27 de novembro de 2007

O que fazer em Veneza

Adoro me perder em Veneza...
Na primeira vez que vi Veneza, ela sapateou no meu coração. Vá ser bonita assim lá na beira daquela laguna meio poluída do Adriático. Eu só queria zanzar à beira dos canais com cara de boba. Na minha segunda visita, o encantamento foi na mesma intensidade. A diferença é que eu já sabia o que fazer em Veneza e pude ser mais objetiva nos meus passeios.

Objetiva em doses venezianas, que fique bem claro — acho impossível alguém cumprir um roteiro cartesiano naquele labirinto de belezas. Mudar de rota e descobrir encantos fora da agenda é inevitável em Veneza.

Andar de vaporetto é uma das melhores maneiras de ver Veneza
Minha segunda visita foi em um mês de novembro, dias após uma chuvarada alagar os pontos mais turísticos de Veneza, como a Praça de San Marco. Nem isso afastou a multidão de turistas que lota a cidade todos os dias do ano. Mas dei sorte: Veneza me recebeu com um céu azul inacreditável e um calorzinho que me fez arrancar o cachecol assim que pisei na plataforma da Estação Ferroviária de Santa Lucia.

Que sorte a minha, pois o melhor da cidade dos canais é andar à toa — sim, todas as listas de o que fazer em Veneza, inclusive esta, devem servir como um start, mas nunca como um roteiro obrigatório.

Depois da chuvarada que quase me fez desistir de ir a Veneza, olha só o presente que eu ganhei

Visite as principais atrações de Veneza—o Palácio dos Dodges (Palazzo Ducale), a Praça e a Basílica de San Marco, a Scuola Grande di San Rocco (onde trabalhou Tintoretto). Mas guarde um tempo para se perder no emaranhado de ruelas de San Polo, Rialto e Dorsoduro.

Veja minhas dicas do que fazer em Veneza:
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⭐Palácio dos Doges de Veneza
Piazza de San Marco (paradas de vaporetto Vallaresso ou San Zaccaria).
site > Palazzo Ducale


Horário: diariamente, das 8h30 às 19h (de abril a outubro). Horário de inverno (novembro a março) das 8:30h às 17:30h.

Preço: o ingresso custa € 20 e dá direito à entrada também no Museu Correr, Museu Arqueológico e às salas monumentais da Biblioteca Nacional Marciana. Para ver os Itinerari Segreti, também incluído no bilhetes, faça sua reserva no site do Palazzo Ducale.

Reserve a visita ao Palácio dos Dodges com antecedência, para poder percorrer os Itinerari Segreti (roteiros secretos), pelos aposentos onde eram tomadas as decisões mais delicadas da República Sereníssima de Veneza, o apartamento dos Dodges e à prisão. Caso contrário, você só terá acesso à visita convencional (que já é um espetáculo).

A Catedral (esq), o Palazzo Ducale e, ao fundo,
o Campanário de San Marco
Concluído no Século 15 para ser sede do governo veneziano, o Palácio dos Doges é lindíssimo, uma suntuosa construção com fortes influências bizantinas. O acervo do palácio tem obras de arte de primeiríssima linha (jamais esquecerei um Inferno pintado por Hieronymus Bosch).

Até o Século 18, O Palazzo Ducale abrigou as instâncias de governo e judiciárias de Veneza. Os tribunais que se reuniam no palácio deram origem ao nome da famosa Ponte dos Suspiros, que liga o edifício à antiga prisão — os suspiros eram de desespero dos condenados, não de apaixonados, como a aura romântica de Veneza poderia sugerir.

A cúpula da Catedral de San Marco dourada pelo sol poente
⭐Basílica da San Marco
Praça de San Marco
Site > Basílica de San Marco

Horário: de segunda a sábado, das 9:30h às 17h. Domingos e feriados das 14h às 16:30h.
Preço: a visita ao interior da igreja é gratuita. Se quiser marcar hora e escapar da fila, porém, é preciso pagar uma taxa de € 2.
Para ver a Pala d'Oro é cobrado um ingresso de € 2 — e o acesso é só até as 16 horas. O Museu de San Marco pode ser visitado das 9:45 às 16:45 e a entrada custa € 5. Imperdível também é a visita ao Tesouro da Basílica (até as 16 horas, entrada € 3).

