4 de julho de 2018

Ollantaytambo – mais que uma escala para Machu Picchu

Entre as construções incas do Vale do Urubamba, o Sítio Arqueológico de Ollantaytambo só fica atrás de Machu Picchu em importância
Já faz um tempinho que Ollantaytambo se consolidou como ótima opção de pernoite para quem vai a Machu Picchu. A pouco mais de uma hora de trem do sítio arqueológico, essa vila é o núcleo urbano mais antigo do Vale do Rio Urubamba — o Vale Sagrado dos Incas — uma ocupação iniciada ainda no esplendor do império e jamais abandonada.

Dotada de boa infraestrutura para o turismo sem perder suas características de autêntica vila inca, Ollantaytambo tem atrativos de sobra para justificar a parada e o pernoite que vão além da praticidade, para quem está a caminho de Machu Picchu. Começando pelo espetacular Tambo de Ollanta, um sítio arqueológico impressionante, bem no centro da povoação.

O povoado de Ollantaytambo visto do topo da fortaleza
Em uma visita a Ollantaytambo, você vai encontrar bons hotéis, bons restaurantes, artesanato de qualidade e, principalmente, um jeito de viver que remonta ao tempo dos incas e permanece muito bem preservado pelo povo quéchua.

Antes de escolher entre Cusco, Ollantaytambo e Águas Calientes como base para a visita a Machu Picchu, veja este post: Machu Picchu: onde pernoitar

O "Tambo de Ollanta" tem até uma história romântica no currículo
➡️ O que ver em Ollantaytambo
A grande atração de Ollantaytambo são as espetaculares ruínas do tambo do imperador Pachacútec. Os tambos incas eram estruturas que se aproximavam, em conceito e finalidade, dos castelos medievais europeus. Serviam como fortalezas para a defesa de determinado território, como núcleo habitacional, pouso para tropas e viajantes e centro de governo.

Há controvérsias sobre a história e o nome do local. Os guias turísticos costumam oferecer a versão mais romântica. O “Tambo de Ollanta” teria ganhado seu nome do general plebeu que se apaixonou e conquistou a filha de um imperador.

A montanha em frente ao tambo ainda conserva vestígios dos silos usados para armazenar alimentos e ajudar a abastecer o Império Inca
A construção seria muito anterior aos incas, com origem em uma fortaleza do povo aymará. O que se sabe é que foi Pachacútec, o grande construtor do Império Inca, o primeiro a incorporar o local como estrutura de ocupação do Vale do Urubamba, ordenado grandes obras de fortificação e a edificação de templos, palácios e terraços de cultivo no tambo.

Após a invasão espanhola, Ollantaytambo foi um bastião importante para a resistência andina, liderada por Manco Inca Yupanqui.

O tambo contava com diversos templos e palácios
Depois de Machu Picchu, Ollantaytamo é a estrutura inca mais impressionante que você encontrará no Vale do Urubamba. Não se deixe intimidar pelos infinitos degraus que levam ao alto da fortaleza, que parecem alcançar as nuvens. A subida ao topo da construção é imperdível, ainda que você tenha que dosar o fôlego degrau a degrau — a 2.800 metros de altitude, essa é uma sábia providência.

Prefira fazer a visita com um guia, para compreender melhor o contexto e a utilização de cada estrutura que você verá por lá.

O ingresso para o sítio arqueológico de Ollantaytambo é o boleto turístico de Cusco.

Saiba mais sobre esse passe que dá acesso a 16 atrações da região: Cusco - desvendando o boleto turístico

A entrada do sítio arqueológico e a feirinha de artesanato de Ollantaytambo
Depois da visita às ruínas da fortaleza, se ainda sobrar fôlego, você pode subir a montanha em frente, onde ainda resistem diversos silos destinados ao armazenamento de grãos – lembre-se que os tambos funcionavam também como centros de abastecimento, servindo como ponto de distribuição de alimentos pelas rotas do Império Inca — e tentar desvendar a famosa “cara do inca” esculpida na pedra pelo vento.

Longe das alturas, a vila de Ollantaytambo merece ser explorada com atenção. Essa é uma das povoações contínuas mais antigas do Peru, um núcleo urbano inca que resistiu ao avanço do tempo e dos colonizadores. Pelas ruazinhas estreitas da vila, você vai ver muitos restos de construções incas ainda em uso.

