domingo, 29 de outubro de 2017

Panamá - dicas práticas

San Blas: só o mergulhinho nessas águas já faz o Panamá merecer sua visita
Mais dia, menos dia, o Panamá vai cruzar — se é que ainda não cruzou — o seu caminho. O Aeroporto Internacional de Tocumen é um importante entroncamento de rotas aéreas entre as Américas, operadas pela companhia nacional, a Copa Airlines.

Uma conexão na terra do canal é cada vez mais frequente para brasileiros que viajam ao Caribe, a alguns destinos sul-americanos e mesmo à América do Norte. Por que então não aproveitar para descobrir as praias, a culinária e a história do Panamá?

Foi isso que pensei ao organizar minha tão sonhada viagem à Guatemala. Eu já tinha feito várias conexões em Tocumen, sem sair do aeroporto. Desta vez, porém, resolvi fazer diferente. E gostei muito da minha decisão.

Os arranha-céus da Cidade do Panamá vistos da muralha do Centro Histórico
O país tem atrações mais do que suficientes para justificar a parada: as memórias de sua movimentada colonização preservadas em Panamá Viejo, o charme do Casco Antiguo da Cidade do Panamá, a grandiosa engenharia do Canal do Panamá e, principalmente, os cenários de sonho do arquipélago caribenho de San Blas.

Neste post eu organizei as dicas práticas sobre o destino, para facilitar o seu planejamento. Assim, quando uma viagem colocar o Panamá no seu caminho, você já tem todas as informações para aproveitar atrações do istmo 😊.

O Colégio dos Jesuítas, no Casco Antiguo (Centro Histórico)
Como viajei ao Panamá
A Copa Airlines voa direto para a Cidade do Panamá partindo de Brasília (e também de Manaus, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo ou Porto Alegre) e essa é a uma ótima alternativa para quem vai à América Central.

Independentemente de qual seja seu destino final — o meu era a Guatemala — a companhia aérea oferece a possibilidade de fazer um stopover no Panamá, aquela parada que é mais longa do que uma conexão e permite que você fique alguns dias no destino intermediário. Pode ser feita na ida ou na volta.

Para solicitar o stopover, o melhor é comprar a passagem por telefone. Eu fiz algumas simulações de compra pela internet, usando a opção múltiplos destinos no site da Copa, e o bilhete ficava mais caro. Pelo telefone, eu consegui incluir uma parada de três dias na Cidade do Panamá pelo mesmíssimo preço que iria pagar no bilhete Brasília-Guatemala-Brasília.

Esse pelicano fez muitas poses para as lentes da Fragata nos recifes diante das antigas muralhas da cidade

Quanto tempo
Para ver a Cidade do Panamá (com passeio ao Canal, Casco Antíguo, Cinta Costera e Panamá Viejo), dois dias são suficientes. Para se esbaldar nas compras (o Panamá é famoso pelos bons preços e ofertas de importados) é bom agendar mais um diazinho.

A visita ao paradisíaco Arquipélago de San Blas pode ser feita em um bate e volta (como eu fiz), mas vale a pena dormir pelo menos uma noite por lá e aproveitar o sossego rústico das ilhotas.

Eu fiquei dois dias e meio, na ida, e mais um, na volta, que não estava previsto. Esse "dia bônus" pintou porque aceitei retardar meu embarque para o Brasil, pois o voo estava superlotado. Vou falar do overbooking da Copa (e as condições oferecidas aos passageiros) em outro post.

Veja meu roteiro no Panamá

A cidade vista da Calzada de Amador, um quebra-mar que virou área de lazer
Melhor época
A temporada seca no Panamá vai de janeiro a março e essa seria a época mais recomendada — mas prepare-se para os preços das passagens aéreas, que vão estar bem mais altos do que no resto do ano. 

Se você viajar em outra época, não quer dizer que vai ficar trancada no hotel fugindo do temporal. Eu estive lá na segunda metade de setembro, já entrando no período mais chuvoso (outubro é o mês campeão) e fiz tudo o que estava planejado, inclusive o mega-blaster-supra banho de mar em San Blas, com um lindo céu azul. 

