervalo pra aproveitar os principais encantos da capital italiana.

Viajei a Roma com a Air-France (Brasília-Galeão-Paris-Roma).

Com 5 dias em Roma, deu tempo de explorar com calma o Coliseu e o Fórum Romano (que eu já tinha visitado na viagem anterior), rever o Pantheon, a Fontana do Trevi, a Piazza Navona e o Vaticano, curtir o cenário de outono na Villa Borghese e às margens do Rio Tibre, visitar a belíssima Basílica de San Giovani in Laterano e o  espetacular Museu Etrusco da Villa Giulia, caminhar sem pressa pelo cenário renascentista da Via Giulia, a rua mais bonita de Roma.

Villa Borghese, Roma
Roma em novembro: os jardins da Villa Borghese (acima), os horizonte visto da Colina do Pincio (abaixo, esq) e o Rio Tibre na altura do Trastevere, com a Ponte Sisto ao fundo

Roma, Itália

Também tive tempo para visitar muitas, muitíssimas igrejas, que, em Roma, fazem uma bruta concorrência aos museus, já que estão repletas de obras de arte do quilate do Moisés, de Michelangelo, e telas de gênios como Caravaggio.


Roma Antiga: Pórtico de Otávia e Coluna de Marco Aurélio
Passeio pela Roma Antiga: o Pórtico de Otávia, no Ghetto, e a Coluna de Marco Aurélio, na Piazza Colonna

5 passeios em Roma: receita de paixão (Fontana di Trevi, Piazza Navona, Campo dei Fiori, Fórum Romano e Palatino, Museu Nacional Etrusco da Villa Giulia e Ghetto Romano)

Roma: a Boca da Verdade

Roma - passeio na Via Giulia, a rua mais bonita da cidade

Coliseu, Roma
O Coliseu, uma das atrações mais visitadas de Roma. Abaixo, o Palácio do Campidoglio fotografado do Fórum Romano

Palácio do Campidoglio, Roma

Roteiro em Roma: da Piazza Venezia ao Vaticano

Atrações gratuitas em Roma: 12 igrejas que valem por museus

Igreja de Santa Maria in Capella e fachada do bairro do Trastevere, Roma
Adoro a poesia das ruas do Trastevere. À esquerda, a igrejinha de Santa Maria in Capella, do Século 11. À direita, uma típica fachada do bairro decorada pelas roupas no varal

Uma boa viagem começa com um bom roteiro e com uma boa escolha da hospedagem. E não apenas do alojamento em si, mas também do bairro ou região que vai ser minha vizinhança por alguns dias. Escolhi o Trastevere, adorei e recomendo — ainda que ache Monti um bairro mais cômodo para quem está indo a Roma pela primeira vez.

O Trastevere tem pedaços muito turísticos, mas conserva um clima residencial, onde a vida normal se desenrola quase alheia ao frisson da metrópole ao redor e ao frenesi dos visitantes.  

Beco do Trastevere, Roma
Experimente se perder pelos becos do Trastevere

O tradicionalíssimo bairro do Trastevere tem um miolo muito turístico, mas consegue preservar trechos
Além disso, o Trastevere está pertíssimo das grandes atrações de Roma — dá até pra ir a pé à Piazza Venezia (1,5 km), a antessala do Fórum Romano e do Coliseu, ao Vaticano (1,9 km), à Fontana di Trevi (2,2 km) e ao Pantheon

Roma, Itália
Um típico oratório de rua e o espetáculo do Pantheon (Século 1)

Se você não gosta de caminhar (mas, acredite em mim, caminhar é a atração turística nº 1 em Roma), o Trastevere é muito bem servido pelo transporte público. A linha 8 do bonde corta o bairro e deixa você no coração do Centro Histórico de Roma (no Largo di Torre Argentina ou na Piazza Venezia) em 10 minutinhos.

Minha hospedagem no Trastevere foi no Tamara's Suite, um bed&breakfast instalado em um casarão típico do bairro.

Veja como foi a estadia: Trastevere, minha casa em Roma

Ilha Tiberina, Roma
Ilha Tiberina, um barco de pedra ancorado no Rio Tibre

Roma e Fiumicino - dicas práticas (hospedagem em Monti e informações para ir do aeroporto ao centro)

Castel dell'Ovo, Nápoles, Itália

Meu ilustre vizinho em Nápoles, o Castel dell'Ovo, antigo Palácio Real


Nápoles - 3 noites
Contrariando todas as lendas sobre o Mezzogiorno (o Sul italiano), foi em Nápoles que eu senti mais frio neste roteiro de três semanas na Itália — e olha que eu encarei o vento e a unidade da Laguna de Veneza no quase-dezembro do fim da viagem.

