17 de abril de 2019

Memphis - Museu Nacional dos Direitos Civis

Letreiro do Lorraine Motel, onde está instalado o Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis, EUA
"Eu tenho um sonho". O Museu Nacional dos Direitos Civis está instalado no Lorraine Motel, onde Martin Luther King foi assassinado
Se você concorda comigo que museus não devem nunca ser meros "depósitos de coisas" — por mais ricas e raras que elas sejam —, está na hora de planejar uma visita ao Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis.

A instituição é um tributo a uma luta que ainda não acabou. Por isso mesmo, o Museu Nacional dos Direitos Civis tem lado.

Ele conta a história da luta pelos Direitos Civis nos Estados Unidos desde a escravidão até 1968, ano do assassinato de Martin Luther King.

É um museu explicitamente militante, que e conjuga a preservação da memória com o ativismo — que coloca a memória a serviço dos avanços sociais que ainda estão por ser conquistados. 

Grafite em Main Street lembra a greve dos trabalhadores da limpeza urbana de Memphis, em 1968
Grafite em Main Street lembra a palavra de ordem  dos trabalhadores da limpeza urbana de Memphis na histórica greve de 1968. "I am a Man" ("Eu sou um Homem") é um lema usado desde as campanhas abolicionistas. Martin Luther King estava na cidade apoiando o movimento, quando foi assassinado 
A peça mais importante no acervo do Museu Nacional dos Direitos Civis não é um objeto, ou um vídeo ou uma memória. É a militância viva.

A mesma militância que enfrentou o racismo, a política de segregação e a negação de direitos elementares à população afro-descendente dos Estados Unidos, como o de poder votar ou frequentar a escola que quisesse.

Instalação no Museu Nacional dos Direitos Civis lembra o boicote aos ônibus de Montgomery, Alabama, ente 1955 e 1956
Instalação no Museu Nacional dos Direitos Civis lembra o boicote aos ônibus de Montgomery, Alabama, em protesto contra a segregação no transporte público. O movimento se estendeu por mais de um ano e levou a Suprema Corte Americana a declarar a ilegalidade da discriminação
A cidade do Blues e do Rock'n'Roll é absolutamente indissociável da história do povo que gestou esses dois gêneros musicais que apaixonam o mundo.

A alma africana de Memphis resplandece e a visita ao museu que conta a luta contra o racismo é o justo tributo aos homens negros e mulheres negras que nos legaram os sons que nós amamos.

O Museu Nacional dos Direitos Civis de Memphis não é só emocionante. Ele é provocativo, instigante e profundamente humano. Veja o que você vai encontrar lá e um pouco da história que ele conta:

Um pouquinho da história de Memphis

Fundada há exatos 200 anos (em 22 de maio de 1819), às margens do Mississípi, Memphis já nasceu com a vocação para grande entroncamento por onde era distribuída a vasta produção de algodão, base da economia do Sul dos EUA.

O museu mantém um programa educativo de estímulo ao voto (que é facultativo, no EUA): "A última coisa que Martin Luther King ia querer seria um minuto de silêncio. Faça barulho. Vote!"
No Século 19, a cultura do algodão era fortemente dependente da mão de obra escrava. Memphis, como grande entreposto dessa economia, não escapou de se converter em um dos maiores mercados de africanos cativos do planeta — triste marca que aproxima a cidade do Blues de Liverpool, a terra dos Beatles, que até hoje trabalha para purgar memória semelhante...

Durante a escravidão, Memphis teria sido uma das “estações” da chamada Underground Railroad (“ferrovia subterrânea” ou “ferrovia clandestina”), uma rede de abrigos e transportes mantida por abolicionistas, que levavam escravizados fugitivos para a liberdade em alguns estados do Norte e no Canadá.

Slave Haven Underground Railroad Museum, em Memphis, uma "estação" da rede clandestina que ajudava escravos fugitivos
O Slave Haven Underground Railroad Museum, em Memphis, teria sido uma "estação" da rede clandestina que ajudava escravos fugitivos(Foto de Adam Jones, Ph.D./Wikimedia Commons)
Um desses abrigos teria funcionado na propriedade do alemão Jacob Burkle, informalmente conhecida como Slavehaven (“refúgio de escravos”). A casa, construída na primeira metade do Século 19, ainda está de pé e hoje abriga um museu.

Slave Haven Underground Railroad Museum fica na área que é hoje Uptown Memphis, não muito longe do Centro (826 North 2nd Street).

A violência racial, porém, não se limitou aos africanos e seus descendentes. Além do ir e vir de escravizados, os atracadouros de Memphis, na margem do Rio Mississípi,  também serviram de ponto de partida para as levas de indígenas, deportados de suas terras no Sudeste Americano.

