quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Roteiro Panamá e Guatemala:
2 semanas na América Central


O Arco de Santa Catarina, uma das imagens mais conhecidas de Antigua
As águas cristalinas de San Blas, a majestade das pirâmides maias de Tikal, o passado colonial de Antigua, a moldura dos vulcões em torno do Lago de Atitlán... Minhas férias de 2017, na América Central, foram inesquecíveis. No Panamá e na Guatemala, vi paisagens lindas e cenários históricos e descobri tradições fascinantes e uma culinária deliciosa.

Foram duas semanas de viagem (13 dias). A Guatemala foi o meu destino principal, mas aproveitei que o voo era com a Copa Airlines para um stopover no Panamá — de tanto fazer conexão no Aeroporto de Tocumen, já estava na hora de dar uma olhadinha no país do canal.

San Blas, um pedacinho do paraíso
Fiquei duas noites na Cidade do Panamá, tempo suficiente para um bate e volta ao Arquipélago de San Blas (Kuna Yala), um enclave administrado pelo povo Kuna,e para descobrir um pouquinho da história movimentada da primeira povoação fundada por colonizadores europeus na Costa do Pacífico nas Américas.

Na Guatemala, fiz um bate e volta ao Sítio Arqueológico de Tikal, a grande cidade da cultura maia. Depois rumei para a capital colonial, a linda cidade de Antigua, onde fiquei quatro noites — com direito a um bate e volta para conhecer o animadíssimo mercado tradicional da vila de Chichicastenango. A parada seguinte foi na vila de Panajachel, às margens do Lago de Atitlán, uma paisagem arrebatadora.

A majestade das pirâmides maias de Tikal: sonho realizado
O vulcão San Pedro visto das margens do Lago de Atitlán
Por fim, uma parada de dois dias na Cidade da Guatemala. A capital não é uma cidade fácil: trânsito infernal, problemas de segurança e um manejo amador das possibilidades turísticas. Mas deu para curtir uns museusinhos e restaurantes em ritmo bem desacelerado.

Na volta, ainda aproveitei o overbooking no voo da Copa para dormir mais uma noite no Panamá, tempo para visitar a imperdível Panamá Viejo, as ruínas da povoação original espanhola, fundada em 1519 e abandonada após um ataque do pirata inglês Henry Morgan.

Navio atravessando a Eclusa de Miraflores, no Canal do Panamá
Foi uma viagem deliciosa que eu vou compartilhar inteirinha com vocês nos próximos (muitos) posts que vêm por aí. Por enquanto, confira a seguir meu roteiro detalhadinho, pra já começar a se planejar.

1º dia: Brasília - Panamá 
De Brasília à Cidade do Panamá são apenas 5h30 de viagem. A partida do voo da Copa Airlines é às 2h da madrugada, a chegada às 6h (o fuso horário do Panamá está a menos duas horas em relação ao Brasil).


Chegar tão cedinho deixa duas opções: pagar uma diária a mais no hotel e ir direto para a hospedagem tirar um cochilo, ou aproveitar a manhã em um passeio à Eclusa de Miraflores, no Canal do Panamá, e outros pontos interessantes da cidade, como a Cinta Costeira e o Casco Antiguo (Centro Histórico).

Eu escolhi a segunda opção e acho que acertei. Contratei o tour com a Guia Panamá, agência de receptivo do brasileiro Roque Freitas que presta um excelente serviço.

Centro Histórico da Cidade do Panamá
Roque me encontrou no Aeroporto de Tocumen, logo na chegada, e de lá partimos para o Canal do Panamá (é bom ir cedinho, para fugir do tráfego intenso da cidade). O roteiro desse city tour, de cerca de 6 horas, cobriu boa parte das atrações da Cidade do Panamá.

Como chegar, melhor época, quanto tempo, câmbio, preços... Veja todas as informações para organizar sua viagem: Panamá - dicas práticas


Veja como foram meus passeios de "estreia" no Panamá
Canal do Panamá: o que você precisa saber antes de ir

O que ver no Casco Antiguo (Centro Histórico) do Panamá

Depois disso, fiz o check-in no hotel (o Best Western Plus Panama Zen Hotel, no bairro de Cangrejo), que é muito simpático e confortável. Almocei muitíssimo bem e passei um final de tarde relaxado, porque no dia seguinte me aguardava um pancadão.

Como foi minha experiência nesse hotel
Panamá - dicas de hospedagem


E os restaurantes que testei e aprovei
Cidade do Panamá: 2 dicas de restaurante



As águas mágicas de San Blas
2º dia: San Blas (Kuna Yala)
Quando a gente quer visitar o paraíso, tem que fazer um sacrificiozinho, né? Pois o passeio a San Blas exige que se acorde muito cedo, lá pelas 4:30h, já que a partir das 5:15h é preciso estar bela e fagueira na recepção do hotel esperando o transfer para o mitológico arquipélago.

Fiz a visita a San Blas em esquema bate e volta, mas recomendo que você durma pelo menos uma noite em uma das ilhas, para aproveitar esse inacreditável pedacinho de Caribe.

