4 de dezembro de 2018

O que fazer em Nova Orleans


Antes de listar o que fazer em Nova Orleans, deixe que contar como é estar naquela cidade, mais uma fórmula de felicidade instantânea que a vida botou no meu caminho. É, eu estou apaixonada — e vai demorar pra passar...

Foi uma campanha publicitária que apelidou Nova Orleans de The Big Easy (algo como “o grande relax"). A ideia era criar um contraponto com a frenética Big Apple (Nova York), provavelmente a única cidade dos Estados Unidos capaz de rivalizar com a Dama do Mississípi no conjunto locações-roteiro-enredo.

E easy é bem a cara de Nova Orleans. Basta chegar e começar a rir à toa, resultado do astral inigualável da cidade.

Ninguém resiste — acho que nem tenta — a uma cidade temperada por culturas tão diversas, com uma culinária tão cheirosa e sedutora, emoldurada por uma arquitetura única e embalada por uma das músicas mais instigantes que a África legou às Américas.

Em tons expressionistas, o pintor Noel Rockmore dedicou duas décadas a registrar cenas do Jazz em sua obra. Essa tela, da série Preservation Hall, está no acervo do New Orleans Jazz Museum
Sim, o Jazz. Foi ele que me levou a Nova Orleans, primeira etapa do meu roteiro musical nos EUA. Dizer que a música está por toda parte em NOla (outro apelido da cidade) parece clichezão brabo. Mas, felizmente, é a pura verdade.

Dá pra começar as audições no café da manhã e prosseguir com elas passeando pela cidade — os acordes vazando de lojas, casas e restaurantes, ou ao acontecendo no meio da rua.

Onde ouvir música em Nova Orleans - Jazz e outras maravilhas

Típico casarão colonial de Nova Orleans
Em Nova Orleans, até os museus são lugares pra ouvir música — os fonogramas são parte essencial dos acervos sobre a cidade.

E a farra só para no meio da madrugada, depois da ronda pelos bares de Frenchmen Street e Bourbon Street.

A única coisa não-easy em Nova Orleans é conseguir ir embora. Ainda bem que dá pra voltar.

Bom, agora vamos à lista do que fazer em Nova Orleans. Tem um mapa no final do post:
 
Creole cottages do Faubourg Marigny
A arquitetura de Nova Orleans
Se eu tivesse que resumir a arquitetura de Nova Orleans em uma palavra, escolheria instigante — mas aquela exuberância não se resume, desfruta-se.

Colorida, generosa nos detalhes, solar... Adjetivos não faltam, mas um deles é bom ter em mente antes de começar a explorar as ruas da cidade: a arquitetura de Nova Orleans é bastante diversa, refletindo a variedade de culturas que contribuíram para a amálgama deliciosa que é The Big Easy.

Os balcões do bairro francês foram herdados dos espanhóis
Entre cottages (por falta de melhor tradução: chalés), townhouses (“casas de cidade”, um jeito americano de chamar os casarões) e shotgun houses (“casas espingardas”, construções de fachada estreita que vão se espichando até o fundo do terreno), as construções de Nova Orleans seguem duas tradições estilísticas principais, a creole (que se refere tanto à herança francesa quanto à espanhola) e a americana.

As portas/janela são um elemento característicos das casas creole
Segundo os locais me ensinaram, uma boa maneira de identificar a "procedência" de um edifício é observar o uso da cor. O branco na fachada era a preferência dos colonos americanos, enquanto a tradição creole é escancaradamente colorida.

Reserve (muito) tempo para explorar a pé as ruas do French Quarter, do Faubourg Marigny e do Garden District para ver toda a beleza da arquitetura de Nova Orleans.


Um charme a mais de Nova Orleans: os carvalhos centenários que sombreiam e refrescam as rias do French Quarter e do Faubourg Marigny
French Quarter 
À beira do rio Mississípi, o French Quarter é o mais famoso, turístico e animado dos bairros históricos de Nova Orleans — é lá, por exemplo que está a legendária e frenética Bourbon Street, famosa pelas dezenas de bares e casas de jazz. 

