22 de fevereiro de 2019

O que fazer em Memphis, a cidade do Blues

Estátua de Elvis no Centro de Memphis, Tenessi, e a Beale Street, a rua do Blues
Estátua de Elvis no Centro de Memphis. À direita, Beale Street, a rua mais blueseira do planeta 
No princípio, era o Blues. Daqueles 12 compassos brotou tudo que mais importa pra mim. E se o Blues nasceu no Delta do Mississípi, foi em Memphis que ele se aboletou, montou casa e se espalhou pelo mundo.

E que cidade é essa Dona Memphis. Contraditória, segregada, problemática, sem grandes paisagens para selfies... E foi ela quem mais arrebatou meu coração durante meu roteiro musical pelos Estados Unidos — e olha que as outras paradas foram em Nova Orleans e Nashville.

Pois eu arriei de quatro pneus pela cidade do Blues. Se você gosta de música, vai encontrar muito o que fazer em Memphis. Se não gosta tanto, acho que também não vai escapar imune.


Grafite em Main Street, Memphis, lembra o movimento pelos Direitos Civis nos EUA
Grafite em Main Street relembra a palavra de ordem dos trabalhadores da limpeza pública de Memphis, em 1968, reivindicando condições dignas de trabalho. Martin Luther King estava na cidade para apoiar o movimento quando foi assassinado
É que a mesma alma que se derrama naqueles 12 compassos dá a Memphis uma vivacidade e um calor que eu jamais pensei encontrar no Sul dos Estados Unidos, às margens do Rio Mississípi — ou que fossem além de Nova Orleans.

A primeira coisa que você vai fazer em Memphis (e repetir obsessivamente) é ouvir música.

Vai bater ponto três vezes por dia em Beale Street, legendária “5ª Avenida” da comunidade afro-americana da cidade em tempos idos, hoje passarela de bares e clubes com shows — e que shows! — ao vivo. (Beale Street vai ganhar um post exclusivo).

Fábrica de Guitarras Gibson
A  fábrica das legendárias guitarras Gibson está se despedindo de Memphis. E o que importa? Os guitarristas — com Gibsons os Fenders — continuarão chegando aos montes pra mostrar sua arte...
Em Memphis, você vai ouvir música nos museus, nos restaurantes, no transporte público. Vai se controlar pra não requebrar no meio da rua aos acordes do Blues, do Rock’n’Roll, do Rhythm’n’Blues, Rockabilly e o escambau.

E, lá pras tantas, vai mandar tudo às favas e dançar com gosto e sem vergonha — mesmo quando a música estiver tocando só na sua cabeça.

O que você mais vai fazer em Memphis é se apaixonar por ela. Vai morrer de amor por essa cidade paradoxal, posta no mapa pelo engenho e pela arte de um povo segregado ao gueto, pioneira na conquista de escolas públicas para crianças negras. 

A urbe regida por reis e rainhas africanos como BB King, Albert King, Howlin' Wolf, John Lee Hooker, Little Milton e Memphis Minnie. A mesma onde Martin Luther King recebeu o tiro fatal de um racista, em 1968.

Bora passear comigo por Memphis, a cidade do Blues:   

O que fazer em Memphis

Orpheum Theater

Orpheum Theater
203 South Main Street
Para calendário de apresentações, acesse o site do teatro

Postado em uma esquina pra lá de simbólica (Beale Street com Main Street), o Orpheum Theater é uma joia de Memphis.

Foi inaugurado em 1928, substituindo outra casa de espetáculos, a Grand Opera House — que tinha uma natureza menos afinada com a alma Blues da cidade —, incendiada em 1923.

Em pompa e em beleza, porém, o Orpheum não destoa de uma grande casa de ópera de inspiração Belle Époque (esses teatros que me matam de paixão, vocês sabem).

Teatro Orpheum

Teatro Orpheum

O Orpheum Theater tem quase 2.500 lugares (2491, em nome da precisão jornalística 😉), entre plateia, balcões e camarotes.

Tem decoração suntuosa, com entalhes delicados nas madeiras nobres, mármores e candelabros de cristal no saguão, veludos vermelhos, como é de rigueur...

O repertório do teatro é bastante variado: concertos eruditos, balés, shows de música popular e, para orgulho de Memphis, vários espetáculos da Broadway, que podem ser montados sem qualquer problema, graças às dimensões do palco e à qualidade dos equipamentos do Orpheum.

