2 de julho de 2016

Mercado do Bolhão, no Porto - viajar com os cinco sentidos

Mercado do Bolhão, tradição portuense
Que eu sou fã de um mercado, vocês já estão carecas de saber. E sou tããão fã que a minha primeira atividade no Porto, desta vez, foi uma visita ao legendário Mercado do Bolhão, instituição centenária que ocupa uma quadra na Baixa do Porto e é sinônimo de secos e molhados desde a primeira metade do Século 19.

Uma passada pelo Bolhão é um passeio divertido e inspirador — vocês não imaginam a quantidade de coisas que vi por lá e decidi que iria provar nas próximas refeições. Altamente recomendável para quem quer conhecer in natura os personagens/ingredientes que tantas alegrias nos trazem à mesa. 

Pimentas, azeites...
Pena que blogs ainda não reproduzem cheiros...
Eu vivo dizendo que viajar é tarefa para os cinco sentidos — vocês não acham uma pena que os blogs ainda não consigam reproduzir cheiros e texturas? — e fico na maior animação quando vejo os tabuleiros verdejantes de hortaliças, ouço os sotaques em plena negociação... O grande problema é que tenho que me conter para não apalpar nada. Esse hábito, tão brasileiro e tão prazeroso, não é muito bem visto em outras plagas :)   

Tem de tudo no Bolhão: peixes e frutos do mar fresquinhos nos tabuleiros, uma profusão de azeites, muralhas de potes de azeitonas e pimentas, barracas especializadas em doces e biscoitos e, claro, vinhos — afinal estamos no Porto. Então, depois de rodar um bocado e  beliscar pequenas delícias (como figos secos recheados com nozes, amêndoas e tremoços), nada como fazer uma pausa para degustação de vinhos do porto.

O metrô deixa o visitante na porta do mercado


Encontrei um lugarzinho bem simpático pra isso, a Bolhão Wine House, um boxe do mercado com mesas improvisadas sobre tonéis de vinho, onde é possível bebericar com calma, acompanhando os cálices com porções de queijos, defumados e embutidos portugueses (e mais o farnel que você tiver amealhado na exploração de outros tabuleiros.

O prédio do mercado foi inaugurado em 1914, abrigando a feira livre que já funcionava no local desde 1839


O Mercado Bolhão começou como uma feira livre, no mesmo local onde hoje se ergue a bonita construção neoclássica de 1914, um ícone de modernidade na época da inauguração. O descampado íngreme na Baixa do Porto era frequentemente alagado pelas águas que desciam das ladeiras próximas, formando imensas poças d’água — que os portugueses chamam de “bolhas”—o que acabou batizando o lugar.

Na esteira de uma série de obras de modernização urbana no Porto, veio a construção do edifício, conjugando estruturas metálicas com o uso do concreto armado, uma técnica de ponta, na época. Essa importância, porém, não impediu o maltrato: o Bolhão está clamando por uma reforma. Mas nada estraga o prazer de passear entre suas bancas de flores, de aspirar o perfume de suas frutas luxuriantes (e se esbaldar com várias delas).


Bolhão Wine Bar: bom lugar para uma pausa


A reforma do Mercado do Bolhão está travada há quase duas décadas em função de uma disputa ferrenha entre duas concepções de revitalização. De um lado, uma proposta de restaurar o lugar, preservando suas características. Do outro, um projeto de gentrificação da área pretende transformar o Bolhão em um complexo de restaurantes, lojas e até moradias, deixando uma pequena área para o que realmente interessa — os cheiros, cores e texturas vivos que fazem um mercado.

O imbróglio promete ser resolvido ainda este ano e é claro que estou na torcida pela primeira alternativa. Por enquanto, foi um prazer exercitar meus cinco sentidos viajantes no Mercado do Bolhão.

Curte feiras e mercados? Dá uma olhada no monte de lugares legais mundo afora já comentados na Fragata: 
Feiras e Mercados - Índice


A fachada do mercado
O Bolhão está clamando por uma reforma
Mercado do Bolhão
Rua Formosa, Baixa do Porto. Metrô Bolhão (a estação é bem ao lado). De segunda a sexta, das 10h às 17h. Sábados, das 10h às 13h. Não abre aos domingos.





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