2 de março de 2018

Peru: roteiro de 10 dias com Lima, Cusco e Machu Picchu

Cusco, um encanto que não se esgota na primeira (nem na segunda, nem na terceira...) visita. Na foto, a Praça de Armas da antiga capital do Império Inca
Minha escapada de carnaval este ano foi muito especial: 10 lindos dias no Peru, um país que adoro e já tinha visitado três vezes. Viajei com meus sobrinhos Bruno e Carolina (os melhores companheiros de estrada ever!) que ainda não conheciam esse pedaço mágico da nossa América.

Os primeiros quatro dias (cinco noites) foram passados em Lima, que fica mais interessante a cada visita.

As falésias de Miraflores vistas do Shopping Larcomar
Conheci a capital peruana em 2002, na época, uma metrópole tumultuada, insegura, barulhenta e de trânsito impossível. Alçada à condição de capital gastronômica da América Latina, a cidade fez direitinho a lição de casa para acompanhar o crescimento turístico que veio na esteira dos restaurantes badalados, tocados por chefs que são verdadeiras celebridades.

O resultado é que Lima agora é um baita destino turístico em si mesma, não mais uma mera escala para quem quer desbravar as belezas da Cordilheira dos Andes. Buenos Aires que se cuide, porque Lima anda roubando o coração de cada vez mais brasileiros. E com toda razão.

Quando eu crescer, quero ser lhama e pastar indiferente à beleza de Machu Picchu 😇 — por enquanto, eu só fico mais e mais encantada a cada visita

Depois de Lima, passamos cinco dias na Sierra (a cordilheira), em Cusco e Machu Picchu. Os dois destinos não mudaram suas feições e atrações ao longo dos anos, mas são lugares que não se esgotam na primeira viagem (nem na segunda, ou terceira...). Amei rever essas duas preciosidades.

Esta viagem ficou ainda mais especial graças à companhia de nossa amiga Suzane Tavares, que mora em Lima há sete anos e foi incansável em nos mostrar um monte de belas novidades limenhas. Obrigada de coração Su. E a Danilo e a Artur 💙.

Para esses 10 dias no Peru, busquei montar um itinerário que contemplasse tanto as descobertas (para Bruno e Carolina), quanto os reencontros (pra mim, que estava por aquelas bandas pela quarta vez). Acho que o resultado ficou redondinho. 

Confira meu roteiro pelo país, adapte, acrescente, inspire-se...  O importante é  aproveitar as belezas desse país tão próximo de nós e tão fascinante.

Veja os detalhes do meu roteiro peruano ➡️

Huaca Pucllana, santuário construído mil anos antes dos incas
☑️ Roteiro de 10 dias no Peru
Tivemos 10 dias “líquidos” no Peru, descontadas a ida e a volta. Se você for do tipo "ligeirinho", pode fazer esse mesmo roteiro em menos tempo, mas sempre sou a favor de viajar sem pressa e com tempo livre entre as "atividades sérias".

O voo Guarulhos-Lima até que é curtinho (4h30), mas as conexões (eu, vinda de Brasília, e os meninos vindos de Salvador) nos consumiram quase o dia todo, na ida e na volta. Chegamos à capital peruana à noite, com ânimo apenas para tomar banho e dormir.

Nossa hospedagem foi em Miraflores, na Casa Suay, um hotel simples, simpático e barato, a dois passos do Parque Kennedy (claro que vai ter post com dicas de hospedagem!).

Lima nos recebeu coberta de névoa - um fenômeno bem comum por lá
Todas as dicas de Lima
Onde comer em Lima
Minha vida com Gastón (Acúrio) – as aventuras da Fragata nos restaurantes do chef-celebridade 
Lima: o Museu Larco, o Museu do Ouro e o requinte do Peru pré-colombiano
Lima - o que fazer no Centro Histórico
Lima: o que fazer em Miraflores e arredores
Hospedagem em Lima: dois hotéis em Miraflores
Lima – dicas práticas

Pachacamac, o oráculo do povo Wari
O que fazer em Lima
Eu gosto de Lima


☑️ 1º dia (sexta-feira)
Lima: parques de Miraflores, shopping Larcomar e Huaca Pucllana
Miraflores continua sendo o grande cartão de visitas da capital peruana, o distrito mais buscado pelos turistas, com seu malecón debruçado sobre o Pacífico, parques, bons hotéis e comércio elegante.

Nada melhor, então, do que começar uma temporada em Lima passeando por Miraflores, namorando a vista que se tem do alto das falésias enquanto se decide em qual restaurante badalado do bairro será o primeiro almoço da temporada.

