18 de janeiro de 2015

Lisboa - o Convento do Carmo

Convento do Carmo: uma das atrações mais lindas de Lisboa
Se eu tivesse que escolher a minha atração favorita em Lisboa, acho que votaria no Convento do Carmo. Essa beleza medieval debruçada sobre o Rossio e a Baixa tem uma força e uma poesia que desafiam até terremotos — o devastador tremor de 1755 até tentou apagá-lo na paisagem, deixou-o em ruínas, mas ele continua lá.

E talvez o encanto maior do Convento do Carmo seja esse mesmo: sua igreja gótica em ruínas, com vista para o céu quase sempre azul de Lisboa.

A Calçada do Carmo é um dos caminhos para o Convento. Começa em uma escadaria e prossegue por um ladeirão. 
À direita, a vista do Rossio, no início da subida

Gosto tanto do Convento do Carmo que tendo apenas oito horas entre voos (indo de Salvador para Roma), não tive duvidas na hora de escolher o passeio para aproveitar a conexão em Lisboa. Lá fui eu ver o velho mosteiro carmelita e o belo Museu Arqueológico do Carmo, que funciona lá. 

Na verdade, adoro todo o entorno do Convento: subir o Elevador de Santa Justa e ver Lisboa do alto de seu mirante, atravessar a passarela de ferro até o Largo do Carmo — um lugar sossegado e com cara lugar onde mora gente, apesar de sua importância histórica e proximidade com o burburinho do Chiado. 

O Largo do Carmo, aliás, foi o primeiro lugar que eu corri pra ver em Lisboa, na primeira visita (e volto sempre, e muito), pelo posto que ocupa na minha mitologia pessoal. A praça foi fundamental em um dos meus épicos favoritos, a Revolução dos Cravos, que livrou Portugal de 49 anos de ditadura, em 1974. 

A Calçada do Carmo é íngreme, mas as paradinhas 
para observar os detalhes amenizam o esforço da subida
Um passeio ao Convento do Carmo cabe direitinho em uma escapada do aeroporto para quem faz conexão em Lisboa. Mesmo escolhendo o caminho mais longo para chegar lá (subir a pé a Calçada do Carmo, que começa como escadaria e depois vira um ladeirão), tive tempo de sobra para ver o museu com calma e ainda esticar no bairro do Chiado e outras andanças. 

Foi um passeio bem gosto. Desci do ônibus que vem do aeroporto para o Centro de Lisboa na Praça dos Restauradores, respirei fundo e tratei de subir a Calçada do Carmo. O caminho é íngreme e resfolegante, mas a ladeira é uma sucessão de fachadas encantadoras, recobertas de castiços azulejos e cheias de detalhes fofos.

Largo do Carmo: um painel temporário lembra o capitão Salgueiro Maia exigindo a renúncia de Marcelo Caetano, chefe do governo ditatorial português. A foto faz companhia à singela placa com que Lisboa homenageia seu herói
➡️ Um pouquinho da História do Convento do Carmo de Lisboa
O Convento do Carmo, do Século 14, é um dos mais antigos edifícios góticos de Portugal a chegar aos nossos dias.

Foi construído pelo Condestável Nuno Álvares Pereira (o título medieval equivale ao de um marechal ou comandante supremo das forças militares do país), personagem fundamental na história do país e grande condutor da vitória sobre as forças de Castela na Batalha de Aljubarrota. (Essa história você descobre em outra linda aula, que é a visita ao Mosteiro da Batalha).

A igreja sem abóbada
O convento carmelita viveu na paz e sossego por 300 anos, até que o terremoto de 1755 botou abaixo boa parte da construção, destruindo a abóbada da igreja, que hoje, a céu aberto, é a "área externa" do Museu Arqueológico do Carmo.

No reinado de D. Maria I, no Século 19, aquele Portugal ainda com ares de potência colonial inventou de estilizar as ruínas do Convento do Carmo, fazendo uma espécie de “parque temático” medieval. A ideia, porém, morreu (felizmente) em meio aos enfrentamentos políticos entre governo e Igreja. Os grandes arcos góticos da igreja, que parecem tão bem conservados, são na verdade, fruto dessa intervenção.

Na antigas naves da igreja gótica estão expostas gárgulas, lápides e outras peças, como o túmulo de D. Francisco de Faria, em estilo manuelino 
➡️Museu Arqueológico do Carmo
Talvez os devotos dos museus de tudo torçam o nariz para o acervo pequeno (mas muito bonito) do Museu Arqueológico do Carmo. Ele não é uma enciclopédia, é uma pequena joia, onde as peças expostas são coadjuvantes da beleza de um edifício profundamente marcado pelo tempo e pelo desastre, cheio de autoridade, portanto, para nos contar uma história.

Peças sacras, lápides, gárgulas, sepulcros, utensílios pré-históricos, ornamentos romanos, visigodos e mouros estão ali como objetos de cena, a serviço da narrativa maior. O efeito é fascinante.

Achados pré-históricos, romanos, mouros e visigodos contam um pouco da história de Portugal 
➡️ Como chegar ao Convento do CarmoO Convento fica no Largo do Carmo, vizinho ao Chiado. 

➡️Você pode chegar lá pegando o Elevador de Santa Justa, na Baixa. O estação de metrô mais próxima à parte baixa do elevador é a Baixa-Chiado, nas linhas Azul e Verde.


➡️ Se subir o Elevador de Santa Justa, não deixe de dar uma passadinha no mirante para ver boa parte do Centro Histórico de Lisboa, antes de pegar a passarela que passa ao lado do convento e leva direto ao largo do Carmo.

➡️ Outro jeito de chegar ao convento é subir a Calçada do Carmo, que começa na Praça dos Restauradores. Neste caso, a estação de metrô mais próxima é Restauradores, na Linha Azul.

➡️ Do Largo do Chiado até o Largo do Carmo, a caminhada é curtinha: 250 metros


Os primórdios da ocupação de Lisboa em uma maquete
 do Museu Arqueológico do Carmo
➡️ Visita ao Convento do Carmo de Lisboa
🕘 Horários: No verão (junho a setembro) o Convento e o Museu Arqueológico do Carmo abrem ao público segunda a sábado, das 10h às 19h. No resto do ano, fecham uma hora mais cedo. Não há visitação nos dias de Natal, Ano Novo ou 1º de Maio.

💲Entrada: € 4. Estudantes e maiores de 65 anos pagam € 3. Menores de 14 anos não pagam entrada. Para os portadores do Lisbon Card o ingresso custa € 3,20

➡️ O Museu Arqueológico do Carmo oferece visitas guiadas gratuitas diariamente, das 12h às 17 horas. O percurso dura 30 minutos.
Urnas funerárias  medievais estão entre os destaques do acervo do Museu Arqueológico
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A loja do museu, com vista para o Castelo de São Jorge
 (à direita) e o Carmo visto do Elevador de Santa Justa
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Aproveitei o espelho para fazer
uma das raras selfies 

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4 comentários:

  1. Um dos meus lugares preferidos em Lisboa! #muitoamor

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    1. Muito amor, mesmo, Sílvia. Aliás, o que não falta em Lisboa são lugares pra a gente se apaixonar :)

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  2. Vou a Lisboa agora em maio, não vejo a hora de conhecer esse lugar lindo! Abs.

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    1. Ah, vá sim, Leidiane. E leve um pouquinho da minha saudade. O Carmo (e Lisboa todinha) são pra voltar sempre. Aproveite muito sua viagem. Bjo

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