25 de março de 2019

Onde comer em Memphis

Dyer's Burgers, em Memphis, Tenessi
Comer em Memphis: viva a gastronomia roqueira
Este não é um guia gastronômico de Memphis, no sentido clássico da expressão. Em uma cidade com tanta música boa e tantas memórias de grandes músicos, confesso que a última coisa que me passava pela cabeça era me preocupar com refeições.

Mas saco vazio não para em pé — e, muito menos, consegue se sacudir ao ritmo do Blues e do Rock’n’Roll. Então, é claro que eu comi em Memphis. E muito bem, diga-se de passagem.

O que eu fiz foi estender minha imersão total na Memphis musical também para a hora do rango.

Então, este não é um post sobre restaurantes, mas sobre diners, cafés e tavernas. Não fala de alta gastronomia, mas de comida rápida, sanduíches e outros petiscos que não atrapalham a farra sonora.

Enfim, essas são minhas dicas de onde comer em Memphis entre um show e outro. Meu guia gastronômico-roqueiro de Memphis. Não tem estrelas Michelin, mas encaixa direitinho naqueles 12 compassos que são a alma da Cidade do Blues.

Enjoy 😊.

Bluff City Coffe & Bakery, Memphis
Bluff City: excelente café e astral comunitário
Onde comer em Memphis

⭐Bluff City Coffe & Bakery
505 South Main Street

Tomei meu primeiro café da manhã em Memphis no Bluff City, uma casa especializada em espressos fiéis à técnica italiana, bem pertinho do Blues Hall of Fame.

O café é excelente, o biscuit com linguiça estava ótimo, mas melhor ainda é o astral do lugar, um jeitão de “café do bairro”, onde todo mundo parece ser velho conhecido de todo mundo.

O espresso duplo custa US$ 3 e o biscuit com linguiça custa US$ 2,50.

Taverna The Green Beetle, Memphis
The Green Beetle: bom lugar para uma cerveja ou um hambúrguer
⭐The Green Beetle
325 South Main Street

Que lugar simpático é o Green Beetle! Bom para uma pausa, antes ou depois de visitar o Blues Hall of Fame ou o Museu Nacional dos Direitos Civis, que ficam bem pertinho.

O Green Beetle é uma taverna à moda antiga, fundada em 1939, onde os clientes se conhecem e confraternizam, enquanto aproveitam suas canecas de cerveja depois de um dia de trabalho.

Em sua versão original, tocada por um imigrante italiano, a casa fez muito sucesso e chegou a ser frequentada por Elvis Presley e por Hank Williams. Nos anos 60, quando a área de South Main Street começou a experimentar uma amarguíssima decadência, o Green Beetle ficou bem infrequentável e acabou fechado.

Com a revitalização do bairro, agora oficialmente South Main Street Art District, o Green Beetle foi reaberto pelo neto do fundador da taverna original, em 2011, que se esforça para manter o mesmo clima de ponto de encontro de velhos amigos.

Eu adorei The Green Beetle e recomendo o famoso hambúrguer da casa (US 11).

Alfred's on Beale Street, Memphis
Alfred's: comida caseira e muita música
⭐Alfred's on Beale Street
197 Beale Street

Taí outro lugar que eu curti demais! O Alfred’s é uma mistura de diner (essa tradição norte-americana que as lanchonetes tentam, mas não conseguem imitar) com night club. Você entra pra comer um sanduba e, quando vê, já caiu no Rock’n’Roll.

A programação musical do Alfred’s é bem variada — considerando a vasta gama de variações que se tem na paleta do Jazz, Blues, Rythm’n’Blues e Rock’n’Roll — mas falei de música em Memphis em outro post.

Porco desfiado servido no Alfred's de Memphis
Esse porquinho desfiado estava de rasgar a roupa
Para o que interessa a esta postagem aqui, aviso que a melhor refeição que fiz em Memphis foi exatamente no Alfred’s, uma suculenta e sedutora porção de carne de porco desfiada (depois de ser lentamente assada e defumada), com molho barbecue e acompanhada de salada de repolho, pão tostado e feijões.

Esse prato chama-se Pulled Pork Platter (US$ 13,99) e é uma das estrelas do cardápio do Alfred’s, especializado em culinária caseira tradicional do Sul dos EUA.

Outras opções tentadoras são o meatloaf (bolo de carne), o chicken pot pie (empadão de frango) e as loaded spuds (batatas recheadas).

Hamburgueria Dyer's, em Beale Street, Memphis
Dyer's: pra comer bem e barato
⭐ Dyer's Burgers
205 Beale Street

Os hambúrgueres do Dyer’s têm mais de um século de tradição. A casa iniciou suas atividades em 1912 — quando um gênio como Howlin’ Wolf tinha apenas dois aninhos de idade, a pioneira Memphis Minnie ainda nem sonhava em gravar um disco e BB King ainda levaria 13 anos para chegar ao planeta terra.

De lá para cá, a tal receita secreta criada na casa para preparar hambúrgueres já forneceu energia para muitas gigs na cidade do Blues.

A decoração e a atmosfera do Dyer’s lembram velhos road movies ou alguma página perdida na memória de um romance Beatnik. E o hambúrguer continua batendo um bolão.

O combo do cheeseburger com fritas e refrigerante custa US$ 8,50, uma refeição honestíssima em plena Beale Street.

Kooky Canuck, restaurante canadense
Kooky Canuck: bom atendimento e comida canadense - as cabeças de bichos na decoração são fake
⭐Kooky Canuck
87 South, 2nd Street

O Kooky Canuk é meio famosão em Memphis. A casa é especializada em cozinha canadense e ambientada como uma cabana de pioneiros, com paredes revestidas de madeira e decoradas com cabeças de animais — muito aflitivas pra mim, por mais que eu soubesse que são fake.

Tirando esse macabro elemento decorativo, o ambiente é agradável, o atendimento é muito simpático e eficiente e a comida é boa.

Torta de carne típica da parte francesa do canadá
Torta de carne típica do Canadá
Pedi a Mimi’s Tourtiére (US$ 10,99), uma torta de carne tradicional na parte francesa do Canadá que ajudou a esquentar a minha alma, congelada pela neve que me surpreendeu no final da visita a Graceland.

O Kooky Canuk é célebre pelo seu “Desafio Kookamonga”: o cliente que conseguir comer esse hambúrguer de gigantesco (pesa 7,5 libras/ 3,4 kg) em até 60 minutos não precisa pagar a conta e passa a integrar o hall da fama da casa. O bicho tem 12 mil calorias…

(Os mais velhos vão lembrar que Kookamonga era um lugar sempre citado no seriado Os Três Patetas).


➡️ Meu roteiro musical nos Estados Unidos

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