domingo, 15 de outubro de 2017

Panamá: o que ver no Casco Antiguo
(Centro Histórico)

As antigas muralhas do Casco Antiguo hoje rendem um gostoso passeio à beira-mar
Para quem associa “cidade colonial” à placidez das ruas de Paraty ou Colonia del Sacramento, ou a um conjunto harmônico de construções antigas como as de Quito ou do Pelourinho, em Salvador, uma visita ao Casco Antiguo (Centro Histórico) da Cidade do Panamá pode resultar em uma experiência reveladora.

O núcleo original da atual capital panamenha prima muito mais pela diversidade de estilos — do colonial ao art deco — do que pela uniformidade que se espera desse tipo de lugar.

Pode ser desconcertante para quem busca o clichê, mas esse talvez seja o grande encanto a ser procurado no Casco Antiguo do Panamá: os traços das mutações impressas pela passagem do tempo em um núcleo urbano colonial que esteve em uso contínuo desde o último quarto do Século 17 e se permitiu incorporar às suas feições todos os ditames das modas, sem perder sua essência.

Por mais que o tempo passe, os balcões jamais saem de moda em uma cidade de origem espanhola
Só essa peculiaridade já recomenda a visita. Acrescente aí aquela característica comum à maioria dos centros históricos — a grande concentração de equipamentos turísticos como hotéis, bares e restaurantes e de atrações, como museus e monumentos — e pode ter certeza de que o Casco Antiguo será um dos seus passeios mais interessantes na Cidade do Panamá.

As feições do bairro, hoje, são do final do Século 19

Dicas práticas para visitar o Casco Antiguo

Como chegar

O bairro de San Felipe, geralmente chamado de Casco Antiguo, está a cerca de 5 km do centro da Cidade do Panamá. A estação de metrobus mais próxima da área é 5 de Mayo, da Linha 1 (que passa pela região hoteleira e percorre a Cinta Costera). O preço da passagem no transporte público é de 35 centavos de Balboa (ou de dólar, dá no mesmo).

Plaza Francia, construída no antigo Baluarte de Chiriquí. Repare o calçamento de tijolos vermelhos, presente em toda a zona turística do Centro Histórico do Panamá
Fiz duas visitas ao Casco Antiguo, uma no tour com a empresa Guia Panamá e outra por conta própria. Nesta segunda ida, usei o Uber e achei prático. A corrida do bairro de El Cangrejo (onde estava hospedada) até lá, um percurso de 5 km, custou US$ 4,20. Na volta, o trajeto custou US$ 4,50.

Segurança
A Cidade do Panamá, em geral, tem índices de violência bastante moderados. O Casco Antíguo, em especial, tem policiamento dia e noite e também é grande a quantidade de vigias de lojas, restaurantes e hotéis. O local é apontado como uma área muito segura e eu andei por lá à vontade, sem ser importunada, com a câmera pendurada no pescoço.

Plaza Bolívar: monumento ao Libertador e, ao fundo, a torre da Igreja de São Francisco

As ruínas de La Compañia, o Colégio dos Jesuítas, sede da primeira universidade do Panamá
A única coisa que incomoda um pouquinho é a quantidade de carros, então, preste atenção ao atravessar a rua — o plano é fechar o Casco Antiguo aos automóveis, mas isso ainda deve demorar um pouquinho.

O truque para saber se você está na área turística com segurança reforçada é olhar para cima e para baixo: a porção tombada do Centro Histórico do Panamá tem as ruas pavimentadas por blocos avermelhados (parecem cerâmica) e toda a fiação passa por dutos subterrâneos, para não “brigar” com as fachadas. Assim que você pisar em asfalto e enxergar fios nos postes, saiba que saiu do perímetro mais policiado.

A cobertura de buganvílias sobre a muralha oferece abrigo do calor feroz 


Como é o Casco Antiguo do Panamá 
Quando a primeira Cidade do Panamá (Panamá Viejo) foi devastada por um ataque de piratas, em 1671, os colonizadores espanhóis trataram de encontrar um terreno com maiores vocações defensivas para reinstalar sua povoação. O local escolhido foi uma península bem protegida por um anel de arrecifes, uma barreira natural contra desembarques de indesejáveis bucaneiros.

