27 de março de 2002

Aiôôô, Silver! Passeio a cavalo pelas montanhas de Cusco

Não parece, mas esse sujeito comigo na foto
 demonstrou fortes inclinações suicidas 😀... 
Ao fundo, o Templo da Lua
Atualizado em fevereiro de 2018

Música deste post: Stewball, Peter, Paul and Mary

Em minha primeira viagem a Cusco (março de 2002), eu e meus amigos William e Ana Rosa viramos a cidade do avesso: vimos os templos, as igrejas, os museus e, principalmente, a vida nas ruas. Saindo do entorno da Plaza de Armas, onde se concentram os estabelecimentos mais turísticos, e subindo as ladeiras que levam às montanhas, descobrimos um pouco do jeito de viver da cidade: as casas simples, os restaurantes sem afetação e uma gente simpática, tímida, mas curiosa.

Conversando com o povo de Cusco, descobrimos que há um lugar pouco visitado nos arredores da cidade, o Templo da Lua. As ruínas ficam fora de mão para as excursões e só há dois jeitos de chegar lá: a pé ou a cavalo (em 2018, já há uma estrada que passa bem perto).
Ana, Will e Pablo
Sofri quase nada com a altitude de 3.400 metros de Cusco, mas nunca fui tão atlética que pudesse sair escalando montanhas naquelas alturas. Decidimos, portanto, alugar cavalos para conhecer o Templo da Lua.

A tarefa não é complicada: muitas agências oferecem o serviço, com guia, para uma visita aos templos e fortalezas que ficam nas montanhas em torno de Cusco. Escolhemos a Exotic Adventures, que nos cobrou 27 Soles (cada um) pela aventura.

O ponto de encontro era o Cristo Blanco, uma estátua semelhante ao Redentor carioca, que fica numa das incontáveis subidas em torno da cidade. Na hora marcada, chega Pablo, 15 anos, arrastando três pangarés pelas rédeas.

Minha amiga Ana Rosa foi formalmente apresentada ao gênero equino, que só conhecia das telas de cinema e TV, e já foi gentilmente empurrada para o lombo do cavalinho com cara de mais mansinho — não que algum deles tivesse qualquer veleidade a corcel indomável, mas o meu, por exemplo, era um existencialista depressivo, que fazia questão absoluta de andar a dois milímetros da beira do abismo.

Nossa primeira parada foi em Saqsaywamán, que já tínhamos visitado. Mas poder ver um dos mais importantes templos incas sem pressa, no nosso próprio ritmo, foi muito legal. De lá seguimos para a maravilhosa Puka-Pukará, uma fortaleza que permitia aos vigias incas controlar o movimento de toda a região, postada no alto de uma montanha.

Esperando os cavalos no Cristo Blanco
No caminho para o Templo da Lua, paramos numa vendinha muito simples para tomar o mate de coca, esquentar um pouco os ossos e descansar.

Os donos moram na parte de trás da venda, numa casa de único cômodo, com chão de barro batido e paredes de adobe, típicas da região — argila misturada com palha, colocada numa forma e deixada ao sol, para secar, sem ir ao forno.

O fogão da casinha é um buraco no chão, cercado de pedras. Mas o jantar na panela cheirava bem e parecia apetitoso. A dona da casa mal fala espanhol e conversou com Pablo em quéchua.

Depois do descanso, chegamos ao Templo da Lua. Estávamos completamente sozinhos, visitando as ruínas meio encobertas pelo mato, num pequeno vale muito verde. O mais impressionante é o silêncio do lugar.

Na volta, tomamos um caminho margeando o abismo — meu cavalinho autodestrutivo estava felicíssimo, escorregando nas pedras soltas à margem do despenhadeiro. Eu estava tão zen que achava tudo o máximo, olhando a paisagem.

A chegada a Sacsaywamán
E, de repente, numa curva da montanha, eu vi: o sol estava caindo sobre Saqsaywamán. Fiquei paralisada, de tão lindo. As pedras foram ficando douradas e a forma de raio do desenho das muralhas foi ficando cada vez mais nítida e a grandeza daquela construção foi ficando cada vez mais clara.

Cavalgamos um bom tempo vendo aquele espetáculo: Sacsaywamán iluminado pela última luz do dia.

Cusco aos nossos pés
Ainda estava meio hipnotizada quando devolvi a rédea do cavalinho a Pablo, me despedi do garoto de desci a calçada inca de volta à cidade. Nem eu nem William nem Ana Rosa falamos muito no caminho. Até agora meu acho que estávamos levitando sobre as pedras...

O Templo da Lua



Pra ser bem rigorosa, nos arredores de Cusco você vai encontrar os vestígios de duas construções dedicadas ao culto da Lua, uma divindade importante para o povo Quéchua ("os incas", como dizemos), relacionada ao feminino e chamada de Quillamama. Cerca de 500 metros separam as duas ruínas.

Uma delas era um pequeno santuário. O Templo da Lua que visitamos também é conhecido como Cueva del Mono (“gruta do macaco”) , espaço cerimonial escavado na rocha no topo de um pequeno morro (“pequeno” em relação aos irmãozinhos que o cercam, mas que está a 3.600 metros de altitude).

Com um pouco de atenção, é possível identificar entalhes nas pedras, e formato de animais (macacos e serpentes). Quem já visitou o lugar à noite conta que sobre a tal gruta do macaco, uma fenda na rocha permite que a luz da lua cheia penetre e ilumine toda a caverna, na época próxima ao solstício de inverno.

Não há placas informativas ou qualquer tipo de sinalização por lá e é bom tomar cuidado ao caminhar sobre a rocha. Se quiser ir a pé ao Templo da Lua, tome como referência que ele está a 1,2 km de distância de Q'enqo, "o Labirinto" (veja o mapa), um dos templos que constam de praticamente todos os roteiros das agências para passeios nos arredores de Cusco.

A visita ao Templo da Lua é gratuita.

Dicas práticas
A Exotic Adventures, empresa onde contratamos o tour a cavalo, não existe mais. Mas não será por isso que você vai deixar de fazer uma cavalgada na terra dos incas. Diversas agências locais oferecem passeios equestres pelos arredores de Cusco.

Vale do Urubamba (Písac, Ollantaytambo e Chinchero)

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