segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Dicas práticas:
De carro entre Lisboa
e Santiago de Compostela

No Centro Histórico de Lisboa, bom mesmo é andar a pé ou no Electrico 28. Na foto, a Igreja de Santo António 
Sou pedestre militante no dia a dia, mas tenho que admitir: dirigir numa estrada segura, bem conservada e sinalizada, povoada por motoristas civilizados é realmente uma delícia.

Foi o que eu fiz, neste recesso de final de ano, em Portugal. Aluguei um carro em Lisboa e rumei para o Norte, até Santiago de Compostela, na Galícia, onde passei o Ano Novo.

Se estivesse sozinha, teria optado por outros meios de transporte. Essa, porém, foi uma viagem em família: eu estava acompanhando minha mãe e duas tias em sua descoberta da terra de seus avós.


O estacionamento fora das muralhas medievais de Óbidos (os carros não entram na cidade), nossa primeira parada rumo ao Norte
O carro, portanto, fazia todo sentido. Não queria nem pensar no sobe e desce com as malas nas plataformas de trem e rodoviárias — eu mesma, mais jovem e calejada pelas alças das mochilas, já paguei muito pecado subindo escadarias de estações ferroviárias, como na viagem de Barcelona a Carcassonne, no Carnaval de 2011. Optamos, pois, pelo conforto de colocar as bagagens no porta malas e cair na estrada. E foi uma ótima pedida.

Chegamos a Lisboa no final da manhã de 22 de dezembro, no voo direto Salvador-Lisboa, da TAP. Enquanto estivemos baseadas na capital portuguesa (cinco noites), usamos o transporte público para deslocamentos na cidade e para dois simpáticos bate e volta a Setúbal e a Évora. Só pegamos o carro no dia 27/12, hora de seguir para Santiago.

A lição que eu aprendi: para ir de uma localidade a outra, o carro é ótimo. Nas cidades, como Coimbra (foto), é melhor usar o transporte público, especialmente nos centros históricos
Nosso “roteiro” era muito mais uma lista de intenções do que um plano de viagem. Com quatro dias para percorrer os 560 quilômetros entre Lisboa e Santiago, tivemos tempo para aproveitar a principal vantagem de estar com o carro, que é parar onde dá vontade. 

Foram, em média, cerca de três horas ao volante por dia, em estradas impecáveis, sem caminhões e sem o estresse que a agressividade de uma certa cultura do dirigir com testosterona impõe às rodovias brasileiras.

Mesmo na volta, quando encarei os 560 quilômetros de uma só vez (com direito a chuva e muita neblina nas Rias da Galícia), o percurso foi feito em pouco mais de seis horas, na maior tranquilidade.

Metrô de Lisboa: antes de pegarmos o carro e rumar para o Norte, ele foi nosso principal meio de transporte
O aluguel do carro
O carro que alugamos foi um Kia Rio quatro portas, com câmbio manual (o problema de ter virado pedestre militante é que não estou mais up to date com modernagens, tipo câmbio automático) e um porta malas que fez o que pode, tadinho, para acolher a nossa bagagem (quatro malas e uma tremenda falta de engenhosidade. Só no fim do segundo dia é que consegui montar direito o quebra-cabeças 😊. Mesmo assim, uma das malas teve que viajar no banco de trás).

O aluguel foi feito na Avis, pelo site decolar.com. Tudo muito fácil e rápido: foi só chegar no balcão da empresa, no aeroporto, apresentar o passaporte, o cartão de crédito e a carteira de motorista do Brasil. Em menos de 30 minutos, eu já estava ao volante. O aluguel por sete dias, com quilometragem livre, mais o dispositivo eletrônico para o pedágio (que poupa um tempo danado, pois a gente passa direto pelas catracas e a tarifa vai direto para o cartão de crédito) e um 3G para o celular, que custou €350.

A Cidade do Porto é tão linda que eu penei pra ir embora...
(Cais da Ribeira)
GPS ou similar: mais importante nas cidades do que na estrada
O único senão de toda história é que eu resolvi confiar no aplicativo de mapas do meu celular (um Nokia Lumia) que, na hora H, resolveu não funcionar. Deu um tremendo arrependimento de não ter gastado uns eurinhos a mais e alugado o GPS oferecido pela locadora.

As estradas portuguesas são muito bem sinalizadas, não tem como errar o caminho, mesmo sem auxílio do GPS. O perrengue mesmo é entrar e sair das cidade maiores. Na confusão do tráfego  nem sempre dá para enxergar a sinalização a tempo (o que comprova minha tese de que automóveis e centros urbanos são mesmo uma mistura indigesta 😊).

Fortaleza na Foz do Douro, no Porto
No Porto, por exemplo, sofri tanto para achar a saída para a estrada que resolvi relaxar e ir seguindo adiante. Resultado: conheci a Foz do Douro, com sua cara de balneário chique dos anos 60. E vi um Atlântico tão furioso batendo na costa que fiquei ainda mais fã dos navegadores portugueses. Haja coragem para enfrentar a ira daquelas ondas (OK, um automóvel nem sempre é um estorvo, 😉).