Em 1673, dois anos após o ataque do pirata Henry Morgan, a nova cidade do Panamá já estava pronta para receber seus habitantes, cercada por uma vistosa muralha e acessível apenas aos colonizadores europeus — os indígenas e africanos viviam do lado de fora da fortificação.

As muralhas do Casco Antiguo ainda estão lá, convertidas em um agradável calçadão à beira mar, sombreado por buganvílias e colorido pelos artigos oferecidos nas banquinhas de artesanato.

Os arranha-céus da cidade visttos da muralha do Casco Antiguo

Baluarte das Monjas
Também sobrevive o traçado urbano clássico das povoações da América Espanhola, um quadriculado de ruas quase traçadas a régua a partir de uma praça — a Plaza Mayor, hoje Plaza de la Independencia, onde não falta a indefectível Catedral.

O sistema defensivo da cidade contava com quatro baluartes — Chiriquí, Barlovento, Mano de Tigre e Puerta de Tierra, que era o portal de acesso à povoação. O Baluarte de Chiriquí, assentado sobre um conjunto de compartimentos abobadados (as bóvedas) que servia de arsenal e alojamento, é hoje a Plaza Francia, uma homenagem ao país de Ferdinand de Lesseps, o pioneiro na tentativa de construir o Canal do Panamá.

As bóvedas da Plaza Francia
Além de 350 anos de uso contínuo, a diversidade arquitetônica nas fachadas do Casco Antiguo também se deve a três incêndios de grandes proporções, que destruíram boa parte de suas construções mais antigas. Por isso, não procure aquela harmonia de sobrados avarandados que se vê em Cartagena (embora o calor inclemente seja muito parecido).

As feições das atuais construções são, em sua maioria, herança da virada do Século 19 para o Século 20. A diversidade é a grande marca do Centro Histórico panamenho.

O neoclássico é o estilo dominante nos casarões do bairro. À direita, o Museu do Canal Interoceânico 

Uma remanescente das casas de madeira onde viviam os trabalhadores trazidos das Antilhas. À direita, o Convento de São Domingos
Você verá velhas igrejas coloniais, como La Merced — cuja fachada foi transplantada, pedra por pedra, de Panamá Viejo —, casarões neoclássicos, edifícios art déco e algumas construções em madeira, legado dos descendentes de africanos recrutados nas Antilhas para trabalhar na escavação do Canal do Panamá.

Entre as construções mais significativas, não deixe de visitar a Plaza Bolívar para ver a Igreja de São Francisco, com sua curiosa torre com escadaria em espiral e a vizinha Igreja de São Felipe Neri, com delicada decoração interior em estuque e um gigantesco presépio, com peças doadas por diversas famílias panamenhas. 

A Igreja de São Felipe Neri. Abaixo, a Praça da Independência, com a Catedral em obras


Outra grande atração da área, o festejado Teatro Nacional, uma preciosidade da Belle Époque, está sendo restaurado e temporariamente fechado à visitação.

Na Plaza de la Independencia, a Catedral do Século 18 também está fechada para reformas, mas você pode aproveitar para fazer uma visitinha ao Museu do Canal Interoceânico, que celebra os tratados Torrijos-Carter, firmados entre os Panamá e Estados Unidos na década de 70, passo essencial para a devolução do canal ao panamenhos.

A igreja de São José e seu famoso altar barroco

Igreja de São José: detalhe do altar dourado e o altar de Santa Edviges, que recebe oferendas de casinhas dos fieis que sonham em conseguir uma moradia própria
As lembranças mais fortes do período colonial você encontrará no interior da Igreja de São José. O edifício é uma reconstrução feita no Século 20, após um incêndio, mas o altar dourado é um legítimo representante do Barroco do Século 18, entalhado em mogno e recoberto por folhas de ouro.

Mais antigos ainda do que o célebre altar são o Convento dos Jesuítas — antiga sede da Real e Pontifícia Universidade de San Javier, a primeira instituição de ensino superior do Panamá — e o Convento de São Domingos, ambos em ruínas.





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2 comentários:

  1. Oi, Cyntia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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