28 de janeiro de 2020

Barcelona - roteiro no Bairro Gótico

Catedral de barcelona, no Bairro Gótico
Eu sei que Barcelona é sinônimo do Modernismo, mas eu me amarro mesmo é no Bairro Gótico. Na imagem, a torre da Catedral, do Século 13 

Barcelona é única, mas não é uma só. Ela é a cidade ousada e contemporânea da “herança olímpica” (o grande projeto de revitalização urbana para as Olimpíadas de 1992) e é o Século 19 mais atrevido que passou pelo planeta, na arquitetura modernista do Eixample.

Barcelona também é o “trópico europeu”, na luz exuberante da Barceloneta e de Port Vell. É o terceiro mundo dos becos do Raval...

Casa de la Ciutat e Arco do Bispo, em Barcelona
Sede da Prefeitura de Barcelona, a Casa de la Ciutat conserva uma bonita fachada lateral medieval (esq). Do outro lado da Plaça de Sant Jaume, o arco "gótico" da Carrer del Bisbe é um acréscimo feito em 1929 ao Palácio do Governo da Catalunha

Mas a minha Barcelona preferida é outra: ela se revela inteira em um roteiro no Bairro Gótico. É pouco ensolarada, tortuosa e quase monocromática. Tem ruas estreitas, paredes de pedra, balcões nostálgicos e pátios sossegados, em meio à muvuca turística.

É no Bairro Gótico e no vizinho La Ribera que meu coração bate mais feliz em Barcelona. É lá que eu encontro a cidade dos meus heróis — as lendas se dividem: umas atribuem a fundação de Barcelona a Hércules. Outras, ao cartaginês Amilcar Barca, pai de Aníbal, meu guerreiro preferido.

Estátua equestre de Ramón Berenguer III e uma passagem em arco no Bairro Gótico de Barcelona
Ramón Berenguer III foi conde de Barcelona no Século 12 e entrou para a história como "O Grande". Ele é homenageado com esta estátua (esq) logo atrás do Palácio Real . À direita, uma das muitas passagens secretas do Bairro Gótico

O fato é que cartagineses, laietanos, romanos, mouros, visigodos e francos passaram por Barcelona e deixaram um pouquinho de seu sangue, de seu idioma e de seu tempero na alma da cidade. As pegadas mais visíveis dessas trajetórias estão no Bairro Gótico.

Todos esses conquistadores/colonizadores impulsionaram Barcelona, essa bela à beira-mar. Eles foram a correnteza que direcionou a cidade para o comércio e a exploração naval. No Século 12, a vocação se confirmou e a capital catalã se consolidou como potência marítima no Mediterrâneo.

Dragões do Bairro Gótico de Barcelona
Já experimentou um safári à moda do Bairro Gótico? A diversão é encontrar os diversos dragões que ornamentam fachadas e muros, como esse, bem brabinho, que bate as asas na Baixada de Santa Eulália

Dragão típico do Bairro Gótico de Barcelona na fachada do Museu Frederic Marès
O Museu Frederic Marès também tem seus simpáticos dragõezinhos (esq), como a aldrava desta porta na Carrer de Ferrán. As imagens do bicho mitológico lembram Sant Jordi (São Jorge), padroeiro de Barcelona, que matou um dragão 

Um roteiro no Bairro Gótico não precisa de muita cartografia (mas tem um mapa detalhado logo abaixo 😊). Basta tomar uma transversal da Carrer de Ferrán ou da Carrer de Sant Jaume, duas das principais ruas da área, e cair no emaranhado de vielinhas estreitas para sentir essa velha Barcelona.

Ela está impressa nas portadas das igrejas medievais e nas pracinhas quietas (quase pátios particulares). Nas fachadas singelas ou rebuscadas. Nas memórias que acompanham os caminhantes. Quando você sintoniza essa vibe, nem vai reconhecer no Bairro Gótico aquele pedaço de mundo onde a farra não tem fim.

