20 de julho de 2022

Onde comer em Montevidéu

Parrilla (churrasco) uruguaia no Mercado do Porto de Montevidéu
A maestria uruguaia no preparo da parrilla (churrasco) faz de Montevidéu um éden para os carnívoros. Mas a culinária do Uruguai vai bem além da carne assada

Quando penso em comer e beber em Montevidéu, a primeira coisa que vem à cabeça é a parrilla suculenta e uma taça de vinho Tannat — uma combinação tão perfeita que parece ter sido tramada no paraíso.

Esse éden carnívoro é a principal, mas não a única faceta gastronômica de Montevidéu. Em quatro viagens à cidade, sempre comi muito bem na capital uruguaia — e juro que até salada entrou no cardápio 😁.

Figazza, comida típica de Montevidéu
Não vá embora de Montevidéu sem experimentar a figazza, uma prima da pizza pra quem curte cebola
 
Nessa mais recente visita a Montevidéu, simplesmente me esbaldei nas carnes assadas, milanesasfainás, figazzasmedialunas, empanadas e outras delícias locais, experimentando restaurantes e cafés nas mais diversas faixas de preço (mas os preços em Montevidéu serão sempre meio salgados, comparados com os do Brasil).

O resultado da esbórnia de 9 dias na capital uruguaia eu conto aqui nesse post, com dicas de pratos e bebidas e lugares bacanas onde comer e beber em Montevidéu — com preços e endereços do que experimentei e aprovei. 

Se você achar estranho não encontrar dicas de lugares sensacionais como o Bar Tabaré e o Café Brasileiro neste post, é porque ele já ficou enoooorme e os bares e cafés ganharam uma postagem só pra eles > Bares e cafés em Montevidéu.

Medialunas, croissants típicos de Montevidéu
Começar o dia com medialunas doces e salgadas é uma das grandes alegrias de acordar à beira do Rio da Prata

Prepare os talheres e bora passear pelos sabores de Montevidéu:

Comer em Montevidéu

Pratos e bebidas para provar em Montevidéu

Parrilla (churrasco) do restaurante La Pulpería, Montevidéu
Este asado (costela) do tradicional La Pulpería me deu as boas vindas a Montevidéu em grande estilo

⭐Parrilla

Definitivamente, este não é um post vegetariano. Eu sou a xiita da salada (acho rúcula muito mais gostosa do que chocolate), mas se tem um prato que assanha a minha gula é uma boa carne feita na brasa, bem tostadinha por fora e quase crua por dentro.

E essa, queridas leitoras e leitores, é exatamente a tradução de uma boa parrilla uruguaia, servida no único ponto admitido pela civilidade: jugosa (si, por supuesto!). E até hoje eu não consigo entender porque chamam traduzimos jugosa por “mal passada”.  Se tem um lugar onde o conceito de “mal” não cabe é nesse jeito de preparar um assado.

Restaurante La Pulpería, Montevidéu, Uruguai
Só a visão do braseiro de La Pulpería já abre o apetite

 Os uruguaios estão em quarto lugar no ranking de maiores consumidores de carne do planeta, com uma média anual de 81 kg por habitante — o Brasil já foi o sexto nessa lista, antes da bagaceira econômica ser instalada no nosso país. É claro que, de tanto treinar, los orientales chegaram à perfeição churrasqueira.

Minha única vacilação antes de cair matando na parrilla é na escolha do corte da carne. Fico dilacerada pelo dilema de optar entre o cuadril (alcatra), o ojo de bife (parte mais macia do contrafilé), o asado (costela), o bife de chorizo (contrafilé), o vacio (fraldinha)... 

Como vocês sabem, eu morro de inveja dos camelos, a quem a natureza dotou de quatro estômagos. E é só por não ser camelo que eu não mando baixar o boi inteiro na mesa 😁.

Vinho Tannat, Uruguai
O vinho Tannat acompanha muito bem as carnes,
faz bem pra o coração e pra a alma

Vinho Tannat

Se você está imaginando como as minhas coronárias voltaram dessa viagem a Montevidéu, depois da farra carnívora, é bom lembrar que uma boa parrilla fica ainda melhor se acompanhada de uma (ou muitas) taças de vinho Tannat.

