24 de setembro de 2010

Atrações em Siena, Itália

Palazzo Comunale,  Piazza del Campo, Siena
O Palazzo Comunale, principal construção da Piazza del Campo, em Siena
Piazza del Campo de Siena
Adoro chegar em cidades antigas à noite — à meia luz, é bem fácil ignorar a passagem do tempo. Em Siena, esse efeito foi de fazer o coração dar uma paradinha.

Imagine você descer uma ladeirinha muito estreita e lúgubre e desembocar em uma das praças mais famosas da Itália, a Piazza del Campo, toda dourada pelo efeito dos lampiões. Foi como chegar ao Século 13.

A Piazza del Campo de Siena, com seu célebre formato de leque, é dominada pela imponência do Palazzo Público (ou Palazzo Cumunale), onde se destaca a Torre del Mangia, com 100 metros de altura, projetada para atingir a mesma altura do campanário da catedral — que fica em terreno mais elevado —, de modo que essa expressão de poder dos senhores de Siena não se projetasse acima do símbolo maior da igreja católica. 

Siena, Itália, Piazza del Campo
Você desce uma ladeirinha lúgubre e lá está a Piazza del Campo
Pálio de Siena
O piso inclinado da praça, como um anfiteatro, dá a sensação de que tudo converge para o palácio. E é aqui, neste espaço encantador, que se disputa o Pálio de Siena, corrida de cavalos que remonta ao Século 17 e que eleva às alturas a rivalidade entre as contrade (comunidades) em que a cidade se divide desde a Idade Média.

Palio de Siena é disputado sempre nos dias 2 de julho e 16 de agosto. Antes da corrida, as representações das 18 contradas desfilam pela Piazza del Campo em com trajes tradicionais, carregando suas bandeiras, com as quais fazem os famosos malabarismos e evoluções.

A corrida de cavalos consiste em três voltas ao redor da praça.

Piazza del Campo, Siena
A praça em uma manhã tranquila de quase inverno. Nos dias do Pálio, ela ferve
Siena, uma cidade medieval
Roma é ocre, Nápoles é vermelha, Florença é dourada e Siena é marrom. O tom dos tijolos das fachadas acompanha o visitante praticamente por toda parte.

Em alguns pontos da cidade, como no Duomo (catedral) e em alguns palácios, o rico mármore, que oscila entre a alvura e o rosa, serve muito mais para destacar do que para amenizar essa característica cromática de Siena.


A Piazza del Campo de Siena vista do topo do Facciatone da Catedral
A Piazza del Campo vista do alto do Facciatone
Os tons de marrom têm uma explicação histórica: Siena não chegou à Renascença.

Tão poderosa nos séculos 13 e 14, a ponto de rivalizar com Florença pelo domínio da região, Siena teve seu esplendor interrompido por uma epidemia que dizimou boa parte de seus moradores, no finalzinho do Século 14, congelando as feições da cidade na Idade Média.

Siena vista do topo do Facciatone da Catedral
Uma cidade monocromática. À esquerda, a fachada lateral do Duomo, em mármore, mais reforça do que atenua esssa uniformidade 
Mármore e tijolos: contrastes de Siena
O contraste dos mármores da catedral e o marrom predominante em Siena
Siena, a "prima de Roma"
Diz a lenda que Siena foi fundada por um filho de Remo, o gêmeo de Rômulo, fundador de Roma.

A Loba Romana, que na narrativa mitológica teria criado Rômulo e Remo, está em toda parte em Siena, cidade que se queria meio "prima" da capital do império.

Na verdade, esse apego a Roma atesta muito mais a origem latina de Siena em uma região eminentemente etrusca como a Toscana.

É a expressão de rivalidades muito antigas entre os povos que disputaram a hegemonia daquele pedacinho lindo de mundo, que se estenderam nas disputas entre Siena e Florença. 

Detalhes decorativos de fachadas de Siena, Itália
Siena não teve tempo para se cobrir de esplendores renascentistas, mas o olhar atento descobre suas belezas entre as velhas fachadas de tijolos
A Loba Romana na Praça do Duomo e na Fonte Gaia, em Siena
A Loba Romana está por toda parte. à direita, no alto de uma coluna da Praça do Duomo. À esquerda, na Fonte Gaia, na Piazza del Campo
O relevo de Siena 
Siena pode não ter vencido Florença na queda de braço comercial e militar da Idade Média, mas uma vantagem ela leva sobre sua rival: o relevo.

Muito mais acidentada que a vizinha, em Siena qualquer ladeira (e haja ladeiras) pode oferecer um belo balcão para se contemplar os telhados avermelhados pelo sol.

Vista do Centro Histórico de Siena, Itália
O relevo acidentado de Siena é prodigo em cantinhos
 para a gente apreciar a paisagem 
Duomo de Siena
🏠Piazza del Duomo
🕒Diariamente, das 10h:30 às 19h, no verão, e das 10:30h às 17:30 no inverno. O Museo dell'Opera, o Batistério e a Cripta podem ser visitados das 10h às 17h. 
💲O passe para todas as atações da Catedral custa € 15

Em meio à austeridade marrom das fachadas medievais, vez por outra Siena me pregava uma peça, tirando da manga um esplendor que eu achei que tivesse deixado para trás quando peguei o ônibus em Florença. O Duomo (catedral), por exemplo.

Fachada da Catedral de Siena, Itália
A fachada do Duomo de Siena
A Catedral de Santa Maria Assunta, do Século 13, foi projetada por Nicola Pisano, que desenhou um delicado rendilhado em mármores rosados para sua fachada.