Uma boa caminhada por lá passa pelo Parque del Amor, permanentemente “emoldurado” pelos voadores de parapente, e chega ao Shopping Larcomar, com uma super vista para o mar e cheio de boas lojas e bons restaurantes — como o Tanta, criado pelo chef pop-star Gastón Acúrio, onde fizemos nossa refeição inaugural da longa farra gastronômica que foi esta viagem.

Suspiro limenho é a melhor sobremesa do mundo! Esse é do Restaurante Tanta e estava de morrer

À tarde, continuamos curtindo as atrações de Miraflores na Huaca Pucllana, um sítio arqueológico que convive harmoniosamente com o movimento urbano e a vida contemporânea do bairro a seu redor. A grande pirâmide de adobe foi erguida pela Cultura Lima a partir de 400 a.C.— muito antes do surgimento do Império Inca — e rende um passeio muitíssimo interessante.

Encerramos o dia com um jantar muito gostoso na Bodega de la Trattoria de Miraflores, restaurante italiano.

O charmoso bairro de Barranco, tradicional reduto boêmio e intelectual
☑️ 2º dia (sábado)
Lima: Museu Larco e Barranco
O simpático distrito de Pueblo Libre é a casa de dois museus imperdíveis em Lima. Um deles é o Museu Nacional de Arqueologia, Antropologia e Historia do Peru, que tem um acervo quase tão quilométrico quanto o nome e é uma aula essencial sobre as muitas culturas que povoaram aquele território — e como elas influenciaram umas às outras até serem "sintetizadas" pelos Incas. Não visitei desta vez, mas já estive lá duas vezes e recomendo muito.

O outro é o Museu Larco, possivelmente o melhor da cidade, graças não só ao seu belíssimo acervo de peças pré-colombianas (e uma coleção de "arte erótica", na verdade, utensílios usados em rituais de fertilidade), como por sua museologia moderna e inteligente. Pra completar, o Larco está instalado em um lindo casarão colonial, cercado de jardins — que você pode curtir tomando um drinque na varanda do restaurante, com um drinque ou um café.

Os jardins são apenas um dos encantos do Museu Larco
Depois da visita ao Museu Larco, voltamos para a beira-mar, para almoçar no Restaurante Calla, que fica praticamente na areia da praia, entre Miraflores e Chorrillos, tem uma bela vista e ótima comida.

Nossa tarde foi bem preguiçosa, batendo pernas pelo gostoso distrito de Barranco. Adoro esse pedacinho de Lima, um bairro antigo (cada casarão lindo!) que ficou célebre como refúgio dos boêmios e intelectuais e preserva um clima de cidade do interior.

Aproveitamos a noite para experimentar os hambúrgueres by Gastón Acúrio, no Papacho's do Shopping Larcomar. De responsa, por sinal 😋.

O Centro Histórico de Lima visto da Casa de la Literatura, um centro cultural que ocupa uma antiga estação ferroviária
☑️ 3º dia (domingo)
Centro Histórico de Lima: Praça de Armas, Casa da Literatura, Museu Bodega y Quadra
Pra fugir do trânsito pesado de Lima, optamos por visitar o Centro Histórico no domingo. Encontramos uma área segura, bem policiada e muito movimentada, não só pela presença de turistas, mas também de muitos limenhos. 

O único porém é que, nos meses de fevereiro, a linda Catedral não abre aos domingos. Fiquei um pouquinho frustrada — queria muito mostrar aos sobrinhos a igreja construída pelos espanhóis sobre o antigo templo inca dedicado ao puma. Quando você for, contrate um guia para a visita, pois vale muito a pena. E preste atenção à excelente coleção de pinturas que tem lá.

O Centro Histórico de Lima fica bem movimentado aos domingos. Ao fundo, a Catedral
Atrações, porém é que não faltam ao Centro Histórico de Lima: vistamos a Casa de La Literatura, o Museu Bodega e Quadra (acervo do tempo da colônia), a Igreja de São Francisco e passeamos pela bonita Plaza Mayor — vimos até a troca da guarda no Palácio Presidencial, aparentemente o programa mais concorrido do Centro Histórico aos domingos.

Depois desse passeio, tocamos para Barranco, porque era hora de experimentar o Restaurante Amor Amar, especializado em frutos do mar — uma das melhores refeições que fizemos na cidade.

Pra encerrar o domingão, fomos garimpar artesanato nos muitos mercados indígenas da Calle Petit Thouars, em Miraflores, pertinho do Parque Kennedy e do nosso hotel.

