13 de janeiro de 2020

1.000 anos de história em 10 igrejas de Barcelona

Catedral de Barcelona, Igreja de Santa Maria del Mar, Igreja de Sant Just e Igreja de Santa Maria del Pi
As igrejas de Barcelona ajudam a contar a história da cidade. Em sentido horário, um detalhe da fachada da Catedral, as colunas de Santa Maria del Mar, o altar de Sant Just e a rosácea de Santa Maria del Pi

Eu uma cidade com trajetória tão movimentada quanto a capital catalã, há muitas maneiras de observar a passagem do tempo. Uma das mais belas é fazendo um roteiro pelas igrejas de Barcelona, testemunhas de uma história rica e cheia de reviravoltas.

Quase nada resta de testemunho sobre a vida dos primeiros moradores da cidade, povoada desde o Período Neolítico, ou de seus reais fundadores, os Laietanos.

Mas Barcelona é pródiga em oferecer a um visitante as marcas vivas de seu passado a partir da presença dos romanos, os construtores da então Barcino.

Igreja de Santa Maria del Mar, Barcelona
A beleza de Santa Maria del Mar, minha igreja favorita em Barcelona. Abaixo, as torres da Sagrada Família, a fachada de Sant Miquel del Port e um vitral de Sant Just i Pastor

Igrejas de Barcelona: Sagrada Família, Sant Miquel del Port e Sant Just i Pastor

As igrejas de Barcelona nos contam cerca de 1.000 anos de História da cidade.

Dos vestígios arqueológicos das basílicas paleocristãs, passando pelo culto a Sant Jaume — o Santiago da Reconquista — até modernidade acachapante da Sagrada Família de Gaudí, as igrejas de Barcelona são um deleite para quem gosta de história ou apenas curte ver coisas bonitas.

Veja esse roteiro por 1.000 anos de história de Barcelona:

Roteiro pelas Igrejas de Barcelona

⭐ Catedral de Barcelona
Entrada pela Pla de la Seu, Bairro Gótico


Catedral de Barcelona
O interior da Catedral de Barcelona é de deixar a gente tonta, de tão bonito

🕒 Horário: de segunda sexta, das 8h às 12:45h (igreja e claustro), visita gratuita para fins religiosos. Visita turística das das 13 às 17:30h, com direito a ver o coro, terraços e algumas capelas que têm acesso restrito. O claustro abre das 17:45 às 19h, com entrada gratuita.

Aos sábados e vésperas de feriados o esquema de visitação é o mesmo, mas a igreja também abre das 17:15h às 20 horas, com entrada gratuita.

Domingos e feriados, a entrada é gratuita na igreja e claustro, das 8:30h às 13:45h. A visita turística é das 14h às 17h.

Ingresso para a visita turística: 7 €.


Catedral de Barcelona
Catedral de Barcelona: testemunha eloquente da pujança da cidade durante a Idade Média
Barcelona é toda espetacular, mas eu acho bem difícil encontrar algo mais espetacular na cidade do que sua Catedral gótica, uma testemunha eloquente do esplendor catalão durante a chamada Baixa Idade Média (séculos 11 ao 15).

O terreno ocupado pela Catedral de Barcelona é local de culto cristão desde o Século 6. O magnífico templo gótico que vemos hoje, porém, é um legado do Século 13, o mais próspero para a grande potência marítima que foi a cidade na época, governada pela Casa de Aragão.

Saiba mais sobre a Catedral de Barcelona: Barcelona - roteiro no Bairro Gótico e La Ribera

Basílica da Sagrada Família, Barcelona
O deslumbrante interior da Sagrada Família, de Antoni Gaudí 
⭐ Templo Expiatório da Sagrada Família
Carrer de Mallorca nº 401, Eixample. Metrô Sagrada Família (Linhas 2 e 5).

Horários:
diariamente, das 9h às 18h (de novembro a fevereiro). Nos meses de março e outubro, o encerramento é às 19h. De abril a setembro, as visitas vão das 9h às 20h. Nos dias 25 e 26 de dezembro e em 1º e 6 de janeiro, o encerramento é às 14 horas.