Mas o frio e a chuva ficaram do lado de fora. Por dentro, meu coração esteve permanentemente em chamas de paixão por Nápoles, simplesmente uma das coisas mais lindas que já vi na vida.

Fiz o trajeto de Roma a Nápoles de trem, viagem de pouco mais de uma hora.

Pompeia, Itália
Pompeia (acima) e Herculano (foto abaixo): as duas cidades arrasadas pela erupção do Vesúvio no ano 79 ficam pertinho de Nápoles e rendem um passeio fascinante 

Herculano, Itália

Programei três noites na cidade (dois dias e meio “líquidos”) e preciso avisar que é muito pouco para essa cidade apaixonante, especialmente se você pretende visitar Pompeia e Herculano (vá, eu super recomendo). Pra mim, acabou ficando apertado fazer o passeio neste roteiro, mas visitei as duas cidades arrasadas pelo Vesúvio no ano 79 em 2014 e ainda me pergunto por que demorei tanto pra ir 😊.

Fiquei hospedada em um bed&breakfast no Borgo Santa Lucia, Centro Histórico, a cerca de 100 metros da Igreja de Santa Lucia a Mare, a menos de 300 metros da Piazza del Plebiscito e a 700 metros do Castel dell’Ovo — vizinhança ilustre é o que não faltava...

Piazza del Plebiscito, Nápoles, Itália

Na Piazza del Plebiscito estão alguns dos edifícios mais importantes de Nápoles, como a Basílica de São Francisco de Paula (na imagem) e o Palácio Real

Bati muita perna pelo Centro Histórico de Nápoles — quando o frio apertava eu me abrigava na bela Galleria Umberto I — visitei, o deslumbrante Cristo Velato, na Capela de San Severo, e testemunhei a devoção napolitana por Santa Lucia e pelo padroeiro San Gennaro, celebrado na bela Catedral de Nápoles.

Esquentei a alma com o chocolate quente do legendário Caffè Gambrinus e repus as calorias levadas pelo frio devorando incontáveis babà, um doce típico de Nápoles que, sozinho, já justificaria a viagem.

Catedral de Nápoles, Itália
Um antiquário à moda napolitana e a Catedral de Nápoles, que guarda o sangue de San Gennaro, padroeiro da cidade

Vulcão Vesúvio no Golfo de Nápoles
A visão do Vesúvio me deixa sem fala

Tudo isso pra torrar minhas reservas desafiando o vento gelado diante da paisagem hipnótica do Golfo de Nápoles — presidido pelo deslumbrante vulcão Vesúvio — caminhando pela elegante Riviera de Chiaia ou nas alturas do Cabo Posillipo.

E morri de paixão vendo Nápoles pendurada nas balaustradas do Vomero, bairro elegante que serve de prelúdio (pra quem desce escadarias e ladeiras em ângulos dignos de penhascos) para os tipiquíssimos Quartieri Spagnolli, uma área de Nápoles que vão lhe dizer que é perigosa, mas que é simplesmente obrigatória para quem quer ver a alma dessa cidade arrebatadora.

Galeria Umberto I e pizza margherita, Nápoles, Itália
A Galeria Umberto I e uma pizza margherita da Pizzeria Brandi, inventora dessa delícia napolitana

Nápoles, Itália: babà au rum e chocolate do Caffè Gambrinus
O inenarrável babà napolitano e o clássico chocolate do Caffè Gambrinus

E foi assim que decidi que Nápoles é a cidade mais bonita do mundo. Desde então, já viajei um bocado e ainda não mudei de opinião.

Veja as dicas de Nápoles

O que fazer em Nápoles - 10 razões para amar a cidade

O Vesúvio visto do Vomero, em Nápoles, Itália
O Vesúvio visto do Vomero

Dicas práticas de Nápoles – como chegar, hospedagem, segurança, transporte e outras informações importantes para se planejar

Passeios em Nápoles: aventura neorrealista nos Quartieri Spagnoli

Não conhecer Nápoles é desperdiçar a vida

Como visitar Pompeia e Herculano a partir de Nápoles

Costa Amalfitana, Itália
Gostei de admirar as curvas e precipícios da Costiera Amalfitana a bordo do ônibus

Amalfi - 3 noites

O frio e a chuva em Nápoles quase me fazem desistir da Costa Amalfitana. Esse roteiro de três semanas na Itália foi organizado de maneira bem flexível e eu só comprava passagens e reservava a hospedagem para o destino seguinte com um ou dois dias de antecedência — é bom lembrar que em novembro, baixa estação, essa é uma possibilidade de baixo risco.