Chove muito no Panamá, mas isso não atrapalhou minha visita a San Blas
A chuva no Panamá lembra a Região Amazônica: quando o calor aperta, desaba o aguaceiro, geralmente no meio ou final da tarde. Antes e depois disso, dá para passear à vontade.

O país é quente o ano inteiro — calor na casa dos 30 graus, potencializado pela umidade, que está sempre acima dos 90 e muitos por cento. Nem à noite o termômetro dá trégua. Dizem os locais que na época seca sopra uma boa brisa, amenizando um pouco a sensação térmica.  

San Blas: olha só esse mar 
Organização dos passeios
Minha viagem ao Panamá ficou redondinha porque organizei tudo com antecedência com a agência Guia Panamá, do brasileiro Roque Freitas. Ele vive no país há oito anos e já se tornou um expert em organizar passeios e outros serviços de receptivo para brasileiros.

Ainda no Brasil, pela internet, contratei com Roque um tour ao Canal do Panamá e a outros pontos de interesse (Calzada de Amador, Casco Antiguo, Cinta Costera) para assim que desembarcasse em no aeroporto de Tocumen — o voo pousa às 6h da manhã.

Percorrendo a Calzada de Amador, no city tour da chegada
Essa alternativa tem duas vantagens. A primeira é que não é preciso ficar esperando a hora do hotel liberar o check-in (entre 13h e 15 horas) ou pagar uma diária a mais para ir direto para a acomodação. A segunda é que de manhã cedinho o trânsito infernal da cidade do Panamá ainda não acordou e o trajeto até o Canal do Panamá (a 33 km de distância) é feito em um tempo civilizado, ou seja, em menos de uma hora.

O pacote oferecido pela Guia Panamá inclui a recepção no aeroporto, visita ao canal e outros pontos de interesse na cidade e transporte até o hotel, ao final do passeio. Custa US$ 120 (sem o ingresso no Centro de Visitantes das Eclusas de Miraflores, no Canal do Panamá, que custa US$ 15). Pela praticidade e conforto, achei o preço bem decente.

Roque, meu guia no Panamá
Roque é um ótimo guia, conhece bem a história e a atualidade panamenhas e ao longo do passeio oferece dicas preciosas para quem está chegando. Na comunicação por e-mail, ele foi bem claro na descrição dos serviços e preços e me ajudou a escolher entre as opções de atrações. 

Não foi preciso fazer qualquer  pagamento antecipado: a regra da agência é que o cliente só paga ao final de cada serviço. Gostei muito do profissionalismo e da simpatia, recomendo vivamente a agência.

O Arquipélago de San Blas, ou Kuna Yala, é uma miríade de ilhotas administrada pelos indígenas

Como ir a San Blas
A Guia Panamá também intermediou a compra do meu passeio a San Blas (Kuna Yala). O arquipélago é administrado pelo povo Kuna e só os indígenas têm autorização para operar atividades turísticas na área e nem sempre é fácil contatá-los daqui do Brasil.

Você pode escolher desde um bate e volta ao arquipélago até uma temporada de vários dias nas ilhas. Os pacotes costumam incluir o transporte desde a Cidade do Panamá, a travessia de barco, passeios a várias ilhotas e refeições.

No embarcadouro administrado pelo povo Kuna, aguardando meu transporte para as ilhas
Eu fiz só o bate e volta porque meu tempo no Panamá era curto. Saí do hotel às 5h da manhã, atravessei o istmo do Pacífico ao Atlântico de carro (cerca de três horas de viagem) e peguei uma lanchinha para as ilhas. O retorno é às 16h horas, com chegada na capital lá pelas 19h.

Foi maravilhoso, mas acho que teria sido ainda melhor dormir pelo menos uma noite em San Blas.