O French Quarter corresponde ao núcleo original da povoação da cidade, fundada em 1718 (sim, NOla completou 300 aninhos em 7 de maio deste ano) por colonos franceses.

Apesar da origem e do nome, o charme arquitetônico do French Quarter deve muito aos espanhóis, que governaram a Luisiana entre 1763 e 1802. Dois vastos incêndios ocorridos nesse período destruíram praticamente tudo que os franceses haviam erguido na cidade.


E espanhóis, vocês sabem, adoram varandas e sacadas. O resultado é que a marca arquitetônica mais famosa de Nova Orleans, os balcões de ferro que adornam suas fachadas históricas, são uma herança ibérica.

Um parêntese para aquela informação de almanaque que você vai ouvir muito em Nova Orleans: chama-se balcão (balcony) a sacada sem suporte de colunas. Quando há colunas sustentando a estrutura, o termo correto é galeria (gallery) — em Bolonha, diriam pórtico, mas essa é outra história e outra latitude 😊.

Em seu primeiro século de vida (o 18), o French Quarter era o queridinho das famílias elegantes, fossem elas de origem creole (descendentes de franceses) ou espanhola. No Século 19, porém, a área começou a ser abandonada pelos mais abastados, que se deslocaram mais ao norte da cidade fugindo das cheias do Mississípi.


Foi a vez de dos grupos de imigrantes mais recentes (italianos e irlandeses, principalmente) ocuparem o French Quarter—calcula-se que em 1905, quase metade dos moradores do bairro fossem italianos ou descendentes.

Apeado de sua aura elitista, o French Quarter passou a atrair também os artistas, boêmios, jazzistas e outros “alternativos” que acabaram fazendo a fama da área.

O que ver no French Quarter

Com quase 9 metros de largura, esse painel pintado nos anos 40 representa mais de 60 estrelas do Jazz e originalmente adornava a parede do Dixie’s Bar of Music, casa noturna de Nova Orleans. Agora, faz parte do acervo do Museu do Jazz
New Orleans Jazz Museum
400 Esplanade Avenue, French Quarter
De terça a domingo, das 10h às 16:30h
Ingresso: US$6


O Museu do Jazz de Nova Orleans está instalado em um edifício cheio de história. O Old Mint foi uma das sedes da Casa da Moeda Americana, no Século 19. Antes disso, era lá que estava o Forte Charles, usado por franceses e espanhóis para controlar o fluxo de embarcações no Rio Mississípi.

Uma locação de responsa para falar do maior patrimônio de Nova Orleans, o Jazz, nascido na cidade e hoje amado em todos os cantos do planeta.

O Museu do Jazz é bem movimentado. Promove concertos, palestras, aulas e oficinas.

Uma das mostras do New Orleans Jazz Museum destaca as mulheres instrumentistas, como a violoncelista Helen Gillet e a trombonista Katia Tolvola
Nos espaços expositivos, o foco é nas mostras temporárias. São exibições super interativas destacando grandes artistas do Jazz, estilos e vertentes. A estrela dessas exibições é sempre a música. Vá com tempo pra escutar as gravações, porque essa é a maior graça do museu.  

Você vai descobrir jazzistas fantásticos. Eu por exemplo, delirei com a música do Professor Longhair, um pianista endiabrado, homenageado em seu centenário de nascimento.

Esse cara é o máximo: Professor Longhair, um pianista endiabrado

Olha só Robert Plant (do Zeppelin) tietando o Professor
O museu também oferece um rico painel histórico, político e social pra a gente entender o contexto do surgimento do Jazz e da longa jornada empreendida por esse fantástico ritmo musical.

É possível que você faça pouquíssimas fotos nessa visita, mas, de gostar de música, vai sair de lá com a alma no trigésimo andar.

Há um passe que dá direito a visitar todos os museus estaduais da Luisiana em Nova Orleans (Museu do Jazz de Nova Orleans, o Cabildo, o Presbitério, 1850 House e o Madame John's Legacy). Custa US$ 17,50. 

