21 de março de 2011

Barcelona de Gaudi: a Casa Milà (La Pedrera)

Os stormtroopers no terraço de La Pedrera 
Música deste post: Windmills of your mind, Sting

Pausa na Idade Média. Hoje foi dia de pegar o "Túnel do Tempo" e ver Gaudí & Cia no Bairro do Eixample, em Barcelona, onde está a famosa Casa Milà, também conhecida como La Pedrera.

O túnel do tempo, no caso, é o metrô de Barcelona: experimente embarcar no Bairro Gótico e voltar à superfície no Passeig de Gràcia, no Eixample, onde estão perfilados alguns dos melhores exemplos arquitetônicos do Modernismo Catalão, e você vai entender o que estou dizendo... 

A região do Eixample (expansão) de Barcelona é resultado de uma grande transformação urbanística, contemporânea da abertura dos grandes bulevares parisienses. Foi concebida pelo engenheiro Ildefons Cerdà.

A expansão de Barcelona, com a demolição das muralhas medievais, trouxe para esta região uma festa visual de belíssimos edifícios modernistas. O Passeig de Gràcia é a principal passarela desse desfile.

O terraço de La Pedrera e suas icônicas chaminés 
Além da Casa Milà, o Passeig de Gràcia tem um o quarteirão que é um verdadeiro "comício Modernista". Fica entre a Carrer d'Aragó e a Carrer del Consell de Cent.

Lá estão, juntinhas, a Casa Batlló (também de Gaudi, no nº 43), a Casa Amatller (de Puig i Cadafalch, no nº 41), com uma fachada "em degraus", lembrando as construções de Lübeck, e a Casa Lleó Morera (no nº 35, de Domènech i Montanier).

A fachada de La Pedrera: é duna ou o balanço do mar?
No início do Século 20, a quadra ganhou o o apelido de Illa de la Discòrdia, devido à disputa de egos de arquitetos materializada nas obras construídas lado a lado.

No número 92 do Passeig de Gràcia está a Casa Milá,  em cuja fachada de pedra e de curvas irregulares, muita gente vê a sugestão de uma duna —  eu sinto nela a textura visual de um mar encapelado.

Concluída em 1910, a Casa Milà ganhou o apelido meio cáustico de "La Pedrera". Uma injustiça, pois o edifício é lindo.

Veja como foi minha visita à Casa Milà:


As "costelas" da obra de arte. A visita a La Pedrera
começa pelo sótão, que tem um certo sotaque gótico
Visita à Casa Milà/ La Pedrera
Não compramos ingressos com antecedência para ver a Casa Milà. Pegamos vinte minutinhos na fila e e daí a pouco tomamos o elevador para a visita a La Pedrera.

O percurso começa no sótão da casa, desconcertantemente... gótico. A sensação de estar sendo seguida (pelo Século 12!!) é culpa da estrutura em arcos, da penumbra e dos espaços meio tortuosos do sótão.

É simplesmente encantador vagar por ali, vendo as "costelas" de La Pedrera: pelo avesso, a obra de Gaudí é tão interessante quanto seu exterior.



Os arcos do sótão de La Pedrera sustentam o terraço da construção, um dos lugares mais fotografados de Barcelona.

As chaminés e dutos de ventilação no terraço da Casa Milà explicam direitinho de onde George Lucas tirou a inspiração para o visual de seus spacetroopers, os soldados das tropas do Império, em Star Wars.

No espaço tomado pelos "guerreiros", o percurso é cheio de degraus e pequenas rampas, até que a gente atravessa uma arcada e dá de cara com a Sagrada Família, lá no horizonte.

Olha a Sagrada Família lá longe (na foto da direita)
O mais delicioso da visita a La Pedrera, porém, é adivinhar uma vida cotidiana no interior da obra de arte.

Depois do sótão e do terraço, a visita à Casa Milà prossegue em um dos apartamentos do edifício, transformado em museu.

É a sua chance de ver a estética do Modernismo catalão aplicada ao que há de mais prosaico na vida. Os móveis e utensílios (belíssimos) sugerem uma rotina doméstica. A gente até se imagina lendo um livrinho numa das sacadas do apartamento, com vista para a elegante alameda, lá em baixo.

A construção se enrosca em torno de um pátio interno e uma profusão de janelas, voltadas para ele e para a rua, garantem ambientes cheios de luz


Morar na obra de Gaudí talvez desse um pouco de aflição. Não deve ser fácil passar a vida cercada de tanto atrevimento de formas  La Pedrera não tem uma única linha reta  e texturas. Mas é tudo tão bonito e harmonioso que dá vontade de ir ficando.

Em contraste com a fachada meio "árida", o interior de La Pedrera tem cores aconchegantes, cortinas diáfanas, um contraponto à aspereza das esculturas de ferro dos peitoris das sacadas, uma ousadia delicada e sedutora.

O detalhe da banheira de louça no banheiro do quarto principal (à esquerda) e uma sacada voltada para o burburinho do Passeig de Gràcia. A cortina diáfana casa muito bem com a aspereza do gradil de ferro

A sala de jantar

O dormitório principal
Casa Millà/La Pedrera
Passeig de Gràcia n° 92
Diariamente, das 9:30h às 20h (no inverno, até as 18:30h). Entrada: 11 Euros. Faça o possível para visitá-la no final da tarde. O sol poente é personagem obrigatório no passeio ao terraço.

Para ver mais sobre o Modernismo Catalão, visite o site Ruta de Modernisme, organizado pela prefeitura de Barcelona.

Detalhes da sala de jantar

O lustre e a prataria foram especialmente desenhados para a Casa Milà
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