Estrelas do mar em um banco de areia no Arquipélago de San Blas
Eu, porém, marquei o voo para a Guatemala antes de encontrar um serviço confiável como o da Guia Panamá para montar minha visita ao arquipélago e não tinha certeza se iria dar certo ir até lá. A solução, portanto, foi ir e voltar no mesmo dia, já que meu voo para Guate sairia no meio da tarde do dia seguinte.

Veja como foi meu passeio:
San Blas, o Caribe panamenho


3º dia: Panamá - Guatemala
Duas noites de pouco sono (uma no avião e outra abreviada pelo horário de partida para San Blas) cobraram seu preço nessa minha terceira manhã de viagem. Na véspera, cheguei tão cansada que tive um febrão à noite, com direito a calafrios (não é malária, é minha reação normal ao cansaço extremo 😊).

7 motivos para colocar a Guatemala em seu roteiro

O skyline ultra verticalizado da Cidade do Panamá
O remédio foi pegar leve. No meu último dia no Panamá, acordei na hora que o corpo pediu e limitei-me a dar mais um passeio pelo Casco Antiguo, almoçar bem em um bom restaurante e voltar para o hotel para esperar o transfer para o aeroporto.

Meu voo para Guate partiu às 16:40h e chegou às 20:20h (o fuso da Guatemala está uma hora mais cedo que o Panamá e três horas mais cedo que Brasília). A hospedagem foi no Barceló Guatemala City, um hotelão com quartos enormes e muito confortáveis, na chamada Zona Viva, mais segura e muito pertinho do Aeroporto de la Aurora.

Depois disso, tratei de dormir cedo, pois vinha mais pancadão pela frente.

Onde ficar na Cidade da Guatemala: os melhores bairros e 2 hotéis que eu adorei

4º dia: Guate - Tikal - Antigua


As impressionantes pirâmides mais em Tikal
Se você achou “extremo” sair às 5h da manhã para San Blas, imagino o que diria ao me ver no lobby do meu hotel em Guate às 4:30h da madruga, prontinha para embarcar para Flores, na região do Petén. Mas foi por uma boa causa: eu estava indo realizar o velho sonho de visitar o Sítio Arqueológico de Tikal, a grande cidade da Civilização Maia.

Contratei o pacote com o Travel Center Guatemala, uma agência que sequer tem site e eu descobri no Facebook (as informações de viagem à Guatemala não são muito abundantes na internet). Eles organizaram tudo direitinho e a viagem foi sem perrengues.


Meu voo de Guate até Flores saiu às 6 da manhã. Uma hora depois eu já desembarquei no Aeroporto Mundo Maia, de onde segui de van, em um tour até Tikal, uma visita comovente, daquelas que fazem valer a pena estar viva.

No final da tarde, retornamos ao aeroporto de Flores para embarcar de volta a Guate, onde um transfer me esperava para me levar direto para Antigua, a 40 km da capital.

5º dia: Antigua


Mercado de artesanato nas ruínas da Igreja do Carmo, em Antigua
A antiga cidade de Santiago de los Caballeros, fundada em 1543, é um destino adorável, uma das cidades coloniais mais bonitas que já vi pelas Américas.

Antigua foi a capital da Capitania Geral da Guatemala, uma colônia espanhola que se estendia do atual estado mexicano de Chiapas até o território hoje pertencente à Costa Rica. Essa importância está bem traduzida na imponência dos edifícios coloniais que margeiam as ruas calçadas com pedras irregulares.

Vaso mais representando um jaguar, em exposição no antigo Colégio dos Jesuítas de Antigua. À direita, o pátio da Universidade San Carlos, uma das primeiras das Américas, hoje Museu Colonial
Antigua foi devastada por um terremoto, no Século 18, o que motivou a transferência da capital para a Cidade da Guatemala. Hoje, é um dos encantos turísticos do país e fica bem movimentada nos fins de semana e feriados, uma espécie de Paraty chapín (gíria local que substitui o gentílico guatemalteco).

Passei quatro noites em Antigua em ritmo desacelerado, curtindo os balcões floridos de seus casarões, sua ótima gastronomia e o horizonte marcado pela silhueta de três vulcões — Acatenango, Água e Fuego, este último ainda ativo.

Veja alguns passeios bacanas na cidade
O que fazer em Antigua


O Hotel Museo Casa Santo Domingo, instalado em um mosteiro do Século 16 e com vista para o vulcão
Minha hospedagem foi excelente, no Hotel Museo Casa Santo Domingo, o antigo mosteiro dos Dominicanos, do Século 16. Além de abrigar museus e uma área arqueológica, o hotel é muito confortável, bonito até dizer chega e tem um atendimento impecável.

Veja como foi minha experiência:
Um hotel que é museu – dica de hospedagem em Antigua



6º dia: passeio a Chichicastenango


O mercado dominical em Chichicastenango
Cerca de 90 km separam a placidez colonial de Antigua da vila de Chichicastenango, baluarte da preservação da cultura Quiché (ou K'iche'), um dos ramos das tradições maias que chegaram aos nossos dias firmes e fortes.

