sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Eu gosto de Lima

Palácio Arquiepiscopal, Plaza Mayor
Te lleva hacia los zaguanes y a los pátios encantados
Te lleva hacia las plazuelas y a los amores soñados
(Fina Estampa, letra e música da limenha Chabuca Granda)

Música deste post: La Flor de la Canela, Caetano Veloso

Eu gosto de Lima. Apesar do trânsito ensandecido, do céu permanentemente cinza e opressivo — uma espécie de “mormaço seco”, se é que isso é possível — e do onipresente marrom da paisagem, impresso nas montanhas e na profusão de casas inacabadas.

Eu gosto de Barranco, o bairro boêmio de casarões da virada do Século XIX para o XX. Gosto do belo penhasco de Miraflores. De tropeçar em sítios arqueológicos, em plena “vida normal” de uma metrópole de 9 milhões de habitantes. Gosto especialmente de Pueblo Libre, com sua cara de cidade de interior e seus museus cheios de tesouros — O Museu Larco e sua coleção de arte pré-colombiana e o Museu Nacional de Arqueologia são imperdíveis.
Centro de Lima. Ao fundo, a torre da Igreja de San Francisco
Eu gosto tanto de Lima que voltei. É a minha terceira visita. O trânsito ainda é infernal, mas já não parece tão dolosamente homicida: os motoristas começam a respeitar as faixas de pedestres, as conversões proibidas no meio das avenidas já não são testemunhadas com frequência e não vi uma batida sequer, ao longo de oito horas — costumava contar várias a cada hora, há sete anos.

Eu gosto de ceviche, com muito aji e generosas fatias de camote. Gosto de pisco sour e de chirimoya. Adoro suspiro limenho — mas detesto Inca Cola que, felizmente, não é obrigatória para visitantes.

O penhasco sobre o Pacífico, em Miraflores
Gosto de debruçar na balaustrada do Malecon de Miraflores, sobre o penhasco, e ver a garotada surfar no Pacífico gelado. Pode conferir: a qualquer hora do dia, a qualquer dia da semana, eles estão lá — cobertos de neoprene da cabeça aos pés, que ninguém é de ferro.

Gosto do ar elegante de San Isidro, do footing quase provinciano no Parque Keneddy, das multidões de pequenos escolares na Plaza Mayor.

Eu gosto de andar pela cidade, cantarolando permanentemente algum trechinho de La Flor de la Canela — a canção da limenha Chabuca Granda “incorpora” em mim toda vez que ponho os pés em Lima e expressa com perfeição aquela sensação de felicidade-e-eu-nem-sei-por-quê que me assalta, toda vez que estou aqui.  (Mas eu canto a versão de Caetano Veloso, por causa do sotaque baiano...)

O trânsito no Centro de Lima ainda engarrafa,
mas já não se vê a sanha homicida de antes
Casa de la Literatura: 
Lima celebra seu Prêmio Nobel
Embora eu não goste das atuais posições políticas de Mário Vargas Llosa, gosto da memória que ainda guardo das sensações provocadas pelas primeiras leituras de seus livros: La Ciudad y los Perros (que li sob o título de “Toque de Recolher”), Conversa na Catedral. Como não adorar o novelista Pedro Camacho em sua jornada sem retorno rumo a uma loucura inofensiva, no delicioso Tia Júlia e o Escrevinhador? (Depois que escrevi este post, li e amei o perturbador La Fiesta del Chivo, sobre os últimos anos do ditador dominicano Rafael Trujillo).

O Beijo, obra do peruano Victor Delfin no Parque dos Amores, em Miraflores
Palácio do governo, na Plaza Mayor
Eu gosto de olhar vitrines no Larcomar, de comprar jeans com cintura no lugar da cintura na Fallabella (estou vestindo um, transparente de tão gasto, comprado aqui há mais de oito anos...), de pechinchar nas barracas de artesanato.

Gosto do Museu do Ouro, da Igreja e do Convento de São Francisco (mas fico com asma nas catacumbas) e da Catedral.

Eu gosto de Lima e ponto.


Veja as dicas de passeios em Lima no próximo post

Mais sobre Lima
O que fazer em Lima
Sítio arqueológico de Pachacamac
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