quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Mirantes de Lisboa: 7 lugares pra
ver a cidade do alto e se apaixonar

O Mosteiro dos Jerónimos é uma das estrelas do panorama que se vê do alto do Padrão dos Descobrimentos
A maior gentileza que uma cidade bonita pode fazer a visitantes e locais é se encher de mirantes, para que possa ser contemplada em sua plenitude. Não é vaidade, é utilidade pública. Em Lisboa, fica fácil. Primeiro, porque a cidade, como Roma, ocupa sete colinas e o que não falta é altura para plantar seus miradouros (é como se chamam os mirantes por lá). Segundo, porque vá ser bonita assim lá na margem do Tejo: pra onde quer que a gente olhe, há sempre uma maravilha pra seduzir a visão.

Os sete mirantes que selecionei para este post são lugares que visitei nas minhas várias passagens pela cidade — camarotes onde me vi boquiaberta deixando a capital portuguesa arrebatar meu coração. Quatro deles (os miradouros de São Pedro de Alcântara, das Portas do Sol, de Santa Luzia e da Senhora do Monte) são espaços públicos gratuitos, sem hora para fechar (pense em luas cheias...). O Castelo de São Jorge, o Padrão dos Descobrimentos e o terraço do Elevador de Santa Justa são atrações pagas. Todos valem muito a pena.

Espero que você aproveite as dicas e se apaixone por Lisboa tanto quanto eu.

Padrão dos Descobrimentos
Avenida Brasília nº 1400, Belém. Aberto diariamente. De março a setembro, das 10h às 19h. De outubro a fevereiro, só até às 18h. Entrada € 4. O elevador leva o visitante até o sexto andar. Daí, é preciso subir pelas escadas o equivalente a dois andares. 


Rosa dos Ventos e ondas do mar: a esplanada em frente ao Padrão dos Descobrimentos
A 56 metros de altura, às margens do Tejo, o mirante do Padrão dos Descobrimentos é um lugar especialíssimo para se olhar Lisboa. De lá do alto, a emoção de pairar sobre o cenário da grande aventura das navegações que levaram Portugal a mudar o desenho do mapa mundi, cercada das cores fortes proporcionadas pela luz lisboeta. 

Aos pés do visitante, o gigantesco mosaico de mármore da Rosa dos Ventos e, mais adiante a beleza poética do Mosteiro dos Jerónimos e a força das memórias da Torre de Belém. Vá em uma tarde ensolarada e vai ser paixão na certa.

O Tejo brincando entre o verde e o azul. Ao fundo, a Ponte 25 de Abril
O Padrão dos Descobrimentos, monumento aos grandes navegantes portugueses, foi erguido para a Exposição do Mundo Português, na década de 40, como uma construção provisória. Fez tanto sucesso que acabou sendo reproduzido em concreto e revestido de calcário para durar por muitas gerações. 

Na caravela estilizada que mira o Tejo estão representados os maiores nomes das empresas marítimas, entre eles Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães (comandante da primeira viagem de circum-navegação da terra), o Infante D. Henrique, líder da chamada Escola de Sagres (confraria para a troca de conhecimentos náuticos), Gil Eanes, o primeiro ocidental a dobrar o Cabo Bojador, Bartolomeu Dias, o primeiro a vencer o Cabo das Tormentas (Cabo da Boa Esperança) e Pêro da Covilhã, explorador cujas informações trazidas do Oriente estimularam a ideia da tomada de Ceuta. 

Na caravela estilizada do Padrão estão representados os heróis das navegações e seu cronista, Luís de Camões. À direita, a Torre de Belém
Como nenhuma grande aventura pode prescindir de um cronista (e talvez sejam os cronistas os artífices que fazem feitos humanos virarem épicos), lá está Luís de Camões, figurando entre os personagens que ele imortalizou em seus versos.

A subida ao Padrão dos Descobrimentos combina com a visita à Torre de Belém, ao Mosteiro dos Jerónimos (que também abriga o interessante Museu Nacional de Arqueologia) e, como ninguém é de ferro, uma farra devoratória de pastéis de Belém, pois a famosa fábrica fica do ladinho.