Estima-se que pelo menos 60 mil pessoas das nações Cherokee, Creek, Seminole, Chickasaw e Choctaw tenham sido levadas à força para o Oeste, o que corresponde a 83% do total da população dessas cinco tribos na época. Com eles, partiram 5 mil escravos africanos.

instalação no Museu Nacional dos Direitos Civis relembra o tráfico de escravos
Memphis foi um dos maiores mercados de escravos do Século 19. Esta instalação no Museu Nacional dos Direitos Civis relembra essa história de tráfico humano
Cerca de 17 mil desses deportados indígenas e africanos morreram durante o deslocamento, que ficou conhecido como a Trilha das Lágrimas.

Durante a Guerra Civil, Memphis alinhou-se às forças do estado do Tenessi, que aderiram aos confederados. Mas a secessão durou pouco: a cidade foi ocupada por forças da União logo no início do conflito, o que atraiu para lá um grande contingente de escravos que fugiam das fazendas da região do Mississípi.

Nesse período, a população negra de Memphis saltou de 3 mil pessoas para 20 mil. A tensão com a população branca chegou a provocar um conflito armado, em 1866.

Recriação de uma sala de aula para crianças negras no Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis, EUA
Memphis foi uma das primeiras cidades do Sul do EUA a garantir o funcionamento de escolas para as crianças negras
Após a abolição da escravatura, a população negra de Memphis viveu sob o regime de segregação. Os trabalhadores negros não podiam participar de sindicatos, faziam as piores tarefas e recebiam uma parcela ínfima do salário pago a um branco na mesma ocupação.

Largamente majoritária, porém, a comunidade teve organização para conquistar o direito ao voto, as primeiras escolas para pessoas negras e até um banco, além de impulsionar o comércio que deu fama à Beale Street — a legendária rua que sediou as primeiras casas noturnas voltadas para o Blues.

Campanha pelo direito ao voto em Selma, Alamaba
O principal artifício usado contra o voto dos negros era exatamente impedi-los de se registrarem como eleitores. Em Selma, Alabama, a mobilização dos ativistas dos Direitos Civis foi marcada por três históricas passeatas e foi o estopim da aprovação de uma lei contra as barreiras ao registro eleitoral 
Mas não pensem que era um mar de rosas. Só para vocês terem uma ideia: uma das grandes realizações do prefeito E. H. Crump, que governou Memphis entre 1910 e 1915, foi fazer uma grande reforma na polícia, que passou a ser integrada, basicamente, por integrantes da Ku Klux Klan e era responsável por aplicar as regras da segregação.

O Blues chegou para ficar no início do Século 20, quando a população de origem africana da velha metrópole do algodão cresceu ainda mais: Memphis recebeu uma parte significativa dos grandes contingentes que migravam para o Norte industrializado, fugindo da violência racial e da decadência econômica do Delta do Mississípi.

Robert Johnson, guitarrista de blues
O grande êxodo do Delta do Mississípi trouxe para Memphis um largo contingente de discípulos de Robert Johnson, o mitológico cantor e guitarrista de Blues, morto em 1938
(Robert Johnson no Hall da Fama do Blues, em Memphis)
Cerca de 6 milhões de afro-americanos deixaram o Delta em duas grandes levas, a primeira entre 1916 e 1940, a segunda entre os anos 50 e 70. Memphis era um ponto de passagem, mas também o destino final daqueles que eram despossuídos demais para conseguirem pagar a viagem até Chicago ou Nova York.

Memphis permaneceu ferozmente segregada ao longo do Século 20. Por exemplo: apenas em 1973 estudantes negros e brancos puderam frequentar as mesmas salas de aula — e 40 mil dos 70 mil alunos brancos deixaram as escolas públicas, quando o governo federal forçou a integração racial nas escolas.

Portão do Museu Nacional dos Direitos Civis de Memphis, com frase de Martin Luther King
"Eu posso não chegar lá com vocês, mas quero que saibam que nós, como povo, chegaremos à terra prometida". Este trecho do discurso de Martin Luther King em Memphis, na véspera de seu assassinato, está gravado no portão do Museu Nacional dos Direitos Civis
Martin Luther King em Memphis

O Museu Nacional dos Direitos Civis está instalado no antigo Lorraine Motel, palco do assassinato de Martin Luther King, em 4 de abril de 1968.

Um dos raros estabelecimentos de Memphis que hospedava pessoas negras, o Lorraine Motel foi aberto em 1945, na Mulberry Street, e rapidamente se consolidou como quartel general de músicos de passagem pela cidade para apresentações ou gravações.