Então, foi por um triz que eu não abandonei a ideia de visitar a Costa Amalfitana e seguir direto para a Toscana. A abençoada teimosia, porém, falou mais alto. E fiz bem, porque os dias estavam lindos durante minha estadia.

Mas desisti de alugar um carro para descer a Costiera Amalfitana, uma das estradas mais cênicas do planeta. Achei mais prudente fazer o trajeto Nápoles-Amalfi de transporte público.

Amalfi, Itália
Amalfi foi uma potência marítima no Século 11. Hoje, é uma bela base para quem quer explorar a Costa Amalfitana

Foi uma boa escolha. Se já é difícil dirigir e olhar a paisagem em estradas comportadas, imagine naquelas curvas alucinadas que flutuam sobre precipícios vertiginosos pairando sobre o Mar Tirreno.

Os ônibus que percorrem a Costiera Amalfitana são confortáveis, com janelas enoooormes e assentos que deixam a gente bem acima dos guard-rails e balaustradas da estrada — nada atrapalha a vista magnífica durante o trajeto. E, pra melhorar, a passagem é muito barata: entre € 4 e € 6, agora em 2021.

A viagem de ônibus entre Nápoles e Amalfi, passando por Sorrento, levou cerca de três horas. Muito por culpa do trânsito napolitano — levamos um tempão pra sair da cidade —, mas também por conta das paradas nas cidadezinhas ao longo do trajeto.

Escolhi fazer minha base em Amalfi por comodidade. A localização dessa linda cidade — uma potência marítima no Século 11 — facilita os deslocamentos para outras beldades da Costa Amalfitana, como Sorrento (a 30 km), Positano (18 km) e Ravelo (7km).

Costa Amalfitana, Itália
Os ônibus que percorrem a Costa Amalfitana e a ligam a Nápoles e Salerno fazem ponto no cais de Amalfi (à direita). À esquerda, a chegada a Ravelo, fotografada a bordo do busão

Catedral de Amalfi, Itália
O Duomo de San Andrea, a Catedral de Amalfi, uma preciosidade do Século 11

Além disso, o preço da hospedagem em Amalfi é muito mais atraente do que em localidades mais chiques. Li por aí que Amalfi é uma muvuca no verão. Em novembro, porém, a cidade era só aconchego.

Entre os Séculos 10 e 13, Amalfi foi — ao lado de Pisa, Gênova e Veneza — uma das repubbliche marinare ("repúblicas marítimas") que se destacaram no comércio marítimo no Mediterrâneo. Essa proeminência trouxe autonomia política e muita prosperidade. 

Atrani, Costa Amalfitana, Itália
Uma caminhada de apenas 800 metros, partindo do centrinho de Amalfi, leva à fofíssima Atrani

Ravelo, Costa Amalfitana, Itália
Ravelo fica pendurada láááá no alto das Montanhas Lattari, a 7km de Amalfi

Ainda que a cidade tenha entrado em declínio a partir do Século 12, suas ruas medievais ainda estão cobertas de belezas.

A Catedral de Amalfi, os antigos estaleiros (hoje convertidos em museu) e o intrincado traçado urbano da cidade são atrações imperdíveis.

De Amalfi, fiz algumas esticadas deliciosas: dá pra ir a pé até a fofíssima Atrani (a apenas 800 metros pela Costiera Amalfitana). De ônibus, com conforto e tranquilidade, visitei Positano, Sorrento e a magnífica Ravelo.

Sorrento, Itália
A orla de Sorrento, de cara para o Vesúvio (abaixo)

Vulcão Vesúvio visto de Sorrento, Itália

Veja as dicas da Costa Amalfitana:
Florença foi meu segundo repeteco neste roteiro de três semanas na Itália. Já tinha passado dois dias na cidade e nem preciso dizer que fui embora louca pra voltar — um par de dias é muitíssimo pouco tempo para ver a “capital da Renascença”, tão cheia de atrações que deixa a gente tonta.

Desta vez, portanto, reservei cinco noites para Florença (quatro dias líquidos), achando que ia virar a cidade do avesso.

