domingo, 19 de novembro de 2017

7 motivos para visitar a Guatemala

O Vulcão de Água, um dos encantos do horizonte de Antigua, capital colonial da Guatemala
Se você está procurando um destino turístico com uma cultura requintada e muito própria, uma história fascinante e gente pra lá de cordial, está na hora de apontar a sua bússola para a Guatemala. Tempere tudo isso com uma culinária instigante (e cafés e chocolates de rasgar a roupa), lindas paisagens e arrebatadores monumentos e pronto: vai ser paixão na certa.

Passei anos sonhando com a Guatemala — Tikal, a grande cidade maia, e Antigua Guatemala, a primeira capital, estavam no topo da minha lista de desejos.

As pirâmides de Tikal começaram a ser construídas no Século 2 de nossa era. As estruturas mais importantes ultrapassam os 60 metros de altura
Finalmente, visitei o país, nas férias de setembro. A viagem superou em muito as expectativas que levei comigo (que não eram poucas). Os melhores destinos são aqueles que cumprem todas as suas promessas e revelam muito mais. E esse é totalmente o caso da Guatemala.

Veja alguns motivos para colocar a Guatemala no seu roteiro:

O tradicional e o contemporâneo convivem no dia a dia dos guatemaltecos
1 - A cultura Maia
Os Maias formaram uma das civilizações mais sofisticadas da chamada Mesoamérica (México/América Central). Com origens em torno de 1.200 a. C., tinham o domínio da agricultura, da mineração, da metalurgia e da escrita.

Eles foram especialmente feras na matemática — compreenderam e sistematizaram o conceito de zero, coisa que só os babilônios e hindus fizeram, ainda na Antiguidade — e na astronomia, campo que municiou o desenvolvimento de calendários precisos e complexos. Construíram cidades grandiosas, como Tikal (no atual território guatemalteco), Palenque (México) e Copán (na atual Honduras).

O Mercado de Chichicastenango é uma tradição
do povo Quiché desde o Século 16. Realizado
às quintas e domingos, reúne gente das diversas
comunidades do Altiplano guatemalteco.
Além de comprar artesanato, os turistas podem
testemunhar cerimônias religiosas
que sincretizam ritos ancestrais com o catolicismo
A cultura Maia, porém, não pertence apenas ao passado. Ela não está confinada nos acervos de museus, mas nas ruas, bem ao alcance de nossos olhos, ouvidos e paladar. As etnias Quiché, Mam, Queqchi, Jacaltecas e outros herdeiros — subdivisões do povo maia —, preservam os idiomas, as tradições culinárias, as crenças e muito do modo de viver de seus ancestrais.

O resultado é um encontro fascinante entre o tradicional e o contemporâneo. Esqueça o clichê de "viajar no tempo" que costumamos aplicar toda vez que nos encontramos com uma realidade mais diversa do que a norma eurocêntrica comanda. Na Guatemala, o tempo presente também é indígena.

O requinte da cerâmica maia no Museu de La Compañia (antigo Colégio dos Jesuítas), em Antigua. À direita, uma estela com escritos maias no Museu Nacional de Arqueologia e Etnología, Cidade da Guatemala

Exposição de huipiles no Museu Ixchel do Traje Indígena, na capital
2 - Tikal
A antiga cidade de Tikal é daqueles lugares que deixam a gente sem fala. Abandonada por volta do Século 10, seu esplendor foi engolido pela densa selva tropical do Petén, no Norte da Guatemala, ao ponto de suas majestosas pirâmides, com mais de 60 metros de altura, serem confundidas com morros.

Redescoberta no Século 19, a metrópole maia é a atração turística mais celebrada do país e foi tombada como patrimônio da humanidade em 1979.

A Praça Central de Tikal e o Templo do Grande Jaguar
Em seu apogeu, Tikal foi um dos principais centros de poder da cultura maia, com mais 200 mil habitantes, sistema de abastecimento de água, requintadas residências, palácios e templos.

A cidade começou a ser povoada no Século 4 a.C. (quando a República Romana engatinhava nas primeiras conquistas, Platão fundava a sua Academia e Alexandre, o Grande, dominava metade do mundo). No Século 2 de nossa era, a cidade começaria a ganhar suas construções mais majestosas — os famosos templos em forma de pirâmides.

Apenas o topo do Templo do Grande Sacerdote (Templo 3) é visível em meio à selva. Essa estrutura funerária do Século 9 d.C foi uma das últimas grandes construções  em Tikal, antes de a cidade ser abandonada
Chegar a Tikal lá não foi a coisa mais fácil (nem a mais barata) do mundo. É preciso ir até Flores, a 480 km da capital (eu fui de avião), de onde partem as excursões até o sítio arqueológico. Foi um bate e volta cansativo, partindo (de madrugadíssima) da Cidade da Guatemala. Mas mas a importância simbólica e a beleza do lugar compensaram com folga o esforço. Ver Tikal é daqueles momentos que fazem a vida valer a pena.