Só não arrisque retornar de San Blas no mesmo dia em que for pegar um voo. A viagem até os locais de embarque para as ilhas atravessa o Istmo, da Costa do Pacífico à Costa Atlântica. Em condições normais, é um percurso feito em três horas, mas a chuva, o trânsito e outras variantes podem tomar mais tempo.

San Blas vai ganhar um post exclusivo, com dicas detalhadinhas 😊.

A visita ao Canal do Panamá é o passeio mais procurado por quem tem algumas horas de conexão em Tocumen
E se for só uma conexão mesmo?
Dependendo do tempo de espera entre voos, também dá pra fazer um passeio pela Cidade do Panamá. Se seu intervalo for de menos de seis horas, não arrisque. Prefira se distrair nas lojas do free shop do Aeroporto de Tocumen, que sempre têm promoções interessantes (eu já fiz boas compras lá).

A partir de oito horas de parada, já dá para pensar em um passeio ao Canal do Panamá ou ao Casco Antiguo (Centro Histórico). Além da Guia Panamá, muitas agências locais oferecem esse tipo de tour, pegando o passageiro no aeroporto e trazendo de volta ao terminal em tempo hábil para o embarque no próximo voo.

Plaza Francia, no Casco Antiguo
Os operadores têm experiência com o trânsito local e vão saber sugerir um roteiro que caiba no tempo que você terá para passear.

Para ir do aeroporto ao Centro
O site oficial do Aeroporto de Tocumen lista todas as alternativas de transporte ligando o terminal à cidade, um trajeto de cerca de 30 km.

Tem desde o Metrobus (US$ 0,25), passando por um micro-ônibus gratuito que vai até o shopping Metromall (a 24 km do Centro, onde você pode chamar um uber) até os táxis, que vão cobrar entre US$ 20 e US$ 30 pela corrida — você pode achar opções mais baratas, mas prefira pagar mais caro e pegar um táxi oficial.

Corredor Sur, o caminho mais rápido (e pedagiado) entre o Aeroporto e o Centro
A maioria dos hotéis mais estruturados oferece serviço de transfer e você pode consultar essa opção quando fizer sua reserva. O Best Western Zen Panama, onde fiquei, cobra US$ 25 por pessoa.

Como fiquei conectada
Usei o chip de celular Easysim4U que ganhei de brinde na assinatura da revista Aprendiz de Viajante. O chip funciona em cerca de 140 países e é prático para quem viaja para vários destinos. Na Cidade do Panamá, a conexão foi bem boa, não me deu problema. Em San Blas, só funcionou no porto de embarque para as ilhas (o sinal de celular no arquipélago é bem ruim).

Para saber mais sobre esse serviço, veja este post:Chip de celular no exterior: minha avaliação do EasySim4U


Segurança na Cidade do Panamá
O Panamá é apontado como o país mais seguro da América Central — região que emplaca 11 países na lista dos 20 mais perigosos do planeta. Os panamenhos fazem questão de ressaltar os baixos índices de criminalidade nas áreas onde circulam os turistas.

Minha percepção foi bem essa: sem dar bobeira e sem me arriscar em quebradas esquisitas, posso dizer que andei sem medo e sem incidentes pelo bairro de Cangrejo e pelo Centro Histórico da capital (essa área é muitíssimo bem policiada).

O Casco Antiguo é muito policiado e seguro
Fora das áreas turísticas e em outras cidades panamenhas, como Colón (apontada como a mais insegura do país), a realidade não é tão cor-de-rosa. Em 2014, o país ocupava a 25º colocação no ranking negativo da segurança pública (o Brasil era o 16º). De lá para cá, o país vem experimentando decréscimos significativos nas taxas de homicídios (geralmente associados ao tráfico de drogas), embora as pesquisas de opinião revelem que a criminalidade é a maior preocupação da população. os panamenhos.

Por via das dúvidas, resolvi me comportar no Panamá como se estivesse no Brasil, usando dois “aplicativos” que não costumam falhar: atenção e bom senso. Sempre que saí desacompanhada, procurei me informar sobre a segurança da área que iria visitar. Usei o uber para me deslocar e não dei bobeira à noite pela rua.