Jackson Square, o centro da cidade colonial. Ao fundo, a estátua equestre de Andrew Jackson, a Catedral de São Luís e o Presbitério
⭐Jackson Square
French Quarter, entre as ruas Decatur, Saint Anne e Saint Peter

Os colonizadores franceses encomendaram essa praça pensando na Place des Vosges, uma das mais belas de Paris. Mas, ao contrário da inspiradora francesa, destinada a jogos e torneios da realeza, Jackson Square nasceu como Place d’Armes, centro político de Nova Orleans, abrigando os edifícios do governo da colônia.

Sob o governo espanhol (1762-1800), essa função foi reforçada — nas cidades coloniais ibero-americanas a Plaza de Armas é o centro de tudo: lá costumam estar a Catedral (o poder religioso), o palácio do governo e outras sedes governativas.

Diversas placas identificam a origem espanhola de monumentos e logradouros de Nova Orleans. Jackson Square já foi a Plaza de Armas

O sossego de Jackson Square, com um dos Pontalba Buildings ao fundo
Estou falando tudo isso pra dar uma ideia da importância histórica de Jackson Square, hoje um plácido jardim à sobra das importantes fachadas da Catedral de São Luís, do Cabildo (antiga casa legislativa espanhola) e do Presbitério (onde funcionaram os tribunais coloniais).

No meio da muvuca do French Quarter, Jackson Square é guardada por uma cerca de ferro, cortada por alamedas e pródiga em banquinhos à sombra: um oásis dos mais fotogênicos.

A harmonia visual  é devida, principalmente, aos idênticos Pontalba Buildings, um de cada lado da praça, e os também gêmeos Cabildo e Presbitério, dispostos dos dois lados da catedral.

Se você gosta de passear de charrete, corra para a Jackson Square. Ao fundo, o acesso ao Moon Walk, calçadão sobre o dique que protege o French Quarter dos humores do Mississípi
Na origem, a Jackson Square tinha vista para o Mississípi, que corre bem em frente, mas a elevação dos diques contra enchentes roubou essa paisagem.

No centro da praça está a estátua equestre do General Andrew Jackson, que comandou as forças estadunidenses na Batalha de Nova Orleans (1815), quando , na chamada “segunda guerra de Independência” contra a Inglaterra.

Pontalba Buildings e 1850 House
Jackson Square. Um dos edifícios fica na Saint Anne Street, o outro, na Saint Peter Street

Ah, e por falar em Place des Vosges, você fica se perguntando onde estão os edifícios em perfeita simetria ao longo dos quatro lados da praça, definindo seus limites.

Os Pontalba Buildings foram contruídos em dois lados da Jackson Square
Na Jackson Square, essa Place des Vosges à moda de Nova Orleans, quem cumpre esse papel são os Pontalba Buildings dois longos edifícios idênticos, em tijolos vermelhos e com lindas varandas de ferro, que acompanham o traçado de Jackson Square ao longo das ruas Saint Peter e Sain Anne.

Os Pontalba Buildings foram construídos em 1840, abrigando um misto de comércio (lojas e restaurantes no térreo) e moradias.

Detalhe da fachada do Pontalba Building
Para ter uma ideia de como era a vida de uma família abastada de Nova Orleans no período anterior à Guerra da Secessão, visite a 1850 House (523 St Anne Street, ingresso US$ 3), instalada em um dos apartamentos dos Pontalba Buildings. 

Organizada para recriar o cotidiano de um lar da Nova Orleans elegante, a 1850 House exibe mobiliário, pratarias, porcelanas e utensílios do dia a dia.
 

O interior da Catedral de São Luís 
Catedral de São Luís
Jackson Square, French Quarter
Aberta diariamente das 8:30h às 16h (missa diária ao meio-dia).
Visita gratuita. Na entrada é possível comprar um pequeno guia da catedral por US$ 1.