O ají amarillo (acima) é uma das muitas pimentas usadas na culinária peruana
☑️ 4º dia (segunda-feira)
Lima: Museu do Ouro, Mercado de Surquillo e San Isidro
Nosso dia começou no distrito de Surco, na parte Leste de Lima, diante de um dos acervos mais bonitos que já vi nessas Américas: o Museu do Ouro do Peru. Lá você vai ver adornos riquíssimos, utensílios usados em rituais religiosos, tecidos e outros objetos que comprovam a sofisticação das culturas que floresceram no atual território peruano antes da chegada dos espanhóis. Uma visita imperdível.

A parte profana da festa em Surco foi no Restaurante Pescados Capitales, numa farra à base de frutos do mar. Grande almoço.

Uma boa causa - feito de batata, abacate e recheio a gosto (este era de camarões), a causa é um prato tão popular quanto o ceviche. E como é gostoso
Pra continuar no clima epicurista, lá fomos nós fazer a digestão entre as bancas de frutas e hortaliças do Mercado de Surquillo, pertinho de Miraflores. Uma verdadeira imersão antropológica em temperos, cheiros, texturas...

Como era a nossa última noite em Lima, antes da visita a Cusco, resolvemos fechar em grande estilo, com um jantar inesquecível no Restaurante Osaka, um japa-peruano das galáxias que fica no elegante e agradável bairro de San Isidro. Vale a pena chegar um pouco mais cedo para bater pernas pela vizinhança.

As elegantes paredes incas em uma rua de Cusco
☑️ 5º dia (terça-feira)
Cusco: chegada e passeios levinhos para aclimatação à altitude

Chegamos a Cusco ao meio dia, em voo da Avianca (cerca de 50 minutos, partindo de Lima) e nos hospedamos em La Casona de Rimacpampa, a uma quadra do Qoricancha — outro hotel barato e simpático dessa viagem.

Quatro dias em Cusco é um intervalo bem redondinho. A cidade tem muita coisa bacana pra ver e agora ganhou restaurantes interessantíssimos. Além disso, a altitude de 3.400 metros não recomenda fazer nada com pressa por lá — não é lenda de viajante, não: o soroche (mal da altitude) vai te obrigar a desacelerar.

Todas as dicas de Cusco

A Igreja da Sagrada Família, anexa à Catedral de Cusco
Pegue leve no primeiro dia, portanto. Cusco é simplesmente acachapante de linda, então, aproveite para caminhar sem pressa e sem compromisso por suas ruas, namorando a mescla de memórias incas e coloniais da cidade. Deixe as excursões para os próximos dias e guarde um tempo para um cochilo à tarde, se o corpo pedir — dormir é um santo remédio contra o mal da altitude.

Outra santa precaução para driblar o soroche é comer pouco só coisinhas leves. Mas nessa parte a gente falhou. Se você pensa que é só em Lima que a gastronomia peruana está batendo um bolão, espere os posts que vêm por aí. 

Dedicado ao deus Sol, o Qoricancha era o templo mais importante da cultura inca
☑️ 6º dia (quarta-feira)
Cusco: Qoricancha e Catedral
Se eu tivesse que escolher apenas duas atrações em Cusco (mas ainda bem que eu não preciso passar por esse sufoco), certamente elas seriam a Catedral e o Qoricancha. Os templos mais importantes dos dois povos que fizeram da cidade a sua capital valem com sobras a subida aos Andes e compõem uma narrativa resumida, mas precisa, da história e da cultura local.

A Catedral de Cusco, na verdade um complexo de três igrejas interligadas (Sagrada Família, Catedral e Igreja do Triunfo) é uma verdadeira enciclopédia de arte colonial espanhola, com todos os traços sincréticos com a cultura indígena, arrematados por arrebatadores altares dourados e majestosas telas da Escola Cusquenha de pintura.

O claustro principal do Convento de São Domingos, construído sobre o Qoricancha. Repare as paredes incas de um quarto cerimonial do Templo do Sol sob a arcada colonial
Já o Qoricancha, o Templo do Sol, me comove de todos os jeitos. Sou apaixonada pelo esplendor de suas paredes de pedra finamente lavradas e polidas, pelo significado que tinha para a vida espiritual na cultura inca, pela sua majestade ainda visível na paisagem urbana.

Não bastasse, eu vibro com ideia de que o templo, sepultado por toneladas de tijolos e estuque e adendos católicos — transformado em um convento dominicano pelos colonizadores — simplesmente sacudiu tudo isso e voltou à vida, durante um terremoto, revelando-se à luz alguns séculos depois da tentativa de apagá-lo da História. O Quricancha é muito mais que uma construção. Ele é meu herói 😉.

