domingo, 29 de maio de 2016

Portugal:
8 razões pra voltar (sempre e muito)

A luz da tarde caindo sobre a fachada do Mosteiro de Alcobaça
Faz dois dias que estou em Portugal, em um roteiro de carro com a família. Já passamos por Alcobaça e Batalha e estamos em Aveiro, de onde seguiremos para o Porto, que será nossa base para explorar a região do Rio Douro com calma. Depois, Amarante, para ver a Festa de São Gonçalo, Serra da Estrela, Coimbra, Évora e, claro, Lisboa, meu xodó, onde chegaremos para aproveitar a Festa de Santo Antônio — com direito a muitos bate e voltas e paradas no caminho

O roteiro desta viagem está aqui:
20 dias em Portugal - roteiro de carro

Esta é minha terceira viagem grande a Portugal  sem contar as paradinhas que faço aqui só pra matar a saudade, aproveitando conexões mais longas — e confesso que não canso de voltar. Portugal pode ser pequenininho (é menor, em área, que o estado de Santa Catarina), mas, além de bonito até dizer chega, tem tanta coisa bacana pra ver e curtir que sempre me apresenta uma novidade.

Sei que tem gente que não gosta de "repetir países". Mas a vida não é jogo de War, onde o objetivo é colecionar territórios. Se você ainda não conhece, tá mais do que na hora. Se já conhece, eu super recomento que você volte sempre e muito a Portugal. Duvida? Veja só os motivos que reuni neste post — e aposto que quanto mais você vier, mais razões vai acrescentar a essa lista:

1 - As descobertas parecem reencontros

Uma rua de Évora, um casarão do Porto ou uma fachada lisboeta (abaixo): mesmo que você não tenha nascido e crescido em Salvador, estar em Portugal tem sempre essa sensação de reconhecimento e de volta pra casa

Portugal é muito diferente do Brasil, mas a sensação de ter voltado pra casa é uma companhia constante nas andanças por aqui. Ao dobrar uma esquina ou contornar uma curva de estrada, lá está aquele reconhecimento que se desenha no traçado de uma janela, em um beiral de telhado ou em um som à distância. O Brasil é muito diferente de Portugal, mas Portugal é também é um pedacinho de nós.

Explorar as cidades portuguesas provoca sempre esse misto de surpresa (encantamento!) e reconhecimento, de nostalgia e novidade. Eu, que vivo dizendo que as referências são fundamentais no prazer de uma viagem, só posso dizer que em Portugal essa "bibliografia" já vem no nosso DNA.

Pedacinho de Brasil no monumento ao navegador D. Henrique: o verso de Camões em Os Lusíadas fala também de nós, que somos das "novas ilhas e novos ares" cantados pelo poeta 

2 - A mesa generosa, deliciosa e reconfortante

Sinceramente, é difícil competir com Portugal no quesito culinária. Se a gente ficasse só no óbvio bacalhau, já valeria a viagem — com natas, à Zé do Pipo, à Gomes de Sá, bolinho de bacalhau, espiritual... Sim, já valeria a viagem, mas ficar só nisso seria um desperdício, pois a mesa portuguesa vai muito além.

Polvo à Lagareiro, ou passaporte celestial, para os íntimos
Eu poderia passar a vida só à base de comida portuguesa: as deliciosas açordas (feitas com pão adicionado ao caldo do ensopado), o caldo verde, as migas à alentejana, os frutos do mar — almêijoas do Algarve, semelhantes ao vôngole, vieiras, cavacas, semelhantes ao lagostim, os ouriços...

E tem os pães de morrer, o cozido, as morcelas (chouriços feitos com sangue e farinha), os queijos (da Serra da Estrela, de Azeitão...).

Tudo isso devidamente acompanhado pelos grandes vinhos nacionais, já que Portugal é uma das maiores e mais respeitadas regiões vinícolas do planeta. Basta lembrar: Madeira, Porto, Dão, Douro, Alvarinho...