Moeda e câmbio

Oficialmente, a moeda panamenha é o Balboa. Na prática, o país tem duas moedas que valem rigorosamente a mesma coisa: a local e o dólar norte-americano, que circula livremente. Basta comprar dólares no Brasil para a viagem e esqueça a necessidade de fazer câmbio quando chegar ao Panamá.

Troco panamenho: você pode receber moedas de dólar ou de Balboa. Elas valem a mesma coisa, mas o dinheiro panamenho vai ser mais difícil de converter fora do país 
Procure levar uma quantidade de notas de menor valor para pequenas despesas, pois as cédulas de US$ 100 são tratadas com muita desconfiança no comércio local. Não é que não sejam aceitas, mas a conferência é minuciosa. Não é raro pedirem seu passaporte, anotar o número e até xerocar as notas e pedir pra você assinar a cópia, como aconteceu no hotel em que me hospedei, quando paguei as diárias.

Não existem cédulas do dinheiro panamenho, só moedas de 1, 5, 10, 25 e 50 centavos e de 1 Balboa. Quando paga alguma coisa em cash, você vai receber o troco em notas de dólares e moedinhas panamenhas (se não quiser voltar para casa com um dinheiro que só vale no Istmo, troque essas moedas por lá mesmo).

Ingressos para vistar o Canal ou Panamá Viejo (na foto) custam US$ 15 para adultos estrangeiros
Preços
Um país com economia dolarizada não tem muito como ser barato para quem vive em reais, mas achei os preços panamenhos bem parelhos aos do Brasil. Fiquei em um ótimo hotel pagando US$ 76 pela diária, com café da manhã e a refeição mais cara custou US$ 30. Ingressos para atrações como o Canal do Panamá e Panamá Viejo custam US$ 15.

Quando reservar o hotel pela internet, lembre-se de acrescentar 7,5% de imposto ao valor que vai aparecer como preço da diária.

Transporte
O trânsito na Cidade do Panamá é padrão São Paulo. Os engarrafamentos são uma constante e é prudente dar uma boa folga entre o tempo apontado por aplicativos como o Googlemaps e a verdadeira duração de um deslocamento.

Um pitoresco diablo rojo, a versão panamenha do chicken-bus
O transporte público na Cidade do Panamá é incrivelmente barato: a passagem nos ônibus e no Metrobus (ônibus que circulam em faixas exclusivas e são bem mais rápidos e seguros) custa 35 centavos de dólar (R$ 1,15, no câmbio de hoje).

Há uma modalidade de transporte público bem pitoresca, que são os diablos rojos ("diabos vermelhos"), antigos ônibus escolares norte-americanos convertidos em transporte “alternativo”. Eles geralmente não pertencem a uma frota, mas a motoristas independentes, que decoram o veículo do jeito mais chamativo, dirigem feito malucos e meio que ignoram a lei da física segundo a qual dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo — minha definição de “lata de sardinhas” foi brutalmente alterada observando o empilhamento de gente a bordo desses ônibus. A passagem nos diabinhos custa 30 centavos de dólar.

Eu não usei o transporte público na Cidade do Panamá, até porque não tive muito tempo para explorar a cidade. Usei Uber nos passeios que fiz por conta própria na cidade. De El Cangrejo, onde me hospedei, até o Casco Antiguo, a tarifa ficou em US$ 4,20 na ida e US$ 4,50 na volta. Para visitar Panamá Viejo, paguei US$ 4,10 na ida e US$ 8,77 na volta.

O Panamá na Fragata Surprise
Roteiro
Panamá e Guatemala: 2 semanas na América Central
Informações gerais
Cidade do Panamá: 2 dicas de restaurantes
Panamá - dicas de hospedagem
Passeios
San Blas, o Caribe panamenho
Panamá: o que ver no Casco Antiguo (Centro Histórico)
Panamá Viejo: um passeio pela história colonial das Américas
Canal do Panamá: o que você precisa saber antes de ir



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