Até para evitar o sufoco do trânsito, só usávamos o carro até a chegada ao hotel. Daí em diante, voltávamos a viajar do jeito que eu gosto, com muitas caminhadas e, para percursos mais longos, usando o transporte público. Convém lembrar, também, que nos Centros Históricos das cidades por onde passamos (Óbidos, Coimbra, Porto e Santiago), os automóveis não servem para nada, porque não podem circular.

Santiago de Compostela, na Espanha, última etapa do nosso roteiro
Na estrada, porém, foi tão gostoso dirigir que, mesmo andando no limite máximo permitido (120 km por hora), nem sentia a velocidade. Poucos quilômetros depois de deixar Lisboa eu já estava gastando todo o meu repertório dos Beach Boys, a plenos pulmões.

Sempre associei o prazer de estar ao volante com as músicas da banda — até as de surf. Nada mais perfeito que uma estrada e 409 de trilha sonora. Duvida? Ouça e diga se eu não tenho razão...

E os detalhes desta viagem deliciosa em contro nos próximos posts.

Portugal na Fragata Surprise
Roteiros
20 dias em Portugal - roteiro de carro
Roteiro de carro redondinho: de Lisboa a Santiago de Compostela

Dicas gerais
De carro em Portugal: como organizar sua viagem
Portugal: 8 razões pra voltar (sempre e muito)
Os viajantes, as crises e a vida real
Perdida na tradução: o Português de Portugal

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Muito além do Bacalhau: o que comer - e onde comer - em Portugal
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Fim de ano na Europa: vale a pena? Como foi meu Natal em Lisboa
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Dicas práticas

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Dicas práticas
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Porto: café com estilo no Majestic e Guarany

Serra da Estrela
Um passeio por Seia, Piódão e outros encantos

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9 comentários:

  1. É por isso que também gosto de alugar carro porque podemos parar quando nos apetece. Mas é bom para nos deslocarmos de terra em terra mas conduzir em grandes centros como Lisboa, é preciso ter uma grande dose de paciência e agilidade.

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  2. Que delicia de relato e que imagem linda do Rossio. Abraços,

    Paula do Mochilinha Gaúcha

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  3. Pois é, Alves, o automóvel tem lá sua utilidade, permite escolher estradinhas secundária, parar para ver a paisagem... Na "vida normal", porém, acho que quem pode (mora mais perto do trabalho, em bairros bem servidos de transporte público) deveria fazer um bem à mobilidade urbana e deixar o carro na garage :)

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  4. Paula, Portugal tem dessas coisas: inspira, encanta, deleita. E eu ando numa saudade de lá...

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  5. Cynthia, eu, Ronaldo e um amigo vamos para Espanha e Portugal - serão 22 dias (17/9 a 9/10). A minha base de hospedagem será Barcelona, madri e Coimbra (ficarei na casa de amigos). Ja conhecemos Madri, Lisboa, e os bate-e-voltas perto de Lisboa (Obidos, Fatima, batalha, Sintra, Nazare, Cabo da Roca). Estou de olho nas suas dicas de Portugal porque por la ficarei 10 dias e não conhecemos nada do norte do pais. Você acha que o melhor para conhecer Porto, Braga, Serra da Estrela é se deslocando de carro? Ronaldo esta resistente porque nosso turismo é bem gastronômico e bebemos bastante vinhos.

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    1. Oi, Cândida,
      Pensem em ficar umas duas noites no porto. A cidade é linda demais, merece. Só um bate a volta de Coimbra até lá eu acho pouco.
      Vocês não vão precisar de carro no Porto. A cidade tem um bom sistema de transporte público e até para ir à Foz do Douro, que é mais afastada, tem um electrico (bonde) que é uma graça.
      Dá para ir a Braga de transporte público. É bem pertinho do Porto.

      Para a Serra da Estrela, acho que o carro é necessário, sim, pois a graça são as cidadezinhas, as paisagens rurais. Dá pra alugar um carro em Coimbra só para esse passeio.

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  6. Existe alguma burocracia para cruzar a fronteira portugal-espanha? A nossa CNH é valida na espanha tbm?

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  7. Existe alguma burocracia na fronteira portugal-espanha? A nossa CNH é valida na Espanha?

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    1. Oi, Fernanda,
      Eu não fui parada na fronteira, atravessei direto. Mas é preciso confirmar com a locadora se ela autoriza a travessia da fronteira (algumas não aceitam). Você pode usar a CNH brasileira, mesmo (se for ficar menos de 90 dias). Eu, por via das dúvidas, tenho uma PID (permissão internacional para dirigir, que nada mais é que uma espécie de tradução juramentada da habilitação, fornecida pelos detrans).

      abs

      Cyntia

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