Com fama de ser assombrada pelas almas de padres, a Catedral-Basílica de São Luís, Rei da França (esse é o nome completo) é a mais antiga catedral católica dos EUA e a construção que mais se destaca no conjunto histórico da Jackson Square.

Quem conhece as belas igrejas coloniais das Américas portuguesa e espanhola não chega a se impressionar com a Catedral de Nova Orleans — pra mim, sua grande “façanha estética” é compor tão bem o belo quadro da Jackson Square.

A origem da Catedral de São Luís, como o nome já entrega, é francesa.

A catedral e o Presbitério
Ela foi um dos primeiros edifícios erguidos pelos colonizadores franceses ao fundarem a cidade, em 1718. Sua primeira foi um edifício simples, de madeira, logo substituído por uma construção em pedra e alvenaria, em 1725.

Já sob o governo o espanhol, essa igreja inicial foi destruída pelo grande incêndio de Nova Orleans, em 1788. Foi a senha para a construção de um edifício mais majestático, mas sem os encantos barrocos que vemos em outras cidades coloniais.

A catedral espanhola é a base do edifício que vemos hoje — com várias alterações feitas em reformas posteriores.

O Cabildo, sede do governo de Nova Orleans até 1853,é "gêmeo" do Presbitério
Museu do Cabildo
701 Chartres Street (na Jackson Square), French Quarter
De terça a domingo, das 10h às 14:30
Entrada US$ 6 (ou o passe dos museus estaduais)

Nas cidades coloniais espanholas, o Cabildo era uma espécie de câmara encarregada da administração municipal. O Cabildo de Nova Orleans foi construído no final do Século 18 e serviu como sede do governo da cidade até 1853.

Também no Cabildo, em 1803, foi formalizada a compra da Luisiana pelos Estados Unidos — os norte-americanos pagaram US$ 15 milhões à França pelo território de 135 milhões de quilômetros quadrados na mais famosa transação imobiliária da História.

Exposição sobre a História e o espírito de Nova Orleans, no Cabildo
O Museu do Cabildo dedica-se a contar a movimentadíssima história de Nova Orleans, passando pelos piratas e aventureiros, a colonização francesa e espanhola, as guerras, enchentes, furacões (como o Katrina, em 2005) e incêndios.

O acervo do museu também destaca a rica cultura da cidade, as diversas heranças culturais que forjaram a alma de The Big Easy, com ênfase no Jazz e no Mardi Gras, seu famoso Carnaval.

Presbitério (Presbytère)
751 Chartres Street (na Jackson Square), French Quarter
De terça a domingo, das 10 às 16:30h

Entrada US$ 6 (ou o passe dos museus estaduais)

O edifício “gêmeo” do Cabildo teve como função original servir de moradia ao frades capuchinhos cuja ordem administrava a Catedral de São Luís. O Presbitério, porém, acabou convertido na sede do Tribunal de Nova Orleans, em meados no Século 19.

O Museu do Presbitério abriga uma exposição sobre o Mardi Gras onde o visitante pode experimentar um pouco do clima do Carnaval de Nova Orleans e ouvir gravações de bandas de Jazz que animam a festa.

Outra mostra abrigada no Presbitério relata o impacto do Furacão Katrina sobre Nova Orleans e os esforços da cidade em sua reconstrução.


O mighty Mississipi visto do Moon Walk
⭐Rio Mississípi
O Misi-ziibi (“Grande Rio”, no idioma do povo Ojibwe) faz parte da alma de Nova Orleans, funcionando como o grande portal que conectou a cidade com o mundo, no vai e vem das mercadorias que movimentavam seu porto e trazia gente dos diversos cantos do mundo para ajudar a forjar a identidade da cidade.

Quando eu era criança, o Rio Mississípi era o playground onde os amigos Tom Sawyer e Huckleberry Finn viviam suas aventuras, nas páginas do escritor Mark Twain. Depois que eu cresci e aprendi a gostar de Blues, a intimidade com o rio só aumentou — qualquer playlist com músicas citando o Mississípi resulta quilométrica.

