7 de novembro de 2019

Roteiro em Barcelona - 5 dias adoráveis


Barcelona: Casa Batllò e Port Vell
Do Modernismo do Eixample aos apelos quase tropicais da beira-d'água, meu primeiro dia em Barcelona foi uma longa caminhada de reencontro com a cidade. Nas fotos, a Casa Batllò, de Gaudí, e Port Vell

Minha última visita a Barcelona tinha sido em 2011. Voltei agora em setembro, oito anos depois, com a firme disposição de ver coisas diferentes em uma cidade que tem encantos pra preencher inúmeras viagens.

Esse roteiro em Barcelona, portanto, teve muitas estreias. Mas quem disse que eu resisti à reprise dos clássicos da capital catalã?

Fachada no Bairro de Gràcia, Barcelona
Uma fachada no Bairro de Gràcia

Passei cinco dias inteiros na cidade. Se você está indo pela primeira vez, procure montar um roteiro em Barcelona com uma folga de tempo parecida com essa.

Em cinco dias, é possível transitar com calma pela imensa diversidade de Barcelona, que vai das mais recentes tendências — na gastronomia, nas artes, nas festas — a memórias que chegam ao tempo da colonização romana, há quase 2.000 anos.

Passando pelo Modernismo Catalão, é claro, essa exuberante e atrevida tradução local da Art Nouveau.

Interior da Catedral de Barcelona
O interior da Catedral de Barcelona, no Bairro Gótico

Barcelona foi uma potência comercial e militar mediterrânea durante a Idade Média. Essa prosperidade sempre favoreceu as belas construções.

Barcelona também tem a tradição de ser insurgente e resistente, Basta lembrar da Guerra da Sucessão Espanhola (Século 18), do enfrentamento à ocupação de Napoleão (Século 19) e da luta contra o franquismo, durante a Guerra Civil (1936-1939).

Bairro Gótico, Barcelona
Bairro Gótico: uma livraria da velha guarda e o dragão na aldrava de um edifício

Uma história dessas não passa em branco por uma cidade. E ela é uma super inspiração para um roteiro em Barcelona.

Essa história nos leva pela mão nas ruas do Bairro Gótico, na arquitetura apaixonante do Eixample e no charme de El Born — mas não esqueça de reservar um tempo para o Século 21, porque ele está a mil por hora nessa cidade que está sempre na vanguarda.

Barceona: Hospital de la Santa Creu e Sant Pau, no Eixample
Hospital de la Santa Creu e Sant Pau, de Lluís Domenech i Montaner, no Eixample

Cada etapa da minha visita à cidade vai ganhar posts detalhadíssimos. Por enquanto, veja essa geralzona dos meus cinco lindos dias em Barcelona:

Roteiro em Barcelona

1º dia: Passeig de Gràcia, Bairro Gótico, El Born e Port Vell

Casa Bruno Quadros ou "Casa dos Guarda-Chuvas", nas Ramblas de Barcelona
A Casa Bruno Cuadros, nas Ramblas: o Modernismo Catalão com um pezinho no Japão. O dragão que "segura' a luminária é um dos muitos que você encontrará em Barcelona. Eles homenageiam Sant Jordi (São Jorge), o padroeiro da cidade

Se fosse um disco, meu passeio de reencontro com Barcelona seria os greatest hits de uma super banda. Teve a arquitetura modernista do Passeig de Gràcia, as sempre encantadoras ruas do Bairro Gótico, o mix histórico-descolado do Born e os pios de gaivotas de Port Vell.

Veja mais: Roteiro do Modernismo em Barcelona - o Passeig de Gràcia

E teve também a inevitável passada pelas Ramblas, só para encerrar um dia perfeito bebericando e tapeando no Mercado da Boqueria.

Passeio pelas principais atrações de Barcelona
Roteiro do meu "intensivão" no primeiro dia em Barcelona: segundo o GoogleMaps, eu caminhei 5,9 km — mas o aplicativo não viu as voltas que eu dei para cumprir esse percurso 😉

Caminhei muito mais do que os 5,9 km do passeio que tracei no GoogleMaps pra reproduzir aqui no blog — mas como explicar a um aplicativo que flanar não é um verbo que se conjuga em linha reta? 

Como um disco dedicado aos maiores sucessos de um grande artista, eu também já tinha ouvido (muito) todas as faixas do roteiro desse meu primeiro dia em Barcelona. Mas acho que nem preciso explicar o prazer de, depois de tanto tempo, reconhecer cada acorde e cantar junto, sabendo as letras de cor.

