quarta-feira, 10 de novembro de 2010

De Puno a Cusco:
Como é a viagem no ônibus turístico

Templo de Wiracocha, em Raqchi, Peru, uma das paradas do ônibus turístico que faz a rota entre Puno e Cusco
Post atualizado em dezembro de 2016

O jeito clássico e confortável de ir de Puno a Cusco, no Peru, é de trem, com a Perurail. É uma viagem de cerca de 10 horas, atravessando a paisagem de transição entre o Altiplano e a Sierra. Uma alternativa muito mais econômica (10% do preço do trem) é ir no ônibus turístico, que faz o percurso no mesmo tempo, mas faz várias paradas para visitas a sítios arqueológicos e cidades interessantes.

É como uma excursão, com direito a guia – também há ônibus comuns, sem paradas turísticas, saindo em vários horários e que cumprem o percurso em cerca de seis horas.

Nós optamos pelo ônibus turístico e achei a experiência bem legal. A partida é às 7:30h da manhã, mas pode atrasar um pouquinho — no nosso caso, por exemplo, um passageiro francês estava muito mal de soroche (o mal da altitude) e tivemos que esperar para que ele se recuperasse antes de pegar a estrada
O Titicaca, em Puno, se despede da gente desfilando ao lado da janelinha do ônibus
Viajamos na empresa MER, cujos ônibus são só um pouquinho melhores que o transporte comum — o espaço entre as poltronas faz a classe econômica dos voos domésticos parecerem a executiva. São 388 quilômetros de percurso e só mesmo as paradas amenizam o pancadão.

O preço do bilhete do ônibus é de US$ 20— a passagem do trem custa US$ 220. (Atualização: o ônibus já está custando US$ 45, ou 160 soles e tem saídas diárias . O Andean Explorer, da Perurail já custa USD 292, ou 997 soles. As viagens de trem são realizadas às segundas, quartas, sextas e sábados, de abril a outubro. De novembro a março, apenas às segundas, quartas e sábados)

As escalas do ônibus
Pucará


O Museu Lítico e os famosos tourinhos: o da esquerda é original de Pucará
A primeira parada, para quem sai de Puno é em Pucará, a 3.900 metros de altitude (Puno está a 3.800). A pequena vila está despertando para o turismo e tem um sítio arqueológico importante (que não vai dar tempo de visitar).

Nessa escala, as atrações são a igrejinha colonial e o Museu Lítico, que guarda achados arqueológicos escavados nas redondezas.

A igreja colonial de São Francisco, em Pucará



Pucará é uma vila de ceramistas, muito famosa por seu artesanato. É o berço dos célebres toritos de Pucará, que estão por toda parte na Cordilheira, colocados sobre os telhados das casas peruanas, como símbolo de proteção e boa sorte. Sempre aos pares.

Queria encontrar um tourinho para completar minha parelha — a estabanada aqui quebrou um dos bichinhos comprados há muitos anos, em Pisac. Na correria, porém, nada de toritos para mim.

La Raya
Mirante de La Raya: além da vista, tem a feirinha de artesanato. Comprei um cachecol lindo por 10 soles (que esqueci no hotel, em Nápoles, em 2014)
À medida que se afasta de Puno, o ônibus vai nos levando para fora do Altiplano — onde avistamos à distância os picos de até 6 mil metros, com a sensação de que eles estão na altura da nossa testa. Estamos indo em direção à Sierra, região da Cordilheira onde os vales nos oferecem a dimensão exata da altura magnífica das montanhas.


A despedida do Altiplano é em La Raya, um mirante a 4.335 metros de altitude — ponto mais alto de toda a viagem. O ônibus faz uma parada aqui e a vista espetacular sofre a forte concorrência do mercadinho de artesanato montado à beira da estrada. Aqui, também, nos despedimos da Província de Puno. Entramos em terras cusqueñas.

Do Altiplano à Sierra
Sicuani
Não se engane com a fofura aparente. Esses bichinhos são descendentes dos velocirraptors 😎
A parada aqui é para um “almoço-buffet” incluído na passagem. A comidinha, servida no restaurante de beira de estrada, é muitíssimo meia-boca. Divertidas, mesmo, são as lhamas com alma de velocirraptor que pastam no gramado em frente ao restaurante, para distrair os turistas — e avançam, furiosas, sobre os incautos.

Pode me chamar de desalmada, mas jamais assinei a filiação ao fã-clube das lhamas. Talvez eu nunca as tenha perdoado por fazerem xixi na grama de Machu Picchu — e impregnar minha calça jeans com um cheiro insuportável, na primeira vez que estive lá. Mas acho que a implicância é porque as lhamas cospem. É verdade: todos os camelídeos fazem isso, mas as lhamas, parece, são mais afeitas ao costume...

Raqchi
Templo de Wiracocha. Os telhadinhos foram acrescentados pelos arqueólogos para evitar a infiltração da chuva nas paredes de adobe
Depois do almoço, o destino é Raqchi, onde está a atração mais bacana dessa jornada: as ruínas do Templo de Wiracocha.

O povoado de Raqchi é bem pequenininho, com uma igrejinha de pedra em torno da qual agrupam-se algumas casas. O templo, porém, ainda sugere a grandiosidade que deve ter tido, antes da chegada dos espanhóis.