Igreja Orsanmichele, Florença
Gênios como Gianbologna e Donatello deixaram sua marca na decoração da fachada de Orsanmichele. A igreja fica a apenas 100 metros da Piazza della Signoria e merece sua atenção

Loggia dei Lanzi, Piazza della Signoria, Florença
Você não paga nada para ver a coleção de esculturas exposta na Loggia dei Lanzi, na Piazza della Signoria. Preste atenção ao Rapto das Sabinas, de Giambologna

Não virei — tanto que já voltei a Florença pela terceira vez (em 2017, fiquei sete noites). Mas acho que um intervalo de quatro/cinco dias é bem razoável para explorar as principais atrações e, quem sabe, encaixar um bate e volta a Fiésole (que é do ladinho), Lucca ou Pisa, que também ficam muito próximas.

Meu deslocamento de Amalfi a Florença tomou quase o dia todo. Resolvi não retornar a Nápoles para pegar o trem.

Ponte Vecchio, Florença, Itália
Ponte Vecchio é uma das logomarcas de Florença. Foi construída no Século 14 e, como era costume na época, abrigava moradias e oficinas de artesãos. Abaixo, um detalhe da travessia da ponte

Ponte Vecchio, Florença, Itália
 
Em vez disso, desci 24 km da Costiera Amalfitana até Salerno, de ônibus. A viagem leva pouco mais uma hora. Foi uma logística acertada: além da economia de tempo de percurso, a Estação Ferroviária de Salerno fica exatamente em frente ao ponto de parada dos ônibus. Foi só atravessar a rua, comprar a passagem para Florença e embarcar. 

Se eu tivesse ido para Nápoles, teria que descer do ônibus no Mollo della Imacolatella, caminhar até a Estação de Metrô Università (600 metros) e seguir para a Estação Central Garibaldi para pegar o trem — ou fazer o trajeto de cerca de 3 km de táxi, e vai saber como estaria o emaranhado trânsito napolitano.

Palazzo Ducale (Palazzo Vecchio), Florença, Itália
O Palazzo Ducale, ou Palazzo Vecchio, é sede do governo de Florença desde sua inauguração, em 1314. À esquerda, a escultura Hércules e Caco, de Baccio Bandinelli, guarda a entrada do palácio

Catedral de Florença e Campanário de Giotto
O sol caindo sobre a fachada do Duomo (Catedral) e o Campanário de Giotto é um espetáculo lindo. Abaixo, detalhes da fachada da Catedral de Florença 

Catedral de Florença, Itália


A viagem de trem entre Salerno e Florença levou quase 5 horas (de Nápoles, teria sido 3h).

Minha hospedagem em Florença foi em uma pousada simples e antigona, do ladinho da Piazza dela Libertá (tecnicamente, fora do Centro Histórico). Os € 40 cobrados pela diária compensavam a caminhada de cerca de 1 km até o coração renascentista de Florença. Pelo que pesquisei, esse bed&breakfast não existe mais.

Santa Croce, Florença
Dois momentos em Santa Croce: a vida normal na barraquinha de frutas e o ensaio para a Festa da Befana e o desfile histórico realizado nos dias 1º de Janeiro 
 
Se você pensa que eu pulei as atrações que já tinha visitado na primeira passagem por Florença, está muito enganada. A Galleria degli Uffizi, a Galleria dela Accademia (lar do Davi de Michelangelo), o Duomo (catedral) e a Piazza dela Signoria são imperdíveis e totalmente repetíveis. 

Desta vez, só não bisei a visita ao Palazzo Ducale. Mas acrescentei os Jardins de Boboli e o Palazzo Pitti, o bairro e a Igreja de Santa Croce (paixão!!), a Piazzale Michelangelo (que vista!), bati muita perna por Oltrarno e fiz um passeio à pequenina e encantadora Fiésole — o busão até lá passava na porta da minha pousada.

Alugar bicicleta em Florença
Alugue uma bicicleta para ver ângulos menos famosos de Florença

Foi ótimo alugar uma bicicleta e explorar o cotidiano de Florença. Recomendo.

Veja as dicas de Florença:

Dicas práticas de Florença: como chegar, como se deslocar pela cidade, onde é melhor se hospedar, clima, melhor época, preços...