La Pedrera, Barcelona
La Pedrera, de Gaudí, a grande estrela do Passeig de Gràcia

⭐O desfile do Modernismo Catalão
Comecei o passeio na Carrer Gran de Gràcia, onde eu fiquei hospedada e que desemboca no célebre Passeig de Gràcia, já no Bairro do Eixample.

O Passeig de Gràcia é o mitológico bulevar modernista de Barcelona. É lá que se perfilam alguns dos edifícios mais representativos desse estilo arquitetônico: La Pedrera (no nº 93 da avenida) e a Casa Batllò (no nº 43), ambas de Gaudí, a Casa Amatller, de Puig i Cadafalch (no nº 41) e a Casa Lleó-Morera, de Domènech i Montaner (nº 35).

modernismo catalão: Casa Amatller e Casa Batlló, Barcelona
A Casa Amatller (esq) e a Casa Batlló
➡️A atração mais conhecida do Passeig de Gràcia é a Casa Milà, ou La Pedrera, uma das obras-primas de Gaudí. Tem um post todinho sobre ela aqui na Fragata. É só seguir o link pra ver.

⭐Da Plaça de Catalunya ao Bairro Gótico

Descendo o Passeig de Gràcia, cheguei à Plaça de Catalunya, onde aproveitei para comprar um chip de celular no variadíssimo magazine El Corte Inglés (o chip da Orange custou € 20, com 15 giga no pacote).

A Plaça de Catalunya, em Barcelona, vista do terraço da loja El Corte Inglés
A Plaça de Catalunya vista do último andar de El Corte Inglés

No último andar de El Corte Inglés funciona uma espécie de praça de alimentação, com várias comidinhas interessantes e uma vista muito legal para as torres e telhados do Passeig de Gràcia e a Plaza de Catalunya.

Devidamente conectada à internet, segui para o Bairro Gótico pelo Portal del Angel — adiei o reencontro com as Ramblas, que começam na Plaça de Catalunya, para escapar das eternas multidões de turistas. 

Barcelona: uma rua de El Call, o bairro judeu, e a agulha da torre da Catedral
As ruas de El Call têm uma poesia que eu não sei explica... À direita, a agulha da torre da Catedral de Barcelona

O Bairro Gótico tem atrações badaladas e imperdíveis — a deslumbrante Catedral, do Século 13, as igrejas de Santa Maria del Pi e de Sant Just e o Palácio Real, onde funciona o excelente Museu de História de Barcelona.

Mas é sempre um prazer explorar recantos menos famosos, ter tempo para andar sem rumo certo, garimpar detalhes.

Dragão decora uma luminária no Bairro Gótico de Barcelona
Olha mais um dragãozinho fofo. Este fica numa ruazinha muito estreita de El Call

Experimente perambular por El Call, o gueto judeu de Barcelona até o Século 14. É lá que as ruas do Bairro Gótico parecem mais estreitas e poéticas.

Veja esse roteiro no Bairro Gótico

⭐El Born

A Via Laietana é a fronteira entre o bairro Gótico e outra área de Barcelona que adoro, o bairro do Born, ou La Ribera. Na idade média, era reduto de pescadores, estivadores e marujos. Hoje é uma vizinhança muito charmosa — há uns 10 anos, não havia nada mais descolado em Barcelona.

Interior da Igreja de Santa Maria del Mar
A Igreja de Santa Maria del Mar deve ser a faixa que mais toca no meu disco de Barcelona. Sei de cor e não canso

No Born ficam a rua medieval mais preservada de Barcelona, a Carrer de Montcada, endereço do Museu Picasso, e a comovente "catedral do mar", a Basílica de Santa Maria del Mar, do Século 13.

Igreja de Santa Maria del Mar, Barcelona
Detalhe da porta principal e a fachada da Igreja de Santa Maria del Mar

Ainda que meu roteiro em Barcelona, neste primeiro dia, fosse só para flanar sem compromisso, não resisti a entrar em Santa Maria del Mar e esquadrinhar cada cantinho dessa igreja tão bela e tocante.

➡️ Quando você for visitá-la, reserve cerca de 1h30, especialmente se quiser subir às torres e ao terraço da igreja para contemplar uma linda vista de Barcelona.