Calçada da fama do Orpheum Theater
Três amores da minha vida na calçada da fama do Orpheum Theater
Algumas das grandes estrelas que já passaram pelo Orpheum são lembradas em uma espécie de calçada da fama que cobre a esquina onde está o teatro. BB King, Bob Dylan, James Taylor e outros dos meus amores já se apresentaram naquele palco histórico.

O Orpheum Theater não oferece visitas guiadas. Para ver sua beleza, eu fiz o sacrifício (😀😀) de assistir à apresentação de Joe Bonamassa, que, pra minha sorte, tocou em Memphis em uma das noites que eu estava na cidade.

Joe Bonamassa no Orpheum Theater
Bonamassa no palco: quem teve um mestre como BB King só podia ser fera
Considerando o grande bluesman de sua geração (ele faz 42 anos em 2019), Bonamassa é realmente genial. Apontado como "o herdeiro de Eric Clapton", ele foi discípulo de BB King — aos 12 (!) anos de idade o cara já abria os shows da turnê do mestre — e apenas arrebenta no palco.

A banda que o acompanha só tem fera — especialmente o baixista Michael Rhodes, um mago das quatro cordas que já viveu em Memphis e hoje mora e trabalha em Nashville.

Gosta de música e viagens? Siga o link para mais dicas 😉
Ingressos nos Estados Unidos: como organizei meu roteiro musical

Show de Joe Bonamassa no Orpheum Theater de Memphis
Michael Rhodes: super baixista para um guitarrista genial
Joe Bonamassa fez  um sowzaço, entre os melhores que já vi na vida. Sem dúvida, o ponto mais alto do meu roteiro musical pelos Estados Unidos

Como eu consegui assistir a essa maravilha de espetáculo? Assim que comprei minha passagem para os EUA, comecei a pesquisar as grandes atrações musicais programadas para as três cidades que ia visitar (Nova Orleans, Nashville e Memphis) e comprei os ingressos com antecedência, pela internet. Simples e fácil 😉. Vou fazer um post detalhadinho sobre a compra de ingressos para espetáculos nos EUA.


Estátua do bluesman Little Milton no Hall da Fama do Blues, em Memphis
A lembrança do bluesman Little Milton (1934-2005) recebe os visitantes na porta do Hall da Fama do Blues
⭐Hall da Fama do Blues (Blues Hall of Fame)
421 South Main Street. 
Diariamente,  das 10h às 17h. Entrada: US$ 10

Cinco minutos depois de entrar no museu do Blues Hall of Fame, eu já tinha certeza absoluta de que tinha ido para o céu sem sequer precisar me dar ao trabalho de morrer.

Que museu, gente! Que museu!!!

Saguão do museu do Hall da Fama do Blues
A Casa do Blues: você desce uma escadinha e vai para o céu
É tudo poderosamente simples: você vai ver algumas vitrines explicativas com imagens, instrumentos musicais e outros objetos. Cada um desses módulos é uma boa aula sobre a história do Blues, abordando um grupo de artistas ou uma determinada fase desse estilo musical que é a origem de tanta coisa.

Essa exposição visível — fotos, documentos, guitarras e outros recuerdos de grandes blueseiros — está acompanhada de painéis explicativos muito bem organizados, com informações interessantes e contextualizadas. 

Exposição permanente no Hall da Fama do Blues, em Memphis
Poderosamente simples: imagens e painéis explicativos levam o  visitante pela mão
Robert Johnson no Hall da Fama do Blues
A canção Terraplane Blues, de Robert Johnson, foi inspirada nos Essex-Terraplane, automóveis populares nos anos 30. A calota do carro foi uma doação de dois bluesmen que reviraram ferros-velhos dos EUA em busca de peças dessa marca. 
Mas o que torna o museu do Hall da Fama do Blues um lugar celestial é a música. Música para escutar até seu coração se sentir pleno — e pode requebrar com os fones nas orelhas, porque todo mundo faz isso.

Charley Patton e Tommy Johnson no Hall da Fama do Blues, em Memphis
Pioneiros do Blues no Delta do Mississípi: Charley Patton (esq), considerado o "pai" desse estilo, e Tommy Johnson, menestrel blueseiro dos anos 20
Mulheres no Hall da Fama do Blues: Memphis Minnie, Bessie Smith e Alberta Hunter
Tem mulher no Blues! No Hall daFama, são 21 blueseiras homenageadas, entre elas Alberta Hunter (foto no alto, à direita), Bessie Smith (representada pela boneca de pano) e Memphis Minnie (busto de bronze, ao centro) são três das 
O acervo musical do museu do Blues Hall of Fame é imenso e maravilhoso. Ele é apresentado ao público de forma super didática e agradável.