Ingresso: a partir de € 17


Basílica da Sagrada Família, Barcelona
4,5 milhões de pessoas visitam a Sagrada Família, anualmente

Nada menos do que 4,5 milhões de pessoas visitam a Basílica da Sagrada Família todos os anos, o que faz dela a atração mais concorrida de Barcelona, merecidamente — pra mim, devia haver uma lei assegurando a todos os integrantes da raça humana o direito de vê-la, ao menos uma vez na vida.

A Basílica da Sagrada Família, ainda em construção, conta a história do progresso industrial que impulsionou o alvorecer da Barcelona moderna, filha da Belle Époque.

Saiba mais sobre essa lindeza de Gaudí: Sagrada Família, a lagosta lisérgica

Leia também: Roteiro do Modernismo em Barcelona - o Passeig de Gràcia

greja Santa Maria del Mar, Barcelona
Igreja Santa Maria del Mar, a catedral do povo de Barcelona
⭐ Basílica de Santa Maria del Mar
Plaça de Santa Maria nº 1, La Ribera

🕒 Horário: de segunda a sábado, das 13h às 17h. Domingos, das 14h às 17h.
Ingresso: € 5. A visita guiada, com subida às torres e terraço, também é realizada das 13h às 17h e custa € 10.

Basílica de Santa Maria del Mar, Barcelona
Pra mim, Santa Maria del Mar define a palavra celestial

A Igreja de Santa Maria del Mar tem um imenso poder de me comover. Por sua  história e por sua indescritível beleza.

Ela foi construída no Século 14 para resolver uma questão que era mais social do que religiosa. Contam os historiadores que a nobreza catalã não via com bons olhos a presença de trabalhadores, artesãos e comerciantes nas missas da Catedral de Barcelona.

Imagem de Santa Maria del Mar na basílica de Barcelona
Santa Maria del Mar com o menino e seu altar e uma embarcação a seus pés
Altar da Igreja de Santa Maria del Mar

Coube às corporações de ofício (precursoras dos sindicatos) de Barcelona materializar o projeto de uma “Catedral do Povo”.

Algumas guildas foram particularmente ativas nessa empreitada. Os estivadores do movimentadíssimo porto da cidade eram responsáveis por carregar as pedras arrancadas de canteiras dos arredores, enquanto pedreiros, escultores e artesãos de todas as prendas urdiam o espetáculo que se tornaria a Basílica de Santa Maria del Mar.

Igreja de Santa Maria del Mar, Barcelona
A Igreja de Santa Maria del Mar foi projetada sem muitos rebuscamentos. Além disso, ela perdeu boa parte de sua decoração interna em um incêndio, em 1939

Imagem dos estivadores de Barcelona na porta principal da Igreja de Santa Maria del Mar
Os estivadores de Barcelona carregaram as pedras para a construção da "Catedral do Povo" e são homenageados nas portas de sua igreja

Talvez você já conheça essa história, narrada na minissérie da Netflix A Catedral do Mar — tão chata quanto o livro que a inspirou, escrito por Ildefonso Falcones — mas não há superprodução que prepare alguém para ver a igreja mais bonita de Barcelona.

Alta, ampla, sustentada por colunas esguias, Santa Maria del Mar é um encanto em pedra nua, com adornos apenas localizados em altares laterais — e que parecem postos lá para destacar o sublime do espaço em branco, avesso ao rebuscamento.

A Fragata é uma embarcação ateia, mas é devota de Santa Maria del Mar.

Rosácea da Igreja de Santa Maria del Pi, Barcelona
As duas faces da rosácea da Igreja de Santa Maria del Pi
⭐ Basílica de Santa Maria del Pi
Plaça del Pi nº 7, Bairro Gótico

🕒 Horário: diariamente, das 10h a 18h
Ingresso: € 4,50
Subida ao campanário: € 9

Integrante do quarteto de maravilhas góticas de Barcelona — ao lado da Catedral, de Santa Maria del Mar e de Sant Just — a Basílica de Santa Maria del Pi foi a primeira que eu visitei. E de um jeito muito especial.

