4 de março de 2018

Lima - dicas práticas

Falésias de Miraflores, Lima, Peru
Encanto limenho: as falésias de Miraflores e o azul do Pacífico
Gente, como Lima está maravilhosa! Sou uma velha fã da capital peruana, mas tenho que admitir que desta vez ela superou todas as expectativas.

Bonita, bem cuidada, animadíssima e cheia de atrações bacanas, Lima se consolida como um grande destino de viagem. 

Eleita “capital gastronômica da América Latina”, ela arrasa mesmo no quesito restaurantes, mas não se limita a engordar seus visitantes.

Com 9 milhões de habitantes, a cidade à beira do Pacífico tem paisagem, história, boemia e uma simpatia rara em metrópoles desse porte.

Plaza Mayor, Centro Histórico de Lima, Peru
O Centro Histórico de Lima está muito bem cuidado e seguro
Faz tempo que Lima deixou de ser apenas uma escala para quem vai a Cusco, Machu Picchu e outros destinos no Peru.

A apenas 4h30 de distância dos principais aeroportos do Brasil e com passagens a preços acessíveis — ainda mais que ela tem sido figurinha frequente nas promoções das companhias aéreas — a capital peruana é uma grande opção até para feriados prolongados.

Neste post tem todas as dicas práticas para você planejar sua viagem: como chegar a Lima, como circular, segurança, internet, hospedagem, transporte, preços e câmbio . O resto é com você — e vai ser paixão.

Meu roteiro de 10 dias no Peru (Lima, Cusco e Machu Picchu)
Documentos para viajar ao Peru
Brasileiros podem entrar no Peru apenas com a carteira de identidade (o RG mesmo). Não são aceitos documentos de identidade funcional ou profissional.

Por enquanto, o Peru não exige o Certificado Internacional de Vacinação para brasileiros que ingressam no país (mas você, que é uma leitora previdente, já está imunizada contra a febre amarela, né? Vacina não é só pra viajar 😉).

Documentos necessários para viajar ao Peru
Prestes a apertar o cinto: são só 4h30 de Guarulhos a Lima
Como chegar a Lima
A Avianca e a Latam são as companhias operantes no Brasil que oferecem o maior número de voos pra Lima.

Os preços variam muito, dependendo do período da viagem e da antecedência da compra. Com um bom planejamento, dá para encontrar passagens ida e volta na casa dos R$ 1.200.

Se você vai partir de Brasília, Manaus, Recife, Fortaleza ou Salvador, vale a pena também dar uma pesquisada nos preços da Copa Airlines, que voa para Lima com conexão na Cidade do Panamá.

➡️Como ir do Aeroporto de Lima para Miraflores
O Aeroporto Internacional Jorge Chávez fica no distrito portuário de Callao, a 20 km do distrito de Miraflores, a região de hospedagem preferida para quem vai a Lima a passeio.

A distância é curta, mas prepare-se para uma viagem de pelo menos 40 minutos entre o aeroporto e Miraflores, à noite ou nos fins de semana, ou de até 1h30, nos dias de semana.

Huaca Pucllana, Lima, Peru
A milenar Huca Pucllana, santuário pré-inca, cercada pela paisagem contemporânea de Miraflores
Na chegada à capital peruana — com o cansaço dos voos e espera pelas conexões — vale a pena contratar um transfer para ir do aeroporto ao local de hospedagem.

A maioria dos hotéis oferece o serviço. É bem confortável encontrar o motorista esperando assim que você atravessa a porta do desembarque.

Essa foi nossa opção, na chegada a Lima, onde pousamos por volta das 22 horas.

Depois de um dia inteiro entre voos e aeroportos, imigração e espera pelas malas, foi ótimo não ter que me preocupar com o transporte para o hotel.

Agendei o transfer quando fiz a reserva de hospedagem, direto com o hotel.

➡️O transfer do aeroporto até nosso hotel em Miraflores custou US$ 24. Essa tarifa fica  próxima à cobrada pelos táxis oficiais do aeroporto (60 soles ou US$ 18 até Miraflores).

