18 de maio de 2013

Como aproveitar uma conexão em Buenos Aires

Sou louca pelas fachadas antiguinhas do bairro de Palermo, em Buenos Aires
Atualizado em junho de 2018

Minha viagem de volta de Quito a Brasília foi do tipo bem maluco, com uma conexão em Buenos Aires (isso é que é fazer a volta lá longe 😊). E quem é que vai reclamar? Eu não. Sempre vou encontrar o que fazer em uma parada de 14 horas na capital argentina, uma das minhas cidades preferidas no mundo.

Tem gente que foge de conexões longas como o diabo da cruz, mas não é o meu caso. Acho bem piores as paradas que duram cinco ou seis horas — tempo demais para mofar no aeroporto e tempo de menos para sair para passear sem medo de perder o próximo voo. Quando calha de ter uma conexão mais demorada, faço do limão uma limonada e acabo me divertindo horrores com as "cidades bônus" que surgem no meio da viagem.

Palermo: uma conexão maluca me deu o prazer de passear em um dos bairros mais gostosos de Buenos Aires
Quando o bônus é uma tarde e uma noite de sábado em Buenos Aires, pode apostar que eu estarei na Plaza Serrano, em Palermo. Já desci do avião saltitante e fui curtir a cidade que, pra mim, é a fórmula da felicidade instantânea.


Veja como foi minha conexão em Buenos Aires:

Buenos Aires é uma maravilha pra quem gosta de fuçar livrarias. Essa fica na Calle Gurruchaga, quase chegando à Plaza Serrano
➡️ Como ir do Aeroporto de Ezeiza ao Centro de Buenos Aires
O Aeroporto Internacional Ministro Pistrani fica em Ezeiza, na Grande Buenos Aires, a 30 km do bairro de Palermo, onde concentrei minhas 14 horas na cidade. Se o seu destino for o Microcentro ou o bairro da Recoleta, as distâncias são quase as mesmas.

Para aproveitar melhor o pouco tempo que eu teria na cidade, a melhor alternativa era mesmo o táxi. O táxi oficial de Ezeiza está cobrando 780 pesos (R$ 104/ US$ 28) pela corrida para qualquer ponto de Buenos Aires.

Este serviço pode ser agendado pela internet (no site TaxiEzeiza). Só aceita dinheiro vivo como pagamento. Tem uma agência do Banco de La Nación Argentina logo na saída do desembarque internacional do aeroporto onde você pode fazer câmbio.

Outras maneiras de ir do Aeroporto ao Centro: Buenos Aires - dicas práticas

Programa de portenho: piquenique na autopista
➡️ O que fazer em Palermo
Já escrevi um post todinho dedicado a este que atualmente é meu bairro preferido em Buenos Aires. Tem dicas de passeios, compras e restaurantes. Os portenhos talvez não gostem muito da comparação, mas eu acho Palermo tão novaiorquino...

Veja as dicas:
Palermo: o bairro com cheiro de maçã
O que fazer em Buenos Aires



O charme das ruas de Palermo
➡️ Quando vale a pena sair do aeroporto em uma conexão

Só vale a pena sair do aeroporto durante uma conexão quando você tem a certeza de que vai passear e se divertir sem ficar angustiada com a possibilidade de perder o voo seguinte.

Essa segurança depende do tempo da conexão, mas também da combinação de outros fatores: intimidade com a cidade, capacidade de se comunicar no idioma local, distância do aeroporto ao local escolhido para passear, condições do trânsito ou facilidade de transporte.

Isso quer dizer que é bem mais fácil eu arriscar uma fugida do Aeroporto de Lisboa ao Centro em uma conexão de seis horas do que sair do aeroporto de, por exemplo, Pequim, em uma parada de 12 horas.

No caso de Buenos Aires, onde já estive mais de uma dezena de vezes, eu me sinto inteiramente à vontade para sair do aeroporto durante uma conexão, mas só vale quando a parada durar a partir de oito horas, pois a viagem entre Ezeiza e o Centro pode levar mais de uma hora, com o trânsito.

No caso dessa conexão não havia nem o que duvidar: eu tinha 14 horas em Buenos Aires, chegando no começo da tarde e embarcando para o Brasil de manhãzinha. O intervalo de tempo era longo e eu ia mesmo precisar dormir em algum lugar que não fosse um banco de aeroporto.

Saltitante e infantiloide, lá fui eu, de Ezeiza para Palermo, dando tchauzinho para as pessoas que faziam piquenique no gramado, à beira da autopista — um amigo que viveu 20 anos na cidade conta maravilhas desse programinha barato e que um dia, com certeza, vou experimentar.

Sábado em Palermo
➡️ Como aproveitar uma conexão em Buenos Aires
Tenho uma lista interminável de rituais a cumprir em Buenos Aires: empanadas do Bar Britanico, garimpar CDs na Notorious e por aí vai. Sem contar que a cidade tripudia, toda vez que fico um tempinho sem aparecer, e desfila uma coleção de novidades que me deixam sem fôlego.