Sobre o Mosteiro dos Jerónimos, leia este post:
Minhas melhores memórias de Lisboa
Para saber tudo sobre os famosos pastéis, o post é esse aqui:
A fantástica fábrica de pastéis de Belém

A melhor maneira de chegar a Belém é com o Electrico 15, que parte da Praça do Comércio.


Miradouro de São Pedro de Alcântara
Rua São Pedro de Alcântara, Bairro Alto. Entrada livre a qualquer hora

Miradouro de São Pedro de Alcântara: lugar perfeito para derramar o coração sobre Lisboa
Junto com o Miradouro da Senhora do Monte, este é o meu ponto preferido para derramar meu coração sobre a beleza de Lisboa. Fica no Bairro Alto, que por si só já rende um passeio gostoso (e farras homéricas).

Esse mirante fica no morro em à colina onde se assenta o Castelo de São Jorge. É uma agradável praça ajardinada, sombreada por árvores frondosas e com um belo chafariz no centro. Sua balaustrada debruçada sobre a Baixa é concorridíssima nos finais de tarde de verão, quando a luz cai perfeita sobre o Castelo e a Alfama, lá do outro lado.

O mirante é adorável e muito concorrido nos finais de tarde do verão

Tudo conspira para uma visita deliciosa, a começar pela chegada, pra quem vem da Baixa, subindo o Elevador da Glória, um bondinho que vence a subida muito íngreme, desde a Praça dos Restauradores. A chegada do elevador é logo ao lado do mirante.

O bilhete ida e volta do elevador custa € 3,60 e pode ser comprado diretamente com o condutor.

Elevador da Glória: a partida )à esquerda) é da Praça dos Restauradores. A chegada (à direita) é bem ao lado d mirante
Um cálice de moscatel de Setúbal para brindar à vida e à beleza de Lisboa
Depois de identificar cada pedacinho de Lisboa (um painel de azulejos ajuda o visitante a localizar o que está vendo) que se oferece à vista, é muito bom parar em uma das mesinhas ou espreguiçadeiras ao ar livre do barzinho instalado em um quiosque com uma bebidinha para brindar à vida.

O Jardim do Príncipe Real também tem um barzinho com mesas ao ar livre que é uma simpatia

A visita a esse mirante combina com um pulinho ao Jardim do Príncipe Real, a 400 metros de distância (siga a Rua D. Pedro V). Lá também tem um barzinho simpático, com carinha de coreto e mesinhas espalhadas sob as árvores.


Castelo de São Jorge
Entrada pela Rua de Santa Cruz. Diariamente, das 9h às 21h (no inverno, de novembro a fevereiro, encerra às 18h). Fechado no Natal (24 e 25/12), Ano Novo (31/12 e 1/1) e no 1º de Maio. O bilhete custa € 8,50. Estudantes até 25 anos e maiores de 65 pagam € 5.

Lisboa vista do Castelo de São Jorge, com destaque para o Paço da Ribeira, na Praça do Comércio
Nem tudo que você vai ver no Castelo de São Jorge é original. O lugar ganhou uma “reconstrução”, nos anos 40 do Século 20, e isso me deixava com uma certa má vontade em relação a ele. Mas depois da minha primeira visita, tive que dar o braço a torcer: mesmo com os acréscimos fake, o lugar é muito bacana e tem um pedigree histórico de responsa, estando profundamente ligado à trajetória da cidade através dos séculos.

Hoje, em qualquer temporadinha mais comprida em Lisboa ele entra na minha lista de passeios. E um dos motivos é a vista que a velha fortaleza oferece para a cidade.

Estátua de D. Afonso Henriques na Praça de Armas do Castelo de São Jorge

Muitas estruturas do Castelo de São Jorge são reconstruções de "ruínas" feitas no Século 20. Os acréscimos fake, porém, não diminuem a importância histórica do lugar
O Castelo de São Jorge ocupa a mais alta das sete colinas de Lisboa. É claro que uma localização estratégica como essa não passaria despercebida aos diversos povos que andaram pela Olissipo, a “Cidade de Ulisses” (reza a lenda que o herói de Ítaca foi o fundador da futura Lisboa).