Os artistas de rua no Bairro Gótico de Barcelona
Os artistas de rua são uma presença constante no Bairro Gótico

Veja meu roteiro pelo Bairro Gótico de Barcelona e se inspire. É um encontro mágico e cheio de imagens inesquecíveis:

Roteiro no Bairro Gótico de Barcelona

Tenho certeza que você vai sentir falta, neste roteiro, de outras belas igrejas do Bairro Gótico, como Santa Maria del Pi e Sant Just i Pastor, além de cantinhos encantadores, como a Praça de Sant Felip Neri e sua bonita igreja barroca.

Essas atrações de Barcelona ganharam um post específico, que complementa este daqui. Dá uma olhada: 1.000 anos de história em 10 igrejas de Barcelona

⭐Catedral de Barcelona
Entrada pela Pla de la Seu
Site > Catedral de Barcelona

Catedral de Barcelona
O Bairro Gótico parece girar em torno da Catedral de Barcelona

Um roteiro no Bairro Gótico sempre parece sempre começar e girar em torno da Catedral de Barcelona, a construção mais imponente da área, coração do Núcleo Medieval da cidade.

É  impressionante a quantidade de vezes que a gente emerge de uma ruela tortuosa qualquer para dar de cara com uma de suas paredes quase milenares.

Catedral de Barcelona
O interior da Catedral de Barcelona é de arrepiar de lindo

A Catedral de Barcelona é dedicada a Santa Eulália, padroeira da cidade, assim como Sant Jordi, ou São Jorge. Eulália foi uma jovem cristã martirizada aos 13 anos de idade, no Fórum de Barcino (a Barcelona do tempo dos Romanos), durante as perseguições religiosas de Diocleciano, no Século 4.

A Catedral de Barcelona que vemos hoje foi construída entre os séculos 13 e 15. Ela é o terceiro templo cristão erguido naquele local.

Catedral de Barcelona
Eu ainda fico impressionada com a quantidade de vezes que saio de uma rua qualquer do Bairro Gótico e dou de cara com a Catedral
Deslumbrante é pouco pra descrever a Catedral de Barcelona. A gente vê aquelas paredes de pedra cinzenta pelo lado de fora, não imagina o espetáculo que nos espera no interior, reflexo do esplendor econômico alcançado pela cidade na Idade Média.

Cripta de Santa Eulália, na Catedral de Barcelona
A Cripta de Santa Eulália, na Catedral de Barcelona

A catedral é enorme. Seu conjunto ocupa quase 7 mil metros quadrados do coração do Bairro Gótico, entre a Pla de la Seu (“Praça da Sé”), Carrer de Santa Llúcia, Carrer del Bisbe (“Rua do Bispo”), Carrer de la Pietat e a Carrer dels Comtes.

Mas foi só quando entrei na Catedral que as dimensões do edifício me acertaram em cheio — uma vastidão preenchida por milhares de detalhes tingidos num tom de dourado que vem dos candelabros, lampiões e dos vitrais que filtram a luz externa. E também dos douramentos das talhas, claro 😉.

Catedral de Barcelona
O interior da Catedral de Barcelona: tudo nela é superlativo
Catedral de Barcelona


A nave central da Catedral de Barcelona salta aos 28 metros de altura, enquanto a cúpula fez eu me sentir pequenininha, olhando pra mim lá dos seus 40 metros de altura.

Reserve pelo menos duas horas para ver a Catedral de Barcelona com calma, pois são muitos detalhes e espaços pra esquadrinhar. Só o corpo principal da igreja deixa a gente tonta de tantos altares laterais, entalhes, vitrais, imagens...

Altares laterais da Catedral de Barcelona
Atares laterais da Catedral de Barcelona

Próxima ao altar-mor, abaixo do piso da Catedral, está a cripta de Santa Eulália. Seus restos mortais estão guardados em um ataúde de alabastro.

E não deixe de ver o belíssimo claustro gótico da Catedral, onde 13 cisnes nadam na maior elegância em um espelho d'água. O número é uma alusão à idade de Santa Eulália quando foi martirizada.

Cisnes de Santa Eulália na Catedral de Barcelona
Os cisnes de Santa Eulália tinha acabado de tomar um belo banho na fonte do Claustro da Catedral, quando fiz esta foto

Imagem da Virgem de Montserrat na Catedral de Barcelona
Imagem da Virgem de Montserrat



➡️ Visitas à Catedral de Barcelona
Horários e preços: de segunda sexta, das 8h às 12:45h (igreja e claustro), visita gratuita. 