As uvas Tannat até podem ter nascido na França, mas foi no Uruguai que elas encontraram seu lar ideal, trazidas por imigrantes bascos para o país, há mais de um século. 

Restaurante Estrecho, Montevidéu
O sensacional filé do restaurante Estrecho
ficou ainda melhor com a tacinha de Tannat

Os vinhos elaborados a partir dessas uvas têm um sabor forte, mas nada rascante, simplesmente delicioso.

O Tannat é uma combinação perfeita para carnes, pratos de sabor acentuado e queijos fortes. E talvez seja uma das explicações para a aparente saúde dos muy carnívoros uruguaios: essa variedade de vinho concentra a maior quantidade de polifenóis, substâncias que reduzem o mau colesterol, protegem as artérias e agem como antioxidantes.

Fainá, comida típica de Montevidéu
Ô, coisa boa é esse tal desse fainá

Fainá

Eu não me canso de repetir que a simplicidade pode ser divina. E ainda bem que existe o fainá pra comprovar minha crença.

Herdado dos imigrantes italianos, o faina é a versão uruguaia de um prato da Ligúria (fainâ, em genovês, ou farinata, em italiano), uma perfeiçãozinha feita de farinha de grão de bico, assada como pizza.

O fainá pode chegar à mesa despido como veio ao mundo ou com cobertura de muçarela — eu prefiro a versão peladão — e combina divinamente com uma taça de vinho, como esta que você vê na foto (Tannat, por supuesto). Vale como refeição despretensiosa, para fomes moderadas, como entrada ou aperitivo. 

O bichinho é tão querido pelos uruguaios que tem até um dia do fainá no país, 27 de agosto. Merece, viu?

Figazza, comida típica de Montevidéu
Essas cebolinhas quase desmanchando sobre a massa da figazza são uma delícia

Figazza

A figazza de Montevidéu também é herdada dos genoveses. É basicamente uma massa de pizza coberta com muita cebola, azeitonas e sem molho de tomate — você decide se quer muçarela ou não.

Assim como o fainá, a figazza é para acompanhar o beberico ou para uma fominha não muito alentada. Se você curte cebola (eu amo), vai adorar as lasquinhas finas, assadas, complementando o crunch-crunch da massa.

Pizza Uruguaia

Não tome susto: as redondas, no Uruguai, são quadradas ou retangulares. E antes de começar a esconjurar a forma, é bom lembrar que, em Roma, também é comum encontrar pizza com quatro lados.

Pizza uruguaia
Pizza uruguaia: quatro lados e um mooooooonte de decisões

Mas essa questão quadrangular nem é o aspecto mais particular das pizzas no Uruguai. Na Banda Oriental, para escolher uma redon... ops, quadrada, você tem que tomar mais decisões do que quando pede um café nessas cafeterias hipsters.

Tem que decidir se quer a pizza com ou sem queijo. Depois, definir quais serão os gustos (literalmente, sabores. No caso, coberturas). Quer presunto? Calabresa? Tomate? Manjericão? Vi até pizza com ovo frito e batatas idem por cima.

Como eu acho que pizza é pizza e chivito é chivito, evitei essas modernagens. A massa da pizza uruguaia é mais altinha (eu prefiro mais fininha). Mas a ortodoxa, só com muçarela, me agradou bastante. 

Chivito, sanduíche típico do Uruguai
Pra disfarçar o vandalismo, as batatinhas fritas foram se esconder atrás do sanduíche: o chivito é uma espécie de congresso das suas compras do mês 

Chivito

Já que falamos em chivito, bora logo contar sobre essa contradição uruguaia por excelência. Sim, por que como pode um povo tão suave e discreto ter urdido esse espalhafato culinário chamado chivito?

O sanduba é bom pra caramba, mas é inevitável a sensação de que todas as suas compras do mês se atiraram dentro do pão ao mesmo tempo.

Tem presunto, queijo, carne, ovo frito, bacon, lombinho, tomate, alface... Tudo isso acompanhado por um tonel de batatas fritas. Uma fúria de recheios que beira o vandalismo e deixa qualquer X-Tudo parecendo um pretinho básico.