Uma das minhas construções favoritas em Cusco é o magnífico templo de Saqswayamán
☑️ 7º dia (quinta-feira)
Arredores de Cusco: Saqswayamán, Qenqo, Puka Pukará e Tambomachay
Essas construções incas nas montanhas ao redor da cidade são imperdíveis. Visitamos as quatro em uma tarde, tempo de duração do city tour oferecido por todas as agências da cidade, e que também passa pelo Qoricancha. Recomendo demais esse passeio.

Saqswayamán é simplesmente um espetáculo, um templo cujas muralhas traçam a forma de um raio (ou os dentes de um puma), um dos locais mais sagrados da cultura inca.

Puka Pukará, um refúgio de descanso para os soberanos incas
Q’enqo, ou “o Labirinto” teria funcionado como observatório astronômico e possivelmente local onde se embalsamavam os corpos dos cidadãos proeminentes do império.

Puka Pukará (que já se acreditou ter sido um posto de vigia) e Tambomachay foram um conjunto de edificações que serviriam de retiro de descanso para os soberanos, com vista escandalosa para a cordilheira e termas para banhos rituais.

Terraços de cultivo em Machu Picchu
☑️ 8º dia (sexta-feira)
Machu Picchu

Optamos por sair de madrugadinha de Cusco, ver Machu Picchu no turno da tarde e pernoitar em Ollantaytambo, depois da visita. Escolhemos esse esquema (em vez do clássico pernoite em Águas Calientes) para que os meninos vissem um pouquinho do Vale Sagrado,  já que não fizemos o clássico tour pela região.

Machu Picchu continua linda e fascinante além das palavras. O esquema de visitação é que mudou e ficou mais rígido: tem limite de visitantes diário, divididos em dois turnos, e regras muito mais restritivas (proibição de entrar com comida, pau de selfie e até guarda chuva), embora não tenha visto ninguém revistar mochilas na entrada.


Nós saímos de Cusco às 6 da manhã no ônibus da PeruRail para Ollantaytambo — na temporada de chuvas, de outubro a abril, é de lá que partem os trens — e chegamos a Águas Calientes por volta das 10h30.

A fila do ônibus que sobe a montanha até o Sítio Arqueológico de Machu Picchu estava bem pequenininha e a cidadela estava muito menos cheia do que em minhas visitas anteriores. Em três horas, dá para ver todos os pontos importantes de Machu Picchu — mas você vai querer ficar mais.

Na volta, pegamos o trem das 20:50h para Ollantaytambo, onde chegamos mortinhos. Nossa hospedagem foi no hotel Terra Nostra, confortável e com ótimo preço.

Todas as dicas de Machu Picchu

A fortaleza de Ollantaytambo foi um dos últimos baluartes da resistência inca frente aos invasores espanhóis
☑️ 9º dia (sábado)
Ollantaytambo e retorno a Cusco

Ollantaytambo foi um dos últimos baluartes da resistência indígena frente aos invasores espanhóis. Aos pés da fortaleza onde o líder militar Ollanta enfrentou os colonizadores, a cidadezinha se orgulha de ser a única povoação que sobreviveu, sem interrupções, à conquista europeia.

Depois do dia passado em Machu Picchu, ninguém teve joelhos para subir a fortaleza, mas eu já subi e recomendo.

Nosso hotel — com vista para as montanhas e à beira do Rio Patacancha, afluente do rio sagrado dos incas, o Urubamba — até que convidava a uma temporada mais longa em Ollantaytambo, mas nos contentamos em dormir até o corpo dizer chega, tomar um café da manhã delicioso e pegar a van para Cusco, onde nos aguardava um delicioso jantar no badalado Restaurante Chica, de Gastón Acúrio. Bela despedida de uma cidade espetacular.

Veja como foi essa etapa da viagem : Ollantaytambo – mais que uma escala para Machu Picchu

A orla do Pacífico, em Miraflores
☑️ 10º dia (domingo)
Retorno a Lima e despedid
as
Voltamos de Cusco para Lima em civilizadíssimo voo ao meio dia, com tempo para bater pernas por Miraflores sem nenhum "programa obrigatório", jantar muito bem e dizer tchau pra a cidade que nos surpreendeu e encantou.

Pegamos o voo para Guarulhos na segunda-feira já morrendo de saudades de uma viagem adorável.

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2 comentários:

  1. Cyntia,já favoritei o post e espero usar logo.Curti e acompanhei a sua viagem pelo instagram. Estava ansiosa pelos detalhes no blog.

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    1. Massa, Izabel. E que você possa usar as dicas logo :)

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