Das 13 às 17:30h, a visita é só à igreja e custa €7, com direito a ver o coro, terraços e algumas capelas que têm acesso restrito. 

O claustro abre das 17:45 às 19h, com entrada gratuita.

Catedral de Barcelona
Reserve pelo menos umas duas horinhas pra ver a Catedral de Barcelona. Ela merece, né?
Aos sábados e vésperas de feriados o esquema de visitação à Catedral é o mesmo, mas a igreja também abre das 17:15h às 20 horas, com entrada gratuita.

Domingos e feriados, a entrada é gratuita na Catedral e no Claustro, das 8:30h às 13:45h. Das 14h às 17, a entrada é paga (7 €).

⭐Plaça del Rei

A Plaça del Rei, diante do Palácio Real de Barcelona (Palau Reial Major) foi projetada no Século 14 para a realização de torneios de cavaleiros — francamente, não consigo pensar em nada mais medieval/sessão da tarde do que isso 😊.

Plaça del rei, Barcelona
A Plaça del Rei, em frente ao Palácio Real, foi pensada para sediar torneios de cavaleiros
O Palácio Real (Palau Reial Major), residência dos Condes de Barcelona e dos reis de Aragão, domina todo o espaço da praça. Hoje, várias de suas dependências estão incorporadas ao Museu da História de Barcelona (MUHBA).

O palácio é, na verdade, um conjunto de edificações do Século 14 que reúne o impressionante Salò del Tinell, salão cerimonial da corte catalã, a Torre do Rei Martí, o Palácio de Lloctinent e a Capela de Santa Ágata

O Palácio de Lloctinent  tem um pátio lindíssimo. O edifício abriga o Arquivo Geral da Coroa de Aragão (Arxiu de la Corona d'Aragó).

Pátio do Palácio de Lloctinent, sede do Arquivo Geral da Coroa de Aragão, Barcelona
Pátio do Palácio de Lloctinent

Palácio Real de Barcelona e Capela de Santa Ágata
O Palácio Real: à esquerda, o Palácio de Lloctinent e Torre do Rei Martí. À direita, a Capela de Santa Ágata

Na década de 30 do século passado, a praça medieval ganhou o acréscimo da Casa Padellàs, um palacio em estilo gótico-tardio que tinha como endereço original o número 25 da Carrer Mercaders, a cerca de 200 metros.

A mudança desse palácio para a Plaça del Rei é curiosa: para evitar danos ao edifício medieval com a abertura da Via Laietana, ela foi desmontada e transportada, pedacinho por pedacinho, para sua localização atual.

Museu de História de Barcelona na Plaça del Rei
A principal unidade do MUHBA está instalada no conjunto monumental da Plaça del Rei

Museu de História de Barcelona na Plaça del Rei


⭐Museu Histórico de Barcelona (MUHBA)
Plaça del Rei, s/n

De terça a sábado, das 10h às 19h. Domingos, das 10h às 20h.
Entrada: € 7, válida para todas as unidades do MUHBA

Taí outra atração do Bairro Gótico que me deixa saltitante de felicidade. A sede do MUHBA na Plaça del Rei é simplesmente imperdível. 

Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, no Museu de História de Barcelona
Bem vindas ao ano 50 a.C. — e a gente chega lá de elevador 😊
Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, no Museu de História de Barcelona
Plataformas permitem que o visitante caminhe pelas ruas de Barcino sem impacto para os vestígios arqueológicos

Além da chance de percorrer o Palácio Real (especialmente a belíssima Capela de Santa Ágata e o Salò del Tinell), a visita é uma grande aula de História como as aulas de História devem ser: com beleza, informação e reflexão.

O melhor do MUHBA da Plaça del Rei é a chance de fazer, literalmente, um mergulho no tempo: embarcar em um elevador para o subsolo e, em poucos segundos, sair de 2020 para chegar ao ano 50 a.C.

Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, no Museu de História de Barcelona
O percurso por Barcino é super didático. O visitante realmente compreende o que está vendo

Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, no Museu de História de Barcelona


Quem nos espera ao final da curtíssima descida de elevador é Barcino, a Barcelona Romana. Sobre plataformas com piso de vidro, é possível caminhar sobre as ruas e construções da cidade do Século 1 a.C.