Construções incas na vila de Ollantaytambo
O povoado já é bem servido de bares, cafés e restaurantes e tem um mercado de artesanato bem sortido.

Sobre o tour a Ollantaytambo e outras atrações do Vale do Urubamba, leia este post:
Um dia no Vale Sagrado dos Incas

Não se intimide com os degraus. A subida ao tambo é uma das atrações mais bacanas de todo o Vale Sagrado dos Incas

➡️ Como chegar a Ollantaytambo
Ollantaytambo está a 70 km de Cusco, uma viagem de quase duas horas, graças às muitas curvas, subidas e descidas da estrada.

Para quem não está com carro alugado, o jeito mais econômico de chegar é pegar uma van, o chamado “transporte compartido (compartilhado)”, serviço com vasta oferta na região. O preço da passagem entre Cusco e Ollantaytambo depende da cara do freguês e custa entre 10 e 15 soles para estrangeiros — os motoristas sempre vão cobrar três vezes mais caro de um turista que de um local.

Chegada à estação ferroviária: apesar dos atrativos próprios, foi o trem pra Machu Picchu que colocou Ollntaytambo no mapa turístico
Para não correr riscos desnecessários, pergunte no seu hotel ou pousada sobre algum motorista de confiança ou recorra à única empresa registrada com site da internet que oferece o serviço, a Real Inca.

Se não der para contar com uma dessas alternativas, no mínimo faça uma “vistoria” no veículo disponível, antes de embarcar. Dê uma olhadinha no estado dos pneus e na conservação aparente da van. A estrada entre Cusco e Ollantaytambo é muito perigosa e um carro caindo aos pedaços é sempre um péssimo indicativo.

Olha o trem pra Machu Picchu aí 😀
Não existe uma rodoviária em Cusco. As vans para Ollantaytambo e para a cidade de vizinha de Urubamba partem de um terminal meio improvisado a cerca de 1 km da Plaza de Armas, na Calle Pavitos, esquina com a Calle K’uichipunku, perto da estação ferroviária de Wanchaq.

Para voltar de Ollantaytambo a Cusco, é bem fácil encontrar vans na pracinha central do povoado. Agora em fevereiro/2018, os motoristas estavam cobrando 10 soles por pessoa. Pegamos uma van bem novinha, que fez muitas paradas no caminho para deixar e recolher passageiros. A viagem levou cerca de uma hora e meia.

Ollantaytambo está cercada pela montanhas
Trafegar por uma estrada andina (e de montanhas, em geral) requer sempre algum sangue frio para encarar as curvas e os abismos que passam bem ao lado da janelinha. E se você achar que o motorista está acelerando demais ou cometendo imprudências, não tenha vergonha de reclamar e pedir para que ele diminua a velocidade.

Para detalhes sobre a viagem de Ollantaytambo a Machu Picchu, veja este post: 
Como chegar a Machu Picchu


As paredes envidraçadas do Hotel Terra Nostra trazem as montanhas pra pertinho da gente
➡️ Hospedagem em Ollantaytambo
Como já falei, a oferta de hotéis em Ollantaytambo cresceu e melhorou muito desde a minha primeira visita à cidade, em 2002. O tempo dos albergues precários para quem pernoitava na vila para embarcar cedinho no trem Backpacker para Machu Picchu ficou para trás e já é tranquilo encontrar hospedagem bem estruturada e confortável no povoado, a preços bem razoáveis — na casa dos US$ 55 de diária em apartamento duplo, com café da manhã .


O riacho Patacancha passa bem atrás do hotel
⭐ Hotel Terra Nostra Ollantaytambo
Avenida Occobamba 480
O Hotel Terra Nostra está instalado em um edifício de dois andares, construído em pedra e madeira e tem generosíssimas vidraças que o integram completamente às montanhas ao redor. 

O jardim e a sala de estar do Hotel Terra Nostra
Fica em uma rua bem próxima ao centrinho do povoado, a cerca de 1 km da Estação Ferroviária. O jardim do hotel fica debruçado para o Rio Patacancha, que deságua no Urubamba.