➡️ Nos demais deslocamentos entre Miraflores e o aeroporto (na ida e volta de Cusco e no dia de embarcar para o Brasil), usamos o Uber (cerca de 36 soles, ou US$ 11) e táxi.

Praia de Miraflores, Lima
O Pacífico é geladinho, mas tem quem encare o mergulho
➡️ Dinheiro em Lima
A moeda peruana é o Nuevo Sol, identificado pela abreviação PEN, que está empatadinho com o nosso Real (1 real = 0,9988 PEN).

Só lembre que ao pagar as contas com cartão de crédito ou débito você deve acrescentar os 6,38% de IOF.

➡️ Câmbio – a melhor moeda para levar para o Peru e onde trocar dinheiro
Apesar do “empate técnico” entre o Real e o Nuevo Sol, não caia na besteira de levar reais para trocar no Peru, pois o câmbio da nossa moeda por lá é bem desvantajoso.

➡️A melhor moeda para levar para o Peru é o dólar.

Nos dias que passei no Peru, a cotação oficial do dólar era de PEN 3,25.

As casas de câmbio em Miraflores estavam trocando a PEN 3,24 ou PEN 3,23.

Aliás, essas casas de câmbio me parecerem o melhor lugar para trocar dinheiro. É é bem fácil encontrar uma: as ruas principais de Miraflores, como a Avenida Larco, estão cheias delas.

Casa da Literatura Peruana, Lima
Uma antiga estação de trens no Centro Histórico virou um centro cultural muito bonito, a Casa de la Literatura
➡️ Uma peculiaridade limenha são os cambistas que atuam na rua (identificados por coletes e com um crachá fornecido pelas autoridades).

Lembro de ter usado esse serviço na primeira viagem ao Peru, mas confesso que não tenho sangue frio pra trocar dólares na via pública — tenho medo é de não fazer as contas direito ou receber notas falsas.

A cotação dos cambistas nas ruas costuma ser mais vantajosa, mas eu prefiro não arriscar.

Não fiz câmbio no aeroporto, porque a taxa de conversão estava desvantajosa e ainda por cima tinha cobrança de comissão de 3% — como eu tinha contratado um transfer, não ia precisar de soles ali na hora.

➡️Uma dica: se você vai seguir viagem pelo Peru, tente já levar soles suficientes ao sair de Lima.

A cotação do dólar em Cusco é muito pior que na capital. Cheguei a encontrar lugares que pagavam PEN 3,15 por um dólar...


Comer em Lima - Restaurante Cala
Degustação de sobremesas no Restaurante Cala. Tente não suspirar 😋
Preços em Lima
No geral, achei os preços em Lima bem moderados. A cidade não é uma pechincha, mas me pareceu um pouquinho mais em conta que as grandes capitais brasileiras.

Nos hospedamos em hotéis básicos, mas bem decentes e confortáveis, ambos em Miraflores, com excelente localização.

Na Casa Suyay, onde passamos cinco noites na chegada a Lima, pagamos US$ 87 por diária, com café da manhã, em apartamento triplo.

Na volta de Cusco, ficamos no Hotel Señorial, em um padrão um pouquinho superior, e a diária foi de US$ 114, também em apartamento triplo e com café.

➡️ Nossos gastos mais significativos em Lima foram com as refeições — não faz o menor sentido visitar a nova capital gastronômica da América Latina e comer sanduíches, né?

A não ser, claro, que seja um hambúrguer de grife, como o do Papacho’s, casa do estrelado chef Gastón Acúrio, onde se paga 40 soles por cabeça por um ótimo sanduba, com acompanhamentos e bebidas.

Comer em Lima - Café Juan Valdez
Pausa no Juan Valdez Café, no Shopping Larcomar
➡️ Nos restaurantes mais badalados, como o Osaka, Pescados Capitales e Amor Amar, prepare-se para desembolsar 100 soles por pessoa, com bebidas alcoólicas e sobremesas.

