17 de novembro de 2019

O que fazer nas Ramblas de Barcelona


Dragão na fachada da Casa Bruno Cuadros, nas Ramblas de Barcelona
Pra mim, o dragão na fachada da Casa Bruno Cuadros, nas Ramblas, é uma das marcas mais fortes de Barcelona
Por menos convencional que seja seu jeito de viajar, vai ter uma hora que você vai se flagrar em um inapelável clichê turístico.

No caso de Barcelona, esse lugar é a rua mais famosa da cidade, as Ramblas, abarrotada de turistas, lojas e barracas de lembrancinhas feias e botecos meia-boca.

fachada modernista nas Ramblas de Barcelona, antiga Casa Figueras
O Modernismo na fachada da Antiga Casa Figueras, hoje Pastelaria Escribà, em uma imagem de 2007

Se o resumo da ópera é esse, por que um post sobre o que fazer nas Ramblas de Barcelona? Porque, naturalmente, as Ramblas vão bem além desse clichezão sem graça.

E porque ninguém é louco de ir a Barcelona sem ir ao Mercado da Boqueria, sem dar uma espiadinha que seja no Teatro Liceu ou fazer o ziguezague entre as atrações do Raval e do Gótico, cuja fronteira é traçada exatamente pela alameda mais manjada da cidade. 

Ramblas de Barcelona
À sombra dos plátanos e dos antigos casarões, a muvuca nas Ramblas é incessante

Sim, por mais descolada e avessa a lugares-comuns você seja, você irá às Ramblas de Barcelona — e, se for como eu, vai se divertir um bocadão, porque lá estão algumas atrações bacanérrimas.

Veja minhas dicas para aproveitar o melhor das Ramblas:

O que fazer nas Ramblas de Barcelona

Artistas nas Ramblas de Barcelona
Os artistas de rua são parte fundamental no movimento das Ramblas
O que são as Ramblas de Barcelona

A ideia das Ramblas de Barcelona é perfeita: uma rua com mão e contramão para carros — que eu quase esqueço que existe — com um largo calçadão no centro, sombreado por árvores frondosas. Se essa rua for margeada por diversas possibilidades de lazer, fechou a conta.

O encanto da Rambla, porém, é também sua perdição: com um movimento de 300 mil pessoas ao longo daquele 1,2 km de atração turística, o olho para o lucro rápido sacrifica muito da qualidade dos estabelecimentos que margeiam as Ramblas.

Rambla de Santa Mônica, Barcelona
Rambla de Santa Mònica, onde a rua mais famosa de Barcelona encontra o mar. No cantinho direito da imagem, escondido pela copa da árvore, está o Monumento a Colombo, um mirante a 60 metros de altura acessível por elevador
Hotéis, restaurantes e bares costumam cobrar preços muito acima do que valem seus serviços. Se você evitar as arapucas, porém, vai descobrir muita coisa legal para fazer por lá.

As Ramblas são ditas assim, no plural, porque via tem subdivisões. A Rambla de Canaletes é o trecho mais alto (mais ao Norte), próximo à Plaça de Catalunya.

Na sequência, vêm a Rambla dels Estudis, onde antigamente ficava a Universidade, a Rambla de Sant Josep (também chamada de Rambla das Flores), a área do Mercado da Boqueria, a Rambla dels Caputxins (“dos capuchinhos”) e Rambla de Santa Mónica, já pertinho do mar.

Ramblas de Barcelona

Segundo todas as fontes consultadas, Rambla vem da palavra árabe ramla, ou “torrente”, por conta de um rio que corria por ali e foi desviado para a construção de uma muralha.

Em uma cidade onde a ocupação moura foi tão breve — apenas 83 anos, em uma Península Ibérica que viveu cinco séculos de presença militar muçulmana — é curioso que sua artéria mais famosa tenha um nome herdado da língua árabe.

Como chegar às Ramblas de Barcelona

Estação de Metrô Plaça de Catalunya, acesso às Ramblas de Barcelona
Pra quem vai à ponta Norte das Ramblas, a Estação Plaça de Catalunya é a mais cômoda

Três estações de metrô deixam você de cara para o gol:

➡️ A Estação Plaça de Catalunya (linhas 1 e 3) é o melhor acesso à ponta Norte das Ramblas.

➡️ A Estação Liceu (Linha 3) deixa você bem em frente ao Teatro Liceu, ao Mercado da Boqueria e ao Café del’Ópera, no meio das Ramblas.