O chivito é mais do que um sanduíche. É um enigma antropológico. Uma atração turística de Montevidéu que até ganhou um post só pra ele, aqui na Fragata > Comer em Montevidéu - viva o chivito!

Café Brasileiro, Montevidéu
As medialunas do Café Basileiro são sensacionais

Medialuna

Eu adoro acordar à beira do Rio da Prata. E o grande motivo é a perspectiva de tomar café da manhã com muitas medialunas (meias-luas), a versão uruguaia e argentina do croissant.

Por causa delas, eu, a chata do desjejum — na vida normal, limito-me ao balde de café preto, com algum açúcar — já pulo da cama com um raríssimo apetite para a primeira refeição do dia com esse pãozinho amanteigado que é uma instituição platense.

E sabe o que é melhor? Ninguém precisa limitar o consumo de medialunas ao desjejum. Elas são servidas em praticamente qualquer café, padaria ou assemelhados de Montevidéu e são perfeitas para aquela fominha no meio da manhã, para o lanchinho da tarde... Aprecie sem moderação.

Chimarrão (mate) em Montevidéu
Os uruguaios são devotos do chimarrão

Chimarrão (mate) em Montevidéu

Mate

Não sou chegada ao chimarrão, mas tenho muita simpatia pela tradição, uma herança do povo Guarani. Também acho o mais barato a cumplicidade que se estabelece entre seres oriundos dos Pampas diante de uma cuia da bebida — ainda que, baianamente, fique intrigada com a desenvoltura deles compartilhando aquele canudinho metálico usado para sorver o mate, alheios ao intercâmbio de germes.

Cuias e bombilhas de chimarrão à venda na Feira de Tristán Narvaja, em Montevidéu
Barraca de apetrechos para chimarrão na Feira de Tristán Narvaja
 
Garrafa térmica e cuia de chimarrão em Montevidéu
As garrafas térmicas e cuias de mate fazem parte da paisagem de Montevidéu 

Se no Rio Grande do Sul o chimarrão é uma instituição, no Uruguai ele parece uma devoção ainda mais arraigada. Faz parte da paisagem: os orientales andam pra baixo e pra cima carregando suas garrafas térmicas com água quente para preparar o mate, suas cuias e bombilhas (os tais canudinhos democráticos).

Só de testemunhar esse apego, eu já fico com vontade de gostar de mate, mas não sou chegada a infusões amargas. Prefiro homenagear outra bebida nacional: o Tannat.

Restaurantes em Montevidéu


Restaurante la Criolla, Montevidéu
A reputada parrilla de La Criolla não decepciona mesmo

La Criolla
Gregório Suárez nº 2746, esquina com Luis de la Torre, Punta Carretas.
www.lacriolla.com.uy

Localizado em um esquina tranquila de Punta Carretas, o Restaurante La Criolla é uma grande opção para quem quer se esbaldar na parrilla. Adorei e recomendo.

Restaurante La Criolla, Montevidéu
Jantei bem demais nesta "casa de estância"
em Punta Carretas

Restaurante La Criolla, Montevidéu
Papa suiza e arañita: ô, banquetezinho gostoso

A casa antiguinha foi muito bem reformada para abrigar o restaurante. No salão meio escurinho, a decoração evoca uma estância tradicional dos Pampas, um climinha muito aconchegante. Além disso, o atendimento é simpaticíssimo, a comida é ótima e os preços não matam ninguém do coração.

Eu jantei bem demais em La Criolla. Pedi a arañita (uma parte da alcatra), acompanhada de papa suiza (batata rosti com bastante cebola), uma porção pantagruélica de comida da qual só consegui dar cabo porque estava mesmo deliciosa. Para acompanhar, ataquei de vermute (uma súbita saudade de Barcelona.

A conta dessa grande farra ficou 1.200 pesos uruguaios (R$ 157).

Restaurante Estrecho, Montevidéu
Filé com polenta do Estrecho: só de olhar a foto já dá
vontade de correr pra o aeroporto e voltar correndo a Montevidéu

Estrecho
Sarandi 460, Ciudad Vieja

Quem deu a dica do Estrecho foi Mile Cardoso, que escreve o blog Viver Uruguay. E que dica, viu Dona Mile? Meu almoço nessa casa moderninha e simpática da Cidade Velha é sério candidato a melhor refeição de uma viagem que bateu um bolão no quesito gastronômico.