Você vai ver restos da muralha romana de Barcelona, oficinas, residências e muitos objetos recuperados nas escavações. Tudo devidamente explicado e contextualizado. Viagem é isso, o resto é reles deslocamento espacial 😊.

Vestígios de Barcino, a Barcelona Romana, no Museu de História de Barcelona
Esculturas da época romana escavadas em Barcelona

Coleção medieval do Museu de História de Barcelona
Mas nem tudo no MUHBA é romano 😉. Essas esculturas são medievais e estão expostas no Salò del Tinell

Esse trecho de Barcino foi encontrado durante as obras de preparação do terreno para receber a montagem da Casa Pardellàs — sabe aquela que eu citei mais acima, transplantada, pedra por pedra para a Plaça del Rei? Então...

O Museu da História de Barcelona não se limita ao Palácio Real. Ele tem 16 espaços museológicos, vários deles no Bairro Gótico, como os restos de um Templo de Augusto, a Via Sepulcral Romana e o Centro de Interpretação de El Call, o bairro judeu (veja no mapinha no final do post).

Pisos em mosaico romanos expostos no Museu de História de Barcelona
Pisos em mosaico da velha Barcino e, à esquerda, uma placa oriunda dos primórdios do Cristianismo em Barcelona

Vestígios romanos encontrados no Sítio Arqueológico de Barcino
Vestígios romanos encontrados no Sítio Arqueológico de Barcino

Depois de ver Barcino, volta-se à tona no tempo por um breve instante, só o tempo de subir as escadarias do Palácio Real para percorrer a trajetória de Barcelona ao longo da Idade Média até os nossos dias. 

O museu se orgulha de reunir no complexo da Plaça del Rei “a Barcino romana do século 1 a.C., a Barchinona dos visigodos do século 7 d.C. e a Barcelona medieval do Século 13”.

passagem sobre as muralhas do Palácio Real de Barcelona
Esta passagem sobre as muralhas do Palácio Real de Barcelona era usada pelos condes e a corte para chegar à Capela de Santa Ágata

⭐Mais vestígios romanos no Bairro Gótico
Depois de ver Barcino no MUHBA, estique o passeio à Plaça Nova (onde está a entrada principal da Catedral de Barcelona) para ver a reconstrução parcial de um aqueduto e uma torre romana.

Nesta mesma praça, a Casa de l’Ardiaca (Casa do Arquidiácono da Catedral) guarda em seu interior restos da muralha romana. O edifício agora é a sede do Arquivo Histórico de Barcelona e pode ser visitado de segunda a sexta, das 9h às 20:45h, e aos sábados, das 9h às 13h. A entrada é gratuita.

Aqueduto e torre romanos na Plaça Nova de Barcelona
A reconstrução parcial do aqueduto romano na Plaça Nova. Na foto da esquerda, também é possível ver a torre romana

Aproveite para ver os traços da decoração modernista que a Casa de l’Ardiaca ganhou no final do Século 19, quando foi sede do Colégio de Advogados (uma espécie de OAB). A reforma ficou a cargo de Lluis Domenèch i Montaner, o mesmo arquiteto do Hospital de Sant Pau, do Palau de la Música Catalana e da Casa Lleó Morera, no Passeig de Gràcia.

Com o mesmo ingresso que você comprou para ver o MUHBA na Plaça del Rei, visite a Via Sepulcral Romana, na Plaça de la Villa de Madri (a cerca de 300 metros da Plaça Nova) e os vestígios do Templo de Augusto, na Carrer de Paradis nº 10, entre 10h e 19h.

El Call, bairro judeu medieval de Barcelona
Na Idade Média, El Call tinha os edifícios mais altos de Barcelona — e, possivelmente, as ruas mais estreitas

⭐ El Call, o bairro judeu
Call é a palavra catalã que designa as áreas onde os judeus estavam autorizados a viver nas cidades, durante a Idade Média. El Call de Barcelona abrigou uma comunidade numerosa e com grande papel econômico na potência marítima e comercial que foi a cidade a partir do Século 13.