➡️ Na faixa mais moderada, calcule gastar entre 60 e 70 soles por pessoa, como na Bodega de la Trattoria, rede da chef Sandra Plevisani (famosa por suas sobremesas).

➡️ Uma pausa no  Juan Valdez Café — rede latino-americana que consegue encarar o Starbucks—custa menos de 40 soles para três, com direito a latte, chocolate quente, café expresso e uma fatia enorme de uma torta de chocolate divina.

Onde comer em Lima

➡️ Os preços dos museus variam bastante. O mais caro é o Museu do Ouro, que cobra 33 soles e não oferece meia-entrada.

No Museu Larco (maravilhoso!), a entrada custa 30 soles e estudantes pagam 15.

O Museu Larco, o Museu do Ouro e o requinte do Peru pré-colombiano

Na Huaca Pucllana, a visita guiada (programaço) custa 12 soles e o Museu Bodega y Quadra (interessante, embora modesto em acervo) cobra apenas 4 soles (estudantes pagam a metade).

Museu Larco, Lima
O Museu Larco, meu preferido em Lima, oferece meia-entrada a estudantes brasileiros
➡️ Política de meia-entrada no Peru
Eu presto pouca atenção no assunto meia-entrada, porque faz tempo que deixei de estudar e ainda falta um pouquinho pra chegar à terceira idade (só um pouquinho😉).

Nesta viagem com os sobrinhos, porém, observei um monte de museus e atrações que oferecem meia-entrada a estudantes, mesmo estrangeiros.

A carteira de estudante brasileira, dentro do prazo de validade, é aceita normalmente — inclusive em Machu Picchu e atrações de Cusco — e o desconto representa uma boa economia. Em alguns lugares, o estudante tem que ser menor de 23 anos para fazer jus ao benefício.

Transporte em Lima
Em Miraflores, dá pra fazer praticamente tudo a pé. Para ir a outros bairros, usamos sempre o Uber, serviço que funciona bem direitinho na cidade, com preços bem razoáveis.

Para você ter uma ideia das tarifas do Uber em Lima:

➡️ De Miraflores ao Centro Histórico de Lima: 15 soles (US$ 4,60)

➡️ Do Centro Histórico a Barranco: 18 soles (US$ 5,50)

➡️ De Miraflores a San Isidro: 8,50 soles (US$ 2,60)

➡️ De Miraflores a Surco/Museu do Ouro: 24 soles (US$ 7,30)

Huaca Pucllana, Lima, Peru
 Huaca Pucllana
➡️ O interessante é que muitos taxistas atendem também pelo Uber. Então, se você chamar o serviço e aparecer um táxi, não se assuste. O preço da corrida será o contratado pelo aplicativo.

O transporte público de Lima parece ter melhorado muito, comparado com a loucura que eram aquelas vans caindo aos pedaços, abarrotadas de gente, que eu vi por lá nas duas primeiras vezes em que visitei a cidade (em 2002 e 2003). Mesmo assim, não experimentamos.

➡️Os táxis de Lima continuam os mesmos: eles não usam taxímetro, então, é necessário negociar o preço da corrida antes de embarcar, para evitar surpresas desagradáveis.

Pergunte sempre no hotel ou restaurante quanto custa o deslocamento que você quer fazer ao chamar o táxi, para ter uma base.

Miraflores, Lima, Peru
Não é chuva, é névoa, fenômeno muito comum em Lima
➡️ O trânsito em Lima
Ah, o legendário, voraz, estrepitoso e emaranhado trânsito de Lima...é verdade que ele parece ter melhorado um bocado na última década, mas o bicho ainda impõe respeito.

Além de ficar meio surda com o buzinaço permanente. Tem até campanha da Municipalidade de Miraflores, com multas de 162 soles para os barulhentos e cartazes implorando que o motorista saque la mano del cláxon (tire a mão da buzina).

A consequência mais danosa do tráfego pesado é exigir que se planeje bem os deslocamentos mais longos.