O restaurante fica na Peatonal Sarandí, rua de pedestres que funciona como passarela para o coração da Cidade Velha. E é tão estreito (“estrecho”) que tem que prestar atenção pra não passar direto pela fachada meio escondida atrás de um guarda-sol.

Restaurante Estrecho, Montevidéu
O restaurante é estreito, mas o prazer é vasto

Restaurante Estrecho, Montevidéu

Restaurante Estrecho, Montevidéu
Este crème brûlée estava de rasgar a roupa

O Estrecho tem atendimento cordialíssimo e um cardápio enxuto. Oferece um “especial do dia” na hora do almoço, opção que acabei escolhendo — quem é que resiste a um filé alto, acompanhado de polenta selada e cebolas confitadas?

Almocei divinamente no Estrecho, na companhia de um excelente vinho Tannat (desculpem, não anotei de que bodega) e arrematei os suspiros de felicidade com um ótimo crème brûlée.

A conta ficou em 1.170 pesos (R$ 154) e a refeição valeu cada um deles.

Restaurante La Pulpería, Montevidéu
La Pulpería: deliciosamente simples

La Pulperia
Lagunillas 448, Punta Carretas

Se eu tivesse que escolher apenas um lugar para comer em Montevidéu (que os deuses da glutoneria me poupem dessa provação!!), não tenho dúvida que meu voto seria de La Pulpería.

Plantada em uma pacata esquina de Punta Carretas, essa casa de parrilla tem o visual de uma barraquinha quase improvisada, o aconchego da informalidade e comida de uivar para a lua.

Restaurante La Pulpería, Montevidéu
Em La Pulpería, o espetáculo começa antes de seu prato ser servido. Sentar no balcão de cara para o braseiro é um senhor aperitivo

Restaurante La Pulpería, Montevidéu
 
Ainda que a casa ofereça mesas na calçada, o bom de La Pulpería é sentar no balcão, de cara para o braseiro, e assistir de camarote todas as etapas do preparo da delícia que vai aterrissar em seu prato.

É como participar de um churrasco com velhos amigos — com a certeza de que há um mestre parrillero pilotando os espetos.

Restaurante La Pulpería, Montevidéu

 
Restaurante La Pulpería, Montevidéu
A carne bate um bolão, mas as batatinhas
também são deliciosas

Jantei em La Pulpería na minha primeira noite em Montevidéu e me senti muitíssimo bem recebida pela gastronomia da cidade. Pedi a meia-porção do asado (costela 430 pesos/R$ 56) e a meia-porção de batatas fritas (160 pesos/R$ 20) e me esbaldei no banquete.

Aliás, precisamos falar das papas fritas uruguaias e argentinas: os belgas até que inventaram e preparam divinamente as batatinhas. Mas nossos vizinhos platenses também são geniais nessa arte. Crocantinhas por fora, macias por dentro, sequinhas, salgadinhas na medida certa. Um show!

Restaurante Jacinto, Montevidéu
Restaurante Jacinto: grande opção na Cidade Velha de Montevidéu

Restaurante Jacinto, Montevidéu

Jacinto
Sarandi 349, Ciudad Vieja

Taí outro baita restaurante na Cidade Velha de Montevidéu. O Jacinto ocupa um antigo casarão, quase na esquina da fofa Plaza Zabala. O espaço restaurado tem uma pegada industrial (quase hipster), o atendimento é muito eficiente e a comida é deliciosa. Estava movimentadíssimo no dia que almocei lá, mas cheguei sem reserva e não tive dificuldade para conseguir uma mesa.

Restaurante Jacinto, Montevidéu
Os canelones estavam muito gostosos

Restaurante Jacinto, Montevidéu
Mas quem me transportou ao paraíso,
mesmo, foi esta pavlova

O Jacinto não é barato, mas vale muito a pena. Pedi canelone de abobrinha e funghi (630 pesos/ R$ 82), um prato muito gostoso. Mas quem me matou de paixão mesmo foi a pavlova com frutas da sobremesa (290 pesos/ R$37). Não satisfeita em ser linda (dava até pena de comer), ela ainda me fez flutuar na combinação perfeita de doçura e azedinhos.