Estudiosos apontam que mais de 4 mil pessoas viviam nas ruas estreitas de El Call no Século 14 — o que explica o fato de a área ter os edifícios mais altos da Barcelona medieval.

El Call, bairro judeu medieval de Barcelona


Antiga sinagoga em El Call, bairro judeu medieval de Barcelona
Esta casa de El Call é apontada como o local de funcionamento de uma das sinagogas do bairro

O bairro judeu era fechado e acessível por duas portas. Contava com duas sinagogas, seu próprio comércio e oficinas.

Hoje, esse trecho do Bairro Gótico é um dos mais sossegados e é um prazer perambular por suas ruazinhas muito estreitas. Possivelmente, é a área que melhor preserve a aura medieval em Barcelona.


Casa de la Ciutat, sede da Prefeitura de Barcelona
A entrada da Casa de la Ciutat já deixa a gente de queixo caído
Fachada neoclássica da Casa de la Ciutat, sede da Prefeitura de Barcelona
A fachada da sede da prefeitura que dá para a Plaça de Sant Jaume ganhou uma reforma neoclássica

⭐ Casa de la Ciutat
Plaça Sant Jaume (entrada pela transversal Carrer Ciutat)
Aberta à visitação apenas aos domingos, das 10h às 13:30h. A entrada é gratuita.

Mais uma visita maravilhosa nesse roteiro pelo Bairro Gótico de Barcelona, a Casa de La Ciutat é a sede do Ajuntament (Prefeitura) da cidade.

Pátio da Casa de la Ciutat, Barcelona
No pátio da Casa de la Ciutat estão expostas diversas obras de arte. Esta é a Mulher Sentada, de Manolo Hugué

Escultura "Mulher", de Joan Miró, na Casa de la Ciutat, Barcelona
A escultura Mulher, de Joan Miró, lindinha em sua moldura gótica

A Casa de la Ciutat está instalada em um palácio espetacular, do Século 14, escondido sob a fachada neoclássica que dá para a Plaça Sant Jaume.

Mas na Carrer de Ciutat, uma ria lateral, você vai encontrar a bela fachada gótica do edifício. É nessa rua lateral que está a entrada de visitantes da Casa de la Ciutat, por sinal.

Salò del Cent, salão cerimonial da Casa de La Ciutat, Barcelona
No Saló del Cent, o Conselho de Barcelona se reúne desde o Século 14

Salò del Cent, salão cerimonial da Casa de La Ciutat, Barcelona


A principal atração da Casa de la Ciutat é o Saló del Cent, onde se reúne o conselho da cidade desde o Século 14. A decoração em vermelho e dourado é um escândalo de bonita, como, aliás, todo o edifício.

O Consell de Cent (“Conselho dos Cem) era um misto de parlamento e tribunal medieval de Barcelona, instituído na primeira metade do Século 13. Tinha poderes para decidir sobre assuntos como tributos e normas sobre o comércio. 

Galeria superior da Casa de la Ciutat, Barcelona
A galeria superior da Casa de la Ciutat, em traços góticos

Átrio e pátio da Casa de la Ciutat, Barcelona
O átrio e o pátio da Casa de la Ciutat 

Durante seus primeiros 100 anos de existência, o Consell de Cent não teve casa própria. Só em 1369, a Casa de la Ciutat começaria a ser construída.

O Conselho funcionou até a derrota catalã na Guerra de Sucessão Espanhola, no começo do Século 18, quando a Dinastia Borbón anulou todas as expressões políticas da autonomia da Catalunha.

Hoje, são os conselheiros municipais (equivalentes aos nossos vereadores) que se reúnem na Casa de la Ciutat.

Casa de la Ciutat, sede da Prefeitura de Barcelona
A Casa de la Ciutat é um compêndio de sete séculos da arte decorativa

Casa de la Ciutat, sede da Prefeitura de Barcelona


Percorrer os diversos ambientes da Casa de la Ciutat é como passear pelos seus sete séculos de história. Você vai encontrar elementos arquitetônicos e decorativos de todas as épocas.

No andar térreo da ca, preste atenção no pátio e nas obras de arte expostas. São peças modernistas, como Mulher, de Miró, que fazem um contraponto extremamente agradável ao cenário gótico.