Poucos dias após o Natal de 2007, na minha primeira visita a Barcelona, entrei pela primeira vez nessa bela igreja do Século 15 para vê-la no fulgor de sua iluminação e apinhada de gente, a plateia de um concerto de violões.

Altar da Igreja de Santa Maria del Pi, Barcelona
O altar de Santa Maria del Pi é a prova de que não são necessários muitos traços pra desenhar o esplendor. As imagens foram esculpidas em alabastro

Altar da Igreja de Santa Maria del Pi, Barcelona

A Igreja de santa Maria del Pi chama a atenção pela bela rosácea que adorna os traços austeros de sua fachada em castiço gótico catalão — aliás, do quarteto já citado, ela é a mais explícita nesse estilo.

Sua origem é muito antiga, provavelmente uma capela do Século 5, no tempo em que Barcelona ainda se chamava Barcino e era uma cidade romana.

Santa Maria del Pi, em catalão, significa “Santa Maria do Pinheiro”. A origem do culto a essa representação da Virgem vem do Século 9, época das invasões sarracenas.

Naquela época a hoje movimentada Plaça Sant Josep Oriol, no Bairro Gotico de Barcelona, era o coração de uma plácida comunidade de pescadores, que resistiu bravamente a um ataque mouro.

Tempos depois, um marinheiro que havia combatido os sarracenos teria encontrado na copa de um pinheiro a imagem da Virgem Maria que seria entronizada na antiga capela local.

O órgão e um altar lateral da Igreja de Santa Maria del Pi, em Barcelona
O órgão e um altar lateral da Igreja de Santa Maria del Pi
A atual igreja da Virgem do Pinheiro foi inaugurada em meados do Século 15 e pode-se dizer que ela viveu intensamente as agruras sofridas por Barcelona ao longo da história.

Embora seu interior já tenha sido originalmente desenhado em traços austeros, o minimalismo de adornos que vemos hoje em seu altar-mor é o resultado de uma explosão ocorrida no Século 18, durante a chamada Guerra de Sucessão Espanhola — quando Barcelona foi ponta de lança na resistência à Dinastia Borbón.

Só no final do Século 19 a Igreja de Santa Maria del Pi seria completamente restaurada deste primeiro estrago — para logo depois ser gravemente danificada durante a Guerra Civil Espanhola.


Igreja de Santa Maria del Pi, Barcelona
O campanário de Santa Maria del Pi é um mirante famoso. À direita, um cruzeiro de procissão 
Não deixe de ver o pequeno museu que abriga peças do tesouro da basílica de Santa Maria del Pi, como as preciosas custódias recobertas de Pedrarias e outros objetos sacros.

Aninhado sob o campanário, nos fundos da igreja, o jardim de Santa Maria del Pi é ótimo para uma pausa após a visita.

Peças do Museu da Igreja de Santa Maria del Pi, Barcelona
O pequeno museu da Igreja de Santa Maria del Pi guarda algumas preciosidades

⭐ Igreja de Sant Felip Néri
Plaça Sant Felip Neri nº 2, Bairro Gótico

Igreja de Sant Felip Neri, Barcelona
Praça de Sant Felip Neri, um oásis na superpopulação turística do Bairro Gótico
Desde minha primeira visita a Barcelona, sou fã da placidez da pracinha de Sant Felip Neri, com sua velha fonte ainda em funcionamento e sombreada por fachadas e árvores centenárias.

É uma espécie de oásis na superlotação turística do bairro gótico.

A Igreja de Sant Felip Neri foi construída na primeira metade do Século 18, como parte do Convento do Oratório, que já estava lá desde o Século 16.

Sua fachada altaneira e muito simples funciona como moldura para a praça sossegada — que eu acho especialmente bela.
  