Pra resumir: grande almoço, viu?  

Até recentemente, o Jacinto só aceitava pagamento em dinheiro vivo, mas a casa já aderiu aos cartões de crédito.

Restaurante El Palenque, Mercado do Porto de Montevidéu
El Palenque preserva o balcão de cara para o braseiro que é marca registrada dos restaurantes do Mercado do Porto, mas o movimento mesmo agora se concentra no salão climatizado

Restaurante El Palenque, Mercado do Porto de Montevidéu

Restaurante El Palenque, Mercado do Porto de Montevidéu

El Palenque, Mercado do Porto
Perez Castellano 1579, Ciudad Vieja

Gente, como o Mercado del Puerto de Montevidéu mudou! A surpresa é culpa minha: quem mandou ficar 11 anos sem dar as caras numa cidade que eu gosto tanto? Mas o banho de loja que deram no velho mercado me provocou sentimentos contraditórios.

Os restaurantes, sem dúvida, estão mais confortáveis. Os salões climatizados e elegantes devem salvar a vida dos frequentadores no verão — lembro de quase ter derretido na minha última passagem por lá, em janeiro de 2011. Por outro lado, a gourmetização do ambiente tirou um pouco da graça do local.

Mercado do Porto de Montevidéu
Apesar do banho de loja nos restaurantes, a estrutura do velho mercado ainda é o grande encanto do lugar
 
Mercado do Porto de Montevidéu

É como se o Mercado do Porto tivesse aberto mão de parte da autenticidade para assumir abertamente o que ele já era há tempos: uma atração turística onde se come parrilla. Como já disse Belchior, “tudo muda” — só não sei se as mudanças têm sempre toda razão.

Nem preciso dizer que os preços acompanharam a garibada visual dos restaurantes do Mercado.

Restaurante El Palenque, Mercado do Porto de Montevidéu
Confesso que prefiro comer de cara para o braseiro, mas não
 vou reclamar do salão climatizado no verão

Restaurante El Palenque, Mercado do Porto de Montevidéu
O petit entrecot foi um bom companheiro para o sensacional boniato glaseado

Ainda assim, gostei do meu almoço no Restaurante El Palenque, possivelmente o mais reputado do Mercado del Puerto.

Pedi o petit entrecot (550 pesos/R$ 72), acompanhado da grande atração que é o boniato glaseado (390 pesos/R$ 51).

Boniato é (ou parece muito com) um dos meus xodós da mesa peruana, o camote, uma batata doce cor de abóbora que fica divina acompanhando a acidez dos ceviches. À moda montevideana, o bichinho salta das brasas meio caramelizado, uma perfeição que valeu a caminhada até o mercado.

Parrilla por parrilla, comi muito melhor em La Criolla e La Pulpería. Mas o Mercado do Porto de Montevidéu é uma atração turística incontornável e eu recomendo a experiência, nem que seja só para ticar o item da lista e seguir adiante em novas descobertas.

Trouville Pizza Montevidéu
Trouville: fainás, figazzas e a gostosa ilusão de "ser local"

Trouville Pizza
Francisco Vidal 650, Punta Carretas

Se você estiver pelas bandas de Punta Carretas, quiser comer bem e barato e ainda tomar vinho Tannat a preços imbatíveis (100 pesos/R$ 13 a taça), aponte a sua bússola para o despretensioso Trouville Pizza, típica casa de bairro, onde os fregueses se conhecem, a conversa circula entre as mesas e os donos e atendentes decoram as preferências dos fregueses desde a primeira refeição.

O Trouville Pizza fica a 160 metros do hotel onde mehospedei em Montevidéu e eu usei e abusei do clima acolhedor de seu salão para resolver aquelas fominhas que despontavam quando eu já tinha dado o dia por encerrado ou quando eu simplesmente queria bebericar brincando de ser local no meio dos vizinhos.