Nós ficamos em um quarto triplo com vista para a montanha. O apartamento tem cerca de 25 m² e é dividido em dois ambientes: uma saleta, com sofá, poltronas e TV e uma cama de solteiro, e o quarto propriamente dito, onde estão mais duas camas de solteiro, mesinha de trabalho e uma estante para acomodar a bagagem. 

O quarto/ saleta do nosso apartamento
Os dois espaços se comunicam por um janelão que pode ser vedado por uma cortina. A saleta tem uma parede envidraçada com vista para as montanhas.

Gostei da qualidade das camas, roupa de cama e banho e dos travesseiros. A calefação funcionou bem e nossa estadia foi bem confortável. 

O banheiro não era grande, mas novinho, limpo e bem equipado — gostei das prateleiras para acomodar roupas e nécessaires.

Nem prestei atenção na programação da TV a cabo, mas o WiFi funcionou bem direitinho.

O dormitório principal
As áreas comuns do Terra Nostra são decoradas com bom gosto e bastante confortáveis. Não aproveitamos muito, porque chegamos tarde e saímos para Cusco no dia seguinte de manhã, mas, achei o hotel bastante limpo e bem cuidado.

O hotel tem estacionamento gratuito para hóspedes e oferece transfer (pago) para o Aeroporto Velasco Astete, em Cusco.

Os dois ambientes se comunicam por um janelão. Atrás daquela cortina, ao fundo, está uma parede envidraçada com vista para as montanhas (abaixo)

Nossa diária não previa o café da manhã e acho que nem estava sendo servido — fiquei com a impressão de que éramos os únicos hóspedes, coisas de fevereiro, baixíssima temporada na região.

Eu gostei bastante do Hotel Terra Nostra e voltaria a me hospedar lá. Pagamos a mesma diária que estava acertada com o hotel originalmente reservado, US$ 53 para três hóspedes, sem café da manhã.

O centrinho de Ollantaytambo
⛔ Um perrengue antes da hospedagem
Eu tinha reserva no hotel Casa del Abuelo Riverside, que tem ótimas avaliações no Booking (cotado como “fabuloso”, nota 8,7 pelos hópedes), mas aconteceu uma coisa bizarra na minha chegada ao povoado: quase 11 da noite, exaustos do dia em Machu Picchu, chegamos ao hotel e ele estava “fechado para reformas”. Encontramos um bilhete na porta, mandando que nos dirigíssemos ao Hotel Terra Nostra, que fica praticamente em frente.

Detalhe importante: a reserva tinha sido feita apenas 48 horas antes, o que torna ainda mais incompreensível a “reforma” repentina—e foi imperdoável que não houvesse qualquer comunicação por e-mail da Casa del Abuelo avisando que não teria condições de nos receber.

Passado o susto (embora o Terra Nostra ficasse bem pertinho, levamos um tempinho para descobri-lo), deu tudo certo na nossa nova hospedagem.

➡️ Onde comer em Ollantaytambo


⭐ Hearts Café
Avenida Ventiderio s/n. Diariamente, das 7h às 22h.

No fiquei em Ollantaytambo o suficiente para uma jornada gastronômica, mas deu tempo de tomar uma café da manhã mega delicioso no Hearts Café, uma casa de aparência despretensiosa, bem atrás do sítio arqueológico.

Nosso ótimo café da manhã
As panquecas de banana com maple syrup e os sanduíches estavam deliciosos, assim como o café expresso muito bem tirado. Pagamos 66 soles pela refeição (R$ 78/ US$ 20).

O Hearts café aceita cartão de crédito, tem um serviço super eficiente e simpático e tem uma localização bem conveniente. Recomendo muito.


O Peru na Fragata Surprise
Peru: roteiro de 10 dias com Lima, Cusco e Machu Picchu
Peru e Bolívia – roteiro de La Paz a Machu Picchu


Minha vida com Gastón (Acúrio) – as aventuras da Fragata nos restaurantes do chef-celebridade

Cusco
Lima
Machu Picchu
Puno
Andahuaylillas, Pukará e Raqchi
Vale do Urubamba (Písac, Ollantaytambo e Chinchero)


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