A Basílica de San Marco corre o sério risco de ser a igreja mais bonita do mundo e é outra visita essencial em Veneza. Escancaradamente bizantina, foi inaugurada no Século 11 para guardar o que se acredita serem relíquias de São Marcos Evangelista, padroeiro de Veneza.

Seu interior é um deslumbre: mais de 8 mil metros quadrados de suas paredes e cúpula estão recobertos por mosaicos, técnica decorativa muito característica da arte de Bizâncio. 

A visita à Basílica de San Marco está limitada a um percurso de cerca de 10 minutos, para dar conta de tanta gente que quer vê-la por dentro. Para uma contemplação com mais calma, vale fazer a visita guiada (paga).

Atrás do altar-mor da Basílica de San Marco, não deixe de ver a magnífica Palla d'Oro, uma peça de altar pintada sobre folhas de ouro e coberta de pedras preciosas, do Século 10.
Uma das muitas passagens em arco de Veneza (esq), no Dorsoduro. À direita, a Ponte dos Suspiros
⭐ Campanário de San Marco
Praça de San Marco. A subida é feita por elevador.
Horário:
de abril a outubro: diariamente, das 8:30h às 21h (de 1º a 15 de abril, apenas às 17h). De novembro a março: diariamente, das 9:30h às 17:30h.
Preço: € 8

Pairando sobre a Praça de San Marco a quase 100 metros de altura (98,5 m, para exercitar o rigor jornalístico), o Campanário da Basílica de San Marco oferece uma vista inigualável de Veneza, do Grande canal e da Laguna.

O vento lá no alto é cruel, portanto, agasalhe-se bem se for subir em um dia mais fresco. E tenha paciência com a fila, que é sempre monumental — se não quiser esperar, é possível pagar um suplemento de € 3 para a visita com hora marcada.

Outra vista espetacular de Veneza você tem a bordo do vaporetto, a caminho do Lido. Sem fila e sem ingresso (só a passagem no barquinho).

Scuola Grande di San Rocco
⭐Passeio em San Polo
Uma área gostosa para andar à toa em Veneza é o sestiere (bairro ou subdivisão da cidade) de San Polo, no lado Oeste da Ponte de Rialto.

Quanto mais a gente se embrenha no bairro, mais fascinante ele vai ficando, com pracinhas minúscula, quase secretas, barraquinhas que oferecem pizza al taglio (uma fatia servida num guardanapo) para comer no meio da rua, lojinhas de artesanato e restaurantes pequenininhos e interessantes.

San Polo é tradicional área de mercadores — o mercado do sestiere funciona desde o Século 11 — e um dos bairros mais antigos de Veneza.
A Ponte de Rialto, ponto de partida para uma gostosa caminhada pelo bairro de San Polo
⭐Escola Grande de São Roque.
(Scuola Grande di San Rocco) Campo San Rocco, San Polo. Melhor parada de vaporetto: San Tomà.
Horário: diariamente, das 09:30h às 17:30h
Ingresso: € 10

A Escola Grande de São Roque é uma visita imperdível, pelas maravilhosas pinturas de Tintoretto que decoram seus salões.

O pintor Jacopo Robusti, que entrou para a História como Tintoretto, nasceu, viveu e trabalhou em Veneza no Século 16 e é considerado um dos maiores gênios artísticos de sua época — El Greco era um fã incondicional dele. Foi um dos grandes expoentes do Maneirismo e é apontado como um dos precursores do Barroco.

Na Escola Grande de São Roque, Tintoretto pintou 65 painéis que decoram a Igreja de São Roque, a Sala Capitular, a Sala Terrena e a Sala do Albergue. 

A obra mais famosa em Veneza, porém, é a Santa Ceia — apontada como a grande rival da obra sobre o mesmo tema de Leonardo Da Vinci, que está em Milão. A Ceia de Tintoretto está na Basílica de San Giorgio Maggiore, na ilha com o mesmo nome, em frente à Praça de San Marco.