Coroa de flores na sacada do antigo Lorraine Motel, em Memphis, marcando o local do assassinato de Martin Luther King
A coroa de flores na sacada do antigo Lorraine Motel marca o local do assassinato de King
Sun Studio, celeiro do Blues e do Rock’n’Roll, e a Stax Records, templo da Soul Music, ficavam a curtas distâncias do Lorraine. Gente como Aretha Franklin, Ray Charles e Wilson Pickett estava sempre por lá.

Da mesma forma, o motel era pouso frequente de militantes da NAACP (sigla em inglês para Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, uma das mais tradicionais entidades de Direitos Civis dos EUA, fundada em 1909) e outras organizações antirracistas.

A janela de onde partiu o tiro que matou Martin Luther King
A visão do assassino: da janela do banheiro nos fundos de uma pensão, um supremacista branco disparou o tiro que matou King. Esse prédio agora também integra o complexo do museu
Em abril de 1968, Martin Luther King era um desses hóspedes ilustres do Lorraine Motel. Principal referência do campo moderado na luta contra o racismo, King estava em Memphis para apoiar a greve dos trabalhadores da limpeza urbana, deflagrada em 12 de fevereiro daquele ano.

Submetidos a condições de trabalho precaríssimas e muito mal pagos (entre US$ 1,60 e US$ 1,90 por hora, lembrando que US$ 1,60 por hora era o piso salarial dos EUA na época, o minimum wage), os empregados da limpeza urbana de Memphis entraram em greve após a morte de dois colegas, esmagados pelo caminhão de lixo que operavam.

Em uma categoria composta basicamente por homens negros, o movimento, obviamente, teve forte conexão com a luta contra o racismo e pelos Direitos Civis e conquistou apoios em todo o país.

Exposição relembra a greve dos trabalhadores da limpeza urbana de Memphis
Exposição relembra a greve dos trabalhadores da limpeza urbana de Memphis 
O lema dos grevistas, “I am a Man” ou “Eu sou um Homem”, era uma palavra de ordem histórica da luta antirracista. É, claro, uma afirmação de humanidade frente à coizificação que a escravatura pretendia impor. Também é uma reação à forma racista usada no Sul dos EUA, ainda muitos anos após a Abolição, onde homens negros adultos eram tratados pejorativamente por “boy” (“menino”).

Às 18:03h do dia 4 de abril, King foi atingido pelo tiro fatal, disparado por um supremacista branco da  janela de uma pensão na Main Street (o "Legacy Building" que aparece no mapa abaixo e agora integra o complexo do museu).

Legacy Building, parte do Museu Nacional dos Direitos Civis, em Memphis
Na entrada do Legacy Building, o visitante percorre um túnel com a linha do tempo do movimento pelos Direitos Civis
Após o assassinato, a pressão nacional sobre a prefeitura de Memphis para acatar as reivindicações dos trabalhadores — reconhecimento de seu sindicato e aumento de salário — tornou-se ainda mais forte.

Em 8 de abril, uma passeata com 42 mil pessoas, lideradas pela viúva de King, Coretta, atravessou a cidade, homenageando o líder assassinado e apoiando os grevistas. Finalmente, em 16 de abril, a prefeitura e os trabalhadores da limpeza urbana de Memphis chegaram a um acordo e a greve foi encerrada.


Museu Nacional dos Direitos Civis

🏠 450 Mulberry Street
Como chegar: o museu está a 800 metros da Beale Street. O ponto final do bondinho da Main Street é praticamente em frente.
🕘 De quarta a segunda (fechado às terças), das 9h às 17h
💲US$ 16

Como eu falei lá no começo, o Museu Nacional dos Direitos Civis se propõe a contar uma história que ainda não acabou. Ainda que o percurso histórico apresentado ao visitante tenha um começo e um fim bem delimitados, suas exposições usam o registro histórico como estímulo a uma tomada de posição em direção das mudanças.

Marcha a Washington por Trabalho e Liberdade, 1963
Lembrança da Marcha a Washington, em 1963
Um exemplo que eu adorei: no dia da minha visita, um grupo de alunos de uma escola, todos na faixa de uns oito anos de idade, estavam engajados em um animado debate sobre o bullying no ambiente escolar e suas consequências.

Sentadas no lobby do museu e acompanhadas por uma monitora da instituição, as crianças expunham suas opiniões e relatos sobre fatos vividos ou testemunhados, numa desenvoltura que muita gente grande não tem — fiquei com a maior vontade de sentar no meio deles e participar 😊.

Outro aspecto muito legal das atividades do Museu Nacional dos Direitos Civis são os programas educacionais voltados para a cidadania, como o de estímulo para que as pessoas se registrem para votar (o voto é facultativo, nos EUA) e discutam os temas mais candentes em cada processo eleitoral a partir da demanda de suas comunidades.