Achados arqueológicos dão conta que celtas, fenícios, gregos e cartagineses andaram amontoando suas pedrinhas naquelas alturas para aproveitar as qualidades defensivas do terreno. Romanos, visigodos e mouros seguiram o exemplo — esses últimos mantinham na área do atual castelo a sua Alcáçova, palácio fortificado e sede de governo.

Sou fã desse São Jorge pedestre que fica na entrada do castelo. À direita, um pátio da fortaleza
Um dos prazeres da visita ao Castelo de São Jorge é caminhar sobre as muralhas
Nas guerras da Reconquista Cristã, o castelo mouro foi assediado e conquistado várias vezes, para ser retomado novamente pelos mouros, até a conquista definitiva pelas forças do primeiro rei português D. Afonso Henriques, no Século 12.

Daí em diante, o Castelo de São Jorge passaria a abrigar um dos paços reais portugueses (disputando especialmente com o Paço de Coimbra a condição de sede da corte) até a construção do Paço da Ribeira, no Século 16.



Uma visita ao Castelo de São Jorge oferece muito mais que a vista arrebatadora para a cidade (mas só ela já paga o ingresso). É muito agradável percorrer seus jardins, pátios e esplanadas, caminhar sobre as muralhas e explorar suas torres — em uma delas funciona uma câmara escura que reflete imagens da cidade, em tempo real, jeito bem interessante de observar Lisboa.

Só os táxis chegam até a entrada do castelo

A entrada da Cidadela. À direita: os pavões são uma das atrações dos jardins do castelo
O melhor jeito de chegar ao Castelo de São Jorge é com o Electrico 28, que faz uma parada no Miradouro de Santa Luzia. De lá é preciso seguir a pé, ladeiras acima. Carros particulares (exceto dos moradores) não têm acesso ao último trecho de ladeira que dá acesso ao castelo. Para quem tem alguma dificuldade de locomoção, a melhor alternativa são os táxis, que param em frente à entrada do monumento.


Miradouro de Santa Luzia 
Largo de Santa Luzia, Alfama. Entrada livre a qualquer hora.



A visita ao Castelo de São Jorge combina muito bem com uma parada em dois outros mirantes lindos e bem próximos. O primeiro é o Miradouro de Santa Luzia, 600 metros ladeira abaixo da velha fortaleza, uma sacada debruçada sobre a Alfama.

Os telhados do bairro, alguns aspectos do cotidiano de suas ladeiras e escadarias e o Tejo, ao longe, formam um quadro  adorável. Taí outro lugar onde gosto de bater o ponto em todas as passagens por Lisboa.

Painel na igrejinha de Santa Luzia mostra a Praça do Comércio (Terreiro do Paço) antes do terremoto de 1755

Miradouro das Portas do Sol
Largo das Portas do Sol, Alfama. Entrada livre a qualquer hora



Precisei visitar o miradouro das Portas do sol para descobrir que é São Vicente, homenageado com esta estátua, o padroeiro oficial de Lisboa. Eu jurava que era Santo Antônio... À direita, um pouquinho do cotidiano da Alfama bisbilhotado da balaustrada do mirante
Menos de 100 metros acima do Miradouro de Santa Luzia, o Miradouro das Portas do Sol é outro lugar próximo ao Castelo de São Jorge onde vale a pena fazer uma pausa para namorar os telhados do Bairro da Alfama. Ele ocupa área onde estava a antiga Porta do Sol, uma das entradas do recinto amuralhado medieval, em torno da fortaleza . Um final de tarde de verão aqui é sempre animado, com os bares da área fervilhando de gente.