Igreja de Sant Felip Neri, Barcelona
As cicatrizes do bombardeio franquista ainda são bem visíveis na fachada da igreja
Todo esse sossego, porém, foi quebrado em 30 de janeiro de 1938, quando a aviação franquista, apoiada pela Luftwaffe de Hitler, descarregou um pesado bombardeio sobre Barcelona, durante a Guerra Civil Espanhola.

O ataque deixou 42 mortos — a maioria, crianças da Escola Sant Felip Neri — e danificou seriamente a igreja, da qual restou apenas a fachada, com profundas cicatrizes das bombas franquistas.


Igreja de Sant Felip Neri, Barcelona
Uma arcada medieval (esq) é um dos acessos à Praça Sant Felip Neri. À direita, a fachada simples e tocante da igreja


Minha amiga Cristina Rosa, que escreve o blog Sol de Barcelona (um guia essencial pra quem visita a cidade), contou essa história triste em detalhes: Sant Felip Neri: uma praça, uma tragédia

⭐ Igreja de Sant Jaume
Carrer de Ferrán nº 28, Bairro Gótico


Igreja de Sant Jaume, Barcelona
Sant Jaume, ou Santiago, cavalga serelepe na portada da igreja onde é cultuado

Sant Jaume é o nome catalão do santo mais venerado da Península Ibérica: São Tiago — Santiago — cujo nome foi convertido em grito de guerra da Reconquista Cristã.

Isso, porém, não impediu que sua igreja, apontada como a mais antiga de Barcelona, fosse posta abaixo, no início do Século 19.

Comparado com o que ocorreu em outras partes da Península Ibérica, o domínio mouro em Barcelona foi bastante curto, apenas 83 anos — foram quatro séculos na Andaluzia, por exemplo.

A cidade, ainda conhecida como Barcinona (forma visigoda derivada de Barcino, o nome que lhe deram os romanos), rendeu-se às tropas do mouro Alhor ibne Abdal Ramane Altacafi, governador de Al-Andaluz, no ano de 717, dando início à era de Medina Barshaluna.

Sob domínio mouro, Barcelona/Medina Barshaluna viveu a liberdade política e religiosa, seus condes continuaram a despachar no palácio e seus bispos permaneceram vivos e distribuindo bênçãos. A catedral, porém, foi convertida em mesquita.

No ano de 801, Luís, o Piedoso, filho de Carlos Magno, conquistou a cidade e a submeteu ao Reino dos Francos.

No começo do Século 20, o tradicional culto a Santiago foi desalojado de sua sede original, ao lado da Casa de la Ciutat (sede histórica da prefeitura de Barcelona).

O santo da Reconquista mudou-se com armas e bagagens para a antiga Igreja da Trindade, do Século 14 — que, por sua vez, foi construída sobre a Sinagoga Menor de Barcelona, destruída em 1391.

Igreja de Sant Jaume, Barcelona
A Igreja de Sant Jaume original foi demolida e seu culto transferido para a Igreja da Trindade

Por sua localização estratégica — em uma das principais ruas do Bairro Gótico — você com certeza vai passar pela porta da Igreja de Sant Jaume.

No vai e vem da Carrer de Ferrán, tente não passar batida por sua bonita fachada, que ainda preserva a portada gótica esculpida no Século 14.

No entalhe sobre a porta, lá está Santiago, serelepe em seu cavalo, como foi consagrado na “mitologia” da Reconquista: o ginete guerreiro que acudia as tropas cristãs nos embates com os mouros.

Essa imagem do santo é um acréscimo do Século 19, mas combina muito bem com o restante da fachada.

O interior da igreja não é o mais vistoso que você encontrará em Barcelona, mas vale a pena entrar uns minutinhos para ver a decoração, basicamente do Século 19.

  ⭐ Capela de Santa Ágata
Plaça del Rei, s/n, no interior do Palau Reial/Museu de História de Barcelona (MUHBA)


Capela de Santa Ágata, no Palácio real de Barcelona
Capela de Santa Ágata: feita para os reis que eram condes

Para ver a capela, visite o MUHBA (maravilhoso). O horário é de terça a sábado, das 10h às 19h, e aos domingos, das 10h às 20h.