Eu e Simone, minha irmã, no centrinho da Vila de Raqchi

Raqchi tinha mais de 120 silos para armazenar alimentos
Raqchi era uma espécie de Cobal dos Incas: aqui eram reunidos e armazenados os produtos do Altiplano, para serem despachados à Sierra, e vice-versa. Era um centro de abastecimento essencial a Cusco e às povoações da área do Titicaca. Uma parte interessante das ruínas são os restos dos cerca de 120 silos que havia ali.

Andahuaylillas

A cidadezinha de Andahuaylillas, última parada antes de Cusco
Nossa última parada, antes de Cusco, é a cidadezinha de Andahuaylillas, onde a igreja de San Pedro y San Pablo disputa com a capela de Chinchero o título de “Sistina dos Andes”. Os afrescos e as pinturas da igrejinha são realmente espetaculares. Quando estivemos lá, o edifício estava passando por cuidadosa restauração.

A Igreja de São Pedro e São Paulo disputa o título de "Cistina das Américas", graças aos belos afrescos que adornam seu interior. As pinturas não podem ser fotografadas
Afrescos nas paredes externas da igreja. O edifício estava sendo restaurado quando passei por lá
 Dicas práticas


A rota turística Puno-Cusco (ou vice-versa) é operada por diversas empresas, como a MER e a Inca Express. Como já disse, o bilhete custa US$ 45.

Quem não se interessar pelas paradas no caminho, pode optar pelo ônibus comum, que faz a viagem em sete horas (o ônibus diurno) ou em quase 12 horas (o noturno, que é um carro leito). Custa US$ 25, ou 70 soles


O pessoal que encontrei na viagem elogiou o ônibus noturno, leito. Eu, porém, gostei da alternativa escolhida, especialmente pela possibilidade de ver a paisagem ir mudando, na transição do Altiplano para os vales da região de Cusco. É como se as montanhas saltassem da terra e começassem a crescer à nossa volta. Recomendo.

Locais de partida/chegada

Em Puno: Terminal de ônibus particular Avenida Costanera nº 430

Em Cusco: Terminal particular na Avenida 25 de Júlio X 1-2

Todas as dicas, planejamento e percurso desta viagem
Peru e Bolívia: Roteiro de La Paz a Machu Picchu

O Peru na Fragata Surprise
Cusco
Lima
Machu Picchu
Puno
Vale do Urubamba (Ollantaytambo, Pisac, Chinchero)

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12 comentários:

  1. Cyntia, fiz o trajeto contrário (mas as mesmas paradas) em junho passado. Estou aqui relendo para escrever meu post hehehe O tempo em cada parada é bem corrido mesmo, mas se não fosse assim, duvido que a gente tivesse conhecido esses lugares. O almoço continua sofrível. Mas se é pra sacolejar no busão por muito tempo, melhor parando do que a noite inteira sem dormir direito...

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    1. Pois é, Fernanda, gostei do esquema, pois pelo menos vai quebrando a monotonia da viagem com essas paradas. De trem talvez seja mais confortável, mas o preço não anima :)

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  2. Oi. Comprei hoje passagens de Cusco pra Puno no site da empresa Turismo Mer. Comprei através do paypal mas não recebi nenhuma confirmação ou comprovante de que terei os tickets ainda. Eles não tem e-mail nem nada no site. Só um link da página do facebook que já entrei em contato mas ainda não viram. Como você fez pra comprar as passagens? comprou lá na hora mesmo?

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    1. Oi, Darwin, as passagens foram compradas em Puno, mas não por nós. Tínhamos fechado um pacote com a Stop Tours, que providenciou todos os bilhetes, de La Paz a Cusco (para Tiwanaku, para a Ilha do Sol, para a Ilhas Flutuantes dos Uros e para Cusco), exatamente porque era bem complicado, em 2010, fazer essas compras pela internet.

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    2. Puts. Tomara que não me deixem na mão na hora. Só tenho comprovante de pagamento do paypal para imprimir e que não me garante nada a data nem o nome de ninguém, nem horário do ônibus.

      O trem de cusco>machu picchu tive problemas também. Comprei passagem ida e volta e recebi os tickets para imprimir de todos, menos a minha ida para Machu Picchu. Agora ninguém responde e-mail também.

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    3. Darwin, já tentou o call center deles? +51 84 245 171. Emergency 24 Hours:
      +51 959 375 371. Neste site aqui: http://www.turismomer.com/

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    4. Acabei de receber um e-mail de confirmação das passagens! Obrigado pela atenção. Agora só falta uma resposta da perurail sobre meu ticket.

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    5. Quando comprei o bilhete do trem pra MPicchu, não tive problemas. Mas a Peru Rail tem escritórios em Puno e em Cusco, vc pode dar um pulo lá pra tentar resolver.

      E os ingressos pra Machu Picchu, já comprou?

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    6. minha viagem pro peru é em junho, não tem como eu dar um pulo lá. E prefiro não esperar até o último dia pra resolver isso... vai que eu fico sem a passagem de ida pra montanha né?

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    7. Então, se não chegar até lá, vc pode resolver o parangolé na sede da PeruRail. Mas o bilhete deve chegar antes :)

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    8. Eu liguei pra peru rail e me pediram pra mandar para outro endereço de email para verificarem o problema, agora vamos ver.

      Os ingressos de Machu Picchu consegui comprar direto no site sem nenhum problema com meu cartão Visa, e nem verified by visa ele tem.

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