Mas o exterior exuberante do Duomo não nos prepara para o impacto que é a visão do interior da igreja.

O espaço imenso, com colunas altíssimas, listradas em mármore preto e branco, abriga tesouros como um São João Batista, de Donatello, um púlpito em mármore de Pisano, e o piso totalmente recoberto de mármore entalhado, mostrando cenas bíblicas e históricas. 

Detalhes da fachada da Catedral de Siena, Itália
 Duomo: a elegante fachada lateral, a decoração de um portal, o campanário e a cúpula
Afrescos decorativos da Libreria Piccolomini, Siena, Itália
A hipnótica Libreria Piccolomini.
Dá vontade de deitar no chão para namorar os afrescos do teto
Libreria Piccolomini
Anexa à Catedral está a Libreria Piccolomini, onde a gente fica na dúvida entre admirar as raras iluminuras do acervo da biblioteca ou pegar um torcicolo, de tanto olhar o teto, coberto de afrescos de Pinturicchio — dá uma vontade louca de deitar no chão.

Batistério e Cripta da Catedral de Siena
A Catedral de Siena tem, ainda, um lindíssimo Batistério, com as paredes inteiramente recobertas por afrescos e mármores.

Mas nada se iguala à Cripta, que passou 700 anos soterrada, coberta de entulho, e só foi redescoberta durante uma obra de restauração do Duomo, em 1999. Foi reaberta ao público em 2004 e, sozinha, vale a visita a Siena. 

Interior da Catedral de Siena, Itália
O batistério e a nave principal do Duomo
Por algum motivo, essa cripta, com todas as paredes decoradas com preciosos afrescos bíblicos, foi aterrada menos de 100 anos depois de concluída. A ausência de luz contribuiu para que essas pinturas conservassem todo seu esplendor. É de deixar a gente sem fala.

Detalhes da fachada da Catedral de Siena, Itália
O Duomo e a fachada do que seria a "catedral nova",
 obra abandonada no Século 14
Facciatone do Duomo de Siena
Quando eu estava achando que o Duomo de Siena já tinha me mostrado todas as suas maravilhas, resolvi desafiar uma escadaria daquelas para alpinistas, que parte do Museo dell' Opera del Duomo.

Essa escadaria leva o visitante a uma construção inacabada, a fachada do que deveria ter sido a “nova” catedral da cidade — a construção foi iniciada no Século 14 e interrompida pelo declínio da cidade, após a epidemia.

Siena vista do topo da Catedral
Vista do alto do Facciatone
Essa fachada inacabada, o Facciatone ("fachadão"), dá uma ideia do ambicioso projeto que a cidade tinha para sua nova catedral.

A construção se projetando nas alturas e se consagra como um senhor mirante para a a cidade. De lá se vê todo o Centro Histórico de Siena — dá quase para sentir na ponta dos dedos a textura dos telhados — e os campos da Toscana, mais além, meio envoltos na névoa do outono.



Vista do topo do Facciatone da Catedral de Siena
Siena vista do topo do Facciatone
Ghetto de Siena
Já quem quem gosta de ruelas medievais, arcos e passagens cobertas se sente em casa na região do Ghetto de Siena.

Uma área adorável, como costumam ser os bairros judaicos das velhas cidades europeias, feitos de ruas muito estreitas e tortuosas.

Ruas medievais do Ghetto de Siena, Itália
Seguindo as ruas laterais do Duomo, a gente vai entrando
 em um labirinto medieval cada vez mais intrincado
A despeito de terem nascido da segregação dos Judeus e de terem presenciado muita violência, conservam um encanto meio misterioso que acho irresistível — experimente caminhar pelo Ghetto de Roma, El Call de Girona ou a Judería de Córdoba, por exemplo.

Sede da Contrada della Torre e detalhes de uma fachada no Ghetto de Siena, Itália
Uma fachada do Ghetto e a sede da Contrada della Torre
O Ghetto de Siena é sede da Contrada della Torre (Via Salicotto 76, Ghetto), uma das divisões administrativas (como distritos) adotadas pela cidade ainda na Idade Média.

As contrade tinham representantes nos conselhos, tomavam decisões locais de menor impacto e eram obrigadas a fornecer contingentes para compor as tropas que defendiam Siena.

Aos poucos, as contrade foram ganhando cores próprias, identidades, bairrismo, paixões...

Como se fossem torcidas de futebol — só que o esporte onde tudo isso se expressa é o Pálio. Hoje restam 17 contrade: a Loba, á Águia, o Unicórnio... E a brava Contrada della Torre, que já ganhou minha simpatia, em seu grená, azul e branco, como o Barça.

Igreja e Convento de São Francisco, Siena, Itália
A Igreja de San Francesco
Convento de San Francesco
🏠 Piazza di San Francesco, 6
🕒 Diariamente, das 7h às 12h e das 15:30h às 19h
💲 Entrada gratuita

Uma caminhada um pouco mais longa, a partir do centro de Siena, leva a outro recanto adorável, a Basílica e Convento de San Francesco, do Século 13.

Chega-se aqui atravessando um arco de pedra que dá acesso à ampla praça debruçada sobre um parque muito verde, com vistas lindas da cidade. Bom lugar para ver o cair da tarde.

O interior da basílica tem uma ampla nave gótica, muito sóbria, mas impactante, com as paredes recobertas de mármore, como uma boa igreja toscana.

E as dicas para organizar sua viagem você confere no post
Siena - dicas práticas

Mapa-índice de destinos na Itália, com dicas de atrações, roteiros, hospedagem, restaurantes e transporte. Clique nos ícones para acessar os links



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