3 - Antigua
A antiga capital da Guatemala (mas não a primeira, pois houve duas outras povoações antes dela) é uma cidade colonial incrivelmente charmosa, muito bem servida de hotéis aconchegantes e restaurantes bacanas. 

Pátio do Convento de la Merced e o horizonte sinuoso de Antigua
Lembra um pouco Paraty ou de Tiradentes , com suas ruas calçadas com pedras irregulares, fachadas bem preservadas e ritmo totalmente desacelerado. Mas aquele horizonte emoldurado pelos vulcões Água, Acatenango e Fuego é só dela — e é lindo de demais.

As ruínas da Catedral e uma janela típica de Antígua
Entre os Séculos 16 e 18, Antigua foi a cidade mais poderosa da América Central, o centro político e econômico da Capitania Geral da Guatemala, possessão espanhola que estendia seus domínios desde o atual estado mexicano de Chiapas até o que hoje é a Costa Rica. 

Na segunda metade do Século 18, uma sequência de terremotos arrasou Antigua, forçando a transferência da capital para a Cidade da Guatemala. A retomada da povoação aconteceu aos pouquinhos e boa parte dos edifícios arruinados foi sendo reconstruídos — alguns permanecem em ruínas, reforçando a atmosfera romântica da cidade.

Essa menininha interrompeu a lição de casa pra conversar comigo: "Eu gosto de saber sobre outros países"
4 - O povo guatemalteco
Quem está acostumado com a objetividade meio brusca das relações pessoais em grandes metrópoles até se espanta, nos primeiros contatos, com a suavidade e gentileza dos guatemaltecos (e, sobretudo, das guatemaltecas). Mas pra mim foi muito fácil acostumar ao tratamento atencioso e nada invasivo que recebi por lá.

Poucas horas depois de desembarcar na Guatemala eu já tinha entrado no clima: dar bom dia a desconhecidos por quem passamos nas ruas é a coisa mais normal do mundo. Sorrir para o interlocutor, falar baixo e gentilmente é a regra.

O atendimento em hotéis, restaurantes, agências, museus e comércio é impecável, sem qualquer tom de subserviência. Sem exagero, dá para dizer que os guatemaltecos são discretamente carinhosos.

A minha impaciência metropolitana levou um banho de civilidade na Guatemala e eu serei eternamente grata por isso.

A beleza meio enigmática do Lago de Atitlán
5 - A paisagem
Das planuras do Petén, onde fica Tikal, aos horizontes sinuosos dos Altos, onde estão Antigua, Chichicastenango e o Lago Atitlán, a paisagem guatemalteca é um show de bola.

Montanhas (muitas), vulcões, selva fechada, vales verdinhos... Sempre com o auxílio luxuoso das nuvens (a unidade por lá é amazônica), que emprestam um tom de mistério bem romântico a todos os cenários.

Café da Guatemala: só ele já vale a viagem
6 - O café
As grandes altitudes, a abundância de chuvas e o solo fértil (cortesia dos 37 vulcões que “moram” lá) fazem da Guatemala um produtor especialíssimo de café de qualidade. Mais de 4 milhões de sacas são colhidas por ano no país, principalmente na região do Alto, onde os cafezais ocupam terras a até 2.000 metros de altitude.

O resultado disso é um café cheiroso, forte e muito sedutor. E não é loteria: em qualquer bodega se encontra café de primeira na Guatemala — e eu, viciadíssima na rubiácea, me esbaldei por lá. Taí uma experiência que vale a viagem.

Chocolate à moda dos maias: pasta de sementes de cacau torradas, mel e chili (pimenta), misturados com água quente (eu troquei por leite no dia da foto, mas também experimentei do jeito "certo")
7 - O chocolate
A arte do chocolate é uma antiga tradição centro-americana. Foram os Olmecas, povo originário do centro-sul do atual México, que primeiro usaram o cacau para propósitos comestíveis e ensinaram a mágica aos poderosos Maias, que para quem a planta e a bebida preparada a partir da moagem de suas sementes — chamada cacauatl — era um presente dos deuses reservado aos poderosos.

Na Guatemala atual, as técnicas ancestrais de preparar o chocolate estão sendo resgatadas com entusiasmo e o resultado é inebriante. Em casas especializadas, como o Choco Museo, em Antigua, o freguês é convidado a preparar seu próprio chocolate à moda maia (com água, pimenta e mel), a oferta de chocolates artesanais em barra (de excelente qualidade) são de enlouquecer até os menos chocólatras e “laboratórios gourmet” seduzem qualquer um com sua alquimia de bombons sofisticados e deliciosos.

Um paraíso para o olfato e o paladar.

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