Não se preocupe que farei um post detalhadinho sobre o assunto. Por enquanto, dá só uma olhadinha no que escrevi sobre a gastronomia portuguesa em uma passagem anterior por essa terra abençoada:

A mesa portuguesa, ou Pantagruela rides again

3 - Os doces enlouquecedores

Ovos moles de Aveiro: isso não é um doce. É uma epifania
A história — ou lenda — você já conhece: a tradicional arte da doçaria portuguesa foi refinada nos conventos, onde se usavam as claras dos ovos para engomar roupas e fazer hóstias. Era necessário, portando, inventar uma utilidade para as gemas.

O resultado é uma orgia (perdão, freirinhas) interminável, irresistível e inigualável. Eu morro pelos ovos moles de Aveiro (doce de gema envolvido em casquinha de hóstia, estou com um estoque na bagagem), mas não dispenso as queijadas, os rebuçados (uma bala de ovos celestial), os toucinhos do céu, os travesseiros, as lampreias (marzipã, feitas com amêndoas)... E os pastéis de nata, claro.

Fórmulas da felicidade instantânea: pastéis de nata ou uma queijada acompanhando a bica (cafezinho) em um balcão de Lisboa
Neste momento, estou me fartando com fatias generosas do pão-de-ló de Ovar, uma cidezinha linda, do lado de Aveiro — não vou nem contar como é o doce, pra não ser responsabilizada pela multidão que vai tentar chegar a nado a Portugal, após ler este post :).

4 - O clima
Céus de inverno em Óbidos (esq) e Coimbra. E o termômetro na casa do 12 graus
Já estive em Portugal em três invernos e peguei temperaturas camaradíssima por aqui, na casa dos 12 graus. Isso é uma grande vantagem. Por mais que eu tenha aprendido a me vestir para o frio rigoroso de latitudes mais radicais, ainda não consigo gostar do ritual — que chamo de “embalsamento da múmia” — de colocar camada sobre camada de roupa, a cada manhã.

Também já peguei um verãozão por aqui, final de julho, começo de agosto, e Lisboa não me pareceu mais inclemente do que as nossas cidades do Nordeste em tempo de calor.

Pra nós, brasileiros, o clima faz de Portugal um destino para o ano inteiro, com a certeza de poder passear à vontade, explorar as cidades e as áreas rurais sem congelar, aproveitar ao máximo os encantos daqui.

Céu de verão em Lisboa, com o termômetro a 30 graus
Na hora desta foto, eu estava decidida a entrar na fonte da Praça do Rossio

5 - As estradas

Não é porque eu sou uma pedestre militante que não curto uma road trip. Pelo contrário, sem a obrigação de pegar trânsito no dia a dia, estou cada vez mais fã de viajar de carro. E Portugal, com suas estradas excelentes, bem sinalizadas e seguras é perfeito para isso — pra vocês terem uma ideia da segurança, passei um Natal e virada do ano por aqui e o noticiário registrava que não havia sido registrado sequer um acidente com feridos nas estradas de todo o país.

Dirigir em Portugal é muito agradável. Tem sempre um castelo ou um vale ou uma aldeia para alegrar a janelinha do carro. Os postos de combustível nas estradas principais oferecem toaletes impecáveis, restaurantes, lanchonetes e até lojinhas de souvenir. As sinalização é no nosso idioma.

Outra coisa legal é que em 10 dias, dirigindo pra baixo e pra cima, não registrei um único motorista imprudente ou com jeito de quem ia tirar a mãe da forca. Recomendo muito. Até quem não tem muita prática de estrada dirige tranquilo por aqui.

Minhas dicas para uma viagem de carro em Portugal estão neste post:
Dicas práticas: de carro entre Lisboa e Santiago de Compostela

6 - As dimensões: nada é longe e tudo é lindo

Apenas 130 km - uma hora e meia de viagem - separam
o Arco da Rua Augusta, em Lisboa, do Templo de Diana, em Évora
Em pouco mais de seis horas de estrada, é possível atravessar Portugal, de Faro, no extremo Sul, a Melgaço, lá na ponta Norte, na fronteira com a Galícia. Na direção Leste-Oeste, então, se você sair de Lisboa, em duas horas e meia já terá deixado o país e aportará em Badajoz, na Espanha.