El Cap de Barcelona, obra de Roy Lichtenstein, e o Monumento a Cristóvão Colombo
El Cap ou A Cabeça de Barcelona, obra do artista Pop Roy Lichtenstein (esq), na "esquina" do Bairro Gótico com o mar. À direita, outro símbolo do encontro da cidade com o Mediterrâneo, o Monumento a Cristóvão Colombo, que marca uma das extremidades das Ramblas

⭐Encontro com o mar de Barcelona

Do Born à beira d’água é um pulinho. Quando dei por mim, estava perambulando pelo Passeig de Colom (Passeio de Colombo), uma clássica promenade de orla marítima, e por Port Vell, o antigo porto de Barcelona que agora é uma baita área de lazer.

Essa é uma escala que não dispenso em Barcelona: a marina está sempre cheia de veleiros ancorados e a Fragata adora encontrar os parentes 😊.

Saiba mais: Barcelona e o mar: roteiro pela história marítima da cidade

Port Vell, Barcelona
Veleiros ancorados na marina de Port Vell: a Fragata adora encontrar os parentes 😊

Já que a caminhada meio em devaneio me levou até o mar, lá fui eu encerrar o dia no Museu Marítimo de Barcelona, uma das minhas paixões na cidade — o dia era só pra flanar, mas quem resiste a um museu marítimo?

O museu traça um panorama interessantíssimo da relação histórica de Barcelona com o mar. Fiquei cerca de duas horas no museu, vendo embarcações antigas e curtindo o delicioso jardim onde funciona um café — e o aceso ao jardim é grátis, tá?

Teatro Liceu, nas Ramblas de Barcelona
O Teatro Liceu, a casa de ópera de Barcelona, é uma das construções mais bonitas das Ramblas
⭐Chegada às Ramblas

Depois desse intensivão sentimental por Barcelona, só tive forças pra subir as Ramblas, com sua muvuca de sempre.

Meu destino era o Mercado da Boqueria, onde umas tacinhas de cava (espumante catalão) acompanhadas de fatias de jamón (presunto) me devolveram as forças para pegar o metrô, voltar pra a pensão e encerrar meu primeiro dia de roteiro em Barcelona.

Barcelona vista da Colina de Montjuïc
Barcelona vista das escadarias do MNAC, em Montjuïc

2º dia: Museu Nacional de Arte da Catalunha e passeio por Montjuïc
Se você ficou cansada só de ler meu roteiro do primeiro dia em Barcelona, imagina eu, que andei feito uma camela 😊. É por isso que resolvi maneirar muito no segundo dia.

Fui conhecer uma senhoríssima atração de Barcelona: o Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC).

Veja detalhes: Barcelona: o que ver no Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC)

Tela de El Greco e um afresco românico expostos no Museu Nacional de Arte da Catalunha, em Barcelona
Tela de El Greco e um afresco românico expostos no MNAC

O MNAC tem um dos melhores acervos de Arte Românica (século 11 ao 13) do mundo, uma coleção Modernista de rasgar a roupa — pintura, escultura, mobiliário, peças decorativas e artes gráficas — e um acachapante tesouro em fotografias, com trabalhos de gente como Agusti Centelles.

Gostei tanto do MNAC que fiquei cerca de cinco horas por lá, contando as pausas na cafeteria. Depois, aproveitei para passear por Montjuïc. 

Mobiliário modernista no Museu Nacional de Arte da Catalunha, em Barcelona
A coleção de mobiliário modernista do MNAC é muito legal

Além do MNAC, a colina (ou montanha, dependendo do autor 😊) de Montjuïc tem uma super vista para Barcelona e muitas atrações, como a Fundação Miró — mas eu não gosto de ver dois museus no mesmo dia e adiei essa visita.

3º dia: dois espetáculos do Modernismo Catalão
Meu terceiro dia em Barcelona caiu uma semana depois do segundo 😀. Entre eles, passei sete dias na deslumbrante Malta. (Saiba mais aqui: Roteiro por Barcelona, Valência e Malta: um triângulo redondinho).

A Sagrada Família, a obra mais famosa de Antoni Gaudí
A Sagrada Família, a obra mais famosa de Antoni Gaudí

Nesse retorno, fiquei hospedada no Eixample, a cinco quadras da Basílica da Sagrada Família, a obra mais reverenciada de Antoni Gaudí (siga o link pra ver mais sobre ela).