Estação de Metrô Liceu, acesso às Ramblas de Barcelona
A Estação Liceu do metrô tem uma saída bem em frente ao Mercado da Boqueria

➡️ A Estação Liceu (Linha 3) deixa você bem em frente ao Teatro Liceu, ao Mercado da Boqueria e ao Café del’Ópera, no meio das Ramblas.

➡️ A Estação Drassanes (Linha 3) é a ideal para quem quer começar o passeio na ponta Sul das Ramblas, perto do mar e do Monumento a Cristóvão Colombo — mas fique esperta, porque esse é o trecho mais esquisito, à noite.

Onde comer e beber nas Ramblas


Mercado da Boqueria, nas Ramblas de Barcelona
Mercado da Boqueria: como diziam os Mutantes, "Só não vá se perder por aí"

⭐Mercado da Boqueria
La Rambla nº 91
De segunda a sábado, das 8h às 20:30h


Sinceramente? Acho que o único lugar verdadeiramente de confiança — e com excelentes opções — é o Mercado da Boqueria, seja para um belisco, uma farrinha de tapas ou uma refeição mais séria.

Dê uma olhadinha do post exclusivo que ele ganhou — e cuidado pra não se embrenhar na perdição de sabores que ele oferece e mandar o resto do roteiro às favas 😉

Veja as dicas aqui: Mercado da Boqueria, Barcelona: uma atração turística muito gostosa


➡️ Na parte doce da história, sempre ouço falar muito bem da Rocambolesc, uma sorveteria meio (ou totalmente) gourmet. Fica do ladinho do Teatro Liceu (La Rambla nº 51-59) e tem uma cara realmente boa, mas uma fiiiiiiiila que dá vontade de chorar.

Pastelaria Escribà, nas Ramblas de Barcelona
Escribà: ótimos e bom atendimento

➡️ Uma casa que experimentei e recomendo é a Pastelaria Escribà (La Rambla nº 83), que aparece neste post como atração turística por conta de sua fachada, com uma linda decoração modernista.

Os doces de Escribà são verdadeiramente gostosos, o granizado de limão salvou minha vida, em um dia de muito calor, e o atendimento é bem simpático.

Café del'Ópera, nas Ramblas de Barcelona
Para bebericar, não tem lugar melhor que o Café del'Ópera

 ⭐Café del'Ópera
La Rambla nº 74
Aberto diariamente, das 9h às 3h da madrugada

Vou recomendar (pela quinquagésima vez, provavelmente), o fofo Café del’Ópera, um ponto tradicionalíssimo, com preços honestos e astral muito gostoso.

No verão, eu vou de xerez geladinho ou vermute on the rocks. No inverno, não tenho dúvidas de mandar descer um Carlos I, bom brandy espanhol. Bato ponto no Café del’Ópera desde minha primeira visita a Barcelona e criei chamego com o bichinho — mas ele merece mesmo.

Aliás, o Café del'Ópera devia entrar neste post também na lista de atrações históricas das Ramblas, porque o lugar é uma pequena preciosidade modernista.

O Café del’Ópera começou a funcionar em 1929 — ano da segunda Exposição Universal sediada em Barcelona — a mesma que legou à cidade a Plaça de Espanya e diversos equipamentos de Montjuïc.

Café del'Ópera, nas Ramblas de Barcelona
Café del'Ópera: frequentado por Miró e pelos combatentes das Brigadas Internacionais

O café herdou e mantém bem preservada boa parte de sua decoração Belle Époque de uma confeitaria chique que funcionou no mesmo local, com preciosos espelhos de cristal do Século 19, gravados com imagens de personagens de óperas e pinturas de jarros de flores.

O Café del’Ópera não é só bonito, mas tem uma biografia respeitável. Ponto tradicional de animadas tertúlias políticas e literárias, sempre atraiu um público interessante e progressista. Joan Miró foi frequentador

Durante a Guerra Civil Espanhola, era um dos points favoritos dos combatentes das Brigadas Internacionais de passagem por Barcelona—assim como o Café Gijón, em Madri, outro xodó da Fragata.

Ramblas de Barcelona à noite
A noite nas Ramblas tem um clima de film noir
Segurança nas Ramblas
Nós, brasileiros, nos acostumamos a associar insegurança a lugares desertos. Na Europa, onde são bem mais raros os assaltos, o maior risco para um viajante são as grandes aglomerações, o habitat favorito dos batedores de carteira — modalidade na qual Barcelona parece ser a campeã do continente.

Na muvuca incessante das Ramblas, todo cuidado é pouco com a bolsa, celular e outros pertences.

Também é prudente evitar as Ramblas tarde de noite, quando a área ganha ares de film noir, com figuras esquisitas e muitos grupos de turistas bêbados.

