domingo, 12 de novembro de 2017

Copa Airlines: vale a pena ser voluntária em caso de overbooking?


Aeroporto de Tocumen, o hub da Copa Airlines na Cidade do Panamá
Desde a primeira vez que viajei com a Copa Airlines (para Punta Cana, com conexão no Panamá, em 2006), noto que é comum a companhia procurar passageiros voluntários que aceitem abrir mão de suas reservas, adiando seu embarque, geralmente para o dia seguinte. Caso o viajante aceite, são oferecidas compensações como hospedagem, refeições, transporte e créditos (vouchers) em valores variáveis, que podem ser usados para pagar passagens aéreas da própria Copa.

Isso acontece porque a empresa aérea pratica o overbooking — e deixa isso bem claro em sua página na internet (veja aqui). “A política da Copa Airlines permite o overbooking de voos na cabine principal. Se, no horário do embarque, houver mais clientes com reservas confirmadas do que os assentos disponíveis, a Copa Airlines não negará um assento até os funcionários do portão de embarque primeiro verificarem se há passageiros com planos de viagem flexíveis que possam abrir mão de seus assentos confirmados”— os chamados “voluntários”.

Nunca fui “premiada” com a negação de embarque, mas na minha viagem mais recente com a Copa, voltando da Guatemala, aceitei ser voluntária e adiar por 18 horas o meu retorno ao Brasil. Veja como foi a experiência que me rendeu uma manhã de bônus para explorar a Cidade do Panamá:

Panamá Viejo: a primeira povoação colonial espanhola na Costa do Pacífico nas Américas: meu motivo para ficar mais 18 horas no país
Eu já estava no Aeroporto de Tocumen, na Cidade do Panamá, aguardando minha conexão para Brasília, quando os funcionários da Copa anunciaram pelos alto falantes que meu voo estava com superlotação e que buscavam sete voluntários que aceitassem permanecer no país até o dia seguinte. Como eu estava frustrada por não ter conseguido visitar Panamá Viejo nos dias em que estive por lá, resolvi me candidatar.

Veja como foi minha visita ao sítio histórico:
Panamá Viejo: um passeio pela história colonial das Américas

Estava confirmada no voo 318 (Panamá-Brasília), partindo às 21:14h (do sábado, 30/11), com chegada prevista para as 5:30h da manhã do domingo (1º/10). A mudança proposta — e aceita por mim — foi para embarcar às 15:37h do domingo, chegando às 23:50, no mesmo dia.

A oferta de compensação era singela: acomodação em hotel 5 estrelas, transporte, refeições e um voucher de US$ 400 para ser usado na compra de passagens na Copa. Nada que justificasse perder um compromisso ou mesmo aturar a aporrinhação de ficar no aeroporto até a decolagem do voo overbucado (que é quando a companhia aérea começa a providenciar o traslado dos “excluídos” até o hotel) e ter que passar de novo pela imigração. Só aceitei mesmo porque queria ir a Panamá Viejo.

Hotel Eurostars, o pouso dos "sem voo"
Fui a única voluntária. Outras seis pessoas foram selecionadas — desconfio que meio aleatoriamente— para passar a noite no Panamá. Como houve três no-shows (passageiros que não apareceram para o embarque), ficamos apenas quatro excluídos, um salvadorenho e um colombiano, ambos viajando a Brasília por conta de compromissos governamentais, e uma moradora de Brasília, que vinha de Miami com o filho e a nora e foi separada da família.

O caso dessa brasileira foi o mais complicado, até porque ela não estava com o certificado internacional de vacina contra febre amarela, obrigatório para a entrada no Panamá. A Copa não checou esse detalhe, antes de excluí-la do embarque, coisa que não achei nada bacana. Por sorte, ela tem mais de 60 e, pelas leis panamenhas, está dispensada da vacina — caso contrário, corria o risco de dormir do aeroporto.

Depois que o voo decolou, recebemos os vouchers de hospedagem e alimentação, o de compensação (de US$ 400) e os novos cartões de embarque, para o voo do dia seguinte. Um funcionário da Copa nos acompanhou para recuperar a bagagem e fazer imigração e, na sequência, nos levou ao balcão da empresa responsável por nosso traslado para o hotel.