É claro que fui bater o ponto nesse ícone do Modernismo Catalão e emendei com uma outra maravilha, que ainda não conhecia: o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, obra de outro gênio, Lluís Domènech i Montaner.

Hospital de la Santa Creu i Sant Pau, Barcelona
Um salão do Hospital Sant Pau

Na minha última visita à cidade, o Hospital Sant Pau ainda não estava aberto à visitação. Ele foi, com certeza, a novidade mais deslumbrante que Barcelona me apresentou nessa temporada. Dediquei umas 3h30 a ele — teria ficado mais, mas a atração fecha às 18:30h.

A Sagrada Família e o Hospital Sant Pau (agora um museu chamado Recinto Modernista de Sant Pau) estão ligados pela Avinguda de Gaudí (Avenida de Gaudí), que tem um calçadão central para pedestres e muitos bares e cafés com mesas ao ar livre.

Pavilhão do Hospital Sant Pau, Barcelona
Pavilhão do Hospital Sant Pau

4º dia - Fundação Miró e mais Modernismo
Depois de uma escapada maravilhosa até Valência, voltei a Barcelona, já em ritmo de fim de viagem e despedidas.

E vocês acreditam que eu ainda não tinha visitado a Fundação Joan Miró? Aproveitei meu quarto dia na cidade pra sanar essa lacuna.

Fundação Joan Miró, Barcelona
Fundação Miró: adorei!!

Sou muito fã da Arte Surrealista de Miró — ele toca muito mais meu coração do que Salvador Dalí, seu eu estiver autorizada a dizer isso sem apanhar no meu próprio blog 😄.

Sem contar que Miró foi uma espécie de "irmão mais velho artístico" do meu xodó, o uruguaio Joaquín Torres-Garcia (que disputa com El Greco o título de pintor mais citado na Fragata).

Pintura de Joan Miró, Fundação Miró, Barcelona
Pra mim, são passarinhos. O título da tela é apenas Pintura
Pois essa estreia em Barcelona fez muito bem pra minha alma: amei a Fundação Miró. Mais do que um museu, ela é um centro de estudos e promoção da Arte Contemporânea. Foi criada pelo próprio Miró, com obras doadas pelo artista à cidade de Barcelona.

É uma aula muito lúdica (Miró não ia querer diferente).

A visita à Fundação Miró é pra ser feita sem pressa. Aprendi muito sobre o artista, amei o edifício e a vista para Barcelona.

Saiba mais: Barcelona - Montjuïc e a Fundação Miró

Arquitetura modernista, Barcelona
Ô, coisa boa é um safári arquitetônico...

Depois desse mergulhinho surrealista, voltei ao Eixample para mais um safári de fachadas modernistas pelas Rambla de Catalunya e outras paralelas e transversais do Passeig de Gràcia. As construções podem não ser tão famosas, mas batem um bolão.

Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, e um altar da Igreja de Santa Maria del Pi, no Bairro Gótico
Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, e um altar da Igreja de Santa Maria del Pi, no Bairro Gótico

5º dia - Museu de História de Barcelona e despedida do Bairro Gótico

Meu último dia em Barcelona foi pura jornada sentimental. Flanei um bocadinho pelo Eixample (estava hospedada na Carrer de Valencia) e toquei para o Bairro Gótico para me enroscar sem pressa por recantos que sempre me provocam uma felicidade nostálgica que eu gosto muito de sentir.

Bairro Gótico, Barcelona
Adoro me perder por aí

Foi um dia de revirar as poucas velhas livrarias que ainda resistem ao avanço das lojas de souvenir de baixa qualidade, de namorar vitrines de antiquários e voltar a me encantar com a quietude da Plaça de Sant Felip Neri, a me comover com a bela sóbria da Igreja de Santa Maria del Pi.

E já que soltei a franga das reprises de grandes clássicos, encerrei o passeio caminhando por uma rua de Barcino, a Barcelona dos romanos, que fica no subsolo do meu queridinho Museu de História de Barcelona.

Cabia mais coisa neste roteiro em Barcelona? Claro que sim. Mas deixaria pouco tempo para o melhor da cidade, que é andar à toa, tapear e bebericar sem pressa e sentir o pulso da cidade.



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Um comentário:

  1. "Flanar não é um verbo que se conjuga em linha reta " . Poesia gótica em seu estado mais puro. Cuidado Augusto dos Anjos!!!
    Kenneth

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