⭐ Passeio pelo Dorsoduro
Caminhando para o Sul, a partir de San Polo, depois de atravessar inúmeros canais — por pontes muito fofas — a gente sabe que chegou aos Dorsoduro, a parte mais seca de Veneza, porque as pracinhas começam a ficar um pouquinho mais amplas (só um pouquinho).

No Dorsoduro, vale a pena reservar um tempinho para ver a magnífica Basílica de Santa Maria della Salute, do Século 17, que fica em uma pontinha de terra no extremo Leste do sestiere.

Depois, dê uma passadinha pela Igreja de San Barnabà, que “interpretou” a biblioteca onde Indiana Jones (Harrisson Ford) inicia a busca por seu pai desaparecido (Sean Connery), em Indiana Jones e a Última Cruzada (de Steven Spielberg, 1989). San Barnabà foi construída no Século 17.

Ao lado da igreja, a Ponte dei Pugni (“ponte dos punhos”) sobre o Rio Barnabá tem uma história curiosa. Era lá que, todos os anos, duas famílias rivais em Veneza — os Castellani e os Nicolotti — se enfrentavam em um pugilato generalizado. O objetivo era jogar os adversários no canal a custa de muitos socos.

Campo Santa Margherita
O “certame” foi realizado por quase 200 anos e pancadaria era acompanhada por uma plateia enorme, como uma final de Copa do Mundo. No início do Século 18, uma edição do “torneio” terminou em mortes e a peleja foi definitivamente proibida.

Hoje, a Ponte dei Pugni é um cantinho sossegado, mais famoso por ser o local onde ancora, todos os dias, uma barquinha de frutas e verduras.

O fim do passeio no Dorsoduro pode ser no Campo Santa Margherita, área boêmia onde uma taça de vinho espanta o frio que vem com o cair da tarde.

A Ponte dei Pugni sobre o Rio San Barnabá e a famosa barquinha de frutas
➡️ Como chegar a Veneza
Nas duas vezes que fui a Veneza, cheguei de trem, vindo de Florença. São duas horas de viagem, geralmente com paradas em Bolonha e Pádua. (Atualização em março de 2014: a passagem está custando €29).

O Aeroporto Marco Polo recebe voos de 127 países.

➡️ Onde se hospedar em Veneza
⭐ Hotel Mercurio
Calle del Fruttariol, San Marco, 1848. O restaurante Anonimo Veneziano fica no térreo e pertence ao hotel.

A região de San Marco tende a ser a mais cara de Veneza, mas em novembro, consegui encontrar o simpático Hotel Mercúrio, a 20 metros do Teatro La Fenice, com diárias no apartamento single a €50.

O Hotel Mercurio é pequeno, administrado por uma família, e com serviço muito atencioso.

A dona do hotel dá boas dicas de Veneza para quem quer escapar do roteirão manjado. Tem dois andares, sem elevador. O quarto é apertadinho, mas tem um balcãozinho simpático, embora sem vista, forro de madeira acompanhando a queda do telhado da água-furtada.


➡️ Onde comer e o que comer em Veneza
No térreo do Hotel Mercurio funciona o restaurante Anonimo Veneziano, uma boa surpresa. Jantei lá na minha segunda noite na cidade e gostei bastante.

Logo de cara, o garçom me trouxe, como cortesia da casa, uma porção de sarde in saor. O prato é quase uma logomarca de Veneza: sardinhas marinadas em azeite, vinho e cebolas. Só elas já valem a visita à cidade.

Pedi vieiras de entrada (porção generosa e deliciosa) e, para terminar, um espaguete na tinta de lula que estava sublime. Tudo isso com vinho, é claro, mas não consegui encarar sobremesa, só café e licor. Conta: € 38 muito bem pagos.


Mais sobre Veneza

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A Europa na Fragata Surprise

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Um comentário:

  1. Adorei seu blog, vou para a Itália em Abril e estou pegando várias dicas aqui! rs Obrigada!!

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