16 de setembro de 2018

Como é o city tour de Cusco - e por que vale a pena

Puka-Pukará, construção inca nos arredores de Cusco visitada durante o clássico city tour, passeio mais procurado por quem passa pela capital dos incas
O passeio mais popular entre os turistas que visitam a capital dos incas é o city tour de Cusco. Esse é um ótimo percurso de apresentação das grandes atrações da cidade que pode ser feito em uma tarde ou uma manhã. Sempre acompanhado por um guia, esse é o grande cartão de visitas de Cusco, que prepara o viajante para mergulhos mais profundos na história e nas tradições dessa cidade espetacular.

O roteiro do city tour de Cusco passa pelo Qorikancha (o Templo do Sol, coração religioso do império) e segue para os arredores da cidade, visitando o templo de Sacsayhuaman, o centro ritual de Q'enko e o complexo de Puka-Pukará e Tambomachay, que serviram de residência recreativa e termas para os imperadores.

A visita a essas cinco construções pré-hispânicas é uma excelente "aula inaugural" sobre a organização social e política do Império Inca e às tradições religiosas do povo quéchua.

A esplanada de Sacsayhuaman, um dos meus lugares favoritos em Cusco
E já que o city tour de Cusco é um programa barato, vale a pena experimentar esse "aperitivo". Mas não se contente com ele. Tem muito mais atrações em Cusco que merecem ser descobertas — e mesmo as cinco maravilhas que você visitará nesse roteiro mereceriam um retorno, para explorá-las com  com mais calma.

As agências locais cobram 30 soles por pessoa pelo city tour de Cusco. Esse preço inclui o transporte até as atrações e o guia. Os ingressos para os monumentos são pagos à parte.

Para entrar no Qorikancha, o bilhete custa 15 soles (US$ 4,5/ R$ 19). Para visitar Sacsayhuaman, Q'enko, Puka-Pukará e Tambomachay o ingresso é o Boleto Turístico de Cusco, um passe que vale para 16 atrações da cidade e que custa 130 soles (US$ 40 R$ 160, na versão completa) ou 70 soles (US$ 21/ R$ 88, na versão parcial).

Veja as dicas detalhadas do city tour de Cusco:

O início do passeio é na Praça de Armas de Cusco
⇨ Roteiro do city tour de Cusco
⭐ Huacaypata/Praça de Armas de Cusco
O roteiro do city tour de Cusco começa na Plaza de Armas, o coração da cidade. O guia apresentará algumas informações básicas sobre a história do lugar, mas você com certeza voltará muitas vezes a essa praça cercada por restaurantes, bares e lojas instalados em lindas construções coloniais.

Chamada de Huacaypata no tempo dos incas, foi o centro administrativo, religioso da capital do império, condição que foi mantida a partir da conquista espanhola, no Século 16.

Nesta praça, cercada por templos e palácios, eram realizadas as grandes cerimônias religiosas, políticas e militares do Império Inca. Quando os espanhóis tomaram a cidade, substituíram os locais de culto dos incas por igrejas cristãs e aí também instalaram sua sede de governo.

Homenagem à resistência indígena à invasão espanhola na Praça de Armas de Cusco
As origens Huacaypata remontam à fundação de Cusco, no Século 13 de nossa era, quando o primeiro governante Inca Manco Cápac teria estabelecido um forte/residência no local.

Hoje, a principal atração da Praça de Armas é Catedral de Cusco. A visita a essa construção não está incluída na programação do city tour, mas nem pense em deixa-la de fora de seu roteiro na cidade. Saiba mais sobre ela > O que ver em Cusco – o Qrikancha e a Catedral

⭐ Qorikancha, o Templo do Sol
A segunda parada do city tour de Cusco é o Qorikancha, o Templo do Sol dos Incas. São 600 metros de caminhada da Praça de Armas até lá.

O Qorikancha brilhando na noite é uma das imagens mais lindas de Cusco
Não estranhe ao chegar: o que você verá é a Igreja de Santo Domingo, erguida no Século 16 sobre o templo inca. Depois de comprar o seu ingresso e dar uma olhada no templo católico, os grupos são levados ao claustro do convento dominicano, onde o Qorikancha começa a ressurgir, como que por encanto.

Essa mágica foi arte de um terremoto. Em 1950, a terra tremeu pra valer em Cusco e afetou seriamente o Convento de São Domingos. Os revestimentos, forros e outros elementos feitos pelos dominicanos a partir do Século 16, quando os espanhóis tomaram a cidade, vieram abaixo e revelaram as paredes originais do Templo do Sol — os incas tinham uma técnica construtiva que resistia bravamente aos terremotos.

Paredes incas e arcadas espanholas no Qorikancha
Já visitei o Qorikancha (o nome significa “templo dourado”) quatro vezes e não me canso de admirar essa maravilha. O Sol era a maior divindade para a civilização inca e seu templo era o local de culto mais importante do povo quéchua. Foi construído no Século 15, durante o reinado de Pachacútec, considerado o fundador do grande império inca.

A elegância das paredes incas, feitas de pedras finamente polidas e dispostas em encaixes perfeitos, a majestade dos amplos espaços e a história do Qorikancha deixam qualquer um de queixo caído. Agora, imagine que tudo aquilo estava recoberto de folhas de ouro...

