quarta-feira, 27 de março de 2002

Aiôôô, Silver! Passeio a cavalo
pelas montanhas de Cusco

Não parece, mas esse sujeito comigo
 na foto demonstrou fortes 
inclinações suicidas...
Música deste post: Stewball, Peter, Paul and Mary

 Desde que chegamos a Cusco, já viramos a cidade do avesso: vimos os templos, as igrejas, os museus e, principalmente, a vida nas ruas. Saindo do entorno da Plaza de Armas, onde se concentram os estabelecimentos mais turísticos, estamos descobrindo o jeito de viver da cidade: as casas simples, os restaurantes sem afetação e uma gente simpática, tímida, mas curiosa.

Conversando com o povo de Cusco, descobri que há um lugar pouco visitado, aqui nos arredores da cidade, o Templo da Lua. As ruínas ficam fora de mão para as excursões e só há dois jeitos de chegar lá: a pé ou a cavalo.
Ana, Will e Pablo
Não estou sofrendo quase nada com a altitude, mas a subida a Ollantaytambo, ontem, deixou claro que não sou tão atlética que possa escalar montanhas a mais de 3.400 metros de altitude. Decidimos, portanto, alugar cavalos.

A tarefa não é complicada: algumas agências oferecem o serviço, com guia, para uma visita aos templos e fortalezas que ficam nas montanhas em torno de Cusco. Escolhemos a Exotic Adventures, que nos cobrou 27 Soles (cada um) pela aventura.

O ponto de encontro era o Cristo Blanco, uma estátua semelhante ao Redentor carioca, que fica numa das incontáveis subidas em torno da cidade. Na hora marcada, chega Pablo, 15 anos, arrastando três pangarés pelas rédeas.

Minha amiga Ana Rosa foi formalmente apresentada ao gênero equino, que só conhecia das telas de cinema e TV, e já foi gentilmente empurrada para o lombo do cavalinho com cara de mais mansinho — não que algum deles tivesse qualquer veleidade a corcel indomável, mas o meu, por exemplo, era um existencialista depressivo, que fazia questão absoluta de andar a dois milímetros da beira do abismo.

Nossa primeira parada foi em Saqsaywamán, que já tínhamos visitado. Mas poder ver a fortaleza/templo sem pressa, no nosso próprio ritmo, foi muito legal. De lá seguimos para a maravilhosa Puka-Pukará, uma fortaleza que permitia aos vigias incas controlar o movimento de toda a região, postada no alto de uma montanha.

Esperando os cavalos no Cristo Blanco
No caminho para o Templo da Lua, paramos numa vendinha muito simples para tomar o mate de coca, esquentar um pouco os ossos e descansar.

Os donos moram na parte de trás da venda, numa casa de único cômodo, com chão de barro batido e paredes de adobe, típicas da região-- argila misturada com palha, colocada numa forma e deixada ao sol, para secar, sem ir ao forno.

O fogão da casinha é um buraco no chão, cercado de pedras. Mas o jantar na panela cheirava bem e parecia apetitoso. A dona da casa mal fala espanhol e conversou com Pablo em quéchua.

Depois do descanso, chegamos ao Templo da Lua. Estávamos completamente sozinhos, visitando as ruínas meio encobertas pelo mato, num pequeno vale muito verde. O mais impressionante é o silêncio do lugar.

Na volta, tomamos um caminho margeando o abismo — meu cavalinho autodestrutivo estava felicíssimo, escorregando nas pedras soltas à margem do despenhadeiro. Eu estava tão zen que achava tudo o máximo, olhando a paisagem.

A chegada a Sacsaywamán
E, de repente, numa curva da montanha, eu vi: o sol estava caindo sobre Saqsaywamán. Fiquei paralisada, de tão lindo. As pedras foram ficando douradas e a forma de raio do desenho das muralhas foi ficando cada vez mais nítida e a grandeza daquela construção foi ficando cada vez mais clara.

Cavalgamos um bom tempo vendo aquele espetáculo: Sacsaywamán iluminado pela última luz do dia.

Cusco aos nossos pés
Ainda estava meio hipnotizada quando devolvi a rédea do cavalinho a Pablo, me despedi do garoto de desci a calçada inca de volta à cidade. Nem eu nem William nem Ana Rosa falamos muito no caminho. Até agora meu acho que estávamos levitando sobre as pedras...

Exotic Adventures- Especializada em ecoturismo e "turismo místico"- Calle Plateros n° 325, 2° Piso, Centro. Fones: 227188

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