Estátua de Rosa Parks no Museu Nacional dos Direitos Civis
Em 1955, Rosa Parks decidiu dar um basta: não ia ceder seu assento no transporte a um homem branco. Sua prisão, em Montgomery, Alabama, desencadeou o histórico boicote aos ônibus na cidade
Quem quer conhecer mais a luta pelos Direitos Civis nos EUA — um movimento que foi uma das grandes marcas do Século 20 — tem muito o que ver no museu.

Além das antigas instalações do antigo Lorraine Motel, a estrutura do museu também abarca o chamado Legacy Building, predinho de tijolos na Main Street onde, em 1968, funcionava uma pensão.

Réplica de ônibus dos Viajantes da Liberdade incendiado exibida no Museu Nacional dos Direitos Civis
No início da década de 1960, os Viajantes da Liberdade reuniam negros e brancos a bordo de ônibus, garantindo que cada um sentasse no lugar que quisesse em viagens pelo Sul dos EUA. Isso era o bastante para açular o ódio racista. Vários desses ônibus foram atacados e queimado
Foi de uma janela do primeiro andar, nos fundos desse edifício, que partiu o tiro que matou Luther King. O atirador (o jornalismo que me perdoe, mas eu não escrevo o nome desse tipo de gente na Fragata, não) hospedou-se lá para montar a tocaia contra King. Ainda hoje há controvérsias a respeito da participação de outras pessoas e organizações no crime.

O que ver no Lorraine Motel
A exposição no Lorraine Motel é voltada para a jornada dos africanos e seus descendentes nos EUA, desde a escravidão, passando pelo movimento abolicionista, a Guerra de Secessão e a eclosão do movimento pelos Direitos Civis.

Os Panteras Negras no Museu Nacional dos Direitos Civis
Os Panteras Negras tiveram papel fundamental na luta pelos Direitos Civis. Entre seus integrantes estava a grande Angela Davis
Essa narrativa chega aos visitantes por meio dos painéis ilustrativos das diversas salas temáticas, dedicadas aos episódios mais marcantes, mas também em um acervo de filmes e gravações de relatos de participantes do movimento. Tudo bem interativo e atraente.

No exterior, o Lorraine Motel mantém as feições que tinha em 1968. No interior, apesar da adaptação feita para a instalação do museu, o visitante ainda pode ver, através de uma vidraça, o quarto 306, onde King estava hospedado em 4 de abril de 1968.

Quarto ocupado por Martin Luther King no Lorraine Motel, em Memphis
O quarto ocupado por Martin Luther King
O roteiro da exposição, que começa em um mercado de escravos, destaca momentos fundamentais da história americana, como o boicote aos ônibus em Montgomery (Alabama) de 1955/56, os Viajantes da Liberdade, os primeiros passos da integração (fim da segregação) dos estabelecimentos públicos de ensino, os sit-ins (quando estudantes negros ocupavam mesas e balcões de lanchonetes e restaurantes exclusivos para brancos e tentavam ser servidos).

Representação de um sit-in no Museu Nacional dos Direitos Civis de Memphis
Sit-in: estudantes negros tentando ser servidos em uma lanchonete exclusiva para brancos. Essa ação não-violenta foi iniciada em Greensboro, Carolina do Norte, em 1960, e tornou-se uma das marcas do movimento
Também estão lá representadas a histórica marcha a Washington por trabalho e liberdade, de 1963 (quando King fez seu célebre discurso “Eu tenho um sonho”), o movimento pelo direito ao voto em Selma (Alabama) e a marcha de Selma a Montgomery, em 1965.

O que ver no Legacy Building
No Legacy Building, o visitante entra por um longo túnel que exibe uma linha do tempo do movimento pelos Direitos Civis

As exposições nessa ala do museu estão focadas no assassinato de King e as investigações do crime.

Detalhe da galeria dos agraciados com o Prêmio Liberdade, do Museu Nacional dos Direitos Civis
Detalhe da galeria dos agraciados com o Prêmio Liberdade
Em um amplo espaço está instalada uma galeria que homenageia militantes dos Direitos Humanos de todas as partes do mundo agraciados com o Prêmio Liberdade, conferido pelo museu, como a guatemalteca Rigoberta Menchú, Bono Vox, do U2, Stevie Wonder, o Dalai Lama e BB King. 

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Eu sei que este post ficou enorme. Mas tudo o que eu queria era levar vocês pela mão na minha visita a esse museu simplesmente indispensável.

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Lorraine Motel, em Memphis, sede do Museu Nacional dos Direitos Civis

➡️ Meu roteiro musical nos Estados Unidos

Um comentário:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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