Em uma agência de Antigua, contratei o transporte em van, ida e volta, para conhecer a vila e o animado mercado de rua que, todas as quintas-feiras e todos os domingos fazem Chichicastenango fervilhar de gente.


O coloridíssimo mercado toma as principais ruas da cidade e atrai moradores de toda a região, que vêm vender seus produtos e também comprar o que precisam para tocar a vida.

Mais interessante que a abundante oferta de artesanato oferecido por lá são as cerimônias religiosas que sincretizam ritos maias e católicos, com oferendas diversas, muitas velas, flores e embaladas pelo licor, aguardente de cana primo da nossa cachaça.

7º dia: Antigua
No meu último dia em Antigua, fiz um tour guiado a pé pela cidade, excelente para compreender melhor a história e as tradições dessa bela cidade, e aproveitei para rever os pontos que mais me encantaram por lá.

Vulcões e arquitetura colonial em Antigua
8º dia: Antigua - Panajachel (Lago de Atitlán)

A 100 km de Antigua,  Panajachel é a "porta de entrada turística" para o Lago de Atitlán. A cidade tem 15 mil habitantes, infraestrutura hoteleira que dá para o gasto e um movimentado porto de onde saem passeios e transportes regulares para as diversas povoações em torno do lago.

Cheguei lá imaginando passar três noites, mas esse foi um cálculo equivocado, já que Pana é bem desprovida de atrações.

Se não estivesse chovendo tanto, valeria explorar um pouco mais a orla do Atitlán e sua escandalosa paisagem adornada por vulcões, mas o tempo não colaborou e eu fiquei apenas um dia e meio por lá.

Minha hospedagem foi no Regis Hotel & Spa, que é simples, mas muito arrumadinho.

O centrinho de San Pedro la Laguna, um dos povoados às margens do Lago de Atitlán
9º dia: passeio pelo Lago de Atitlán - retorno a Guate
A melhor maneira de aproveitar a paisagem do Lago de Atitlán é fazer um passeio de barco e visitar os povoados do entorno. Foi o que eu fiz no meu segundo dia em Pana (no primeiro, só me escondi da chuva com um livrinho).

Depois do passeio, segui viagem na última van do dia (às 16 horas) para a Cidade da Guatemala, um trajeto de apenas 107 km, que pode levar de três a cinco horas (no meu caso, graças à Lei de Murphy, foram cinco, mesmo), por conta da estrada cheia de curvas, subidas, descidas e engarrafamentos épicos.

Um mirante na base do Vulcão San Pedro oferece lindas vistas para o lago
10º e 11º dia: Cidade da Guatemala
Guate não é exatamente uma cidade turística e eu já sabia disso. Só fiquei essas três noites lá para fugir da chuva no Lago de Atitlán. Para ver as atrações (como o bom Museu de Arqueologia e Etnologia) e explorar um pouquinho a cidade, bastaria um dia.

Mas foi uma estadia agradável, muito graças ao hotel que escolhi,  o excelente Radisson Hotel & Suites Guatemala City (veja a avaliação aqui).

Meus passeios na capital guatemalteca: O que fazer na Cidade da Guatemala


O bom Museu de Arqueologia e Etnologia da Guatemala
12º dia: Guate - Panamá
Este deveria ter sido o meu último dia de viagem. Decolei de Guate às 15:30 e deveria embarcar do Panamá para o Brasil às 21:30h. Mas o meu voo estava superlotado e acabei aceitando ser voluntária para ficar mais uma noite por lá. Valeu a pena fazer esse tipo de acordo? Dá uma olhada no post:

Copa Airlines: vale a pena ser voluntária em caso de overbooking?

A Copa Airlines me hospedou no Eurostars Panama City, um 5 estrelas com cassino, perto do bairro de El Cangrejo, onde eu já tinha ficado no início da viagem (a avaliação deste hotel está aqui)

A chamada Zona Viva de Guate, a região mais moderna, segura e verde, vista da janela do meu quarto de hotel. No final da tarde, dá para ver a cadeia de montanhas que emoldura o horizonte da capital guatemalteca
13º dia: Panamá Viejo e retorno a Brasília
No meu "dia bônus" neste roteiro, aproveitei para fazer a visita a Panamá Viejo, as ruínas da primeira Cidade do Panamá.

Eu estava mordida porque não tinha dado tempo de ir até lá na minha primeira passagem pela cidade — e fiquei ainda mais quando li a matéria sobre o recém-inaugurado Museu da Plaza Mayor, no interior do sítio histórico, na revista de bordo da Copa. Posso garantir que valeu muito a pena adiar o retorno ao Brasil 😊.

Veja como foi essa visita:
Panamá Viejo: um passeio pela história colonial das Américas


As ruínas de Panamá Viejo e o Museu da Plaza Mayor
E tem mapinha pra você se localizar 😊



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2 comentários:

  1. América central cheia de paraísos... As fotos estão ótimas!

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  2. Obrigada, Altier :)
    A América Central é mesmo uma região que merece ser mais explorada por nós, brasileiros

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