 Modernismo nas Ramblas de Barcelona
O Modernismo não é a principal característica das Ramblas, mas a fachada deste pub (virando a esquina, na Carrer de Ferran) e esta fonte são bem fotogênicos

O que ver nas Ramblas de Barcelona




⭐Fonte de Canaletes
Entre a Carrer de Pelai e a Carrer dels Tallers
Partindo da Plaça de Catalunya, o primeiro ponto célebre das Ramblas é a Font de Canaletes, à direita, entre a Carrer de Pelai e a Carrer del Bonsuccés. É uma fonte do Século 19, famosa como ponto de encontro e usada como referência para as reuniões e celebrações da torcida do Barcelona.

Se você conseguir clicar Font de Canaletes sem um bando de gente alucinada abraçando a fonte pra tirar foto, manda pra mim. Eu não tive paciência de esperar uma brechinha na tietagem.

Igreja de Belém nas Ramblas de Barcelona
Até o começo do Século 19, a área das Ramblas era ocupada por muitas igrejas e mosteiros. A Igreja de Belém é uma sobrevivente dessa época

⭐ Igreja de Belém 
Na esquina da Carrer del Carme
Ainda à direita de quem caminha na direção Sul, a igreja barroca de Nossa Senhora de Belém (Església de la Mare de Déu de Betlem) merece uma olhada, até pela persistência: ela é uma rara sobrevivente das desapropriações e incêndios que varreram a maioria das construções religiosas das Ramblas.

O Mercado da Boqueria, por exemplo, ocupa o terreno que era do Convento de São José e a Plaça Reial substituiu o Convento dos Capuchinos de Santa Madrona.

As ordens religiosas começaram a ser desalojadas das ramblas na esteira das Bullangas, insurreições anti-absolutistas favoráveis à Constituição Espanhola de 1812, popularmente chamada de La Pepa. Muitos conventos e igrejas foram saqueados e queimados.

Igreja de Belém, Ramblas de Barcelona
Sou fá desses telhadinhos de cerâmica que protegem as entradas de luz da Igreja de Belém

O processo foi completado em 837, o Estado espanhol confiscou e leiloou a maior parte dos bens da Igreja Católica em todo o país. Em Barcelona, calcula-se que o total das desapropriações tenha chegado a 80% dos terrenos e edifícios da igreja.

A Igreja de Belém, porém, não passou incólume pelos séculos. Construída no Século 16 pelos Jesuítas, ela foi desapropriada quando a ordem foi proscrita na Espanha e queimada durante a Guerra Civil Espanhola.

A fachada da Igreja de Belém, porém, resistiu altaneira a toda essa biografia. Revestida em pedra com entalhes almofadados e com um belo portal barroco, merece um olhar atento e alguns cliques.

Fonte da Portaferrissa, Ramblas de Barcelona
A Fonte da Portaferrissa lembra um dos portões da Muralha de Barcelona

Fonte da Portaferrissa
Na esquina da Carrer de la Portaferrissa

Quase em frente à Igreja de Belém está a Fonte de Portaferrissa, construída em 1604. O painel que a decora, retratando a tradicional Festa de la Mercè, celebrada nos meses de setembro. O conjunto de azulejos foi instalado em 1959 e é de autoria do artista Joan Baptista Guivernau.,

A fonte leva o nome de uma das entradas da muralha do Século 13 que fortificava Barcelona e cujo traçado acompanhava o que viria a ser as Ramblas.

Além da Porta Ferrissa, o “lado das Ramblas” da muralha também contava com as portas de Santa Anna, da Boqueria, de Los Trenta Claus (“trinta cravos”) e a de Fra Menors.

Segundo o blog Mundo Barcino, a localização de cada um desses antigos acessos à cidade pode ser identificada nas Ramblas pelos lampiões de quatro braços que servem de marco.

Palau de La Virreina (Palácio da Vice-rainha), Ramblas de Barcelona
O Palau de la Virreina tem exposições bem interessantes

⭐Palau de la Virreina
La Rambla nº 99
Horário: de terça a domingo, das 11h às 20h. 
Entrada gratuita

Este palácio do Século 18 foi mandado construir pelo um vice-rei do Peru que não viveu para vê-lo inaugurado. Quem ocupou essa joia barroca, considerada uma das mais notáveis de toda a Espanha, foi sua viúva. Daí o nome: “Palácio da vice-rainha”.