➡️Chegar atrasada no museu, ok, afinal, estamos de férias. Mas quando você for para o aeroporto, pelamordedeus, lembre-se de sair no mínimo 3h30 antes do voo.

Uma hora e meia é o tempo que você pode levar no trânsito. Duas horas são a antecedência mínima exigida pelas companhias aéreas no Peru, mesmo para voos domésticos.

Parque Kennedy, Lima, Peru
O Parque Kennedy, em Miraflores, está sempre muito movimentado
Hospedagem em Lima: onde é melhor?
Eu até já tentei fazer diferente, mas todas as minhas estadias em Lima foram no distrito de Miraflores.

O bairro é bonito, bem cuidado, seguro e tem oferta de hotéis para todos os bolsos.

Miraflores tem parques agradáveis, comércio de todo tipo, vida noturna animada e opções infinitas de restaurantes, cafés e lanchonetes. Não é à toda que nove entre 10 turistas ficam lá.

Ao lado de Miraflores, eu sempre estico o rabo de olho para o lado de San Isidro, bairro elegante e bem servido de hotéis, comércio e restaurantes. Mas eu sempre refugo diante do preço da hospedagem.

Lima: o que fazer em Miraflores e arredores
Hospedagem em Lima: dois hotéis em Miraflores


➡️ Segurança em Lima
Caminhar à noite por Miraflores e San Isidro não é uma aventura arriscada. São regiões muito seguras, como atestam as casas sem muro e sem grades que você verá às pencas por lá — e como atestamos nós, que exploramos esses bairros a pé e sem susto durante nossa estadia. A parte turística de Barranco também é muito tranquila.

Esses, porém, são bairros nobres de Lima, cartões postais que atraem turistas do mundo inteiro.

Em outras áreas de Lima, convém tomar um pouco mais de cuidado. A capital peruana, entretanto, é mais segura que a maioria das grandes cidades brasileiras.

Miraflores, Lima, Peru
A vista noturna do Shopping Larcomar, em Miraflores
Segundo Manu e Bia, que moram em Lima e escrevem o ótimo blog Cup of Things, cheio de dicas espertíssimas da cidade, “é dificílimo você ver notícias de latrocínios, assalto a mão armada ou roubos meticulosamente arquitetados, contudo, o índice de furtos é muito alto” (siga o link para ver o post).

É um testemunho bem parecido com o da minha amiga Suzane Tavares, que mora em Lima há sete anos.

Em 2003, minha amiga Izabel comprovou essa história na prática: ela se distraiu com a bolsa, em uma lanchonete do Centro Histórico e teve a carteira roubada. 

Lima, Peru

➡️ Chip de Internet em Lima
Não sei se isso acontece com todas as operadoras, mas quando desembarquei em Lima, meu celular estava conectadíssimo ao roaming da Vivo, sem que eu tivesse autorizado. 

 Se isso acontecer com você, não fique feliz, pois logo em seguida você receberá um SMS avisando que o serviço custa R$ 39,90 por dia (!!!!) e basta usar qualquer função (mensagem, e-mail, voz) para ativá-lo automaticamente — foi a primeira vez que vi isso, em outros países, a empresa me oferece a possibilidade de usar o roaming, mas a ativação depende do envio de uma mensagem específica, fazendo a solicitação.

Para encurtar a história, é claro que eu não paguei R$ 39,90 por dia. Preferi comprar um chip pré-pago da Claro (tem uma loja na Avenida Larco nº 652, a dois passos do Parque Kennedy). Paguei 35 soles por um pacote de 3 Giga de internet, o suficiente para os 10 dias desta viagem.

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3 comentários:

  1. Muito Obrigado pelas dicas, meu plano é ficar apenas um dia, e por isso seu post foi muito útil para que eu não perca muito tempo. Abs.

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    1. Que bom que a Fragata foi útil. Aproveite Lima, é uma grande cidade :)

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  2. oiee, to indo pra lá essa semana! obrigada pelas dicas!!!

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