O Qorikancha é uma visita imperdível em Cusco. Se eu fosse você, iria duas vezes: a primeira, com o guia do city tour e, na segunda, por conta própria, para explorar o local no seu ritmo.


Tudo em Sacsayhuaman é superlativo
⭐ Sacsayhuaman
Para fazer a segunda etapa do city tour — as visitas às quatro importantes construções incas nos arredores de Cusco — os participantes são levados de ônibus ou micro-ônibus até às montanhas que cercam a cidade.

A primeira parada é Sacsayhuaman, um templo construído em forma de raio que também foi muito importante na vida religiosa da civilização inca.

A obra também data do Século 15, iniciada sob o governo de Pachacútec, e seria “a cabeça do puma” — o traçado urbano da capital dos incas pretendia reproduzir esse felino dos Andes que, para o povo quéchua, é a divindade guardiã da vida terrena, como a serpente guarda o mundo dos mortos e o condor representa o mundo dos deuses.


Tudo em Sacsaihuaman é superlativo: a majestade de suas muralhas, feitas de imensos blocos de pedra, alguns pesando mais de 20 toneladas, a elegância de seu traçado e a vista esplendorosa que se tem lá do alto para a Cidade de Cusco e as montanhas.

O local serviu como centro religioso frequentado pela nobreza inca e observatório astronômico. 

Você também vai encontrar referências à “fortaleza” de Sacsayhuaman. Os arqueólogos hoje já sabem que houve uma fortificação no local, antes da construção do complexo de templos, mas a função de Sacsayhuaman era mesmo religiosa. Ainda assim, suas muralhas serviram de baluarte à resistência inca quando os espanhóis invadiram a cidade.


O local é muito grande e a visita com o city tour vai dar apenas uma ideia geral de Sacsayhuaman. Se puder, volte por conta própria para uma exploração mais detalhada, pois vale a pena — você terá que pagar um novo ingresso, no caso, 70 soles por um boleto turístico parcial.

Sacsayhuaman é atualmente mais conhecido como o local da celebração do Inty Raimi, a festa do Sol, ritual inca recriado anualmente, nos dias 24 de junho.

Centro cerimonial de Q'enqo
  ⭐ Q'enqo
A cerca de 1,5 km de Sacsayhuaman estão os vestígios de um centro ritual que os arqueólogos batizaram de Q’enqo—palavra quéchua que significa “labirinto”. O que já se sabe sobre o lugar aponta que Q’enqo seria utilizado principalmente para os rituais de embalsamamento de mortos ilustres, como incas (o título dado aos govenantes), chefes militares, sacerdotes e membros da nobreza.

Q'enqo, o labirinto
Trata-se de um grande bloco de pedra de topo plano como uma mesa, sobre o qual foram esculpidos canais em forma de ziguezague que eram usados em rituais. Até recentemente, era possível caminhar nessa superfície, mas agora, para garantir a conservação, isso já não é mais possível.

Abaixo dessa “mesa”, no subsolo de Q’enko, há diversas grutas onde foram esculpidos altares e outros recintos.

O entardecer em Puka-Pukará
⭐ Puka-Pukará
A terceira construção nos arredores de Cusco visitada pelo city tour é Puka-Pukará, a 4 km de Q’enqo.

Até recentemente, acreditava-se que Puka-Purará fosse uma fortificação destinada à vigilância do vale onde se assenta Cusco—considerando o baita visual que se tem lá do alto, é fácil acreditar que fosse mesmo um posto de vigia e alojamento de tropas.

Também contribui para essa teoria o fato de que as paredes de pedra das construções em Puka-Pukará não têm o polimento e o apuro que se verifica em outras construções destinadas a uso da realeza ou da alta casta religiosa inca.

A beleza das montanhas nos arredores de Cusco são mais uma atração do city tour
Puka-Pukará significa “fortaleza vermelha”, mas esse nome foi dado ao local por estudiosos contemporâneos. O nome quéchua original do lugar é desconhecido.

O mais aceito, entretanto é que Puka Pukará tenha sido um tambo, local de abrigo e descanso de viajantes, a versão inca daqueles postos de estrada que têm alojamento, restaurante, loja de conveniência e outras comodidades. O certo é que a construção tem uma localização estratégica sobre um importante caminho inca.

Segundo outra teoria mais recente, Puka-Purará teria sido um local de recreio e descanso da família real inca, uma espécie de palácio de veraneio. O principal argumento em favor dessa ideia é a proximidade de Puka-Pukará de Tambomachay, um recanto de banhos usado pelos imperadores incas.

A cidade de Cusco vista do sítio arqueológico de Q'enqo
⭐ Tambomachay
A 170 metros da entrada de Puka-Pukará está a portaria do sítio arqueológico de Tambomachay, um complexo abastecido por aquedutos e canais cercados, na época dos incas, de luxuriantes jardins.

Tambomachay é a última parada do city tour de Cusco. Se você fizer o passeio no turno da tarde, provavelmente vai chegar lá com pouca luz para as fotos, como foi o meu caso, na última visita.

Da portaria do sítio arqueológico até as ruínas principais é preciso caminhar cerca de 10 minutos, morro acima. Guarde fôlego para essa etapa.

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