A igreja de Dante e Beatriz em Florença: Santa Margherita dei Cerchi

O que fazer em Florença

Ano Novo e Festa da Befana em Florença

Hospedagem em Florença: bom hotel no Centro Histórico

David de Michelangelo, Galleria della Accademia, Florença, Itália
O Davi, de Michelangelo, na Galleria della Accademia

Onde comer - e o que comer - em Florença

Museus de Florença - guia de sobrevivência

Museu de San Marco e os afrescos de Fra Angelico

3 igrejas em Florença com entrada gratuita

Fiésole, Toscana, Itália
Dois passeios bate e volta que eu fiz e recomendo: Fiésole (acima) e Lucca (abaixo)

Lucca, Toscana, Itália

Florença - como organizar a visita ao Duomo e ao Batistério

Passeios gratuitos em Florença

Igrejas-museus de Florença: Santa Croce e Santa Maria Novella

Bate e volta de Florença a Fiésole

Bate e volta de Florença a Lucca

Veneza, Itália
Olha só o dia lindo que Veneza fez especialmente pra mim

Veneza - 2 noites

Minha mania de ler jornal e ver o noticiário na TV durante viagens (em lugares onde entendo a língua, naturalmente) quase eliminou Veneza deste meu roteiro de três semanas na Itália. Enquanto eu estava em Florença, a cidade dos Doges estava debaixo de um aguaceiro, com seus poucos pedacinhos de terra firme cobertos por pelo menos dois palmos de água.

Veneza, Itália
A Praça de San Marco clicada do vaporetto. Abaixo, detalhes da fachada da Basílica de Sna Marco

Basílica de San Marco, Veneza
 
Veneza não tem exatamente uma temporada de chuvas — os temporais podem ocorrer tanto nos meses quentes (julho e agosto) quanto em épocas de temperaturas mais amenas. Mas é bom você saber que, na média, o mês mais seco é janeiro e o mais chuvoso é outubro.

Com noticiário desanimador e tudo, minha teimosia prevaleceu mais uma vez e lá fui eu de trem de Florença para Veneza, duas horinhas de viagem.

Gôndolas em Veneza, Itália
Um estacionamento de gondolas e, abaixo, a Ponte de Rialto, a mais famosa de Veneza

Ponte de Rialto, Veneza

E ganhei um baita presente: um dia de sol inesquecível em Veneza, noites de lua ainda quase cheia e apenas as passarelas instaladas na Praça de São Marcos testemunhavam que tinha havido uma enchente por lá.

Eu já tinha estado em Veneza, uma passagem curtinha de um dia e meio (uma noite) e estava louca pra explorar a cidade com mais calma.

O ideal, pra mim, seria ficar quatro ou cinco dias nessa segunda visita. Mas Veneza é uma cidade muito cara — a Itália é um destino caro, mas Veneza mete a faca sem dó nem piedade.

Veneza, Itália
As atrações famosas de Veneza são deslumbrantes, mas os recantos anônimos são o tempero que define o irresistível sabor da cidade

Veneza, Itália

Duas noites (dois dias), portanto, foi tudo que deu para encaixar no orçamento, a estadia mais curta desse roteiro de três semanas pela Itália. E deu pra curtir bastante a cidade.

Veneza tem atrações deslumbrantes: o conjunto da Praça de San Marco, com o Palácio dos Doges e a Basílica de San Marco, os palácios às margens do Canal Grande, a Basílica de Santa Maria della Salute, as pinturas de Tintoretto na Scuola Grande de San Rocco, a Ponte de Rialto... A lista é realmente interminável.

Veneza, Itália
O cais de San Zaccaria e a Igreja della Pietà (centro) fotografados a bordo de um vaporetto. Guarde um tempo em seu roteiro em Veneza pra subir (tem elevador) a torre do campanário de San Marco (à esquerda): a vista é inesquecível

Praça de San Marco, Veneza, Itália
A Basílica de San Marco e o Palácio dos Doges (à direita)

Mas o melhor de Veneza é andar à toa e em silêncio — por isso ela é um destino espetacular pra quem viaja sozinha —, brincando de se perder pra descobrir recantos anônimos e encantadores.

Pra isso, é bom sair do miolinho mais estrelado e explorar áreas como San Polo (a Oeste da Ponte de Rialto) e o Dorsoduro (na margem Oeste do Canal Grande, do outro lado de San Marco).

Um programinha bem gostoso também é pegar o vaporetto e singrar a Laguna de Veneza em direção à Ilha de Burano, uma venezinha sem grandiloquência, com suas casas pintadas em cores fortes à beira dos canais a 40 minutos de viagem. É um bate e volta fácil e confortável.