Corredor Sur, o caminho mais rápido do Aeroporto de Tocumen ao Centro da Cidade do Panamá
O motorista da van veio com uma conversa de que a Copa não paga o pedágio cobrado no Corredor Sur, a pista expressa que liga o Aeroporto de Tocumen até o centro da cidade e queria cobrar US$ 5 de nós. Não é muita grana, mas tinha cara de golpe. Como não aceitamos, o filho da mãe fez o caminho mais comprido, uma volta inacreditável (que eu fui checando no Googlemaps). O resultado é que chegamos ao Hotel Eurostars Panama City quase meia-noite.

Veja como foi minha experiência no Hotel Eurostars Panama City:
Panamá - dicas de hospedagem

O processo de check-in foi muito rápido e corremos para o restaurante, que estava prestes a fechar. O jantarzinho que nos esperava não era grande coisa: um menu de três passos, com duas opções de entrada, prato principal e sobremesa — bebida, só chá gelado. Os refris tinham que ser pagos por fora.

As acomodações no Eurostars são bem confortáveis e não tive do que me queixar do apartamento.

A vista do restaurante do Eurostars, no 26º andar
No dia seguinte, depois de um café da manhã bem aquém do que se espera de um hotel 5 estrelas, fui fazer minha tão desejada visita a Panamá Viejo.

Lúcia, a companheira brasiliense de overbooking, foi comigo. Os outros dois passageiros preferiram ir visitar o Canal do Panamá e dar uma volta na Calzada de Amador, o quebra-mar que protege a entrada do canal e que ganhou urbanização para virar área de lazer.

Voltamos ao hotel com tempo de tomar um banho (indispensável, naquele calor), almoçar e fazer check-out, antes da chegada da van que nos levou ao aeroporto — desta vez, o salvadorenho decidiu pagar US$ 3 ao motorista, para que ele fizesse o caminho mais rápido.

Dois dos meus companheiros de overbooking usaram o stopover forçado para visitar o Canal do Panamá
Moral da história: vale a pena ser voluntária?
Se eu não tivesse nada que quisesse muito fazer no Panamá, eu diria que não. Se você ainda não conhece a cidade e quer dar uma volta por lá e marcar mais uma bandeirinha no seu mapa, pode ser interessante, mas não espere desbravar o país. Escolha um passeio e ponto.

O tempo de espera no aeroporto e a demora para chegar no hotel, quase quatro horas, foi bem aporrinhante — consumiu dois terços da duração do voo Panamá-Brasília, que é de 6 horas. A compensação de US$ 400 também não chega a seduzir.

Seja qual for sua opinião, lembre-se que só é possível fazer esse stopover improvisado no Panamá se você estiver com seu Certificado Internacional de Vacinação contra Febre Amarela.

Cinta Costera, a orla marítima da Cidade do Panamá, assumidamente inspirada do Aterro do Flamengo
O que é overbooking e como prevenir
As companhias aéreas, em geral, vendem mais passagens aéreas para seus voos do que o número de lugares disponíveis no avião, prevendo que sempre tem alguém que não comparece ao embarque. O percentual fica em torno dos 10% acima da capacidade da aeronave. A prática é formalmente proibida no Brasil, mas acontece.

A situação também pode ocorrer em função de troca não programada de aviões (por pane, por exemplo) ou remanejamento de passageiros de voos cancelados ou atrasados.

Para evitar o perrengue, faça check-in antecipado pela internet, preste atenção aos e-mails comunicando alterações nos horários dos voos e evite chegar em cima da hora ao aeroporto.

Calzada de Amador, o quebra-mar do Canal do Panamá virou área de lazer
Eu sou aloka da antecedência, gosto de chegar ao aeroporto cerca de três horas antes do voo. Além de nunca ter dançado em um overbooking, ainda consigo consertar os erros monstruosos que a minha cabeça distraída me impõe: na noite em que embarquei para o Panamá, logo após despachar a bagagem, reparei que tinha esquecido a carteira (com cartões de crédito e dólares em notas menores).

Fiquei nervosa, mas só um pouquinho. Ainda faltava muito tempo para a decolagem e eu pude voltar em casa e resgatar a carteira esquecida.



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