Palau de la Generalitat, sede do Governo da Catalunha, Barcelona
Palau de la Generalitat, sede do governo da Catalunha desde o Século 14
⭐Palau de la Generalitat
Plaça de Sant Jaume s/n

A sede da Presidência do Governo da Catalunha é um dos raros edifícios oficiais da Europa a manter sua mesma função desde a inauguração. Construído na Idade Média, o Palau de la Generalitat de Catalunya é sede de governo desde sua inauguração, em 1396.

Isso é um grande motivo de orgulho para os catalães, sempre ciosos de sua identidade e autonomia.

Manifestações políticas em Barcelona
A cada visita a Barcelona, encontrei gente se manifestando em frente à sede do governo. Na foto maior, um protesto contra as prisões dos independentistas catalães

É praticamente inevitável transitar pelo Bairro Gótico sem dar de cara com o Palau de la Generalitat, que domina a paisagem da Plaça de Sant Jaume — e também com as frequentes manifestações políticas que se organizam diante de suas portas. Coisas da democracia, como o velho palácio.

Fachada do Palau de la Generalitat, Barcelona


As feições atuais do palácio são neoclássicas, mas ele ainda guarda pátios e salões que relembram sua origem medieval. Uma de suas grandes atrações é a Capela de Sant Jordi, do Século 15, que pode ser vista em uma visita guiada.

A famosa Pont del Bisbe (a passarela “gótica” construída em 1929 sobre a Carrer del Bisbe) liga o Palau de la Generalitat à Casa dels Canonges.


⭐Museu Frederic Marès
Plaça de Sant Iu, n° 5
De terça a sábado, das 10h às 19h. Domingos e feriados, das 11h às 20h
Ingresso: € 4,20. 


Museu Frederic Marès, Barcelona
O Verger do Palácio Real era um espaço para o lazer ao ar livre da corte dos Condes de Barcelona

A entrada no museu é gratuita no primeiro domingo de cada mês, nas tardes dos demais domingos (das 15h às 20h), e nos feriados de Santa Eulália (12/02), Corpus Christie La Mercè (24/09), além do Dia Internacional dos Museus (18/05).

Museu Frederic Marès, Barcelona
O Museu Frederic Marès tem o pátio mais lindo que eu vi em Barcelona. Abaixo, a torre da Catedral emoldurada pelas laranjeiras

Museu Frederic Marès, Barcelona


O Museu Frederic Marès está instalado no antigo Verger (jardim interno) do Palácio Real de Barcelona.

Na verdade, chamar de jardim é pouco: tratava-se de um espaço verde destinado ao lazer da corte, cercado por pavilhões avarandados e pórticos. No centro do pátio, ainda hoje vicejam laranjeiras.

Museu Frederic Marès, Barcelona

Museu Frederic Marès, Barcelona
O café no pátio do museu é um grande lugar para uma pausa na muvuca do Bairro Gótico

Não é preciso pagar ingresso para ter acesso a esse pátio e, até por isso, ele virou um dos meus refúgios preferidos, um oásis na muvuca do Bairro Gótico, à sombra das torres da Catedral. Entre abril e setembro, um café ao ar livre funciona lá.

Dentro do edifício, o Museu Frederic Marès exibe a coleção reunida pelo artista catalão, com ênfase na escultura — que era sua especialidade.

São peças que datam desde a antiguidade até o Século 19. Parte da obra de Marès também está exposta no museu.


Para um passeio virtual pelo Bairro Gótico, experimente o mapa interativo montado pela Universidade de Barcelona. 


Mais sobre Barcelona
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4 comentários:

  1. Passei alguns dia na cidade e dei aquela geral, passeando sem rumo. Mas foi no Gótico que me perdi. Andei, andei e fotografei. Foram deliciosos passeios pelas ruelas do Gótico, especialmente após anoitecer - horário em que fica ainda mais especial. Foi paixão! Abraços.

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    1. Bom, eu sou suspeita, né Paula? Eu tenho mania e paixão pelo Século 12. Troco qualquer farra por uma visita a um claustro medieval :)

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  2. Também é a minha Barcelona preferida! Amo!

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    1. A região mais fascinante de uma cidade espetacular. Não é pouco, né?

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