Trouville Pizza, Montevidéu
Eu gosto quando encontro uma despretensiosa "casa de vizinhança" para bater o ponto nos arredores da minha hospedagem

Trouville Pizza, Montevidéu
O gosto "de casa" do flan ajudava a entrar no clima 

Sem contar que o fainá (230 pesos/R$ 30 com muçarela, 200 pesos/R$26 sem muçarela) e a figazza (170 pesos/R$ 22, sem muçarela) do Trouville são muito gostosos e acompanham bem demais uma taça ou várias de vinho.

O flan caseiro (130 pesos/ R$ 17), com aquela cara e gosto de pudim de leite, era a sobremesa perfeita para dar aquele quentinho caseiro na alma.

Restaurante Chez Piñero, Montevidéu
Chez Piñero: pra quando bater a preguiça de pesquisar restaurantes 

Chez Piñero
21 de Setiembre 2847, Punta Carretas

O Chez Piñero, no trecho mais movimentado da Calle 21 de Setiembre, tem um astral de “casa de bairro”, frequentado principalmente por moradores dos arredores.

Sabe quando bate aquela “preguiça gastronômica” no meio da viagem e você não quer pesquisar “restaurantes relevantes” nem se deslocar pra muito longe de sua hospedagem?

Restaurante Chez Piñero, Montevidéu
Tem horas que tudo que a gente quer é um bifinho
 
Esse é o lugar, quando bater vontade de um bifinho, pizza ou massas. O Chez Piñero fica bem no coração de Punta Carretas — você com certeza vai passar várias vezes pela porta, andando pelo bairro — e é uma boa opção para uma refeição despretensiosa.

Os preços do Chez Piñero são bem mais altos do que os do Trouville Pizza, o atendimento é mais solene e a comida não decepciona. As taças de vinho custam 220 pesos (R$ 28). O filé que experimentei lá (petit lomo), com saladinha e batatas fritas, estava bem gostoso e custou 695 pesos (R$ 90).

Perfeição gastronômica em Montevidéu

Confitería y Rotisería 25 de Mayo
 25 de Mayo 655, Ciudad Vieja
Horários: de segunda a sexta, das 7:30h às 19. Sábados, das 9h às 18h. Fecha aos domingos 😢.

Padaria 25 de Mayo, Montevidéu
Padaria 25 de Mayo: é melhor ir sozinha, sem testemunhas do ataque de gula que vai se apossar de você

Não adianta, que aqui neste post eu não vou encaixar a Padaria 25 de Mayo em uma categoria tipo "lanches" ou outra sem-gracisse qualquer. O lugar é simplesmente uma perfeição gastronômica, onde eu gostaria de passar a eternidade experimentando cada biscoito, cada bolo e cada doce produzido na centenária instituição.

Minha principal dica para curtir essa maravilha é chegar lá de manhã cedo, com aquela fome de anteontem, e se acabar no melhor café da manhã de sua vida — e, pelamordedeus, em nome da sua autoestima, prefira ir sem testemunhas. A glutoneria que vai lhe possuir tem tudo para resultar meio vexaminosa.

Padaria 25 de Mayo, Montevidéu
Comecei a inventar desculpas para ir à Cidade Velha só pra passar na 25 de Mayo

Padaria 25 de Mayo, Montevidéu

Pelo menos, foi assim comigo. Cheguei lá inocente, pensando em cafezinho com palmita (palmier), acabei me enroscando com alfajores de chocolate, biscoitinhos que não anotei o nome até descambar para os polvorones (biscoitos amanteigados) mais deliciosos que já provei na minha vida. 

Quando eu vi, estava inventando desculpas para ir à Cidade Velha de Montevidéu, só para passar pela 25 de Mayo (felizmente, a Cidade Velha tem desculpas de sobra). Não provei nada lá que não fosse muito gostoso. E os preços são bem modestos — o que contribui para a imoderação, né?

Padaria 25 de Mayo, Montevidéu
Um polvorón, um café e a vitrine me chamando de volta

Padaria 25 de Mayo, Montevidéu

A Padaria 25 de Mayo é bem objetiva: faça o pedido no caixa, pague, receba seus pacotinhos de puro deleite e saia do caminho, porque a fila de clientes não para. Não tem lugar pra sentar e ficar suspirando de prazer, não. Meu vexame era na calçada, com o copo de café apoiado no peitoril da vitrine. Prova de que experiências celestiais não precisam de cenário rebuscado.