Depois de mais de meio século de convívio literário e musical, ver o mighty Mississipi cara a cara foi emocionante.

O barco a vapor Natchez, que faz passeios turísticos pelo rio
➡️ Um jeito legal de contemplar o Grande Rio em Nova Orleans é em um passeio pelo Moon Walk (nada a ver com a dança de Michael Jackson, tá? 😀), um calçadão elevado à beira do Mississípi, na altura de Jackson Square.

O Moon Walk é o resultado da elevação de um dique que protege o French Quarter das cheias do Mississipi — antes dessa construção, era possível ver o Rio desde a Jackson Square. No alto dessa barreira, o calçadão é um super camarote para o rio.

➡️ Se quiser juntar dois ícones de Nova Orleans em um único passeio, pegue o streetcar (bondinho) na Estação French Market (linhas Vermelha ou Verde Clara) para percorrer os trilhos à beira do Mississípi.

➡️ Os passeios  de barco no Mississípi são bastante populares em Nova Orleans (mas, segundo apurei, não valem o que custam).

O barco turístico mais famoso é o Steamboat Natchez, uma réplica dos legendários barcos a vapor que navegavam o Grande Rio no Século 19. Há diversas modalidades de cruzeiros no Natchez, com refeições ou sem, geralmente com uma banda tocando Traditional Jazz para animar os passageiros. Os preços começam em US$ 34.

O Steamboat Natchez zarpa do píer na altura do Farol da Toulouse Street (veja o mapa abaixo), onde funciona a bilheteria. 

Um café no French Market
⭐French Market
Do nº 700 ao nº 1010 da Decatur Street, French Quarter
O French Market (Mercado Francês) era o local para onde os comerciantes e produtores da cidade e arredores traziam suas mercadorias, ainda no Século 18.

Hoje, o local reúne barracas de roupas, artesanato, quinquilharias e, principalmente, muita comida (sobre o capítulo gastronômico eu vou falarem outro post. Só adianto que testei e aprovei).

Uma antiga fonte no French Market e a estátua de Joana D'Arc, a "Donzela de Orleans", que também fica na área do mercado
Vai ser impossível perambular pelo French Quarter sem fazer várias paradinhas nesse mercado, seja para beliscar frutos do mar, tomar um café ouvindo música ao vivo, garimpar lembrancinhas, refrescar a garganta no calorão de Nova Orleans (acredite, eu torrei em pleno novembro!) ou mesmo usar os sanitários públicos, os únicos que vi no bairro.

O Faubourg Marigny é um caçula bem comportando
Faubourg Marigny
O Faubourg Marigny é uma espécie de irmão mais novo do French Quarter. Um caçula mais quietinho. Até o agito de sua Frenchmen Street, segunda “rua de jazz” mais famosa de Nova Orleans, é bem mais cool — em todos os sentidos.

Até o comecinho do Século 19, o Faubourg Marigny era uma plantation (fazenda), até que seu proprietário, Bernard de Marigny, decidiu lotear a área, que começava a ser alcançada pelo crescimento da cidade.

Nem tudo é memória boa na Esplanade Avenue. Lá funcionou um mercado de escravos. O músico Solomon Northup, cuja vida é contada no filme 12 Anos de Escravidão, foi uma das milhares de pessoas negociadas lá
Menos elitista ou segregado, o Faubourg Marigny atraiu tanto as famílias creole quanto caribenhas e de origem africana.

O resultado desse encontro é uma arquitetura muitíssimo sedutora, onde convivem as mansões dos ricos e as típicas habitações creole, com suas famosas quatro portas-janelas na fachada e muitas cores.

O desfile arquitetônico na Esplanade Avenue
O barro passou por um período de franca decadência a partir de meados do Século 20, um processo de favelização e abandono pelo poder público. Nas últimas décadas, porém, a área recobrou seu encanto. O Faubourg Marigny foi a vizinhança de Nova Orleans que eu mais curti.