As telas interativas de cada módulo guiam o visitante pelas informações biográficas e musicais dos artistas e depois nos levam pela mão para um delicioso tour pelos registros sonoros dos gênios e gênias do Blues. Dá pra ficar horas navegando naquele som inebriante.

Vinil da gravação de Key to the Highway no Hall da Fama do Blues, em Memphis
Tão empolgada com o museu que rolou até selfie num vinil com a gravação de Key to the Highway por Big Bill Broonzy 
Para um mergulho ainda mais fundo, há cabines escurinhas, com lugar para sentar, onde a gente relaxa ouvindo faixas selecionadas das discografias dos homenageados no Hall da Fama do Blues. Em um cantinho simpático e bem iluminado funciona uma aconchegante sala de leitura.

Dá pra passar o dia inteiro lá dentro — eu fiz quase isso — e acordar na manhã seguinte com muita vontade de voltar.

Painel interativo do acervo musical do Hall da Fama do Blues
Essas telinhas são a chave para o paraíso
Sala de leitura do museu do Hall da Fama do Blues
A sala de leitura do museu
O Hall da Fama do Blues foi criado em 1980 como uma forma de reconhecimento aos artistas (principalmente) e outros personagens que deram contribuições significativas a esse estilo musical e à cultura do Blues.

Naquele ano de fundação, 20 grandes nomes foram introduzidos no Hall da Fama do Blues (entre eles Big Bill Broonzy, John Lee Hooker, Howlin' Wolf, Robert Johnson, B.B. King, Muddy Waters, Charley Patton, Bessie Smith e os dois Sonny Boy Williamson).

Lembranças de BB King e Johnny Winter no Hall da Fama do Blues, em Memphis
A guitarra e um terno de BB King (esq) e lembranças de Johnny Winter
lembranças de Muddy Waters no Blues Hall of Fame, Memphis
Olha Muddy Waters em cena: a jaqueta da turnê de 1982 e um violão usado por ele


A Todos os anos, os novos membros do Hall da Fama são escolhidos pelos filiados à Blues Foundation (qualquer pessoa pode se filiar).

Até 2018, são 213 homenageados (veja a lista completa do Blues Hall of Fame).

Galeria dos homenageados no Blues Hall of Fame
O Hall da Fama do Blues: cadê Rory Gallagher, moço?
Apenas dois estrangeiros receberam a honraria: os ingleses Eric Clapton e John Mayall.

Conversando com membros da Blues Foundation, mantenedora do Hall da Fama, cobrei enfaticamente uma homenagem a Rory Gallagher (aquele irlandês que Jimmi Hendrix achava o melhor guitarrista do mundo).

E bora combinar que já passou da hora de colocarem Jimmi Hendrix e Janis Joplin na lista 😊.

O museu do Blues Hall of Fame funciona desde 2015 e é uma das atrações imperdíveis de Memphis. Quando passar pela cidade, não perca esse visita por nada deste mundo.

Rock'n'Soul Museum, Memphis
Rock'n'Soul Museum: contexto é bom e eu gosto
Memphis Rock'n'Soul Museum
191 Beale Street
Aberto diariamente das 9:30h às 19h. Ingresso: US$ 13.

Se não ficasse na mesma cidade onde estão Graceland, o Sun Studio e o museu do Blues Hall of Fame, o Rock’n’Soul Museum seria muito comentado do que é — e mesmo comparado com essa trinca espetacular de concorrentes, continua sendo uma visita imperdível em Memphis.

Aliás, não só recomendo que você vá mesmo ao Rock’n’Soul Museum como sugiro que comece a explorar as atrações de Memphis por lá.

Rock'n'Soul Museum: lembranças da Poplar Tunes e de Carl Perkins
Quando a segregação racial obrigava até as rádios a se dividirem entre "de música negra" e "de música branca, a loja de discos Poplar Tunes, inaugurada em 1946, vendia discos de todos os estilos musicais e artistas. Era a favorita de Elvis e é lembrada no Rock'n'Soul Museum como um marco. À direita, recuerdos de Carl Perkins, um gênio do Rock'n'Roll
O Rock’n’Soul Museum foi concebido e montado pela prestigiadíssima Smithsonian Institution. Em seu acervo você vai encontrar peças de memorabilia, vídeos, fotos e documentos. Também vai ouvir muita música. 