Claro que os dois percursos, feitos dessa forma, seriam um tremendo desperdício. Se no tamanho Portugal é bem pequenininho (92 mil km²), no quesito belezas o país é imenso — só que compacto :). O resultado é que qualquer passeio a distâncias curtinhas pode levar um dia inteiro, uma semana ou uma vida, pela quantidade de lugares bacanas que se encontra no caminho.

122 km separam o Cais da Ribeira, na Cidade do Porto, da Universidade de Coimbra (abaixo)

Isso é muito bom, porque de uma cidade linda a outra a gente nunca passa muito tempo dirigindo. Também favorece à programação de infinitos bate-e-voltas maravilhosos.

No final de 2012, foi no esquema bate-e-volta que eu conheci Setúbal e Évora. Depois, seguindo para o Norte, pude visitar um monte de lugares maravilhosos nunca dirigindo mais do que duas ou três horas por dia.

Veja como foi o roteiro dessa viagem por Portugal
Roteiro de carro redondinho: de Lisboa a Compostela

7 - O idioma, é claro

Padrão dos Descobrimentos, em Belém: é mais confortável viajar falando a língua desses gajos
A gente pode até demorar um pouquinho para afinar o ouvido e compreender o modo português de falar. As expressões mudam e palavras corriqueiras por aqui parecem saídas de um livro muito antigo. Mas, estranhezas à parte, é muito confortável viajar em português.


Para quem não domina o inglês ou outros idiomas, a vantagem é óbvia. Mas mesmo os fluentíssimos poliglotas hão de reconhecer que é muito mais relaxado olhar a paisagem pegar transporte público ou pedir informações na rua sem precisar acionar a tecla SAP, né?  

Falei sobre os encontros e desencontros idiomáticos entre portugueses e brasileiros neste post:
Perdida na tradução: o Português de Portugal

8 - Os preços

Um dia lindo em Lisboa pode custar muito pouco
O câmbio não anda nada piedoso com os brasileiros, mas nem a alta do euro conseguiu fazer os preços portugueses ficarem assustadores pra nós. A crise deles, que vem desde 2008, tem segurado os preços em um patamar que, se você converter para real, vai ver que são mais em conta que os das nossas grandes cidades.

Pra você ter uma ideia: a diária de hotel por pessoa mais cara que vamos pagar nesta viagem será de 40 euros — nossas hospedagens já estão todas reservadas e, como estou viajando com minha mãe e sobrinhos, escolhi hotéis bacanas, embora nenhum de luxo. A média por noite de hospedagem vai ficar na casa dos 30 euros ao longo desses 20 dias de viagem.

A última vez que estive em Portugal foi há cerca de um ano e meio, a caminho da Sicília. Passei um dia delicioso em Lisboa, visitei o maravilhoso Convento do Carmo, bati perna até dizer chega, almocei bem e belisquei à vontade, paguei o transporte do aeroporto para o Centro e de volta ao aeroporto e gastei em torno de 30 euros.

Dos países da Zona do Euro que eu conheço, Portugal só não é mais barato que a Grécia.


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5 comentários:

  1. Concordo 100%
    Portugal é realmente um país muito bonito. Mas o que eu mais concordo é que viajar não é colecionar países: isso faz-se nas carteirinhas de cromos :)

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  2. vc falou perfeitamente sobre Portugal, estou morando aqui há 1 ano e me sinto muito em casa, é estranho esse sentimento, mas é muito real!

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    1. Obrigada, Angela :) Portugal é encantador e muito acolhedor. Que legal deve ser morar um tempo por aí

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  3. Olá, Angela. Eu estou sonhando de longa data morar em Portugal. Desde minha última viagem. Não tenho a mínima idéia se, em sendo um aposentado, com minha aposentadoria, previdencia e outros recursos financeiros, posso enfrentar uma vida confortável na terrinha. Me mande umas dicas, por favor.
    Grato, Luiz Paulo de Seixas (lpdeseixas@gmail.com)

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    1. Não sou especialista no assunto, mas andei lendo notícias de que aposentados brasileiros podem pedir visto de residência em Portugal. Uma boa pesquisa na internet deve sanar as suas dúvidas :) Tomara que seus planos se realizem.

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