Palácio Azurara, sede do Museu de Artes Decorativas Portuguesas
Em frente ao mirante fica o Museu de Artes Decorativas Portuguesas, instalado no Palácio Azurara, do Século 17. O acervo do museu reúne peças de mobiliário, cerâmica e faiança, joias e, claro, uma importante coleção de azulejos.

Miradouro da Senhora do Monte
Rua da Senhora do Monte 50, Bairro da Graça. Acesso livre a qualquer hora.

O castelo (no cantinho à esquerda), um Tejo muito azul e a capelinha 
Se eu tivesse que escolher o meu mirante preferido na capital portuguesa, o voto seria desse simpático jardim do bairro da Graça, meio off-circuito turístico e com uma vista de fazer o coração dar uma paradinha. Talvez porque tenha sido lá que vi Lisboa pela primeira vez, poucas horas após pisar na cidade, levada por minha amiga Dulce Ferrero, que morava perto e sabia que eu ia cair de amores por Lisboa só de vê-la daquele ângulo.

O panorama é espetacular: de cara para o Castelo de São Jorge, a gente tem a Baixa e o estuário do Tejo aos nossos pés (e o Tejo tem mania de ficar azul em dias de sol...). Olhando para o outro lado, o casario do Bairro Alto desfila suas fachadas e telhados.

Um lugar bonito e sossegado onde se aninha a pequena Capela de Nossa Senhora do Monte, uma ermida fundada no Século 12 (o edifício atual, pós-terremoto de 1755, é do Século 18).

O melhor jeito de chegar é com o Electrico 28E, que faz uma parada na Rua da Graça, pertinho do mirante. Esse famoso bondinho amarelo sai da Praça Martin Moniz e passa por inúmeras atrações de Lisboa, como a Alfama, a Sé e a Basílica da Estrela.


Elevador de Santa Justa
Liga a Rua do Ouro, na Baixa, ao Largo do Carmo. O acesso ao mirante custa € 1,50.



Sou até suspeita pra falar do Elevador de Santa Justa e de seu magnífico terraço pendurado nas alturas, de cara para as ruínas do Carmo e com o Rossio e a Baixa a seus pés. É que esse tradicionalíssimo elevador lisboeta é o caminho mais curto para dois dos meus xodós na cidade: o Largo do Carmo e o antigo convento, destruído no terremoto de 1755. Não é à toa que ele faz parte da minha lista obrigatória de passeios em Lisboa, em todas as passagens por lá.

E pensar que esse ascensor, inaugurado em 1902, é só um priminho caçula do Elevador Lacerda, de Salvador, que começou a funcionar três décadas antes...

O elevador visto da Baixa
A elegância da decoração do elevador e, à direita, a escadinha de caracol que desce do terraço. A subida (por uma escada igualzinha) fica do outro lado
Entrar em uma das cabines de madeira e metal muito polido do Elevador de Santa Justa é como brincar de máquina do tempo: a gente deixa o burburinho da Baixa e parece que sobe até o tempo muito mais silencioso e cordial que domina o velho Largo do Carmo.

Sobre o Convento do Carmo e o lindo museu instalado nas ruínas, leia este post:
Tesouro de Portugal: o Convento do Carmo, em Lisboa

A passarela que leva ao Carmo (à esquerda). Não sei vocês, mas  eu me amarro em telhados :) 
Mas antes de atravessar a passarela para essa outra dimensão, não deixe subir a escadinha de ferro batido, em caracol, que fica na plataforma onde param as cabines. Esses degraus levam ao terraço do elevador e a uma das vistas mais arrebatadoras de Lisboa.

O Elevador de Santa Justa fica na Rua do Ouro, uma travessa da movimentada Rua Augusta. De junho a setembro, o horário de funcionamento é das 7h às 22:45h. De outubro a maio, só até às 21:45h. A passagem custa €2,80 (cada trecho). Para ter acesso apenas ao mirante, paga-se €1,50. Um passe de €5 permite a viagem de ida e volta e mais a subida ao mirante.

O Castelo de São Jorge, as torres da Sé e os telhados da Baixa vistos do terraço do Elevador de Santa Justa

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