Mas o que torna o Rock’n’Soul Museum especial é o foco no contexto social, politico e econômico onde o Blues e o Rock’n’Roll foram fermentados.

Nesse capítulo, o museu é imbatível. É lá que o visitante pode conhecer melhor a realidade rural do Sul dos Estados Unidos, especialmente da área do Mississípi, no início do Século 20.

Recriação do cotidiano de uma família negra nos anos 30 no Sul dos EUA
No universo doméstico de uma família negra no Sul dos EUA, nos anos 30, havia poucas posses, mas a música estava lá
Exposição no Rock'n'Soul Museum
O "contrabalde" era um contrabaixo de uma corda só, improvisado com um balde e um cabo de vassoura: numa vida dura, a música era o lazer depois da lida no campo e presença obrigatória nos ofícios religiosos
Uma realidade dura para a maioria, brancos pobres ou negros que trabalhavam a terra na condição meeiros, ou sharecroppers — gente que planta e colhe e divide o fruto de seu trabalho com o dono da fazenda.

Uma dureza que só piorou com o crack da Bolsa de Valores, em 1929, e com os longos anos da Grande Depressão Econômica.

Esse cenário econômico inspirou o grande êxodo do Delta do Mississípi para as cidades industrializadas do Norte. O Blues migrou na bagagem — essa mesma realidade também gestou os legendários andarilhos que inspirariam a Literatura Beat, a Cultura Beatnik e o Movimento Hippie, em décadas seguintes.

Elvis Presley no Rock'n'Soul Museum
Claro que tem Elvis no museu...

Seção do Rock'n'Soul Museum lembra a importância da música negra no movimento pelos Direitos Civis nos EUA
A música desempenhou um papel importante na luta pelos Direitos Civis
O percurso histórico proposto pelo Rock’n’Soul Museum passa pelo crescimento urbano de Memphis — um meio de caminho entre o Delta o Norte, onde muita gente ficou por absoluta falta de condições de prosseguir —, e pela produção absolutamente genial urdida em usinas musicais como o Sun Studio e o Stax Records (o grande celeiro da Soul Music e do Funk).

Um ponto arrepiante do Rock’n’Soul Museum é dedicado ao papel da música no Movimento pelos Direitos Civis, a partir dos anos 50.


Sun Studio, o berço do Rock'n'Roll

Sun Studio
706 Union Avenue
Aberto diariamente das 10h às 18:15h. Só recebe visitas guiadas, iniciadas de hora em hora. Ingressos: US$ 14.

Se eu já tinha delirado com a visita ao Studio B de Nahsville, imaginem o meu estado de arrebatamento ao entrar no Sun Studio, a manjedoura do Rock’n’Roll.

O estúdio do mago Sam Phillips, inaugurado em 1950, foi um engenho incessante de gravações de Blues e Country desde sua origem. Gente como os blueseiros Howlin' Wolf, Little Milton e BB. King eram habitués da casa.

Fachada do Sun Studio, em Memphis
Em 1987, o Sun Studio foi reaberto em sua sede original, a 1 km do Centro de Memphis
De tanto manter Country e Blues no mesmo ambiente, uma dia a reação química entre ambos ia acontecer no Sun Studio.

Dizem que o primeiro registro de Rock’n’Roll feito no Laboratório do Doutor Phillips — e no planeta — foi a canção Rocket 88, gravada por Jackie Brenston and his Delta Cats.

Mas “quando a lenda vira factual, publique-se a lenda”, já dizia aquele personagem de John Ford.

Café do Sun Studio e a foto do "Quarteto de um milhão de dólares"
Na entrada do Sun Studio funciona um café. A foto na parede é do "Quarteto de 1 milhão de dólares" — Elvis, Johnny Cash, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis, que gravaram juntos no estúdio em 1956
E a lenda, meus caros navegantes desta Fragata, chama-se Elvis Aaron Presley.

Em um belo dia de 1953, ele apareceu no Sun Studio para gravar um disco para dar de presente à mãe. O céu não se abriu nem soaram trombetas: Elvis foi pra casa com seu vinil quase doméstico da canção My Happiness e isso teria sido o fim da história, se a secretária de Phillips, Marion Keisker, responsável pela gravação, não tivesse anotado que o cara era “um bom cantor de baladas”.