Antigamente, eu ia a Montevidéu. Agora, passarei a ir à Padaria 25 de Mayo e aproveitarei pra dar uma olhada na cidade.

Mercado Ferrando, Montevidéu
O Mercado Ferrando, em Cordón, foi instalado em uma antiga fábrica de móveis


Mercado de la Abundancia, Montevidéu
O histórico Mercado de la Abundancia passou por uma revitalização e, além dos boxes de comida e bebida, também abriga um centro cultural voltado para a tradição do tango

Mercados gastronômicos em Montevidéu

Montevidéu entrou de vez — e com grande entusiasmo — na onda dos mercados gourmetizados que fazem tanto sucesso pelo mundo. Se você curtiu o Mercado Central de Termini, em Roma, o Mercado de San Miguel e o Mercado de San Antón, em Madri, e o Mercado da Ribeira/Time Out Lisboa, vai gostar de saber que Montevidéu tem várias dessas praças de alimentação com grande variedade de restaurantes servindo comidinhas de várias partes do planeta.

Experimentei quatro desses espaços gastronômicos de Montevidéu: o Mercado Ferrando, em Cordón, o Mercado Williman e o Mercado del Inmigrante, em Punta Carretas, e o Mercado de la Abundância, no Centro. 

Mercardo Williman, Montevidéu
No Mercado Williman, em Punta Carretas, experimentei e aprovei aprovei o Bubba gump wok (570 pesos/R$ 73), prato tailandês com vegetais e frutos do mar

Mercado Ferrando, Montevidéu
No Mercado Ferrando, experimentei o bom chowder (sopa com base de leite) de peixe (420 pesos/R$ 54) do Restaurante Ollas, especializado em sopas e ensopados se várias partes do mundo—grande ideia para dias frios

A paleta de especialidades varia de mercado para mercado, mas a proposta é a mesma: os ambientes moderninhos e agradáveis reúnem boxes de boa comida a preços pagáveis e são sempre uma opção interessante para uma refeição rápida e com qualidade.

Quem varia um pouco desse menu é o Mercado de la Abundancia, que além dos boxes de comidinhas  e mesas comunitárias também tem funciona como centro cultural dedicado à preservação da tradição do tango, oferecendo apresentações musicais, aulas e outras atividades. As milongas (bailes de tango) do mercado são bem elogiadas.

Mercado del Inmigrante, Montevidéu
Como o Mercado del Inmigrante ficava pertiho de meu hotel, estava sempre passando por lá para um café e um docinho

Mercado del Inmigrante, Montevidéu
  
Como os mercados gastronômicos de Montevidéu abrem cedo e fecham bem tarde, são boas pedidas para todas as fomes, desde o café da manhã até aquela beliscada no começo da madrugada. As opções vão parrilla ao sushi, da pizza à tortilla espanhola, do faláfel ao tailandês. 

Mercado Ferrando, Montevidéu
O Mercado Ferrando também tem mesas em uma área externa

Mercado Ferrando
Chaná nº 2120 (esquina com Joaquín de Salterain), Cordón

Horários: de domingo a quarta-feira, das 10h à meia-noite. Quintas, até 1h da manhã. Sextas e sábados até as 2h da madrugada.


Mercado Williman

Claudio Williman 626, Punta Carretas
Horários:
diariamente, das 10h à 1h da manhã.

Mercado Williman, Montevideu
Pra quem se hospeda em Punta Carretas, o Mercado Williman (acima) e o Mercado del Inmigrante (foto abaixo), são boas opções para refeições despretensiosas

Mercado del Inmigrante, Montevidéu

Mercado del Inmigrante
21 de Setiembre 2116, esquina com Coronel Mora
Horários: de domingo a quinta, das 10h à 1h da manhã. Sextas e sábados, das 10h às 2h da madrugada.

Mercado de la Abundancia
San José 1312, Centro
Horário: diariamente, das 11:30h às 2h da manhã

Tango no Mercado de La Abundancia, Montevidéu
As apresentações musicais e as milongas são atrações do Mercado de la Abundancia

Mais sobre Montevidéu


Viagem de 2011
Atrações

O Uruguai na Fragata Surprise
Colónia del Sacramento
Punta del Este

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