Ingresso (válido para todos os 15 espaços do complexo MUHBA): € 7.

Escondidinha no interior do Palácio Real de Barcelona, a Capela de Santa Ágata é uma bela surpresa. Um encanto gótico construído no comecinho do Século 14 para servir de capela real.

Os artistas encarregados da construção da capela capricharam nos trabalhos: o altar-mor é de cair o queixo, um dos pontos altos da visita a Museu de História de Barcelona.

Palácio Real de Barcelona
A Capela de Santa Ágata agora é uma das atrações do Museu Histórico de Barcelona, instalado no antigo Palácio Real

O palácio é real, mas sem reis. O esplendor da cidade foi alcançado sob a organização política do Condado de Barcelona que entre os Século 11 e 18, forjou o que hoje se compreende como Catalunha — quando você ouvir alguém chamar Barcelona de "Cidade Condal", já sabe o motivo 😊.

A partir do Século 12, uma união dinástica entre o conde de Barcelona e a filha do rei de Aragão resultou na ascensão de Afonso II, filho do casal, à Coroa de Aragão. Daí que Barcelona, a cidade que não tinha reis, passou a ver seus condes governantes acumularem o o título de condes com o de reis de Aragão.

Na cidade, porém, os reis não usavam coroa, como determinou o Concell de Cent (Parlamento de Barcelona), no Século 13: lá eles permaneciam condes.

A autonomia do Condado de Barcelona foi mantida até 1714, quando as forças ligadas aos Habsburgos, perdeu a Guerra de Sucessão Espanhola para os Borbón, dinastia que ainda ocupa o trono da Espanha.

Igreja da Virgem de Belém, nas Ramblas de Barcelona
Igreja de Belém: você, com certeza, vai passar por ela
⭐ Igreja da Virgem de Belém
Carrer del Carme, esquina com La Rambla, Raval

Horário: de segunda a sexta, das 8:30h a 13:45h e das 17h às 20:45h. Sábados e domingos, das 10h às 13:45h e das 17h às 20:45h
Entrada gratuita.

Cercada pela muvuca das Ramblas, a Església de la Mare de Déu de Betlem é uma resistente, o último templo religioso ainda em funcionamento em uma área que já foi território de igrejas e conventos, mas agora a epítome da farra em Barcelona. 

Você com certeza vai passar pela Igreja da Virgem de Belém — afinal, é meio impossível ir a Barcelona e não ir às Ramblas.

Quando isso acontecer, preste atenção aos entalhes almofadados talhados nas pedras da fachada da igreja, um  primor decorativo, e ao belo portal barroco de sua entrada principal.

O detalhe que eu mais curto na Igreja da Virgem de Belém são os telhadinhos de cerâmica colorida que protegem claraboias e se destacam sobre seus muros.

Igreja da Virgem de Belém, nas Ramblas de Barcelona
Na muvuca das Ramblas, a Igreja de Belém é uma resistente


Já falei da Igreja da Virgem de Belém no post sobre as Ramblas de Barcelona. Ela foi construída no Século 16 pelos Jesuítas, sobreviveu às queimas de igrejas das agitações políticas do Século 19, mas não passou incólume pela Guerra Civil Espanhola.

Ela é a principal testemunha — e sobrevivente — das grandes transformações ocorridas em Barcelona a partir da década de 30 do século 19, quando o desejo de ares menos absolutistas levaram a revoltas populares, queima de igrejas e, finalmente, ao confisco das propriedades da Igreja Católica na cidade.

Como boa resistente, porém, ela ainda está lá, na esquina da Carrer del Carme, porta de entrada para o boêmio Raval, com um olhar complacente sobre o vai e vem de turistas que sobem e descem a rua mais famosa de Barcelona.