Hoje, o Palácio de la Virreina abriga Instituto de Cultura da Prefeitura de Barcelona e o Centro de Imagem la Virreina, um espaço de exposições com uma programação bem movimentada, voltada para as artes visuais contemporâneas. Veja a agenda aqui > La Virreina

Ainda é possível ver o requinte decorativo empregado na construção, com elementos do Barroco e do Rococó. O pátio interno do palácio é lindo.

Antiga Casa Figueras, Modernismo nas Ramblas de Barcelona
A Antiga Casa Figueras deve ser um dos edifícios que eu mais fotografei em Barcelona. Esta foto é de 2011 
➡️ O "miolo modernista das Ramblas"
Agora sim, chegamos ao que eu apelidei de “miolinho modernista” das Ramblas — uma área de Barcelona que não é propriamente pródiga em exemplares desse estilo arquitetônico/decorativo.

O trecho entre a Passatge dels Colons (um bequinho à direita de quem desce as Ramblas no sentido Plaça de Catalunya - Monumento a Colombo) e a Carrer de Ferran/Plaça Reial concentra vários remanescentes modernistas que merecem que você desacelere o passo e apure o olhar.

Nesse trechinho estão Escribá, o Café del'Ópera, a Casa dos Guarda-Chuvas, a Casa Doctor Genové, a belíssima vitrine modernista da antiga Camiseria Bonet...

⭐Antiga Casa Figueras/ Escribà
La Rambla nº 83
A Pastelaria Escribà funciona diariamente, das 9h às 21h

Mas a arte de Gaudí&Cia está muito bem representada na sede da antiga fábrica de macarrão da Família Figueras, um primor modernista assinado por Antoni Ros i Güell, que além de arquiteto também deixou uma obra respeitada como pintor e cenógrafo.

Modernismo nas Ramblas de Barcelona, Antiga Casa Figueras
Detalhe do teto da Antiga Casa Figueras

A reforma modernista da loja, agora ocupada pela Pastelaria Escribà, foi concluída em 1902 e ainda hoje consegue se destacar na balbúrdia visual das Ramblas, garças a sua belíssima fachada em mosaicos criados pelo genovês Mario Maragliano, que também trabalhou na Casa Amatller e no Hospital Sant Pau.

E a Antiga Casa Figueras ainda tem a vantagem de deixar a gente fingir que foi até lá só pela estudiosa curiosidade de ver uma obra de arte, enquanto se acaba nos docinhos de Escribà 😀.



Modernismo nas Ramblas de Barcelona: Casa Doctor Genové
O Modernismo abraça os traços do Gótico Catalão na Casa Doctor Genové. A foto do detalhe é de Mutari (Wikimedia Commons. A imagem frontal da fachada é de Canaan (Wikimedia Commons)

⭐Casa Doctor Genové
La Rambla nº 77


Vamos dar uma paradinha para admirar uma fachada alta e magricela, mas muito bonita. 

É a Casa Doctor Genové, originalmente sede de uma farmácia e um laboratório. A obra, inaugurada em 1911, é assinada pelo arquiteto Enric Sagnier i Villavecchia (1911), que também projetou a igreja neogótica de Tibidabo e a sede da Alfândega do Porto de Barcelona.

Depois de ver prevalecer a tradição nórdica do gótico nas torres do Passeig de Gràcia, é interessante ver o Modernismo abraçar escancaradamente o Gótico Catalão, que tem feições muito próprias — e eu acho bem bonito.

A Casa Doctor Genové agora abriga um bar, como tantos imóveis históricos das Ramblas.


Casa Bruno Cuadros (Casa dos Guarda-Chuvas), Modernismo nas Ramblas de Barcelona
Casa Bruno Quadros: grande encarnação do espírito da coisa modernista

⭐Casa Bruno Cuadros (Casa dels Paraigües)
La Rambla nº 82

Por precisão jornalística, preciso avisar que a Casa Bruno Cuadros é considerada uma construção pré-modernista, mas eu não estou nem aí. Pra mim, ela traduz direitinho o espírito da coisa.

Desde a primeira vez que bati os olhos na exuberante decoração da fachada dessa antiga loja das Ramblas, ela virou um dos meus grandes amores barceloneses, no mesmo patamar das obras-primas do Modernismo Catalão.

Tem sombrinhas japonesas, dragão chinês (o bicho não podia faltar: é um dos símbolos de Barcelona, em alusão ao padroeiro São Jorge), telhadinho de pagode, coluninhas meio gregas, toques egípcios.. Tem sgrafitto, estuque, pinturas, vitrais e balcões de ferro. Uma salada deslumbrante, quase despudorada.