Um passeio pelo Faubourg Marigny é uma excelente oportunidade para se explorar a linda arquitetura de Nova Orleans. Ainda que o bairro não seja tão pródigo em atrações famosas, passear por suas ruas tranquilas é uma atividade imperdível.

Casarão no Garden District
Garden District
O Garden District é o bairro de Nova Orleans onde os recém-chegados norte-americanos escolheram morar, a partir da compra da Louisiana e a posse da cidade pelos EUA, em 1803.

O acervo arquitetônico do Garden District é impressionante, o mais preservado conjunto de mansões em estilo sulista dos EUA e belos jardins. Ótimo lugar para um passeio a pé em Nova Orleans.

O Garden District tem o mais preservado conjunto de mansões sulistas dos EUA
O Garden District tem uma pegada muito mais residencial (e chique) que a porção creole da cidade. A área fica a cerca de 4 km do French Quarter. Entre o bairro francês e o bairro americano fica a zona neutra, que hoje é o Central Business District. Era lá que as duas comunidades — e suas desconfianças — se encontravam para tratar de comércio e de decisões políticas e administrativas.

O melhor jeito de chegar ao Garden District é de streetcar. Pegue o bondinho na Canal Street (a rua de comércio que funciona como uma “5ª Avenida de NOla”, na zona neutra).


Ainda a bordo do streetcar, quando começar a percorrer a Saint Charles Avenue, você vai ver a mudança de sotaque na arquitetura e nas cores dos imponentes casarões, com o branco e os tons pastéis predominando nas fachadas.

O tour pelo Cemitério Lafayette é um dos passeios mais procurados no Garden District (eu dei uma voltinha entre os túmulos olhando as capelas e esculturas, mas arte tumular não é minha praia, mesmo).

O melhor jeito de chegar ao Garden District é de bondinho
Achei bem mais legal seguir um roteiro que achei na internet, indicando as construções mais significativas do bairro (com explicações históricas e sobre o estilo das mansões). Se quiser fazer esse passeio (eu recomendo) tá aqui o link: Self Guided Garden District Tour

Tremé
Uma vizinhança que eu lamentei não ter mais tempo para explorar foi o Tremé, bairro tradicional da comunidade afro-americana, famoso por preservar e reinventar permanente a herança das Brass Bands.

O Tremé é famoso por abrigar os principais eventos musicais da de Nova Orleans, também.

Escultura na entrada do Louis Armstrong Park
No Tremé fica o célebre Cemitério St Louis nº 1, o mais antigo de Nova Orleans e atração procuradíssima pelos fãs de histórias assombradas (cemitérios não são muito minha praia, mas os de NOla fazem um sucesso enorme entre os turistas.

O bairro também tem dois museus que eu adoraria ter visitado, o Backstreet Cultural Museum, dedicado à cultura afro-americana na cidade, e o New Orleans African American Museum of Art, Culture, and History, que está fechado para reformas.

O Teatro Mahalia Jackson e a estátua de Louis Armstrong
O que aproveitei bem no Tremé foi o ⭐Louis Armstrong Park. Essa área verde bem simpática, batizada em homenagem ao maior jazzista de Nova Orleans, sedia concertos musicais gratuitos (como o Jazz in the Park, que eu fui ver) e tem uma sala de espetáculos cujo nome é um tributo a outra grande expressão da cidade, o Mahalia Jackson Theater for the Performing Arts.

Aliás, só de ver como Nova Orleans homenageia seus músicos, meu coração já se derreteu pela cidade.


Arredores de Nova Orleans 
Duas escapadas da cidade são bem populares entre os turistas que visitam Nova Orleans: os passeios de barco pelos pântanos e bayous e as visitas à seculares fazendas de cana-de-açúcar às margens do Rio Mississipi, as chamadas plantations.

Eu fiz esses dois passeios e ia falar deles aqui, mas este post já está enorme 😀.

Dá uma olhada aqui > Passeio de barco pelos pântanos próximos a Nova Orleans e Visita às plantations próximas a Nova Orleans



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