⭐ Igreja de Sant Just i Pastor
Plaça Sant Just nº 6, Bairro Gótico

Horário: de segunda a sábado, das 11h às 14h e das 17h às 20h. Domingos, das 10h às 13h.
Entrada gratuita.


Igreja de Sant Just i Pastor, Barcelona
Sant Just não é muito famosa, mas é deslumbrante

A Igreja de Sant Just é daquelas belezas que Barcelona coloca no caminho da gente sem avisar — e é por coisas assim que é tão bom zanzar sem mapa pelo Bairro Gótico.

Como sói acontecer com belezas góticas, as feições externas dessa igreja não entregam o requinte decorativo de seu interior.

Tanto que em duas visitas anteriores à cidade eu perdi a conta das vezes que passei direto pela fachada quase sisuda da Igreja de Sant Just.

Igreja de Sant Just i Pastor, Barcelona
Altares laterais e o coro da Igreja de Sant Just e Pastor, no Bairro Gótico

Igreja de Sant Just i Pastor, Barcelona
O culto aos mártires Justo e Pastor em Barcelona remonta ao Século 9. A igreja atual é do Século 14

Os mártires Justo e Pastor, a quem a igreja está dedicada, foram dois jovens cristãos decapitados por ordem do governador romano da Hispania, no Século 4, na cidade que posteriormente seria conhecida como Alcalá de Henares, berço de Miguel de Cervantes.

Não se sabe ao certo quando foi construído o templo primitivo, mas há referências documentais à Basílica dos Santos Mártires Justo e Pastor de Barcelona (seu nome oficial) que remontam ao Século 9.

A construção atual é do Século 14 e a fachada ganhou uma reforma neogótica no Século 19.

Antes disso, durante a ocupação moura de Barcelona (de 717 a 801) a igreja original de Sant Just cumpriu a função de catedral cristã na cidade, já que a Catedral titular foi convertida em mesquita.

Igreja de Sant Just i Pastor, Barcelona
Os vitrais de Sant Just dão um lindo toque ao interior da igreja

O que mais me encantou na Igreja de Sant Just foi a forma como a luz, filtrada pelos vitrais do Século 16, se derramava sobre seu belo altar-mor, esculpido no Século 19, em mármore trazido de Tarragona, e sobre as seis capelas laterais.

⭐ Basílica de la Mercè
Carrer de la Mercè nº 1, Bairro Gótico

Igreja de La Mercè, Barcelona
É em torno da Igreja de La Mercé que se realiza a maior festa popular de Barcelona
Nossa Senhora das Mercês é a padroeira da Diocese de Barcelona — Santa Eulália, venerada na Catedral, é a padroeira da cidade. Sua igreja, no Bairro Gótico, foi construída no Século 18, em estilo barroco, sobre um velho templo do Século 13.

Ela chama a atenção de longe, pela grande imagem da Virgem Maria que se alça sobre sua cúpula — em 2011, fiquei hospedada do ladinho de La Mercè e era essa imagem, iluminada por refletores, que me orientava na volta para o hotel, à noite.


Igreja de la Mercè, Barcelona
Em 2011, fui vizinha de La Mercè. À direita, a Porta de San Miquel, trazida da igreja medieval dedicada ao santo e demolida em 1869
É em homenagem a Nossa Senhora das Mercês que se realiza a maior festa popular de Barcelona, que dura vários dias e cujo ápice é o 24 de setembro.

A Festa de la Mercè tem de tudo: desfiles com bonecos gigantes, música, a dança típica da Sardana, reunião de castellers (as pirâmides humanas que são uma logomarca da Catalunha) e muito mais.

A origem da festa é medieval, uma jornada religiosa para combater uma praga de gafanhotos que devastou as plantações em torno de Barcelona.

De lá para cá, a celebração de La Mercè só cresce e calcula-se que reúna hoje dois milhões de pessoas, movimentando toda a vida da cidade com centenas de eventos culturais.

Agora em 2019, cheguei a Barcelona no dia seguinte ao encerramento da festa e morri de pena. Está na minha lista para a próxima visita.



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