Veneza, Itália
Passear à beira do Canal Grande é uma festa para os olhos. Abaixo, as cores fortes da Ilha de Burano

Ilha de Burano, Veneza, Itália

Veja as dicas de Veneza:

O que fazer em Veneza

Bate e volta à ilha de Burano

Viajar sozinha a Veneza - uma grande alternativa

Siena, Itália
Siena vista do Facciatone da Catedral. No centro da imagem, a Torre del Mangia e o Palazzo Comunale, sede histórica do governo da cidade

Siena - 3 noites

Minha quinta e última base neste roteiro de três semanas na Itália foi a encantadora Siena.

A viagem de Veneza até lá foi feita em duas etapas: de trem, até Florença, e depois de ônibus, pelos 72 km de linda estrada que separam a “capital da Renascença” de sua antiga rival, mais ao Sul.

O deslocamento entre Veneza e Siena foi confortável: após duas horas de viagem, desembarquei na Estação Ferroviária de Santa Maria Novella, em Florença, atravessei a rua e embarquei no ônibus da empresa SITA, que faz o percurso até Siena em 1h15.

Siena, Itália
Siena conservou as feições medievais

Olho na janelinha para ver a paisagem da Toscana e as belas cidadezinhas, como Monteriggioni, uma cidade murada que olha a estrada do alto de uma montanha.

Siena é um encanto medieval e ótima base para explorar a região de Chianti — de preferência, com um carro alugado. Essa etapa ficou para um próximo roteiro pela Itália.

Fiquei hospedada em um hotel bem próximo ao Centro Histórico, simples, convencional e com todos os confortinhos básicos que a gente merece, especialmente em final de viagem, quando o cansaço vai ganhando cada vez mais terreno sobre o desprendimento.

Catedral de Siena, Itália
Um detalhe da fachada e o interior da Catedral de Siena

Concentrei minhas estadia em Siena – três noites, dois dias e meio líquidos — na visita a algumas das atrações espetaculares da cidade, como o conjunto do Duomo (além da própria Catedral, são imperdíveis a cripta, o batistério, a Biblioteca Piccolomini e a subida ao Facciatonne, uma fachada inacabada cujo topo, alcançado por uma escadaria e de onde se tem uma vista de fazer o coração dar uma paradinha), a Piazza del Campo e o Ghetto de Siena.

Também aproveitei a estadia para fazer um delicioso bate e volta a San Gimignano, outro encanto medieval da Toscana famosa por suas torres.

Ghetto Judaico de Siena, Itália
Antigo Ghetto Judaico de Siena

Veja as dicas de Siena:

Dicas práticas de Siena

Atrações em Siena

Bate e volta a San Gimignano

A volta pra casa
Fim de férias, hora de voltar pra casa. E vou ter que confessar que fiz uma coisa que não recomendo a ninguém: viajei direto de Siena para o Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci, de onde saía meu voo de retorno.

Pensem na empreitada: de Siena a Chiusi de trem (cerca de 2 horas). Depois, outro trem para Roma/Termini (2h30) e, de lá, o Expresso Leonardo para Fiumicino (30 minutos), onde fica o aeroporto. Daí, um voo para Paris (2 horas), conexão para o Rio de Janeiro/Galeão (11 horas) e outra conexão para Brasília (1h40). Sem contar o tempo de espera.

San Gimignano, Itália
San Gimignano vista da fortaleza medieval da Rocca de Montestaffoli (esq) e uma típica rua da cidade medieval

Só essa agenda já teria recomendado que eu saísse de Siena na véspera do voo e tivesse dormido em Roma ou Fiumicino, para estar mais descansada na hora de encarar a maratona aérea.

Mas grave mesmo foi o risco que eu corri: e se tivesse dado alguma zica no trajeto entre Siena e o aeroporto? Perder um voo internacional é uma péssima ideia para encerrar as férias

Depois dessa aventura, jurei que nunca mais repetiria uma aposta ousada dessas — mas voltei a pecar, saindo de Liverpool para o Aeroporto de Londres/Heathrow, no meu roteiro pela Inglaterra de 2013.

Torres de San Gimignano, Itália
San Gimignano é conhecida como "a cidade das torres"

No fim, deu tudo certo — ufa!. Ou mais ou menos certo, já que o voo da Air France Paris/Galeão atrasou, perdi a conexão para Brasília (operada pela TAM, mas comprada no mesmo bilhete) e as duas companhias aéreas ficaram brincando de jogo de empurra para resolver a situação.

Só consegui embarcar para Brasília no mesmo dia porque solicitei ajuda à ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Obrigada aos trabalhadores da agência, que fizeram valer meus direitos.

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