Mas quando só se tem 14 horas num lugar, o segredo é  concentrar no que dá para fazer e não sofrer por todas as milhares de possibilidades que ficarão de fora. Num caso assim (ainda mais num sábado), recomendo a Plaza Serrano, cheia de gente interessante, pela feirinha de designers de moda, pelas lojinhas descoladas e bares/restaurantes bacanas.

Duro, mesmo, foi ir embora. Eram quatro horas da manhã e eu jurava que eu e o motorista do táxi que me levava ao aeroporto de Ezeiza éramos os únicos seres humanos na rua, àquela altura. Em 99% das cidades do mundo, eu teria uma grande chance de estar certa. Mas não em Buenos Aires.


Passando pela Avenida Rivadávia, o movimento na centenária e fofa Confiteria Las Violetas lembrou-me que eu estava indo embora de uma cidade que não dorme, não para e não cansa. Haja disciplina bolchevique para resistir ao impulso de mandar o voo às favas e incorporar-me à alegre tertúlia da madrugada.

Uma mercearia e um bar à moda de Palermo
➡️ Hospedagem em Palermo

Hotel Bys Palermo 
Francisco Acuña De Figueroa 1263 (entre Cabrera e Av. Córdoba), Palermo

Show de bola em localização, o Hotel Bys Palermo fica a pouco mais de um quilômetro da Plaza Serrano (uma deliciosa caminhada pela Calle Honduras) e tem quartos muito confortáveis (a cama é deliciosa), modernos, novinhos em folha, com ar-condicionado, frigobar, cofre, máquina de café e Wi-Fi gratuito (rapidíssimo).

Meu quarto no Hotel Bys, já meio bagunçado, 
porque eu sou impossível...
Entre os equipamentos, spa (sauna e massagens), academia e piscina ao ar livre (aberta só no verão). A equipe é super informal, mas muito atenciosa e eficiente. Gostei muito do astral geral. Ótimo hotel por um ótimo preço: US$ 90, para ocupação single ou double.

Hospedagem comentada – índice reúne todos os posts sobre o tema publicados no blog

➡️ Onde comer em Palermo
La Papelera
Calle Honduras 4925 (entre Gurruchaga e Serrano)
Na chegada, foi um choque: eu vinha no piloto automático, para cumprir meu ritual de comprar bloquinhos de anotação da Papelera Palermo (os únicos bloquinhos do mundo que competem com os Moleskines), quando vi que minha papelaria preferida no mundo havia sido substituída por um bar. É o que dá ficar dois anos sem dar as caras na cidade...

Em vez de me atirar na calçada em desespero, resolvi conferir o atrevido que desalojou meu templinho particular e curti bastante o lugar, apesar da música meio alta demais para o meu gosto. O ojo de bife criollo com papas fritas (jugoso, por supuesto!) estava muito saboroso, acompanhado por uma taça de cabernet e arrematado por um panqueque de maça caramelada cujo único defeito era ser grande demais. Prepare-se para gastar uns R$ 60 numa farrinha dessas.

Ah, e a Papelera Palermo está na Calle Cabrera 5227 (entre Uriarte e Godoy Cruz). Aberta de segunda a sexta das 10h às 20h. Sábados, das 11h às 20h e feriados das 14h às 19:30h. Tem uma filial na Recoleta, na Calle Arenales 1170 (entre Cerrito e Libertad).

Para mim, é visita obrigatória em BsAires, um templo de papéis feitos à mão, cadernos com capas estampadas em serigrafia, álbuns fotográficos daqueles que a gente precisa colar as cantoneiras para fixar as fotos... Pequenos luxos para a alma, recuerdos de um tempo  suave, pré-tablets e smartphones, quando mensagens e anotações tinham a marca intransferível da caligrafia e até do cheiro dos remetentes. Amo!

Las Violetas: um clássico
➡️ Confiteria Las Violetas
Avenida  Rivadavia 3899 (Esquina c/ Medrano)

Inaugurada em 1884, ponto de encontro de políticos e artistas, Las Violetas é um pedacinho da Belle Époque ainda muito vivo na cidade.

Menos badalada que o Café Tortoni e a Confiteria Ideal, é um espaço delicioso, onde vitrais, mármores e candelabros nos fazem companhia durante a leitura dos jornais e um café preguiçoso. Las Violetas ficou fechada por 20 anos, até que a Cidade de Buenos Aires a declarou patrimônio cultural e estimulou uma bem cuidada restauração. Reabriu em 2001.

Para saber mais: A memória boêmia dos cafés, bares e confeitarias "notáveis"

Siga o mapa: todas as dicas de Buenos Aires que você vai encontrar na Fragata, organizadas por endereço, com fotos e links para as postagens específicas



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Um comentário:

  1. Olá, boa tarde,

    Sou jornalista da TV Record. Conheci seu blog no site da RBBV e gostaria de uma ajuda na produção de um documentário em uma região específica da Argentina. Por favor, envie um contato para mfgomes@sp.rederecord.com.br. Assim, podemos falar melhor.

    Obrigada!

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