Modernismo nas Ramblas de Barcelona: Casa Bruno Cuadros ou Casa dos Guarda-Chuvas


Bruno Cuadros i Vidal, o primeiro dono da casa era um comerciante de guarda-chuvas e sombrinhas que em 1858 resolveu construir um edifício para instalar sua loja, com apartamentos nos andares superiores destinados a aluguel. O apelido da casa, dels Paraigües ("dos guarda-chuvas") vem desse comércio.

A decoração, porém, foi acrescentada em 1885, obra de Josep Vilaseca i Casanovas, também autor do projeto do Arco do Triunfo de Barcelona, obra realizada para a Exposição Universal de 1888.


Gran Teatre del Liceu, Ramblas de Barcelona
Meu sonho de consumo é assistir a uma ópera no Liceu

⭐Gran Teatre del Liceu
La Rambla nº 51-59

➡️ Para assistir a um espetáculo, veja a programação. As visitas guiadas (em catalão, inglês e espanhol) custam a partir de € 9.

Pra quem é doidinha por um teatro, é claro que uma das minhas visões favoritas nas Ramblas de Barcelona tem que ser esse bonitão, uma casa de ópera de primeira linha.

Como outros marcos importantes das Ramblas, o Liceu também é um herdeiro das desapropriações de imóveis da igreja em Barcelona. Seu embrião foi uma sociedade teatral criada em 1837, no antigo Convento de Montsió (no Portal del Angel) e sua sede definitiva ocupa o terreno onde existiu o Convento dos Trinitários.

Teatro Liceu de Barcelona
Essa marquise do Liceu é um escândalo. O teatro estava iniciando sua temporada de ópera, em outubro, e eu fiquei louca pra ver Turandot — mas quem disse que achei ingresso?

O Teatro do Liceu original foi inaugurado em 1847, com capacidade para 3.500 espectadores — a maior capacidade de um teatro em toda Europa, na época.

De lá pra cá, ele já ressurgiu das cinzas—literalmente—duas vezes, após sofrer devastadores incêndios em 1861 e 1994. Também foi alvo de um atentado terrorista em 1893 que deixou 20 mortos.

A última reconstrução do Gran Teatre del Liceu foi concluída em 1999, resgatando fielmente o desenho do arquiteto Miquel Garriga i Roca, responsável pelo primeiro projeto, mas dotando-o do que havia de mais moderno em tecnologia. Incêndio de 1994, reinaugurado em 1999. A cara é a mesma, mas a infra é contemporânea.


Luminárias desenhadas por Gaudí na Plaça reial de Barcelona
Hermes — mensageiro dos deuses do Olimpo e divindade protetora dos comerciantes — foi a inspiração de Gaudí para desenhar essas luminárias da Plaça Reial

⭐Plaça Reial  e os lampiões de Gaudí

Acho que não tenho a disciplina necessária pra cumprir um roteiro por todos os 1.200 metros das Ramblas de Barcelona. Quando eu chego à altura do Teatro Liceu e do Café del’Ópera, já emburaco pelo Raval, em busca de um boteco mais raiz, ou tomo o rumo do Bairro Gótico, atendendo à minha estudiosa turistagem (risos).

Se minha escapada for na direção do Bairro Gótico, pode ter certeza que vou dar uma passada pela simpática, embora excessivamente movimentada Plaça Reial, cuja entrada está a menos de 200 metros do Café del’Ópera, na direção Sul (do mar).

Plaça Reial, Barcelona
Plaça Reial, movimentada dia e noite

A Plaça Reial ("Praça Real") não chega a ser uma Place des Vosges, mas é bem bonita. Foi construída em 1835, sobre o terreno do Mosteiro de Santa Madrona, seguindo o conceito de praça fechada

Cercada de edifícios com fachadas harmônicas e pontilhada de palmeiras, a Plaça Reial está sempre animadíssima, graças à sua profusão de bares e restaurantes — a maioria é excessivamente turística, mas lembro de um bom clube de jazz onde fui uma noite.
Fonte das Três Graças, Plaça Reial, Barcelona
Fonte das Três Graças
No centro da Plaça Reial fica a Font de las Tres Graciès (Fonte das Três Graças), esculpida pelo francês Antoine Durenne.

Mas a grande atração da Plaça Reial é são os lampiões desenhados em 1878 por um arquiteto de 26 anos chamado Antoni Gaudí.

Os lampiões de Gaudì homenageiam o deus grego Hermes, o mensageiro do Olimpo, que também era patrono do Comércio — e foi o dinheiro dessa atividade econômica que se instalou nas elegantes moradias da Plaça Reial. Os lampiões são encimados pelo capacete alado de Hermes.





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