Equipamentos do Sun Studio e o estúdio de rádio de Sam Phillips
O dono da casa, Sam Phillips e equipamento original usado por ele nas gravações. À direita, réplica do estúdio de rádio de Phillips, que também era disc-jockey

Escritório de Marion Keisker, descobridora de Elvis, no Sun Studio
Escritório de Marion Keisker, a descobridora oficial de Elvis Presley
Foi preciso que se passasse quase um ano (e mais uma gravação que caiu no limbo) para que Elvis detonasse a fagulha que fundiria o Country com o Blues para todo o sempre.

Essa cena do Genesis se deu meio por acaso: Elvis não tinha banda e arrebanhou dois amigos que tocavam Country para acompanhá-lo na sessão no Sun Studio.

Coleção de memorabilia do Sun Studio
A coleção de relíquias e lembranças do Sun Studio estão no roteiro da visita guiada

Violão que pertenceu a Elvis Presley, no acervo do Sun Studio
Violão encapado em couro — mais Country, impossível — que pertenceu a Elvis 
E foi assim que o Blues That's All Right (Mamma) ganhou a batida que fundia a música caipira dos brancos com o som rural dos negros daquele jeito tão univitelino.

Dessa faísca primordial veio um rastilho de explosões cósmicas: aquele microfone do Sun Studio (que aparece comigo na foto mais abaixo) gravou vozes como as de Johnny CashCarl PerkinsRoy Orbison, e Jerry Lee Lewis — só pra ficar entre habitantes do Olimpo.

Interior do Sun Studio
O interior do estúdio de gravação: aquele pianinho ali é o mesmo tocado por Elvis na foto do Million Dollars Quartet 
Se você ainda estiver lendo este post — eu, sinceramente, já estaria a caminho de Memphis — fique com o meu testemunho de que a visita ao Sun Studio é daquelas peregrinações que todo/a roqueiro/a tem que fazer ao menos uma vez na vida.

A visita guiada é extremamente divertida, com direito a muita música e causos sobre as mitológicas sessões de gravação.

Sun Studio, berço do Rock'n'Roll

A visita ao Sun Studio começa em um pequeno museu onde estão expostas algumas relíquias do Rock, passa por outras dependências importantes, como o escritório de Marion Keisker, até chegar ao estúdio propriamente dito — e a gente nem tem que tirar os sapatos pra pisar lá dentro 😊.

Depois de ficar fechado por quase 20 anos (a última gravação tinha sido feita em 1968), o Sun Studio voltou à atividade em 1987 e hoje se divide entre os papéis de retumbante atração turística, monumento histórico e estúdio usado por grandes artistas e jovens iniciantes.

Detalhes do interior do Sun Studio, em Memphis
Muita coisa no estúdio é ainda é original. Como esse microfone que euzinha tive o prazer de conhecer — e que registrou as vozes de Elvis, Johnny Cash, Carl Perkins...
➡️Como chegar ao Sun Studio
O Sun Studio fica um pouquinho afastado do Centro de Memphis, a cerca de 1 km do miolo de Beale Street (veja no mapa abaixo).

O mesmo micro-ônibus que vai do Rock'n'Soul Museum pra Graceland faz uma parada lá e essa é a maneira mais confortável de chegar ao Sun Studio.

Eu preferi ir a pé e foi uma caminhada tranquila e segura. Outra possibilidade é pegar o bonde da Linha de Madison Avenue, que tem uma parada próxima ao estúdio.

Graceland, a casa de Elvis Presley
Graceland, a casa de Elvis Presley
Elvis Presley Boulevard, a 13 km (20 minutos) do Centro de Memphis
Aberto diariamente, das 9h às 16h. Ingressos a partir de US$ 41.
O túmulo de Elvis pode ser visitado gratuitamente, das 7:30h às 8:30h. 

Graceland foi a casa de Elvis Presley durante 20 anos. A propriedade foi comprada em 1957, quando ele estava bombando nas paradas de sucesso e nas telas de cinemas. 

O investimento de US$ 100 mil (quase US$ 1 milhão, em dinheiro de hoje) era seu refúgio, com direito a uma decoração muito pessoal e a todos os brinquedos — aparelhos de TV por todos os cantos, sala de jogos, cavalos, estande de tiro, quadra de squash — que o divertiam.

Desde 1992, Graceland está aberta ao público e é a segunda residência mais visitada dos EUA atrás apenas da Casa Branca.

As 650 mil pessoas que passam pelo refúgio de Elvis todos os anos podem percorrer a maioria dos ambientes da mansão (o segundo andar é fechado à visitação).

Graceland, a casa de Elvis Presley
Meu autorretrato na sala de visitas de Elvis e, à direita, um de seus pianos em um museu de Graceland 
A visita se completa na imensa coleção de roupas, objetos, carros, aviões, fotos, vídeos e outras memórias do “Rei do Rock” distribuídos em pavilhões onde funcionam dois museus, diversas lojas de lembrancinhas e três restaurantes.

Elvis está sepultado em Graceland, no Jardim da Meditação, que era seu lugar favorito na propriedade. Ao lado de seu túmulo estão as sepulturas de sua avó Minnie, e de seus pais Vernon e Gladys.

A casa de Elvis é uma visita para o dia inteiro. O melhor jeito de chegar lá é com o micro-ônibus que sai do Rock’n’Soul Museum, no Centro de Memphis.

Graceland ganhou um post exclusivo.
Dá uma olhada: Graceland, a casa de Elvis Presley em Memphis

Lorraine Motel, sede do Museu Nacional dos Direitos Civis
Lorraine Motel: a coroa de flores marca o local onde Martin Luther King recebeu o tiro fatal, em abril de 1968
450 Mulberry Street. 
De quarta a segunda, das 9h às 17h. Entrada: US$ 16.

O Movimento pelos Direitos Civis nos EUA  marcou os anos 60 do Século passado, mas a luta começou muito antes e está contada nesse museu impactante e imperdível.

Da escravidão à conquista de direitos básicos — como o de votar e de frequentar a escola que escolhessem e até ocupar o assento que quisessem no transporte público — os descendentes de africanos enfrentaram e ainda enfrentam uma dura caminhada nos EUA. Tão difícil quanto a dos negros no Brasil.

Rosa Parks no Museu Nacional dos Direitos Civis
Rosa Parks no Museu Nacional dos Direitos Civis: em um dia de 1955, essa costureira decidiu que não ia ceder seu assento no ônibus para um homem branco. Sua atitude desencadeou um boicote dos negros ao transporte público de Montgomery, Alabama, que durou um ano — até a Suprema Corte Americana declarar inconstitucional a segregação no transporte
O Museu Nacional dos Direitos Civis está instalado em três edifícios. O pavilhão principal é o Lorraine Motel, em cuja varanda Martin Luther King recebeu o tiro fatal de um racista, às 18:03h do dia 4 de abril de 1968. 

Super interativo, o museu é um mergulho — incômodo, inquietante e extremamente necessário — numa história que não pertence apenas aos EUA, mas à humanidade. É uma visita que vai ocupar pelo menos um turno, mas vale muito a pena.

Museu Nacional dos Direitos Civis ganhou um post só pra ele aqui na Fragata. Passa lá pra ver 😊.


Parada dos patos do Hotel Peabody, Memphis, Tenessi
O Hotel Peabody visto da janela do meu quarto e a marcha dos patos:pé de pato, mangalô três vezes
Parada dos patos do Hotel Peabody
149 Union Avenue, Downtown. Diariamente, às 11h e às 17 horas. Grátis

Essa atração de Memphis que eu acabei perdendo — bastante de propósito, aliás. Afinal, essa história de patos fazendo passeata escangalhou com o Brasil, né?

Os patos do Hotel Peabody, porém, fazem um baita sucesso com os turistas, especialmente as crianças. Duas vezes por dia, eles descem da cobertura do hotel, onde vivem, para brincar na fonte que fica no lobby do hotel.

A parada dos tem até trilha sonora de banda marcial tocando marcas de John Phillip de Sousa.

É uma tradição de mais de 90 anos, iniciada em uma bebedeira: o gerente do Peabody voltou de uma caçada em águas e achou engraçado colocar uns patos para nadar na fonte na fonte. O sucesso foi tanto que a gracinha passou a ser repetida diariamente, para alegria dos hóspedes.

Depois disso, um treinador de animais chamado Bellman Pembroke resolveu treinar os patos para marcharem pelo lobby, antes do mergulho.



➡️ Meu roteiro musical nos Estados Unidos

Um comentário:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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